A César o que é de César – Um Tratado sobre Audiências 2014

INTRODUÇÃO

Após um período particularmente difícil, o Blog Teoria dos Jogos retoma suas publicações com a promessa de que este seja seu grande ano. E para fazer com que as postagens tenham cada vez mais frequência, contamos com a boa e velha fidelidade de você, leitor apaixonado por análises, estatísticas e pesquisas de torcida. A reedição desta parceria, que já deu muito o que falar, tem tudo para dar certo neste 2015 ainda incipiente.

Ao longo dos últimos anos o Blog Teoria dos Jogos se tornou um dos poucos espaços especializados na divulgação e análise de audiências televisivas na internet brasileira. Trata-se de uma questão que vem tomando cada vez mais corpo e importância.  É a audiência quem determina o número de transmissões de cada equipe, impactando tanto nos repasses da própria televisão quanto no investimento de anunciantes e patrocinadores.

Recentemente, uma vertente ideológico-filosófica questiona a “justiça” de se pagar tanto para determinados clubes (especificamente, Flamengo e Corinthians), o que supostamente geraria desequilíbrios maléficos. O resultado: políticos surfando nesta onda, apresentando projetos de lei e prometendo redistribuições equitativas.

Um assunto tão importante demanda análises mais racionais do que as que se tem notícia. Colunistas que distorcem a realidade com base em informações pela metade, jornalistas que sequer sabem a diferença de pontos e share, fundindo-os bizarramente… Pessoas que fomentam um tsunami de textos viciados e enviesados. Infelizmente no Brasil, o disseminar de determinadas “informações” é a maneira mais rápida de fazer mentiras parecerem verdades.

Pra início de conversa, é absolutamente impossível compreender audiências sem ter em mente a impossibilidade de fazê-lo apenas com base em números de… audiência. Soa paradoxal, mas significa que a audiência absoluta – medida através dos famosos “pontos” do Ibope – muitas vezes esconde distorções. Fins de semana com menos televisores ligados (ex: feriados), partidas jogadas em datas pouco usuais (ex: aos sábados) ou clubes com mais jogos às quartas (dia de audiências superiores) são variáveis que precisam ser levadas em conta.

Todas elas, entretanto, podem ser desmascaradas quando analisados o share, ou “participação” – que representa o percentual de televisores ligados em relação ao total de aparelhos. Portanto, não basta dizer que “meu time deu mais pontos de audiência”. Se o share for reiteradamente inferior, pode ser que ele esteja apenas sendo televisionado em condições mais favoráveis. Somente em igualdade de condições, quem dá mais share atinge maior pontuação. Eis a característica dos verdadeiros “campeões de audiência”.

Além do mais, a quantidade de partidas influi decisivamente nos números finais de uma dada equipe na TV. Quanto mais jogos transmitidos, maior tendência de queda pela exposição de más fases ou confronto com adversários despretensiosos. Times de menor torcida tem apenas clássicos veiculados  – justamente quando se registra maior audiência. Por fim, o mais natural: competições internacionais ou em fases avançadas fazem com que se alcance melhores números.

AUDIÊNCIAS DA TV EM 2014

No primeiro trimestre de 2014, este Blog divulgou parcialmente as audiências dos Estaduais, ainda nos tempos de Globoesporte.com. Agora, dividiremos a análise entre Brasileirão e Copas (Libertadores, do Brasil e Sul Americana). Separamos também as praças do Rio e de São Paulo. Por fim, audiências e shares totais se referem ao somatório de Globo e Band, emissoras responsáveis pela veiculação do futebol em TV aberta no país. Ainda que os globais tenham valor de mercado muito superior, não restam dúvidas que o somatório é o melhor mapeamento do universo de consumidores do futebol. Os dados foram apurados diretamente com a TV Globo.

RIO DE JANEIRO

Fig 01

A queda do Vasco para a Série B em 2014 gerou um claro impacto no perfil do televisionamento carioca. Indo contra o senso comum, o Fla se manteve estável na liderança (17 jogos), e os que subiram foram Botafogo (9 jogos) e Fluminense (14 jogos). Os times representam uma escalada no tocante à audiência total: 16,3 do Alvinegro contra 19,8 do Tricolor e 22,6 do Rubro Negro. O maior apelo do Flamengo se solidifica através da participação: 45%, contra 40% do Fluminense* e 35% do Botafogo.

*O levantamento não contempla o share de quatro jogos do Flu, contra um do Fla.

Conforme dito na “Introdução”, expor o percentual de jogos às quartas é importante por razões comportamentais. Torcedores tendem a assistir mais futebol na TV durante a semana, enquanto comparecem às arquibancadas nos fins de semana. Neste sentido, a distribuição dos jogos no Rio de Janeiro é relativamente equânime, com leve prejuízo ao Fogão (22% às quartas, frente a 29% da dupla Fla-Flu). O Bota também não se beneficiou com a transmissão de nenhum clássico, enquanto os dois Fla x Flus (entre as maiores audiências do ano) foram veiculados. Botafogo e Fluminense jogaram uma vez aos sábados – dia menos afeito aos bons números.

