Arquivos mensais: outubro 2015

Match Day – Allianz Parque (visita completa)

Três dias após a tão aguardada visita à Arena Corinthians, o que poderia ser melhor do que conhecer a casa do maior rival? Foi o que providenciou o Blog Teoria dos Jogos, através de uma gentil cortesia da agência Fun4Funs Sport Experiences, na figura do Professor Rodrigo Fortuna. Assim, estivemos presentes à eletrizante semifinal da Copa do Brasil (Palmeiras x Fluminense), jogada na última quarta no Allianz Parque.

Antes, uma observação: visitamos não apenas as áreas nobres do estádio (Lounge A1 e camarotes corporativos), como também outros setores. Por isto, apenas as primeiras devem ser consideradas numa possível comparação entre as arenas arquirrivais. Também por conta desta abrangência, texto e quantidade de imagens serão um pouco maiores.

Duas coisas chamarão atenção ao longo desta análise: em primeiro lugar, os contrastes que se verificam na comparação com a visita à casa corintiana. E segundo, a intensidade das disparidades inerentes ao próprio Allianz Parque, em sua impressionante dicotomia entre qualidades incomparáveis e defeitos insolucionáveis.

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O primeiro contraste já se verifica na chegada à estação Palmeiras-Barra Funda. De maneira ordeira e até silenciosa, os alviverdes desembarcavam e cumpriam o trajeto de cerca de 1,5 km que separa o metrô do estádio. Outro destaque reside no perfil dos torcedores, com número claramente maior de integrantes da classe média. Não só eles, diga-se. Em meio a um mundo de ambulantes, o Blog conheceu Jéssica e Érica, duas funcionárias de um badalado restaurante que começavam naquele dia uma nova forma de complementação de renda.

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Fig 02

A localização do Allianz Parque é outro caso à parte. Não restam dúvidas da sofisticação do entorno: a arena é vizinha de bairros nobres e dos shoppings Bourbon e West Plaza – além de um sem número de bares e casas de espetáculo nas avenidas Pompéia, Sumaré e Francisco Matarazzo. Em compensação, suas cercanias “imediatas” – a exemplo das ruas Turiassú, Palestra Itália e Padre Antônio Tomás – não passam de regiões razoáveis.

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A Rua Palestra Itália nos brindou, inclusive, com uma das piores experiências já vividas pelo Blog desde o início das análises de match day. Erguido em meio a populosa zona residencial e ruas estreitas, o estádio do Palmeiras não consegue fazer fluir o enorme contingente de torcedores que por ali se afunilam em partidas de apelo. O resultado foi um verdadeiro caos de pessoas aglutinadas e fadadas a apenas seguirem o gradiente da multidão. Cavaletes de separação para algumas entradas pioravam as condições. Por sorte, até pela presença de muitas mulheres e crianças, tudo transcorreu em paz.

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O visual do Allianz, assim como no caso da Arena Corinthians, também é motivo de debates. Maravilhoso à distância (especialmente em tomadas aéreas), a beleza de seu revestimento metálico não funciona de perto ou à noite. Luzes internas, por exemplo, fazem-no parecer revestido por alguma espécie de malha de tecido. Por dentro, o registro fotográfico do metal utilizado.

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Talvez a maior vantagem competitiva da arena: O Allianz possui, anexo, nada menos que um edifício garagem com mais de 2 mil vagas e inúmeros pavimentos. Sem medo de errar, pode-se dizer que nenhum estádio do país forneça tão impressionante estrutura. Logicamente, o benefício vem atrelado a dispêndios: um vaga custava R$ 50, chegando a R$ 70 na ocasião de shows.

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Por dentro do edifício garagem, apenas áreas nobres (como lounges VIP e espaços corporativos) podem ser acessadas. Daí se aufere outra característica: o menor requinte no acabamento. Absolutamente comum em estacionamentos, a infinidade de estruturas em concreto armado pode ser vista em toda parte, inclusive nos corredores dos camarotes. Banheiros, funcionais, apenas cumprem aquilo a que se propõem.

