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Considerações finais: Mapa das Curtidas vs Pesquisas (por regiões)

Deu uma trabalheira monstruosa, mas anteontem encerramos a série e de análises sobre o Mapa das Curtidas do Facebook por unidades da federação. Para quem não acompanhou, segue um compilado:

O Mapa das Curtidas do Facebook: Sudeste (clique aqui)

O Mapa das Curtidas do Facebook: Sul e Centro Oeste (clique aqui)

O Mapa das Curtidas do Facebook: Norte (clique aqui)

O Mapa das Curtidas do Facebook: Nordeste (clique aqui)

O problema é que o Blog Teoria dos Jogos nunca está satisfeito. Se compilamos por estado, por que não agrupar por regiões? E para o país inteiro? E se comparássemos os resultados do Mapa com os das pesquisas científicas, de campo? Coisas que até já fizemos, mas apenas no texto referente à região Norte. Decidimos, portanto, expandir fronteiras para o resto do território brasileiro.

Juntando em tabelas os quatro estados do Sudeste, os três do Sul, os quatro do Centro Oeste, os sete do Norte e os nove do Nordeste, eis a configuração de curtidas no Facebook:

OBS: O levantamento compreende apenas clubes que ultrapassaram um ponto percentual de curtidas nos respectivos estados – o que pode gerar margem de erro de alguns décimos nos resultados finais de alguns clubes (não os de maior torcida, pois estes sempre ultrapassam a marca unitária).

Juntando os resultados das cinco regiões numa nova tabela… o perfil agregado do Facebook brasileiro:

Daí vem a pergunta: Corinthians em primeiro? Sim… lembremos que o Mapa é um ranqueamento exposto às distorções de um levantamento virtual. Um dos principais era que, até o mês de maio de 2017 – data em que congelaram os números para elaboração do Mapa – o Corinthians era o clube brasileiro com mais curtidas no Facebook. A virada do Flamengo veio um mês depois, em junho passado. Atualmente os cariocas vem abrindo vantagem, só que num ritmo tal que a “diferença real” se refletirá na “virtual” apenas depois de alguns bons anos.

Ainda assim, por incrível que pareça, o ranking comparado aos estudos técnicos tem alguma credibilidade. Em certos casos, a fidelidade chega próxima à absoluta. A título de comparação, decidimos pegar a última pesquisa nacional elaborada pelo Datafolha, em 2014. Trata-se de uma pesquisa falha e polêmica, que foi ocultada pelo instituto e depois desmascarada aqui mesmo, no Blog Teoria dos Jogos. Por que escolhê-la, então? Porque é a única disponível online em vários níveis de tabulação e recortes. No mais, outras pesquisas no período se mostraram tão problemáticas quanto, ou mesmo piores.

Segundo o Datafolha, eis o perfil das torcidas brasileiras por regiões:

Comparemos os números aos do Mapa, não sem antes a realização de um ajuste: o levantamento das curtidas compreende o universo de torcedores, enquanto a pesquisa Datafolha, o universo populacional. Assim, tiramos o “Nenhum” e refizemos os percentuais da pesquisa tendo como base o universo de torcedores. Em bases iguais, Facebook e Datafolha podem agora ser confrontados, região por região.

SUDESTE

É no Sudeste que o Mapa e a pesquisa mais convergem. A explicação pode recair sobre fatores sócio-econômicos: como região mais rica, há maiores níveis de inclusão digital, com o universo virtual refletindo melhor a realidade das pessoas. Ao contrário do que se imaginava sobre o Corinthians, apenas São Paulo e Santos se mostraram maiores no Facebook do que na vida real. E também os “outros”, capitaneados por uma gigantesca Chapecoense virtual que, obviamente, optamos por nem incluir entre as maiores torcidas.

SUL

Em direção oposta à do Sudeste, é no Sul onde o Mapa e o Data mais divergem. Neste caso, tirem a rede social da reta: a culpa é majoritariamente do instituto, seus arredondamentos impróprios e metodologias questionáveis. Onde já se viu Atlético-PR com 1% e Coritiba com 3%? Ou mesmo o Santos com enormes 6%, acima de São Paulo e Palmeiras? Honestamente, não dá nem pra analisar. Olhando para os demais, temos um Corinthians, aqui sim, bem maior nas curtidas do que nas ruas. O mesmo se aplica a São Paulo e Palmeiras, enquanto os líderes Grêmio e Internacional aparecem muito abaixo. Justificativas novamente passam pela Chapecoense, dado o violento impacto das curtidas que recebeu em sua região-sede. Nestas horas, os grandes números sofrem mais do que os demais.

