Arquivos mensais: agosto 2015

O desserviço dos especialistas em audiências

Fig 01

Houve um tempo em que a Máquina do Esporte era considerada fonte primária de notícias e análises relacionadas ao marketing esportivo. Seu visual amigável trazia consigo informações não encontradas em nenhum outro veículo do gênero – como as audiências do futebol. Infelizmente, uma equivocada mudança na divulgação e análise destes números vem colocando em xeque a credibilidade do portal.

Não vem de hoje, mas um exemplo se deu na 17ª rodada do Brasileirão, quando Ponte Preta e Flamengo se enfrentaram em partida veiculada pela Globo Rio. Para São Paulo, um eletrizante Cruzeiro x Palmeiras complementou a jornada esportiva. Os números no Rio foram condizentes com as médias do Flamengo: 17 pontos com 41% na Globo e 2 com 4% na Band (Total: 19 com 45%). Em São Paulo, resultado ainda melhor: 16 com 37% na Globo e 5 com 11% na Band (Total: 21 pontos com 48%). Números satisfatórios em ambas as praças, dado o menor número de televisores ligados naquela tarde de Dia dos Pais. Mesmo assim, a Máquina do Esporte se saiu com a seguinte chamada:

Flamengo tem nova baixa e iguala sua pior audiência no Brasileirão

Indo de encontro ao que costumava fazer, o veículo ocultou o elevado share das duas partidas (principalmente a do Palmeiras), focando suas análises nos falaciosos resultados da audiência absoluta. Interpelado via redes sociais, o proprietário da Máquina do Esporte, Erich Beting, alegou que a omissão do share era proposital, já que a mesma “mascararia” a realidade.

Ontem, de maneira mais escancarada, o expediente se repetiu:

Flamengo e São Paulo fazem clássico de audiência pífia na TV

Desta vez, além de premeditadamente ocultar o share, o portal se ateve à audiência individual de uma emissora, como se apenas os números da Globo SP os credenciasse a falar na audiência da TV como um todo. Se marcou 15 pontos com 31% na emissora dos Marinho, Flamengo x São Paulo atingiu outros 6 pontos com 11% na Band, totalizando nada desprezíveis 21 pontos com 42%.

Para que se tenha ideia do equívoco, o clássico do Maracanã foi simplesmente a maior audiência agregada do São Paulo no Brasileirão aos domingos (outros jogos: Internacional, Palmeiras e Sport). Se pela Globo o resultado não foi dos melhores (apenas superando os 14 pontos de Sport x SPFC), aqueles 6 pontos da Band configuraram recorde para o Tricolor no mesmo dia e horário. Mais: os 42% de share no agregado foram simplesmente o segundo melhor do clube na competição (incluindo aí quatro partidas às quartas e um sábado). Falar em “audiência pífia” nestas condições denota ignorância sobre um assunto que deveria dominar ou oportunismo.

Não é de hoje que o Blog Teoria dos Jogos enfoca os significados implícitos do share na análise das audiências televisivas. Para evitar redundâncias, segue o link de um texto que exemplifica diferenças nas praças de Rio e São Paulo de acordo com características ligadas ao clima. Tudo impacta nas audiências: dia da semana, horário, temperatura e até feriados. Mas a verdade que vem sendo tão refutada por quem se diz especialista é que apenas um elemento não se deixa iludir com tamanhas variâncias. Elemento que revela, ao invés de mascarar: justamente ele, o share.

Um grande abraço e saudações!

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Arena x Gigante – uma visita ao Estádio Beira-Rio

Na última terça-feira , o Blog Teoria dos Jogos publicou sua análise de match day relativa à Arena do Grêmio, em operação na vitória do anfitrião sobre o Joinville. O resultado repercutiu positivamente entre os gremistas, orgulhosos de seu portentoso estádio enquanto anseiam pelas melhorias prometidas no entorno.  Infelizmente não houve jogo do Internacional no mesmo fim de semana, impedindo análises que envolvam a logística em torno do Beira-Rio. Nada que inviabilize, entretanto, a comparação direta da estrutura dos estádios.

