Arquivos mensais: julho 2014

A pesquisa “esquecida” pelo Datafolha

Vocês que há apenas uma semana acompanham o Blog Teoria dos Jogos em seu novo endereço, sabem que este espaço se notabiliza pela divulgação (muitas vezes exclusiva) de pesquisas de torcida. Todas elas estão disponíveis nos arquivos do Globoesporte.com (clique aqui  e  aqui para acessá-las), embora não se saiba por quanto tempo o portal nos fará esta gentileza. É importante esclarecer aos leitores que este importante mapeamento continuará até o momento em que o país se encontrar inteiramente pesquisado – ou algo próximo disto.

Sendo assim, vamos às novidades. Recentemente o Datafolha divulgou interessante pesquisa dentro de uma das arenas da Copa. Durante a partida entre Brasil e Chile (28/06/2014), o instituto foi ao Mineirão (Belo Horizonte) e traçou o perfil do torcedor presente ao estádio. A configuração dos presentes àquelas oitavas-de-final foi a seguinte:

Fig 01

Trata-se de um perfil diferente do verificado na capital mineira, com enorme quantitativo de flamenguistas (12%), corintianos (12%) e são paulinos (9%) em detrimento de cruzeirenses (22%) e atleticanos (18%). Não se pode chegar a qualquer conclusão que não o fato de que muitas pessoas viajam durante a Copa do Mundo, mudando substancialmente o perfil das amostras à época do torneio. Mas o que realmente surpreendeu não foi isto.

A título de comparação, o Datafolha confrontou os números coletados na arena mineira com um levantamento recente feito pelo próprio instituto. Uma pesquisa que, vejam vocês, sequer veio a público.

Segue:

Fig 02

Como se pode ver, o estudo foi feito “entre 03 e 05 de junho de 2014”. Em consulta ao site do instituto (clique aqui), descobrimos se tratar de uma pesquisa elaborada vésperas da Copa do Mundo, abordando unicamente questões relativas às expectativas sobre o torneio. Não houve qualquer citação à preferência clubística dos entrevistados, embora a amostra tenha sido uma das melhores já elaboradas pelo Datafolha (4.337 pessoas, 207 municípios, margem de erro de 2 pontos percentuais).

Mas é a análise dos números que levanta dúvidas quanto à possível conveniência de se ocultá-los.

Segundo a nova pesquisa, o Flamengo teria 18% das preferências nacionais, e não 16% conforme a última pesquisa Datafolha. Já o Corinthians teria 14%, e não os… 16% da pesquisa anterior. Vocês se lembram que pesquisa é esta a que me refiro?

Os grandes portais esportivos podem refrescar nossa memória…

Manchete Folha

Manchete Placar

Pois é.  Há quase dois anos – em meio à participação corintiana no Mundial de Clubes da FIFA – o Datafolha fez um grande estardalhaço por conta da pesquisa que colocaria a torcida do Corinthians empatada com o Flamengo em âmbito nacional. O estudo, que absurdamente também igualou as torcidas de Fluminense e Portuguesa, gerou tanta polêmica que obrigou a empresa a divulgá-lo em seus dados exatos (sem arredondamentos). Relembrem:

Manchete GE

A pergunta que não quer calar: por que, àquela época, o Datafolha fez tamanha divulgação do suposto empate técnico entre Corinthians e Flamengo, calando agora que outra pesquisa de sua autoria coloca o clube paulista muito abaixo dos cariocas?

E mais: embora as demais torcidas tenham flutuado pouco, São Paulo e Palmeiras registraram em 2014 um ponto percentual a menos do que em 2012 (caindo, respectivamente, de 9% e 7% para 8% e 6%). Já o Fluminense marcou 2%, vendo a Portuguesa zerar. Resta claro um benefício às torcidas da cidade de São Paulo, pois enquanto até a Portuguesa teve números inflados, o Santos foi o único a não se beneficiar.

O explícito viés paulistano da amostra de 2012 não requer maior responsabilidade e parcimônia no trato de estatísticas que envolvem tamanha paixão?

Com a palavra, o Datafolha.

Um grande abraço e saudações!

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PS: Agradecimentos ao leitor Clayton Silvestre 

Os números da superioridade rubro-negra

Embora tenha sido derrotado pelo Fluminense na 4ª rodada, derrotar o Botafogo fez o Flamengo começa a trilhar o caminho rumo à saída do Z-4.

