Arquivos mensais: Março 2017

A mais ridícula das perseguições

Temos uma Geni. Ela responde por Volta Redonda, no interior do estado do Rio – a mais nova inimiga do futebol brasileiro. Ao menos é a sensação de quem lê jornalistas taxando-a taxando-a de “cidade que não gosta de futebol” ou aquela “que cansou do Flamengo”. Inúmeras outras matérias, da mais ampla e democrática gama de veículos, acompanham a relatoria. Assoberbados no mais absoluto desleixo intelectual, trazem como consequência a completa desinformação.

O assunto não é novo por aqui, pelo contrário, já foi tratado inúmeras vezes. E será outras tantas quanto forem necessárias, até que se opte por refletir com o mínimo de embasamento. E sim, este blogueiro é voltarredondense. “Advoga em causa própria”, dirão alguns. Outros compreenderão o mero conhecimento de causa para combater o sem número de falácias proferidas por quem não o possui.

Em primeiro lugar, é mais do que óbvio que os públicos em Volta Redonda são péssimos – não é contra isto que me insurjo. Contra fatos não há argumentos: as últimas três passagens do Flamengo pela cidade reuniram, respectivamente, 1.301, 1.237 e 1.539 pagantes. Sua média de público como mandante no Raulino, o que exclui alguns destes públicos, é de 4.227 pagantes. Ou 3.461, considerando passagens como visitante.

O grande motivo da insurgência, portanto, é outro: não haver problema algum na demanda por futebol na cidade. Sendo assim, inexistiriam rótulos como cidade que desgosta ou que se cansou. Seja do futebol ou de times específicos.

Como diria o poeta – e com base em frases proferidas por mim no Twitter – “parafraseia-te a ti mesmo”:

Brasília possui quase três milhões de habitantes. Natal é cerne de uma região metropolitana de 1,5 milhão. Cariacica pertence a outra, a RM de Vitória e seus 1,9 milhão de almas. Volta Redonda possui 260 mil. Com boa vontade, integrados a uma mancha urbana de 450 mil.

Não é verdade que “quanto maior a cidade, maiores os públicos nos estádios”, senão São Paulo sempre teria as maiores médias – o que não necessariamente ocorre. O gigantismo de um núcleo urbano impacta limitadamente sobre a presença no estádio, pois quanto mais distantes as periferias, mais equivalem a outras cidades. Só que o oposto é verdadeiro, por óbvio: quanto menor uma cidade, menor o potencial de público. Menos demanda, menos gente para consumir, ora.

Mas o que dizer de Chapecó, seus 210 mil habitantes e médias de público muito superiores? As diferenças são tão crassas que se tornam evidentes. Nem é preciso abordar a comoção e a diferença de apelo quando o produto galga à primeira divisão do Campeonato Brasileiro de futebol. Pondo de lado este “pequeno” detalhe: ao contrário da cidade catarinense, Volta Redonda não é 100% flamenguista, apenas 43%.

Adicionalmente, faz toda a diferença ser a sede da agremiação, representando o núcleo duro no entorno do qual se desenvolvem as instituições que a orbitam. O grosso dos associados, sócios-torcedores, diretoria, torcidas organizadas, veículos de mídia que realizam coberturas, tudo acontece na cidade-sede. No caso do Flamengo (e seus rivais), estamos falando do Rio de Janeiro, não de Volta Redonda. O mesmo Rio vinte vezes maior que a Cidade do Aço…

Temos um link com a argumentação do parágrafo anterior. Meçam e descubram: é característica da demanda por futebol no Brasil ser consistente apenas nos grandes centros  – não por acaso, sedes das principais equipes. São Paulo tem demanda para receber uma partida por semana de seus clubes. Rio, BH, Porto Alegre também. Já os distanciados interiores, não. Para eles, receber time grande é como um show, uma exibição para a qual se faz necessária uma palavrinha-chave: demanda reprimida. Ou as primeiras partidas em Volta Redonda não costumam encher? Este ano, quase 10 mil se deslocaram para acompanhar Flamengo 3 x 0 Macaé. Ou Brasília e Juiz de Fora já não cansaram de ver seus públicos minguarem à medida com que se reduziu a escassez de aparições?