CENTRO-OESTE

Finalmente um pouco de paz no ordenamento: as seis maiores torcidas do Centro Oeste se alinham nas pesquisas e nas curtidas. E com pouco viés. O maior deles impacta sobre o Flamengo, pela primeira vez abaixo do seu potencial virtual. E de novo, é o São Paulo quem está acima. Já a convergência entre likes e respondentes físicos do Corinthians é quase perfeita.

NORTE

Quanto mais a gente sobe, mais percebe o Flamengo desabando na comparação com seu potencial digital. No Norte, os 34% de curtidas associadas ao clube parecem ótimas até descobrirmos que 42% dos torcedores são rubro-negros. Adivinha quem está bem na fita? Ele mesmo, o São Paulo (aqui, associado ao Santos). E quem está certinho onde deveria estar? Que surpresa, Coringão…

NORDESTE

Aqui, o desmoronamento virtual dos cariocas atinge seu apogeu: no Mapa das Curtidas, Flamengo e Vasco combinam para 15 pontos percentuais abaixo da amostragem de campo. Em detrimento dos muitos nordestinos que, somados, acabam tendo duas vezes mais curtidas do que afiliações reais.

CONCLUSÕES

Nas análises dos últimos dias, dissemos que entre as muitas distorções do levantamento virtual estava o quantitativo mais que proporcional de curtidas em páginas de clubes paulistas. Acertamos em cheio no diagnóstico, errando o nome do paciente. A comparação do Mapa com a pesquisa corrigida clarificou: o Corinthians está exatamente onde deveria estar. É como se o alvinegro paulista tivesse, antes dos demais, atingido seu pleno potencial em redes sociais, tamanhas as coincidências nos percentuais auferidos. Outros times de São Paulo, entretanto, parecem muito acima do que presumem as ruas – principalmente o São Paulo. Se por engajamento ou simples compra de likes, jamais saberemos. No extremo oposto está o Flamengo, talvez pelo ônus de uma maioria tão ampla em regiões remotas, de menor potencial de renda e inclusão.

Com o passar do tempo veremos em que direção caminharam todos estes processos. Até a terceira edição do Mapa das Curtidas do Facebook!

Um grande abraço e saudações!

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O Mapa das Curtidas do Facebook 2017: Nordeste

Termina aqui nossa série de análises relativa ao Mapa das Curtidas do Facebook  2017, grandiosa iniciativa do Globoesporte.com em parceria com a maior rede social do mundo. Após divulgarmos os números das regiões Sudeste, Sul, Centro Oeste e Norte, muitos já devem ter percebido que, embora não se trate de pesquisa de torcidas com rigor científico, o Mapa tende a refletir com enorme grau de fidelidade o perfil dos torcedores mais jovens, geralmente abaixo dos 35 anos de idade. Sendo assim, é hora de avaliarmos como andam as coisas pelo Nordeste.

REGIÃO NORDESTE

BAHIA

Houve uma reversão relativamente recente nos números da Bahia, apontando o Tricolor da Boa Terra como detentor da maior torcida do estado. A última Lance/Ibope, por exemplo, revelou esta suposta realidade. No entanto, esta mesma pesquisa foi criticadíssima (inclusive neste espaço) por projetar resultados das capitais para os interiores, a ponto de inacreditavelmente divulgarem o Atlético-PR como maior do que o Corinthians no Paraná. Sendo assim, enquanto não houver uma pesquisa mais confiável, tudo o que teremos é o Mapa das Curtidas. Só que o Mapa…

… mostra justamente o Bahia em primeiro! Não com a dianteira exposta pela Lance/Ibope: são 22,11% contra 19,73% de um Flamengo próximo, mas ainda assim no segundo posto. De todo modo, o Vitória com 8,52% – tão atrás do Corinthians e seus 13,52% – deixa claro que colocá-los à frente dos cariocas é um nonsense, mesmo que na terra dos orixás.

PERNAMBUCO

Polêmica na Bahia, polêmica em Pernambuco. Se quase ninguém em sã consciência questiona os 26,81% do Sport, líder mais-que-absoluto, o segundo lugar deste outro forasteiro – o Corinthians, com 13,68% – passa longe de ser o que dizem as pesquisas. Quem costuma digladiar com o Leão são os corais do Santa Cruz, no mapa apenas com 11,93%. Como dissemos no primeiro parágrafo, pode ser indicativo de que estas seriam as massas pernambucanas do futuro, não se sabe. Se for, preocupariam os 4,56% do Náutico, ocupante de uma mera sétima colocação. Outro detalhe interessante: fora Minas, Espírito Santo e Brasília, é em Pernambuco que o Atlético-MG atinge sua maior representação (1,62%).