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Finalmente, e já com o jogo em andamento, chegamos ao “Lounge A1”, um dos principais espaços corporativos. Trata-se de uma agradável zona de convivência que prima por uma ocupação total menor do que a de alguns pares. O objetivo é oferecer exclusividade e bons serviços, algo que foi testado (e aprovado) através do excelente buffet de alimentos à disposição. Ordenados de maneira generosa, televisores brindavam os espectadores com uma transmissão totalmente em tempo real – em simples filmagem do campo de jogo. Atitude tão lógica quanto pouco usual, já que muitas arenas disponibilizam transmissões das emissoras de TV, com o delay atrelado aos sinais via satélite.

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Finalmente às arquibancadas, comprovou-se a sensação de adentrarmos num dos mais belos estádios. Pelo bom gosto das cores dos assentos ou com a arena lotada, o Allianz parece pulsar ao ritmo de sua ótima acústica. Enquanto a cobertura condiz com os padrões de beleza e eficiência aqui descritos: chovia durante a partida, mas apenas os jogadores pareciam expostos à umidade. Cadeiras e espaços físicos razoáveis, com algum aperto no acesso do lounge à arquibancada.

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Os camarotes corporativos mantém o bom padrão das novas arenas, com conforto e uma proximidade ao campo maior do que o usual.

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Para complementar uma das mais amplas visitas de match day, descemos até a saída dos vestiários, atravessando os corredores das arquibancadas comuns. Por ali, conhecemos os bares disponíveis ao grande público e nos certificamos do pouco capricho no visual interno.

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Por fim, uma foto deste blogueiro com o executivo Alexandre “Mitos” Mattos, um dos grandes responsáveis pela bem sucedida montagem do atual elenco – após a nebulosa temporada palmeirense de 2014.

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Entre vícios e virtudes, não restam dúvidas: o Allianz Parque lutaria por boa posição no ranking das arenas. É fato que questões como o menor padrão no acabamento ou as dificuldades nas adjacências depõem contra. Em compensação, foram descobertos predicados usufruídos por pouquíssimos concorrentes. Sem pretensões de ser “o melhor”, talvez a arena se enquadre competindo pela condição de “mais rentável” do Brasil. Aí sim o Verdão entraria com tudo.

Um grande abraço e saudações!

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Match Day: a experiência no Business Lounge da Arena Corinthians

Conforme anunciado há alguns dias, o Blog Teoria dos Jogos inaugurou domingo sua série de análises das experiências prime nos estádios paulistanos. A escolhida foi a Arena Corinthians, a convite da própria (a quem muito agradecemos), durante a partida Corinthians x Flamengo. Nossa presença se deu no Business Lounge e em seus camarotes corporativos, mas a empreitada começou muito antes.

Embora a informação esteja presente nas redes sociais, quase ninguém sabe: este blogueiro reside na cidade de São Paulo. Conhecimento que facilita na escolha de opções além das composições da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). A propósito, caso esta tivesse sido utilizada, não haveria qualquer reclamação além dos normalíssimos vagões lotados numa tarde de público recorde.

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Trens, ônibus e metrô chegam até o estádio de Itaquera suprindo de maneira bastante satisfatória a demanda dos torcedores. A estação intermodal é grande e acoplada a um shopping center com todos os estabelecimentos que se necessita. Há desde opções de alimentação criativas (como o quiosque que ofereceu cachorro quente nas cores dos países durante a Copa) até um pujante e popularesco comércio de bebidas, espetinhos e produtos pirata na saída da estação Corinthians-Itaquera.

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Nossa escolha foi chegar de carro, algo que aparentava desafiador. Primeiro pela enorme distância das zonas sul e oeste a um estádio localizado quase no extremo leste da capital. Segundo, pelo excesso de afunilamentos da Radial Leste: uma das principais vias arteriais de São Paulo se transforma depois do bairro do Tatuapé. As pouquíssimas faixas de rolamento e o trânsito engarrafado presumem um verdadeiro tormento em partidas durante a semana. Por fim, pelo preço dos estacionamentos no entorno: entre R$ 40 e R$ 60.

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Eis que, após muito frio nos “alpes” de Itaquera,  e de longa caminhada num percurso que parecia mais curto, chegamos à imponente Arena Corinthians.

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Como tudo que envolve o clube, o formato do estádio já é razão pra inúmeras controvérsias. Desde “caixa de sapato” até “impressora”, só existe espaço para elogios ao seu visual em meio à própria torcida corintiana. Seara delicada, já que preferências são absolutamente pessoais e enviesadas ao sabor do clubismo. Particularmente, acho melhores estádios com arquibancada “fechada”. Mas num país de arenas pasteurizadas e poucas inovações arquitetônicas, a Arena Corinthians surge, sim, como um sopro de diferenciação. Elevado a inúmeras potências pelo primor de seus materiais, como veremos adiante.