Sim, quatro das últimas cinco apresentações rubro-negras em VR foram com reservas. Nenhuma, com time completo. Algumas, com intervalo de três dias. Outras, encaixadas entre dois compromissos da Libertadores – onde verdadeiramente recaem prioridades. Tudo porque o futebol brasileiro apresenta um crônico problema de produto. A Libertadores vale, o “Carioqueta” não. Quem há de dizer que estão errados os que assim pensam? Os habitantes de Natal concordam. Com demanda reprimida e tudo, apenas 9.211 testemunhas se dignaram comparecer àquele Flamengo 4 x 1 Boavista…

Somam-se a estes argumentos alguns outros anteriormente explorados, tais como o comparecimento per capita em Volta Redonda não ser inferior ao da capital.

Diante da falta de profundidade e da patológica necessidade de se encontrarem culpados, julgando-os e condenando-os, conclui-se que:

Parem de jogar pedra na Geni.

Um grande abraço e saudações!

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Comparação nacional de audiências 2016/17: Flamengo x Corinthians

INTRODUÇÃO

Desde que a questão das audiências televisivas ganhou destaque, questiona-se a respeito de quem teria os melhores números nacionalmente. Até bem pouco, correr atrás deste tipo de informação era impossível: antes de 2013, praticamente só se divulgavam as audiências da cidade de São Paulo. De quatro anos pra cá – período em que o Blog Teoria dos Jogos passou a monitorar tais estatísticas – o Rio ganhou igual destaque. O problema era saber o que se passava país adentro.  Mas desde julho passado, a Kantar Ibope Media – empresa responsável pela mensuração das audiências televisivas – começou a publicar seu top-10 semanal. E assim, tornou-se possível ter ao menos uma ideia das audiências não apenas nas duas principais metrópoles.

Por se tratar de um trabalho de tabulação exaustivo, esta coluna focará na comparação exclusiva dos números relacionados a Flamengo e Corinthians. Não sem antes deixar bem claras as limitações do modelo. Em primeiro lugar, não estão contemplados todos os jogos destas equipes, apenas aqueles que deram audiência suficiente para integrarem o top-10 semanal da TV Globo. Por isto a quantidade muito maior de partidas às quartas, dados seus números tradicionalmente superiores. Isto faz também com que alguns clubes estejam presentes no levantamento de carona em audiências proporcionadas por “puxadores de audiência” nacionais.

Especificamente no tocante a Mengão e Timão, é impossível não considerar a questão da fase dos times, principalmente pelo recorte (iniciado em 04/07/2016) não ser benéfico aos paulistas. Ele exclui, por exemplo, toda a participação alvinegra na Libertadores 2016. A partir desta data, o Flamengo lutou pelo título brasileiro e disputa a competição continental em 2017, enquanto o Corinthians vem tendo papel secundário em torneios de caráter nacional.

Ainda assim, a análise dos números é válida. Ela torna possível avaliar o impacto da veiculação de clássicos como o Fla x Flu ou Corinthians x Santos fora de suas praças de origem. Descobrir a afeição em capitais de maioria rubro-negra – casos de Manaus, Brasília e Vitória – ou corintiana (Campinas). E avaliar a relação distanciada de metrópoles como Goiânia, Recife, Curitiba ou Salvador. Boas ou más fases tendem a ter maior efeito nas cidades-sede, se dissipando e fazendo menos diferença em outras capitais do país.

CARACTERÍSTICAS REGIONAIS E ESPECIFICIDADES

Antes, uma breve pincelada nas características deste levantamento, bem como da demanda por jogos de futebol na TV Globo. O monitoramento Kantar/Ibope contempla quinze regiões metropolitanas, sendo elas São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Belo Horizonte, Campinas, Curitiba, Brasília (DF), Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre (POA), Recife, Salvador e Vitória. A amostra iniciada em julho não contempla os números do último final de semana.

Enquanto em algumas regiões a Globo tem enorme facilidade em angariar boas audiências com futebol (ex: Belém, Florianópolis, Manaus e Porto Alegre), em outras, números satisfatórios são uma verdadeira prova de fogo – casos de Curitiba, Goiânia e Salvador.

