Arquivos mensais: setembro 2015

Uma nova fronteira

Ontem, Flamengo e Vasco fizeram o primeiro grande clássico sob a égide da nova política de fiscalização das meias entradas – anunciada há pouco mais de duas semanas. Em tempos de profunda crise econômica e dificuldades para a mera manutenção do nível das receitas, os resultados foram promissores. Abaixo, e em primeira mão, o borderô da partida:

Fig 01

A renda de R$ 1.986.400,00 registrou aumento de 17% no ticket médio dos jogos do Flamengo (de R$ 42 para R$ 49). Em se considerando o público pagante de 40.240, isto representou um expressivo ganho adicional de R$ 300 mil. Na comparação com o último jogo do Flamengo no Maracanã (Cruzeiro), o total de meias caiu de 58% para 50,4%. Se a comparação retroagir ao Flamengo x Vasco do dia 19 de agosto, a queda é ainda mais expressiva: nada menos que 71% dos torcedores pagaram a metade naquela ocasião.

A evolução segue inconteste entre os sócios-torcedores do Flamengo, acostumados a pagarem “meia da meia”. Neste meio, o percentual ontem caiu de 73,8% para 60%. Melhor ainda é o resultado no Setor Norte – o mais barato e que abriga as torcidas organizadas. Por ali, as meias saíram de 81% para 63,5%. Segue a visualização dos resultados por setor do Maraca:

Fig 02

Para descobrir se os resultados corresponderam às expectativas, o Blog Teoria dos Jogos conversou rapidamente com Marcelo Frazão, diretor de marketing da Concessionária Maracanã S.A.

Blog Teoria dos Jogos: Embora a evolução tenha ocorrido a olhos vistos, metade do público pagante no clássico de ontem adquiriu ingressos de meia entrada. A que vocês atribuem este número ainda alto?

Marcelo Frazão: Trata-se de um processo em queda – e já bem acentuado nestes primeiros jogos com a nova política. Com a intensificação da fiscalização e da comunicação, imagino que ainda tenhamos espaço para atingir um percentual de meias entradas entre 40% e 45% do público pagante.

Blog Teoria dos Jogos: Qual foi o contingente destinado à fiscalização? A concessionária precisou fazer contratações? Considera o número atual adequado?

Marcelo Frazão: Houve um aumento na equipe de acesso e gradeamento na ordem de 10% a 15%, dependendo do jogo e dos setores abertos. Investimos também em hand helds para leitura dos cartões de sócios torcedores e ajustamos a logística de entrada com filas específicas. Estamos em ajustes nestas operações iniciais de fiscalização, mas os resultados são claros e demonstram que estamos no caminho certo.

Um grande abraço e saudações!

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Blog Teoria dos Jogos analisa: O “Mapa das Curtidas” – Facebook/Globoesporte

Quem acompanha o Blog Teoria dos Jogos em seus diversos canais de Facebook e Twitter (tanto o particular quanto o novo perfil institucional – curtam!) o faz por certos motivos. Admiram as temáticas aqui abordadas: receitas, precificação, televisionamento, audiências… e pesquisas de torcida. O mundo destas pessoas se viu sacudido na manhã de hoje, quando o Globoesporte.com levou ao ar a ferramenta mais avançada jamais desenvolvida nesta área. Trata-se do “Mapa das Curtidas” do Facebook.

Fig 01

É preciso separar o joio do trigo. Na opinião particular deste blogueiro, a ferramenta é absolutamente extraordinária – uma “ode à improdutividade”. Tanto que na noite de ontem, o editor chefe do Globoesporte, Gustavo Poli, me adiantou (sem detalhes) que aquilo que levariam ao ar me faria gastar horas do meu dia, deixando de lado todos os afazeres. Estava coberto de razão.

Entretanto, sempre coube ao Blog analisar técnica e desapaixonadamente todas as pesquisas de torcida – ou o que se assemelha a tal. Assim, apesar de toda admiração nutrida pela ferramenta, se faz necessário esclarecer por que o “Mapa das Curtidas do Facebook” não é e nem deve ser encarado como uma pesquisa. Freando a euforia de milhares de partidários do “eu já sabia”, os que acham que a questão das torcidas se encerrou por completo neste 25 de setembro de 2015.

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O Blog Teoria dos jogos tem por hábito ser critico ferino quando se depara com “más pesquisas”. Sem papas na língua, atingimos nada menos que os dois maiores institutos do Brasil – Ibope e Datafolha, simplesmente por considerar que fizeram um mau trabalho (relembre aqui e aqui). Por adotar esta postura, não podemos ignorar quando o posicionamento é elogiável, caso do Globoesporte.com. Em nenhum momento o portal propagou o “Mapa” como “pesquisa de torcidas” – pelo contrário. Vem dele mesmo muitas das fundamentações adiante exploradas.

