Não existe “espanholização” no Brasil…

…no máximo uma “italianização”, quiçá “enfrancesamento”. É o que trouxe à tona o Diário Ás, de Madrid, com um quadro comparativo entre direitos televisivos das principais ligas europeias na temporada 2013/2014. Ei-lo:

Fig 01

A título de comparação, e com câmbio de hoje, segue o ranking envolvendo os times brasileiros na temporada passada:

Valores relativos à TV aberta, não contemplando o pay per view
Valores relativos à TV aberta, não contemplando o pay per view

Percebe-se que, em face dos inúmeros paralelos equiparando Flamengo e Corinthians a Real Madrid e Barcelona, a verdade é que na península ibérica a coisa é muito mais concentrada. Os dois gigantes receberam nada menos que 7,7 vezes mais do que o Almería, integrante do último pelotão espanhol. Já no Brasil, Mengão e Timão angariaram 4 vezes mais do que clubes de fora do eixo RJ-SP-MG-RS.

Embora não se refute haver uma concentração por aqui – sendo também necessário debater os méritos da questão – a verdade é que perdemos até para a Itália neste quesito. No País da Bota, a Juventus sozinha recebeu 5,2 vezes mais do que o Sassuolo. Seríamos um intermédio entre ela e a França, onde o PSG faturou 3,4 vezes mais do que o primo pobre Ajaccio.

Percebam que em países cuja configuração de torcidas é bem conhecida – como no caso da Espanha, da Itália ou do próprio Brasil – recursos são direcionados de maneira concentrada aos chamados “trens pagadores”. Não é o caso da Inglaterra, onde por incrível que pareça os clubes não fazem a mais vaga ideia de quantos torcedores possuem. A Terra da Rainha apresenta a melhor repartição do dinheiro, com o Liverpool tendo recebido apenas 1,5 vez mais do que o Cardiff City. Na Alemanha, país em que estudos do gênero também não são comuns, o Bayern recebeu o dobro do Eintracht Braunschweig.

Ainda ontem divulgou-se o novo acordo envolvendo a Premier League e as televisões locais. A partir da próxima temporada, clubes ingleses passarão a receber algo em torno de 2,3 bilhões de euros por temporada, o que possivelmente não impactará no rateio proporcional entre si. O fato levou a ESPN a publicar comparações inapropriadas entre brasileiros e ingleses. Isto porque no Brasil os valores também aumentarão a partir da próxima temporada – algo negociado desde 2013. Por aqui também subiremos, com o novo ranking do televisionamento ficando assim:

Fig 03

E sim, é verdade: a concentração vai aumentar no Brasil, com os ricos recebendo 4,8 vezes mais do que os modestos.

Ainda assim, será menos que na Itália…

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

17 comentários sobre “Não existe “espanholização” no Brasil…

  1. Na Itália, os dois primeiros recebem 20% do bolo. No Brasil, os dois primeiros receberão 28.5% do bolo. É uma concentração 40% maior no Brasil que na Itália, Vinícius. Só a Espanha é maior, onde os dois primeiros recebem 37%. E isso vai mudar em breve.

    1. Cabe lembrar que Fla e Corinthians recebem 28,5% porém, somados, detêm praticamente 40% dos torcedores. Aproximadamente 21% Fla e 18% Corinthians. Sem considerar que, na UNICA vez que foi criada uma liga independente de futebol (o clube dos 13) o Flamengo fez e concordou com tudo que o C13. Deu no que deu. Acha que outros clubes, em especial o SPFC tem credibilidade para propor uma liga? Pra mim não.

      1. Flamengo e Corinthians não detêm juntos nem 20% dos torcedores. Isso é fantasia de pesquisa encomendada. Além disso, isso e nada querem dizer a mesma coisa, ou seja, nada. E o Flamengo ajudou a implodir o Clube dos Treze porque já sabia que seria patrocinado pela Globo. Isso é um monte de conversa fiada. Os outros clubes têm que fazer a liga e determinar como vai ser a distribuição. Quem quiser participar, seja bem vindo, quem não quiser, vá disputar amistosos.

    2. o modelo espanhol é tão “bom” que querem acabar com ele: http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol-espanhol/noticia/2015/02/clubes-querem-parar-espanhol-se-pais-nao-mudar-divisao-de-direitos-de-tv.html . vinicius a referência que deveria considerar é o modelo inglês, campeonato com divisão mais justa , maior audiência e valores muito superiores aos demais. o sucesso deve ser olhado com mais atenção….

      1. É isso aí. Fazer comparação com o que há de pior é uma tentativa de empurrar o ruim goela abaixo da gente. Temos que perseguir o certo e o justo. Já não basta a criação de duas massas artificiais, forjadas à base de manipulação, títulos roubados e empulhamento. Está mais do que na hora de arrancar essa erva daninha do nosso futebol.

    3. é tão bom esse modelo de concentração , que os clubes na espanha quase fizeram greve e estão pressionando para mudar o modelo. já o inglês, campeonato de maior arrecadação/audiência/repercussão as concentrações são bem menores e os resultados muito melhores…esse deveria ser o exemplo não o espanhol contestado e mesmo o italiano (basta ver os estádios vazios na tv como lá está decadente e sem resultados expressivos nos últimos anos)

  2. Vinicius, estes valores atualizados do ranking brasileiro contemplam o pay per view? Porque o rateio dos valores deixa o Flamengo na liderança. Esses valores são alterados se, por exemplo, o time está disputando Libertadores? SRN!

  3. Acho q Flamengo e Corinthians podem receber mais, mas não como está nesse ano e no vindouro. A diferença na audiencia em relação aos clubes do eixo Rio-SP não passam de 30%, mesmo considerando audiencia por osmose e afins! Nåo se justifica e o pay per view já recompensa a diferença de torcida de Fla e SCCP aos demais, mas na tv aberta poderia reduzir a diferença para fortalecer o campeonato Brasileiro.

  4. Existem 18 clubes com contrato FIXO com a Globo, G-12 + Coritiba, Atletico-PR, Sport, Goiás, Bahia e Vitória, esses fora do G-12 recebem 35 milhões, PORÉM há outros 5 clubes fora do acordo, clubes que acertam ANUALMENTE suas cotas, e essas cotas não chegam a R$ 20 milhões/ano, ou seja, sua análise foi enviesada, errônea, pois Avaí, Figueirense, Chapecoense, Joinville, Ponte Preta recebem quase 7 vezes menos q Flamengo.

    1. No texto vc colocou q os “demais” clubes recebem 27 milhões, na realidade ñ há número exato, visto q a maioria antecipa, uns dizem q é 27, outros 30, 33, enfim, mas de fato há um outro grupo, o dos “excluídos”, e esses não ganham nem 20 milhões anuais, e no novo contrato terão aumento, mas dificilmente “dobrarão” o valor das cotas (hj gira entre 18 milhões de reais BRUTOS, descontando imposto daria um pouco mais de 16 milhões de reais/ano).

Deixe uma resposta para Glauco Gasparin Cancelar resposta