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As audiências dos estaduais 2018 – Rio e São Paulo

Por algum tempo, audiências em queda do futebol na TV aberta preocuparam executivos da Globo. Tratava-se, entretanto, de um processo natural, em face do crescimento da TV fechada e do pay per view – produtos majoritariamente controlados pelo próprio grupo Globo. De qualquer maneira, se a tendência se mantivesse, era de se questionar a pertinência da manutenção dos jogos de quarta e domingo, em detrimento de transmissões mais exclusivas ou requintadas, como a Champions League e a Seleção Brasileira.

Mas a enorme crise que assola o país desde 2014, bem como o processo de redução da TV paga pelo crescimento do streaming, fizeram com que o processo se revertesse de maneira robusta. Se por um lado existem prejuízos pela diminuição da venda de pacotes de TV fechada e pay per view, por outro a Globo voltou a navegar com imensa supremacia sobre a concorrência, ao menos no tocante aos campeonatos do Rio e de São Paulo. Os números a seguir se referem às recém-finalizadas edições de 2018 para os dois principais estaduais do Brasil.

Para compreendê-los, importante ter em mente as diferenças de audiências entre jogos televisionados às quartas (maiores) e domingos/fins de semana (bem menores, mais ainda nas excepcionalidades dos sábados), junto ao óbvio apelo dos clássicos na comparação com confrontos de grandes contra pequenos. Além disso, o tamanho das torcidas faz toda diferença neste universo, bem como a participação em jogos decisivos ou nas finais dos torneios. Por fim, cada ponto de audiência representa 70,5 mil domicílios ou 199,3 mil indivíduos em São Paulo. No Rio, 44,05 mil lares e 116,9 mil pessoas.

RIO DE JANEIRO

Mais inesperado do que o título do Botafogo foi o fato de o Alvinegro ter sido o clube mais televisionado do Cariocão 2018. Foram nada menos do que oito transmissões, contra sete do costumeiro líder Flamengo. Tudo se deveu à reta final do campeonato, pois as cinco últimas transmissões do estadual* foram clássicos envolvendo o Botafogo – apenas uma contemplou o Flamengo. Antes desta sequência, ou seja, no campeonato “regular”, eram seis jogos do Fla contra três do Bota. Ao final, o Vasco atingiu cinco jogos na TV e o Fluminense três.

*Foram eles: Vasco x Botafogo (semifinal Taça Rio), Fluminense x Botafogo (final Taça Rio), Flamengo x Botafogo (semifinal estadual), Botafogo x Vasco e Vasco x Botafogo (finalíssimas).

De qualquer maneira, e como veremos adiante, nem o excesso de clássicos envolvendo a Estrela Solitária foram capazes de fazê-lo suplantar o clube de maior torcida no agregado final. O Mengão terminou o Carioca com a excelente média de 28,4 pontos de audiência por jogo, número 10% superior aos 25,7 do Fogão (o share foi mais equilibrado: 50% a 48%). O Vasco fez 24,6 pontos médios e o Fluminense, 20,6, sendo único com share abaixo dos 40%. Importante relembrar que, diferente do que ocorre no Brasileirão, no estadual os quatro grandes recebem a mesma cota de televisionamento por parte da Globo.

Sob o espectro dos clássicos e não-clássicos (grandes x pequenos), o Botafogo tinha tudo para fazer valer a vantagem ter tido tantas transmissões em jogos com apelo. Das oito partidas do Glorioso na TV, seis foram clássicos – número que nenhum outro chega perto (o Vasco teve três, o Fla dois e o Flu apenas um). Mas índices apenas razoáveis, como o Flamengo x Botafogo do sábado de Carnaval (naturais 23 com 51%, por se tratar de um feriado com baixo número de televisores ligados) ou o Flu x Bota da decisão da Taça Rio (23 com 45%) jogaram seus números para baixo.

Até mesmo as audiências das decisões frente ao Vasco (26 e 29 pontos, respectivamente) podem ser consideradas decepcionantes, já que os Fla x Flus do ano anterior marcaram nada menos que 35 e 40 pontos. Sendo assim, o Bota marcou 28,3 pontos nos grandes embates, à frente apenas do Flu (23) e superado por Vasco (28,6) e Flamengo (30,5). Detalhe: os únicos clássicos rubro-negros foram contra o próprio Botafogo – aquele do sábado de Carnaval e outro de audiência absurda (38 pontos com 58%), na semifinal geral.

É sob a ótica dos jogos menores que a supremacia do Flamengo fica cristalina. Por saber que a vantagem do Rubro-Negro para os demais é enorme, a Globo marca muitos mais jogos dele – foram cinco, contra dois dos outros grandes. E a diferença do Fla (27,6 pontos) para o Flu (19,5), segundo colocado, foi voraz: 42% a mais. Neste recorte, o Botafogo foi o pior do Rio, embora leve vantagem sobre o Vasco no quesito participação (38% a 37%).

A última análise recai sobre jogos de meio e fim de semana. Às quartas, o pior da estatística anterior dá uma remontada e assume a liderança: o Botafogo. Muito porque seus dois únicos jogos nestas condições foram clássicos na reta final do Carioca, contra Vasco e Flamengo. O clube da Gávea, em segundo, teve três confrontos nas noites nobres do futebol, sendo dois contra nanicos. Vasco e Fluminense tiveram um joguinho cada, mas o do cruzmaltino foi um clássico contra o Botafogo, enquanto o Tricolor encarava a modesta Portuguesa – daí seu desempenho tão abaixo dos demais.

Por fim, os finais de semana – seriam “domingos”, mas o sábado de Carnaval nos obrigou a mudar a nomenclatura. Neles, nada de novo: Flamengo na cabeça (25,5 com 49%). E novamente de forma inconteste, pois apenas um de seus quatro dominicais foi clássico – o tal desfile de Carnaval. Aqui, chamou atenção mesmo a final da Taça Guanabara, entre o Mais Querido e o Boavista, com impactantes 34 pontos com 55%. Participantes da final, Vasco (23) e Botafogo (22,8) vem em seguida, sendo que o clube de General Severiano foi quem mais teve jogos. O Tricolor das Laranjeiras teve média de 20,5, desta vez não tão afastado quanto nos recortes anteriores.

SÃO PAULO

COMPARATIVO COM O RIO

Na comparação com os números expostos do Rio, pode-se dizer que São Paulo levou vantagem em 2018, com seu estadual terminando numa média de 25,7 pontos de audiência, contra 24,7 do Carioca. Além do maior número de datas (20 a 17), pesaram as audiências explosivas da final entre Corinthians e Palmeiras, junto aos números decepcionantes da Cidade Maravilhosa. Excluindo as finalíssimas, o Rio vinha com 24,3 de média, contra 24,2 do Paulistão. Virtudes da presença da maior torcida na final, em face da ausência em terras cariocas. No ano passado, os Fla x Flus decisivos tiveram 37,5 pontos de média, contra 27,5 dos recentes Vasco x Botafogo. Em compensação, a final paulista de 2018 superou a todo e qualquer confronto recente: inacreditáveis 39,5 pontos médios antenados à consagração corintiana.