Independente do bom funcionamento da logística de transportes, o fato é que a má localização da Arena Corinthians passa longe de fomentar negócios. Ao contrário de outras arenas que podem explorar comercialmente seu entorno (como no caso do Beira Rio), os anexos na parte exterior são apenas a ouvidoria e o balcão de informações para associados (vazios, para um clube com mais de 100 mil sócios-torcedores). Há também uma mega loja “Poderoso Timão” até hoje não inaugurada, mesmo na iminência da conquista do sexto título nacional.

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Chegando ao hall que direciona aos camarotes, um baque. Nenhuma arena no Brasil sequer se aproxima da suntuosidade da Arena Corinthians. O requinte dos mármores dispostos até onde se enxerga compõe um visual extraordinário com o campo aberto do vão central, as escadas rolantes e o monumental (e gigantesco) escudo prateado, verdadeiro ponto de peregrinação local.

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Finalmente o Business Lounge, um confortável espaço com mesas, cadeiras, sofás e até um DJ. O bufê, da melhor qualidade, incluía alimentação completa (bebidas, prato principal e sobremesas). Nos banheiros, projetores divulgavam a agência de turismo oficial nos espelhos, numa jogada moderna e diferenciada. A partida também era projetada ao vivo, em contraste com a falta de televisores na parte interna do espaço.

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Acessando a arquibancada, assentos confortáveis e um excelente visual – embora não tão próximos do campo. Curiosamente, percebeu-se uma mudança no comportamento padrão da torcida corintiana, aflita e um tanto calada ao longo da maior parte do jogo. Talvez pela tensão do reencontro com o antigo ídolo Guerrero,  elas apenas reagiram aos acontecimentos, liberando cânticos pela vitória após os 45 minutos do segundo tempo.

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Depois do jogo, uma visita aos camarotes corporativos, que aliam o mesmo padrão de excelência com uma experiência um pouco mais exclusiva. Neste espaço, as cadeiras são verdadeiras poltronas e o jogo pode ser assistido de dentro do lounge, benefício que nem todos os estádios pensaram (p.ex: Maracanã) .

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Ao final, os vidros curvos da arena reluziam em agradecimento à presença dos 43.505 pagantes.

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Se soa pretensiosa a afirmação de que a Arena Corinthians seria a melhor do Brasil, a visita à sua área nobre rompe paradigmas no tocante à série de análises que o Blog Teoria dos Jogos vem realizando. No intuito de comparar apenas setores equivalentes, planejamos passagens pelos camarotes do Allianz Parque e do Morumbi, sem fugir do veredito de qual é o melhor. Outras arenas, bem como suas estruturas convencionais, voltarão à cena em breve. Fiquem de olho!

Um grande abraço e saudações!

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Vila: alçapão que enobrece a alma e apequena os cofres

Há exatos 33 anos (mais precisamente na edição da revista Placar de 22 de outubro de 1982), o jornalista Alberto Helena Jr. publicava uma crônica a respeito da ascensão, apogeu e queda do Santos Futebol Clube – à época vivendo ressaca posterior à sua maior geração. Por abordar elementos até hoje atuais e demonstrar como algumas reclamações nunca deixaram de existir, o Blog Teoria dos Jogos a reproduz na íntegra. Em seguida, explanaremos um pouco sobre questões ali abordadas.

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Após exaltar as glórias do passado, Helena pincelou inúmeras razões para a derrocada santista. Elas iam desde a “tragédia administrativa que se abateu pela compra do Parque Balneário”, passando pela saída de antigos e dedicados dirigentes (substituídos, segundo ele, por pares impacientes e incompetentes) até chegar ao processo de apequenamento daquele que “lotava o Parc de Princes, em Paris, o Maracanã ou o Morumbi sem fretar um mísero ônibus para sua torcida”.