O que particularmente mais chocou a audiência do Blog foram os ângulos inéditos do entorno da Arena Grêmio. Neste quesito, a experiência no Beira-Rio proporciona sensação diametralmente oposta. Localizado numa área das mais nobres de Porto Alegre, o espaço colorado se vê banhado pelas águas do Guaíba e acariciado por um revigorante parque ao seu lado. Para completar, um número razoável de bons quartos de hotel numa linha reta pela Avenida Borges de Medeiros:

Fig 01

Na fachada, o Beira Rio é muito bonito e um dos mais criativos da Copa, tudo por suas belíssimas membranas em formato folhado. Contudo, se agrada pelo design um tanto clean, passa longe de impressionar pela imponência. Na verdade, visto de fora já se tem a sensação de um estádio de médio porte, algo diferente das credenciais apresentadas pelo arquirrival. De fato, alguns passos separam as arquibancadas da calçada.

Ainda no lado externo, o Gigante possui um bom número de lojas disponíveis para comercialização – todas em etapa final de locação, segundo informações da diretoria colorada. Finalizado o processo, serão 41 dos mais diversos segmentos, transformando o estádio num verdadeiro shopping a céu aberto. Também por lá se acessa a Central de Atendimento ao Sócio, destinada à resolução de toda sorte de problemas no clube com maior quadro associativo do país. Para tanto, são disponibilizados 16 guichês que trabalham a todo vapor em dias de jogo:

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Também pelo lado de fora de acessa o Museu do Internacional – em processo de reabertura para o público geral e ainda bastante simples e pouco interativo – além da mega loja colorada. Segundo o Inter, seu número de visitantes (majoritariamente fazendo a Visita Colorada) aproxima-se dos cinco mil por semana, superando a marca de 250 mil anuais e fazendo do Beira Rio um dos templos futebolísticos mais visitados do Brasil:

Fig 05

Fig 06

Ao adentrar os corredores internos, certa decepção. Além de estreitos, a profusão de concreto armado se assemelha às más experiências verificadas no Mané Garrincha e no Mineirão. Estima-se em cerca de R$ 6 milhões um acabamento mais primoroso, com pisos e pastilhas, o que teoricamente deveria ter sido entregue pela construtora Andrade Gutierrez:

Fig 07

No acesso dos jogadores ao campo, foi empregada solução mais simples e barata, com placas ornamentando a passagem e tampando o cimento cru dos corredores. Nos vestiários, um uniforme completo de Andrés D’Alessandro sempre disponível para fotografias, denotando o nível de idolatria em torno do argentino:

Fig 08

Fig 09

Fig 10

Por dentro, das arquibancadas ou do próprio gramado, a torcida se vê diante do típico Padrão-FIFA: visual belíssimo e em plena harmonia com as cores do clube. Atrás das traves, espaços um tanto longos até a primeira linha de torcedores.

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Fig 12

As áreas nobres do estádio são bonitas e interligadas com um edifício-garagem – uma das muitas fontes de receitas exploradas pela construtora. Dentro dos camarotes, uma surpresa: o visual mais próximo ao gramado já visitado pelo Blog Teoria dos Jogos. Além disso, quase inexiste separação destes assentos com as arquibancadas normais. Isto significa que: 1) A experiência de estar num camarote do Beira-Rio é de plena imersão no calor de uma torcida; 2) Um astro qualquer (artista ou ex-jogador) dificilmente teria a privacidade exigida em um espaço do gênero.

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Mas o Beira-Rio possui um segundo setor prime, também inédito em meio às nossas visitações. Tratam-se dos sky boxes: espécies de camarotes localizados acima do anel superior, apenas em um dos lados do estádio. Por ali a visão é mais ampla e a privacidade, plena.