Ainda que não tenha derrotado o rival na ocasião (dois empates), mais uma vez o Flamengo se sagrou campeão estadual sobre o Vasco em 2014.

Inseridos no recente contexto de 2014, os exemplos acima comprovam a estatística que o Blog Teoria dos Jogos publica agora: quão grande é a superioridade recente do Flamengo sobre seus rivais cariocas? Em parceria com o sempre competente FutDados, fomos atrás da estatística dos confrontos rubro-negros contra Botafogo, Vasco e Fluminense*.  Década por década, o panorama foi o seguinte:

*Fonte: Fla-Estatística

Fig 01.1
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Fig 01Fig 01O Botafogo é o clube que mais perdeu para o Flamengo: são 20 vitórias a menos. Em contrapartida, o Alvinegro foi responsável pelo maior massacre já sofrido pelos flamenguistas em uma única década. A famosa história do “bicho antecipado” do goleiro Manga é real, se refletindo no saldo positivo de 13 vitórias a favor do Bota entre 1960 e 1970. A má sequência rubro-negra se deu justamente após seu melhor desempenho: na década de 50, o Fla ganhou 56,41% dos pontos disputados contra o Botafogo. Nos dias atuais, a superioridade do clube da Gávea é apenas a 5ª maior da história do confronto.

Fig 02.1
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Fig 02Fig 02.1 O cruzmaltino é o único que conseguiu ser superior ao Flamengo em três décadas diferentes (incluindo, surpreendentemente, a década de 80). Fluminense e Botafogo o fizeram apenas duas vezes. No entanto, não foram suficientes para fazer o Vasco ter superioridade contra o Flamengo, já que o Rubro-Negro venceu 15 vezes a mais. O desempenho flamenguista na década de 2010 (55,56%) é o segundo melhor da história, ficando atrás apenas dos anos 60.

Fig 03.1
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Fazem mais de 80 anos que o Fluminense não termina uma década com superioridade sobre o Flamengo. Ainda assim, o confronto tem equilíbrio: o Tricolor foi quem mais empatou, fazendo o Rubro-Negro conquistar seu menor percentual histórico de pontos (46,53%, contra 47,35% do Vasco e 47,24% do Botafogo). Mas na década de 2010 o Mengão vem se dando bem: ganhou 55,56% dos pontos em Fla-Flus. No total agregado (Fla x Bota+Vasco+Flu), o resultado ficou assim:

Fig 04.1
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As 17 vitórias, 17 empates e 8 derrotas fizeram dos últimos anos os melhores do Flamengo na história dos clássicos no Rio: 53,97% de aproveitamento.  Números semelhantes quando comparados aos últimos dez anos – ou seja, a “década” que se inicia em 2005 e termina em 2014:

Fig 05.1
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Neste caso, mais do que o índice de vitórias (52,85%), chama atenção o saldo de vitórias do Flamengo: venceu 21 vezes mais do que perdeu, configurando o melhor desempenho de todos os tempos.

Caso o bom histórico permaneça, é possível que o Fla conquiste mais de quatro pontos contra Fluminense e Botafogo ainda neste Campeonato Brasileiro.Pelo andar da carruagem, tornando necessários outros 30 pontos para que a Nação possa chegar a dezembro dormindo tranquilas noites de sono.

Um grande abraço e saudações!

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As maiores rendas da história – atualização 2014

Em pleno pós-Copa, seria natural que houvesse radicais modificações no ranking de maiores rendas da história do futebol brasileiro – ou do futebol jogado no Brasil. O Mundial foi um sucesso de bilheteria, e não se pagava menos de R$ 160 por qualquer ingresso seja qual fosse a sede. Infelizmente, inúmeros recordes não puderam ser contabilizados, já que a FIFA não divulga a arrecadação de bilheteria das partidas sob sua tutela.

Por conta disso, foram poucas as alterações, sendo que uma delas aconteceu anteontem. Sim, o Galo Mineiro – agora campeão da Recopa Sul-Americana – sobra na turma: detentor da maior bilheteria de todos os tempos (final da Libertadores 2013) e da quarta maior, contando apenas partidas interclubes. Vejamos o novo ranking:

RANKING EM JOGOS ENTRE CLUBES

1) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda:  R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013;

2) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013;

3) Santos 0 x 0 Flamengo – Mané Garrincha (DF) – 26/05/2013 – Público: 63.501  – Renda: R$ 6.948.710,00 – Brasileirão 2013;