Transcrevendo palavras do jornalista, o Santos “passou a mandar a maioria de seus jogos na Vila e respirar cada vez mais fortemente o ar contaminado das intrigas de uma legião de cartolas, torcedores e ex-jogadores”. Mais adiante, em suas conclusões, propunha que o clube deixasse de trocar de treinador com tamanha frequência, estabelecendo rígidos critérios de contratação e se afastando das “intrigas da Vila”. Fazê-lo jogar mais vezes no Pacaembu era a proposta.

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Trinta e três anos se passaram e o alvinegro praiano, após enorme período de vacas magras (especificamente nas décadas de 80 e 90), retomou sua trajetória de glórias, títulos e formação de ídolos. E se à época havia espaço para inúmeros gigantes coexistirem de maneira relativamente equilibrada, o advento da “era do marketing esportivo” passou a sinalizar grandeza ou pequenez futura em função da capacidade financeira.

De olho no potencial de geração de receitas, o “trio de ferro” da capital – rivais históricos do clube do balneário – parece ter enxergado a visceral necessidade de se reinventar. Assim, modernizou estruturas visando um novo perfil de torcedor, ávido pelo que proporciona a experiência atrelada ao espetáculo. Justamente o departamento em que o Santos parece ter parado no tempo. Algo já identificado num texto de quando máquinas de escrever denotavam o estado da arte…

Naturalmente, nos referimos à baixíssima capacidade de geração de receitas do Santos na Vila Belmiro.

Em tempos de crise, quando receitas de curto prazo tendem a cair (marketing) ou se manterem estáveis (televisionamento), é justamente nos estádios onde melhor se pode insuflá-las. Até porque a injeção destes recursos (bilheterias e demais receitas de match day) tem total relação com o boom dos projetos de sócio-torcedor – dada a característica comum da maioria dos associados se encontrarem no entorno das cidades de origem.

É aí que o Santos vai mal, muito mal. O clube detém apenas a 11ª posição no ranking de bilheterias na temporada 2015. Segundo ferramenta do Globoesporte.com, foram apenas R$ 11.530.565,00 ao longo de todo o ano. No Campeonato Brasileiro, mesmo integrando o G4, o clube amealhou meros R$ 4 milhões, o que lhe concede a 14ª posição entre 20 agremiações. Tudo, naturalmente, fruto do baixíssimo índice de comparecimento ao estádio: 9.755 ao longo da temporada, abaixo até de clubes da série C.

E a coisa é ainda pior sob a ótica das rendas líquidas. No ranking do Brasileirão, o Peixe é penúltimo, tendo lucrado meros R$ 1.523.377,66 em 16 jogos. Sua média por partida, de R$ 95.211,10, representa 25% da renda líquida média do campeonato (R$ 379.505,38). É o que aponta levantamento do Blog Teoria dos Jogos contendo as apresentações do Santos:

Fig 03

De um modo geral, verificam-se na Vila entre 5 mil e 12 mil torcedores – raramente mais do que isso. O ticket médio de R$ 31 é aceitável se considerarmos o mercado local, mas a limitação física do Urbano Caldeira compromete superar os R$ 452.145,00 da partida Santos 3 x 1 Internacional. Dinheiro de verdade, o Santos só viu uma vez nesta temporada: na final do Paulistão, contra o Palmeiras. Naquela ocasião, 14.662 torcedores (o limite do estádio) injetaram R$ 1.555.280,00, com o Santos levando R$ 970.629,78. Em apenas um jogo, 65% do lucro líquido de todo o Brasileirão.

E por que as coisas são assim? Porque a Vila histórica, ainda que mereça reverências, é antiga, ultrapassada e desconfortável. Não condiz com o que se espera de um estádio na era das espetaculares arenas de Copa do Mundo. Localiza-se em meio ao aperto de uma área residencial e é insegura – vide os baixos públicos em clássicos, quando a lógica presume o contrário. E faz com que a torcida responda mal à majoração de preços (como no confronto diante do São Paulo), a não ser que algo muito importante seja decidido. Para piorar, é minúscula – e quanto menor um estádio, menos proporcionalmente se responde em termos de comparecimento. Razão pela qual a torcida do Atlético-MG vive colocando 50 mil no Mineirão mas raramente esgota os 20 mil assentos do Independência.