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Fig 18

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Fig 20

Fig 21

É também onde melhor se pode observar a bonita disposição da cobertura:

Fig 22

A lotação máxima oficial é de 50.038, mas por questões técnicas o Beira-Rio não recebe públicos superiores a 45 mil, fazendo dele menor que a Arena do Grêmio em 10 mil lugares:

Fig 23

À noite, um deslumbre: até a meia-noite, luzes iluminam as folhas do Beira-Rio, fazendo da noite de Porto Alegre um estonteante rubor:

Fig 24

Arena do Grêmio vs Beira-Rio: O veredito

Embora seja pantanoso o terreno das comparações entre Grêmio e Inter, a verdade é que as fanáticas torcidas do Rio Grande do Sul precisam delas. Isto porque tricolores e colorados, duas faces de uma mesma moeda, trazem consigo a grandeza do maior rival justamente por conta desta saudável competição. Sendo assim, o Blog Teoria dos Jogos não se faz de rogado e apresenta suas impressões finais a respeito deste verdadeiro duelo de titãs.

A Arena do Grêmio é um estádio melhor que o Beira-Rio – talvez um pouco mais do que “melhor”. Não por demérito colorado, mas por uma imponência que destoa do próprio padrão de concorrentes do gênero. A Arena é um primor aos níveis mais detalhistas. Estádio por estádio, vitória do Grêmio.

Mas o Beira-Rio se funde com a paisagem a ponto de não sabermos se a beleza ali se instalou por conta do estádio ou apesar dele. Tem todas as funcionalidades que se exige de uma arena, interliga-se ao centro de treinamento (do outro lado da avenida) e até brilha no escuro. O “combo” do Beira-Rio supera o da Arena.

Apesar da tendência do Blog à predileção de um pacote em detrimento da estrutura isolada, a verdade é que o Grêmio tem em mãos a chance de adotar a suprema iniciativa de marketing jamais implementada. Algo que, de tão grandioso, transbordaria a escala comercial, se moldando como ação de responsabilidade social. Trata-se da integração de seu entorno, a promoção de melhorias e de ascensão social. Neste sentido, o Inter tem a vida simplificada, livre para trabalhar o próprio engrandecimento. Improvável, pois será tão mais Gigante quanto menos pensar apenas em si.

O Blog agradece ao Diretor de Administração do SC Internacional, André Flores.

Um grande abraço e saudações!

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Match Day – os contrastes da Arena do Grêmio

No último fim de semana, o Blog Teoria dos Jogos terminou com uma histórica distorção: a de nunca ter visitado Porto Alegre, tida e havida como a capital que hospeda a maior rivalidade futebolística do país. Como a tabela do Brasileirão só contempla uma partida por final de semana na cidade, o embate eleito para nossas tradicionais análises envolveu Grêmio e Joinville, na Arena do Grêmio. Sendo impossível partir sem conhecer o outro lado desta paixão, visitamos também as instalações do Internacional e o estádio da Beira Rio, em postagem que vai ao ar ainda esta semana.

Não dá pra fugir do lugar-comum: salta aos olhos de quem visita a Arena do Grêmio seus inacreditáveis contrastes. Construído numa região periférica de Porto Alegre, o estádio é visto como uma forma de valorizar um entorno que inclui a sintomática comunidade de “Farrapos”. As fotos a seguir dão uma boa noção do impacto da coisa:

Fig 01

 

Fig 02

Fig 03

Ao lado do estádio, torres residenciais em construção pela OAS (responsável pela Arena) surgem como novidades num entorno cuja proliferação de pequenos bares aparenta ser a única mudança real. Por ali, há uma certa semelhança com a região do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro:

Fig 04

Vencido o entorno – que conta ainda com uma grande rodovia (construída por conta do estádio) e uma linha de trem com ligação ao centro – surge ela, colossal. Surge a Arena do Grêmio:

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Fig 06

Não sem antes uma ressalva. Como pode ser visto abaixo, e em linha com o que literalmente se verifica de Norte a Sul, a venda de artigos falsificados corre livre, leve e solta. Solta ao ponto de se ver na liberdade de criar uniformes em desacato ao estatuto do Grêmio – que veda quaisquer cores que não azul, branco e preto. O mais curioso: segundo relatos, a camisa feminina rosa é um verdadeiro sucesso de vendas:

Fig 07

Outro problema é a sujeira acumulada na cobertura do estádio pela ótica externa. Não tendo sido construído sob lonas tensionadas auto limpantes (como o Maracanã e o próprio Beira-Rio), implicará em permanentes custos de manutenção com limpeza, algo que não parece estar acontecendo.