Em Sampa, deu a lógica, com o Timão mais televisionado (nove oportunidades) e com maior média de audiência (31,2 e 52%). Mesmo fora das finais, o São Paulo teve oito jogos na TV, dois a mais do que o Palmeiras. O Tricolor ficou atrás do Verdão nas médias (26 com 44% contra 27,3 com 48% dos vice-campeões), mas se considerarmos sua ausência nas finais (além de elementos que veremos adiante), podemos considerar os números são paulinos satisfatórios. O mesmo não se pode dizer quanto ao Santos, como também veremos a seguir.

Dos quatro jogos do Peixe no Paulistão – clube menos exibido – três foram clássicos. Trata-se de um expediente recorrente da Globo, que na verdade até abriu uma exceção este ano. A veiculação de Ferroviária x Santos foi considerada uma enorme excepcionalidade por parte da emissora, uma vez que há sete anos não se transmitia o Peixe em qualquer jogo que não clássicos. O resultado? Um verdadeiro fiasco: 13 pontos com 28% de participação, a menor entre os dois principais mercados desde os 12 pontos de um jogo do Botafogo pelo Brasileirão 2014. OK, o clube da Vila jogou no famigerado sábado de Carnaval, mas o share de meros 28% deixa claro que a audiência foi ruim mesmo. Não é à toa, portanto, tamanho sumiço…

Na análise dos clássicos, o trio de ferro da capital foi muitíssimo bem, deixando claro que o apelo das rivalidades paulistanas anda em alta. Foram 35,8 pontos do Corinthians, 34,3 do Palmeiras e 32,3 do São Paulo – os três, por exemplo, acima do Flamengo neste quesito. O ponto fora da curva novamente foi o Santos (25,6), mesmo com seus três clássicos na fase de grupos indo parar na TV. Em sua defesa, o fato de nenhum destes jogos ser decisivo. Já em jogos contra pequenos, a grande notícia foi o destaque dado ao São Paulo, com cinco apresentações contra quatro do Corinthians. Conforme demonstra o exemplo carioca, a emissora não costuma deixar tais embates nas mãos de quem sabe que não dará retorno. De fato, o clube do Morumbi teve desempenho razoável (22,2 e 38%), numa consolidada segunda colocação.

Por dia da semana, mais do mesmo. Outro empate entre corintianos e são paulinos em veiculações às quartas, com o Corinthians na frente em pontuação por dois pontos e três no share. O Palmeiras teve apenas um joguinho e o Santos, pasmem, zerou neste quesito. A mesma concentração não foi vista nos fins de semana, quando Corinthians e Palmeiras jogaram cinco e São Paulo e Santos, quatro vezes cada. Catapultados pelas finais, alvinegros e alviverdes marcaram média de 32,5 (com 56%) e 28 pontos (com 50%), deixando para trás aqueles que ficaram pelo caminho.

Um grande abraço e saudações!

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Audiências: uma comparação entre as finalíssimas da Copa do Brasil

Por conta do atraso maior do que o normal na divulgação dos números de audiência pela Kantar Ibope Media, só na última sexta saíram os dados agregados das 15 praças monitoradas durante a final da Copa do Brasil. Como o instituto começou a divulgar estes números em 2016, temos finalizado um ciclo que contempla duas decisões do torneio: Grêmio x Atlético-MG em 2016 e este recente Cruzeiro x Flamengo.

Em tempos de debates (e questionamentos) sobre os valores pagos pelo televisionamento dos clubes de maior torcida, os números proporcionam um comparativo que dá a ideia apropriada do plus representado por alguém como o Flamengo numa final de torneio nacional. Ainda que cruzeirenses possam não concordar, a verdade é que a Raposa equivale ao Galo – ou mesmo ao Grêmio, campeão um ano antes – em termos de chamariz nacional. Sendo assim, soa correto atribuir ao apelo do Rubro-Negro a diferença das audiências registradas nas finais de 2016 e 2017. Vamos a elas:

Em apenas três das quinze praças, a penúltima finalíssima apresentou apelo maior do que a decisão de duas semanas atrás. A primeira delas é óbvia: Porto Alegre tinha um dos seus representantes envolvidos ano passado, fato que não se repetiu agora. Por lá a audiência compreensivelmente desmoronou 19,8 pontos. As outras duas praças trazem à tona uma revelação interessante. Curitiba (-0,4 ponto de audiência) e Florianópolis (-5,5 pontos) demonstraram que a final envolvendo um time gaúcho suplantou a presença do Flamengo – mesmo com pesquisas apontando a torcida carioca como maior do que a do Grêmio nas duas cidades. Nestes casos, pode ser que valha mais o agregado: o somatório de gremistas e colorados um ano antes seria mais representativo do que o de flamenguistas agora. Ou ainda uma questão de regionalismo, pela simples valorização de times do Sul do Brasil.

Nas demais regiões, um verdadeiro baile. Se excluirmos o Rio de Janeiro (por óbvio), poderíamos apontar três praças que supervalorizam o Mengão em termos de audiências: Manaus, Vitória e Brasília. Todas tiveram ganhos superiores aos 12 pontos quando comparadas à final passada, uma enormidade. Manaus, inclusive, registrou audiência superior aos 40 pontos, algo verificado apenas no Rio e em Belém. A capital paraense é um caso à parte: extremamente amigável ao Flamengo, costuma apresentar grandes audiências com facilidade também para outros times, tanto que a comparação com o ano anterior apresentou ganho de “apenas” 9,4 pontos.

Outros destaques puderam ser verificados no Recife (+9,4 pontos), Goiânia (+8,6 pontos) – cidade onde a TV Globo apresenta dificuldades para ultrapassar a casa dos 20 pontos com o futebol – e São Paulo (+5,7 pontos). Esta última, evidentemente, surge como o principal ganho do Flamengo em termos comerciais. Cinco pontos de audiência em plena sede do mercado publicitário brasileiro são algo de um valor quase inestimável. No extremo oposto, surpreendente que uma cidade como Salvador, em pleno Nordeste brasileiro, tenha dado de ombros à equipe carioca, apresentando meros 1,3 pontos adicionais.

Por fim, algumas considerações relativas às audiências do Cruzeiro. Inicialmente, parece haver explicação para os números absurdamente maiores em BH este ano – 15,5 pontos acima da final de 2016. Ano passado, os atleticanos tombaram na primeira partida em casa, diminuindo o apelo do segundo confronto. No entanto, esta justificativa não se sustenta nem na comparação dos primeiros jogos (30,7 pontos ano passado, 39 pontos este ano), nem na audiência média de Cruzeiro e Atlético. Desde o início das divulgações do Ibope (junho de 2016), 19 partidas do Cruzeiro adentraram ao top-10, cravando média de 28,1 pontos. Já o Atlético teve 13 jogos e 26 pontos médios. Lembrando que ambos tiveram desempenhos semelhantes, chegando à final da Copa do Brasil, com o Galo jogando a Libertadores 2017.

