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Até onde pode chegar o Botafogo?

Se o leitor imaginou, à pergunta do título, responder algo relacionado ao desempenho de Camilo, Montillo ou Pimpão, se equivocou. Embora a participação do Botafogo na Libertadores enseje sonhos maiores, a pergunta se refere a algo diferente – ainda que com total relação. Não ao número de gols, mas aos números de audiência do time da Estrela Solitária no torneio. Que vem sendo surpreendentemente altos.

Há três semanas, o clube de General Severiano inaugurou a temporada de grandes jogos num embate contra o Colo Colo no Engenhão que marcou 27 pontos de audiência com 43% de share. Desde então, a audiência – que já começou boa – só fez subir, seja em números absolutos ou relativos. O segundo jogo contra os chilenos marcou 28 pontos com 43%. Já a partida contra o Olímpia manteve a pontuação, subindo a participação para 45%.

Tratam-se de números consideráveis em se tratando do histórico de audiências do Botafogo. Que o torcedor não se engane: se, ao longo dos últimos anos, o clube teve bem menos partidas transmitidas do que a concorrência, isto está relacionado aos números entregues pelo próprio Alvinegro. O mercado não rasga dinheiro, afinal. Não haveria “queridinhos” nem “relegados” se as escolhas não fossem baseadas na capacidade de se comunicar com um público maior – auferindo retorno aos anunciantes.

Temos aí, portanto, duas teses a serem comprovadas: a de que os números do Botafogo foram historicamente piores e a de que a Libertadores de 2017 surge como promissora exceção. Para comprová-las, o Blog Teoria dos Jogos decidiu recorrer ao seu acervo de audiências televisivas que remete ao ano de 2013. Os números expostos a seguir se referem às audiências em TV aberta (Globo ou Globo + Band, quando foi o caso). Vejamos:

2013 (Botafogo campeão estadual)

16 jogos do Botafogo transmitidos ao longo da temporada: 6 pelo Estadual, 3 pela Copa do Brasil e 7 pelo Brasileirão. Audiência média de 22,7 pontos com 45%.

5 clássicos: Audiência média de 28,4 pontos com 54%

11 jogos regulares: Audiência média de 20,1 pontos com 39%

2014 (Botafogo rebaixado à Série B)

13 jogos do Botafogo transmitidos ao longo da temporada: 1 pelo Estadual, 3 pela Libertadores e 9 pelo Brasileirão. Audiência média de 17,8 pontos com 37%

1 clássico: Audiência de 19 pontos com 46%

12 jogos regulares: Audiência média de 17,6 pontos com 37%

2015 (Botafogo finalista estadual e Série B)

9 jogos do Botafogo transmitidos ao longo da temporada: 6 pelo Estadual e 3 pela Copa do Brasil. Audiência média de 22,7 pontos com 44%

4 clássicos: Audiência média de 27,5 pontos com 53%

5 jogos regulares: Audiência média de 18,8 pontos com 37%

2016 (Botafogo finalista estadual)

14 jogos do Botafogo transmitidos ao longo da temporada: 5 pelo Estadual e 9 pelo Brasileirão. Audiência média de 20,8 pontos com 40%

5 clássicos: Audiência média de 24,4 pontos com 47%

9 jogos regulares: Audiência média de 18,9 pontos com 36%

Para termos a exata noção do que representam os números de 2017, é preciso olhar para os “jogos regulares” dos anos anteriores. São os jogos do Botafogo contra equipes de fora do Rio de Janeiro, supostamente só de interesse dos botafoguenses. Isto porque clássicos possuem, naturalmente, uma expressiva audiência da torcida rival – em especial nos embates contra as maiores. Ainda que uma partida válida pela Libertadores tenha o chamariz de atrair interesse adversário, existe uma última estatística que sacramenta o sucesso atual:

Jogos do Botafogo na Libertadores 2014

3 jogos: Audiência média de 21,3 pontos com 41%

Jogos do Botafogo na Libertadores 2017

3 jogos: Audiência média de 27,7 pontos com 44%

Em resumo: nos últimos anos o Botafogo nunca ultrapassou a média de 20,1 pontos de audiência com 39% de participação em partidas que não envolvessem seus rivais. Neste sentido, as audiências de 2017 são 38% superiores ao histórico das últimas quatro temporadas. Já na comparação com 2014 – a mesmíssima Libertadores de agora – os números vem se saindo 30% maiores.