Fig 02

Com relação às Copas (Libertadores e do Brasil), não há que se fazer distinção ao dia da semana, pois todos os jogos são às quartas. Por conseguinte – e com base no parágrafo anterior – os números das agremiações se inflam. Também neste caso verificamos o retorno do Vasco às transmissões (5 jogos), em número superior a Botafogo e Fluminense (3 cada). Ainda assim, a primazia do Flamengo foi absoluta: 11 eventos, o equivalente ao somatório de todos os rivais.

Fluminense (17,3 pontos e 32% de share*) e Vasco (18 pontos e 32% de share) se notabilizam pelo equilíbrio. Mas por terem jogado apenas a Copa do Brasil, perderam feio para o Botafogo e seus 21,3 pontos (41% de participação). Isto porque 2014 marcou o retorno do Alvinegro à Libertadores, fazendo com que seus três jogos transmitidos valessem pela competição. Resta clara a diferença de apelo da competição continental em face ao mata-mata nacional.

*O levantamento não contempla o share de dois jogos do Flu

Cristalina novamente é a vantagem do Flamengo em audiência. Tendo jogado a Libertadores e a Copa do Brasil – e chegado longe na segunda – o Rubro-Negro amealhou nada menos que 26 pontos médios e 46% de share. Cerca de 50% a mais que o Fluminense, a título de comparação.

SÃO PAULO

Fig 03

Uma característica histórica do televisionamento em São Paulo é a predominância absoluta do Corinthians. Para que se tenha ideia, no BR-2014 foram 19 jogos, dois a mais que o Flamengo no Rio – mesmo com apenas três grandes cariocas na Série A. Mesmo assim, o ano trouxe à tona um processo nem sempre corriqueiro: o boom de partidas do São Paulo. Foram 17, muito acima da proporção de 2:1 a favor do Corinthians em 2013. Enquanto isso, Santos e Palmeiras não tem vez: apenas três e cinco transmissões, respectivamente.

Vem de Sampa as análises mais equivocadas por parte dos “especialistas” citados na Introdução. Isto porque a fotografia das audiências mostra um Corinthians, com 22,3 pontos médios, abaixo do Palmeiras (22,4). Um tanto óbvio, se levarmos em conta que dois dos cinco jogos do Verdão (altíssimos 40%) foram clássicos justamente diante do Corinthians! O mesmo ocorre com o Santos, alinhado ao Corinthians em 45% de share*. Das três partidas do Peixe em TV, duas (66%) foram clássicos – respectivamente contra Corinthians e São Paulo. Ora, para equipes com tão poucas transmissões, o alto percentual de clássicos gera um viés absolutamente irreal. É como se Palmeiras e Santos só aparecessem na TV para confrontarem Corinthians e São Paulo.

* O levantamento não contempla o share de três jogos do Corinthians, dois do Palmeiras e um do São Paulo.

Diante deste cenário, soaria apropriado comparar apenas Corinthians e São Paulo, dado o grande número de partidas e a diluição das “causas perturbadoras”. No entanto, veremos que até aí existem distorções.

Aparenta equilíbrio.  A audiência foi de 22,3 pontos a favor do Corinthians, contra 21,7 do São Paulo. A Fiel amealhou 45% de participação, frente a 42% dos tricolores. Mas um olhar acurado demonstra que o Tricolor foi premiado com transmissões em dia nobre: nada menos que 47% de seus jogos na TV foram às quartas, contra míseros 11% do Corinthians e nenhum (!) de Palmeiras ou Santos. Concentração injustificável em claro benefício ao clube do Morumbi. Em tempo: SPFC, Corinthians e Palmeiras jogaram uma vez aos sábados.

Fig 04

Embora 2014 tenha sido um ano atípico pela ausência de paulistas na Libertadores, viu-se nas outras Copas (do Brasil e Sul Americana) mais do mesmo. Pouco Palmeiras (dois jogos) e Santos (três), muito Corinthians e São Paulo (oito). O Palmeiras com audiências em baixa (16,5) e o Santos melhor por ter jogado duas semifinais da Copa do Brasil (18,7 pontos médios). Por fim, novamente o São Paulo em algum equilíbrio diante do Corinthians (18,6 a 19,7 em pontos). Aliás, se há um quesito que escancara o desânimo paulista, é o share: todos abaixo de 40%*. O pior foi o Palmeiras, com 31%. O melhor, adivinhem? Corinthians, 37%.

* O levantamento não contempla o share de um jogo do São Paulo e um do Corinthians.