Diante do exposto, poderíamos formular duas teorias para as maiores audiências do Cruzeiro na comparação com o Atlético na capital mineira: ou a torcida azul seria maior, o que não se sustenta pelas pesquisas, já que elas mostram enorme equilíbrio entre ambas na cidade; Ou a massa atleticana seria mais “engajada” – secando mais os rivais em suas partidas do que o oposto. Consequentemente, ofertando-lhe de bandeja audiências superiores.

Um grande abraço e saudações!

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Até onde pode chegar o Botafogo?

Se o leitor imaginou, à pergunta do título, responder algo relacionado ao desempenho de Camilo, Montillo ou Pimpão, se equivocou. Embora a participação do Botafogo na Libertadores enseje sonhos maiores, a pergunta se refere a algo diferente – ainda que com total relação. Não ao número de gols, mas aos números de audiência do time da Estrela Solitária no torneio. Que vem sendo surpreendentemente altos.

Há três semanas, o clube de General Severiano inaugurou a temporada de grandes jogos num embate contra o Colo Colo no Engenhão que marcou 27 pontos de audiência com 43% de share. Desde então, a audiência – que já começou boa – só fez subir, seja em números absolutos ou relativos. O segundo jogo contra os chilenos marcou 28 pontos com 43%. Já a partida contra o Olímpia manteve a pontuação, subindo a participação para 45%.

Tratam-se de números consideráveis em se tratando do histórico de audiências do Botafogo. Que o torcedor não se engane: se, ao longo dos últimos anos, o clube teve bem menos partidas transmitidas do que a concorrência, isto está relacionado aos números entregues pelo próprio Alvinegro. O mercado não rasga dinheiro, afinal. Não haveria “queridinhos” nem “relegados” se as escolhas não fossem baseadas na capacidade de se comunicar com um público maior – auferindo retorno aos anunciantes.

Temos aí, portanto, duas teses a serem comprovadas: a de que os números do Botafogo foram historicamente piores e a de que a Libertadores de 2017 surge como promissora exceção. Para comprová-las, o Blog Teoria dos Jogos decidiu recorrer ao seu acervo de audiências televisivas que remete ao ano de 2013. Os números expostos a seguir se referem às audiências em TV aberta (Globo ou Globo + Band, quando foi o caso). Vejamos:

2013 (Botafogo campeão estadual)

16 jogos do Botafogo transmitidos ao longo da temporada: 6 pelo Estadual, 3 pela Copa do Brasil e 7 pelo Brasileirão. Audiência média de 22,7 pontos com 45%.

5 clássicos: Audiência média de 28,4 pontos com 54%

11 jogos regulares: Audiência média de 20,1 pontos com 39%

2014 (Botafogo rebaixado à Série B)

13 jogos do Botafogo transmitidos ao longo da temporada: 1 pelo Estadual, 3 pela Libertadores e 9 pelo Brasileirão. Audiência média de 17,8 pontos com 37%

1 clássico: Audiência de 19 pontos com 46%

12 jogos regulares: Audiência média de 17,6 pontos com 37%

2015 (Botafogo finalista estadual e Série B)

9 jogos do Botafogo transmitidos ao longo da temporada: 6 pelo Estadual e 3 pela Copa do Brasil. Audiência média de 22,7 pontos com 44%

4 clássicos: Audiência média de 27,5 pontos com 53%

5 jogos regulares: Audiência média de 18,8 pontos com 37%

2016 (Botafogo finalista estadual)

14 jogos do Botafogo transmitidos ao longo da temporada: 5 pelo Estadual e 9 pelo Brasileirão. Audiência média de 20,8 pontos com 40%

5 clássicos: Audiência média de 24,4 pontos com 47%

9 jogos regulares: Audiência média de 18,9 pontos com 36%

Para termos a exata noção do que representam os números de 2017, é preciso olhar para os “jogos regulares” dos anos anteriores. São os jogos do Botafogo contra equipes de fora do Rio de Janeiro, supostamente só de interesse dos botafoguenses. Isto porque clássicos possuem, naturalmente, uma expressiva audiência da torcida rival – em especial nos embates contra as maiores. Ainda que uma partida válida pela Libertadores tenha o chamariz de atrair interesse adversário, existe uma última estatística que sacramenta o sucesso atual:

Jogos do Botafogo na Libertadores 2014

3 jogos: Audiência média de 21,3 pontos com 41%

Jogos do Botafogo na Libertadores 2017

3 jogos: Audiência média de 27,7 pontos com 44%

Em resumo: nos últimos anos o Botafogo nunca ultrapassou a média de 20,1 pontos de audiência com 39% de participação em partidas que não envolvessem seus rivais. Neste sentido, as audiências de 2017 são 38% superiores ao histórico das últimas quatro temporadas. Já na comparação com 2014 – a mesmíssima Libertadores de agora – os números vem se saindo 30% maiores.

Sendo assim, retornamos à pergunta original: até onde pode chegar o Botafogo? Caso a equipe siga se superando e indo longe no torneio, é possível auferir audiências ainda mais robustas? As más campanhas recentes em torneios que não o Estadual nos impedem de saber a resposta. Desde 2013, o melhor do Botafogo foram 33 pontos com 52%, mas era um jogo de quartas-de-final da Copa do Brasil contra o Flamengo. Em não-clássicos, o pico foi um Atlético-MG x Botafogo, válido pelo Campeonato Brasileiro de 2013: 25 pontos com 41%.

Por fim, um paralelo com os rivais talvez traga referências que interessam aos alvinegros. Não tanto pelo Vasco, pois nem o bi-campeonato carioca superou a audiência daquela eliminação diante do Flamengo pela Copa do Brasil. Mas Fluminense e Flamengo possuem melhores bases de comparação. Fora clássicos, o Tricolor viveu seu melhor momento na Libertadores 2013, quando marcou 27 pontos com 46% de share diante do Emelec (fase de grupos). Quanto ao Rubro Negro, este explodiu com 41 pontos e 66% de share na final da Copa do Brasil do mesmo ano.

Um grande abraço e saudações!

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Tudo sobre audiências – parte 4: as maiores audiências RJ e SP 2016

Há alguns meses o Blog Teoria dos Jogos iniciou uma série de análises relacionadas às audiências televisivas do futebol brasileiro, assim dividida:

Parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Parte 2: Os campeões de audiência 2015

Parte 3: As audiências da Band

Parte 4: As maiores audiências RJ e SP 2016

Parte 5: Audiências em queda: verdade ou mentira?

Após um breve intervalo, que incluiu uma pausa para os Jogos Olímpicos – período profissionalmente muito atribulado – decidimos retomar às análises desde seu tópico 4, dada a saída da TV Bandeirantes das transmissões futebolísticas em torneios nacionais. Devidamente incentivado e “provocado”, importante dizer, pelo amigo Fábio Sormani, da Fox Sports, a quem estas tabelas são dedicadas.