O “Mapa” não é uma pesquisa por não possuir cientificidade – o que inicia e encerra a questão. Além de não haver números nacionais ou estaduais, inexistem estratificações (gênero, idade, renda ou escolaridade) e a própria amostra, ainda que robusta, é enviesada. Tratam-se das 50 milhões de curtidas que receberam as páginas de Facebook de 43 agremiações. Embora represente 25% da população do país, o grosso das curtidas se concentra entre populações jovens e incluídas digitalmente. As consequências são claras: benefício aos clubes que mais crescem entre jovens (Corinthians, Flamengo e São Paulo), aos das regiões mais ricas (Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos) e das regiões metropolitanas. Na própria rede social, o líder em curtidas é o Corinthians e não o Flamengo – um descompasso quanto ao verificado nas ruas.

Isto fica claro quando fazemos cruzamento do “Mapa” com pesquisas científicas. Pegando Brasília como exemplo, eis o que dizem as curtidas:

Fig 02

A segunda maior torcida da capital federal seria a do Corinthians, atrás apenas do Flamengo e à frente de São Paulo, Vasco, Botafogo e Palmeiras. Ordenamento que não condiz com a pesquisa elaborada pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), exposta ainda na semana passada. Com uma amostra também robusta – mas visitando regiões desassistidas onde ter Facebook não é exatamente uma prioridade – verifica-se uma alteração no ordenamento em favor do Vasco, agora bem à frente de São Paulo e Corinthians. O Fla também sobe.

Esta foi apenas uma entre tantas outras limitações. O “Mapa” (assim como a Codeplan, diga-se) não contempla o universo de pessoas “sem clube”, apenas quem curtiu alguma página. Isto majora percentuais e inviabiliza por completo a projeção dos números sobre o universo populacional de cada cidade. Mais: cada torcedor pode curtir quantas páginas quiser, tornando explosiva a supervalorização das simpatias. Algum pequeno que derrote um clube por quem o torcedor nutra antipatia “angaria votos” fictícios – explicando a Ponte Preta presente em nada menos que 5.187 municípios (93,2% do país).

Diversas outras questões acabam não levadas em conta, como o nível de engajamento das torcidas – mais captável em pesquisas qualitativas de propensão ao consumo. Ou a tendência a se acompanhar mais quando se vive distante do clube do coração. Em casos como este, a internet é a única forma de driblar o foco da mídia local sobre outras agremiações. Por fim, existem centenas de times excluídos, muitos dos quais relevantes em suas regiões de influência – casos do Londrina, Pelotas, Brasil (RS), Juventude, Caxias, Botafogo (SP), Comercial (SP), Moto Clube (MA) e tantos outros.

Diante do exposto, conclui-se aquilo que o Globoesporte em nenhum momento busca ocultar. O que não significa que o “Mapa das Curtidas” não esclareça muito sobre o perfil das torcidas brasileiras. Primeiro porque é única forma de 100% dos municípios serem pesquisados de alguma maneira (além do próprio censo populacional). E segundo por conta de um mantra do Blog Teoria dos Jogos: pesquisas refletem com precisão o perfil da amostra. Se a amostra se enviesa em favor de jovens ou engajados virtuais, ao menos nestes meios o “Mapa” é de uma fidedignidade absoluta.

Ele é bom mesmo. Basta acompanhar nosso histórico de pesquisas de torcida, tanto na era da independência (clique aqui) quanto no próprio Globoesporte.com (aqui e aqui) para perceber. Tudo o que sempre dissemos se vê confirmado: Importância de times locais se esvaindo à medida com que nos afastamos das capitais. Influência de cariocas em partes de Minas e Santa Catarina, além do Norte, Nordeste e Centro Oeste. Maioria paulista em todas as regiões limítrofes com estados que circundam São Paulo. A primazia do Flamengo. O crescimento do Corinthians.

Por tudo isto, e pelas próximas semanas, o Blog Teoria dos Jogos vai se dedicar à análise do “Mapa das Curtidas”, região por região, estado por estado. Imaginamos que, mediante quantidade tão brutal de informações em nossa área de especialidade, seja exatamente isto que espera e demanda nossa audiência. Não tirem o olho. A viagem está apenas começando…

Um grande abraço e saudações!

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No Maracanã, como seria?

Há uma semana, o Flamengo aterrissou em Brasília disposto a: 1) bater o recorde de público Brasileirão; 2) superar a maior renda do torneio; 3) se solidificar no G4. O andar da carruagem – incluindo outra acachapante goleada sofrida para o Atlético-MG – mostrou que o último objetivo pode estar se desvirtuando. Já os dois primeiros se tornaram realidade. Não sem deixar perguntas: o que aconteceria se o confronto diante do Coritiba, no auge da euforia rubro-negra, tivesse ocorrido no Rio? Em que circunstâncias, para o Fla, é mais vantajoso se aproveitar do potencial nacional em detrimento daquilo que lhe oferece o Maracanã?

Antes, se fazem necessários alguns esclarecimentos. Diferente de quando assume a operação das partidas, em Brasília o clube vendeu o evento para a empresa do ex-atacante Roni. A posteriori, um mau negócio: da renda de R$ 3.995.500,00, ficou com apenas R$ 1.447,335,00 (antes das penhoras).

