Arquivos mensais: novembro 2016

Ajustando expectativas contra o maior jejum em 20 anos

Muito já se falou a respeito do processo de resgate da credibilidade do Clube de Regatas do Flamengo, assim como o que vem a reboque: fortalecimento das finanças, modernização da estrutura física, implantação de preceitos de governança, etc. No fim das contas, os objetivos daqueles que defendem a austeridade convergem até com o intuito dos mais irresponsáveis: vencer. Conquistar títulos. E recolocar o Flamengo na trilha dos mais vitoriosos do Brasil e da América do Sul.

Completadas quatro temporadas da administração Eduardo Bandeira de Mello, já se pode fazer um balanço acerca das metas atingidas. Sem sombra de dúvidas, positivo: o Flamengo não apenas equacionou seu passivo como elevou sobremaneira o faturamento, fazendo com que, pela primeira vez, a relação receita/dívida se tornasse unitária. O que, pouco a pouco, liberou recursos para investimentos no futebol, culminando na montagem de um elenco competitivo e na terceira/segunda colocação ao final do Brasileiro 2016. Nada mal.

O problema é a outra face da moeda. Ouve-se desde 2013 que “ano que vem tem tudo para ser o ano do Flamengo”. Nesta toada, o clube vem se aproximando perigosamente de uma estatística pra lá de negativa. Após dois títulos nos dois primeiros anos deste mandato (2013 e 2014), o Rubro Negro fecha o biênio 2015-2016 sem levantar nenhuma taça. Caso as boas expectativas para 2017 não se confirmem, o clube igualará uma sequência sem títulos que só teve paralelo há 20 anos, quando o Estadual-1996 interrompeu seca que durava desde 1993. Vejamos:

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OBS: Apenas títulos de torneios oficiais e relevantes foram considerados

A questão é que o Flamengo é um clube diferente, desacostumado a passar sem títulos mesmo nos piores momentos institucionais ou financeiros. Corinthians, Botafogo, Palmeiras e Grêmio, por exemplo, viveram extraordinárias secas que variaram (ou ainda variam) entre uma e duas décadas. Já o Fla não costuma passar de dois anos. O ritmo se manteve até na década mais vitoriosa: aprofundando a retrospectiva, veremos outras duas estiagens: 1984-85 e 1988-89. Um 2017 sem títulos, portanto, remeteria o Flamengo aos tempos de vacas magras das décadas de 60 e 70, quando passava longe de fazer frente aos principais adversários.

Preocupa o fato de a maior parte do investimento planejado para 2017 ter sido adiantado, muito para contratar atletas que não se firmaram como Donatti, Cuellar ou Mancuello. Por outro lado, boas aquisições como Alex Muralha e Diego podem se somar a outras, cirúrgicas, que devem ser feitas visando compor os 11 principais. Além do mais, desde a assunção de Bandeira & Cia, era exatamente 2017 o ano mirado como ponto de inflexão nas potencialidades do clube.

De renomada competência financeira e jurídica, mas tida como frágil no gerenciamento do futebol, esta diretoria terá, a partir de 2017, a chance de reescrever sua história dentro dos gramados. Tendo a Libertadores como meta – após dois anos consecutivos fora, algo que não aconteceu após a conquista da Copa do Brasil em 2006. Sendo assim, pela primeira vez o Flamengo disputará a principal competição do continente com elenco digno de sua robustez financeira. Desculpas, definitivamente, não serão mais aceitas.

Um grande abraço e saudações!

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A Pesquisa da Vez: Campinas 2016 – Tira teima EXCLUSIVO

Detalhamento da pesquisa;

Localidade: Campinas/SP, em 20 de setembro de 2016

Instituto: GPP (www.gpp.com.br)

Amostra:  601 entrevistados

Margem de erro: 4 p.p

Nós avisamos que costumava dar problema. Em coluna postada no dia 29/09/2016, trouxemos as tabulações exclusivas de uma pesquisa do Instituto Pró Pesquisa contendo a configuração de torcidas da cidade de Campinas. No texto, advertíamos para o fato de profissionais da área evitarem a cidade, dadas as enormes polêmicas que por lá se alavancavam. Foi exatamente o que aconteceu. A ponto de a diretoria do Guarani, indignada com a enorme disparidade com relação à Ponte Preta, se insurgir contra a pesquisa e sua contratante – a Brasil Kirin, patrocinadora da rival. A polêmica chegou ao ponto de incitarem a torcida a não consumir produtos da empresa, detentora da marca Schincariol no Brasil. As coisas em Campinas não são fáceis.

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A razão da controvérsia foram os números que atribuíram ao Bugre apenas 3,4% da torcida na cidade. Menos do que Santos (4,2%), Palmeiras (7,9%), São Paulo (9,7%), Corinthians (21,7%)… e o pior, menos do que a Macaca e seus 19,8%. Eis o drama: uma Campinas com quase seis vezes mais torcida da Ponte diante do Guarani.