A solução, então, seria a proposta de Alberto Helena Jr? Nossa resposta é não. É certo que os resultados financeiros no Pacaembu são bem melhores do que na Vila – vide as quartas de final da Copa do Brasil deste ano (25 mil pagantes , R$ 1,2 milhão diante do Figueirense). Mas a verdade é que a suposta “sinergia” santista em terras paulistanas representa nada mais do que o drama da escassez e da demanda reprimida. Aumentando a frequência na capital, os bons públicos entrariam em queda à medida com que tais necessidades se vissem aplacadas. Com menos 10% da torcida em São Paulo, o Santos se equipararia a clubes como o Botafogo, quarta torcida carioca e com números semelhantes aos do Santos na temporada.

Diante disto, o melhor seria construir uma arena moderna e funcional na própria Baixada Santista – única região de predomínio nacional da torcida do Peixe. Nada megalomaníaco, naturalmente. Algo em torno de 35 mil lugares já seriam capazes de dobrar a média de público, trazendo consigo algum aumento do ticket médio. Só com isso, as receitas de bilheteria dariam um salto para quase R$ 30 milhões anuais, sem contar outras oportunidades que uma arena traz: naming rights, restaurantes, mega lojas, visitações, etc.

Para terminar, uma reflexão. Não seria temerário abrir mão do histórico do Santos no alçapão, em pleno momento de celebração das onze vitórias consecutivas?

Foi por pensar assim ao longo de tantos anos que o Santos se acomodou mediante “místicas” e “escritas”. Durante o Campeonato Brasileiro de 2009, o Grêmio teve aproveitamento bastante semelhante aos 85% atualmente desfrutados pelo Santos. Nada disso o impediu de aposentar o obsoleto Estádio Olímpico, celebrando ótimo histórico também na nova casa, a Arena do Grêmio. Sempre exaltando seu passado, o tricolor gaúcho aumentou suas receitas e iniciou uma nova trajetória. Hoje, é terceiro colocado, uma posição acima do próprio Santos no Brasileirão.

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Análise: O Mapa das Curtidas – Minas Gerais

Após nos debruçarmos sobre dois dos três estados mais plurais em termos de torcidas – Santa Catarina e Paraná – chegou a vez de desembarcar no último vértice deste triângulo. Trata-se de Minas Gerais, quarta maior unidade federativa e segunda mais populosa do Brasil. Um dos berços do país como o conhecemos, cuja diversidade cultural e étnica denota à perfeição nossos contrastes, mazelas e as próprias preferências clubísticas.

Fig 01

De acordo com as curtidas no Facebook, Minas surge como enorme mancha azul celeste no centro do Brasil: Entre seus 853 municípios, 561 são de maioria cruzeirense. Embora faça frente ao Cruzeiro em muitos lugares, em nenhum o Atlético-MG se mostra acima do arquirrival, uma situação inesperada. Em território mineiro, inimigos íntimos são mesmo Flamengo e Corinthians. O rubro-negro predomina nas regiões da Zona da Mata (divisa com o Rio) e onde o Triângulo Mineiro “toca” o estado de Goiás – além de cidades esporádicas nos limites com Espírito Santo e Bahia. Já os corintianos são hegemônicos no Sul de Minas, no Triângulo “paulista” (divisa com São Paulo e Mato Grosso do Sul), além de duas pequenas cidades em pleno Vale do Jequitinhonha.

Um olhar mais apurado sobre Cruzeiro e Atlético:

Fig 02

A diferença entre os arquirrivais é tão flagrante quanto o Blog Teoria dos Jogos sempre sugeriu. Em recente entrevista ao site ESPN FC, este blogueiro afirmou que em Minas, “time do povo” seria o Cruzeiro – especialmente no interior, região onde o equilíbrio se dissiparia em favor do universo estrelado. Situação mais que evidente ao analisarmos o Mapa das Curtidas.

Com exceção das extremidades flamenguistas e corintianas, a torcida do Cruzeiro está presente ou na liderança em quase todas as regiões. Mais: pode-se dizer que o azul celeste transporta fronteiras, verificado em pequenas cidades do outro lado das divisas (Goiás, Espírito Santo e até Bahia). O mesmo não se pode dizer do Galo, restrito a Minas e, em muitos casos, relegado à terceira importância. Curiosamente, o Atlético é curtido em 100% dos 5.564 municípios brasileiros. Em cinco deles, o Cruzeiro não se viu agraciado.