CONCLUSÃO

A verdade é uma só: se excluirmos distorções de diferentes naturezas, Flamengo e Corinthians nadam de braçada no tocante às audiências. A primazia do Mengão no Rio é tão grande que independe das próprias “causas perturbadoras”. No lado oposto da Dutra, outros tentam (mas não conseguem) fazer frente ao Corinthians. Fla e Timão são carro-chefe em suas respectivas praças, muitas vezes insuflando números dos próprios rivais. Emissoras comerciais, como Globo ou Bandeirantes, viveriam enormes dificuldades se não lançassem mão deste trunfo.

Mesmo assim, fica uma pergunta. Em que pesem números relativamente parelhos, por que tamanha discrepância nos valores pagos a título de televisionamento? A resposta: em negócios de massa como a TV , qualquer variação pode representar somas vultosas de consumidores. Um ponto de audiência equivale a 193.281 pessoas em São Paulo e 109.982 no Rio. Por isto, o mercado precifica cada ponto adicional em muitos milhões de reais. Não é preciso registrar o dobro quando dois ou três pontos de diferença valem como diamante. É tão simples quanto isto.

A César o que é de César.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

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Post scriptum:

Um esclarecimento: Quando se diz que “cada ponto adicional vale milhões”, nos referimos a uma questão de audiência marginal. Não basta somar os repasses da TV e dividir pelos pontos de audiência para que se descubra o valor financeiro de cada ponto. O futebol na TV – principalmente na Globo – apresenta o que se pode chamar de “audiência inercial” flutuando entre 10 pontos (aos domingos) e 15 pontos (às quartas). Teoricamente, qualquer transmissão atinge esta marca. Aí reside o valor da audiência marginal (de cada ponto adicional): Numa quarta-feira, a diferença entre um clube que marque 21 pontos para outro que atinja 25 é enorme. Este é o xis da questão.

46 comentários sobre “A César o que é de César – Um Tratado sobre Audiências 2014

  1. Parabéns. Não há nenhuma análise tão boa a respeito do assunto. Aliás, acho que não há nenhuma análise verdadeira a respeito do tema.

  2. bom levantamento, mas discordo em parte das conclusões. acho que alguns clubes foram prejudicados na análise, como o flu por exemplo (faltaram muitos shares e comparar libertadores com apenas copa do brasil não é apropriado). O exagero de escolha do corinthians dificulta uma melhor comparação (se não transmitem quase jogos do santos por que a cota dele é maior que flu e botafogo por exemplo?). não acho que o corinthians e flamengo nadam de braçadas, as diferenças de pontos e shares percentuamente são bem menores que a diferença da divisão de cotas e temos vários exemplos de jogos mais atraentes (libertadores) em que outros clubes obtem melhores resultados. Por mais que cada ponto sejam milhares de pessoas, ainda é insuficiente para justificar a diferença monstruosa de cotas dos clubes (que será acentuada ainda mais em 2016). O modelo inglês é sem dúvida a melhor opção (tem que se vender o produto campeonato e não apenas o apelo individual).

  3. Concordo em partes com vc, mas embora as questões mercadológicas devem ter peso significativo, mas é muito injusto transmitirem tão poucos jogos de Santos e Palmeiras, os números deles não são pífios a esse ponto. No Rio é mais equilibrado a distribuição!
    Abraços
    Fabiano

  4. Concordo em parte com o texto! Vc de longe é o melhor especialista sobre o referido assunto no País! Agora em relação as cotas de tvs, acho um exagero o Corinthians levar 170 milhões e o Santos levar 80 milhões á partir de 2016! Tem que haver um consenso e o fator Histórico dos 12 grandes clubes do país não podem ser jogados no lixo e matar 10 grandes clubes em benefício de apenas 2 clubes! O produto futebol morre! Na final entre Santos e Penarol na libertadores a audiência foi de 37 pts de média, enquanto á final entre SCCP e Boca deu 48 pts de audiência de média. A diferencia foi de 30% a mais de telespectadores para o jogo do SCCP, então se pague 30 % mais na cota de tv e não 110% á mais, pois aí é sacanagem da senhora TV Globo!

