Audiências: uma comparação entre as finalíssimas da Copa do Brasil

Por conta do atraso maior do que o normal na divulgação dos números de audiência pela Kantar Ibope Media, só na última sexta saíram os dados agregados das 15 praças monitoradas durante a final da Copa do Brasil. Como o instituto começou a divulgar estes números em 2016, temos finalizado um ciclo que contempla duas decisões do torneio: Grêmio x Atlético-MG em 2016 e este recente Cruzeiro x Flamengo.

Em tempos de debates (e questionamentos) sobre os valores pagos pelo televisionamento dos clubes de maior torcida, os números proporcionam um comparativo que dá a ideia apropriada do plus representado por alguém como o Flamengo numa final de torneio nacional. Ainda que cruzeirenses possam não concordar, a verdade é que a Raposa equivale ao Galo – ou mesmo ao Grêmio, campeão um ano antes – em termos de chamariz nacional. Sendo assim, soa correto atribuir ao apelo do Rubro-Negro a diferença das audiências registradas nas finais de 2016 e 2017. Vamos a elas:

Em apenas três das quinze praças, a penúltima finalíssima apresentou apelo maior do que a decisão de duas semanas atrás. A primeira delas é óbvia: Porto Alegre tinha um dos seus representantes envolvidos ano passado, fato que não se repetiu agora. Por lá a audiência compreensivelmente desmoronou 19,8 pontos. As outras duas praças trazem à tona uma revelação interessante. Curitiba (-0,4 ponto de audiência) e Florianópolis (-5,5 pontos) demonstraram que a final envolvendo um time gaúcho suplantou a presença do Flamengo – mesmo com pesquisas apontando a torcida carioca como maior do que a do Grêmio nas duas cidades. Nestes casos, pode ser que valha mais o agregado: o somatório de gremistas e colorados um ano antes seria mais representativo do que o de flamenguistas agora. Ou ainda uma questão de regionalismo, pela simples valorização de times do Sul do Brasil.

Nas demais regiões, um verdadeiro baile. Se excluirmos o Rio de Janeiro (por óbvio), poderíamos apontar três praças que supervalorizam o Mengão em termos de audiências: Manaus, Vitória e Brasília. Todas tiveram ganhos superiores aos 12 pontos quando comparadas à final passada, uma enormidade. Manaus, inclusive, registrou audiência superior aos 40 pontos, algo verificado apenas no Rio e em Belém. A capital paraense é um caso à parte: extremamente amigável ao Flamengo, costuma apresentar grandes audiências com facilidade também para outros times, tanto que a comparação com o ano anterior apresentou ganho de “apenas” 9,4 pontos.

Outros destaques puderam ser verificados no Recife (+9,4 pontos), Goiânia (+8,6 pontos) – cidade onde a TV Globo apresenta dificuldades para ultrapassar a casa dos 20 pontos com o futebol – e São Paulo (+5,7 pontos). Esta última, evidentemente, surge como o principal ganho do Flamengo em termos comerciais. Cinco pontos de audiência em plena sede do mercado publicitário brasileiro são algo de um valor quase inestimável. No extremo oposto, surpreendente que uma cidade como Salvador, em pleno Nordeste brasileiro, tenha dado de ombros à equipe carioca, apresentando meros 1,3 pontos adicionais.

Por fim, algumas considerações relativas às audiências do Cruzeiro. Inicialmente, parece haver explicação para os números absurdamente maiores em BH este ano – 15,5 pontos acima da final de 2016. Ano passado, os atleticanos tombaram na primeira partida em casa, diminuindo o apelo do segundo confronto. No entanto, esta justificativa não se sustenta nem na comparação dos primeiros jogos (30,7 pontos ano passado, 39 pontos este ano), nem na audiência média de Cruzeiro e Atlético. Desde o início das divulgações do Ibope (junho de 2016), 19 partidas do Cruzeiro adentraram ao top-10, cravando média de 28,1 pontos. Já o Atlético teve 13 jogos e 26 pontos médios. Lembrando que ambos tiveram desempenhos semelhantes, chegando à final da Copa do Brasil, com o Galo jogando a Libertadores 2017.

Diante do exposto, poderíamos formular duas teorias para as maiores audiências do Cruzeiro na comparação com o Atlético na capital mineira: ou a torcida azul seria maior, o que não se sustenta pelas pesquisas, já que elas mostram enorme equilíbrio entre ambas na cidade; Ou a massa atleticana seria mais “engajada” – secando mais os rivais em suas partidas do que o oposto. Consequentemente, ofertando-lhe de bandeja audiências superiores.

Um grande abraço e saudações!

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