Arquivos da categoria: Jogos Olímpicos Rio 2016

Match Day: Portugal x Argentina (Engenhão)

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Após uma primeira rodada de partidas válidas pelo torneio de futebol feminino, eis que o Rio viveu sua primeira grande e real experiência olímpica na noite de quinta. Foi quando a seleção portuguesa bateu a Argentina por 2 x 0, num Estádio Olímpico João Havelange bem próximo de sua lotação. Embora o público total não tenha sido divulgado, é provável que ele tenha se aproximado do dobro dos 27 mil torcedores que foram ao confronto das meninas de Brasil e China, ocorrido na véspera.

Por se tratar de uma análise de match day, diferente das visitas promovidas pelo Blog Teoria dos Jogos no Parque Olímpico, nosso passeio começa bem antes. Apesar das imerecidas críticas, o Engenhão é um estádio relativamente bem localizado: às margens de uma via arterial (Linha Amarela) e com uma estação de trem à sua porta. Por permitir o teste sobre as melhorias promovidas no transporte público carioca, a última foi a opção escolhida para chegarmos até o local.

Apesar do sistema de trens metropolitanos ser confuso em suas integrações com o metrô, tudo se facilita quando descobrimos exatamente o que fazer. Assim, o caminho da estação Maracanã (que interliga os dois modais) até a estação Engenho de Dentro transcorreu de maneira rápida e sem sustos. Como chegamos durante o primeiro tempo, não foi possível saber o quão ordeira foi a chegada dos espectadores. Já a ampla e revigorada estação de trem desemboca numa bela espécie de boulevard, que torna irreconhecível a comparação com as antigas e depreciadas margens do Engenhão. Como tudo o que envolve as obras de revitalização urbana do Rio, esta também ficou excelente.

 

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Antes, porém, muitos homens da Força Nacional promoviam revistas minuciosas, e não eram poucos aquelas (ou aquelas) que precisavam se desfazer de vidros de perfume por se tratarem de volumes proibidos para entrada nas venues.

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Em seus corredores internos, o Engenhão segue sendo um estádio simples, correto e sem luxo. Chamou atenção o fato de estar “vazado”, ou seja, mesmo quem tinha ingressos para os setores Norte ou Sul (atrás dos gols) poderia livremente se locomover até os setores Leste e Oeste, mais centrais. Quanto aos serviços de alimentação, havia muitos pontos de venda, mas todos bastante lotados – incluindo no intervalo do jogo.

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Nas arquibancadas, um clima agradável e ordeiro, que pouco se aproxima do verificado em embates envolvendo times brasileiros. Excessivamente familiar, a atmosfera se mostrou um tanto morna, lembrado a dos Jogos da Copa de 2014. Quanto ao estádio em si, pode-se dizer que o Engenhão atingiu o auge de sua forma para estas Olimpíadas.

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O antigo telão do estádio deixou de ser utilizado, em detrimento de um novo e espetacular equipamento em alta definição.

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Muito da imponência do novo Engenhão ocorre por conta de sua temporária ampliação em 15 mil assentos. Sendo ele o Estádio Olímpico, onde acontecerão competições de atletismo, demandou-se um número maior de lugares, que vieram através de estruturas tubulares instaladas por sobre os setores Norte e Sul. Ao contrário de alguns “tubulões” metálicos vistos por aí, estes se mostraram consistentes e seguros.

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Após uma jornada que culminou em vitória portuguesa por 2 x 0, os acessos à estação de trem foram surpreendentemente ordeiros e sem qualquer tipo de atravanco. Seguindo assim, a experiência dos que mal podem esperar por Usain Bolt em ação será agradável. Isto num estádio cujo entorno, ainda há pouco, envergonhava pela desestrutura e falta de conservação. Ponto para as Olimpíadas.

Um grande abraço e saudações!

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Pérolas das venues – parte 1

A um dia da abertura oficial dos Jogos Olímpicos Rio 2016 – um vez que o futebol feminino já inaugurou, na prática, o evento – o Blog Teoria dos Jogos vem brindar sua audiência com um primeiro passeio entre as principais venues do Parque Olímpico. Tratam-se dos estádios, arenas e equipamentos onde desfilarão alguns dos mais extraordinários e talentosos atletas do mundo esportivo.

CENTRO OLÍMPICO DE TÊNIS

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Como já foi dito anteriormente, o Parque Olímpico da Barra pecou pela falta de natureza e cor em suas venues – algo que só veio a ser remediado através da iluminação inaugurada quando a Rede Globo transferiu boa parte de sua programação para os estúdios ali localizados. De dia, a sensação de falta de vida faz com que o Centro Olímpico de Tênis seja, de longe, o equipamento que mais se destaca. Com lâminas externas metálicas em amarelo e laranja, os assentos das arquibancadas acompanham esta belíssima composição, passando a sensação de fogo, aquecimento e vibração.

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Entretanto, a beleza do visual não encontra paralelo com o acabamento das áreas internas, das mais simplórias já visitadas. Os vestiários são tão simples quanto os de qualquer clube, enquanto salas de fisioterapia e corredores se apertam entre escadarias e paredes de concreto exposto.