4) Atlético-MG 4 x 3 Lanús – Mineirão (MG) – 23/07/2014 – Público: 54.786 – Renda: R$  5.732.930,00 – Recopa 2014;

5) Cruzeiro 3 x 0 Grêmio – Mineirão (MG) – 10/11/2013 – Público: 56.864 – Renda: R$ 5.231.711,00 – Brasileirão 2013;

6)  São Paulo 2 x 1 Internacional – Morumbi (SP) – 05/08/2010 – Público: 57.113  – Renda 4.484.282,25 – Semifinal Libertadores 2010;

7)  Santos 2 x 1 Peñarol – Pacaembu (SP) – 22/06/2011 – Público: 37.894  – Renda: R$ 4.266.670,00 – Final Libertadores 2011;

8 ) Vasco 0 x 1 Flamengo – Mané Garrincha (DF) – 14/07/2013 – Público: 61.767 – Renda: R$ 4.071.170,00 – Brasileirão 2013;

9)  São Paulo 2 x 0 Tigre – Morumbi (SP) – 12/12/2012 – Público: 67.042 – Renda: R$ 3.942.800,00 – Final Copa Sul-americana 2012;

10)  Fluminense 3 x 1 LDU – Maracanã (RJ) – 02/07/2008 – Público 78.918 – Renda: R$ 3.910,044,00 – Final Libertadores 2008;

Obs1: Partidas recém incluídas no ranking estão em negrito.

Obs2.: Os valores expressam a renda bruta de partidas na história recente do nosso futebol, não sendo corrigidos pela inflação. O objetivo deste levantamento é justamente a comparação intertemporal de valores, evidenciando a majoração dos preços ao longo dos anos 

Outro destaque vai para o grande papel do Mineirão, estádio responsável por três das cinco maiores rendas históricas. O ponto negativo vai para São Paulo, que sequer ocupa o top-5. Lembrando que a Arena Corinthians – sobre a qual se depositavam inúmeras esperanças de bilheterias milionárias – já foi inaugurada, não tendo ultrapassado os R$ 3 milhões em nenhuma ocasião. Por fim, outra ressalva: as reinaugurações da Arena Grêmio e do Beira-Rio certamente ocupariam lugar no ranking acima. Contudo, por não terem sido partidas oficiais, foram dispensadas da publicação das bilheterias, algo que infelizmente pareceu conveniente aos clubes gaúchos.

Já o ranking das maiores rendas em jogos da Seleção teve apenas uma modificação, justamente na ponta. Foi no penúltimo amistoso preparatório antes da Copa do Mundo, este sim jogado na maior cidade do país: 

RANKING EM JOGOS DA SELEÇÃO

1) Brasil 1×0 Sérvia – Morumbi (São Paulo/SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$8.693.940,00 –Amistoso

2) Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso;

3) Brasil 3 x 0 França – Arena Grêmio (RS) – 09/06/2013 – Público: 51.643 – Renda: 6.833.515,00 – Amistoso;

4)  Brasil 0 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 18/06/2008 – Público: 52.527 – Renda: 6.605.255,00 – Eliminatórias Copa 2010;

5)  Brasil 1 x 0 Romênia – Pacaembu (SP) – 07/06/2011 – Público: 30.059 – Renda : R$ 4.357.705,00 – Amistoso;

6)  Brasil 4 x 2 Chile – Pituaçu (BA) – 09/09/2009 – Público: 30.370 – Renda: R$ 4.350.425,00 – Eliminatórias Copa 2010;

7)  Brasil 2 x 1 Paraguai – Arruda (PE) – 10/06/2009 – Público: 55.252 – Renda: R$ 4.322.555,00 – Eliminatórias Copa 2010;

8 )  Brasil 2 x 1 Uruguai – Morumbi (SP) – 21/11/2007 – Público 65.379 – Renda: R$ 4.321.225,00 – Eliminatórias Copa 2010;

9) Brasil 6 x 0 Austrália – Mané Garrincha (DF) – 07/09/2013 – Público: 40.428 – Renda: R$ 3.751.640,00 – Amistoso;

10)  Brasil 2 x 2 Chile – Mineirão (MG) – 25/04/2013 – Público: 53.331 – Renda: R$ 3.255.205,00 – Amistoso;

Portanto, o ranking agregado ficou assim:

RANKING AGREGADO (SELEÇÃO + CLUBES)

1) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda: R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013;

2) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013;

3) Brasil 1×0 Sérvia – Morumbi (São Paulo/SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$ 8.693.940,00 – Amistoso

