Arquivos mensais: abril 2016

A Pesquisa da Vez: Manaus (comparativo 2012)

Foto: Chico Batata (reprodução Globoesporte.com)
Foto: Chico Batata (reprodução Globoesporte.com)

É enorme a expectativa no entorno da semifinal do Carioca, entre Vasco e Flamengo, a ser jogada na Arena Amazônia, em Manaus. Informações dão conta de que toda a carga já foi comercializada, sendo aguardados mais de 44 mil torcedores nas arquibancadas e camarotes do palco manauara. Visando estimar o perfil do público presente, muitas pessoas – desde blogueiros até jornalistas e seguidores – contactam o Blog Teoria dos Jogos em busca de uma simples resposta: quais seriam, de fato, as maiores torcidas de Manaus. Nós respondemos.

Não parece difícil compreender as dificuldades inerentes a se pesquisar opinião na capital da selva amazônica. Embora grande, rica e importante, Manaus fica longe de tudo – e neste caso a assertiva ocorre sem um pingo de discriminação. Trata-se de uma cidade isolada do resto do país por vias terrestres, somente acessível por via aérea ou fluvial. Não por acaso, percebe-se por lá uma carestia atípica, mesmo em se tratando de produtos básicos no ponto de vista do resto do Brasil. Tais dificuldades, naturalmente, também se impõem quando o intuito é pesquisá-la.

Por conta disto, os últimos estudos na cidade se deram na última onda de pesquisas eleitorais, dadas as eleições municipais de 2012. Se isto significa que possivelmente  2016 nos reservará uma atualização dos dados, o lado negativo é que estatísticas de quatro anos atrás podem se mostrar relativamente datadas. De todo modo, e como costuma dizer este blogueiro, “é melhor alguma pesquisa do que nenhuma”. Sendo assim, traremos de volta os números – alguns deles já explorados à época em que ocupávamos os quadros do Globoesporte.com.

Foram dois os institutos a mapearem a capital do Amazonas. O primeiro estudo teve como elaborador o Instituto de Pesquisa do Norte – IPEN. Foram 542 entrevistas entre 06 e 12 de setembro de 2012, o que representa margem de erro de 4,2%. Seguem os resultados gerais, por sexo, faixa etária, nível de instrução e renda:

Fig 01 Fig 02 Fig 03 Fig 04 Posteriormente, veio aquele que se tornaria um grande parceiro do Blog Teoria dos Jogos, o Instituto GPP. Neste caso, foram 1.007 entrevistas elaboradas entre 11 e 13 de outubro, com resultados sendo expostos no mesmo ordenamento: Fig 05 Fig 06 Fig 07

Mesmo diante das diferenças entre os dois institutos, fica clara a vultosa supremacia da torcida do Flamengo na Metrópole da Amazônia. A massa cruzmaltina – ainda que enorme, importante e engajada – é entre 2,2 vezes e 2,6 menor do que a Nação Rubro-Negra, presumindo maior comparecimento vermelho e preto em meio a belíssimas arquibancadas alaranjadas. A própria decisão da Taça Guanabara foi sintomática, com Vasco e Fluminense preenchendo apenas 32 mil dos 44 mil lugares do estádio. De qualquer maneira, o ótimo histórico recente pode servir como motivador aos vascaínos, levando ao equilíbrio de forças no Clássico dos Milhões a ser jogado no coração da floresta.

Um grande abraço e saudações!

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A importância de zelar pelas marcas

Terminou no último fim de semana a segunda fase de grupos do Campeonato Carioca. Ao lado dos clássicos que farão as semifinais do torneio (Vasco x Flamengo e Fluminense x Botafogo), teve destaque o desempenho do Volta Redonda, única agremiação de menor investimento com chances de classificação até a última rodada da Taça Guanabara. De todo modo, tivemos outra bela campanha do Tricolor da Cidade do Aço, clube que tem no título da própria Guanabara seu ápice histórico, onze anos atrás.

A verdade é que o simpático Voltaço historicamente se contrapõe aos grandes cariocas. Este ano, vitórias sobre a dupla Fla-Flu comprovaram sua condição de um dos únicos do interior a de fato exercerem seu mando de campo. Isto, naturalmente, faz com que o Volta Redonda ganhe holofotes. Seja através de transmissões, reportagens de TV ou matérias em sites e veículos de mídia impressa, tal exposição rende a ele cerca de R$ 2 milhões entre patrocínios e cotas de TV. Apesar de tudo (ou talvez por conta disto), uma questão relacionada ao trato do clube com sua marca vem chamando atenção.