Como dizia o poeta – e exacerbando sua conotação automobilística – carreras son carreras. Um sem número de razões pode justificar os números de uma pesquisa, desde elementos metodológicos e amostrais, até a margem de erro ou outros fatores. Fato é que, diante do ocorrido, o Blog Teoria dos Jogos solicitou ao seu principal parceiro histórico – o Instituto GPP, com escritório em Campinas – um tira-teima das torcidas na cidade. Fomos atendidos. E anunciamos os tão aguardados resultados:

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Por ora, ignoremos os resultados globais, pois fica difícil não direcionar o foco à dicotomia Ponte-Guarani. Diferente dos números a pesquisa anterior, o GPP aponta uma Ponte Preta menos de duas vezes maior do que o Guarani: 12,1% para a Macaca, 6,3% para o Bugre. Números que, ainda assim, deixam evidente a preponderância do clube em décadas recentes. Ao mesmo tempo, o Guarani teria números nada desprezíveis na comparação com as demais torcidas da cidade. De fato, pela ótica do GPP, elem seriam seria a quarta maior torcida, à frente de Flamengo (3,1%), Palmeiras (5,6%) e Santos (6,1%). Ainda assim, atrás do São Paulo (11,6%) e do Corinthians (20,7%).

Além de sacramentar a hegemonia do alvinegro do Parque São Jorge, os números trariam apenas uma reversão significativa: o Santos à frente do Palmeiras. Nunca devemos, no entanto, esquecer da margem de erro que coloca os rivais em situação de empate técnico. Fora isto, podemos destacar: 1) a semelhança dos números da Pró Pesquisa na comparação com o GPP para todos os times que não Ponte e Guarani – com variações sempre inferiores a dois pontos percentuais; 2) a razoável posição ocupada pelo Flamengo na pesquisa GPP, em percentual atribuído pela Pró Pesquisa ao próprio Guarani.

Feitas estas análises, vamos aos resultados por gênero, faixa etária, escolaridade e renda:

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Observando a distribuição por sexo, vemos que apenas São Paulo e Flamengo possuem mais mulheres do que homens em seus quadros. Dentro do universo masculino, o Corinthians amplia a vantagem perante a Ponte, indo a 24,3% contra 15,4% da Macaca. Ainda em meio a eles, o Tricolor do Morumbi atinge 10,2% e o Santos surpreende ao ultrapassar o Guarani (8,8% a 8,6%).

Por idade:

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Aqui, não restam dúvidas: a juventude campineira é corintiana e são paulina. Dentre aqueles de 16 a 24 anos, a dupla marca expressivos (e respectivos) 30,2% e 18%. Tanto Ponte quanto Guarani atingem seu auge na faixa de 35 a 44 anos (17,6% e 9,1%). Daí até os mais jovens, o enfraquecimento é flagrante – especificamente para o Guarani (3,5%), superado pelo Santos (4,8%) e até pelo Flamengo (3,8%). Ao lado do Bugre e do Peixe, o Palmeiras perde força à medida com as torcidas se renovam.

Por instrução:

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O maior crescimento entre torcedores com nível superior pertence ao Guarani. O Bugre, que nos números globais marca 6,3%, sobe a 12,1% entre os mais escolarizados. As únicas massas a também crescerem neste recorte são as de Ponte (14,7%) e São Paulo (12,3%).

Por poder aquisitivo:

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Aqui, um fenômeno semelhante ao da análise anterior: crescimento de Ponte e Guarani entre os mais ricos. De 9,1% entre aqueles que recebem menos e um salário-mínimo, a Ponte salta para 21,2% entre os que percebem mais de cinco salários. Constitui-se, assim, como torcida de maior capacidade financeira em Campinas. O Guarani vai de 2,3% a 7,2%. Em direção oposta, Corinthians (26,7%) e São Paulo (14,7%) tem amplo predomínio em meio aos mais pobres.

Um grande abraço e saudações!

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A Pesquisa da Vez: Belo Horizonte 2016 (Instituto Giga vs Datafolha)

Como costuma acontecer a cada dois anos, o período eleitoral deixou algumas preciosidades como externalidades positivas, de carona nas inúmeras pesquisas eleitorais contratadas e divulgadas ao longo dos últimos meses. Talvez pelo perfil de sua disputa – envolvendo um ex-goleiro e um ex-presidente do Clube Atlético Mineiro – Belo Horizonte acabou agraciada com pesquisas que elaboravam o cruzamento da preferência clubística com as intenções de voto. Após ter acesso às pesquisas de dois diferentes institutos, o Giga e o Datafolha, o Blog Teoria dos Jogos vem a público promover uma comparação entre seus números, a fim de melhor compreender a paixão dos belorizontinos por seus clubes.

Primeiramente, vamos ao serviço da pesquisa do Instituto Giga, realizada antes do primeiro turno do pleito na capital. Lembrando que suas tabulações foram feitas de maneira exclusiva e a pedido do Blog.