  5. Se existem privilégios nos horários das transmissões, o que deve ser interessar é a participação (share). Isto parece óbvio. Além disto, a segmentação também é importante. Sua análise é parcial e parece carregada de “clubismo”. O modelo de distribuição de cotas é “burro” e pode matar a “galinha dos ovos de ouro”. Não comemore não, este modelo nasceu morto e vai ser modificado. Seus coleguinhas jornalistas, se não padecessem do mesmo mal do modelo global, deveriam ficar atentos, pois os privilegiados pela monopolista das transmissões, sozinhos, não sustentam o mercado de trabalho. Se chegar a acontecer, isto é, o abismo das cotas se transformar em abismo técnico, o esvaziamento e redução do interesse do público será ainda maior. Mesmo assim, você deve insistir, até mesmo enganando com os números, pois uma mentira repetida mil vez, vira verdade. Até mesmo o mercado, aparentemente soberano e conhecedor, demora um pouco, mas vai perceber o tamanho da farsa. Torço que seja rápido, caso contrário, teremos muitos outros 7 a 1 por aí…

  6. “Cerca de 50% a mais que o Fluminense, a título de comparação”. Como? Se o Share do Fla é de 46% e o do Flu é de 32%? Isto sem falar que o Flamengo teve oito jogos televisionados contra três do Fluminense, disputou a Libertadores e chegou às semifinais da Copa do Brasil.
    Você é um bom jornalista, pena que se deixa levar pela parcialidade.
    Por tudo que você demonstrou, fica cada vez mais nítido que o Fla e Corinthians devem sim ter alguma vantagem financeira, só não se justifica o quantum que a Globo está disposta a pagar para os dois em detrimento dos demais.
    Saudações Tricolores!

    1. Você compreende média? Qualquer animal consegue fazer a relação jogos/audiência, tome como exemplo uma média de público, supondo que um time faça apenas 3 jogos e estes sejam clássicos e com estádios lotados, a sua média será bem alta, ok? Agora compare com um time que faça 10 jogos e que tenha 80% do estádio preenchido, qual time terá a maior média? Dou um doce pra quem acertar…

      1. Animal, como dizia o saudoso Chico Anysio para um de seus alunos ignorantes da Escolinha do Professor Raimundo: eu não devia, mas vou te ajudar: se um time faz dez jogos importantes em torneios mais valorizados como a Libertadores ou de semifinais da Copa do Brasil, a média de audiência deste clube pode ser comparada com a de um clube que fez três jogos em fases insignificantes da Copa do Brasil? A resposta é…é…é…é..: Claro que não.
        Viu só, néscio (ver no dicionário), como até as médias podem se alterar de acordo com a relevância dos jogos?
        Eu já percebi que você é daqueles que só lê um livro apenas pela sua orelha (orelha do livro é aquela parte dobrada da capa, você não deve saber, claro), por isto deve ter opinado apenas pelo início do meu comentário, pois se lesse ele todo não estaria aqui falando besteira, a não ser que seja mesmo um energúmeno (ver no dicionário).
        Mas agora está tudo bem, certo? Bem desenhadinho pro cavalinho não tropeçar mais no galope.
        Saudações Tricolores!

  7. só faltou um “saudações rubro-negras” para ficar um texto mais honesto…. Kkkkkkkk
    Lamentável apresentar dados e depois chegar na conclusão dessas. Fla e cor levam mais do triplo q outros clubes e de forma alga os numeroa provam isso. Pelo contrário, analisando honestamente esses números vê-se claramente que embora Corinthians e flamengo tenham mesmo as maiores audiências e share jamais cheha a 3x em cima dos outros times. Sequer é 50% maior.
    Defenda seu time mas pelo menos fique na pág dele e não da do uma de neutro. Fica feio….
    O mundo inteiro praticando divisão de cota de tv mais justa e aqui o sistema globo tentando justificar o injustificável.
    O campeoanto espanhol acabou em razão desse privilégio a dois clubes, hj valencia, la coruna, celta, betis e outros são arrrmedos de times e o produto um lixo. Inglaterra, alemanha e ate mesmo a França hoje fazem campeonatos melhores.
    O segredo? Cotaa de tv divididas de maneira justa: 50% igual, 25% colocação no camp anterior e 25% em cima da audiencia. Fazer isao 100% na audiência e ainda por cima distorcendo os numeros é ignorar a grandeza do futebol brasileiro e tentar na marra engrandecer os dois queridinhos do sistema.

    1. o campeão e vice da liga dos campeões são espanhóis, o campeão liga europa é espanhol, e na espanha não tem aqueles times de magnatas que gastam fortuinas só para serem conhecidos no mundo todo, como no psg, city e chelsea.

  8. Meu caro, você acaso está querendo nos convencer que o formato de distribuição de cotas de TV conhecido muito adequadamente pela alcunha de “espanholização” é o correto? Permita-me que não há vertentes ideológico-filosóficas, há pessoas dispostas a frear o ímpeto da Globo de hierarquizar o futebol brasileiro, desrespeitando nossa história e nossa vocação.

    A prática que o cavalheiros defende não traz “supostos” desequilíbrios maléficos. Não tem nada suposto. É fato e o futebol espanhol está aí para comprovar, com os outros clubes, que não Barcelona e Real Madrid, se apequenando ou quebrando, afundados em dívidas para tentar acompanhar adversários que se apropriam indevidamente do espetáculo.