Mas os poréns terminam por aqui. O que se vê a partir de então é um verdadeiro show de criatividade, requinte e imponência.

Para começar, a Arena do Grêmio é o único estádio do Brasil onde permanece o clima de Copa do Mundo – ironicamente justo onde o evento não foi hospedado. Isto porque ela possui o que se chama de “Esplanada” em seu entorno. As pessoas passam por uma revista inicial mas não entregam seus ingressos. A partir de então, sobem a rampa que dá acesso a esta área de convivência:

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Por oficialmente não se configurar como parte das dependências do estádio, é permitido beber na Esplanada. Por isto, ela é dotada de diversas tendas da Heineken, um oásis de racionalidade em tempos de proibição de bebidas alcoólicas. Também é ali que o Tricolor explora potencialidades comerciais, com duas mega lojas e diversos espaços para aluguel*. Por fim, centros de atendimentos a sócios ou consulados trabalham a todo vapor, uma das mais valiosas experiências verificadas nesta passagem do Blog pelo Sul:

*O objetivo é transformar a Esplanada numa área comercial aberta permanentemente, alugando espaços para lojas e restaurantes. Dado o perfil do entorno, soa improvável que esta forma de capitalizar se torne bem sucedida.

Fig 11

Fig 12

Finalmente, as instalações internas são um choque na melhor acepção da palavra. Muito diferente da profusão de cimento cru da maioria dos estádios (mesmo de Copa do Mundo), na Arena o acabamento é primoroso. Pisos de cerâmica e porcelanato, paredes e banheiros pastilhados nas cores do clube:

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Fig 16

A altura das arquibancadas valida a sensação de adentrarmos uma das maiores arenas do Brasil. Os assentos, todos acolchoados, são de longe os melhores já testados. Mesmo o espaço da “Geral do Grêmio”, onde domina o concreto desde que as cadeiras foram retiradas, não destoa tanto quanto a dimensão dada pelas fotografias:

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Fig 18

Fig 19

Fig 20

Já a área dos camarotes possui zonas coletivas com música ao vivo e lanchonetes onde o espectador não perde nada do jogo. Os camarotes particulares, ainda que pequenos, também proporcionam vista integral da partida mesmo aos que optam por ficar dentro do lounge:

Fig 21

Fig 22

Fig 23

Justamente na noite em que virou para cima do Joinville (2 x 1), o Grêmio lançou também sua linha de essências personalizadas, denominada Alentto. Saindo na frente dos demais na exploração do marketing sensorial, grandes difusores de essência se espalharam pelos corredores, levando ao estádio o divertido rótulo de “mais cheiroso do Brasil”:

Fig 24

Desde que os assentos foram retirados da “Geral”, a capacidade da Arena caiu de 60 mil para 55 mil lugares, sendo os ingressos mais baratos em setores superiores – o que passa a impressão de estádio vazio mesmo com os 31 mil pagantes de domingo:

Fig 25

Este registro com número recorde de imagens dá a clara ideia da relevância desta análise. Sob alguns prismas, como de acabamento e usabilidade (Esplanada), trata-se de uma das melhores experiências já vividas pelo Blog Teoria dos Jogos em uma arena. Em outros, como localização e logística de acesso, das piores. Extremos que fazem da Arena do Grêmio uma verdadeira expressão da realidade brasileira, em suas dores e delícias.