Em consulta ao site oficial do Volta Redonda Futebol Clube, à sua página no Facebook e ao material de divulgação do uniforme 2016, verificou-se o seguinte:

Fig 01 Fig 02 Fig 03

Na primeira imagem, um símbolo em amarelo e preto, que faria do Voltaço um aurinegro – não o tricolor que se auto denomina. Na segunda, um escudo tricolor, com o “U” (que circunda os raios) e o “VRFC” em branco, mas com um detalhe: pontos em separação às letras da sigla. Pormenores inexistentes no escudo – também tricolor – bordado pela Icone Sports no uniforme da equipe. Uniforme este que, no material institucional de lançamento, contrastou com outro escudo totalmente em preto e amarelo, conforme se verifica na terceira imagem.

Seriam descuidos ou as variações estariam previstas no manual de aplicação da marca?

O Blog Teoria dos Jogos buscou a opinião profissional do designer Bruno Ventura, proprietário da Disarme Gráfico. Para ele, mesmo que o grande público não saiba distinguir com exatidão a padronização das aplicações de uma marca, a iniciativa traz efeitos positivos às empresas, como a sensação de coesão e boa estrutura organizacional. No caso específico da marca do Voltaço, Bruno afirmou ser possível “notar versões distintas da assinatura e diferenças substanciais nos elementos de composição do brasão, como ausência e presença de pontos na sigla, espessura do contorno do escudo, espaçamento e proporção dos grafismos, bem como o uso das cores”.

Já a opinião dos profissionais do mercado esportivo não foi tão simples de ser coletada. Ainda que tratem e zelem pelas marcas, agências de marketing esportivo preferem não opinar publicamente, com medo de “fecharem portas” a futuras negociações. Em off, entretanto, algumas lamentaram a falta de zelo e a clara inexistência de um guideline da marca do Volta Redonda. Confidenciaram ainda que a situação é corriqueira, inclusive entre clubes do interior paulista.

Infelizmente não tivemos qualquer resposta oficial, já que tanto a diretoria quanto a assessoria de imprensa do clube não responderam aos nossos questionamentos. O Blog Teoria dos Jogos segue com canal aberto ao Voltaço ou à sua fornecedora de material esportivo.

Um grande abraço e saudações!

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O índice de rejeição das maiores torcidas do Brasil

Ao final da manhã de hoje, o Globoesporte.com trouxe a público nova pesquisa de torcidas de abrangência nacional. O estudo, elaborado pelo instituto Paraná Pesquisas, ouviu 4.066 entrevistados em 214 municípios e 24 estados entre os meses de março e abril de 2016. Trata-se de uma boa amostra, embora a intitulação “pesquisa nacional” só se aplique às que se dispõem a adentrar rincões de todas das 27 unidades federativas. De qualquer maneira, os resultados são praticamente os mesmos. O único fato inédito reside na torcida do Bahia, apontada como 11ª maior com 1,8%, à frente de Botafogo (também 1,8%) e Fluminense (1,6%). Um verdadeiro estranho no ninho das tão consolidadas “doze maiores torcidas”.

Embora a matéria apresente como novidade a mensuração do índice de rejeição das torcidas – através da pergunta “qual time de futebol você mais odeia?” – a verdade é que muitos estudos do gênero já o apresentaram. De qualquer maneira, não deixam de ser informações saborosas e passíveis de um olhar analítico. Se o Flamengo segue como time mais amado do Brasil (16,5%), pertence ao Corinthians o posto de mais odiado (14,6%). Ficam as perguntas: por que isto acontece? O que isto representa?

Para início de conversa, como já dizia o poeta, amor e ódio são duas faces da mesma moeda. Se interpretarmos ao pé da letra, deturparemos o significado destes sentimentos em meio às pesquisas de torcida. Aqui, “odiar” não é um elemento de beligerância e violência entre as torcidas – tanto que vultosos 46,9% dos entrevistados disseram gostar de todas elas. Na verdade este índice traz à tona tão somente a rivalidade que existe entre arquirrivais. Neste sentido, pode-se dizer que ser odiado impacta positivamente, especialmente no tocante às audiências – sejam televisivas ou em quaisquer outras mídias. Portanto, é possível até mesmo capitalizar com a rejeição, fazendo com que o Corinthians leve grande vantagem sobre os demais times do Brasil.