CEARÁ

Equilíbrio, eis a palavra que resume as preferências cearenses no Facebook. Tanto na primeira quanto na segunda colocação, um voraz empate técnico envolve Flamengo e Ceará (17,96% a 17,47%), Fortaleza e Corinthians (14,68% a 14,49%). Se desconsiderarmos as duas forças locais, apenas oito agremiações atingem mais de 1% das preferências no Ceará, a menor quantidade deste levantamento.

RIO GRANDE DO NORTE

Ainda que tradicionais, os clubes potiguares não tem o mesmo histórico de Bahia, Sport ou Ceará. Assim, onde o futebol é mais fraco, o vácuo é ocupado pelo fenômeno de massas. É o que faz o Flamengo, do alto de seus 26,27%. ABC (14,1%) e América-RN (13,73%) até resistem, mas só conseguem desbancá-lo somando forças.

PARAÍBA

 

Aqui, os locais não tem vez: Flamengo (31,22%), Corinthians (11,63%), São Paulo (8,15%) e Vasco (7,76%) dominam o cenário paraibano. O melhor local vem de João Pessoa, o Botafogo-PB (5,1%), enquanto Campina Grande vê seus times diluírem preferências entre Campinense (4,27%) e Treze (1,68%). Não se sabe se pela “força da marca”, é na Paraíba que o Botafogo do Rio de Janeiro (2,15%) encontra seu ápice em terras nordestinas. Também na Paraíba está a maior influência dos pernambucanos fora de seus limites.

MARANHÃO

Em absolutamente nenhuma localidade, o Vasco tem mais curtidas do que o Corinthians no Nordeste. Onde isto mais chega perto de acontecer é no Maranhão, com os dois dígitos de cruzmaltinos sendo uma demonstração de força. Não suficientes, entretanto, para subjugarem corintianos (10,43%) e flamenguistas (37,26%). Ainda assim, bem mais do que os locais Sampaio Corrêa (6,76%) e Moto Club (1,64%).

PIAUÍ

Flamengo (35,99%), Corinthians (14,01%)… cansamos de saber. Bom mesmo é descobrir que, no Piauí, o São Paulo atinge seu maior percentual no Nordeste (13,27%). Outra interessante é que apenas lá o número de cruzeirenses supera o de atleticanos – o que não deixa de ser surpreendente.

ALAGOAS

 

Em meio a um festival de 16 clubes ultrapassando a marca unitária, a última fronteira com três forças locais no Nordeste é Alagoas. Mas CRB (8,91%), CSA (8,35%) e ASA (2,49%) não fazem frente a Flamengo (26,71%), Corinthians (12,38%) e São Paulo (9,64%).

SERGIPE

Se ignorarmos a presença da Chapecoense, temos os dois nordestinos menos badalados deste levantamento fazendo um “sanduíche de peixe”: Confiança (5,3%), Santos (3,04%) e Sergipe (2,72%). Justo no estado em que o clube da Baixada Santista atinge seu maior percentual. Por ali o Bahia também tem presença (2,65%), embora nem perto do Flamengo, como sempre na dianteira com 33,93%.

Um grande abraço e saudações!

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O Mapa das Curtidas do Facebook 2017: Região Norte

Na terceira postagem da série que analisa o Mapa das Curtidas do Facebook, é a vez de nos debruçarmos sobre a região Norte. Mas aqui, com uma novidade: um comparativo entre os números auferidos na rede social e aqueles obtidos através de pesquisas científicas nos mesmos estados. Para melhor compreensão, sugerimos leitura do primeiro texto sobre o tema (com os números do Sudeste) e o segundo, contemplando as regiões Sul e Centro-Oeste.

REGIÃO NORTE

AMAZONAS

Somente o Espírito Santo faz frente ao Amazonas no que diz respeito à rivalidade Flamengo x Vasco. Mesmo com todas as distorções explicadas em colunas anteriores, o fato é que no coração da Amazônia, não tem pra ninguém: Flamengo (39,72%) e Vasco (16,62%) praticamente monopolizam atenções. Tudo bem que o Corinthians não vem fraco (9,33%), seguido do São Paulo (7,42%) e da Chapecoense (4,85%). Mas os outros cariocas, só nas longínquas oitava (Botafogo, 2,68%) e nona colocações (Fluminense, 1,95%).