Relembre algumas de nossas análises de match day em arenas brasileiras:

Maracanã: clique aqui 

Estádio Nacional de Brasília: clique aqui

Maracanã (camarotes): clique aqui

Mineirão: clique aqui

Nossos agradecimentos ao amigo e “guia turístico” @cristianomcosta, bem como ao departamento de marketing do Grêmio e à Arena Porto-Alegrense SA pela gentileza do convite.

Um grande abraço e saudações!

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Entrevista com Wallim Vasconcellos: Hang Out Embaixadas

Na noite de ontem aconteceu, via Hang Out do Google, a entrevista mais abrangente com Wallim Vasconcellos desde o início do processo eleitoral no Flamengo. O candidato, principal representante da “oposição” ao presidente Eduardo Bandeira de Mello, falou com exclusividade às Embaixadas Rubro-Negras, muito bem representadas na figura de Rodrigo Fortuna (presidente da Fla-Sampa). Por considerar as temáticas importantes e o debate de ideias democrático, o Blog Teoria dos Jogos abre espaço para a divulgação da entrevista, transcrevendo seus highlights aos interessados.

O bate-papo na íntegra (“Hang Out Embaixadas – Entrevista com Wallim Vasconcellos”) pode ser acessado clicando na imagem abaixo:

Fig 01

Com a devida transcrição de seus melhores momentos:

MARKETING

Departamento de marketing: Wallim diz que este talvez seja o departamento mais importante ao produzir receitas para o futebol, clube social e esportes olímpicos. Com a volta de BAP (Luiz Eduardo Baptista, ex-vice presidente da pasta), o candidato promete uma melhoria nas ações (embora não diga quais) e uma grande reformulação entre os profissionais que o integram.

Projeto sócio-torcedor: Afirma não acreditar na viabilidade de uma parceria com os patrocinadores (Tim e Caixa) para fomentar o projeto Nação Rubro Negra. Alega que Caixa e Bradesco não quiseram lançar cartões de crédito com a marca do clube, indo em direção oposta ao que o próprio Wallim acreditava. Expõe ainda o pensamento de que doações necessitam de contrapartidas.

Rodrigo Fortuna rebate com dados de uma pesquisa de sua autoria, em parceria com a Trevisan Escola de Negócios e o Instituto Brasileiro de Gestão e Marketing Esportivo (IBGME). Nela, identificou-se que 70% da base de torcedores rubro-negros fora do Rio possui conta na Caixa, celular da Tim ou ambos. O entrevistador sugere cobranças na fatura ou descontos em débito automático como forma de se catapultar a base de contribuintes. Wallim determina considerar a proposta, desde que operacional e economicamente viável.

Relacionamento com jogadores em ações de marketing: Rodrigo diz haver críticas quanto ao comportamento de atletas e comissão técnica nas ações do departamento futebol em favor do marketing. Wallim diz que esta resistência também é alvo de críticas de BAP, que não entende a razão e se sente incomodado. Cita como exemplo uma negativa dos jogadores em visitarem o Hospital do Câncer. Promete modificar esta mentalidade, sem esclarecer os meios.

Escolinhas Fla: Wallim alega haver contrato em vigor cedendo a exploração das escolinhas por cinco anos – direito cedido ao final da administração Patricia Amorim. Se diz descontente pela falta de aproveitamento de alunos nas divisões de base do Flamengo, e propõe que ex-jogadores coordenem o projeto.

Lojas oficiais: Propõe a elaboração de estudos de mercado visando o melhor modelo de franqueamento, mesmo baseado na experiência de outros clubes. Sugere análises de demanda que indiquem os mercados mais promissores, incluindo negativas para possíveis interessados em cidades onde a base de torcedores não permita ao negócio prosperar.

FINANÇAS

Manutenção dos contratos de patrocínio: Wallim demonstra pessimismo com relação à renovação dos atuais contratos. Diz que o aumento das cotas de televisionamento para 2016 ajudam como um “colchão de emergência”. Refuta que tenha dito que os patrocinadores deixarão o clube com a saída dos nomes de sua chapa, mas presume que a volta de “antigos elementos” repeliria anunciantes.