    O amigo incorre em um sofisma de primeira grandeza. Se o share é tão importante, que a TV transmita proporcionalmente mais jogos dos clubes com maior share e ponto final.Não tem absolutamente nada a ver com distribuição de cota. A ter o mínimo valor a sua análise, seria de se esperar que todos os países europeus praticassem esse modelo nefasto.

    Não tente defender esta aberração. Não tem político surfando porque o combate à tentativa de hierarquizar o futebol brasileiro, acabar com a competitividade e aniquilar suas tradições não é onda, é assunto muito sério e que deve mobilizar todos os clubes que estão sendo prejudicados por essa manobra espúria da Rede Globo.

    Obrigado!

  9. O que deve ficar claro para as pessoas é que a globo pode pagar quanto quiser pelo produto! Estamos falando de um negócio, de lucro! Não acho correto que a distribuição dessas verbas deva ser feita através de lei, porque odiosamente no Brasil as pessoas acham que pra tudo tem que haver uma lei.
    Pensem que a globo paga muito bem aos clubes, se comparar com outros países. Principalmente porque globo é TV aberta e ainda compete com ela mesma, porque tem os canais fechados que também precisam sobreviver.
    O mais importante, para pagar aos clubes a globo precisa arrecadar. E faz isso vendendo espaços para bancos, cervejarias etc… e essas empresas só vão pagar se a globo tem boa audiência! Se a audiência é mais alta com flamengo e corinthians, nada mais justo que se pague mais a eles. Olhando assim, os outros times estão até na vantagem, porque se a publicidade passa a pagar menos, esses clubes receberiam menos ainda!
    Pra quem discute equilíbrio e se sente injustiçado, como o colega acima, que fala em percentuais, eu acho até válida a discussão. Como a globo deveria repartir essa grana? Não acho que se o flamengo ou corinthians tem 30% de audiência a mais deva receber 30% a mais. Isso não é tão simples. O problema é que isso não é claro pras pessoas e gera discussão.
    Se um dia a globo ou especialistas quiserem explicar isso seria legal, embora tenho certeza que a explicação não será engolida pelo povo, que vai achar injusto de qualquer forma.

    1. Analisando os comentários pró e contra o atual sistema de cotas de tv, percebe-se sempre o clubismo para defesa das teses! Quem é Flamengo e Corinthians tem milhares de teses e fundamentos para defender o indefensável! Quem torce para os outros 10 grandes exageram no sistema igualitario! Tem que haver um consenso no sistema de divisão q respeite não só o q o mercado sugere, mas levar em conta a História centenária de Vasco, Palmeiras, S.Paulo, Santos, Atletico mg, Cruzeiro, Inter, Gremio,Fluminense e Botafogo fizeram nos campos de futebol com seus craques, seus titulos e criar um campeonato justo como antigamente, quando se tinha um Fluminense de Assis e Washington, Vasco de Dinamite, Romario, BEBETO entre outros! Agora q matematica maluca é essa q 1 pt de audiencia significa 20% á mais nas cotas de tv! Que lógica é essa!

  10. Sendo pratico e objetivo: pergunte a torcida e dirigentes de outros clubes (fluminense, vasco, santos, atletico, gremio, etc…) se eles aceitariam ganhar a mesma coisa ou apenas um pouco a mais que times como Criciuma, Sport, Bahia, Vitoria, etc… (sem preconceitos)
    A resposta: obvio que nao!! Iam ter ataques de pelanca e usar os mesmo argumentos que hoje cheios de hipoocrisia condenam,
    Como disse um amigo acima “a Globo paga qto quiser” ponto. Futebol hoje em dia é negocio, e nao brincadeirinha de quem ganha mais ou menos baseados em elocubraçoes e teorias conspiratorias com fundo de rivalidades clubisticas. Uma emissora nao esta ai para rasgar dinheiro. O grande problema é que os clubes querem ser sustentados por uma emissora de TV. Existem outros patrocinios, outras formas de captar investimentos… Se sao tao autosuficientes e se acham merecedores de ganhar igual a times de maior torcida e audiencia, entao deveriam tb arrecadar mais em outras frentes… Essa é a minha visao.

  11. Não tem cabimento essa distribuição de cotas de televisão no futebol brasileiro, imprensa em geral querendo beneficiar a dupla Flamengo e Corinthians. Clubes escolhidos no final da década de 70 para serem os clubes do povo, um no Rio, outra em São Paulo. Massificaram tanto os dois clubes nesse período que se tornaram as maiores torcidas do Brasil. Porque a rede globo de televisão não faz um campeonato brasileiro com 38 jogos entre Flamengo e Corinthians? Será que terá audiência nas 38 rodadas? Porque os outros clubes grandes do futebol brasileiro não faz um brasileirão sem os dois? Vende pra outra emissora! O que não pode é os dois clubes ganhar o dobro e até o triplo dos outros grandes.