As audiências do futebol em 2016 dividem-se entre as praças do Rio de Janeiro e de São Paulo – únicas divulgadas pela TV Globo semanalmente. Dividem-se ainda entre os principais torneios do ano: Campeonatos Estaduais, Copas (Libertadores, do Brasil e Sul Americana) e Brasileirão. Por fim, os números são separados por dia da semana e pela natureza dos jogos (clássicos ou não), dada a primazia de audiências verificadas às quartas feiras ou em confrontos entre times grandes.

Lembrando que: 1) Cada ponto de audiência equivale a 69 mil domicílios em São Paulo e 43 mil no Rio, enquanto o share significa o percentual de televisores ligados naquele canal; 2) Todos os números se referem apenas à audiência em TV aberta da Globo, menos para os Estaduais, que representam a soma Globo + Band, pois neles ainda havia o compartilhamento dos direitos televisivos; 3) As estatísticas contidas nesta coluna não contemplam a rodada do último fim de semana (24 e 25/9) no Brasileirão.

CAMPEONATOS ESTADUAIS

Pode-se dizer que os campeonatos estaduais são aqueles em que as audiências mais estão expostas a “causas perturbadoras” a lhes enviesarem. Isto porque se tratam de torneios de tiro curto com alto índice de clássicos transmitidos. Assim, clubes com menos torcida tendem a aparecer em poucos jogos, primariamente em clássicos – onde as audiências são naturalmente mais altas. Assim, muitas estatísticas acabam por se insuflar de maneira irreal. Outro benefício que precisa ser relativizado acomete àqueles que chegam à final do campeonato, geralmente um oásis de bons números em meio a um marasmo de audiências regulares.

Dito isto, vamos às análises:

RIO DE JANEIRO

fig-01
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Embora o clube mais televisionado durante o Campeonato Carioca tenha sido o Vasco (nove jogos), foram os sete do Flamengo que apresentaram os melhores números do torneio. Na média final, o Rubro Negro teve um audiência de 27,1 pontos com 49%, contra 25,1 (48%) dos cruzmaltinos, 24,2 (47%) do Botafogo e 22,2 (42%) do Fluminense. Percebam a discrepância entre Flu e Bota pelo fato do alvinegro ter ido à final, catapultando seus números. No campeonato como um todo, ambos tiveram cinco jogos transmitidos.

Quando separamos a análise por dia de semana (DDS) e fim de semana (FDS), chegamos a algumas outras conclusões. Apesar do Vasco ter tido nove jogos na telinha, apenas um se deu nos dias de audiência mais alta, a quarta-feira. E não foi um jogo qualquer, mas um Flamengo x Vasco pela fase de grupos da Taça Guanabara, que explodiu como poucas vezes: 37 pontos de audiência com 57% de participação. De qualquer maneira, o time da Colina passou nada menos que oito vezes aos domingos, desproporção não atingida por nenhum de seus rivais.

Sob outro ponto de vista, separamos clássicos de jogos contra times pequenos – o que também faz uma diferença brutal. Aí os beneficiados são outros:

fig-02
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Dos nove jogos vascaínos na TV, nada menos que seis foram clássicos – sendo dois pelas finais, diante do Botafogo. Até por ser um dos finalistas, o clube da Estrela Solitária se viu bastante inflado, já que quatro de suas cinco transmissões se deram em clássicos. Por outro lado, o Flamengo e principalmente o Fluminense tiveram maior número de jogos contra times pequenos, elemento de evidente impacto negativo. De qualquer maneira, as audiências do Flamengo superaram as dos rivais sob todos os aspectos: 30 pontos (55%) em clássicos e 23,3 (42%) contra pequenos. Neste último caso, os números do Mengão foram 19% superiores aos do Tricolor, segundo colocado – uma enormidade em se tratando destas informações.

SÃO PAULO

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Se no Rio o mais transmitido foi o campeão estadual, São Paulo viveu situação antagônica. O Santos, campeão paulista, tive míseros três jogos na TV – sendo dois na final, contra o Audax. O outro, como veremos adiante, foi um clássico. O resultado foram números artificialmente superiores aos de todos os demais: 25,6 pontos e 47% de share. No outro extremo está o Corinthians, com seus oito jogos na TV. Com eles, marcou 24,5 pontos médios e 45%. O São Paulo teve cinco jogos, 22,2 pontos e 42% em média. O Palmeiras, quatro jogos, 24,5 pontos e 46%.

A análise por dia da semana em Sampa diz menos do que no Rio, já que muitos paulistas jogavam a Libertadores enquanto a Globo Rio veiculava seus times no Carioca. Sendo assim, apenas Corinthians (duas vezes) e São Paulo (uma) apareceram na telinha às quartas. Já a análise que separa clássicos de jogos contra pequenos é bem mais reveladora:

fig-04
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Antes, é importante dizer que o Paulistão deste ano teve, excepcionalmente, um número de clássicos transmitidos menor do que no Rio. Seu campeão de exposição foi o Corinthians, com três jogos, 28,3 pontos e 51%. Os números dos outros podem parecer iguais (São Paulo, 28 pontos) ou maiores (Palmeiras, 29 pontos), mas existe um porém: 75% dos clássicos transmitidos (três de quatro) foram contra o time de Itaquera, ou seja, é exatamente o Corinthians quem ajuda a inflar os rivais. Já o Santos, tendo confrontado duas vezes um pequeno em plena final, nadou de braçada neste recorte.

COPAS

Eis uma estatística muito mais simples de ser analisada: copas só são jogadas às quartas, tornando desnecessária a separação por dia. Também são raros os clássicos nestas circunstâncias – este ano, por exemplo, não aconteceu nenhum. Ou seja, a única coisa a ser considerada aqui é o peso do torneio.

RIO DE JANEIRO

Nenhum time da Cidade Maravilhosa jogou a Libertadores 2016. Sendo assim, a maioria das análises se refere à Copa do Brasil, com exceção dos três últimos jogos do Flamengo, válidos pelas fases intermediárias da Sul Americana:

fig-05

Isso mesmo: foram sete jogos rubro-negros, com audiências 22% superiores às do Vasco (26,3 a 21,6 pontos). Cinco jogos vascaínos e três tricolores (20,3 pontos, em média). E nenhum. Nenhum joguinho do Botafogo para contar história…

SÃO PAULO

fig-06

Na Terra da Garoa houve maior equilíbrio entre o líder Corinthians (nove jogos, 26,1 pontos com 40%) e o segundo colocado, São Paulo (oito jogos, 25,5 pontos com 39%). Parte da explicação recai sobre o fato de o Tricolor ter chegado às semifinais da Libertadores, enquanto o Corinthians parou nas oitavas. Assim como o Botafogo, o Palmeiras simplesmente não apareceu na TV nestes torneios. Já o Santos, uma única vez: contra o Gama, pela Copa do Brasil (18 pontos).