Investir em estrutura ou no futebol: Ressalta que o futebol precisa ser priorizado nos próximos três anos, embora afirme ser vital finalizar o CT no mesmo período. Revela que sua diretoria “batera à porta da Caixa” pedindo financiamento para finalizar o Ninho do Urubu, num investimento estimado em R$ 30 milhões. Promete alternativas para a construção do estádio em regiões centrais e que sejam abastecidas por transporte coletivo (citando o Porto Maravilha).

Comitê Gestor do Futebol: O candidato fala que o Comitê é necessário, mas não nos moldes atuais. Alega que ele abrange muita gente (“seis, sete pessoas”) e que “onde muita gente manda, ninguém manda”. Acha que este papel caberia ao diretor executivo do futebol, junto a um representante do marketing e outro das finanças, rejeitando que contratações partam do treinador.

ESPORTES OLÍMPICOS

Dificuldade na captação de recursos: Diz ser inaceitável que R$ 400 milhões em recursos destinados aos esportes olímpicos pelo Governo Federal não cheguem aos clubes, verdadeiros formadores dos atletas. Wallim defende uma postura drástica por parte dos clubes à mesa de negociações com o governo. Cita como exemplo das dificuldades o fato de o Flamengo não ter conseguido patrocinador disposto a arcar com R$ 1 milhão na formação de um time para a Superliga de vôlei. Reforça a importância do relacionamento no mercado, colocando Estácio e Sky (patrocinadores do basquete rubro-negro) como frutos destes contatos. Rejeita ainda uma declaração de Eduardo Bandeira de Mello de que “as empresas procurariam o Flamengo” visando patrociná-lo.

EMBAIXADAS

Aproximação com as Embaixadas: Wallim alega não saber por que o projeto das Embaixadas não se aprofundou como deveria, reconhecendo-as como fundamentais no processo de difusão da imagem e catalisação de sócios-torcedores. Confessa ter conversado com Mário Cruz, um dos elaboradores do projeto, convidando-o para gerir o relacionamento com as Embaixadas, sem um plano de ação já estabelecido.

POLÍTICA

Interferências clubísticas: Após pergunta de Rodrigo Fortuna sobre o fato de o time do coração das autoridades cariocas interferirem em decisões contrárias ao clube, Wallim sugere que se “teste” uma candidatura voltada à torcida rubro-negra já para as próximas eleições. Diz ainda que é preciso conhecer quem são os parlamentares flamenguistas, alegando que os pleitos do clube são legítimos e que não há nada de errado neste tipo de lobby.

Relação com Bandeira de Mello: Alega que a falta de decisões de grupo vindas do presidente incomodou, a ponto de hoje apenas um integrante da chapa de 2012 se dizer em dúvida quanto ao apoio a Wallim. Pondera ser possível uma reaproximação, desde que não com “a postura de Bandeira de Mello no último ano”, pois eles “não venceram as eleições com este discurso”.

E finalmente, uma pergunta enviada pelo Blog Teoria dos Jogos:

Em prol da despersonificação da gestão e em nome do tão falado colegiado – num paralelo com o que sua chapa exigiu de Bandeira de Mello na reunião que selou o rompimento: você seria capaz de, hoje, dar sua palavra no sentido de não concorrer à reeleição?

Wallim Vasconcellos: Dou minha palavra, pode gravar. Se eleito, serão só três anos. A alternância de poder é sadia. Se Landim ou Tostes quisessem ter sido presidentes no meu lugar, teria aberto mão de imediato. Todos estes: Landim, Tostes, BAP, Gustavo Oliveira, Póvoa. Falei com todos e disseram que não podiam. Se algum deles mudar de ideia e quiser ser candidato, abro mão agora.

Um grande abraço e saudações!

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A economia aplicada ao futebol: a competitividade do Brasileirão

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O Blog Teoria dos Jogos retoma agora um de seus expedientes mais elogiados: abordagens ligadas ao futebol por meio da utilização de métodos relacionados à ciência econômica. O foco: a competitividade dos campeonatos nacionais à luz da aplicação de um reconhecido índice de concentração de mercados. Parece complicado, mas percebam que a coisa é bem simples.