  12. Rapaz o senhor sabe muito pouco de análise estatística ou quase nada. Uma variável importante que vossa senhoria não cita por razões óbvias é que o Flamengo jogou diversos jogos importantes fora do RJ o que por si só já elevaria a audiência da transmissão de seus jogos para o estado.
    E a título de comparação para os jogos de Copa você poderia detalhar fase a fase para se ter uma análise mais fidedigna para comprovar sua tese estapafúrdia… No entanto, sabemos que isso não vai ocorrer para não desmanchar sua tese mulamba… Jornalista fraco. Mais uma prova de que esse ano não será muito diferente do de 2014.

    Sério que seus argumentos corroboram o fato de “eu não entender nada de estatística”?

  13. Caro Vinicius,

    Gostaria da sua ajuda para esclarecer uma duvida sobre a legitimdade da medição de audiencia pelo Ibope para partidas de futebol.

    Preciso entender de que maneira é distruida os aparelhos que fazem a medição (sei que identificar as pessoas não é permitido).

    A minha duvida se baseia na proporcionalidade desta distribuição versus tamanho da torcida.

    Suponhamos no caso de SP, se considerarmos hipoteticamente que as torcidas dos grandes clubes do estado estão dividos na seguinte proporção (pode ser diferente disso): Corinthians= 40%, São Paulo=30%, Palmeiras= 20% e Santos=10%, para aferir o interesse dos telespectadores nas partidas deste times, os aparelhos de medição deveriam ser distribuídos na mesma proporção, sendo assim, que tem maior torcida sempre terá maior interesse em assistir os jogos do seu time além do interesse da torcida adversária.

    Agora imagine que a distribuição dos aparelhos foi feita por igual (25% para cada torcedor de cada time) a tendencia é que as medições se aparelhem.

    Estou certo na minha tese, ou o meu entedimento está distorcido?

    Abs.

  14. O bolo deveria ser dividido assim: Fla e SCCP 140 m SPFC 110m Vasco, SEP 100m Santos 90 m Gremio, AtleticoMg, Internacional, Botafogo, Fluminense, Cruzeiro 70 m e 45 m para Sport, Bahia, Vitoria, Coritiba, Atle Pr. O q acha Vinicius?

    Bastante razoável, Adriana…

  15. Voce está justificando a diferença de mais de 100% de Cotas de TV pagas pela globo quando os números ficam longe de tal disparidade?

    Como voce compartilha o “share” de Flu e Fla se o segundo chegou até às semi-finais da Copa do Brasil? Não seria prudente analisar fase a fase?

    Com todo respeito, sua análise e conclusão de “a César o que é de César” vai de encontro aos números disponibilizados na matéria.

    De qualquer forma, pelos números apresentados, é certo que a divisão de Cotas de TV a partir de 2016 beira o absurdo e vai desequilibrar o futebol brasileiro a médio e longo prazo a favor de 2 clubes.

  16. A diferença da torcida e da audiência do Bayern de Munique para o último colocado do campeonato alemão é muito maior do que a do Flamengo e Corinthians para os demais grandes clubes brasileiros, nem por isto ele é brindado com uma quantia tão superior como a Globo quer impingir aqui no futebol brasileiro, a diferença maior o clube consegue com os bônus dados ao campeão e com a maior venda de pay-per-view.
    Esta discrepância que a Globo quer implantar por aqui só encontra eco no campeonato Espanhol, e mesmo assim está fadado a acabar, pois os clubes de lá já estão se movimentando neste sentido.
    Saudações Tricolores!

  17. Meu caro. Jornalisticamente sua matéria é interessante. No entanto, sugiro que você aprofunde seus conhecimentos com números. Sua conclusão foi sofrível, principalmente, quando tenta justificar a disparidade de comparações RELATIVAS com números absolutos. Exemplo? Você tenta justificar a situação de se pagar cotas quase 3 vezes maior pelo valor absoluto de cada ponto de audiencia. Ora….o valor absoluto do ponto de audiencioa é o mesmo para todos os clubes. Outra coisa…voce começou bem, fazendo as devidas ressalvas em relação aos dias de jogos, importancia de jogos, etc. Porem, na comparação de Copa, no Rio, voce cita uma comparação esdruxula sem frisar que o Fluminense jogou apenas a fase inicial da CB enquanto o Flamengo foi até a semifinal da mesma competição e jogou a Libertadores!!!

  18. Comparar Libertadores e fases finais na Copa do Brasil com um desempenho pifiio nessa segunda como casos semelhantes é no minimo ridiculo. A audiencia do Flamengo em copas foi inflada com excelentes performances dentro do campo. O mesmo fica claro ao comparar o desempenho do botafogo. Esse ano, em copas, o desempenho de flu e vasco foi prejudicado por desempenhos fracos no campo.