De qualquer maneira, a questão pode ser vista sob outras óticas. Apesar de haver muitas regiões de torcidas misturadas – especialmente envolvendo times paulistas e cariocas – o grosso da rejeição advém daqueles que torcem pelos rivais regionais de um clube. Neste sentido, o “rancor” sobre o Flamengo tem origem nas torcidas de Vasco, Botafogo e Fluminense. A antipatia sobre o Corinthians tem suas raízes nos adeptos de São Paulo, Palmeiras e Santos. De maneira mais simplificada, cruzeirenses e atleticanos se odeiam mutuamente, situação replicada entre gremistas e colorados.

Isto explica o porquê da rejeição tão maior ao Corinthians: a soma de suas torcidas rivais é bem maior do que às do Flamengo, por exemplo. Bom para o Timão, ruim para o Mengão, pois quanto maiores seus adversários locais, mais fortes eles serão – e mais forte você será. Ou os resultados expressivos do futebol paulista nos últimos anos, com títulos da Libertadores e do Mundial, não falam por si? Tudo em detrimento de um futebol carioca que até ganha títulos nacionais, mas não passa disso. Muito de sua sobrevivência se resume à inglória batalha contra o descenso à Série B, tantas vezes perdida.

E se fizéssemos um saldo entre os sentimentos mais nobres e os mais sórdidos? E uma comparação envolvendo a rejeição e a soma dos rivais regionais de cada torcida? Foi o que preparou o Blog Teoria dos Jogos, com resultados interessantes:

Fig 01

A quarta coluna nos mostra que apenas Corinthians e Vasco possuem um saldo líquido negativo entre os que os amam e os odeiam. Significa que, sobre estes dois times, existe mais gente torcendo contra (no popular, “secando”) do que o contrário. Neste caso, bom mesmo é estar no vermelho. Diferente da quinta coluna, que vai na direção oposta. Ela revela que o Flamengo, e só o Flamengo, é odiado por mais gente do que a simples soma de vascaínos, tricolores e botafoguenses. Nas muitas regiões de torcida híbrida, como Minas Gerais, Paraná ou Santa Catarina (entre outras), flamenguistas convivem com parentes cruzeirenses e atleticanos. Dividem bares com corintianos e são paulinos. Estudam com gremistas e colorados. Nestas localidades, o Rubro-Negro é quem mais atrai as atenções das demais torcidas.

Um grande abraço e saudações!

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Tudo sobre audiências – parte 2: Os campeões de audiência 2015

Prosseguimos nossa série “Tudo sobre audiências”, dada a importância deste indicador como elemento a balizar os repasses de televisionamento. Trata-se de uma sequência de textos que, embora não consecutivos, serão sempre linkados aos anteriores, servindo como banco de dados para consultas dos interessados pelo tema. A série está assim dividida:

Parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Parte 2: Os campeões de audiência 2015

Parte 3: As audiências da Band

Parte 4: As maiores audiências RJ e SP

Parte 5: Audiências em queda: verdade ou mentira?

**

Existem inúmeros recortes a serem feitos quando se objetiva explicitar as maiores audiências de uma temporada. Eles podem ter como base tanto a pontuação convencional quanto o share, imprescindível percentual de televisores ligados em um dado canal, que muitas vezes revela o paradoxo da boa audiência num baixo número. Tão importante quanto incompreendido, não focaremos no share desta vez, fazendo dele tão somente critério de desempate no caso de partidas equivalentes em pontos.