Quanto aos times paulistas:

Fig 03

O nível de difusão da torcida do Corinthians pelo estado de Minas talvez represente uma das grandes surpresas do Mapa das Curtidas do Globoesporte. Os alvinegros só se veem alijados na “meiuca” da região metropolitana de BH, sendo fortemente representados até onde o Flamengo está ausente (Norte de Minas). Em todas as partes, o Timão traz consigo outro grande antagonista: o São Paulo. Em paleta de cores mais suavizada, o Tricolor Paulista se percebe em quase todas as mesorregiões onde há corintianos. O mesmo não se pode dizer de palmeirenses e santistas: O Verdão é terceiro e o Peixe quarto somente em determinadas cidades do Sul e do Triângulo.

Já os times do Rio:

Fig 04

A característica mineira do Mengão é clara. Sua torcida domina as áreas em que o estado faz divisa com outros de maioria rubro-negra. É assim na Zona da Mata (divisa com o próprio Rio), na Triângulo (fronteiriço a Goiás) e nas regiões do Vale do Rio Doce, Mucuri e Jequitinhonha, próximas à Bahia. Adentrou, perdeu. No zonal interior, o Flamengo não só perde espaço para Cruzeiro e Atlético como para o próprio Corinthians.

Quanto aos demais cariocas, estes não correspondem às expectativas – ao menos pelo Facebook. Vasco e Botafogo só aparecem na Zona da Mata, além dos cruzmaltinos em pequenos municípios do Triângulo. O Fluminense, nem isso. Outra grande revelação do “Mapa” foi justamente a distância entre os quase inexistentes tricolores e os representativos botafoguenses na região da Mata. Enquanto o Botafogo detém a segunda torcida em nove municípios (entre eles a importantíssima Juiz de Fora), o Flu é no máximo terceiro em quatro – destaque para Além Paraíba.

O que faltaria para o “Mapa” se tornar pesquisa? Além de ampliar a amostragem na direção de pobres e idosos, necessário seria contemplar o percentual dos que não torcem por time algum. Enquanto a primeira premissa apenas se soluciona através de pesquisas científicas, a segunda foi abordada num exercício pelo leitor Paulo Henrique Salles. Ele planilhou os percentuais das quatro principais torcidas nos 20 maiores municípios mineiros – que respondem por 40% da população. Depois, considerou que 70% da população torça por alguém, projetando conservadora margem de 30% para o “Nenhum”. Daí, auferiu qual seria o tamanho exato dos rivais caso o resto do estado tivesse o mesmo perfil das cidades selecionadas. Eis o resultado:

Fig 05
Clique para ampliar

Com base nos critérios descritos, a torcida do Cruzeiro representaria 26,48% da população de Minas Gerais, frente a 18,64% do Atlético-MG, 6,81% do Flamengo e 5,17% do Corinthians. Panorama absolutamente fiel ao demonstrado por pesquisas sérias no estado.

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Análise : O Mapa das Curtidas – SC e PR

Prosseguindo a série de análises com relação ao “Mapa das Curtidas do Facebook” – uma parceria da rede social com o Globoesporte.com – é a vez de subirmos um pouco. Após detalhar o nada diversificado perfil das preferências no Rio Grande do Sul, é a vez de nos atermos aos estados de torcida mais plural do Brasil: Santa Catarina e Paraná.

Em nosso país, uma das principais características das preferências clubísticas é a dicotomia entre capital e interior. Com exceção de Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul – além de estados do Norte e Nordeste dominados por forasteiros – são muitos os exemplos de rivalidades entre torcidas que perdem força à medida com que se afastam de suas zonas de influência. Neste sentido, três lugares chamam atenção: Por ordem de “pluralidade”, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Os dois primeiros podem ser vistos na imagem abaixo:

Fig 01

Uma característica comum entre ambos é o predomínio de times da capital num limitado perímetro que vai pouco além da região metropolitana. A região central é dominada por paulistas no Paraná (Flamengo depois) e Flamengo em Santa Catarina (paulistas e Vasco em seguida). Já o oeste catarinense e paranaense são de predomínio gaúcho, com supremacia de Grêmio e Internacional.

