Arquivos mensais: dezembro 2015

A Pesquisa da Vez: Volta Redonda (RJ) – EXCLUSIVO

Localidade: Volta Redonda (RJ)

Instituto: GPP (http://www.gpp.com.br/)

Amostra: 400 entrevistas em 19 de dezembro de 2015

Margem de erro: 4,9 p.p

Os dias dezenove e vinte e nove de dezembro de 2015 são históricos para o Blog Teoria dos Jogos. Tratam-se das datas em que mapeamos e divulgamos os resultados de um dos maiores sonhos deste blogueiro. Nascido há 33 anos na cidade de Volta Redonda, a 120 km da capital fluminense, são desnecessárias explicações sobre o porquê do desejo de pesquisar torcidas na “Cidade do Aço”. Local de onde, orgulhosamente, redijo estas palavras.

Indo além da importância econômica neste que é o berço da siderurgia nacional, Volta Redonda se mostra ainda a segunda cidade mais importante do estado do Rio numa abordagem futebolística. Tudo por conta do estádio Raulino de Oliveira. Durante o Campeonato Carioca, ele hospeda não apenas o Voltaço, time da casa, como um sem número de agremiações do interior, alijadas de mandarem partidas de maior porte em suas canchas. Mas não são apenas os pequenos. Basta acontecer algo com os grandes palcos da capital – como ocorrerá em 2016, com Maracanã e Engenhão entregues aos Jogos Olímpicos – e dá-lhe Estádio da Cidadania como válvula de escape. Não por acaso, trata-se do único estádio do interior a abrigar uma final do Estadual, em 2014, quando o Botafogo superou o Fluminense em solo voltarredondense.

Num resgate da parceria de maior sucesso da história do Blog, o Instituto GPP vem nos brindar com números exclusivos acerca da maior cidade da região Sul Fluminense:

Fig 01

 

De cara, já se pode taxá-los como surpreendentes. Não pela esmagadora maioria rubro-negra (42,9%), algo sabido e esperado, mas pelo absoluto equilíbrio entre Vasco (10,8%), Botafogo (10,6%) e Fluminense (8,6%). Quem é de Volta Redonda sabe que por aqui, a torcida cruzmaltina sempre se fez ouvida, especialmente em bares e conglomerados do bairro Aterrado, um dos centros da cidade. Mas desta vez, os números revelaram um interessante alinhamento com o quantitativo de botafoguenses. Nem mesmo os alvinegros esperariam este terceiro posto, dada a relevância da torcida tricolor na cidade.

Diante do exposto, dois pontos precisam ficar claros: 1) a margem de erro da pesquisa, de 4,9 pontos percentuais; 2) a fragilidade do “olhômetro” como método de pesquisa. Tendo isto claro, uma explicação para o ordenamento passaria pelo desalento dos vascaínos num estudo elaborado cerca de duas semanas após o terceiro rebaixamento em sete anos. O mesmo efeito, só que contrário, poderia ser atribuído à ascensão botafoguense, já que seus próprios adeptos se consideram os únicos a terminarem a temporada 2015 “em alta”. Outra estatística importante é a de 7,8% dos entrevistados que não responderam ao questionário. O material continha indagações de diversas outras naturezas, e o desalento pode ter impactado de maneira sintomática sobre a decisão voluntária dos vascaínos.

Uma segunda questão seria a não confirmação do crescimento paulista na cidade. Distante apenas 50 km do estado de São Paulo, Volta Redonda há algum anos se tornou um polo educacional que atrai muitos estudantes. Ainda que novamente o visual revele camisas forasteiras, o fato é que apenas Corinthians e Palmeiras foram citados, ambos abaixo de 0,5% das preferências.

Uma terceira e última abordagem se refere ao Volta Redonda, citado por míseros 0,4% dos habitantes. Em toda a região, o Tricolor de Aço nutre simpatias de “segundo time” que se “purificam” à medida com que bons resultados são colhidos – algo inexistente desde a era de ouro 2004-2006. De qualquer maneira, causa preocupação um número tão baixo de torcedores do Voltaço.