Fig 01

A perda de exatos R$ 1.286.274,19 aconteceu porque a empresa organizadora assumiu totalmente os riscos. O Flamengo ganharia sua cota fixa mesmo com público inferior a 30 mil torcedores. Como a negociação se deu antes da sequência de seis vitórias, parecia bastante razoável. À época, ninguém imaginava que 67 mil torcedores abarrotariam o Estádio Nacional de Brasília.

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Mas a verdade é que, nas condições em que ocorreu a partida – pelo menos ao mesmo patamar de bilheteria – o Flamengo ganharia mais dinheiro no Rio de Janeiro. É o que comprova um exercício feito pelo Blog Teoria dos Jogos com base nas condições do seu contrato com a Concessionária Maracanã. Tivesse arrecadado igualmente R$ 3.995.500,00 (ou se no futuro vier a fazê-lo), este seria o boletim financeiro da partida:

Fig 02

Percebam que o “aluguel do estádio”  ficaria em R$ 823.100,23 – R$ 400 mil abaixo do que se destinou à organização em Brasília. A FFERJ também cobraria menos: para jogos no Rio pelo Brasileirão, sua taxa cai para 5%.E não haveria destinação para a Federação Brasiliense de Futebol.  Isto levaria a um lucro de R$ 2.194.840,03* – muito acima dos R$ 1.447,335,00 efetivamente arrecadados.

*Valores antes da incidência de penhoras (15%), conforme acordo vigente.

Mas como foi dito, os valores acima só seriam alcançáveis em caso de uma bilheteria igual à de Brasília. Para tanto, e dada a capacidade atual do Maracanã (cerca de 55 mil pagantes), o ingresso teria que custar R$ 72, muito acima do ticket médio do Flamengo, de R$ 43.

É possível, mas não é fácil. No primeiro turno do Brasileirão-2013, Flamengo e Botafogo empataram diante de 38.853 pagantes e uma renda de R$ 3.082.555,00. Na ocasião, a justificativa para o ticket tão alto (R$ 79) recaía sobre a demanda reprimida em torno do novo Maracanã, reaberto pouco antes.  A cruzada iniciada contra o uso indiscriminado das meias-entradas é um caminho natural para o aumento do preço médio. Partidas no Rio atingiam o incrível percentual de 60% destes ingressos, prejudicando os próprios clubes.

Além do combate às fraudes, o chamariz da luta por uma vaga na Libertadores justifica que se reajustem preços em prol de uma operação mais lucrativa. Sem sair de casa. E nem perder a vantagem técnica de se jogar onde o Flamengo, historicamente, mais se impõe sobre os adversários.

Um grande abraço e saudações!

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A Pesquisa da vez: Distrito Federal (nascidos e imigrantes)

Há cerca de um ano, a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan-DF) terminou um robusto mapeamento sobre o perfil de seus moradores, no âmbito da 3ª PDAD (Pesquisa Distrital por Amostra Domiciliar). Uma das informações presentes era a configuração de torcidas da capital, algo extremamente valioso por conta da escassez de informações do gênero.

À época, o Blog Teoria dos Jogos chegou a publicar algumas parciais. Posteriormente, o mapeamento do Instituto GPP se mostrou mais próximo à realidade, já que a Codeplan-DF parecia concentrar respondentes excessivamente não-consumidores de futebol. De todo modo, os números acabaram parecidos, com a PDAD tendo a vantagem de oferecer cruzamentos inexistente em pesquisas sem o seu escopo.

É o caso do exposto hoje. No dia em que o Flamengo retorna a Brasília em um espetacular Estádio Nacional lotado, apresentamos o perfil das torcidas de capital divididas entre os “nascidos no DF” e os “imigrantes”.

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Qualquer cidade do Brasil poderia refutar a significância de um levantamento do gênero, pois as grandes ondas migratórias se passaram há décadas. Não é o caso de Brasília. Com uma população estimada em 2,7 milhões de habitantes, a sede do governo federal possui, ainda hoje, 1,4 milhão de pessoas que vieram de outros estados (51% do total). Como se fosse outra Brasília inserida nos limites distritais.

O quadro que denota o perfil das torcidas está exposto a seguir. Explanações posteriores ajudarão a compreendê-lo:

Fig 01
Clique para ampliar

Importante: os números não contemplam o “Nenhum”, ou seja, indicam a configuração entre as torcidas, e não em meio à população total. Razão pela qual todos os percentuais aparecem majorados.

Em meio aos 49% de brasilienses natos (chamados “Naturais do DF”), as maiores torcidas são: Flamengo (52,8%), Vasco (12,2%), São Paulo (7,6%), Corinthians (7%), Botafogo (5,9%), Fluminense (4,8%), Palmeiras (3,8%), Cruzeiro (1,8%) e Santos (1,2%). Atlético-MG, Grêmio e Internacional não atingem 1% da torcida.