BRASILEIRÃO

RIO DE JANEIRO

As transmissões do Brasileirão retomam a necessidade de separação segundo o dia da semana. Contudo, no Rio não se faz necessário repartir clássicos e jogos regulares, uma vez que apenas um foi veiculado na cidade: Fluminense x Botafogo, num domingo de inexpressivos 20 pontos com 38%.

fig-07
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Na ausência do Vasco (que joga a Série B), o grande beneficiado foi o Fluminense que, este ano, apareceu tantas vezes quanto o Flamengo (11 cada). Os dois tiveram igualdade também no perfil das transmissões: quatro em dias de semana, sete em fins de semana. Assim, a comparação entre ambos pode se dar sob bases equânimes.

Em boa dose por conta da fantástica audiência do jogo contra o Palmeiras, o Rubro Negro atropela o Tricolor sob a ótica das quartas feiras: 30,5 com 47% a 23 com 36% – resultado 33% superior. Nos fins de semana, a superioridade flamenguista cai para a casa dos 19% (23 pontos contra 19,3). Já o Botafogo teve cinco jogos, todos aos finais de semana – esvaziando seus números. No geral, portanto, o Fla marca em média 25,7 pontos com 44%. O Flu, 20,6 com 37%. O Bota, 18 com 35%.

Importante: um jogo do Alvinegro aconteceu sábado, dia de audiências tradicionalmente inferiores.

SÃO PAULO

Diferente do Rio, em São Paulo retomam-se análises não só por dia de semana mas também por clássicos. Isto porque, por lá, já foram veiculados cinco dérbis neste Brasileirão. A começar pela primeira ótica:

fig-08
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Em Sampa também há empate envolvendo Corinthians e São Paulo, ambos com 11 partidas televisionadas. E o perfil é quase o mesmo: Timão quatro vezes às quartas, sete aos fins de semana. Soberano, três às quartas, oito aos domingos. Em compensação, o Corinthians se apresentou num sábado. Sendo assim, em analogia à dupla Fla-Flu no Brasileirão, pode-se considerar justa a comparação direta entre Corinthians e São Paulo.

Às quartas, o Corinthians vence o São Paulo por apertados 25,5 a 24,3 (mesmo share: 40%). Aos fins de semana, um pouco mais de folga: 22,6 (com 43%) para um, 20,1 (com 37%) para outro. Só que em termos gerais, Corinthians (23,6 com 42%), São Paulo (21,3 com 38%) e Santos (23 com 44% em dois jogos) perdem para o Palmeiras (24,1 com 41%). Por quê?

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A explicação reside aqui. Entre as agremiações com mais televisionamentos, o maior percentual de clássicos pertence ao Palmeiras (três de sete). O São Paulo fez três clássicos diluídos num universo de 11 transmissões. O Corinthians, apenas dois em 11. Nas partidas regulares, onde as audiências vem sem tanta facilidade, os 22,9 pontos do Corinthians em nove jogos superam os 22 pontos em 4 jogos do Verdão. Aqui, o Santos é novamente um ponto fora da curva: dois jogos, dois clássicos.

COMPARAÇÕES INTERNAS

No Rio, resta claro que, sob qualquer aspecto, o Flamengo apresenta audiências muito superiores às de seus rivais. Inclusive, pode-se dizer que em condições normais de temperatura e pressão, Vasco, Fluminense e Botafogo se equivalem – com certa vantagem cruzmaltina.

Já em São Paulo, há maior equilíbrio entre o líder Corinthians e o São Paulo – ainda que não se discuta a supremacia do primeiro. Palmeiras e Santos, alguns passos abaixo, se veem tão relegados que geralmente aparecem apenas em clássicos ou jogos decisivos. Seria importante vê-los em mais partidas regulares, proporcionando uma melhor base de comparação. De qualquer maneira, em anos anteriores a dupla já apresentou alguns índices bem fracos.

Aqui, uma questão particular que explica meu grande ponto de discordância com relação ao Sormani. Eu considero que diferenças de alguns pontos de audiência (e share) justificam as diferenças nas cotas de televisionamento, tendo em vista que um mercado tão competitivo quanto o da TV aberta precifica cada ponto marginal em muitos milhões. Sormani tem outro ponto de vista, entendendo injustificáveis as diferenças, por pequenas que seriam.

Não há certo ou errado neste debate, apenas interpretações.

COMPARAÇÃO RIO X SÃO PAULO

Nem todo ano é assim, mas em 2016, o rei das audiências no Rio (Flamengo) supera o preferido de São Paulo (Corinthians) sob todos os recortes – incluindo Copas em que os Paulistas disputaram a Libertadores. O que faz retornarmos ao que é sempre dito: o Rubro Negro se beneficia de audiências maiores e nacionalmente mais dispersas. O Alvinegro, da supremacia nos principais mercados – que não se resumem ao seu berço, já que Paraná ou Rio Grande do Sul muitas vezes alinham com a Globo São Paulo. Por isso, é importante analisar o quantitativo médio de praças alinhando com a transmissão de cada um deles. Assunto para outra coluna…

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Palmeiras x Fla tem audiência de decisão e quebra recordes

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Na noite de ontem, Palmeiras e Flamengo se enfrentaram no que vem sendo considerada uma decisão antecipada do Campeonato Brasileiro de 2016. Embora seja cedo para afirmações nesta direção, dadas as treze rodadas ainda pendentes, a verdade é que as audiências televisivas refletiram uma expectativa de final de campeonato. Para o Rio de Janeiro, o empate de 1 x 1 entre alviverdes e rubro-negros rendeu espetaculares 37 pontos de audiência com 55% de share. Parece muito, e é mesmo. Principalmente se fizermos uma retrospectiva das grandes audiências do futebol nos últimos anos.

Os índices constituíram a maior audiência da Globo no Campeonato Brasileiro desde a última rodada do Brasileirão 2009 – exatamente quando o Flamengo se sagrou campeão. Naquela ocasião, a vitória de 2 x 1 sobre o Grêmio rendeu à emissora 42 pontos com 72% de share, também considerando apenas a praça do Rio de Janeiro. Desde então, apenas a decisão da Copa do Brasil de 2013 alcançou resultado melhor. Na noite de 27/11/2013, o Flamengo (sempre ele) venceu o Atlético-PR por 2 x 0 e rendeu à TV dos Marinho 38 pontos com 61% de share. Como a Band também transmitiu aquela partida (o que não acontece mais), a audiência total daquela ocasião ficou em 41 pontos com 66%.

Se considerarmos a audiência somada Globo + Band, além das finais de 2009 e 2013, apenas outros dois jogos superaram a partida de ontem no Rio. Foram eles: a segunda partida das oitavas de final da Copa do Brasil 2015, entre Flamengo x Vasco (41 pontos com 64% totais) e o antológico Santos 4 x 5 Flamengo de 2011 (39 com 60%). Uma surpreendente partida entre Fla e Vasco válida pela fase de grupos da Taça Guanabara deste ano marcou os mesmos 37 pontos, mas com share superior (57%). Lembrando que em todos estes casos, a audiência da Globo sozinha foi menor do que a emissora marcou ontem.