RIO DE JANEIRO

Instituímos dois critérios. O primeiro: todas as partidas que ultrapassaram os 25 pontos de audiência na soma Globo + Band. A média foi a seguinte:

FLAMENGO – 16 jogos, 28 pontos e 52% de participação (7 clássicos)

VASCO – 10 jogos, 30,5 pontos e 55% de participação (7 clássicos)

SELEÇÃO BRASILEIRA – 9 jogos (maiores detalhes adiante)

FLUMINENSE – 3 jogos, 26,3 pontos (1 clássico – participação indisponível)

BOTAFOGO – 3 jogos, 28,7 pontos e 55% de participação (3 clássicos)

Apesar de não parecer, o recorte confirma o Flamengo como campeão de audiência no futebol carioca, ao ultrapassar bem mais vezes a barreira dos 25 pontos, mesmo num ano sem qualquer título, poucas decisões e baixo percentual de clássicos contabilizados. Seu número de transmissões de apelo equivale à soma de Vasco, Fluminense e Botafogo.

No entanto, diante dos bons resultados tanto no Estadual quanto na Copa do Brasil (sobre o próprio Fla), é o Vasco quem aparece com maior pontuação absoluta. Só que nada menos que sete de seus dez jogos de maior apelo foram contra rivais cariocas, sendo dois na final do Carioca (contra o Botafogo) e outros cinco diante do próprio Flamengo – pelo Carioca, Brasileiro e Copa do Brasil.

Já a segunda ótica é a das dez maiores audiências no ano – neste caso, explicitadas jogo a jogo. Por aqui, as coisas mudam um pouco de figura. Eis o Top-10 do futebol no Rio de Janeiro em 2015:

Fig 01
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A maior audiência do futebol no ano passado se deu na segunda e decisiva partida envolvendo Vasco e Flamengo pela Copa do Brasil. Os números foram tão impressionantes que igualaram o título rubro-negro na Copa do Brasil 2013 – com dois pontos percentuais a menos de share. Mas percebam: neste top-10, quem teve os melhores resultados foram os cruzmaltinos. Nada menos que seis dos dez jogos envolveram a equipe de São Januário, contra cinco do Flamengo, três da Seleção, dois do Botafogo e um do Fluminense.

SÃO PAULO

Segue a quantidade de vezes em que cada um dos grandes paulistas ultrapassou a barreira dos 25 pontos no agregado Globo + Band:

CORINTHIANS – 15 jogos, 28,8 pontos e 49% de participação (9 clássicos)

PALMEIRAS – 10 jogos, 29,5 pontos e 52% de participação (9 clássicos)

SANTOS – 10 jogos, 28,8 pontos e 48% de participação (10 clássicos)

SÃO PAULO – 8 jogos , 29,1 pontos e e 49% de participação (8 clássicos)

SELEÇÃO BRASILEIRA – 8 jogos (maiores detalhes adiante)

Mais do que no Rio, onde a estatística teve maior relação com o tamanho das torcidas, o perfil de São Paulo deixa clara a importância dos bons resultados para um boom de audiências. Único paulista sem conquistas no ano que passou, o São Paulo se viu como time com menos jogos acima dos 25 pontos, mesmo tendo torcida equivalente à soma de Palmeiras e Santos. De todo modo, São Paulo, Palmeiras ou Santos (que decidiram tanto o Paulista quanto a Copa do Brasil) dependem quase que exclusivamente de clássicos para se catapultarem. Aqui, apenas o Corinthians surgiu capaz de entregar maiores pontuações em jogos “regulares”.

Quanto ao Top-10 de audiências no futebol paulista em 2015:

Fig 02
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Neste caso, a liderança também é corintiana, detendo seis dos dez jogos. O Palmeiras vem em seguida com cinco, seguido por Santos, São Paulo (três cada) e Seleção (um jogo).

**

Apesar da supremacia quantitativa de Flamengo e Corinthians e dos ótimos picos atingidos por Vasco, Palmeiras e Santos, é importante que se olhe com especial atenção para outras duas transmissões: as de jogos da Seleção Brasileira e da Champions League.

Em primeiro lugar, é um tanto óbvio que o escrete canarinho se apresenta menos do que a maioria dos times veiculados na TV: no ano passado, foram 14 jogos. E apesar dos recortes desta análise não deixarem claro, a verdade é que a Seleção nunca decepciona em audiências. Abandonemos, portanto, a tabulação acima dos 25 pontos. Em 2015, no cômputo geral de amistosos, Copa América e Eliminatórias, a contestada esquadra de Dunga atingiu 26,3 pontos e 47% de share em média, no Rio. Já em São Paulo, foram 24,7 pontos médios e 43%.