Já entre os 51% de imigrantes que integram a sociedade brasiliense, o ordenamento se altera: Flamengo (42,9%), Vasco (12,1%), Corinthians (7,6%), Botafogo e Fluminense (6,3%), São Paulo (5,7%), Palmeiras (4,7%), Cruzeiro (4,6%), Atlético-MG (2,7%), clubes do Norte/Nordeste (1,8%), Santos (1,5%) e Grêmio (1,3%). O Inter fica abaixo de 1%.

Eis um comparativo tão inédito quanto fantástico. O confronto dos dados dá a ideia de como clubes de Minas Gerais, Nordeste e Sul se fazem presentes justamente por conta da existência de populações que deixaram para trás seus estados em busca de uma vida melhor no Planalto Central. E mais: a chegada de imigrantes (especialmente cruzeirenses e atleticanos) se mostra predatória sobre a torcida do Flamengo. Tanto que a maior torcida do Brasil se verifica em escala dez pontos percentuais superior entre brasilienses natos.

Tendo eles relevância, é de suma importância que se isolem os imigrantes, analisando seu perfil de torcidas em separado. As conclusões surpreendem pelas contradições entre a origem dos cidadãos e seus clubes do coração. Possivelmente consequência natural de um processo de inserção às características da sociedade local.

Norte/Nordeste

Os residentes no Distrito Federal oriundos dos estados do Norte/Nordeste são 795,9 mil, representando 56,0% do total de imigrantes. Mas clubes destas regiões atraem a preferência de apenas 2,6% deles. A imensa maioria de nordestinos e nortistas torce para times do Rio (75,6%) – destaque para Flamengo (50,5%) e Vasco (13,4%), seguidos de Botafogo (6,1%) e Fluminense (5,6%). Os imigrantes que apoiam clubes de São Paulo são 19,3%, pontuando Corinthians (7,5%), São Paulo (5,7%) e Palmeiras (4,8%). Mineiros, gaúchos e clubes de outros estados somam 2,5%.

Goiás

Já os nascidos em Goiás somam 184,8 mil e representam 13% dos imigrantes. Mas Goiás, Vila Nova e Atlético-GO atraem meros 3,5% da preferência dos torcedores. A maioria entre os goianos radicados no DF é Flamengo (44,9%), seguida do Vasco (13,0%), Corinthians (7,8%) e Botafogo (7,4%).

Minas Gerais

Um número expressivo de 254,1 mil mineiros se mudou para o DF, o que representa 17,9% do total de imigrantes. É entre eles que temos a maior surpresa: são majoritariamente flamenguistas (27,7%), seguidos de cruzeirenses (22,7%), atleticanos (12,9%) e vascaínos (8,6%). Do universo total de imigrantes – ou seja, somando os de outros estados, Cruzeiro, Atlético-MG e América-MG totalizam 7,4% das preferências.

Rio de Janeiro

Cariocas e fluminenses estão presentes em Brasília na escala de 4,7% do total – o que representa 66,9 mil imigrantes. Entre eles, lógico, prevalecem flamenguistas (47,4%), seguidos de vascaínos (17,1%), tricolores (15,3%) e botafoguenses (12,4%).

São Paulo

Embora haja apenas 50,8 mil imigrantes paulistas (3,6% do total), seus clubes concentram a predileção de 19,5% do universo total de imigrantes – número apenas inferior ao dos cariocas (67,6%). Entre aqueles que vieram de São Paulo, predominam corintianos (28,3%), são paulinos (20,7%), palmeirenses (12,7%) e santistas (8,9%). Mas acreditem: flamenguistas representam 17% deles, suficientes para suplantarem o Verdão e o Peixe.

Rio Grande do Sul

Imigrantes gaúchos são 20,2 mil no DF – ou 1,4% do total. Grêmio (40,7%) e Internacional (34,3%) monopolizam as atenções, embora não se perceba a famosa”blindagem” verificada no estado de origem, pois outras dez grandes agremiações atraem 23% das preferências. Destaque para os flamenguistas (9,8%).

Demais estados

Capixabas – presentas na tabela como “Restante Sudeste” – são flamenguistas (47%), vascaínos (17%) tricolores e botafoguenses (9% cada), números próximos à configuração dos cariocas. No combo Paraná + Santa Catarina (“Restante Sul”), 24,5% são flamenguistas, 10,3% corintianos, 8,9% vascaínos e 6,9% palmeirenses. Por fim, entre os egressos dos dois Mato Grossos “(Restante Centro Oeste”), também predominam torcedores do Flamengo (27,7%). Corinthians (13,0%), Vasco (11,9%) e São Paulo (9,7%) completam o ranking.

O Blog Teoria dos Jogos agradece a contribuição de Daniel Endebo.

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TVs e mercado na Inglaterra: mais diferenças para o Brasil

Ardorosamente defendido por torcedores e até parlamentares, o televisionamento do futebol na Inglaterra ocorre de modo muito distante ao verificada no Brasil. A consequência é a divisão dos recursos de maneira também antagônica. Sem maiores juízos de valor, veremos aqui algumas das marcantes diferenças entre os dois mercados.

