Arena x Gigante – uma visita ao Estádio Beira-Rio

Na última terça-feira , o Blog Teoria dos Jogos publicou sua análise de match day relativa à Arena do Grêmio, em operação na vitória do anfitrião sobre o Joinville. O resultado repercutiu positivamente entre os gremistas, orgulhosos de seu portentoso estádio enquanto anseiam pelas melhorias prometidas no entorno.  Infelizmente não houve jogo do Internacional no mesmo fim de semana, impedindo análises que envolvam a logística em torno do Beira-Rio. Nada que inviabilize, entretanto, a comparação direta da estrutura dos estádios.

O que particularmente mais chocou a audiência do Blog foram os ângulos inéditos do entorno da Arena Grêmio. Neste quesito, a experiência no Beira-Rio proporciona sensação diametralmente oposta. Localizado numa área das mais nobres de Porto Alegre, o espaço colorado se vê banhado pelas águas do Guaíba e acariciado por um revigorante parque ao seu lado. Para completar, um número razoável de bons quartos de hotel numa linha reta pela Avenida Borges de Medeiros:

Fig 01

Na fachada, o Beira Rio é muito bonito e um dos mais criativos da Copa, tudo por suas belíssimas membranas em formato folhado. Contudo, se agrada pelo design um tanto clean, passa longe de impressionar pela imponência. Na verdade, visto de fora já se tem a sensação de um estádio de médio porte, algo diferente das credenciais apresentadas pelo arquirrival. De fato, alguns passos separam as arquibancadas da calçada.

Ainda no lado externo, o Gigante possui um bom número de lojas disponíveis para comercialização – todas em etapa final de locação, segundo informações da diretoria colorada. Finalizado o processo, serão 41 dos mais diversos segmentos, transformando o estádio num verdadeiro shopping a céu aberto. Também por lá se acessa a Central de Atendimento ao Sócio, destinada à resolução de toda sorte de problemas no clube com maior quadro associativo do país. Para tanto, são disponibilizados 16 guichês que trabalham a todo vapor em dias de jogo:

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Também pelo lado de fora de acessa o Museu do Internacional – em processo de reabertura para o público geral e ainda bastante simples e pouco interativo – além da mega loja colorada. Segundo o Inter, seu número de visitantes (majoritariamente fazendo a Visita Colorada) aproxima-se dos cinco mil por semana, superando a marca de 250 mil anuais e fazendo do Beira Rio um dos templos futebolísticos mais visitados do Brasil:

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Ao adentrar os corredores internos, certa decepção. Além de estreitos, a profusão de concreto armado se assemelha às más experiências verificadas no Mané Garrincha e no Mineirão. Estima-se em cerca de R$ 6 milhões um acabamento mais primoroso, com pisos e pastilhas, o que teoricamente deveria ter sido entregue pela construtora Andrade Gutierrez:

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No acesso dos jogadores ao campo, foi empregada solução mais simples e barata, com placas ornamentando a passagem e tampando o cimento cru dos corredores. Nos vestiários, um uniforme completo de Andrés D’Alessandro sempre disponível para fotografias, denotando o nível de idolatria em torno do argentino:

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Por dentro, das arquibancadas ou do próprio gramado, a torcida se vê diante do típico Padrão-FIFA: visual belíssimo e em plena harmonia com as cores do clube. Atrás das traves, espaços um tanto longos até a primeira linha de torcedores.

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As áreas nobres do estádio são bonitas e interligadas com um edifício-garagem – uma das muitas fontes de receitas exploradas pela construtora. Dentro dos camarotes, uma surpresa: o visual mais próximo ao gramado já visitado pelo Blog Teoria dos Jogos. Além disso, quase inexiste separação destes assentos com as arquibancadas normais. Isto significa que: 1) A experiência de estar num camarote do Beira-Rio é de plena imersão no calor de uma torcida; 2) Um astro qualquer (artista ou ex-jogador) dificilmente teria a privacidade exigida em um espaço do gênero.

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Mas o Beira-Rio possui um segundo setor prime, também inédito em meio às nossas visitações. Tratam-se dos sky boxes: espécies de camarotes localizados acima do anel superior, apenas em um dos lados do estádio. Por ali a visão é mais ampla e a privacidade, plena.

