O risco dos balanços

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Na proximidade de adentrarmos a segunda quinzena de junho, a sensação é que a temática dos “balanços” arrefeceu por completo. Pudera: a obrigação legal para publicação das demonstrações financeiras (fim de abril) faz de maio um mês recheado de análises sobre receitas e endividamentos. Algumas semanas depois, entretanto, a mídia parece não considerar novas abordagens na área. O Blog Teoria dos Jogos, remando contra esta maré, vem a público tocar numa verdadeira ferida.

É fato que demonstrações financeiras muitas vezes apresentam fragilidades que são ocultadas pela ignorância do público geral na leitura de documentos do tipo. Pior: em alguns casos, balanços podem mesmo não apresentar qualquer fidedignidade, nenhum reflexo da situação econômico-financeira das instituições. É por isto que existem as empresas de auditoria.

Auditores contábeis, de maneira geral, são os responsáveis pela inspeção e análise das demonstrações contábeis de uma empresa. Caso não concordem com algum procedimento, são feitas ressalvas – sejam elas brandas ou mais severas. Nos casos extremos em que um balanço é rejeitado, as auditorias suavemente emitem um “no opinion” quanto ao conteúdo avaliado.

Os processos adotados pela “contabilidade criativa” dos clubes de futebol fazem com que, no Brasil, nenhuma das chamadas Big4 globais (PriceWaterhouse Coopers, Deloitte, Ernst Young e KPMG) aceitem auditá-los. Em compensação, outros players do “Top 20 global” se prontificam a fazê-lo.

O tamanho e a localização geográfica de uma empresa não tem relação necessária com sua capacidade. Sendo assim, auditores regionais podem ser tão competentes quanto gigantes internacionais. Mas a prática nos diz que clubes cujos processos são questionados jamais terão suas contas aprovadas por um destes gigantes.

Com isto em vista, o Blog Teoria dos Jogos decidiu questionar a qualidade das demonstrações apresentados pelos clubes brasileiros. Para tanto, nos debruçamos sobre avaliações contidas nos próprios balanços. E mais: recorremos à consultoria de fontes de alto gabarito no mercado*, solicitando avaliações sobre o risco dos auditores e dos próprios balanços. Tudo com base no grau de severidade atribuído às fragilidades encontradas.

*Por questões éticas, seus nomes não serão divulgados.

Os clubes cujos balanços foram avaliados são os seguintes:

Botafogo – clique aqui para acessar o balanço

Flamengo – clique aqui

Fluminense – clique aqui

Vasco – clique aqui

Corinthians – clique aqui

Palmeiras – clique aqui

São Paulo – clique aqui

Santos – clique aqui

Atlético-MG – clique aqui

Cruzeiro – clique aqui

Grêmio – clique aqui

Internacional – clique aqui

Atlético-PR – clique aqui

Coritiba – clique aqui

Bahia – clique aqui

Segue uma tabela com aqueles cujo risco foi considerado “Baixo”:

Fig 01
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Em posição de destaque, Atlético-PR, Atlético-MG, Cruzeiro, São Paulo, Flamengo, Fluminense, Corinthians e Coritiba. Apenas este último teve identificada uma fragilidade, ainda assim relativamente branda (a falta de exposição da fatia do clube nos direitos econômicos de seus atletas). Já o Cruzeiro, embora detentor de um balanço confiável, delegou a auditoria a pessoas físicas.

Internacional e Palmeiras tiveram seus balanços avaliados como de “médio risco”. A explicação reside no campo “Fragilidades”, se referindo à adesão colorada à Timemania e à avaliação palmeirense quanto à depreciação de seu imobilizado:

Fig 02
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Já Botafogo e Bahia tiveram balanços avaliados como de “alto risco”:

Fig 03
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O clube da Estrela Solitária viu a Mazars emitir “opinião com ressalvas”, com base nas duas fragilidades expostas na tabela – aqui consideradas de severidade “Média” e “Gravíssima”. Já o Tricolor baiano teve três fragilidades, de severidades “Média”, “Gravíssima” e “Grave”.

Grêmio e Vasco foram os clubes que mais deram motivos para ressalvas dos auditores – respectivamente sete e seis. Por isto foram balanços considerados de “altíssimo risco”:

Fig 04
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Por fim, uma situação de completa exceção, a do Santos:

Fig 05
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Simplesmente não foi possível avaliar sua situação patrimonial, uma vez que o Peixe não foi auditado. As “informações gerais” de seu balanço foram tão somente estas:

Fig 06

Ou seja, o alvinegro praiano divulgou suas demonstrações na data-limite alegando estar ainda “em processo de conclusão de auditoria”. Só que de lá pra cá, nada mais foi dito…

Este levantamento tem como intuito demonstrar a situação antagônica em que se encontram os clubes no Brasil, com apenas parte deles zelando pela transparência e as boas práticas contábeis. Infelizmente, quando maus exemplos e interesses escusos partem da própria CBF, não existem tantos motivos para esperança.

Desde já o Blog Teoria dos Jogos se coloca como um espaço aberto para esclarecimentos tanto da parte dos clubes quanto dos auditores.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

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2 comentários sobre “O risco dos balanços

  1. Boa dia! Vinicius, no texto você menciona que nenhuma das chamadas Big4 globais auditam clubes brasileiros, a ernst young não audita o flamengo?

    Flamengo e EY tem parcerias em diversas outras áreas, mas ainda não chegaram ao ponto de auditoria de balanços, Ricardo. Abs

  2. O Flamengo não foi auditado pela E&Y?

    Flamengo e EY tem parcerias em diversas outras áreas, mas ainda não chegaram ao ponto de auditoria de balanços, Flávio. Abs

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