As DARFs na crista da onda

De um ano para cá, a agonia pelo endividamento dos clubes do Rio fez com que grupos de torcedores passassem a se movimentar para ajudá-los. O instrumento? A velha “vaquinha”, sofisticadamente renomeada como crowdfunding. O desafio seria superar a desconfiança depositada sobre projetos do gênero. Depósitos na conta de terceiros ou na própria conta corrente do clube foram ações que sempre deram errado. Mas aí vieram as DARFs.

Tudo começou com o projeto “Vasco Dívida Zero”, nos idos de maio de 2013. Segundo relato no website da iniciativa, um forista descobriu a possibilidade de se pesquisar o tamanho da dívida do clube através do portal e-CAC da Receita Federal. Além de pesquisar, descobriu ser possível emitir e pagar a DARFs – Documentos de Arrecadação de Receitas Federais – na condição de parte interessada. Pronto, criou-se um financiamento colaborativo seguro e eficaz.

Após a iniciativa vascaína, botafoguenses e flamenguistas compraram a ideia em projetos respectivamente denominados “Botafogo Sem Dívidas” e “Fla em Dia”. Veja o retrato atual de cada um deles:

VASCO DÍVIDA ZERO

Início: Maio 2013

Apoiado pela diretoria: SIM

Torcedores cadastrados no site: 15.591*

Valor pago até o momento: R$ 951.520,00 (Dívida ativa atual: R$ 94.906.049,31)*

Número de curtidas na fan page do Facebook: 23.246*

Número de seguidores no Twitter: 1.457*

*Até as 14 hs de 11/08/2014

Fig 01

BOTAFOGO SEM DÍVIDAS

Início: Janeiro 2014

Apoiado pela diretoria: SIM

Torcedores cadastrados no site: 3.889*

Valor pago até o momento: R$ 93.950,00  (Dívida ativa atual: R$ 129.523.938,89)*

Número de curtidas na fan page do Facebook: 8.338*

Número de seguidores no Twitter: 1.453*

*Até as 14 hs de 11/08/2014

Fig 02

FLA EM DIA

Início: Julho 2014

Apoiado pela diretoria: SIM

Torcedores cadastrados no site: 11.739*

Valor pago até o momento:  R$ 265.760,00 (Dívida ativa atual: R$ 371.917.204,00)*

Número de curtidas na fan page do Facebook: 6.121*

Número de seguidores no Twitter: 4.272*

*Até as 14 hs de 11/08/2014

Fig 03

Nos três casos, as diretorias abraçaram os projetos – seja provendo informações, divulgação ou fornecimento de brindes. Entre eles, percebe-se o “Vasco Dívida Zero”, como o mais bem sucedido, com representativos um milhão de reais abatidos na dívida. Por conta do pioneirismo, trata-se do projeto com mais cadastros e maior base de seguidores em mídia social. O lado negativo é o pouco crescimento verificado nos últimos tempos, justamente por já ter atingido certa maturação.

No meio do caminho se encontra o “Botafogo Sem Dívidas”, com uma base de cadastros e mídia social em relativo crescimento, mas com números modestos no tocante à arrecadação. Em comparação com as torcidas de Flamengo e Vasco, de fato o Botafogo leva enorme desvantagem. Por outro lado, conforme dito na coluna “O porquê do caos botafoguense”, trata-se do clube que mais precisa da colaboração de sua torcida.

Por fim, estando ainda em seu primeiro mês de vida, o “Fla em Dia” é a iniciativa mais recente e promissora. O aumento verificado nos cadastros e na base de seguidores tem, por trás, o enorme quantitativo de torcedores do Flamengo. Além dos mais de R$ 265 mil pagos, resta a considerável soma de R$ 1,1 milhão em DARFs emitidos. Tratam-se de documentos cujo pagamento não foi confirmado, ou mesmo títulos não-quitados.

Conforme exposto anteriormente, por muito tempo fui contrário ao crowdfunding por considerá-lo uma forma ineficiente de levantamento de fundos. Ao esvaziar iniciativas oficiais com capacidade multimilionária (Ex: projetos de sócio-torcedor), restavam sempre valores escassos cuja destinação se mostrava incerta.  Com a emissão direta de DARFs, o problema é superado. Torna-se prerrogativa das torcidas afrouxar a corda que se encontra no pescoço dos endividados clubes brasileiros.

Um grande abraço e saudações!

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2 comentários sobre “As DARFs na crista da onda

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