Arquivos mensais: agosto 2016

A Pesquisa da Vez: Campinas – tabulações EXCLUSIVAS

Detalhamento da pesquisa;

Localidade: Campinas/SP, entre 15 e 18 de julho de 2016

Instituto: PróPesquisa (http://propesquisa.com.br/index.html)

Amostra:  800 entrevistados

Margem de erro: 3 p.p

Os primeiros resultados saíram na semana passada: segundo o Lancenet, em pesquisa encomendada pela Brasil Kirin (patrocinadora da Ponte Preta), a cidade de Campinas teria sido mapeada no tocante às suas torcidas. Informações tão importantes não haveriam de ser divulgadas de maneira superficial e cheia de arredondamentos. Sendo assim, o Blog Teoria dos Jogos procurou o Instituto PróPesquisa, vindo a público brindar sua audiência com os resultados completos do trabalho, em tabulações exclusivas.

Antes, uma observação: com expertise na divulgação e análise de pesquisas de torcidas, tínhamos Campinas como um eldorado passível de mapeamento. Não apenas por se tratar da terceira maior cidade do estado de São Paulo, núcleo de uma região metropolitana de 3 milhões de habitantes com o 11º maior PIB do Brasil. Interessava também por Campinas ser um dos principais focos de excelência no futebol do interior, berço de dois clubes de enorme relevância e acirradas rivalidades históricas. Tanto que, certa vez, um profissional da área nos confessou que evitava pesquisar Campinas por conta das polêmicas que viriam a ser despertadas pelos números da cidade.

Pois a espera acabou. Vamos a eles:

Fig 01

Sim, amigos, a maior torcida de Campinas é a do Corinthians – nenhuma novidade para quem trabalha na área. Apesar da força de sua massa, os 19,8% da Ponte Preta não alcançam os 21,7% do bando de loucos em solo campineiro, ainda que ambos se encontrem em situação de empate técnico. Em seguida, alinhados com o perfil das torcidas no estado, temos São Paulo (9,7%), Palmeiras (7,9%) e Santos (4,2%). Pausa para a polêmica: só então surge o Guarani, arquirrival da Macaca, com meros 3,4%. O Flamengo, com 2,1%, encerra o clube dos que superam a marca unitária.

O que justifica tamanha discrepância entre o quantitativo de bugrinos e pontepretanos? Ainda que nem todos concordem, a explicação recai sobre o perfil das torcidas de interior, onde inúmeros se dividem entre um “clube do coração” (geralmente um dos quatro grandes de SP) e um local. No entanto, quanto mais tempo as paixões locais se “solidificarem” na elite, maior o processo de “purificação” de uma torcida que antes se dividia. Em direção oposta, quanto maior o sofrimento por maus resultados, divisões subalternas e falta de preponderância, menos gente disposta a apontar um clube local como o detentor de sua preferência. O primeiro exemplo se aplica à Ponte Preta – ainda que se possam fazer paralelos com outras forças do interior, como a Chapecoese. O segundo, classicamente, se encaixa sobre o Guarani.

Ainda quanto à primeira tabela: em termos geográficos, o maior número de corintianos, ponte pretanos, são paulinos e santistas se dá na região sudoeste da cidade. Nela, os quatro marcam, respectivamente, 28,9%, 30,5%, 12,3% e 9,1%. Na região noroeste, enfraquecem-se os times de Campinas, elevando-se o Palmeiras à condição de segunda maior torcida (10,7%). Importante reiterar que, numa pesquisa com apenas 800 entrevistados, a margem de erro dentro de um recorte com cinco tabulações diferentes é representativa.

Em seguida, a análise por gênero:

Fig 02

No Brasil, é sabido que os homens são os principais componentes do núcleo de heavy users do futebol. Sendo assim, a torcida mais preponderante de fato em Campinas seria a da Ponte Preta, com expressivos 28,9% dos adeptos do sexo masculino. Apenas o Corinthians, com 23,4% dos homens, é capaz de fazer alguma frente à torcida da Macaca. A terceira torcida masculina pertence ao Verdão, com longínquos 9,3% das preferências. Entre os maiores, o São Paulo é o único que aparece com mais mulheres do que homens em seus quadros (10,8% a 8,6%). Pessoas sem clube marcam 15,7% entre eles e 41,6% entre elas.

