Audiências de uma Copa valiosa

Quem acompanhou o Blog Teoria dos Jogos sabe que uma de suas especialidades é o monitoramento das audiências televisivas do futebol – esporte cujos recursos movimentam cifras bilionárias no mercado interno. Para que se tenha uma ideia, estima-se que cada cota de patrocínio da TV Globo tenha custado R$ 180 milhões. Com oito delas vendidas (sendo cinco para parceiros globais da FIFA), a Vênus Platinada teria arrecadado quase R$ 1,5 bilhão de dólares. Por que as empresas pagam tanto? Porque o nível da exposição em mídia de suas marcas (mensurado através das referidas audiências) justifica o investimento.

Por se tratar do maior torneio do planeta, é natural que o Mundial tenha atingido as maiores audiências televisivas, correto? Parcialmente. Qual é o nível das audiências atingidas pela Copa do Mundo? Para responder a esta pergunta, o Blog Teoria dos Jogos recorreu ao seu banco de dados e às valiosas informações publicadas pelo Ibope Media Book.

Antes, é importante ressaltar que os números se referem a um universo de 21.746.000 domicílios (64.128.590 indivíduos) em 15 regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Distrito Federal, Campinas, Florianópolis, Salvador, Recife, Fortaleza, Vitória, Goiânia, Belém e Manaus). Contemplam também a audiência agregada de todos os canais que transmitiram a Copa: Globo, Band, Fox Sports, Fox Sports 2, Band Sports, ESPN Brasil, ESPN, SporTV e SporTV 2. Vamos a eles:

Fig 01

Das 64 partidas, oito foram excluídas do cálculo por conta da última rodada da fase de grupos, quando dois jogos acontecem em concomitância. Entre os 56 remanescentes, a audiência média da Copa do Mundo na TV brasileira foi de 29,2 pontos. Destes, pouco mais de 80% se destinaram a Globo (detentora dos direitos de televisionamento) e Band (emissora licenciada). A média de audiência dos canais fechados foi de aproximadamente 5 pontos, deixando às abertas cerca de 24 pontos médios.

Tratam-se de  números superiores, por exemplo, ao Brasileirão-2013. Ano passado o Nacional registrou média de 20,8 pontos no Rio e 21,6 pontos em São Paulo. Em contrapartida, torneios jogados no formato de copa suplantaram o Mundial. Em 2013 o Rio registrou média de 27,3 pontos com Copa do Brasil e Libertadores, enquanto São Paulo atingiu 25 pontos médios com o combo Libertadores/Recopa + Copa do Brasil + Sul Americana. Todas se referem a veiculações em TV aberta (Globo e Band).

Isto significa que a Copa não vale quanto pesa? Obviamente, não. Por duas razões:

1)      Embora represente um mês de pura overdose futebolística, nem assim a Copa perde fôlego. Suas partidas são quase diárias, em horários vespertinos e sem qualquer tradição de televisionamento. Copa do Brasil e Libertadores são jogadas em horário nobre, e por isto alcançam níveis tão altos. O share da Copa do Mundo é bastante superior à concorrência, com jogos importantes atingindo picos de 90% dos televisores ligados.

2)      Na maioria dos casos, pessoas se reúnem em conglomerados durante a Copa. Isto explica o fato de o Brasil ter batido 50 pontos apenas na etapa de grupos. Nas fases eliminatórias, é certo que mais pessoas acompanharam em telões, fan fests, bares ou encontros residenciais. A final da Copa de 2002 – num horário pouco propício a tais reuniões (8 da manhã) – proporcionou à TV aberta (na época, apenas a Rede Globo) o recorde de 67 pontos de audiência.

Em suma: campanhas como o “Mostra tua força Brasil” ou o “Joga pra mim” deixam claro o potencial de mídia do torneio, justificando investimentos multimilionários e agregando valor às marcas. O bom papel de anfitrião do país – contrariando partidários da teoria dos caos – e o alto nível técnico das partidas por pouco não coroaram uma Copa do Mundo perfeita, seja esportivamente ou no campo dos negócios. A lamentar, o extremo anticlímax gerado pelo vergonhoso papelão da Seleção nas semifinais. Os últimos dias do Mundial (bem como o orgulho nacional) poderiam ter passado sem essa.

Um grande abraço e saudações!

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