Mas os números de ontem não foram impressionantes apenas sob a ótica carioca. Mesmo em São Paulo, recentemente a Globo jamais atingiu 37 pontos com uma partida do Brasileirão. É verdade que por seis vezes a Globo marcou entre 39 e 46 (!) pontos, todas envolvendo jogos do Corinthians. No entanto, em cinco oportunidades o torneio era a Libertadores em estágios avançados. Na outra, tratava-se da final da Copa do Brasil de 2009. Isolando apenas o Campeonato Brasileiro, Corinthians x Palmeiras (última rodada de 2011) e São Paulo x Corinthians (25ª rodada do mesmo ano) marcaram, respectivamente, 41 e 38 pontos, mas no agregado com a Band. Sozinha, a Vênus Platinada não ultrapassa os 30 pontos em São Paulo há anos.

A Globo do Rio também igualou sua melhor audiência absoluta no futebol 2016. Ela pertence à final Olímpica, entre Brasil x Alemanha, momento em que atingiu os mesmos 37 pontos, mas com incríveis 60% de share em plena tarde de sábado. No absoluto, a conquista  do ouro segue como a maior audiência do futebol no ano, com 45 pontos totais (73%) – graças aos 5 pontos atingidos pela Record (8%) e 3 da Band (5%). Em São Paulo também foi assim: 46 pontos totais (70%), sendo 35 com 53% na Globo, 6  com 9% na Band e 5 com 8% na Record.

Para terminar, ontem a Globo São Paulo optou por veicular Coritiba x Corinthians em detrimento do clássico do Allianz Parque – que demandaria a exceção de exibir a partida para a mesma praça. Assim, o resultado foram protocolares 26 pontos com 40% de participação.

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As (baixas) audiências das finais dos Estaduais 2016

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Foto: André Durão/Globoesporte.com

Na tarde de ontem, os principais campeonatos estaduais conheceram os grandes campeões da edição 2016. Além do hexa do Internacional, no Rio Grande do Sul, e da surpreendente vitória do América-MG sobre o Atlético-MG, São Paulo e Rio de Janeiro também viveram suas voltas olímpicas. Mas se as torcidas de Vasco e Santos tem muito o que comemorar, a verdade é que para as emissoras de TV, houve bem menos razões para festejos.

A começar por São Paulo, onde a falta de euforia era um pouco mais óbvia. Embora um grande clube de futebol tradicionalmente bonito confrontasse a maior revelação tática dos últimos anos (Audax), o apelo por uma decisão sempre termina relacionado ao tamanho das torcidas. E o Santos tem apenas a quarta maior do estado de São Paulo. Pior o Audax, time da cidade de Osasco, na região metropolitana, praticamente sem torcida. Por isto, as audiências da final paulista foram as seguintes:

SANTOS X AUDAX

GLOBO – 21 PONTOS COM 40% DE PARTICIPAÇÃO

BAND – 6 PONTOS COM 11% DE PARTICIPAÇÃO

TOTAL: 27 PONTOS COM 51% DE PARTICIPAÇÃO

No agregado, três pontos e 8% acima da primeira partida, jogada domingo passado na casa do Audax. Ainda assim, uma audiência muito baixa em termos de final de campeonato. Menor, por exemplo, que a decisão Santos x Ituano, válida pelo Paulistão-2014 (28 pontos com 54%). Se a comparação for apenas com o torneio de 2016, a finalíssima ficou atrás dos clássicos entre Corinthians x São Paulo (28 com 52% totais) e Palmeiras x Corinthians (31 com 54% totais).

Já no Rio, a final envolvia dois grandes e tradicionais players do estado, Vasco e Botafogo. Mas a derrocada das audiências nos brindou com uma situação ainda mais rara:

VASCO X BOTAFOGO

GLOBO – 24 PONTOS COM 51% DE PARTICIPAÇÃO

BAND – 2 PONTOS COM 4% DE PARTICIPAÇÃO

TOTAL: 26 PONTOS COM 55% DE PARTICIPAÇÃO

Na comparação com o primeiro jogo, até houve aumento no share, de 48% para 55%. Mas a audiência absoluta caiu dos 27 pontos da semana passada para 26 ontem. Trata-se de uma situação raríssima, além de uma enorme demonstração de desinteresse – tanto das torcidas quanto dos telespectadores. Para que se tenha uma ideia, os mesmos times decidiram o Campeonato Carioca 2015 numa jornada de 31 pontos com 59% de participação. O primeiro jogo alcançara 30 com 54%.

Com números tão fracos, as maiores audiências do Carioca-2016 acabaram nas mãos dos dois confrontos entre Flamengo e Vasco: 37% com 57% na fase de grupos (jogado numa quarta-feira, quando os números são tradicionalmente maiores) e 30 pontos com 57% na semifinal.

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Tudo sobre audiências – parte 1: O catapultar dos números em clássicos

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Em tempos de renegociações envolvendo clubes e emissoras, ganhou importância o debate acerca das audiências como elemento balizador dos repasses. Para o leitor do Blog Teoria dos Jogos, não é nenhuma novidade acompanhar este tipo de análise por aqui. Já o fizemos em diversas outras ocasiões, afinal. No entanto, desta vez decidimos ir além: estudar esta questão sob diferentes óticas, junto a informações pouco conhecidas do grande público.

A série “Tudo sobre audiências“ será assim dividida:

Parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Parte 2: Os campeões de audiência 2015

Parte 3: As audiências da Band

Parte 4: As maiores audiências RJ e SP

Parte 5: Audiências em queda: verdade ou mentira?

Todas as colunas vão se referir às audiências do futebol em TV aberta. Embora não sejam necessariamente consecutivas, toda vez que alguma delas for publicada, será linkada às anteriores, servindo como banco de dados para consultas de quem se interessar pelo tema.

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Há duas semanas, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro divulgou a tabela da Taça Guanabara, contendo informações que apenas o olhar mais atento percebeu. Aos dois clássicos do Estadual 2016 que já foram televisionados em TV aberta (Flamengo x Vasco e Botafogo x Fluminense), a  tabela incluiu mais três: o Fla x Flu do Pacaembu, Vasco x Botafogo e Flamengo x Vasco. Isto faz com que sejam cinco os clássicos veiculados pela TV Globo para grande parte do Brasil (ou todo ele, via parabólicas), sem contar com as partidas decisivas do campeonato – muito provavelmente, novos clássicos.

Trata-se do maior número de grandes jogos do Carioca em TV aberta nos últimos tempos. Em 2013, apenas três clássicos foram transmitidos, todos decisivos. Em 2014, foram cinco – mas ao contrário do ano anterior, o Carioca não terminou por antecipação. No ano passado, em seis ocasiões tivemos embates de gigantes veiculados nestas mesmas condições.  Já em 2016, caso nenhum pequeno estrague a festa, podem ser até nove clássicos.

O ineditismo no número de clássicos televisionados inclui o Campeonato Paulista, onde historicamente houve mais jogos do tipo na TV (visando maiores audiências na cidade-sede do mercado publicitário). E é justamente esta a razão encontrada para tal mudança na programação da TV: as diferenças brutais de audiências entre “jogos comuns” e clássicos.