Por gênero e faixa etária:

Fig 02

A consolidação da Estrela Solitária na cidade se dá entre homens, faixa em que ultrapassam o Vasco (16,5% a 13%). Nesta, flamenguistas são 47,6% e tricolores, 10,1%. Se o Voltaço (0,9%) ainda assim não atinge a marca unitária, ele ao menos ultrapassa o número de corintianos no local. Apenas 7,6% dos homens não tem time, contra 26,9% de mulheres.

Já no recorte etário, o crescimento do Flamengo entre jovens de 16 a 24 anos – faixa onde sobe a 57,3% – não é tão expressivo quanto o verificado em outras cidades ou no próprio estado do Rio.  Ainda assim, o Rubro Negro é o único a ampliar sua base com a renovação das gerações, já que marca apenas 27,9% acima de 60 anos. Entre os idosos, a segunda torcida é a do Botafogo (14,8%) e a terceira é a do Fluminense (13,9%), tendo o Vasco apenas 6,4%. Todos os torcedores do Volta Redonda se encontram acima dos 45 anos. Os de times de fora, sempre abaixo dos 34.

Por escolaridade:

Fig 03

 

Embora sejam historicamente clubes de massa, tanto Flamengo quanto Vasco encontram seu maior quantitativo em meio a pessoas com 2º grau completo e superior incompleto (46,6% e 13,1%, respectivamente). Já Botafogo (16,6%) e Fluminense (12,2%) são maiores entre graduados em uma faculdade. Surpreende o percentual de botafoguenses entre aqueles com menos ensino formal: 15,3% dos que não possuem primeiros grau completo. Como sempre, quanto mais se estuda, mais se gosta de futebol: a evasão cai de 28,3% para 12,1%.

Por fim, o recorte de renda:

Fig 04

 

Embora reine absoluto em meio aos mais ricos (42,5%), é entre pobres que o Flamengo encontra maioria absoluta: 50,5% daqueles que ganham até um salário mínimo. A torcida vascaína é a que mais aumenta à medida com que se enriquece, saindo de 5% para 14% acima dos cinco salários mínimos. Curiosamente, tanto Botafogo quanto Fluminense encontram seu pico em escalas intermediárias de renda. Indo contra os prognósticos, apenas 6,5% dos tricolores desfrutam de maior poder aquisitivo em Volta Redonda.

FELIZ 2016!

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As maiores rendas da história – atualização final 2015

Finda outra temporada, o Blog Teoria dos Jogos apresenta mais uma atualização deste que é um dos rankings mais copiados (sem a devida citação) entre portais e blogs esportivos. Não foram poucas as vezes em que grandes veículos o apresentaram como se resultante de apuração própria – mas no mesmíssimo formato e ordenamento de parâmetros. Recusem imitações, prestigiem o original.

Dito isto, segue o ranking das maiores rendas da história do futebol brasileiro, comentado após cada um de seus recortes. Inicialmente, o ordenamento interclubes:

RANKING EM JOGOS ENTRE CLUBES

1) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda:  R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013;

2) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013;

3) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014;

4) Santos 0 x 0 Flamengo – Mané Garrincha (DF) – 26/05/2013 – Público: 63.501  – Renda: R$ 6.948.710,00 – Brasileirão 2013;

5) Atlético-MG 4 x 3 Lanús – Mineirão (MG) – 23/07/2014 – Público: 54.786 – Renda: R$  5.732.930,00 – Recopa 2014;

6) Palmeiras 2 x 1 Santos – Allianz Parque (SP) – 02/12/205 – Público: 39.660 – Renda: R$ 5.336.631,25 – Final Copa do Brasil 2015;

7) Cruzeiro 3 x 0 Grêmio – Mineirão (MG) – 10/11/2013 – Público: 56.864 – Renda: R$ 5.231.711,00 – Brasileirão 2013;