Localidade: Belo Horizonte/MG, entre 23 e 25 de setembro de 2016

Instituto: Giga

Amostra:  600 entrevistados

Margem de erro: 4 p.p

Já a pesquisa Datafolha foi a campo há algumas semanas, no contexto do segundo turno das eleições:

Localidade: Belo Horizonte/MG, em 25 de outubro de 2016

Instituto: Datafolha

Amostra: 1.119 entrevistados

Margem de erro: 3 p.p

NÚMEROS GERAIS

Instituto Giga

fig-01

Datafolha

fig-02

Percebam que a ordem de grandeza dos números apresentados pelos institutos varia, mas não o ordenamento entre as torcidas. Isto significa que, para ambos, o Cruzeiro detém a maioria na capital (36% segundo o Giga, 40% de acordo com o Datafolha), seguido do Atlético (33% e 38%, respectivamente). Nos dois casos, Raposa e Galo se encontram em empate técnico, justificando pesquisas anteriores que deram maioria apertada ao Atlético. Para ambos, a terceira torcida é a do América, que converge a 2% das preferências. Segundo o Giga, “Outros clubes” somam 5%, superiores aos 3% do Datafolha (onde o Flamengo é tido como detentor de 1%). Contudo, quando separa as preferências segundo os distritos do município, os números do Instituto Giga passam a se assemelhar aos da concorrente:

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Barreiro e Venda Nova não são exatamente bairros, mas sim distritos de Belo Horizonte. Outrora afastados, hoje se encontram conurbados à metrópole, sem maiores diferenciações com relação aos bairros da capital. Não se sabe exatamente quantas entrevistas foram feitas em cada um (suas populações são bastante inferiores), mas o fato é que os 10% de “Outros” em Venda Nova acabaram enviesando a amostra. Isolando-se apenas as entrevistas em Belo Horizonte, o ranking fica: Cruzeiro (35%), Atlético (34%), América (2%) e Outros (3%). Aí, a diferença fundamental acaba recaindo sobre o percentual de pessoas sem clube. No Datafolha elas são apenas 16%, mas no Instituto Giga batem 24% – algo que certamente tem relação com diferenças metodológicas adotadas pelas empresas.

Em resumo: Cruzeiro e Atlético possuem torcidas em escala quase idêntica na capital, com leve tendência a favor do clube celeste. Ainda em se tratando de Belo Horizonte, o América supera Flamengo e Corinthians, que só vem a fazer real diferença por conta do tamanho de suas torcidas no interior do estado.

POR SEXO

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Temos aqui um descolamento com relação ao que dizem as duas pesquisas. Segundo o Instituto Giga, o número de homens cruzeirenses seria muito maior do que o de atleticanos, sendo o fiel da balança após o equilíbrio nas preferências femininas. Já de acordo com o Datafolha, o equilíbrio é permanente, com o Cruzeiro superando o Atlético por dois pontos percentuais em ambos os gêneros. Mas há um ponto em comum: a existência de um número muito maior de torcedores de outros clubes no universo masculino. Segundo o Giga, eles somariam 7%, enquanto o Datafolha indica 6% (sendo 1% de Flamengo e 1% de Corinthians).

Em resumo: os homens de BH, ainda que majoritariamente torcedores de Galo e Raposa, tem maior tendência a optarem por clubes de fora do que as mulheres da cidade.

POR IDADE

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De um modo geral, as duas pesquisas mostram o Cruzeiro maior entre jovens e o Atlético superior entre pessoas com mais idade. Mas isto só acontece de maneira geral, pois existem pontualidades em direções contrárias. Por exemplo, segundo o Instituto Giga, o Galo supera a Raposa entre os mais jovens (42% a 35%), num movimento mais do que compensado pela esmagadora maioria cruzeirense na segunda faixa etária (52% a 26%). Já o Atlético teria mais torcida em duas das três faixas acima dos 35 anos. Enquanto isto, as estatísticas do Datafolha são mais cristalinas, apontando o Cruzeiro sempre maior nas faixas de 16/24 e 25/34 anos. No entanto, nas três faixas com mais idade, o Galo é maior em uma (35 a 44) e a Raposa em outra (mais de 60), havendo empate no recorte de 45 a 59 anos (40% a 40%). América e Flamengo são maiores entre os mais velhos, ao passo que o Corinthians “surge” entre a garotada.

Em resumo: A torcida do Cruzeiro é maior entre os mais jovens.

POR RENDA

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Aqui, a estatística onde menos recaem dúvidas. Tanto Giga quanto Datafolha concordam que, até cinco salários-mínimos, a torcida do Cruzeiro é sempre maior do que a do Atlético. De 5 a 10 salários, o Giga aponta empate (41% a 41%), enquanto o Datafolha já identifica ultrapassagem alvinegra (44% a 41%). Acima de 10 salários, o Galo dispara: 38% a 33% no Giga, 47% a 38% no Datafolha.

Em resumo: A torcida do Atlético possui, sem sombra de dúvidas, maior potencial de renda do que a do Cruzeiro.

Um grande abraço e saudações!

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