Match Day – Morumbi Concept Hall (Camarote Unyco)

Quem acompanha o Blog Teoria dos Jogos conhece nosso hábito de promover visitações aos estádios de futebol, seja em suas áreas nobres ou arquibancadas. O exemplo mais recente de experiência na condição de torcedor comum se deu há poucas semanas, quando estivemos na Arena da Baixada, em Curitiba, para uma partida da Libertadores. Já as experiências prime tiveram representação, entre tantos outros lugares, nas duas mais recentes arenas paulistas: o Business Lounge da Arena Corinthians e os camarotes do Allianz Parque.

No entanto, faltava visitar o último grande estádio particular da cidade – na verdade, o mais antigo deles. Que além de pioneiro em sua grandiosidade, foi também o primeiro a oferecer um mix de opções aos que demandam experiências mais sofisticadas. Em tempos de difícil definição sobre o significado da expressão “arena”, o Estádio Cícero Pompeu de Toledo – mais conhecido como Morumbi – oferece, do alto de seus 56 anos, uma das visitações mais surpreendentes entre as vivenciadas ao longo do nosso processo.

É bom deixar claro: o Morumbi é um estádio antigo, tornando irremediável a obsolescência de sua estrutura geral. Nada diferente de outros estádios tradicionais, mesmo fora do Brasil, como o Camp Nou (Barcelona) ou o Vicente Caldeirón (Atlético de Madrid – em vias de desativação). Uma olhada na estrutura dos anéis superiores de arquibancadas deixa isso claro. O posicionamento dos camarotes também: em localização térrea, impede que se tenha plena noção de profundidade a quem acompanha as partidas. Erro que também cometia, ainda que antagonicamente, o antigo Maracanã e seus camarotes na última (e mais distanciada) fila de arquibancadas. Este tipo de equívoco não existe nas novas arenas.

Mas se existe um problema na “localização geográfica” dos camarotes do Morumbi, eles se equivalem aos demais – e em alguns casos, os superam – no tocante as suas outras características. Tudo fruto da excelente ideia chamada Morumbi Concept Hall, que há dez anos iniciou a utilização da estrutura térrea do estádio mesmo em dias sem futebol. Por lá, se verificam desde academias de ginástica a buffets infantis, passando por uma loja oficial, restaurantes e até um pub. Todos abertos em dias de jogos, possibilitando desfrutar de uma gama de serviços bastante rara nas experiências de match day brasileiras.

Ao longo dos espaçosos corredores do Morumbi Concept Hall, encontram-se os camarotes do estádio. E a primeira coisa a chamar atenção foi como o Tricolor se aproxima de seus parceiros comerciais, oferecendo a todos os seus inúmeros patrocinadores o espaço próprio. Além destas salas corporativas, vemos ainda espaços de agências de marketing esportivo e empresas especializadas em hospitalidade. O principal e mais grandioso é o Unyco, que gentilmente atendeu à solicitação de nossa visita, sendo o local onde apreciamos a partida São Paulo x Defensa Y Justicia, na última quinta feira.

Disposto em um grandioso salão, o Espaço Unyco muitas vezes é utilizado para eventos ou gravações de programas de rádio e TV. Com sofás, mesas e bistrôs, o ambiente é refinado e de bom gosto, proporcionando o que há de melhor no que concerne também à culinária. No dia da visita, havia desde petiscos a um apropriado risoto, dada a fria noite de outono. Em meio a eles, bebidas, hambúrgueres e bem preparados sanduíches, como o de pernil com cebola caramelizada.

Mas se o que interessava naquela noite era futebol, para isto também havia opções. Como em todos os outros camarotes do primeiro anel do Morumbi, os torcedores podem escolher entre as cadeiras externas e o lounge interno com visão do campo. Do lado de fora, há mais experiência de estádio, ouvindo a torcida cantar e se integrando a ela (o que pouco aconteceu na ocasião). Se a escolha for o lado de dentro – o que muitos quiseram por conta da temperatura – luxuosas poltronas se dispõem diante televisores ligados em canais esportivos, oferecendo a possibilidade de não perder nenhum detalhe de cada lance.

Ao final, uma improvável e frustrante eliminação acometeu à torcida do são paulina presente ao Espaço. Um paradoxo no tocante à sensação que ficou com o Blog Teoria dos Jogos: uma das melhores experiências num estádio de futebol desde sempre.

Um grande abraço e saudações!

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3 comentários sobre “Match Day – Morumbi Concept Hall (Camarote Unyco)

  1. Boa tarde Vinicius,acompanho seu trabalho faz tempo,gosto muito das suas análises dos bastidores dos estádios feitas sem clubismo,eu como torcedor gosto de ver o funcionamento de um estádio nos bastidores,muito interessante toda essa estrutura envolvida em uma partida de futebol.Torço para o Corinthians mas isso não me deixa cego pelo fanatismo,sou bem crítico já que quero o melhor para meu clube, você um ano e meio atrás fez uma análise da Arena Corinthians,aliás excelente por sinal faltando apenas olhar outro setores da Arena, acontece que nesse intervalo de tempo de quase dois anos,muita coisa mudou : * Loja do clube/Nike Arena Corinthians está aberta,os estacionamentos leste e Oeste estão funcionando,a prefeitura e polícia não permitem mais aquela aglomeração de ambulantes nas redondezas da Arena,algumas partes que faltavam acabamento, foram finalizadas,uma semana atrás o * Tour da Arena Começou finalmente a funcionar depois de quase três anos de funcionamento da Arena,enfim nesse intervalo de tempo mudou várias coisas,então seria importante Vinicius você voltar na Arena para um novo Match Day,e fazer o Tour também que seria muito interessante.Sobre o Morumbi,incrível ver um estádio antigo conseguir dar esse padrão e tratamento aos torcedores consumidores,peca no mais importante que é a visão do jogo,afinal o principal objetivo do torcedor é assistir a partida e o tratamento seria um PLUS,mas mesmo assim o Morumbi está de parabéns. Agora Vinicius,levando em conta o (intervalo de tempo de uma análise e outra e mudanças sofridas nos estádios nesse tempo ) ,então é possível fazer uma análise e comparação dos três estádios, melhor, pior,pontos negativos e positivos da Arena Corinthians, Allianz Parque e Morumbi ? Parabéns pelo trabalho, abraço.

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