Por fim, a valiosa Liga dos Campeões da Europa. Valiosa porque, ao lado da Seleção (e salvo exceções), são as únicas partidas com veiculação 100% nacional. Elas sequer apareceram no top-10 porque são televisionadas às quartas-feiras no meio da tarde. Trata-se de um horário útil, com número insuficiente de aparelhos ligados para que se atinjam grandes pontuações. Por isto, aqui sim, torna-se importante avaliá-las sob a ótica do share. No Rio, tais embates renderam 20,9 pontos e 45% de participação, em média. Em São Paulo, 19,8 pontos e 42%. O Barcelona, é lógico, foi o mais agraciado, com seis das sete transmissões totais – não sendo computadas partidas transmitidas apenas pela Band.

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Direitos de transmissão: o robusto contrato a ser assinado pelo Fla

Fig 01

As condições do novo contrato com a TV Globo, a ser apreciado na próxima terça-feira pelo Conselho Deliberativo do Flamengo, foram expostas no excelente Blog do Rodrigo Mattos, do UOL. Incluindo a informação dos R$ 120 milhões a título de luvas – nada menos que o dobro do São Paulo, principal agraciado até então. No entanto, houve quem questionasse a robustez do montante, que tão somente reporia a inflação ou não apresentaria aumento real na soma das propriedades. O Blog Teoria dos Jogos apurou, então, o acordo mais a fundo. Concluindo que ele manteria a hegemonia rubro-negra em níveis pelo menos tão importantes quanto os atuais.

Pela primeira vez, a TV aberta deixou de ser a principal receita de televisionamento, por nela se ter promovido uma espécie de “equiparação anti-espanholizante”. A TV fechada veio a reboque: as duas propriedades, juntas, serão distribuídas na proporção 40 % (igualitária), 30% (desempenho esportivo) e 30% (audiências). Assim, as péssimas campanhas recentes fariam com que o Flamengo arrecadasse apenas R$ 70 milhões por temporada. Em contrapartida, terminar dentro do G4 proporcionaria ao clube aproximadamente R$ 90 milhões.

Em segundo lugar, as tais luvas. Do total de R$ 120 milhões, R$ 70 milhões entrariam cinco dias após assinatura do contrato, com outros R$ 30 milhões pagos em R$ 2019 e R$ 20 milhões em 2021. Ou seja, mesmo que os atuais representantes não se mantenham, ainda assim os futuros mandatários herdariam R$ 50 milhões em luvas. Mas o Flamengo enxerga a distribuição como sendo equivalente a R$ 20 milhões anuais, dado o prazo de seis anos do contrato.

Uma das principais novidades reside no pay per view. Ele se torna a maior fonte de receitas de TV, principalmente após a Globo garantir ao clube um mínimo de R$ 120 milhões independente de vendas. A pesquisa para descobrir o perfil dos assinantes será refinada e interiorizada, o que tende a beneficiar o Rubro-Negro. Com base no valor rateável de R$ 650 milhões, 1% dos assinantes equivaleriam a R$ 13 milhões. Com a expectativa de abocanhar entre 19% e 22%, um cenário otimista levaria para a Gávea mais de R$ 140 milhões.

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Outra novidade: a publicidade estática pertence 100% ao Fla – um pleito antigo que só agora tem sucesso. Com isto, estima-se a disponibilização de um mínimo entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões. Consta que o São Paulo também conseguiu o benefício, mas é provável que muitos não o tenham feito, tornando a propriedade exclusiva dos negociadores com maior poder de barganha.

Por fim, surgem os direitos pela veiculação internacional do Brasileirão. Estamos diante de valores de difícil previsão, dada a necessidade de vender o torneio para diferentes mercados. Ainda assim, soa apropriado orçá-lo na casa dos US$ 5 milhões – R$ 17 milhões, na cotação de hoje.

Diante do exposto, um cenário pessimista (no tocante às colocações na tabela e vendas de PPV) trariam para o Flamengo receitas de televisionamento próximas aos R$ 237 milhões anuais. Numa ótica otimista, o clube atingiria até R$ 282 milhões. Na média, estima-se algo em torno de R$ 250 milhões anuais – R$ 1,6 bilhões, se considerarmos o agregado 2019-2024. E sem contar os direitos pelo Carioca e demais torneios.

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