No Maracanã, como seria?

Há uma semana, o Flamengo aterrissou em Brasília disposto a: 1) bater o recorde de público Brasileirão; 2) superar a maior renda do torneio; 3) se solidificar no G4. O andar da carruagem – incluindo outra acachapante goleada sofrida para o Atlético-MG – mostrou que o último objetivo pode estar se desvirtuando. Já os dois primeiros se tornaram realidade. Não sem deixar perguntas: o que aconteceria se o confronto diante do Coritiba, no auge da euforia rubro-negra, tivesse ocorrido no Rio? Em que circunstâncias, para o Fla, é mais vantajoso se aproveitar do potencial nacional em detrimento daquilo que lhe oferece o Maracanã?

Antes, se fazem necessários alguns esclarecimentos. Diferente de quando assume a operação das partidas, em Brasília o clube vendeu o evento para a empresa do ex-atacante Roni. A posteriori, um mau negócio: da renda de R$ 3.995.500,00, ficou com apenas R$ 1.447,335,00 (antes das penhoras).

Fig 01

A perda de exatos R$ 1.286.274,19 aconteceu porque a empresa organizadora assumiu totalmente os riscos. O Flamengo ganharia sua cota fixa mesmo com público inferior a 30 mil torcedores. Como a negociação se deu antes da sequência de seis vitórias, parecia bastante razoável. À época, ninguém imaginava que 67 mil torcedores abarrotariam o Estádio Nacional de Brasília.

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Mas a verdade é que, nas condições em que ocorreu a partida – pelo menos ao mesmo patamar de bilheteria – o Flamengo ganharia mais dinheiro no Rio de Janeiro. É o que comprova um exercício feito pelo Blog Teoria dos Jogos com base nas condições do seu contrato com a Concessionária Maracanã. Tivesse arrecadado igualmente R$ 3.995.500,00 (ou se no futuro vier a fazê-lo), este seria o boletim financeiro da partida:

Fig 02

Percebam que o “aluguel do estádio”  ficaria em R$ 823.100,23 – R$ 400 mil abaixo do que se destinou à organização em Brasília. A FFERJ também cobraria menos: para jogos no Rio pelo Brasileirão, sua taxa cai para 5%.E não haveria destinação para a Federação Brasiliense de Futebol.  Isto levaria a um lucro de R$ 2.194.840,03* – muito acima dos R$ 1.447,335,00 efetivamente arrecadados.

*Valores antes da incidência de penhoras (15%), conforme acordo vigente.

Mas como foi dito, os valores acima só seriam alcançáveis em caso de uma bilheteria igual à de Brasília. Para tanto, e dada a capacidade atual do Maracanã (cerca de 55 mil pagantes), o ingresso teria que custar R$ 72, muito acima do ticket médio do Flamengo, de R$ 43.

É possível, mas não é fácil. No primeiro turno do Brasileirão-2013, Flamengo e Botafogo empataram diante de 38.853 pagantes e uma renda de R$ 3.082.555,00. Na ocasião, a justificativa para o ticket tão alto (R$ 79) recaía sobre a demanda reprimida em torno do novo Maracanã, reaberto pouco antes.  A cruzada iniciada contra o uso indiscriminado das meias-entradas é um caminho natural para o aumento do preço médio. Partidas no Rio atingiam o incrível percentual de 60% destes ingressos, prejudicando os próprios clubes.

Além do combate às fraudes, o chamariz da luta por uma vaga na Libertadores justifica que se reajustem preços em prol de uma operação mais lucrativa. Sem sair de casa. E nem perder a vantagem técnica de se jogar onde o Flamengo, historicamente, mais se impõe sobre os adversários.

Um grande abraço e saudações!

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