Existe um índice chamado Herfindahl-Hirschman (ou simplesmente HHI) que mensura concentração de mercados através da soma dos quadrados do market share de cada empresa. Por exemplo, se num setor existem duas empresas e cada uma aufere exatamente 50% das vendas, então o HHI é (0,5)² + (0,5)² =0,5. Caso existam três companhias, uma com 50% e as outras 25%, então o HHI será (0,5)² + (0,25)² + (0,25)² = 0,375. Ou seja, quanto mais competitivo um mercado, menor seu índice HHI.

A questão é que este conceito pode ser perfeitamente adaptado ao futebol. Basta considerar o market share de cada clube como o número de pontos conquistado por ele em relação ao total de pontos conquistados por todos os participantes do torneio. Como exemplo aleatório, tomemos por base o Campeonato Brasileiro de 2012:

Fig 01

Temos que o Fluminense, campeão daquele ano, atingiu 77 pontos, enquanto a soma da pontuação dos 20 participantes foi de 1.035. Isto significa que, se o Tricolor fosse uma empresa, teria dominado 7,4% do mercado, sendo este seu market share. O segundo colocado, Atlético-MG, ficou com 6,9%. A soma dos percentuais de todos os participantes nos leva ao HHI do Brasileirão, sendo um indicador de sua concentração:

HHI do Brasileirão 2012 = (0,074)² + (0,069)²+ … + (0,028)² = 0,052

E o que nos diz o benchmark internacional? O Blog Teoria dos Jogos aplicou a formula acima para os campeonatos alemão, espanhol, italiano, francês e inglês, numa comparação direta com o Campeonato Brasileiro ao longo dos últimos dez anos. Faz sentido nossa alcunha de “campeonato mais disputado do mundo”? Vejamos:

Fig 02

PS: No gráfico, os resultados foram multiplicados por 10.000 a fim de visualizarmos os números numa ordem de grandeza mais apropriada

Sim, faz. Percebam que que o HHI do Brasileirão sempre fica entre 0,051 e 0,053*, o mais baixo entre os países comparados. Isto significa que existe uma maior competição, com menor diferença de pontos entre os concorrentes. Se nosso campeonato fosse um mercado qualquer, suas empresas teriam menor participação, sem oligopolistas abocanhando grandes fatias. Entretanto, notem que o HHI do ano passado foi o maior da série histórica. Isto nos leva a presumir uma redução de sua característica “igualitária”, aproximando-se do nível verificado no Campeonato Francês.

*Em 2005 o HHI do Brasileirão ficou em 0,046 por ser o último torneio com 22 participantes, algo que logicamente aumenta a competitividade por conta do maior número de players

Historicamente, é na França onde se verifica competitividade semelhante à nossa: O HHI da “Ligue 1” foi inferior ao do Brasileirão em 2006 e 2010. O Serie A italiana ocupa posições intermediárias, com o Campeonato Espanhol e a Premier League inglesa sempre nas cabeças entre os campeonatos mais desequilibrados do mundo. O caso alemão necessita de uma leitura à parte: surge disparadamente como o de maior HHI porque a Bundesliga é disputada por apenas 18 equipes.

As conclusões da análise podem ter óticas diametralmente opostas. Por um lado, apenas Brasil e Espanha se encontram em maior desequilíbrio hoje na comparação com o perfil de dez anos atrás. Isto pode ser interpretado como um ônus pela redistribuição das cotas de televisionamento, cada vez mais direcionadas aos clubes de maior torcida. Em compensação, Alemanha excluída, pertence à Inglaterra o maior HHI médio, mesmo sendo exaltada por sua suposta “distribuição mais isonômica de cotas”.

