Arquivos mensais: dezembro 2016

As maiores rendas da história – versão final 2016

Terminada outra temporada, vamos à tradicional atualização das maiores rendas da história do futebol brasileiro. A maioria das novidades envolve partidas da Seleção válidas pelas Eliminatórias da Copa de 2018. 

RANKING EM JOGOS ENTRE CLUBES

1) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia-PAR – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda:  R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013;

2) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013;

3) Grêmio 2 x 1 Hamburgo-ALE – Arena do Grêmio (RS) – 08/12/2012 – Público: 46.969 – Renda: R$ 8.599.614,00 – Amistoso;

4) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014;

5) São Paulo 0 x 2 Atlético Nacional-COL – Morumbi (SP) – 06/07/2016 – Público: 61.766 – Renda: R$ 7.526.480,00 – Semifinal Libertadores 2016;

6) Santos 0 x 0 Flamengo – Mané Garrincha (DF) – 26/05/2013 – Público: 63.501  – Renda: R$ 6.948.710,00 – Brasileirão 2013;

7) Atlético-MG 4 x 3 Lanús-ARG – Mineirão (MG) – 23/07/2014 – Público: 54.786 – Renda: R$  5.732.930,00 – Recopa 2014;

8 ) Palmeiras 2 x 1 Santos – Allianz Parque (SP) – 02/12/205 – Público: 39.660 – Renda: R$ 5.336.631,25 – Final Copa do Brasil 2015;

9) Cruzeiro 3 x 0 Grêmio – Mineirão (MG) – 10/11/2013 – Público: 56.864 – Renda: R$ 5.231.711,00 – Brasileirão 2013;

10) Grêmio 1 x 1 Atlético-MG – Arena do Grêmio (RS) – 07/12/2016 – Público: 55.337 – Renda: R$ 5.105.964,00 – Final Copa do Brasil 2016

Obs1: Partidas recém incluídas no ranking aparecem em negrito.

Obs2.: Os valores expressam a renda bruta de partidas na história recente do nosso futebol, não sendo corrigidos pela inflação. O objetivo deste levantamento é justamente a comparação intertemporal de valores, evidenciando a majoração dos preços ao longo dos anos 

Apenas uma partida adentrou a lista, justamente ocupando a décima e última colocação: o segundo jogo da final da Copa do Brasil, que consagrou o Grêmio como maior campeão do torneio. Agora, futuras postulantes precisam ultrapassar a marca dos R$ 5 milhões em bilheteria. Temos ainda dois jogos do Grêmio no ranking, sendo excluído um do Palmeiras, válido pela inauguração do Allianz Parque.

Em jogos do Brasil, incríveis novidades:

RANKING EM JOGOS DA SELEÇÃO

1) Brasil 3 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 10/11/2016 – Público: 53.490 – Renda: R$ 12.726.250,00 – Eliminatórias Copa 2018

2) Brasil 1 × 0 Sérvia – Morumbi (SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$8.693.940,00 –Amistoso

3) Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso;

4) Brasil 3 x 0 França – Arena do Grêmio (RS) – 09/06/2013 – Público: 51.643 – Renda: 6.833.515,00 – Amistoso;

5) Brasil 2 x 0 México – Allianz Parque (SP) – 07/06/2015 – Público: 34.659 – Renda: R$ 6.737.030,00 – Amistoso;

6)  Brasil 0 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 18/06/2008 – Público: 52.527 – Renda: 6.605.255,00 – Eliminatórias Copa 2010;

7) Brasil 2 x 1 Colômbia – Arena da Amazônia (AM) – 06/09/2016 – Público: 36.609 – Renda: R$ 5.840.500,50 – Eliminatórias Copa 2018

8 ) Brasil 2 x 2 Uruguai – Arena Pernambuco (PE) – 25/03/2016 – Público: 43.898 – Renda: R$ 4.961.890,00 – Eliminatórias Copa 2018;

9)  Brasil 1 x 0 Romênia – Pacaembu (SP) – 07/06/2011 – Público: 30.059 – Renda : R$ 4.357.705,00 – Amistoso;