8 ) Palmeiras 0 x 2 Sport – Allianz Parque (SP) – 19/11/2014 – Público: 35.939 – Renda: R$ 4.915.885,00 – Brasileirão 2014;

9) Atlético-MG 2 x 0 Cruzeiro – Independência (MG) – 12/11/2014 – Público: 18.578 – Renda: R$ 4.741.300,00 – Final Copa do Brasil 2014;

10) Atlético-MG 4 x 1 Flamengo – Mineirão (MG) – 05/11/2014 – Público: 41.352 – Renda: R$ 4.615.660,00 – Semifinal Copa do Brasil 2014;

Obs1: Partidas recém incluídas no ranking aparecem em negrito.

Obs2.: Os valores expressam a renda bruta de partidas na história recente do nosso futebol, não sendo corrigidos pela inflação. O objetivo deste levantamento é justamente a comparação intertemporal de valores, evidenciando a majoração dos preços ao longo dos anos 

Desde nossa última atualização, em junho, apenas a final da Copa do Brasil, entre Palmeiras e Santos, adentrou este ranking de modificação cada vez mais difícil. A inclusão do jogo do título palmeirense consolidou ainda três elementos importantíssimos:

1- A primazia das arenas sobre os antigos estádios. A partida excluída do ranking – agora, ocupante do 11º posto – era justamente a única jogada fora de uma arena. Trata-se da semifinal da Libertadores de 2010, entre São Paulo e Internacional, no Morumbi. Agora, as dez maiores rendas do futebol brasileiro se deram de 2013 para cá. Todas, em arenas de Copa do Mundo ou equivalentes;

2- A superioridade das grandes arenas sobre as demais. Por “grandes”, leia-se capacidade superior a 60 mil pessoas, casos do Maracanã, Mané Garrincha e Mineirão, que ocupam as cinco primeiras colocações. Dificilmente veremos outros estádios lutando pelo posto de maior renda da história do futebol brasileiro. Num segundo escalão, Morumbi, Allianz Parque e a própria Arena Corinthians (ausente do ranking) surgem com ótimo potencial de geração de receitas. Tanto os estádios gaúchos (Beira Rio e Arena do Grêmio) quanto o Castelão – outro ocupante do “clube dos 60 mil” – não apresentam histórico de bilheterias vultosas.

3- O poder de consumo das torcidas mineiras (Cruzeiro e Atlético), do Palmeiras e do Flamengo – ocupantes de nada menos do que todas as dez primeiras posições. Lembrando que o Santos x Flamengo do Mané Garrincha (2013) se deu com mando paulista, como forma de explorar o potencial da torcida adversária.

RANKING EM JOGOS DA SELEÇÃO

1) Brasil 1×0 Sérvia – Morumbi (SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$8.693.940,00 –Amistoso

2) Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso;

3) Brasil 3 x 0 França – Arena do Grêmio (RS) – 09/06/2013 – Público: 51.643 – Renda: 6.833.515,00 – Amistoso;

4) Brasil 2 x 0 México – Allianz Parque (SP) – 07/06/2015 – Público: 34.659 – Renda: R$ 6.737.030,00 – Amistoso;

5)  Brasil 0 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 18/06/2008 – Público: 52.527 – Renda: 6.605.255,00 – Eliminatórias Copa 2010;

6)  Brasil 1 x 0 Romênia – Pacaembu (SP) – 07/06/2011 – Público: 30.059 – Renda : R$ 4.357.705,00 – Amistoso;

7)  Brasil 4 x 2 Chile – Pituaçu (BA) – 09/09/2009 – Público: 30.370 – Renda: R$ 4.350.425,00 – Eliminatórias Copa 2010;

8 )  Brasil 2 x 1 Paraguai – Arruda (PE) – 10/06/2009 – Público: 55.252 – Renda: R$ 4.322.555,00 – Eliminatórias Copa 2010;

9)  Brasil 2 x 1 Uruguai – Morumbi (SP) – 21/11/2007 – Público 65.379 – Renda: R$ 4.321.225,00 – Eliminatórias Copa 2010;