Mas o perfil de Santa Catarina vai além, muito pela quantidade e força dos times locais. Começando pelos do interior:

Fig 02

Para surpresa geral, a Chapecoense é, de longe, o clube com difusão mais avançada de Santa Catarina. Mesmo que o “Mapa” seja focado em redes sociais e potencialize simpatias, a verdade é que a zona de influência do Verdão do Oeste se espalha por uma área pouco comum em se tratando daquele estado. O clube está entre os quatro mais curtidos em nada menos que 246 localidades. Consegue ainda uma proeza quase inimaginável: influenciar pequenos municípios gaúchos limítrofes a Chapecó.

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Já a difusão dos outros rivais do interior é mais restrita a municípios-sede e entorno, sem se espalharem tanto pela região em si. Ainda que nas cidades-natal, Joinville e Criciúma, superem a Chapecoense em percentual de curtidas (38,6%, 46,6% e 37,3%, respectivamente). O JEC angaria uma das quatro primeiras posições em apenas 12 municípios, enquanto o Tigre o faz em 48.

Fig 03

As coisas não são muito melhores para os times da capital. Inseridos numa grande região de influência flamenguista, Figueirense e Avaí só conseguem leve supremacia na zona de menos de um milhão de habitantes que circunda Florianópolis. Neste raio, a supremacia do Figueira é evidente – confirmando a histórica evidência do “time do continente” que relega a identificação avaiana à pouco populosa ilha. O Figueirense detém preferência em 15 municípios, trazendo o Avaí na segunda posição em 14 deles.

Quanto aos times de fora, eis o mapa de calor:

Fig 04

Fig 05

Trata-se de um perfil bastante semelhante ao da pesquisa científica publicada pelo Blog Teoria dos Jogos ainda em seus tempos de Globoesporte.com. O Flamengo domina a maioria do estado, sendo segundo em cidades corintianas ou gremistas. Fica em terceiro no entorno de Florianópolis, em quarto no extremo sul e em sexto na região oeste, onde o predomínio é do Grêmio e depois do Internacional.

Parte da divisa entre SC e RS verifica notável crescimento do Corinthians – terceiro por ali e segundo nas regiões centrais. O Vasco cresce nas cercanias de Tubarão e Rio do Sul, ficando entre o segundo e o terceiro posto. Já o São Paulo fica em terceiro ou quarto nas regiões norte e central. Palmeiras e Santos surgem com representação residual nos limites com o Paraná.

Fig 06

Perto do estado vizinho, a atmosfera paranaense soa menos difusa, ainda que se trate de um dos representantes da pluralidade anteriormente debatida. Pelo Facebook, o Paraná é uma mancha corintiana, com contornos atleticanos na capital e gremistas no oeste. Esporádicas maiorias flamenguistas finalizam uma pintura que, comparada aos resultados científicos, traria dificuldades na distinção entre original e cópia.

A superioridade do Atlético-PR se dá ao longo do um perímetro maior do que o Coritiba: o Furacão é um dos quatro mais curtidos em 43 municípios, frente aos 28 do Coxa. Sendo que o alviverde não lidera em nenhum, derrotado pelo Corinthians em plena cidade de Curitiba – possível distorção da apuração via rede social. Se é assim com o Coxa, sabido detentor de boa torcida, imaginem com o Paraná Clube? Sua melhor posição é um irrisório 4º lugar em Bocaiúva do Sul.

Fig 07

Fig 08

As verdadeiras donas do Paraná são as torcidas de São Paulo. Como já foi dito, o Corinthians é líder absoluto em todas as regiões onde Atlético-PR ou Grêmio não aprontam. Com vantagem tricolor, São Paulo e Palmeiras vem a reboque – ainda que a quantidade de lugares onde o Palmeiras é vice não seja desprezível, incluindo cidades como Umuarama e Apucarana. Há espaço até para o Santos: segundo em duas cidades (Jardim Alegre e Nova Aurora) e terceiro em outras tantas. Oeste e Sudoeste são divididos por Grêmio e Internacional, finalizando uma zona de influência que só volta a ter relevância em rincões agrários do Centro Oeste. De qualquer maneira, pode-se dizer que em termos de torcidas, o Paraná seria quase um quintal do estado de São Paulo.

Sim, “quase”. Em meio a paulistas, gaúchos e paranaenses, surge a exceção de sempre: o Flamengo. Por lá, o se faz presente como segundo mais curtido em muitos municípios próximos à divisa com Santa Catarina (destaque para Guarapuava e Ponta Grossa). Tem mais: em Rio Negro, Campo do Tenente e Paranaguá (litoral), é o rubro-negro quem dá as cartas, liderando em curtidas. Nada disso em companhia do Vasco: ao contrário do que ocorre em Santa Catarina, cruzmaltinos praticamente inexistem no Paraná.