10)  Brasil 4 x 2 Chile – Pituaçu (BA) – 09/09/2009 – Público: 30.370 – Renda: R$ 4.350.425,00 – Eliminatórias Copa 2010;

Em 2016, vivenciamos nada menos que a maior renda da história de uma partida da Seleção Brasileira. Ela aconteceu em altíssimo estilo, na goleada sobre a Argentina, ocorrida no Mineirão. Trata-se do segundo Brasil x Argentina em solo belorizontino a integrar o ranking de maiores rendas. A vitória sobre a Colômbia, transcorrida da Arena Amazônia, também serviu para colocar a região norte do país no mapa. E por muito pouco uma outra goleada – 5 x 0 sobre a Bolívia, na Arena das Dunas – também não integrou a lista, mas a renda de R$ 4.307.145,00 bateu na trave. É cada vez menor o número de pertencentes ao ranking anteriores à “era das arenas” (a partir de 2013).

No agregado:

RANKING AGREGADO (SELEÇÃO + CLUBES)

1) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia-PAR – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda: R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013;

2) Brasil 3 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 10/11/2016 – Público: 53.490 – Renda: R$ 12.726.250,00 – Eliminatórias Copa 2018;

3) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013;

4) Brasil 1 × 0 Sérvia – Morumbi (SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$ 8.693.940,00 – Amistoso

5)  Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso;

6) Grêmio 2 x 1 Hamburgo-ALE – Arena do Grêmio (RS) – 08/12/2012 – Público: 46.969 – Renda: R$ 8.599.614,00 – Amistoso;

7) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014;

8 ) São Paulo 0 x 2 Atlético Nacional-COL – Morumbi (SP) – 06/07/2016 – Público: 61.766 – Renda: R$ 7.526.480,00 – Semifinal Libertadores 2016;

9)  Santos 0 x 0 Flamengo – Mané Garrincha (DF) – 26/05/2013 – Público: 63.501 – Renda: R$ 6.948.710,00 – Brasileirão 2013;

10)   Brasil 3 x 0 França – Arena do Grêmio (RS) – 09/06/2013 – Público: 51.643 – Renda: 6.833.515,00 – Amistoso;

Apenas o jogo do Mineirão entrou para este ranqueamento, fazendo do estádio Governador Magalhães Pinto líder e vice-líder na estatística. Quanto aos preços médios:

MAIORES TICKETS MÉDIOS DA HISTÓRIA

1) Atlético-MG 2 x 0 Cruzeiro – Independência (MG) – 12/11/2014 – Público: 18.578 – Renda: R$ 4.741.300,00 – Final Copa do Brasil 2014 – Ticket: R$ 255

2) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia-PAR – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda:  R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013 – Ticket: R$ 250; 

3) Brasil 3 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 10/11/2016 – Público: 53.490 – Renda: R$ 12.726.250,00 – Eliminatórias Copa 2018 – Ticket: R$ 238;

4) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014 – Ticket: R$ 197

5) Brasil 2 x 0 México – Allianz Parque (SP) – 07/06/2015 – Público: 34.659 – Renda: R$ 6.737.030,00 – Amistoso – Ticket: R$ 194;

6) Grêmio 2 x 1 Hamburgo-ALE – Arena do Grêmio (RS) – 08/12/2012 – Público: 46.969 – Renda: R$ 8.599.614,00 – Amistoso de inauguração – Ticket: R$ 183

7) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013 – Ticket: R$ 167;

8 ) Brasil 2 x 1 Colômbia – Arena da Amazônia (AM) – 06/09/2016 – Público: 36.609 – Renda: R$ 5.840.500,50 – Eliminatórias Copa 2018 – Ticket: R$ 159;

9) Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso – Ticket: R$ 150;

10) Brasil 1 x 0 Romênia – Pacaembu (SP) – 07/06/2011 – Público: 30.059 Renda: R$ 4.357.705,00 – Amistoso–Ticket: R$ 145;