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Fla: Resultado semestral aponta para manutenção da hegemonia

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Mesmo que o próprio Flamengo não tenha feito a devida divulgação, suas demonstrações financeiras trimestrais publicadas ontem nos brindam com excelentes resultados de mais seis meses de gestão. Entre junho de 2014 e junho de 2015, o Rubro Negro aumentou seu faturamento, reduziu o passivo e manteve o superávit em níveis próximos aos de 2014.

Sob a ótica das receitas, vejamos:

Fig 01

A receita operacional bruta teve ligeiro aumento de R$ 170,2 milhões para R$ 172,7 milhões. Excepcional, se considerarmos 2015 como um ano muito pouco favorável ao Fla: fora da Libertadores, sem título estadual ou qualquer venda significativa de jogadores. Fatos que não poderiam deixar de se refletir nas respectivas contas.

O repasse de direitos federativos, calcanhar-de-aquiles que reflete a precariedade das divisões de base, voltou a decepcionar. Caiu de R$ 3,4 milhões para míseros 507 mil ao final do semestre. Redução que só não foi maior do que a dos “Prêmios”: sem títulos de expressão, o Fla caiu de R$ 5,2 milhões para R$ 200 mil.

Já o programa sócio-torcedor, também em queda, tende a reverter a lógica e bater seu próprio recorde ao final de 2015. Isto porque após um período de enorme desmotivação (quando chegou a pouco mais de 50 mil adeptos), o Nação Rubro Negra reagiu e já ultrapassou a marca de 67 mil associados. De qualquer maneira, retrocedeu de R$ 16,4 milhões para R$ 14,2 milhões.

Por fim, as bilheterias pioraram (R$ 16,6 milhões para R$ 15,9 milhões) – o que também pode ser visto sob outro aspecto. Para tanto, as demonstrações trazem uma inédita “composição do resultado com jogos”:

Fig 02

Num ano em que a Libertadores deixou de injetar R$ 6,9 milhões, a queda de apenas R$ 700 mil deve ser comemorada. Outras bilheterias vem superando expectativas, prova disto são os ótimos números do Campeonato Brasileiro (mais que o dobro do ano anterior). No estadual houve queda (R$ 4,9 mi para R$ 4,1 mi), mas o número de jogos foi bem inferior (17 contra 21) e sem o benefício da participação nas finais. Três amistosos em 2015 ainda se mostraram extremamente lucrativos (R$ 2,7 milhões).

Se tantos números pioraram, como foi o possível aumentar a receita operacional bruta? Basicamente pelos aportes via patrocínio e televisionamento. A chegada da Jeep e outras parceiras ajudou o marketing a elevar seus ganhos de R$ 34,8 milhões a R$ 38,2 milhões, enquanto direitos de transmissão apresentaram salto expressivo (de R$ 65,5 milhões para R$ 76,2 milhões).

Indo além do perfil das receitas, o Fla apresentou patrimônio líquido negativo de R$ 342,3 milhões, frente a R$ 379 milhões em 31 de dezembro de 2014. Já o capital circulante líquido negativo saiu de R$ 170,4 milhões em dezembro para R$ 117,1 milhões. Por fim o superávit, que em junho passado esteve em R$ 39,1 milhões (R$ 64,3 milhões ao final do exercício) apresentou pequena queda: agora é de R$ 36,7 milhões.

Diante do exposto, conclui-se que o caminho virtuoso trilhado pela diretoria do Mais Querido se consolidou – contradizendo os muitos questionamentos por conta de uma ou outra contratação. Ainda que haja piora no perfil de receitas e aumento na dependência da TV, a trajetória ascendente do faturamento sob condições macroeconômicas hostis é algo digno de nota. No mais, o superávit caminha para algo entre R$ 55 milhões e R$ 60 milhões, inferior ao de 2014 mas ainda o segundo maior da história.

Resumindo: seja qual for o resultado das eleições presidenciais, quem assumir terá como legado um clube organizado e com as contas em dia. Deixará para trás as turbulências financeiras e poderá fazer de 2016 o primeiro ano de verdadeiro impacto nos investimentos sobre o futebol, carro-chefe e razão de ser da instituição.

Um grande abraço e saudações!

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