Match Day – Allianz Parque (visita completa)

Três dias após a tão aguardada visita à Arena Corinthians, o que poderia ser melhor do que conhecer a casa do maior rival? Foi o que providenciou o Blog Teoria dos Jogos, através de uma gentil cortesia da agência Fun4Funs Sport Experiences, na figura do Professor Rodrigo Fortuna. Assim, estivemos presentes à eletrizante semifinal da Copa do Brasil (Palmeiras x Fluminense), jogada na última quarta no Allianz Parque.

Antes, uma observação: visitamos não apenas as áreas nobres do estádio (Lounge A1 e camarotes corporativos), como também outros setores. Por isto, apenas as primeiras devem ser consideradas numa possível comparação entre as arenas arquirrivais. Também por conta desta abrangência, texto e quantidade de imagens serão um pouco maiores.

Duas coisas chamarão atenção ao longo desta análise: em primeiro lugar, os contrastes que se verificam na comparação com a visita à casa corintiana. E segundo, a intensidade das disparidades inerentes ao próprio Allianz Parque, em sua impressionante dicotomia entre qualidades incomparáveis e defeitos insolucionáveis.

Vote no Blog Teoria dos Jogos no Prêmio Top Blog 2015

O primeiro contraste já se verifica na chegada à estação Palmeiras-Barra Funda. De maneira ordeira e até silenciosa, os alviverdes desembarcavam e cumpriam o trajeto de cerca de 1,5 km que separa o metrô do estádio. Outro destaque reside no perfil dos torcedores, com número claramente maior de integrantes da classe média. Não só eles, diga-se. Em meio a um mundo de ambulantes, o Blog conheceu Jéssica e Érica, duas funcionárias de um badalado restaurante que começavam naquele dia uma nova forma de complementação de renda.

Fig 01

 

Fig 02

A localização do Allianz Parque é outro caso à parte. Não restam dúvidas da sofisticação do entorno: a arena é vizinha de bairros nobres e dos shoppings Bourbon e West Plaza – além de um sem número de bares e casas de espetáculo nas avenidas Pompéia, Sumaré e Francisco Matarazzo. Em compensação, suas cercanias “imediatas” – a exemplo das ruas Turiassú, Palestra Itália e Padre Antônio Tomás – não passam de regiões razoáveis.

Fig 03

Fig 04

Fig 05

A Rua Palestra Itália nos brindou, inclusive, com uma das piores experiências já vividas pelo Blog desde o início das análises de match day. Erguido em meio a populosa zona residencial e ruas estreitas, o estádio do Palmeiras não consegue fazer fluir o enorme contingente de torcedores que por ali se afunilam em partidas de apelo. O resultado foi um verdadeiro caos de pessoas aglutinadas e fadadas a apenas seguirem o gradiente da multidão. Cavaletes de separação para algumas entradas pioravam as condições. Por sorte, até pela presença de muitas mulheres e crianças, tudo transcorreu em paz.

Fig 06

Fig 07

O visual do Allianz, assim como no caso da Arena Corinthians, também é motivo de debates. Maravilhoso à distância (especialmente em tomadas aéreas), a beleza de seu revestimento metálico não funciona de perto ou à noite. Luzes internas, por exemplo, fazem-no parecer revestido por alguma espécie de malha de tecido. Por dentro, o registro fotográfico do metal utilizado.

Fig 08

Fig 09

Talvez a maior vantagem competitiva da arena: O Allianz possui, anexo, nada menos que um edifício garagem com mais de 2 mil vagas e inúmeros pavimentos. Sem medo de errar, pode-se dizer que nenhum estádio do país forneça tão impressionante estrutura. Logicamente, o benefício vem atrelado a dispêndios: um vaga custava R$ 50, chegando a R$ 70 na ocasião de shows.

Fig 10

Por dentro do edifício garagem, apenas áreas nobres (como lounges VIP e espaços corporativos) podem ser acessadas. Daí se aufere outra característica: o menor requinte no acabamento. Absolutamente comum em estacionamentos, a infinidade de estruturas em concreto armado pode ser vista em toda parte, inclusive nos corredores dos camarotes. Banheiros, funcionais, apenas cumprem aquilo a que se propõem.

Fig 11

Fig 12

Fig 13

Fig 14

Fig 15

Fig 16

Fig 17

Finalmente, e já com o jogo em andamento, chegamos ao “Lounge A1”, um dos principais espaços corporativos. Trata-se de uma agradável zona de convivência que prima por uma ocupação total menor do que a de alguns pares. O objetivo é oferecer exclusividade e bons serviços, algo que foi testado (e aprovado) através do excelente buffet de alimentos à disposição. Ordenados de maneira generosa, televisores brindavam os espectadores com uma transmissão totalmente em tempo real – em simples filmagem do campo de jogo. Atitude tão lógica quanto pouco usual, já que muitas arenas disponibilizam transmissões das emissoras de TV, com o delay atrelado aos sinais via satélite.