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No Campeonato Carioca 2016, dos onze jogos transmitidos até aqui, oito foram não-clássicos, com média de 20,7 pontos de audiência e 40% de share. Os três clássicos alcançaram 26,6 pontos e 50%. No Paulistão 2016, foram apenas nove jogos, dada a concorrência da Libertadores. Sete não-clássicos atingiram média de 20,6 pontos e 39% de participação. Os dois clássicos marcaram 27 com 49%. Todos os números consideram a soma das audiências de Globo e Bandeirantes.

Em retrospectiva, números parelhos. No Brasileirão 2015, o Rio assistiu a apenas três clássicos, com média de 26 pontos com 53%. Outros 36 jogos envolveram Fla, Flu, Vasco ou Bota contra outras agremiações, marcando 21,7 pontos e 42%. Em São Paulo, quatro clássicos com média de 24 pontos e 45%. Os 34 não-clássicos atingiram 22,5 pontos e 42%.

No Carioca 2015, foram seis clássicos, 28,3 pontos de audiência e 54% de participação. Treze não-classicos, 20,7 pontos e 40%. No Paulista 2015, sete clássicos com 28,3 pontos e 52%. Nove não-clássicos, 19,3 pontos e 38% de share.

No Brasileirão 2014, dois Fla-Flus proporcionaram 25,5 pontos e 53%. Trinta e sete não clássicos marcaram 19,7 pontos com 40%. Em Sampa, seis clássicos, 24,5 pontos e 49% de share. Trinta e dois não-clássicos alcançaram 21,1 pontos e 42%.

Por fim, os Estaduais-2014. No Rio, os cinco clássicos marcaram 25 pontos e 53%. Os onze não-clássicos, 17,7 pontos e 40%. Já em São Paulo, cinco clássicos, 25,6 pontos e 49%. Quatorze não-clássicos, 21,1 pontos e 43%.

Temos aqui uma amostra robusta: 244 jogos. E um veredicto: clássicos proporcionam audiência e share aproximadamente 25% superior aos jogos normais. Em números absolutos, isso representaria algo como 5,5 pontos e 10% de share adicional. Uma enormidade, se considerarmos que cada ponto de audiência representa 69 mil domicílios em São Paulo e 43 mil no Rio. Se o mercado precifica em muitos milhões cada ponto adicional – razão pela qual pagava tão mais a determinados times – imaginem o valor de mercado de um dérbi envolvendo grandes e apaixonadas torcidas.

Portanto, como já foi dito, esta seria uma razão para o aumento no número destes duelos na TV carioca. Trata-se de um processo que, mesmo já corriqueiro, tende também a se intensificar em São Paulo, à medida com que aumenta a concorrência com a cada vez mais diversificada TV fechada. Existem elementos limitadores, como bloqueios de transmissão para a própria praça. Mas é provável que nos futuros contratos estas cláusulas também se flexibilizem.

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Audiências num Rio de Janeiro alijado

27/11/2013, data antológica para a TV no Rio de Janeiro. Naquela noite, o maior clube do estado voltava a decidir um título nacional, quatro anos após conquistar o Campeonato Brasileiro. A demanda da torcida do Flamengo fez com que a audiência da vitória sobre o Atlético-PR, pela final da Copa do Brasil, correspondesse às expectativas. Foram 41 pontos com 66% de share (38 com 61% apenas na Globo), os melhores números da década na cidade. Naquela noite, tanto as emissoras quanto a metade da população fluminense foram dormir felizes.

A partir desta última epopeia nacional, eis que os cariocas voltaram a protagonizar uma deprimente figuração. O título de 2013 foi o último de uma série de conquistas  nacionais iniciada em 2006 com o mesmo Flamengo, na mesma Copa do Brasil*. De lá para cá, o torcedor do Rio voltou a conviver com rebaixamentos e desimportâncias. Pior: passou a assistir pela televisão ao protagonismo de clubes de outras regiões.

*Flamengo campeão da Copa do Brasil 2006; Fluminense campeão da Copa do Brasil 2007; Flamengo campeão brasileiro 2009; Fluminense campeão brasileiro 2010; Vasco campeão da Copa do Brasil 2011; Fluminense campeão brasileiro 2012; Flamengo campeão da Copa do Brasil 2013. Nesta série, apenas em 2008 o Rio não levou nenhuma taça nacional.

Uma das características da TV no Rio de Janeiro é a de veicular partidas decisivas envolvendo times de fora, não só pela Band mas também na Globo. Algo que não acontece, por exemplo, em São Paulo – sede de um mercado publicitário que considera filmes ou paulistas remanejados melhores do que jogos de outras praças. Sendo assim, tanto a final mineira da Copa do Brasil de 2014, quanto a final paulista deste ano tiveram transmissões em solo carioca. Com excelentes números, diga-se de passagem. Comparemo-nos:

Atlético-MG x Cruzeiro – 1º jogo final Copa do Brasil 2014 (RJ)

23 pontos de audiência e 41% de share pela Rede Globo (A Band não possuía os direitos do torneio)

Cruzeiro x Atlético-MG  – 2º jogo final Copa do Brasil 2014 (RJ)

29 pontos de audiência e 49% de share pela Rede Globo.

Santos x Palmeiras – 1º jogo final Copa do Brasil 2015 (RJ)

21 pontos com 35% pela Rede Globo, mais 2 com 3% pela Band. Total: 23 pontos com 38%

Palmeiras x Santos – 2º jogo final Copa do Brasil 2015 (RJ)

23 pontos com 39% pela Rede Globo, mais 2 com 4% pela Band. Total de 25 pontos com 43%

As audiências forasteiras no Rio comprovam a tese de que o brasileiro gosta de futebol, mas principalmente de decisões. São, ainda, uma prova de que Rio ou São Paulo são capazes de se igualar ao resto do país, onde capitais importantes como Belo Horizonte ou Porto Alegre se cansam de receber sinais de fora sem prejuízos devastadores em seus números. No caso carioca, uma interessante especificidade aponta para a predileção dos mineiros em detrimento dos paulistas – fato comprovado pelos 29 pontos (49%) daquele Raposa x Galo. Isto pode ser fruto da proximidade Rio-Minas ou uma resposta à negativa rivalidade existente entre a Cidade Maravilhosa e a Terra da Garoa.

Como não poderia deixar de ser, os registros nas praças de origem foram robustamente maiores – com novo destaque para a final mineira. O segundo clássico mineiro de 2014 marcou inacreditáveis 50 pontos com 73% via Globo Minas (Belo Horizonte). Em solo paulistano, Palmeiras x Santos registrou 32 pontos com 49% pela Globo e 7 com 10% na Band, totalizando 39 pontos e 59% de share.

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O desserviço dos especialistas em audiências

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Houve um tempo em que a Máquina do Esporte era considerada fonte primária de notícias e análises relacionadas ao marketing esportivo. Seu visual amigável trazia consigo informações não encontradas em nenhum outro veículo do gênero – como as audiências do futebol. Infelizmente, uma equivocada mudança na divulgação e análise destes números vem colocando em xeque a credibilidade do portal.