    Nos pontos corridos, com desempenhos semelhantes no campo, Flu e Fla foram semelhantes tb em audiencia. Simplesmente porque quem gosta de futebol, ve o jogo do seu time e dos adversários. Dificil separar.

    É fato que Flamengo atrai 1 ou 2 pontos a mais. Mas isso justifica ganhar o TRIPLO de receita, como ocorrerá em 2016-2018? Desculpe, mas isso é injustificável do ponto de vista da audiência.

    A matéria é tendenciosa, suaviza pontos negativos a Flamengo e Corinhthians, e ignora pontos que inflam as audiencias.

    Engraçado o comentário sobre o Santos nas semis da copa do brasil e o “esquecimento” de que ocorreu o mesmo com o Flamengo.

  19. teoria dos jogos é o cacete

    DÚVIDO que o autor dessa pesquisa não seja flamenguista ou corinthiano.

    Na Inglaterra a diferença de audiência é muito maior do que no Rio ou em São Paulo e as cotas de TV são iguais.

  20. Vocês, torcedores dos times “desfavorecidos” na história, que estão digitando barbáreis e dizendo que o share de alguns times se equiparam com os de 1° escalão compreendem média?
    Qualquer animal consegue fazer a relação jogos/audiência. Tome como exemplo uma média de público, supondo que um time faça apenas 3 jogos e estes sejam clássicos e com estádios lotados, a sua média será bem alta, ok? Agora compare com um time que faça 10 jogos e que tenha 80% do estádio preenchido, qual time terá a maior média? Dou um doce para quem acertar…
    Se colocarem toda quarta: Flu x Santos, ou Grêmio x Atlético Mineiro; na melhor das hipóteses, a audiência será 70% do que um jogo do Corinthians ou Flamengo. Sejamos sensatos…
    SRN

    1. Passa a régua e q se pague no máximo 30% á mais pra Fla e SCCP em relação ao segundo pelotão e 50% em relação ao terceiro pelotão e pronto! O ppv vem crescendo e compensará os times de maior torcida e todo mundo fica feliz! Agora, se não tem acordo, que seja feita uma revolução entre os 10 grandes com a liderança de Eurico Miranda e Carlos Miguel Aidar e se neguem a jogar o Brasileirão 2016 e deixem Flamengo e Corinthians jogarem sozinhos! Tenho certeza q a CBF, Globo voltam atrás e revisionem as cotas!

  21. Vinícius, o X da questão não é a audiência marginal sobre a audiência inercial. O X da questão é que o modelo e divisão de cotas do futebol brasileiro é RUIM. Os índices de audiências são flutuantes. Por mais que Corinthians e Flamengo sempre tenham mais audiência, isso pode não ser verdade para os outros times que disputam o campeonato, e a própria vantagem dos dois times deveria também flutuar. Bem, se a audiência é flutuante, por que diabos a divisão de cotas da Globo é fixa?!? E mesmo que essa divisão mudasse ano após ano, baseada estritamente em índices de audiência, ainda assim seria horrível. Comparemos com a divisão realizada pela Premier League, a melhor liga nacional do mundo. O vice-campeão, Liverpool, foi beneficiado com pouco mais de 97 milhões de libras. Foi a equipe mais bem paga. O rebaixado Cardiff City recebeu pouco mais de 62 milhões de libras. Percebe a diferença? O valor total do contrato, para a temporada passada, foi de pouco mais de 1,5 BI de libras e cerca de 2/3 deste valor – mais de 1 BI de libras – foi dividido igualitariamente! Por que não querer algo semelhante para o futebol brasileiro?

  22. Numa quarta o Fla marca 22,6 pontos em 17 partidas, ou seja, 7,6 pts acima da audiência inercial, e o flu marca 19,8, 4,8 pts acima,porém, com 14 partidas, sendo que ambos possuem 29% dos seus jogos transmitidos nas quartas.Consideremos ainda o share de 45% a 40% em favor do Fla.

    Nesse cenário, está claro que o Fla leva bastante vantagem sobre o Flu, “justificando” assim, pelo menos o dobro das cotas que o Flu recebe.

    O resto da diferença ,vem do PPV.O Flamengo sempre vai ter uma diferença grande para clubes do 2° e 3° escalão(Flu) do Brasil nesse quesito, pois o $ é distribuído proporcionalmente ao % de torcedores da base assinante em 13 RMs e Baixada santista.

    Além disso, os dados acima representam a RM do Rio e SP.Essa vantagem do Flamengo e, em bem menor escala, do Corinthians, se acentua muito no interior do país, mas esses dados de audiência não são divulgados.

    Penso que isso justifica em grande parte as cotas para o triênio de 2016-18.