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É também onde melhor se pode observar a bonita disposição da cobertura:

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A lotação máxima oficial é de 50.038, mas por questões técnicas o Beira-Rio não recebe públicos superiores a 45 mil, fazendo dele menor que a Arena do Grêmio em 10 mil lugares:

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À noite, um deslumbre: até a meia-noite, luzes iluminam as folhas do Beira-Rio, fazendo da noite de Porto Alegre um estonteante rubor:

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Arena do Grêmio vs Beira-Rio: O veredito

Embora seja pantanoso o terreno das comparações entre Grêmio e Inter, a verdade é que as fanáticas torcidas do Rio Grande do Sul precisam delas. Isto porque tricolores e colorados, duas faces de uma mesma moeda, trazem consigo a grandeza do maior rival justamente por conta desta saudável competição. Sendo assim, o Blog Teoria dos Jogos não se faz de rogado e apresenta suas impressões finais a respeito deste verdadeiro duelo de titãs.

A Arena do Grêmio é um estádio melhor que o Beira-Rio – talvez um pouco mais do que “melhor”. Não por demérito colorado, mas por uma imponência que destoa do próprio padrão de concorrentes do gênero. A Arena é um primor aos níveis mais detalhistas. Estádio por estádio, vitória do Grêmio.

Mas o Beira-Rio se funde com a paisagem a ponto de não sabermos se a beleza ali se instalou por conta do estádio ou apesar dele. Tem todas as funcionalidades que se exige de uma arena, interliga-se ao centro de treinamento (do outro lado da avenida) e até brilha no escuro. O “combo” do Beira-Rio supera o da Arena.

Apesar da tendência do Blog à predileção de um pacote em detrimento da estrutura isolada, a verdade é que o Grêmio tem em mãos a chance de adotar a suprema iniciativa de marketing jamais implementada. Algo que, de tão grandioso, transbordaria a escala comercial, se moldando como ação de responsabilidade social. Trata-se da integração de seu entorno, a promoção de melhorias e de ascensão social. Neste sentido, o Inter tem a vida simplificada, livre para trabalhar o próprio engrandecimento. Improvável, pois será tão mais Gigante quanto menos pensar apenas em si.

O Blog agradece ao Diretor de Administração do SC Internacional, André Flores.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

4 comentários sobre “Arena x Gigante – uma visita ao Estádio Beira-Rio

  1. Prezado Vinícius, muito boa a sua análise! Com relação à responsabilidade social de melhorar um entorno, você é favorável ao Flamengo construir um estádio em projeto similar ao do Grêmio, escolhendo um terreno em área mais afastada? Ou acha mais interessante procurar um terreno mais central e investir no marketing direto com a composição de uma localização mais privilegiada?

    Em suma: escolher, em termos de localização, ser como o estádio do Grêmio ou como o do Inter?

    Abraço!

  2. Caro Vinícius, sou colorado e creio que suas percepções são críveis, vou falar o óbvio, o Beira-Rio é um estádio de mais de 40 anos enquanto a arena é um bebê, o nosso tradicional rival foi muito feliz na concepção de seu estádio e torço para que consiga transformar o bairro em que está inserido, criando meios de integração com o meio (conforme seu projeto), também é verdade de que o Beira-rio precisa melhorar seu acabamento isso o levaria para outro patamar, mas é um estádio maravilhoso que possui muitos recursos e agrada muito nós torcedores, reconheço que a arena como estádio é melhor mas nós temos o melhor conjunto (por enquanto).
    Um abraço.

    1. Alexandre, acho que a Arena jamais terá um entorno como o do Beira Rio. O que acho que deverá ocorrer ali (e já parece notória essa tendência) é a transformação do Bairro Humaitá numa espécie de “bairro do Grêmio”, tal como o La Boca é para o Boca Jrs.

  3. O problema da Arena não é a localização em si, pois a maioria dos torcedores de estádio são de Canoas, Cachoeirinha, Gravataí e Esteio por tanto, nesse sentido, geograficamente o ocal é perfeito. O problema é a acessibilidade (nessa esteira o velho Olímpico era imbatível) ! A falta de Avenidas e ruas para um grande contingente de carros, ruas que alagam (pois o Poder Público nunca deu bola para pessoas hipossuficientes), etc… Sem contar o viaduto (deveriam ter visto isso antes sr. Paulo Odone e Sr. Antonini) que da a falsa impressão de que os carros vão entrar na explanada ! A constatação de fuligem na cobertura possivelmente tem haver com isso. No mais, a Arena é espetacular mesmo, orgulho para nós gremistas ! Abraço a todos !

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