Um dos melhores textos a este respeito foi disponibilizado pelo site Trivela há pouco mais de um ano. Nele, o jornalista Felipe Lobo vai além do lugar-comum dos “50% divididos igualmente, 25% por colocação e 25% por audiência”. É mostrado quanto cada agremiação recebe por posição na tabela e por jogo transmitido. Recomenda-se clicar no link acima.

Ao contrário do Brasil, onde apenas uma emissora detém o pacote inteiro – TV aberta, fechada e pay per view – na Inglaterra três grandes conglomerados compartilham os direitos de televisionamento. São eles Sky Sports (canal por assinatura), BT Sports (assinatura) e BBC (TV aberta):

Fig 01

Os direitos de cada um diferem: enquanto Sky e BT podem veicular partidas ao vivo e em alta definição, apenas a primeira possui direitos para transmissão em 3D (o que possivelmente agregue pouco). Já a BBC só pode difundir os chamados highlights, melhores momentos das partidas. Diferenças que possivelmente levem a aportes discrepantes até atingirem os € 3,79 bilhões arrecadados (mais € 2,88 bilhões com as vendas para o exterior). No Brasil, todas as emissoras que transmitem o Campeonato Brasileiro pertencem ao Grupo Globo (TV Globo, Sportv e Premiere Futebol Clube), sendo a Band meramente sublicenciada.

Quanto ao número de partidas, a temporada 2013/2014 teve o Liverpool como campeão de exposição: 28 no agregado. No extremo oposto estavam Cardiff e Fulham, com oito jogos cada. Para a temporada 2015-2016, baseado no calendário da Sky Sports, o Blog Teoria dos Jogos levantou o número de partidas de cada clube da 6ª à 14ª rodada, num total de 28 jogos:

Fig 02

Por conta do perfil das torcidas e pela menor dimensão do Reino Unido, não existe “divisão por praças”: todas as partidas veiculadas se dão em nível “nacional”. Alcance que no Brasil é muito diferente, já que a Globo veicula apenas partidas de paulistas e cariocas, com uma terceira regional a cada rodada do torneio. Para estaduais e Copa do Brasil, um número maior de praças acompanha seus times locais.

Seria saudável que o mercado brasileiro tivesse mais de uma detentora dos direitos de transmissão, tanto pela variedade quanto pelo potencial de maior arrecadação – algo repassado aos clubes. Para isto, ajudaria que os diferentes meios (incluindo internet e celular) fossem comercializados separadamente – questão diversas vezes abordada pela Secretaria de Direito Econômico mas nunca foi modificada. Ela tem poder para mudar o estado das coisas: ainda no início do século, obrigou a Globosat a comercializar tanto os canais Sportv quanto o Premiere Futebol Clube a todas as operadoras que se interessassem em oferecê-los.

Em contrapartida, a realidade daqui não demonstra similaridades com a da Inglaterra. No Brasil, basicamente um conglomerado apresenta a real combinação de expertise e poderio econômico: a Globo. Nas poucas vezes em que concorrentes se insurgiram (caso da Rede Record), os próprios clubes optaram pela manutenção da parceria com os Marinho. Neste exemplo específico, pesam dúvidas quanto à origem dos recursos que financiam o negócio e o real interesse dos bispos em apostar no esporte – que o digam os fiascos das Olimpíadas e Panamericanos.

Como tudo acabou ficando como está (e os méritos da Globo são indiscutíveis), torna-se um direito alocar suas transmissões de acordo com a demanda dos telespectadores, algo que acontece de maneira específica e respaldada por pesquisas. É sempre bom lembrar que vivemos numa federação com 27 entes, sendo que apenas cinco possuem times locais hegemônicos. Todo o resto se divide na paixão entre times do Rio e de São Paulo.

Um grande abraço e saudações!

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Como foi o último jogo da “farra”

Fig 001
Equipe da ESPN acompanha reclamações e entrevista Marcelo Frazão, diretor do Maracanã

Depois que Flamengo e Maracanã anunciaram o endurecimento da fiscalização sobre as meias entradas, presumiu-se um cenário desagradável uma vez que milhares de ingressos haviam sido vendidos sob o regime “convencional”. Ainda que tenha havido reclamações, o receio da barração em massa que caotizasse bilheterias e gerasse transtornos acabou não se configurando. Prevaleceu o bom senso. Já para a próxima rodada, a promessa é de que apenas estudantes se utilizem dos benefícios aos quais estejam habilitados.

Durante o jogo Flamengo x Cruzeiro, todos os setores foram verificados, mas somente no “Maracanã Mais” a nova política foi de fato implementada: não-estudantes tiveram que se dirigir às bilheterias para troca de meias por inteiras. Segundo Marcelo Frazão, diretor de marketing do estádio, mais funcionários serão colocados para ajudar na fiscalização, além do apoio da polícia e da devida preparação por parte do Juizado. Tudo em meio a uma comunicação intensiva, ressaltando o caráter educativo do novo procedimento.

