Como foi o último jogo da “farra”

Fig 001
Equipe da ESPN acompanha reclamações e entrevista Marcelo Frazão, diretor do Maracanã

Depois que Flamengo e Maracanã anunciaram o endurecimento da fiscalização sobre as meias entradas, presumiu-se um cenário desagradável uma vez que milhares de ingressos haviam sido vendidos sob o regime “convencional”. Ainda que tenha havido reclamações, o receio da barração em massa que caotizasse bilheterias e gerasse transtornos acabou não se configurando. Prevaleceu o bom senso. Já para a próxima rodada, a promessa é de que apenas estudantes se utilizem dos benefícios aos quais estejam habilitados.

Durante o jogo Flamengo x Cruzeiro, todos os setores foram verificados, mas somente no “Maracanã Mais” a nova política foi de fato implementada: não-estudantes tiveram que se dirigir às bilheterias para troca de meias por inteiras. Segundo Marcelo Frazão, diretor de marketing do estádio, mais funcionários serão colocados para ajudar na fiscalização, além do apoio da polícia e da devida preparação por parte do Juizado. Tudo em meio a uma comunicação intensiva, ressaltando o caráter educativo do novo procedimento.

O drama maior reside no expediente criado pelo projeto Nação Rubro Negra, que sempre permitiu a seus adeptos indiscriminadamente pagarem “meia da meia”. Entre sócios-torcedores do Flamengo, a evasão é altíssima – muito acima do verificado entre os “comuns”. É o que demonstra o borderô da partida de ontem:

Flamengo x Cruzeiro – 10/09/2015

Total de ingressos vendidos: 36.844 (desconsideradas 1.695 cortesias)
Inteiras: 15.480 (42%)
Meias: 21.364 (58%)

Total de ingressos comuns: 25.189
Inteiras: 12.421 (49%)
Meias: 12.768 (51%)

Total de ingressos sócios: 11.655
Inteiras: 3.059 (26%)
Meias: 8.596 (74%)

Detalhamento por setor:

Setor Norte: 16.891

Inteiras: 5.373 (32%)
Meias: 11.518 (68%)

torcedor comum: 9.024
Inteiras: 3.877 (43%)
Meias: 5.147 (57%)

sócio torcedor: 7.867
Inteiras: 1.496 (19%)
Meias: 6.371 (81%)

Setor Sul Flamengo: 7.041

Inteiras: 3.590 (51%)
Meias: 3.451 (49%)

torcedor comum: 6.626
Inteiras: 3.382 (51%)
Meias: 3.244 (49%)

sócio torcedor: 415
Inteiras: 208 (50%)
Meias: 207 (50%)

Setor Sul Visitante: 881

Inteiras: 551 (63%)
Meias: 330 (37%)

Setor Leste Inferior: 6.654

Inteiras: 2.999 (45%)
Meias: 3.655 (55%)

torcedor comum: 4.782
Inteiras: 2.278 (48%)
Meias: 2.504 (52%)

sócio torcedor: 1.872
Inteiras: 721 (39%)
Meias: 1.151 (61%)

Setor Oeste Inferior: 3.658

Inteiras: 2.014 (55%)
Meias: 1.644 (45%)

torcedor comum: 3.062
Inteiras: 1.772 (58%)
Meias: 1.290 (42%)

sócio torcedor: 596
Inteiras: 242 (41%)
Meias: 354 (59%)

Setor Maracanã Mais: 1.719

Inteiras: 953 (55%)
Meias: 766 (45%)

torcedor comum: 814
Inteiras: 561 (69%)
Meias: 253 (31%)

sócio torcedor: 905
Inteiras: 392 (43%)
Meias: 513 (57%)

Até por ser mais fácil, em meio aos sócios-torcedores a fiscalização será rigorosa. Como os próprios leitores dos cartões apontam se o ingresso comprado foi de meia entrada, ou o estudante apresentará suas credenciais ou ficará de fora.

Além do Maracanã, o maior interessado no recrudescimento da ação fiscalizatória é o próprio Flamengo. Novamente recorrendo ao borderô, vemos que os 36.844 pagantes de ontem proporcionaram bilheteria de R$ 1.124.447,50, num ticket médio de apenas R$ 30. A título de comparação, no Fla x Flu de domingo passado e sem “meia da meia” (mando do Fluminense), a renda passou de R$ 2,5 milhões, com ticket de R$ 49. Com mando rubro-negro, no primeiro turno o ticket foi de R$ 41.