4)  Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso;

5)  Santos 0 x 0 Flamengo – Mané Garrincha (DF) – 26/05/2013 – Público: 63.501 – Renda: R$ 6.948.710,00 – Brasileirão 2013;

6)   Brasil 3 x 0 França – Arena Grêmio (RS) – 09/06/2013 – Público: 51.643 – Renda: 6.833.515,00 – Amistoso;

7)   Brasil 0 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 18/06/2008 – Público: 52.527 – Renda: 6.605.255,00 – Eliminatórias Copa 2010;

8 ) Atlético-MG 4 x 3 Lanús – Mineirão (MG) – 23/07/2014 – Público: 54.786 – Renda: R$  5.732.930,00 – Recopa 2014;

9) Cruzeiro 3 x 0 Grêmio – Mineirão (MG) – 10/11/2013 – Público: 56.864 – Renda: R$ 5.231.711,00 – Brasileirão 2013;

10)  São Paulo 2 x 1 Internacional – Morumbi (SP) – 05/08/2010 – Público: 57.113 – Renda 4.484.282,25 – Semifinal Libertadores 2010;

Por fim, o ranking de maiores ticket médios da história, que passou a ter o Brasil x  Servia como integrante. Por pouco o jogo do Galo anteontem (Ticket de R$ 104) não entrou para a lista:

MAIORES TICKET MÉDIOS DA HISTÓRIA

1)Atlético-MG 2 x 0 Olímpia – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda:  R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013 – Ticket: R$ 250; 

2) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013 – Ticket R$ 167;

3) Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso – Ticket: R$ 150;

4) Brasil 1 x 0 Romênia – Pacaembu (SP) – 07/06/2011 – Público: 30.059 Renda : R$ 4.357.705,00 – Amistoso–Ticket: R$ 145;

5) Brasil 4 x 2 Chile – Pituaçu (BA) – 09/09/2009 – Público: 30.370  Renda: R$ 4.350.425,00 – Eliminatórias Copa 2010– Ticket: R$ 143; 

6) Brasil 1×0 Sérvia – Morumbi (São Paulo/SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$8.693.940,00 –Amistoso – Ticket: R$ 137;

7) Brasil 0 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 18/06/2008 – Público: 52.527 Renda: 6.605.255,00 – Eliminatórias Copa 2010 – Ticket: R$ 125;

8 ) Brasil 3 x 0 França – Arena Grêmio (RS) – 09/06/2013 – Público: 51.643 – Renda: 6.833.515,00 – Amistoso –Ticket: R$119;

9) Santos 2 x 1 Peñarol – Pacaembu (SP) – 22/06/2011 – Público: 37.894  Renda: R$ 4.266.670,00 – Final Libertadores 2011– Ticket: R$ 112;

10) Santos 0 x 0 Flamengo – Mané Garrincha (DF) – 26/05/2013 – Público: 63.501 – Renda: R$ 6.948.710,00 – Brasileirão 2013  – Ticket: R$ 109;

Por fim, não custa lembrar: os rankings acima são um acompanhamento elaborado exclusivamente pelo Blog Teoria dos Jogos. Diversos são os grandes portais de internet que fazem o Ctrl+C/Ctrl+V sem qualquer constrangimento e citação. Recuse imitações!

Um grande abraço e saudações!

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Audiências de uma Copa valiosa

Quem acompanhou o Blog Teoria dos Jogos sabe que uma de suas especialidades é o monitoramento das audiências televisivas do futebol – esporte cujos recursos movimentam cifras bilionárias no mercado interno. Para que se tenha uma ideia, estima-se que cada cota de patrocínio da TV Globo tenha custado R$ 180 milhões. Com oito delas vendidas (sendo cinco para parceiros globais da FIFA), a Vênus Platinada teria arrecadado quase R$ 1,5 bilhão de dólares. Por que as empresas pagam tanto? Porque o nível da exposição em mídia de suas marcas (mensurado através das referidas audiências) justifica o investimento.

Por se tratar do maior torneio do planeta, é natural que o Mundial tenha atingido as maiores audiências televisivas, correto? Parcialmente. Qual é o nível das audiências atingidas pela Copa do Mundo? Para responder a esta pergunta, o Blog Teoria dos Jogos recorreu ao seu banco de dados e às valiosas informações publicadas pelo Ibope Media Book.