Uma separação importante é expor as audiências por dia de semana – quais sejam, às quartas e domingos. Isto porque os números variam de maneira representativa, sendo muito maiores em jogos durante a semana. Prova disto são as poucas partidas dominicais que compuseram o top-10 de audiências.

AS AUDIÊNCIAS DO FLAMENGO

Sem maiores divagações, vamos ao levantamento das audiências relativas ao Flamengo no período entre julho/2016 e março 2017:

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Até pela já citada boa fase que vem atravessando, o Rubro-Negro foi o clube que mais emplacou partidas no top-10 de audiências semanais da Globo: doze. Foram dez às quartas feiras (contra Santos, Palmeiras, Ponte e América/MG pelo Brasileirão; Figueirense (2) e Palestino (2), pela Copa Sul Americana; San Lorenzo e Universidad, pela Libertadores) e duas aos domingos (Internacional, pelo Brasileirão, e Fluminense, pelo Carioca 2017).

Duas praças não tinham partidas do Flamengo compondo seu top-10: São Paulo e Campinas – esta última, praticamente um espelho da capital. Outras cidades com pouca penetração rubro-negra foram Porto Alegre (2 jogos), Belo Horizonte (3), Curitiba e Recife (4). Em direção oposta, Brasília e Manaus assistiram às mesmas doze partidas veiculadas no Rio. Vitória, tradicional espelho carioca, estranhamente optou por Palmeiras x São Paulo na noite em que o Fla media forças com a Ponte Preta. Entre as praças que mais o acompanharam, Belém (11), Salvador (10), Florianópolis e Goiânia (9).

AS AUDIÊNCIAS DOS CORINTHIANS

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O Corinthians compôs as dez maiores audiências globais em nove oportunidades, sendo oito quartas-feiras. Os embates foram contra Atlético/PR, Coritiba e Figueirense (Brasileirão), Fluminense (2), Cruzeiro (2) e Brusque (Copa do Brasil, a última já pela edição 2017). Já o único domingo trouxe à tela o clássico diante do Santos, válido pelo Brasileirão passado.

Antes de se ater à comparação das audiências em si, o Corinthians ficou bem atrás do Flamengo no número de jogos veiculados na maioria das praças. Fora Campinas, quem mais o acompanhou foram Curitiba (seis), Porto Alegre e Belo Horizonte (cinco oportunidades). As demais metrópoles ficam entre três e nenhum televisionamento corintiano – casos de Rio de Janeiro, Manaus e Vitória.

AUDIÊNCIAS COMPARATIVAS – FLA X COR

As maiores médias do Flamengo ocorreram em praças que em nenhum momento optaram pelo Corinthians. E elas foram robustas: 31,5 pontos (às quartas) e 30,3 pontos (domingos) em Manaus – cidade onde o Flamengo se sai melhor. 30,2 pontos (Q) e 28,8 (D) no Rio. E 28 pontos (Q) + 29,8 (D) em Vitória. Em suas praças exclusivas, o Corinthians marcou 24,2 (Q) e 24,1 (D) em Sampa, enquanto Campinas apresentou 23,4 pontos às quartas e 26,7 aos domingos, num caso pouco comum de melhoria aos finais de semana.

Em Brasília e Belém, o Flamengo se saiu muito melhor. Na capital federal, a bem da verdade, a vitória foi de goleada: médias de 27,1 (Q) e 25,1 pontos (D), contra apenas 18,2 (Q) e 17,9 (D) dos paulistas em seus dois únicos jogos televisionados por lá. Já em Belém, o Fla venceu marcando 27,3 (Q) e 26,5 (Q) contra 24,9 (Q) e 21 (D) dos rivais interestaduais.

Em Belo Horizonte, vitória rubro-negra com menos folga: 22,1 (Q) com 19,2 (D) contra 21,6 (Q) e 16,5 (D). Mas pesa a favor do Corinthians o fato de ter encarado um time local por duas ocasiões: o Cruzeiro, pelas quartas-de-final da Copa do Brasil. Ou seja, o grosso das audiências que inflaram seus números em BH se deu por conta da preferência do telespectador pela Raposa.