Pertence a Belo Horizonte as quatro primeiras colocações, denotando espantoso poder aquisitivo associado à brutal propensão ao consumo de futebol por parte da cidade mineira. Verdadeiramente, a capital econômica das bilheterias.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

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OPINIÃO: Da devastação ao auge em dois atos

 

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Os últimos dias reservaram para nós, brasileiros, uma sequência de tragédias e superações que nem de longe imaginaríamos enfrentar. Na madrugada de terça-feira, o impacto de um avião lotado de sonhos e esperanças ceifou a vida de um time de futebol inteiro, numa colina próxima a Medellín. Levando junto seu corpo técnico e diretivo, além de mais de 20 jornalistas, renomados e anônimos, experientes e iniciantes. No total, incluídos os tripulantes bolivianos (país de origem da aeronave), foram ceifadas 71 vidas.

Dos destroços, se fizeram o primeiro gigante: a Associação Chapecoense de Futebol. Agremiação de existência recente, não tanto quanto a guinada que levou à sua ascensão meteórica. A caminho da Colômbia, jogaria a primeira final continental de sua história. Mais: da história de Santa Catarina – denotando importância não apenas para uma cidade, hoje em destroços, como para toda a região. Ou mesmo para o país, simpáticos que sempre fomos ao “Verdão do Oeste”.

O desaparecimento da Chape, agora sem elenco para jogar, ironicamente fez dela o maior clube do planeta. Vide as homenagens mundo afora, vindas dos maiores ídolos, das principais equipes e suas ligas. A imprensa estrangeira, em linha com a nacional, passou a só falar da Chapecoense, vítima da pior tragédia da história de uma equipe esportiva.

Das lágrimas, um oceano de afeto. E desta solidariedade – que gerará ajuda financeira e imunidade competitiva aos guerreiros Condá – surgiram os maiorais. Únicos conseguirem a façanha de unir este universo de rancores e intolerâncias chamado futebol.

Pois não é que apenas dois dias depois, a devastação deu lugar ao auge? Sim, o auge. O auge da humanidade neste ano nefasto, marcado por tragédias, conflitos e maracutaias. Marcado por tanto deboche. O apogeu se deu pelas mãos colombianas, um país que se viu envolvido numa tragédia sem perder nenhum sequer dos seus. Mas que se dedicou sobremaneira ao resgate e tratamento das vítimas. O auge se deu também através das mãos da torcida do Atlético Nacional de Medellín – representando e representado por todo o povo colombiano. Responsáveis que foram pelo mais emocionante tributo já prestado ao Brasil em 516 anos de existência.

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A homenagem aconteceu no estádio Atanasio Girardot, no exato momento em que aconteceria a primeira partida da final da Copa Sulamericana entre Atlético e Chapecoense. Uma quantidade fenomenal de pessoas lotou não somente as arquibancadas como as avenidas no seu entorno. Todas de branco, orando e cantando a Chapecoense. Prestando louvor aos que se foram. E exaltando o Brasil – sim, o Brasil. Tido por eles como espelho e referência em muitos dos inúmeros discursos emocionados.

Deste espetáculo de amor e compaixão, fez-se o segundo maior time do mundo: o Atlético Nacional de Medellín, coincidentemente verde como os nossos. E desde então, ocupante de um espacinho no coração de milhões de brasileiros que jamais imaginariam ser confortados assim, de maneira tão genuína e espontânea.

A partir de agora, os dois gigantes seguem caminhos opostos: o Atlético, rumo ao topo, ao Mundial de Clubes – campeão da Libertadores que é. Já a Chape, a caminho de uma reconstrução que pode e deve ser assumida por cada um de nós. Em comum a ambos, uma ligação, agora visceral, umbilical. E eterna.

Se formos inteligentes, extrairemos destes episódios lições das mais valiosas. A cumplicidade, o amparo e o respeito, renegando rixas, rancores e toda sorte de violências. Ainda que haja uma Floresta Amazônica separando a si dos coirmãos. Nobres ensinamentos dos nossos inesquecíveis amigos colombianos.

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com