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Análise: o Mapa das Curtidas – RS e times gaúchos

Conforme prometido, o Blog Teoria dos Jogos inicia agora sua análise com relação aos números do “Mapa das Curtidas do Facebook”, iniciativa bem sucedida do Globoesporte.com em parceria com a rede social de maior sucesso no mundo. Com robusta amostragem, o Mapa faz justiça ao verificado em diversas regiões do país. Assim, começaremos pela configuração de torcidas no Rio Grande do Sul e dos times gaúchos – Grêmio e Internacional.

Novamente, é preciso deixar claro que o mapeamento não é uma pesquisa. O enfoque em jovens e pessoas conectadas gera vieses consideráveis – apenas 25% dos usuários do Facebook tem mais de 35 anos, faixa de abrange 41% da população brasileira. No mais, distorções se fazem presentes pelo fato de alguns clubes trabalharem melhor suas mídias sócias, estando “alguns passos” à frente da concorrência.

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Dito isto, vamos lá:

Fig 01

O aparente massacre gremista foi motivo de festa no lado azul do Rio Grande. Por lá, deu Grêmio em nada menos de 481 dos 497 municípios – meros 16 tiveram maioria colorada. Mas se muitas cidades “vermelhas” são de pequeno porte, o Inter teve consigo o trunfo da maioria em plena Porto Alegre (13% da população gaúcha). Mais: segundo levantamento feito por Alexandre Perin, do site Almanaque Esportivo, o equilíbrio nos 20 municípios mais populosos do estado (48% da população) foi tão grande que fica difícil acreditar como o Grêmio conseguiu primazia em 18 deles. Em muitos casos – como os de Canoas e Alvorada – as diferenças não passavam de um ou dois décimos. No total, gremistas (40,7% das curtidas) e colorados (39,4%) terminam em flagrante equilíbrio.

Fig 02

A conhecida intransponibilidade do Rio Grande do Sul com relação a torcidas forasteiras se faz presente: praticamente nenhum outro clube cria “manchas” no mapa de calor do estado. O que não significa que inexistam. Além do Corinthians – maior torcida estrangeira entre os gaúchos do Facebook – Flamengo e Santos se fazem representados em cidades ou regiões. Corintianos estão presentes na fronteira com Santa Catarina e em Vera Cruz, região central, onde marcam nada menos que 7,2%. Existem flamenguistas no entorno de Bento Gonçalves e Caxias do Sul, além da cidade de Rio Grande, onde são 4,6%. E há um curioso bunker santista na região fronteiriça de Santana do Livramento, onde o Peixe é terceiro colocado com 5,1% dos cliques. Três e meio por cento da torcida de Vera Cruz se disse adepta do Bahia, enquanto 3,1% alinham com o Criciúma no balneário de Torres.

Fig 03

Fig 04

Fig 05

Tanto Grêmio quanto Internacional receberam curtidas em 99,8% dos municípios brasileiros. Tricolores estão entre as quatro maiores torcidas em 14,1% dos municípios, contra 12,4% dos colorados. Das cinquenta cidades que mais os curtem, todas se encontram no Rio Grande do Sul.

Fig 06

Ao contrário de rivalidades que veremos mais adiante, o mapa de calor da dupla GreNal denota que suas torcidas se encontram rigorosamente nos mesmos lugares. Além do estado de origem, gremistas e colorados dominam todas as divisas com Santa Catarina, bem como o oeste paranaense. Em terras catarinenses, a luta é contra a Chapecoense (no oeste) e o Criciúma (no Sul), sempre com forte presença de Corinthians e Flamengo. Já no Paraná, a rivalidade é contra as duas maiores torcidas do Brasil e o São Paulo.

Fora do Sul, Inter e Grêmio surgem fortes em colônias agrícolas espalhadas pelo Centro Oeste. Por serem quase todas pequenas, acabam influindo pouco na configuração de estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Além destes, existe uma improvável colônia na cidade de “Chapada Gaúcha”, em pleno norte de Minas Gerais. Por lá, tricolores angariam 5,7% das curtidas contra 5,3% de colorados.

Um grande abraço e saudações!

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