Fig 18

Fig 19

 

Fig 20

Fig 21

Finalmente às arquibancadas, comprovou-se a sensação de adentrarmos num dos mais belos estádios. Pelo bom gosto das cores dos assentos ou com a arena lotada, o Allianz parece pulsar ao ritmo de sua ótima acústica. Enquanto a cobertura condiz com os padrões de beleza e eficiência aqui descritos: chovia durante a partida, mas apenas os jogadores pareciam expostos à umidade. Cadeiras e espaços físicos razoáveis, com algum aperto no acesso do lounge à arquibancada.

Fig 22

 

Fig 23

Fig 24

Fig 25

Fig 26

Os camarotes corporativos mantém o bom padrão das novas arenas, com conforto e uma proximidade ao campo maior do que o usual.

Fig 27

Fig 28

Fig 29

Fig 30

Para complementar uma das mais amplas visitas de match day, descemos até a saída dos vestiários, atravessando os corredores das arquibancadas comuns. Por ali, conhecemos os bares disponíveis ao grande público e nos certificamos do pouco capricho no visual interno.

Fig 31

 

Fig 32

Por fim, uma foto deste blogueiro com o executivo Alexandre “Mitos” Mattos, um dos grandes responsáveis pela bem sucedida montagem do atual elenco – após a nebulosa temporada palmeirense de 2014.

Fig 33

Entre vícios e virtudes, não restam dúvidas: o Allianz Parque lutaria por boa posição no ranking das arenas. É fato que questões como o menor padrão no acabamento ou as dificuldades nas adjacências depõem contra. Em compensação, foram descobertos predicados usufruídos por pouquíssimos concorrentes. Sem pretensões de ser “o melhor”, talvez a arena se enquadre competindo pela condição de “mais rentável” do Brasil. Aí sim o Verdão entraria com tudo.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

8 comentários sobre “Match Day – Allianz Parque (visita completa)

  1. A ocupação em volta do estádio não é visto pelos torcedores como algo negativo, e sim uma antiga tradição que se estende desde os tempos do antigo Palestra Itália. Ali, principalmente nas ruas Palestra e Turiassú, torcedores comuns, organizadas e famílias se encontram para o pré-jogo. Pode não ser comum em outros estádios, porém todo bom palmeirense passa antes do jogo para tomar sua cerveja e começar os cantos da torcida. Isso faz parte da tradição e torcida palmeirense, não sendo em hipótese alguma, algo visto de forma negativa.
    Fora isso, muito boa sua avaliação.

    1. É o tipo da coisa que só é legal pra nós Palmeirenses, mas é uma delícia. Até o perfil da FIFA no instagram fez uma postagem sobre essa concentração: https://instagram.com/p/7UjbrZHwEV/

      fifaworldcup Fans of @sepalmeiras celebrate on a street in Sao Paulo before the Serie A match against @Corinthians. In an intense ‘clássico’…

  2. Com todo respeito, mas nem as primeiras fotos que mostram o setor lounge A1, seus banheiros, os camarotes e etc, podem ser comparado com a Arena Corinthians.
    Esses banheiros são do melhor setor, dos setores medianos e populares parecem do metro.
    Os camarotes no Allianz Parque não possuem banheiros como na Arena Corinthians, os acabamentos são infinitamente inferiors, não só dos banheiros mas de qualquer setor.
    Álias, a Arena Corinthians possui 1000 vagas de estacionamento coberto no prédio oeste e 1100 descobertas make 650 descobertas no prédio leste.

    Olhem as fotos e comparem sem clubismo.

    Abraços.

      1. Folgo em dizer que são 190 mil metros quadrados a Arena Corinthians, enquanto a Allianz Parque sao 93 mil metros quadrados.
        E os acabamentos de marmores nos pisos, escadas, banheiros e etc.
        Camarotes, olhe as fotos, perceba as enormes diferenças em acabamento e conforto, fora o fato que os camarotes da Arena Corinthians tem banheiros individuais, já no Allianz Parque é coletivo, tem que sair do camarote para ir ao banheiro de uso comum no andar.

      2. Engraçado esse negócio, tenho amigos corintianos e esse assunto do banheiro luxuoso é recorrente, meio estranho. Prefiro, e acho que não é só eu, um belíssimo apartamento na Pompéia do que um luxuosíssimo em Itaquera (nem vou entrar no mérito do custo de cada estádio e, principalmente, da origem do dinheiro).

  3. Uma arena sem certificação LEED jamais poderá ser considerada Triplo A ou AAA…

    Certificações de eficiência construtiva são como se qualificam edifícios em qualquer lugar do mundo e arenas são edifícios.

    No Brasil só 9 estádios conseguiram bater pontuação da USGBC, sendo uma delas (a única) com o Selo Platinum, o mais alto dado à uma construção eficiente e moderna, que foi o Mineirão (81/100 ptos)… depois nenhuma atingiu pontuação para GOLDEN, e outras 5 certificaram como SILVER, nessa ordem; Arena Pernambuco(59), Maracanã(58), Arena Fonte Nova(53), Arena Grêmio(51), Beira Rio(50), e outros 3 obtiveram a menor pontuação da escala, qualificando apenas como CERTIFIED; Arena das Dunas(48), Castelão(46) e Arena da Amazônia(41).

    Tanto a Allianz(2012), quanto Itaquera(2012) e Arena da Baixada(2011) solicitaram a certificação, porém não obtiveram pontuação suficiente. FONTE: USGBC

Deixe uma resposta