Em Fortaleza, outra superioridade carioca com margem mediana: 21,4 pontos (Q) e 19,9 (D) contra 20,1 (Q) e 16,6 (D) do Corinthians. O mesmo aconteceu em Goiânia, a quinta capital de supremacia flamenguista: 18,3 (Q) + 20 (D) contra 17,2 (Q) + 16,8 do time paulista. O Recife foi a sexta: 19,2 pontos do Fla contra 18 do único jogo do Corinthians às quartas. Domingo houve apenas um jogo rubro negro, nenhum alvinegro.

Em Curitiba e Salvador, o melhor desempenho se mostrou indefinido. Na capital paranaense, o Flamengo foi melhor às quartas (20,6 a 18,6 pontos), dia que concentra o grosso das partidas presentes no ranking. Mas no único embate dominical de ambos, deu Corinthians: 16,7 pontos num Santos x Corinthians, contra 14 pontos daquele Internacional x Flamengo. O mesmo acontece em terras soteropolitanas, com cariocas levemente superiores às quartas (21,2 a 21) e paulistas se saindo melhor no mesmo clássico (19,2 a 15,6), em detrimento do Inter x Fla.

Outra capital de supremacia indefinida é Porto Alegre – apesar de os números novamente apontarem para um desempenho superior do Flamengo. De novo melhor às quartas, o Fla teve em seu benefício a escassez de ser veiculado apenas na chamativa partida diante do Palmeiras. O Corinthians teve quatro jogos em POA, sendo alguns de bem pouco apelo. Mais: o jogo dominical do Rubro Negro foi contra o Internacional, enquanto o do Corinthians foi contra o Santos. E o clássico paulista nem ficou tão abaixo.

Por fim, a cidade em que o Corinthians se saiu melhor foi Florianópolis. Às quartas, venceu por 29,4 pontos contra 28,2 dos oito jogos do Flamengo na cidade. Só que a única partida do Corinthians foi contra o catarinense Brusque, o que presumiria um benefício. Isto se o Flamengo não tivesse, por duas oportunidade, encarado o localíssimo Figueirense pela Copa Sul Americana. Aos domingos, um jogo pra cada lado e nova vitória corintiana por 16,2 a 15,6.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar das limitações do modelo – tanto melhor se contemplasse a totalidade das partidas, e não apenas as de melhor audiência – as tabelas não deixam de ser esclarecedoras. Principalmente em tempos em que reformula-se o rateio do dinheiro da TV aberta: a partir de 2019, se dará uma partilha 40% igualitária e 60% por performance (metade televisiva, metade por desempenho esportivo).

Seja por conta das fases distintas ou não, resta claro que, nos últimos meses, o Flamengo vem se saindo bem melhor do que o Corinthians em termos nacionais. Algo que, em breve, se refletirá no montante a adentrar os cofres de cada clube. Historicamente, Fla e Corinthians vieram equiparados pela Rede Globo na condição de detentores da maior fatia, em igualdade de condições. Muito por conta dos números nacionais de audiência do Flamengo,  aqui verificados. E também pela hegemonia corintiana nos mercados mais valorizados pela publicidade nacional: a cidade e o estado de São Paulo.

PS: Em breve apresentaremos as audiências locais das regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife – as que melhor permitem comparações entre os clubes das respectivas cidades.

Um grande abraço e saudações!

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A hora e a vez de um estádio para o Flamengo


Encerra-se hoje a semana  que talvez tenha reunido o maior número de acontecimentos importantes no que concerne à sucessão do Maracanã e ao futuro do futebol do Rio de Janeiro como o conhecemos.

Inseguros com relação a inúmeras questões jurídicas, o conglomerado que reunia CSM e GL Events (numa parceria com o Flamengo) abriu mão da compra da concessão do estádio, agora livre para ser vendida ao grupo concorrente, capitaneado pela Lagardère. Em nota oficial, o Flamengo ratificou sua posição contrária ao uso do estádio nestas condições, embora os franceses acreditem se tratar de um blefe, reversível em momentos futuros. Em meio a tantas turbulências, certezas se ratificam e novas oportunidades se configuram.