Um dos recortes mais importantes, por faixa etária:

Fig 03

Ainda que o trabalho peque ao não pesquisar mais a fundo o universo infanto-juvenil, são apresentados resultados bastante sintomáticos. A Ponte detém a torcida que mais rejuvenesce, saindo de 19,5% acima de 45 anos para 27,1% entre pessoas de 18 a 24 anos. Mas o Corinthians acompanha praticamente no mesmo ritmo: de 19,7% para 26,4% nos mesmíssimos recortes. Outro que apresenta crescimento entre jovens é o São Paulo, com 15,3% da torcida na primeira faixa etária. Diferente de Palmeiras, Santos e Guarani, times que possuem sua maioria entre indivíduos acima de 45 anos. Mas a surpresa aqui é o Flamengo. Com 4,9% entre 18 e 24, os rubro-negros ultrapassam Peixe e Bugre e se solidificam como a quinta maior torcida entre jovens de Campinas.

Por escolaridade:

Fig 04

Novamente o destaque vai para os ponte pretanos, maiores entre os mais escolarizados: 20,2% dos que possuem diploma de nível superior. A primazia do Corinthians ocorre no nível médio, onde detém 23,9% das preferências. Surpreendentemente, são paulinos se concentram entre pessoas com nível fundamental (10,5%). Há bem mais torcedores do Guarani com nível superior (4,8%) do que fundamental (2,8%).

Finalmente, por renda:

Fig 05
Clique para ampliar

Importante esclarecer que, numa pesquisa com 800 pessoas, são poucos os entrevistados a se enquadrarem nas duas faixas de renda mais alta (entre R$ 6.781 e R$ 13.560 e acima disto). Percebam que o último recorte teve apenas 12 respondentes: quatro corintianos, três ponte pretanos, um são paulino, um vascaíno e três “nenhum”. Trata-se de um quantitativo sobre o qual, estatisticamente, nada se pode auferir. Enquanto isto, as três primeiras faixas aparentam abranger um número mais seguro de entrevistados. Sendo assim, corintianos, são paulinos e bugrinos se concentrariam em meio a pessoas com menor poder aquisitivo (até R$ 1.356), direção oposta à da Ponte Preta e seus 26,2% de torcedores de renda média-alta.

Um grande abraço e saudações!

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Match Day: Portugal x Argentina (Engenhão)

Fig 0

Fig 01

Após uma primeira rodada de partidas válidas pelo torneio de futebol feminino, eis que o Rio viveu sua primeira grande e real experiência olímpica na noite de quinta. Foi quando a seleção portuguesa bateu a Argentina por 2 x 0, num Estádio Olímpico João Havelange bem próximo de sua lotação. Embora o público total não tenha sido divulgado, é provável que ele tenha se aproximado do dobro dos 27 mil torcedores que foram ao confronto das meninas de Brasil e China, ocorrido na véspera.

Por se tratar de uma análise de match day, diferente das visitas promovidas pelo Blog Teoria dos Jogos no Parque Olímpico, nosso passeio começa bem antes. Apesar das imerecidas críticas, o Engenhão é um estádio relativamente bem localizado: às margens de uma via arterial (Linha Amarela) e com uma estação de trem à sua porta. Por permitir o teste sobre as melhorias promovidas no transporte público carioca, a última foi a opção escolhida para chegarmos até o local.

Apesar do sistema de trens metropolitanos ser confuso em suas integrações com o metrô, tudo se facilita quando descobrimos exatamente o que fazer. Assim, o caminho da estação Maracanã (que interliga os dois modais) até a estação Engenho de Dentro transcorreu de maneira rápida e sem sustos. Como chegamos durante o primeiro tempo, não foi possível saber o quão ordeira foi a chegada dos espectadores. Já a ampla e revigorada estação de trem desemboca numa bela espécie de boulevard, que torna irreconhecível a comparação com as antigas e depreciadas margens do Engenhão. Como tudo o que envolve as obras de revitalização urbana do Rio, esta também ficou excelente.

 

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Antes, porém, muitos homens da Força Nacional promoviam revistas minuciosas, e não eram poucos aquelas (ou aquelas) que precisavam se desfazer de vidros de perfume por se tratarem de volumes proibidos para entrada nas venues.

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Em seus corredores internos, o Engenhão segue sendo um estádio simples, correto e sem luxo. Chamou atenção o fato de estar “vazado”, ou seja, mesmo quem tinha ingressos para os setores Norte ou Sul (atrás dos gols) poderia livremente se locomover até os setores Leste e Oeste, mais centrais. Quanto aos serviços de alimentação, havia muitos pontos de venda, mas todos bastante lotados – incluindo no intervalo do jogo.

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Nas arquibancadas, um clima agradável e ordeiro, que pouco se aproxima do verificado em embates envolvendo times brasileiros. Excessivamente familiar, a atmosfera se mostrou um tanto morna, lembrado a dos Jogos da Copa de 2014. Quanto ao estádio em si, pode-se dizer que o Engenhão atingiu o auge de sua forma para estas Olimpíadas.