10) Brasil 3 x 0 Peru – Arena Fonte Nova (BA) – 17/11/2015 – Público: 45.558 – Renda: R$ 4.186.790,00 – Eliminatórias Copa 2018;

Aqui, a única novidade se refere à recente vitória do escrete canarinho em solo soteropolitano. Curiosamente, a lógica que rege o ranking de bilheterias interclubes não se aplica: apenas metade dos jogos aconteceram em arenas (condição que o Mineirão não ocupava em 2008). Por incrível que pareça, ainda existe espaço para partidas jogadas em 2007, 2008, 2009 e 2011 – tempos em que, provavelmente, ainda não havia se quebrado o “encanto” do torcedor perante o selecionado nacional. 

RANKING AGREGADO (SELEÇÃO + CLUBES)

1) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda: R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013;

2) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013;

3) Brasil 1×0 Sérvia – Morumbi (SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$ 8.693.940,00 – Amistoso

4)  Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso;

5) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014;

6)  Santos 0 x 0 Flamengo – Mané Garrincha (DF) – 26/05/2013 – Público: 63.501 – Renda: R$ 6.948.710,00 – Brasileirão 2013;

7)   Brasil 3 x 0 França – Arena Grêmio (RS) – 09/06/2013 – Público: 51.643 – Renda: 6.833.515,00 – Amistoso;

8 ) Brasil 2 x 0 México – Allianz Parque (SP) – 07/06/2015 – Público: 34.659 – Renda: R$ 6.737.030,00 – Amistoso;

9)   Brasil 0 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 18/06/2008 – Público: 52.527 – Renda: 6.605.255,00 – Eliminatórias Copa 2010;

10) Atlético-MG 4 x 3 Lanús – Mineirão (MG) – 23/07/2014 – Público: 54.786 – Renda: R$  5.732.930,00 – Recopa 2014;

 

MAIORES TICKETS MÉDIOS DA HISTÓRIA

1) Atlético-MG 2 x 0 Cruzeiro – Independência (MG) – 12/11/2014 – Público: 18.578 – Renda: R$ 4.741.300,00 – Final Copa do Brasil 2014 – Ticket: R$ 255

2) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda:  R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013 – Ticket: R$ 250; 

3) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014 – Ticket: R$ 197

4) Brasil 2 x 0 México – Allianz Parque (SP) – 07/06/2015 – Público: 34.659 – Renda: R$ 6.737.030,00 – Amistoso – Ticket: R$ 194;

5) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013 – Ticket: R$ 167;

6) Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso – Ticket: R$ 150;

7) Brasil 1 x 0 Romênia – Pacaembu (SP) – 07/06/2011 – Público: 30.059 Renda: R$ 4.357.705,00 – Amistoso–Ticket: R$ 145;

8 ) Brasil 4 x 2 Chile – Pituaçu (BA) – 09/09/2009 – Público: 30.370  Renda: R$ 4.350.425,00 – Eliminatórias Copa 2010– Ticket: R$ 143; 

9) Brasil 1×0 Sérvia – Morumbi (SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$8.693.940,00 –Amistoso – Ticket: R$ 137;

10) Palmeiras 0 x 2 Sport – Allianz Parque (SP) – 19/11/2014 – Público: 35.939 – Renda: R$ 4.915.885,00 – Brasileirão 2014 – Ticket: R$ 136;

Não houve modificações tanto no ranking agregado quanto no de tickets médios. Embora a final da Copa do Brasil tenha batido o recorde de público pagante do Allianz Parque, o ingresso médio do embate (R$ 134) custou ligeiramente menos do que o da inauguração do mesmo estádio (R$ 136).

Um grande abraço e saudações!

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Pelo fim da figuração

Imagem: www.colunadoflamengo.com
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Não se trata mais da construção de “um novo Flamengo” – mote de onze entre dez campanhas eleitorais na história do clube. Durante o pleito que transcorre neste instante nas dependências da Gávea, o contingente eleitoral escolherá pela manutenção de um irreversível caminho iniciado em 3 de dezembro de 2012. Processo este que, há três anos, não tinha prazo para terminar, mas que agora já tem.

