Entrevista com Wallim Vasconcellos: Hang Out Embaixadas

Na noite de ontem aconteceu, via Hang Out do Google, a entrevista mais abrangente com Wallim Vasconcellos desde o início do processo eleitoral no Flamengo. O candidato, principal representante da “oposição” ao presidente Eduardo Bandeira de Mello, falou com exclusividade às Embaixadas Rubro-Negras, muito bem representadas na figura de Rodrigo Fortuna (presidente da Fla-Sampa). Por considerar as temáticas importantes e o debate de ideias democrático, o Blog Teoria dos Jogos abre espaço para a divulgação da entrevista, transcrevendo seus highlights aos interessados.

O bate-papo na íntegra (“Hang Out Embaixadas – Entrevista com Wallim Vasconcellos”) pode ser acessado clicando na imagem abaixo:

Fig 01

Com a devida transcrição de seus melhores momentos:

MARKETING

Departamento de marketing: Wallim diz que este talvez seja o departamento mais importante ao produzir receitas para o futebol, clube social e esportes olímpicos. Com a volta de BAP (Luiz Eduardo Baptista, ex-vice presidente da pasta), o candidato promete uma melhoria nas ações (embora não diga quais) e uma grande reformulação entre os profissionais que o integram.

Projeto sócio-torcedor: Afirma não acreditar na viabilidade de uma parceria com os patrocinadores (Tim e Caixa) para fomentar o projeto Nação Rubro Negra. Alega que Caixa e Bradesco não quiseram lançar cartões de crédito com a marca do clube, indo em direção oposta ao que o próprio Wallim acreditava. Expõe ainda o pensamento de que doações necessitam de contrapartidas.

Rodrigo Fortuna rebate com dados de uma pesquisa de sua autoria, em parceria com a Trevisan Escola de Negócios e o Instituto Brasileiro de Gestão e Marketing Esportivo (IBGME). Nela, identificou-se que 70% da base de torcedores rubro-negros fora do Rio possui conta na Caixa, celular da Tim ou ambos. O entrevistador sugere cobranças na fatura ou descontos em débito automático como forma de se catapultar a base de contribuintes. Wallim determina considerar a proposta, desde que operacional e economicamente viável.

Relacionamento com jogadores em ações de marketing: Rodrigo diz haver críticas quanto ao comportamento de atletas e comissão técnica nas ações do departamento futebol em favor do marketing. Wallim diz que esta resistência também é alvo de críticas de BAP, que não entende a razão e se sente incomodado. Cita como exemplo uma negativa dos jogadores em visitarem o Hospital do Câncer. Promete modificar esta mentalidade, sem esclarecer os meios.

Escolinhas Fla: Wallim alega haver contrato em vigor cedendo a exploração das escolinhas por cinco anos – direito cedido ao final da administração Patricia Amorim. Se diz descontente pela falta de aproveitamento de alunos nas divisões de base do Flamengo, e propõe que ex-jogadores coordenem o projeto.

Lojas oficiais: Propõe a elaboração de estudos de mercado visando o melhor modelo de franqueamento, mesmo baseado na experiência de outros clubes. Sugere análises de demanda que indiquem os mercados mais promissores, incluindo negativas para possíveis interessados em cidades onde a base de torcedores não permita ao negócio prosperar.

FINANÇAS

Manutenção dos contratos de patrocínio: Wallim demonstra pessimismo com relação à renovação dos atuais contratos. Diz que o aumento das cotas de televisionamento para 2016 ajudam como um “colchão de emergência”. Refuta que tenha dito que os patrocinadores deixarão o clube com a saída dos nomes de sua chapa, mas presume que a volta de “antigos elementos” repeliria anunciantes.

Investir em estrutura ou no futebol: Ressalta que o futebol precisa ser priorizado nos próximos três anos, embora afirme ser vital finalizar o CT no mesmo período. Revela que sua diretoria “batera à porta da Caixa” pedindo financiamento para finalizar o Ninho do Urubu, num investimento estimado em R$ 30 milhões. Promete alternativas para a construção do estádio em regiões centrais e que sejam abastecidas por transporte coletivo (citando o Porto Maravilha).

Comitê Gestor do Futebol: O candidato fala que o Comitê é necessário, mas não nos moldes atuais. Alega que ele abrange muita gente (“seis, sete pessoas”) e que “onde muita gente manda, ninguém manda”. Acha que este papel caberia ao diretor executivo do futebol, junto a um representante do marketing e outro das finanças, rejeitando que contratações partam do treinador.

ESPORTES OLÍMPICOS

Dificuldade na captação de recursos: Diz ser inaceitável que R$ 400 milhões em recursos destinados aos esportes olímpicos pelo Governo Federal não cheguem aos clubes, verdadeiros formadores dos atletas. Wallim defende uma postura drástica por parte dos clubes à mesa de negociações com o governo. Cita como exemplo das dificuldades o fato de o Flamengo não ter conseguido patrocinador disposto a arcar com R$ 1 milhão na formação de um time para a Superliga de vôlei. Reforça a importância do relacionamento no mercado, colocando Estácio e Sky (patrocinadores do basquete rubro-negro) como frutos destes contatos. Rejeita ainda uma declaração de Eduardo Bandeira de Mello de que “as empresas procurariam o Flamengo” visando patrociná-lo.

EMBAIXADAS

Aproximação com as Embaixadas: Wallim alega não saber por que o projeto das Embaixadas não se aprofundou como deveria, reconhecendo-as como fundamentais no processo de difusão da imagem e catalisação de sócios-torcedores. Confessa ter conversado com Mário Cruz, um dos elaboradores do projeto, convidando-o para gerir o relacionamento com as Embaixadas, sem um plano de ação já estabelecido.

POLÍTICA

Interferências clubísticas: Após pergunta de Rodrigo Fortuna sobre o fato de o time do coração das autoridades cariocas interferirem em decisões contrárias ao clube, Wallim sugere que se “teste” uma candidatura voltada à torcida rubro-negra já para as próximas eleições. Diz ainda que é preciso conhecer quem são os parlamentares flamenguistas, alegando que os pleitos do clube são legítimos e que não há nada de errado neste tipo de lobby.

Relação com Bandeira de Mello: Alega que a falta de decisões de grupo vindas do presidente incomodou, a ponto de hoje apenas um integrante da chapa de 2012 se dizer em dúvida quanto ao apoio a Wallim. Pondera ser possível uma reaproximação, desde que não com “a postura de Bandeira de Mello no último ano”, pois eles “não venceram as eleições com este discurso”.

E finalmente, uma pergunta enviada pelo Blog Teoria dos Jogos:

Em prol da despersonificação da gestão e em nome do tão falado colegiado – num paralelo com o que sua chapa exigiu de Bandeira de Mello na reunião que selou o rompimento: você seria capaz de, hoje, dar sua palavra no sentido de não concorrer à reeleição?

Wallim Vasconcellos: Dou minha palavra, pode gravar. Se eleito, serão só três anos. A alternância de poder é sadia. Se Landim ou Tostes quisessem ter sido presidentes no meu lugar, teria aberto mão de imediato. Todos estes: Landim, Tostes, BAP, Gustavo Oliveira, Póvoa. Falei com todos e disseram que não podiam. Se algum deles mudar de ideia e quiser ser candidato, abro mão agora.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

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