Sendo assim, retornamos à pergunta original: até onde pode chegar o Botafogo? Caso a equipe siga se superando e indo longe no torneio, é possível auferir audiências ainda mais robustas? As más campanhas recentes em torneios que não o Estadual nos impedem de saber a resposta. Desde 2013, o melhor do Botafogo foram 33 pontos com 52%, mas era um jogo de quartas-de-final da Copa do Brasil contra o Flamengo. Em não-clássicos, o pico foi um Atlético-MG x Botafogo, válido pelo Campeonato Brasileiro de 2013: 25 pontos com 41%.

Por fim, um paralelo com os rivais talvez traga referências que interessam aos alvinegros. Não tanto pelo Vasco, pois nem o bi-campeonato carioca superou a audiência daquela eliminação diante do Flamengo pela Copa do Brasil. Mas Fluminense e Flamengo possuem melhores bases de comparação. Fora clássicos, o Tricolor viveu seu melhor momento na Libertadores 2013, quando marcou 27 pontos com 46% de share diante do Emelec (fase de grupos). Quanto ao Rubro Negro, este explodiu com 41 pontos e 66% de share na final da Copa do Brasil do mesmo ano.

Um grande abraço e saudações!

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A Pesquisa da Vez – Manaus 2017

Detalhamento da pesquisa;

Localidade: Manaus/AM, entre 20 e 22 de janeiro de 2017

Instituto: Pesquisa 365

Amostra:  1.050 entrevistados

Margem de erro: 3 p.p

Está aberta a temporada 2017 de pesquisas de torcida! E a primeira do ano se deu numa localidade tão importante quanto, até bem pouco, negligenciada: Manaus, capital do Amazonas. Após anos sem pesquisas na região norte, o produtivo ano de 2012 trouxe luz a duas pesquisas elaboradas em terras manauaras e divulgadas pelo Blog Teoria dos Jogos. Desde então, nada mais foi dito. Até que o Instituto Pesquisa 365 se juntou ao “clube” frequentado por IPEN e ao GPP – elaboradores das pesquisas cinco anos atrás – e nos trouxe números aparentemente confiáveis, com grande semelhança aos verificados anteriormente. Vamos a eles:

Conforme amplamente sabido, o Flamengo detém a maior torcida de Manaus por larga margem: 39% da população. Mas o Vasco possui uma massa também representativa, atingindo 17,7% do total. A partir de então, torcidas paulistas ditam o jogo em detrimento dos demais cariocas. O São Paulo aparece com 5,1%, seguido do Corinthians (4,4%) e do Palmeiras (3,7%). Só então aparecem Botafogo (2,1%) e Fluminense (1,6%). O Santos fecha o top-8 com 1% das preferências. Números incrivelmente parecidos com os do estudo GPP/2012.

Quanto às tabulações específicas:

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Todas as agremiações crescem em seu universo masculino, onde apenas 9% não possuem time de futebol (contra 31% das mulheres). Diante dos 43% de homens flamenguistas, 20% de vascaínos e 7% são paulinos, há apenas uma reversão de ordenamento: mais palmeirenses (6%) do que corintianos (5%) no coração da Amazônia – talvez por influência do recente título brasileiro conquistado.

Olhando para as faixas etárias, extraem-se análises interessantes. Em termos absolutos, é a torcida do Flamengo a que mais cresce entre jovens: sobe de 34% entre aqueles com mais de 45 anos para 47% em meio aos jovens de 16 a 24 anos – ascensão de 13 pontos percentuais. Mas relativamente, os times que mais crescem são São Paulo e Corinthians, que saem de 1% e 2% para, respectivamente, 5% e 6%. Mais incrível é verificar o boom são paulino na faixa de 25 a 34 anos, quando atingiram robustos 9% – processo em menor escala também verificado com o Palmeiras. Subida que não se mostrou sustentável, dada a redução na base de ambos entre os mais jovens. O Vasco aparenta estabilidade, estacionado entre 17% e 18% em todas as faixas. Botafogo e Fluminense praticamente desaparecem entre jovens (1% cada), mesmo com o alvinegro detendo a terceira maior torcida daqueles acima de 45 anos (5%). Nesta faixa, o Flu possuía 4%, significando que, no passado, de fato as quatro maiores torcidas pertenciam aos quatro grandes do Rio.

Por escolaridade, a torcida do Flamengo diminui à medida com que avançam os anos de estudo: sai de 41% daqueles com ensino fundamental para 36% dos que concluíram o ensino superior. Processo oposto acontece com o Vasco, que cresce de 15% para 22% e equilibra a balança em ambientes universitários. Mas São Paulo e Corinthians também sobem, com ambos saindo de 3% para 7% nesta comparação.

Infelizmente, além de não contemplar recortes superiores nas faixas etárias (que vão apenas até os 45 anos), a pesquisa pisa na bola ao não contemplar a imprescindível análise sob a ótica da renda, substituída por uma descartável análise das torcidas segundo suas religiões.

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