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Do lado de fora, arquibancadas temporárias permitirão que 5 mil e 3 mil pessoas assistam às partidas nas quadras 2 e 3. O benefício de atuar diante de 10 mil pessoas na quadra central será definitivamente para poucos.

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ARENA OLÍMPICA

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Antigo HSBC Arena, a atual Arena Olímpica se destaca pelo fato de já estar pronta desde os Jogos Panamericanos de 2007. Testada e aprovada pelos cariocas em eventos com UFC, finais de basquete e shows diversos, a Arena alinha com a vizinhança pela beleza de suas arquibancadas, junto a uma simplicidade bem mais aceitável de seus corredores e acessos. Neste sentido, o padrão é bastante superior ao do Centro de Tênis. Preparada para receber as competições de ginástica, a Arena Olímpica apresenta um potente sistema de refrigeração, privilégio que nossa próxima avaliada não possui.

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ESTÁDIO OLÍMPICO AQUÁTICO

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A venue que receberá feras da envergadura de Michael Phelps se notabiliza por suas contradições. Mostra-se racional, numa estrutura que após os jogos será desmontada –e até por isso, em boa parte das arquibancadas se sente caminhar por sobre uma espécie de tablado. Em direção oposta, milhares de seus assentos são de visão comprometida, tudo por conta de quatro gigantescas estruturas de pilastras. Outra coisa que não funcionou foi a espécie de “tela” externa, com figuras que remetem ao universo aquático. De dia, aparenta uma malha de tecido encardida. À noite, a iluminação azul alinha com assentos da mesma cor, numa relaxante antítese na comparação ao ardente Centro Olímpico de Tênis.

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Trata-se de uma marca registrada da Rio 2016: arenas simples e funcionais, com estruturas internas espartanas e fachadas sem rebuscamento, contrastando com arquibancadas belíssimas e equipamentos de última geração. Nos próximos dias, o Blog Teoria dos Jogos retomará estas análises – já com as arenas em funcionamento. Passaremos pelas fabulosas Arenas Cariocas, pelo Velódromo e pela Arena do Futuro.

Um grande abraço e saudações!

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Rio 2016: primeiras impressões

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Seria impossível que um espaço como o Blog Teoria dos Jogos ficasse de fora do maior evento esportivo do mundo. Na mesma escala de grandeza do acontecimento, caprichamos na antecedência e já nos encontramos instalados dentro do Parque Olímpico da Barra da Tijuca. O objetivo é promover uma odisseia que passará também por outros clusters e venues olímpicos, ilustrando-as com visitações e análises de match day – não apenas no Parque Olímpico mas em locais como o Maracanãzinho, a arena de vôlei de praia ou o Estádio de Remo da Lagoa. Pra quem se lembra de termos feito coberturas na Euro 2012 e na Copa América 2015, tornou-se imperativo vivenciar experiência tão única em pleno Rio de Janeiro.

Eis as primeiras impressões do clima, da estrutura e da cidade em geral, a menos de dez dias do início dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

UM RIO EM OBRAS

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É verdadeiro o que se disse a respeito do canteiro de obras que é a cidade, a tão pouco tempo de algo tão importante. A correria começa no Parque Olímpico, supostamente já terminado, mas onde são erguidas muitas estruturas temporárias. A Barra da Tijuca segue com grande efetivo visando terminar a estação Jardim Oceânico do metrô – suas composições já se encontram em testes de operação. No Centro, tapumes escondem a região do Boulevard Olímpico onde ficará a tocha, enquanto se verificam obras de um trecho do VLT que não será inaugurado a tempo. Nem é preciso citar a correria dentro das instalações da Vila dos Atletas.

AMBIENTE EM EVOLUÇÃO

Apenas recentemente algumas regiões foram decoradas ou envelopada com a identidade visual da Rio 2016, existindo a sensação de que a cidade poderia estar mais “vestida” para a festa. O número de estrangeiros, outro termômetro, só parece verdadeiramente sintomático no entorno do Parque Olímpico. Com tantas más notícias e preocupações a respeito de zika ou da violência, é de se questionar a projeção de mais de 500 mil visitantes de outros países.

SEGURANÇA OSTENSIVA

Desde a chegada das forças de segurança, aumentou substancialmente o número de homens destinados à manutenção da ordem no Rio. Mas o efetivo não parece distribuído de maneira uniforme pela cidade. O exército, por exemplo, se concentra majoritariamente nas adjacências da Barra da Tijuca.

PARQUE OLÍMPICO “ASSÉPTICO”

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Ainda temporariamente às escuras, a falta de iluminação no Parque Olímpico não permite admirar a beleza e imponência de arenas como as do tênis, natação e basquete à noite. Mas é de dia e no calor que se percebe que faltou natureza: escassas árvores foram plantadas apenas no entorno imediato dos estádios. Assim, o descampado soa um tanto “acimentado”, fazendo jus à afirmação do ditado popular que diz que o sol é para todos, mas a sombra para poucos.

Um grande abraço e saudações!

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