O drama maior reside no expediente criado pelo projeto Nação Rubro Negra, que sempre permitiu a seus adeptos indiscriminadamente pagarem “meia da meia”. Entre sócios-torcedores do Flamengo, a evasão é altíssima – muito acima do verificado entre os “comuns”. É o que demonstra o borderô da partida de ontem:

Flamengo x Cruzeiro – 10/09/2015

Total de ingressos vendidos: 36.844 (desconsideradas 1.695 cortesias)
Inteiras: 15.480 (42%)
Meias: 21.364 (58%)

Total de ingressos comuns: 25.189
Inteiras: 12.421 (49%)
Meias: 12.768 (51%)

Total de ingressos sócios: 11.655
Inteiras: 3.059 (26%)
Meias: 8.596 (74%)

Detalhamento por setor:

Setor Norte: 16.891

Inteiras: 5.373 (32%)
Meias: 11.518 (68%)

torcedor comum: 9.024
Inteiras: 3.877 (43%)
Meias: 5.147 (57%)

sócio torcedor: 7.867
Inteiras: 1.496 (19%)
Meias: 6.371 (81%)

Setor Sul Flamengo: 7.041

Inteiras: 3.590 (51%)
Meias: 3.451 (49%)

torcedor comum: 6.626
Inteiras: 3.382 (51%)
Meias: 3.244 (49%)

sócio torcedor: 415
Inteiras: 208 (50%)
Meias: 207 (50%)

Setor Sul Visitante: 881

Inteiras: 551 (63%)
Meias: 330 (37%)

Setor Leste Inferior: 6.654

Inteiras: 2.999 (45%)
Meias: 3.655 (55%)

torcedor comum: 4.782
Inteiras: 2.278 (48%)
Meias: 2.504 (52%)

sócio torcedor: 1.872
Inteiras: 721 (39%)
Meias: 1.151 (61%)

Setor Oeste Inferior: 3.658

Inteiras: 2.014 (55%)
Meias: 1.644 (45%)

torcedor comum: 3.062
Inteiras: 1.772 (58%)
Meias: 1.290 (42%)

sócio torcedor: 596
Inteiras: 242 (41%)
Meias: 354 (59%)

Setor Maracanã Mais: 1.719

Inteiras: 953 (55%)
Meias: 766 (45%)

torcedor comum: 814
Inteiras: 561 (69%)
Meias: 253 (31%)

sócio torcedor: 905
Inteiras: 392 (43%)
Meias: 513 (57%)

Até por ser mais fácil, em meio aos sócios-torcedores a fiscalização será rigorosa. Como os próprios leitores dos cartões apontam se o ingresso comprado foi de meia entrada, ou o estudante apresentará suas credenciais ou ficará de fora.

Além do Maracanã, o maior interessado no recrudescimento da ação fiscalizatória é o próprio Flamengo. Novamente recorrendo ao borderô, vemos que os 36.844 pagantes de ontem proporcionaram bilheteria de R$ 1.124.447,50, num ticket médio de apenas R$ 30. A título de comparação, no Fla x Flu de domingo passado e sem “meia da meia” (mando do Fluminense), a renda passou de R$ 2,5 milhões, com ticket de R$ 49. Com mando rubro-negro, no primeiro turno o ticket foi de R$ 41.

O fato é: a partir deste final de semana, Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo cruzarão uma nova fronteira. O potencial de maximização de receitas num período de dificuldades econômicas se une ao cumprimento da lei, mera obrigação num país acostumado a internalizar o que não lhe é de direito. A tão apregoada honestidade se faz através de pequenos gestos, como no uso de benefícios estudantis apenas por parte de quem realmente estuda. Que o carioca abrace este processo de evolução moral.

Um grande abraço e saudações!

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Meia entrada: os riscos de uma cruzada inesperada

Flamengo e Maracanã anunciaram: a partir desta quinta, quando o Rubro-Negro encara o Cruzeiro, a utilização indiscriminada das meias entradas será fiscalizada e coibida. Trata-se de uma medida que visa garantir o cumprimento da lei estadual que exige a apresentação de documentos por parte dos estudantes. Evitaria ainda a malfadada evasão de renda resultante de milhares de torcedores que se utilizam de direitos para os quais não estão habilitados.

É fato: clube, concessionária e autoridades se baseiam em princípios corretos e agem de acordo com a legislação em vigor. No entanto, ao menos para hoje, o modus operandi tem tudo para se mostrar catastrófico. Explica-se.

