Uma informação valiosa

Para o Blog Teoria dos Jogos, um deleite. Habituados a trazermos informações de renda e público até nossa audiência, sempre nos vimos tolidos pela inexistência de estatísticas desta natureza fora do território nacional – ou pelos casos internos em que cai a obrigatoriedade. Pois no fim de semana que passou (e possivelmente apenas nesta ocasião), deu-se fim a um incômodo segredo.

No Brasil, a coisa vai além da mera obrigação legal regida pelo artigo 7º do Estatuto do Torcedor. É tradição o momento em que o locutor ou o telão do estádio anunciam os números relativos à renda e ao público das partidas de futebol. Tanto é que a Lei 10.671/2003, acima citada, exige apenas que eles sejam revelados pelos “serviços de som e imagem” do estádio. A posterior divulgação de borderôs completos nos sites da CBF ou das Federações vem apenas agregar aos nossos transparentes (e surpreendentes) hábitos.

Regidos por outros códigos de leis e costumes, lá fora as coisas são diferentes. Sempre se soube que uma partida de futebol na Europa movimenta milhões. Com estádios lotados e modernos (ou, no mínimo, bem conservados), a bilheteria acaba sendo fatia de todo um universo de fontes de receitas envolvidas naquilo que se convencionou por match day. Ainda assim, uma importantíssima fatia. Em que montante, afinal?

Pois ela foi divulgada. Saiu nas contas de Twitter de jornalistas e veículos que cobriam o clássico entre Milan e Internazionale, vencido pelos rubro-negros no San Siro:

Fig 01

Um total de 77.043 pagantes (sendo 19.504 associados) proporcionaram renda de € 3.924.812,20, o equivalente a inimagináveis R$ 16.915.940,58 – pela cotação de ontem. Dinheiro suficiente para suplantar a maior renda da história do futebol brasileiro, pouco superior aos R$ 14 milhões. O ticket médio do Derby della Madonnina ficou em € 42,76 (R$ 184,32), com associados pagando € 23,16 (R$ 99,83) e torcedores comuns, € 49,41 (R$ 212,96) em média.

Se considerássemos as características das economias de Brasil e Itália em termos nominais, perceberíamos um ingresso por lá bastante alinhado com que o se verifica aqui. Italianos possuíam, ao final de 2014, renda per capita 3 vezes maior que a brasileira – com tendência a atingir o quádruplo, graças à queda do PIB e à maxidesvalorização do Real em 2015.

Um indicador mais apropriado, contudo, aponta para uma análise baseada na paridade do poder de compra. Segundo ela, a diferença entre as rendas auferidas por italianos e brasileiros seria de 2,19 vezes – dados do Banco Mundial. Significa que o ticket médio do clássico milanês teria batido à casa dos R$ 84 – ainda assim, um valor verificado por estas bandas. A título de comparação, a partida Corinthians 1 x 0 XV de Pìracicaba, pela 1ª rodada do Campeonato Paulista 2016, recebeu 31.309 pagantes, com renda de R$ 1.643.455,00 e ticket de R$ 52,49.

Um grande abraço e saudações!

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