Antes, é importante ressaltar que os números se referem a um universo de 21.746.000 domicílios (64.128.590 indivíduos) em 15 regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Distrito Federal, Campinas, Florianópolis, Salvador, Recife, Fortaleza, Vitória, Goiânia, Belém e Manaus). Contemplam também a audiência agregada de todos os canais que transmitiram a Copa: Globo, Band, Fox Sports, Fox Sports 2, Band Sports, ESPN Brasil, ESPN, SporTV e SporTV 2. Vamos a eles:

Fig 01

Das 64 partidas, oito foram excluídas do cálculo por conta da última rodada da fase de grupos, quando dois jogos acontecem em concomitância. Entre os 56 remanescentes, a audiência média da Copa do Mundo na TV brasileira foi de 29,2 pontos. Destes, pouco mais de 80% se destinaram a Globo (detentora dos direitos de televisionamento) e Band (emissora licenciada). A média de audiência dos canais fechados foi de aproximadamente 5 pontos, deixando às abertas cerca de 24 pontos médios.

Tratam-se de  números superiores, por exemplo, ao Brasileirão-2013. Ano passado o Nacional registrou média de 20,8 pontos no Rio e 21,6 pontos em São Paulo. Em contrapartida, torneios jogados no formato de copa suplantaram o Mundial. Em 2013 o Rio registrou média de 27,3 pontos com Copa do Brasil e Libertadores, enquanto São Paulo atingiu 25 pontos médios com o combo Libertadores/Recopa + Copa do Brasil + Sul Americana. Todas se referem a veiculações em TV aberta (Globo e Band).

Isto significa que a Copa não vale quanto pesa? Obviamente, não. Por duas razões:

1)      Embora represente um mês de pura overdose futebolística, nem assim a Copa perde fôlego. Suas partidas são quase diárias, em horários vespertinos e sem qualquer tradição de televisionamento. Copa do Brasil e Libertadores são jogadas em horário nobre, e por isto alcançam níveis tão altos. O share da Copa do Mundo é bastante superior à concorrência, com jogos importantes atingindo picos de 90% dos televisores ligados.

2)      Na maioria dos casos, pessoas se reúnem em conglomerados durante a Copa. Isto explica o fato de o Brasil ter batido 50 pontos apenas na etapa de grupos. Nas fases eliminatórias, é certo que mais pessoas acompanharam em telões, fan fests, bares ou encontros residenciais. A final da Copa de 2002 – num horário pouco propício a tais reuniões (8 da manhã) – proporcionou à TV aberta (na época, apenas a Rede Globo) o recorde de 67 pontos de audiência.

Em suma: campanhas como o “Mostra tua força Brasil” ou o “Joga pra mim” deixam claro o potencial de mídia do torneio, justificando investimentos multimilionários e agregando valor às marcas. O bom papel de anfitrião do país – contrariando partidários da teoria dos caos – e o alto nível técnico das partidas por pouco não coroaram uma Copa do Mundo perfeita, seja esportivamente ou no campo dos negócios. A lamentar, o extremo anticlímax gerado pelo vergonhoso papelão da Seleção nas semifinais. Os últimos dias do Mundial (bem como o orgulho nacional) poderiam ter passado sem essa.

Um grande abraço e saudações!

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Um novo Blog Teoria dos Jogos

Olá, amigos! Depois de um longo e tenebroso inverno (período obviamente mais tenebroso do que longo), eis que o Blog Teoria dos Jogos está de volta! Após dois anos e meio de enorme sucesso no Globoesporte.com, o Blog retorna numa nova fase: agora independente. O escopo segue o mesmo: marketing esportivo e pesquisas de torcida.

Naturalmente, perde-se a visibilidade explosiva de uma dos maiores portais de esporte no Brasil. Por outro lado, ganhamos no usufruto de um dos conceitos mais valorizados em tempos democráticos: a liberdade. Conto com sua fiel audiência,  leitor que segue o Blog pelo Twitter (via @vpaiva_btj) e Facebook. Em contrapartida, solicito que os debates se deem de maneira honrada e com educação. Se respeito é pago com respeito, truculência idem. Benesses da liberdade…

Resta claro que os moldes atuais do Blog estão longe de ser definitivos – digamos que esta seja nossa “versão beta”. Aos poucos a identidade visual será modificada, incluindo a criação de um novo logotipo. Até lá, foco no conteúdo. Afinal, é pra isso que estamos aqui!

Um grande abraço, saudações e…. e seja bem vindo!

VINICIUS PAIVA