Em redes sociais, o primeiro comunicado do Flamengo sobre a mudança de postura se deu na manhã da segunda-feira, 07/09, conforme se verifica em print do perfil rubro-negro no Twitter (@Flamengo). Ainda assim, tratava-se de uma mensagem protocolar, quase mera formalidade:

Fig 01

O problema é que, já na noite anterior, mais de cinco mil ingressos haviam sido vendidos pela internet, poucas horas após a vitória no Fla x Flu. A Concessionária Maracanã demorou mais: seu primeiro retweet sobre o tema aconteceu ontem (09/09), instantes após anunciarem a venda de 25 mil ingressos para Flamengo x Cruzeiro:

Fig 02

Apenas na manhã de hoje (10/09), comunicados verdadeiros foram expedidos dando o tom da nova política empregada. E a coisa é séria: quem não se comprovar estudante será obrigado a trocar ingressos de meia por inteira. Documentos falsificados encaminharão os responsáveis para esclarecimentos no Juizado Especial Criminal (Jecrim).

Questionado, o departamento de marketing do Flamengo alegou que o site oficial já vinha noticiando a questão desde a abertura das vendas para associados, se isentando da questão fiscalizatória, algo que estaria fora de sua alçada.

Não é bem assim que a banda toca.

O Rio de Janeiro sempre tolerou a “farra das meias entradas” em níveis muito superiores aos verificados em outras praças. O próprio Blog Teoria dos Jogos demonstrou, semana passada, que partidas na cidade apresentavam quase 60% de meias entradas, enquanto em outras localidades o percentual mal ultrapassava 5%. Ainda que esteja errado quem se vale do expediente, a histórica conivência por parte dos responsáveis levava a tal condição. Precificar tudo pelo “dobro da meia” evitava o trabalho de fiscalizar. Anunciar projetos de sócio-torcedor com valores a “partir de R$ 10” (mesmo com a maioria inapta) soava atraente.

O problema é que não adianta estabelecer uma data-limite no meio do processo. Muito menos achar que um clube não tem responsabilidade solidária pelos inconvenientes aos quais expõe sua torcida. Sem serem importunados, dezenas de milhares de flamenguistas compraram ingressos de meia entrada como sempre fizeram. Trocá-las por inteiras na hora do jogo, conforme proposto, só tende a caotizar bilheterias e gerar transtornos.

Agora todos sabem: a farra está chegando ao fim – ainda bem! A iniciativa privada agradece. Usuários devem se ater unicamente àquilo que tem direito.

Mas que, no Maracanã, este processo se inicie a partir da rodada do fim de semana. Sob pena de vermos um sem número de clarões eclipsando a bela festa que se prometia. Ou pior, incontáveis confusões envolvendo policiais e torcedores, repentinamente taxados como contraventores.

Em tempo: será que, com o fim da “farra”, os clubes estarão dispostos a baixar o preço dos ingressos?

Um grande abraço e saudações!

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“Elitização do futebol”: um contraponto

Na última sexta-feira, a coluna “Época Esporte Clube”, de autoria do jornalista Rodrigo Capelo – trouxe à tona um velho debate sob nova roupagem. Trata-se da polêmica acerca dos preços cobrados pelo futebol no Brasil, em comparação aos principais mercados futebolísticos concorrentes. Partindo do salário mínimo e do menor preço dos ingressos, o autor conclui que o trabalhador brasileiro é quem precisa trabalhar mais tempo para garantir um lugar no estádio. Com base na torcida cruzeirense, seriam pouco mais de dez horas trabalhadas, contra menos de sete horas em países como Espanha, Inglaterra, Portugal, Itália e Argentina.

Ao expor os números, o autor conclui que os preços no Brasil deveriam ser menores – mesmo que não no estádio inteiro – já que uma “arena se lotaria de baixo para cima”. A afirmação, aparentemente um axioma, se mostra um tanto simplista ao analisar premissas e números com suficiência apenas parcial para a conclusão. Por conta disto, o Blog Teoria dos Jogos elaborou um contraponto na forma deste texto.

Primeiramente, o valor do ingresso mínimo utilizado foi de R$ 50 em partidas do Cruzeiro. Para outros, como o Atlético-PR, o valor chegava a R$ 100. Mas se estes são os respectivos valores mínimos, por que seus tickets médios são tão mais baixos? (clique em “Ingressos”) A resposta reside em expedientes brasileiríssimos como meias-entradas e gratuidades, além dos benefícios proporcionados pelos projetos de sócio-torcedor.

Mesmo que estes elementos tenham sido citados por Capelo no texto (ou seja, não foram de todo ignorados), eles acabaram subestimados. O efeito da lei das meias-entradas, por exemplo, é muito relevante. Na 21ª rodada da Série A, tais ingressos representaram nada menos que 19% das vendas totais – chegando a 56% no Rio de Janeiro, segundo levantamento do Blog:

Fig 01

 

Se o benefício é impertinente ou mal utilizado, é outro debate. Mas só com base nas meias, o preço mínimo a ser considerado já cairia muito. E o que dizer das tantas leis de gratuidades, cortesias e outros benefícios? E os projetos de sócio-torcedor, com mais de um milhão de adeptos entre os heavy users das 20 maiores torcidas? Mesmo não sendo uma exclusividade brasileira, não são todos os países que se valem dos descontos para sócios – na Inglaterra só se vendem carnês. Assim, em detrimento de ingressos e rendas mínimas, seria mais pertinente utilizar o ticket médio dos campeonatos (inferior a R$ 30 no Brasileirão) junto à renda médias dos países.