Como todos sabem, concorrem a Chapa Azul, de Eduardo Bandeira de Mello, a Verde, de Wallim Vasconcellos, e a Branca de Cacau Cotta. Este último, retrógrado representante da velha política, nunca teve remota possibilidade. A decisão ficará, portanto, entre Bandeira e Wallim, com grande vantagem para o atual mandatário. Conforme já indicam pesquisas de boca de urna, a revalidação de seu mandato parece questão de horas.

Não se tratam de promessas, do excesso ou da falta de agressividade da chapa concorrente. O fato é: salvo exceções, a maioria dos que introduziram a bem sucedida austeridade rubro negra compõe a atual Chapa Verde. Mas quem garantiu sua execução despersonalizada – após a diáspora dos originais – foi a diretoria que hoje integra a Azul. Assim, quem quer que vença terá como desafio algo além de um processo que parece caminhar com as próprias pernas. Estamos diante de uma mudança muito mais difícil: a de valores. E o implementar de uma real cultura vencedora.

Já abordamos o tema por aqui recentemente, na coluna “Por que o Flamengo não é um Corinthians?”. Por lá, foi dito que o Flamengo só não é maior (em termos de resultados, daí a comparação com o alvinegro paulista) por conta do tamanho de sua dívida e da falta de cultura vencedora. Mas o primeiro problema parece ter um deadline: já em 2016, a dívida rubro-negra equivalerá à sua receita, numa relação de 1:1 que há apenas três anos era de 1:3. Depois, a tendência é que o jogo vire, com a administração da dívida equivalendo à questão da dívida externa federal*.

*Antiga chaga das finanças nacionais, hoje o Brasil possui reservas em moeda estrangeira suficientes para quitar sua dívida externa, não o fazendo por ser melhor remunerado aplicando estes dólares. Trata-se de um caso clássico de administração sustentável da dívida.

Assim, temos que o principal problema do Flamengo deixou de ser financeiro, mas esportivo, pelo papel de figurante que protagoniza na maioria das competições. Isto, por surpreendente que pareça, tem menos relação com a qualidade das contratações do que com valores morais reinantes no Ninho do Urubu. O que não significa que a solução advenha de cláusulas contratuais por bom comportamento ou palestras motivacionais reiterando “o tamanho da instituição”. Há, sim, que se investir, mas não no time.

Dado o baixo nível intelectual do jogador brasileiro médio, o respeito se dá pelo usufruto. Quando adentra um centro de treinamento alagado, tomado pelo barro, matagal e contêineres improvisados, algo lhes diz que as coisas por ali são “menos sérias” do que em outras agremiações pelas quais passou. Neste sentido, um histórico que inclui até despejos (lembram do Fla-Barra?) depõe contra. Nem sempre a memória é tão curta quanto se diz.

O mesmo se aplica quando inexiste real identidade do clube com aquilo que deveria ser sua casa – na ausência de uma para chamar de sua. Ainda que a torcida se sinta totalmente à vontade, estádio que é de todos, não é de ninguém. Diante disto, adversários agradecem, mandam lembranças e anseiam pelo retorno ao salão de festas.

Tem mais. Quando o jovem da base é criado entre campos esburacados; ensinado a vencer e não a se desenvolver; e ainda assim endeusado sem a devida orientação e blindagem, a tendência é que só desabroche a centenas de quilômetros do Rio. Saindo como refugo de onde se revelou, enterra consigo todo um investimento sobre ele dispensado.

Estes e outros exemplos ajudam a narrar o quanto há que se modificar no estado de coisas do Flamengo. Tão certo quanto o fato de, hoje, o clube estar muito melhor do que há três anos, temos a insuficiência da mudança verificada. Pois não existe torcedor rubro-negro que não concorde que do jeito que está, não dá pra continuar.