Para compreendê-las, entretanto, é necessário fazer uma retrospectiva que explique uma questão-chave, dessas verificadas na boca de qualquer torcedor comum. Por que diabos, afinal, uma instituição mais-que-centenária como o Flamengo ainda não possui estádio próprio?

A resposta ao questionamento remete à antológica frase cunhada pelo ex-presidente Márcio Braga, à época em que Ronaldo Fenômeno, então treinando em plena Gávea, surpreendeu a todos e assinou contrato com o Corinthians. Duramente questionado sobre o porquê de “o Flamengo não ter procurado Ronaldo”, Braga respondeu: “Porque ele não precisava ser procurado. Ronaldo já estava achado!”

A inexistência de uma arena rubro-negra vai ao encontro do que proferiu o ex-presidente. O Flamengo nunca construiu um estádio porque ele sempre teve um – o nome dele era Maracanã! Imagine-se sediado numa capital global como o Rio de Janeiro, há 60 anos coexistindo com aquele que, desde seu advento, se sacramentou como maior templo do futebol mundial? Mais: um estádio que por todo este tempo foi público, barato e disponível. Administrado por uma autarquia estadual (a Suderj), sempre cedido a preço de custo, sem maiores ônus, burocracias ou entroncamentos com calendário de shows. Era só pegar a chave e usar.

Por tudo isto, o Maracanã foi a casa não só do Flamengo como do Fluminense e do Botafogo – Vasco em menor escala.  Em tempos de hiperinflação, crédito restrito e enormes instabilidades políticas e econômicas, não fazia o menor sentido imaginar a hipótese de se construiu um estádio de ponta no Rio até bem pouco tempo. É verdade que a partir da década de 90 o Flamengo se notabilizou por um sem número de péssimas administrações, mas se existe um fardo que aquelas diretorias não podem carregar é este.

Situação bem diferente do que se verificava em São Paulo, por exemplo. Nunca houve, na maior metrópole brasileira, um grande estádio público de direito – apenas de fato. Talvez por analogia com o Rio, os paulistas tomaram para si o Morumbi, particular e pertencente ao São Paulo Futebol. Os tempos de convivência pacífica se foram, fazendo com que Corinthians e Palmeiras (também em menor escala) percebessem a burrada de depender do salão de festas alheio para o aniversário das crianças. Só pelos idos de 2010, e utilizando-se de instrumentos diametralmente opostos, movimentou-se no sentido da construção da Arena Corinthians e do Allianz Parque.

Importante compreender este contexto para que possamos novamente aterrissar em 2017, ano em que o Flamengo se aproxima dos últimos dias naquele que foi seu grande companheiro de glórias e derrocadas. Vivendo o ocaso da administração Odebrecht, o Maracanã ainda receberá ao menos um jogo do Flamengo pela Copa Libertadores – mês que vem, contra o Atlético-PR. A partir de então, foi dado o xeque-mate. E ele veio na forma de um edital publicado ontem no site oficial rubro-negro. Utilizando-se de um instrumento denominado “permuta com torna”, o Fla se prepara para ceder seu maior patrimônio – edifício do Morro da Viúva – em troca de algo. Pode perfeitamente ser um terreno. Para bom entendedor, meia palavra basta.

Prejudicado pela histórica existência de um bendito e predatório Maracanã, o Flamengo finalmente parece concluir que a construção do estádio próprio se faz mais do que necessária: vital. Para tanto, foi preparada a casa provisória na Arena da Ilha, evitando ao time a chaga das cansativas viagens ao longo da temporada. Enquanto isto, tenta superar o que é visto como maior entrave à construção do estádio: o custo de aquisição do terreno. Especialistas atestam que para o custeio das obras em si, existe caixa.

Diante do exposto, é recomendável que a torcida rubro-negra curta, aproveite, desfrute ao máximo sua experiência no antigo “Maior do Mundo” – tão próxima de um divórcio definitivo e litigioso. Aos que se acham espertos, um toque: Eduardo Bandeira de Mello não será presidente para sempre, é verdade. Mas o Flamengo passa longe de ser o clube das épocas em que negociatas eram vistas como prato de comida.

Um grande abraço e saudações!

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