Em segundo lugar, embora realmente exista uma elasticidade que faça as torcidas responderem positivamente a descontos (algo já muito trabalhado neste espaço), outra característica brasileira é a de responder apenas de imediato ou enquanto existe demanda reprimida. Quando esta é saciada, os adeptos tendem a tomar os preços como dados, ignorando-os. E deixando estádios vazios mesmo a R$ 20 ou R$ 10. Por quê? Porque o problema do futebol brasileiro não reside numa questão de preço, mas de produto. As excelentes médias das novas arenas não nos deixam mentir: nelas o produto melhorou, ainda que tenha ficado mais caro. O que nos afasta da falácia de que os expropriados de baixa renda “compareciam toda quarta e domingo para apoiar o time”.

Um terceiro e último ponto de discordância seria a necessidade de o PROFUT especificar quantos devem ser os ingressos populares e a que preço. Questão de ideologia ou não, parecem sábias as palavras do blogueiro Emerson Gonçalves, do Blog Olhar Crônico Esportivo a este respeito. Segundo ele, “é razoável e até necessário que o Estado legisle. Mas também necessário que clubes de futebol, assim como pessoas, não sejam seus reféns”, pois “mercados livres são sempre mais eficientes” e “a entrada do Estado representa, mais dia, menos dia, a entrada de interesses que manipulam a realidade de acordo com os desejos dos que fazem a política”. É bem por aí.

Equivocam-se os que consideram a queda de preços como solução mágica para retornarmos ao que nunca fomos. De fato parece haver precificações equivocadas em setores da Arena da Baixada, do Grêmio ou do Mineirão. Assim como, para o Palmeiras ou o Maracanã Mais – primeiro setor a esgotar em clássicos no Rio – a medida certa foi subi-los. E nem todo problema é solucionável: se o Corinthians eliminou capacidade ociosa baixando preços na Arena, não há desconto que faça o Fluminense, com 12% da torcida em sua sede, encher uma arena para 78 mil.

Como tudo na vida, preços também se estabelecem na base da tentativa e erro. Poderiam se valer de técnicas mais refinadas, é verdade, mas questões do dia-a-dia também levam à expertise. Em vista das dificuldades, o preço dos ingressos no Brasil das novas arenas parece aos poucos caminhar na direção de um bom termo.

Um grande abraço e saudações!

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Exclusivo: CBF obrigará clubes e federações a uniformizarem balanços

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Uma decisão no âmbito do Programa de Modernização do Futebol Brasileiro, de iniciativa da CBF, anunciará nos próximos dias uma normatização contábil que causará impacto em todas as federações e clubes a elas filiados. Trata-se da padronização das demonstrações financeiras, com obrigatória uniformização dos planos de contas.

A iniciativa se faz necessária para evitar situações como as relatadas no próprio Blog Teoria dos Jogos há alguns meses. Na coluna “O risco dos balanços”, foram expostas diversas fragilidades nas demonstrações financeiras dos maiores clubes do Brasil. Algumas eram tão sérias que inviabilizavam totalmente a análise das situações patrimoniais e financeiras.

Em outras palavras: o que alguns clubes expõem em seus balanços não passa de mera fantasia. São as chagas da brasileiríssima “contabilidade criativa”, raiz de escândalos como aqueles que tomam os noticiários diariamente. Obrigando clubes e federações a não mais encobrirem seus mal feitos, o objetivo é caminhar junto à ideologia que vem norteando questões como o fair play financeiro e o PROFUT, jogando limpo com torcedores e investidores.

A CBF enviou uma carta a todas as federações explicando o projeto, que será assessorado pela Ernst Young, uma das maiores auditorias do mundo e arquiteta dos projetos de governança corporativa em implantação no Flamengo.

O que todos se perguntam a esta altura é: que tipo de moralização viria de uma entidade assolada por escândalos de corrupção como a CBF? Após as prisões que incluíram nada menos que o ex-presidente da entidade, o questionamento possui inteira pertinência. Na mira do FBI (responsável pela prisão dos cartolas da FIFA), o presidente Marco Polo del Nero mais uma vez não viajou para acompanhar a Seleção em solo norte-americano. A cremação da credibilidade da CBF se deu como fruto da própria falta de transparência que hoje apregoa, desde os tempestuosos tempos de Ricardo Teixeira.

De qualquer maneira, a iniciativa é positiva e talvez denote boa vontade da CBF em debater questões cruciais para o desenvolvimento do futebol brasileiro, como a criação de uma liga de clubes. As manifestações de rua comprovam que momentos de crise são quando mais se exigem mudanças. Portanto, já passou da hora da entidade descer do pedestal que parecia fazê-la blindar, como se pertencesse a alguma casta superior à lei e ao bom senso.

Um grande abraço e saudações!

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