Não vem de hoje, mas um exemplo se deu na 17ª rodada do Brasileirão, quando Ponte Preta e Flamengo se enfrentaram em partida veiculada pela Globo Rio. Para São Paulo, um eletrizante Cruzeiro x Palmeiras complementou a jornada esportiva. Os números no Rio foram condizentes com as médias do Flamengo: 17 pontos com 41% na Globo e 2 com 4% na Band (Total: 19 com 45%). Em São Paulo, resultado ainda melhor: 16 com 37% na Globo e 5 com 11% na Band (Total: 21 pontos com 48%). Números satisfatórios em ambas as praças, dado o menor número de televisores ligados naquela tarde de Dia dos Pais. Mesmo assim, a Máquina do Esporte se saiu com a seguinte chamada:

Flamengo tem nova baixa e iguala sua pior audiência no Brasileirão

Indo de encontro ao que costumava fazer, o veículo ocultou o elevado share das duas partidas (principalmente a do Palmeiras), focando suas análises nos falaciosos resultados da audiência absoluta. Interpelado via redes sociais, o proprietário da Máquina do Esporte, Erich Beting, alegou que a omissão do share era proposital, já que a mesma “mascararia” a realidade.

Ontem, de maneira mais escancarada, o expediente se repetiu:

Flamengo e São Paulo fazem clássico de audiência pífia na TV

Desta vez, além de premeditadamente ocultar o share, o portal se ateve à audiência individual de uma emissora, como se apenas os números da Globo SP os credenciasse a falar na audiência da TV como um todo. Se marcou 15 pontos com 31% na emissora dos Marinho, Flamengo x São Paulo atingiu outros 6 pontos com 11% na Band, totalizando nada desprezíveis 21 pontos com 42%.

Para que se tenha ideia do equívoco, o clássico do Maracanã foi simplesmente a maior audiência agregada do São Paulo no Brasileirão aos domingos (outros jogos: Internacional, Palmeiras e Sport). Se pela Globo o resultado não foi dos melhores (apenas superando os 14 pontos de Sport x SPFC), aqueles 6 pontos da Band configuraram recorde para o Tricolor no mesmo dia e horário. Mais: os 42% de share no agregado foram simplesmente o segundo melhor do clube na competição (incluindo aí quatro partidas às quartas e um sábado). Falar em “audiência pífia” nestas condições denota ignorância sobre um assunto que deveria dominar ou oportunismo.

Não é de hoje que o Blog Teoria dos Jogos enfoca os significados implícitos do share na análise das audiências televisivas. Para evitar redundâncias, segue o link de um texto que exemplifica diferenças nas praças de Rio e São Paulo de acordo com características ligadas ao clima. Tudo impacta nas audiências: dia da semana, horário, temperatura e até feriados. Mas a verdade que vem sendo tão refutada por quem se diz especialista é que apenas um elemento não se deixa iludir com tamanhas variâncias. Elemento que revela, ao invés de mascarar: justamente ele, o share.

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Audiências: Champions avança sobre o futebol nacional

Alguns anos atrás, futebol europeu na TV era um luxo dirigido às “elites” (palavrinha da moda), aos detentores de pacotes por assinatura. Até que alguns canais abertos – como Band e Record, cada qual a seu tempo – identificaram o potencial do espetáculo proporcionado pela Champions League, principal torneio interclubes do continente. Passaram, então, a registrar bons índices de audiência. Num paralelo que também ocorreu quanto ao UFC (antes exclusivo da RedeTV), a Globo logo mostrou apetite e comprou os direitos de transmissão.

De início foi até estranho. Inserções ao longo da programação chamavam atenção para clubes como Barcelona, Real Madrid ou Chelsea onde antes só havia Flamengo, Corinthians ou São Paulo. Jornalistas acostumados aos gramados do Maracanã abriam link ao vivo do Santiago Bernabeu ou do Emirates Stadium. Suas reportagens ganharam espaço na concorrida grade do Jornal Nacional.

Hoje, poucos anos após o início deste processo, a verdade é que a Globo não consegue mais se imaginar sem a Liga dos Campeões da Europa. E mais: sorte dos clubes brasileiros a existência do fuso horário. É ele quem faz não haver concorrência entre as competições jogadas lá e aqui.

Explica-se. Na tarde de ontem, Globo e Band transmitiram para todo o Brasil a partida Barcelona x Manchester City, pelas oitavas-de-final da Champions. Seus números consolidados superaram, em termos proporcionais (share), à veiculação dos jogos da Libertadores e Copa do Brasil na mesma noite. Em termos absolutos foram apenas alguns pontos de audiência a menos, algo facilmente explicado pelo menor número de televisores ligados no horário. Vejamos se não:

São Paulo

Barcelona 1 x 0 Manchester City – 15 pontos com 32% de share na Globo. Quatro pontos com 9% de share na Band. AUDIÊNCIA TOTAL: 19 pontos com 41%;

São Paulo x San Lorenzo – AUDIÊNCIA TOTAL: 21 pontos com 36% na Globo.

Rio de Janeiro

Barcelona 1 x 0 Manchester City – 19 pontos com 41% de share na Globo. Dois pontos com 4% de share na Band. AUDIÊNCIA TOTAL: 21 pontos com 45%;

Flamengo x Brasil/RS – 22 pontos com 39% na Globo. Dois pontos com 4% na Band. AUDIÊNCIA TOTAL: 24 pontos com 43%.

Todos sabem que a razão é o futebol bem jogado nos gramados europeus, completa antítese à realidade brasileira. Questões organizacionais e técnicas geram apelo de público muitíssimo maior, fazendo destas partidas um verdadeiro concerto. Mas não é só. O futebol europeu vive o bônus da “democratização”: trata-se de um espetáculo para todos, independente do viés clubístico. Qualquer torcedor se interessa por admirar o talento de Messi, Neymar e cia. Ninguém reclama de um suposto “ excesso de barcelonização” na mídia. Todos os ventos sopram a favor.

Naturalmente, preferências por times europeus são voláteis, se esvaindo a ponto de não poderem ser descritas por nada além de mera simpatia. O chamariz varia ao sabor da fase do clube ou de suas contratações – especificamente de craques brasileiros. No entanto, não se pode desconsiderar a formação de uma nova geração de torcedores reais, especialmente entre os mais jovens. Pesquisa do Blog Teoria dos Jogos na Baixada Santista identificou 2,1% da população local nesta condição.

Rumores dão conta de insatisfações na cúpula da Globo pelas baixas audiências do futebol. Por ora, a reclamação recairia sobre partidas às quartas, as que menos cooptam a audiência do programa anterior (novela das 21 hs). Mas é justamente aos domingos que Brasil e Europa concorrem no horário da tarde. Ainda que mudanças soem distantes, os índices em declínio do futebol brasileiro contrastam com o boom vivido pelo futebol europeu. E como a TV vive de audiências, é bom que nenhum cenário venha a ser desconsiderado no longo prazo.

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