Um grande abraço e saudações!

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Audiências num Rio de Janeiro alijado

27/11/2013, data antológica para a TV no Rio de Janeiro. Naquela noite, o maior clube do estado voltava a decidir um título nacional, quatro anos após conquistar o Campeonato Brasileiro. A demanda da torcida do Flamengo fez com que a audiência da vitória sobre o Atlético-PR, pela final da Copa do Brasil, correspondesse às expectativas. Foram 41 pontos com 66% de share (38 com 61% apenas na Globo), os melhores números da década na cidade. Naquela noite, tanto as emissoras quanto a metade da população fluminense foram dormir felizes.

A partir desta última epopeia nacional, eis que os cariocas voltaram a protagonizar uma deprimente figuração. O título de 2013 foi o último de uma série de conquistas  nacionais iniciada em 2006 com o mesmo Flamengo, na mesma Copa do Brasil*. De lá para cá, o torcedor do Rio voltou a conviver com rebaixamentos e desimportâncias. Pior: passou a assistir pela televisão ao protagonismo de clubes de outras regiões.

*Flamengo campeão da Copa do Brasil 2006; Fluminense campeão da Copa do Brasil 2007; Flamengo campeão brasileiro 2009; Fluminense campeão brasileiro 2010; Vasco campeão da Copa do Brasil 2011; Fluminense campeão brasileiro 2012; Flamengo campeão da Copa do Brasil 2013. Nesta série, apenas em 2008 o Rio não levou nenhuma taça nacional.

Uma das características da TV no Rio de Janeiro é a de veicular partidas decisivas envolvendo times de fora, não só pela Band mas também na Globo. Algo que não acontece, por exemplo, em São Paulo – sede de um mercado publicitário que considera filmes ou paulistas remanejados melhores do que jogos de outras praças. Sendo assim, tanto a final mineira da Copa do Brasil de 2014, quanto a final paulista deste ano tiveram transmissões em solo carioca. Com excelentes números, diga-se de passagem. Comparemo-nos:

Atlético-MG x Cruzeiro – 1º jogo final Copa do Brasil 2014 (RJ)

23 pontos de audiência e 41% de share pela Rede Globo (A Band não possuía os direitos do torneio)

Cruzeiro x Atlético-MG  – 2º jogo final Copa do Brasil 2014 (RJ)

29 pontos de audiência e 49% de share pela Rede Globo.

Santos x Palmeiras – 1º jogo final Copa do Brasil 2015 (RJ)

21 pontos com 35% pela Rede Globo, mais 2 com 3% pela Band. Total: 23 pontos com 38%

Palmeiras x Santos – 2º jogo final Copa do Brasil 2015 (RJ)

23 pontos com 39% pela Rede Globo, mais 2 com 4% pela Band. Total de 25 pontos com 43%

As audiências forasteiras no Rio comprovam a tese de que o brasileiro gosta de futebol, mas principalmente de decisões. São, ainda, uma prova de que Rio ou São Paulo são capazes de se igualar ao resto do país, onde capitais importantes como Belo Horizonte ou Porto Alegre se cansam de receber sinais de fora sem prejuízos devastadores em seus números. No caso carioca, uma interessante especificidade aponta para a predileção dos mineiros em detrimento dos paulistas – fato comprovado pelos 29 pontos (49%) daquele Raposa x Galo. Isto pode ser fruto da proximidade Rio-Minas ou uma resposta à negativa rivalidade existente entre a Cidade Maravilhosa e a Terra da Garoa.

Como não poderia deixar de ser, os registros nas praças de origem foram robustamente maiores – com novo destaque para a final mineira. O segundo clássico mineiro de 2014 marcou inacreditáveis 50 pontos com 73% via Globo Minas (Belo Horizonte). Em solo paulistano, Palmeiras x Santos registrou 32 pontos com 49% pela Globo e 7 com 10% na Band, totalizando 39 pontos e 59% de share.

Um grande abraço e saudações!

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