    1. bem lembrado, é óbvio que a globo analisa o brasil inteiro para levantar os valores de cada clube, ela sabe onde calo aperta, o resto é corporativismo.

  23. Estava parecendo parcial até uma conclusão simplista e o “Mengão”. Você só ajudou a mostrar que na competição regular – o Brasileirão, onde todos jogam a mesma quantidade de jogos e jogos com relevância mais parecida – a diferença não justifica a diferença de cotas.
    Se você pegar Copas, tem que pegar um apanhado de vários anos. Comparou com anos quando o Fluminense jogou sozinho a Copa Libertadores e todos sentados em frente a TV para secar? Quando venceu a Copa do Brasil? Ou os anos quando o Vasco chegou à semifinal da Libertadores e à final da Copa do Brasil?
    Você demonstrou que o Flamengo “nadou de braçada” no ano que teve mais jogos na Copa do Brasil, um ano depois de ganhá-la, com a torcida empolgada com a competição.
    No Brasileiro, você demonstrou vantagem menor e empate no dia de mais audiência – que seria o mais importante para a TV.
    Aí concluiu o contrário, soltou um “Mengão” escancarando sua preferência e interpretação.
    Embora já tivesse deixado transparecer quando chamou de surfada propostas que copiam os exemplos mais bem sucedidos do mundo.

    – Uma parte deve ser igual pois todos participam da competição. Dois com boa audiência não competem sozinhos e um campeonato com 38 rodadas de Flamengo x Corinthians não daria audiência nenhuma.
    – Uma parte deve ser conforme critério esportivo. Até a Fórmula 1 faz isso. Isso é esporte. Aquele que vai melhor na competição dá importância a ela. Dá pra se negar o valor que Cruzeiro agregou ao Brasileiro desse ano? Ou o Atlético-MG à Copa do Brasil?
    – Uma parte deve ser conforme a audiência. Mas é preciso um estudo completo apresentado aos clubes, com mais de um ano que contemplem as variações dos clubes com seus desempenhos esportivos e sem “shares” faltando que não sabemos quais são.

    Sem isso, é um apanhado de números para justificar o mecenato da Globo aos preferidos.

    1. Resposta muito bem dada! Sigo o mesmo caminho. Veja resposta abaixo. Sem uma análise temporal, que contemple pelo menos uns 10 campeonatos, não há como comprovar nada! Muito menos tendências!!!!!! O resultado de um ano, em termos de audiência, não se reflete no ano seguinte. São eventos isolados, que dependem dos torneios disputados, da posição e desempenho no ano, e dos adversários enfrentados. Parece que a única intensão era defender o time do coração do autor…

  24. A questão vai ainda mais além dos aspectos regionais, penso eu, para a determinação desses valores. Muitas coisas ainda são novas, ainda mais quando considerada a relação clubes/torcidas/novos estádios.
    O Corinthians sai na frente no aspecto estético em suas partidas também por apresentar os setores mais próximos do campo lotados com uma torcida vibrante, o que para a transmissão é ainda mais interessante, potencializando a comercialização do produto que a TV oferece (inclusive para o exterior, dependendo da evolução dos torneios nacionais).
    O foco dessa discussão me parece desvirtuado nos ambientes clubísticos no que se refere às questões de mérito, pois seria possível clubes que se creem gigantes terem seus repasses reduzidos conforme a audiência de fato e o desempenho em determinada temporada. Também, mesmo onde há meritocracia, os clubes de maior audiência recebem mais por transmissões que os demais.
    Bem, enquanto os direitos de imagem forem negociados individualmente essa questão deverá persistir e quem tiver maior poder de negociação continuará fazendo valer seu potencial.

  25. Vi esse link em uma postagem no Lancenet e resolvi conferir. Decepcionante! Análise rasa e sem o menor fundamento. O autor ou está de má fé ou não tem conhecimento básico em estatística. Há vários pontos duvidosos na análise e as comparações foram feitas sem o mínimo cuidado em isolar eventos específicos ou comparações que levem em consideração a mesma base. Seria possível me responder desde quando um evento de um único ano é capaz de apontar tendências? Onde está a série histórica, se é que há alguma, sobre o tema? Tudo muito genérico, sem clareza nas comparações (o que estava sendo comparado? Jogos da Libertadores entram no mesmo saco dos jogos estaduais? Qual a classificação dos times que se enfrentaram e contra quem se jogou no campeonato brasileiro?). Fraca, a análise….

  26. Falamos aqui de empresas que visam lucro, ora se o Corinthians e o Flamengo traduzem em bons resultados, porquê censurar? Se para o açougueiro a picanha está em alta, qual razão oferecer ao cliente patinho no lugar? Só porque são carnes? Sejamos sensatos e analisemos de forma racional e técnica e não emocional. Todo mundo sabe que futebol se tornou negócio, e não é de agora!!!!

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