O fato é: a partir deste final de semana, Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo cruzarão uma nova fronteira. O potencial de maximização de receitas num período de dificuldades econômicas se une ao cumprimento da lei, mera obrigação num país acostumado a internalizar o que não lhe é de direito. A tão apregoada honestidade se faz através de pequenos gestos, como no uso de benefícios estudantis apenas por parte de quem realmente estuda. Que o carioca abrace este processo de evolução moral.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

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9 comentários sobre “Como foi o último jogo da “farra”

  1. Sinto-me envergonhado pelos meus patrícios brasileiros, sempre prontos a levar vantagem em tudo. Moro no Pará, pago R$39,90/mes no plano Raça de Socio Torcedor do Flamengo ha mais de tres anos e nunca usufruí de nenhum beneficio, apenas aquele de estar ajudando o meu time do coração. Lamentavel em todos os aspectos a atitude destes “cidadãos”!

  2. Não há um erro na sua lógica, não?! Se o jogo do FlaxFlu tivesse desconto de 50% para os STs, dado o publico majoritariamente rubro-negro, o ticket médio teria caído para metade. Teríamos então um ticket médio próximo ao de ontem. O que mostra que tanto no clássico como no jogo de ontem o uso da meia entrada antingiu o mesmo percentual (ou muito próximo)…

  3. Vinicius,
    Eu concordo que tem que fazer a lei.
    Mas eu estava do câmera quando estava rolando esta entrevista.
    Eles estavam reclamando da demora da fiscalização e do desencontro de informações. Nós pagamos um setor dos mais caros e como o jogo foi às 21hs queriamos aproveitar o serviço.
    Se você quer fazer seu texto diário sobre a “Farra”, peço que pegue uma foto dos cambistas. Se você não sabe, esse rapaz que está ao lado do entrevistado(que foi entrevistado depois) é meu sobrinho e ele também é estudante e tem 18 anos ( Pela lei também tem direito à meia entrada). Então antes de publicar, apure os fatos.
    Peço que retire a foto e faça uma retratação em seu twitter (pois o Mauro Cezar já andou espalhando isso) e em seu blog.
    Fiz o print da sua tela, se ate às 20hs de hoje (11/09) não for editada, irei juntar essa declaração e a declaração do twitter e estarei entregando na mão do advogado.
    Como falei no inicio. Se a lei existe é pra ser respeitada.

    Não estou entendendo, Eric. Você quer que eu edite o quê? Em algum momento eu acusei os presentes na imagem? A legenda diz: “Equipe da ESPN acompanha RECLAMAÇÃO de torcedor”. Não faz juízo de valor algum sobre quem estava certo ou errado, concorda? Retratação? Não vejo sentido se não acusei ninguém – e até onde sei, nem o Mauro César, que falou genericamente a respeito da existência de pessoas que fazem coisas erradas.

    Abs

    Vinicius

    PS: A foto foi trocada. Embora de interesse jornalístico, quem não aceita sua imagem veiculada em meios de comunicação tem este direito. Quanto às exigências de “retratação”, estas não fazem sentido algum.

    1. Vamos ver o que o advogado irá dizer então.
      Ah. Não bloqueia meus amigos no Twitter não só pq são contrário as suas idéias

      Não bloqueei ninguém amigo, aliás nem discuti. Acho que você está me confundindo…

  4. Apenas gostaria de lembrar aos senhores editores do blog que no estado do Rio de Janeiro o benefício da meia-entrada não é exclusivo dos estudantes, mas também de idosos, pessoas menores de 21 anos, deficientes e beneficiários de programas sociais. Logo, a validação do direito ao benefício não se resume meramente à apresentação de uma carteirinha de estudante ou algo que o valha. Cabe lembrar também que muitas escolas e universidades públicas não fornecem tal documento, tendo o estudante que solicitar junto a algum órgão de representação, tal como UNE, mediante pagamento pela carteira. Além disso, essa fiscalização não têm preparo para diferenciar um documento original de um falsificado, uma vez que não há um padrão e muito menos um cadastro unificado.
    Em resumo: O buraco é muito mais embaixo do que faz parecer esta matéria ou mesmo a própria medida adotada.

  5. Mas então, quando os preços dos ingressos cairão?
    O valor do ingresso tb não leva em consideração a perda pela questão da meia entrada? Nunca vou criticar ninguém por estar cobrando que se cumpra a lei, mas já vi muitos eventos que o preço do ingresso é alto e todos pagam meia entrada, estudantes ou quem leva um produto pra doação, por exemplo. Acho que isso deve ser mais discutido…

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