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O antigo telão do estádio deixou de ser utilizado, em detrimento de um novo e espetacular equipamento em alta definição.

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Muito da imponência do novo Engenhão ocorre por conta de sua temporária ampliação em 15 mil assentos. Sendo ele o Estádio Olímpico, onde acontecerão competições de atletismo, demandou-se um número maior de lugares, que vieram através de estruturas tubulares instaladas por sobre os setores Norte e Sul. Ao contrário de alguns “tubulões” metálicos vistos por aí, estes se mostraram consistentes e seguros.

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Após uma jornada que culminou em vitória portuguesa por 2 x 0, os acessos à estação de trem foram surpreendentemente ordeiros e sem qualquer tipo de atravanco. Seguindo assim, a experiência dos que mal podem esperar por Usain Bolt em ação será agradável. Isto num estádio cujo entorno, ainda há pouco, envergonhava pela desestrutura e falta de conservação. Ponto para as Olimpíadas.

Um grande abraço e saudações!

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Pérolas das venues – parte 1

A um dia da abertura oficial dos Jogos Olímpicos Rio 2016 – um vez que o futebol feminino já inaugurou, na prática, o evento – o Blog Teoria dos Jogos vem brindar sua audiência com um primeiro passeio entre as principais venues do Parque Olímpico. Tratam-se dos estádios, arenas e equipamentos onde desfilarão alguns dos mais extraordinários e talentosos atletas do mundo esportivo.

CENTRO OLÍMPICO DE TÊNIS

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Como já foi dito anteriormente, o Parque Olímpico da Barra pecou pela falta de natureza e cor em suas venues – algo que só veio a ser remediado através da iluminação inaugurada quando a Rede Globo transferiu boa parte de sua programação para os estúdios ali localizados. De dia, a sensação de falta de vida faz com que o Centro Olímpico de Tênis seja, de longe, o equipamento que mais se destaca. Com lâminas externas metálicas em amarelo e laranja, os assentos das arquibancadas acompanham esta belíssima composição, passando a sensação de fogo, aquecimento e vibração.

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Entretanto, a beleza do visual não encontra paralelo com o acabamento das áreas internas, das mais simplórias já visitadas. Os vestiários são tão simples quanto os de qualquer clube, enquanto salas de fisioterapia e corredores se apertam entre escadarias e paredes de concreto exposto.

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Do lado de fora, arquibancadas temporárias permitirão que 5 mil e 3 mil pessoas assistam às partidas nas quadras 2 e 3. O benefício de atuar diante de 10 mil pessoas na quadra central será definitivamente para poucos.

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ARENA OLÍMPICA

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Antigo HSBC Arena, a atual Arena Olímpica se destaca pelo fato de já estar pronta desde os Jogos Panamericanos de 2007. Testada e aprovada pelos cariocas em eventos com UFC, finais de basquete e shows diversos, a Arena alinha com a vizinhança pela beleza de suas arquibancadas, junto a uma simplicidade bem mais aceitável de seus corredores e acessos. Neste sentido, o padrão é bastante superior ao do Centro de Tênis. Preparada para receber as competições de ginástica, a Arena Olímpica apresenta um potente sistema de refrigeração, privilégio que nossa próxima avaliada não possui.

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ESTÁDIO OLÍMPICO AQUÁTICO

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A venue que receberá feras da envergadura de Michael Phelps se notabiliza por suas contradições. Mostra-se racional, numa estrutura que após os jogos será desmontada –e até por isso, em boa parte das arquibancadas se sente caminhar por sobre uma espécie de tablado. Em direção oposta, milhares de seus assentos são de visão comprometida, tudo por conta de quatro gigantescas estruturas de pilastras. Outra coisa que não funcionou foi a espécie de “tela” externa, com figuras que remetem ao universo aquático. De dia, aparenta uma malha de tecido encardida. À noite, a iluminação azul alinha com assentos da mesma cor, numa relaxante antítese na comparação ao ardente Centro Olímpico de Tênis.

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Trata-se de uma marca registrada da Rio 2016: arenas simples e funcionais, com estruturas internas espartanas e fachadas sem rebuscamento, contrastando com arquibancadas belíssimas e equipamentos de última geração. Nos próximos dias, o Blog Teoria dos Jogos retomará estas análises – já com as arenas em funcionamento. Passaremos pelas fabulosas Arenas Cariocas, pelo Velódromo e pela Arena do Futuro.

Um grande abraço e saudações!

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