PARÁ

Só perdendo para o Amazonas em área, pode-se classificar o Pará como o estado mais importante do Norte sob diversos aspectos. Trata-se da maior economia, da maior população (o dobro dos vizinhos amazonenses e 46% do total da região), sendo ainda o único estado possuidor de verdadeira tradição futebolística. Isto fez com que seus clubes, Remo (13,38%) e Paysandu (10,89%) se saíssem muito bem no levantamento das curtidas. Iriam melhor se o foco recaísse apenas sobre a capital, Belém. Mas abrangendo o estado em sua totalidade, eles não conseguiram fazer frente ao Flamengo (25,11%) e ao Corinthians (14,59%).

AMAPÁ E RORAIMA

Aglutinamos as análises de Amapá e Roraima por se tratarem das últimas fronteiras do mengovasquismo em solo setentrional. No Amapá, nada menos que 40,63% das curtidas são rubro-negras, ao passo que Roraima responde por 39,22%. Já o Vasco perde força na comparação com o Amazonas, atingindo, respectivamente, 12,78% e 12,25%. Os 11,86% de corintianos em Roraima – estado com a menor população do Brasil – sugerem um processo que veremos ganhar força a partir das próximas localidades.

ACRE E RONDÔNIA

A não ser pela perda de força do Vasco, o que se vê no Acre aparenta espelhar um pouco da normalidade, com um Flamengo absoluto e gigantesco (40,17%). Mas a tomada do segundo posto pelo Corinthians (12,67%) introduz uma tendência a ser verificada no estado de Rondônia.

Reparem que, no mapa do Brasil, Rondônia é um estado praticamente encravado em Mato Grosso. Isto faz com que seu perfil de torcidas reflita o do vizinho, com um Flamengo (31,49%) menor do que a média do entorno. Em direção oposta, Corinthians (19,09%), São Paulo (12,34%) e até mesmo Palmeiras (7,71%) tornam o Vasco (5,59%) uma mera e distante lembrança.

TOCANTINS

Tocantins também é vizinho de Mato Grosso, mas está rodeado pelos interiores do Pará, do Maranhão e da Bahia. Isto leva o Flamengo a novo crescimento (36,71%), seguido de Corinthians (14,2%), São Paulo (10,22%) e Vasco (7,61%).

COMPARAÇÃO REGIÃO NORTE: PESQUISAS vs MAPA DAS CURTIDAS

Devido ao distanciamento dos grandes centros e da baixa densidade demográfica, por muito tempo o Norte foi a região mais desabastecida do país em termos de pesquisas de diversas naturezas. Até que veio o Blog Teoria dos Jogos mudando a realidade e trazendo pesquisas científicas em todos estes estados, à exceção de Roraima. Posteriormente (ainda à época do Globoesporte.com), tivemos a ideia de tabular os resultados gerais da região. Já que a análise do Mapa das Curtidas também permite este expediente, por que não comparar os resultados científicos aos das redes sociais?

Primeiro, relembremos os números da região Norte, segundo pesquisa do Instituto GPP com 4.244 entrevistas entre agosto e setembro de 2013:

Atrás de um Flamengo monopolista (31,9%) vem o Vasco se agarrando por um fio à segunda colocação: 9,5% contra 8,6% do Corinthians. Depois, e completamente empatados, os paraenses Remo (7,2%) e Paysandu (6,9%) fazendo valer o peso de seu estado de origem.

E os números do Mapa das Curtidas, como seriam?

Antes, é preciso esclarecer que o somatório das curtidas da região – balizador dos percentuais de cada clube – não é perfeito, pois só contempla aqueles com mais de 1% das curtidas. Mas as diferenças resultantes são absolutamente residuais, não afetando o cômputo geral em mais do que alguns poucos décimos.

Dito isto, eis o perfil da região Norte segundo o Facebook:

Percebam que os percentuais de todas as torcidas são maiores no Mapa do que na pesquisa. A explicação recai sobre o fato de o universo amostral das pesquisas ser a população geral, enquanto o Mapa considera apenas o universo de torcedores. Tanto é que o mapeamento de 2013 aponta 21% de “Nenhum”, algo que naturalmente inexiste quando olhamos para o das curtidas. Caso excluíssemos o “Nenhum” da análise, haveria a inflação dos números atribuídos a todos os clubes, exatamente como o Mapa faz.

Pois bem, seguindo pelo Mapa, o Flamengo é líder na região Norte com cerca de 34% – níveis ainda assim semelhantes aos da pesquisa. Mas o Corinthians ultrapassa o Vasco numa reversão que não condiz com os estudos de campo. Mais: o crescimento do Vasco é muito pobre (9,84% no Mapa, 9,5% na pesquisa), o que presume que seus números nas redes sociais estariam subestimados. Remo e Paysandu vivem algo semelhante, quase idênticos no Mapa e na pesquisa. Tanto que são ultrapassados pelo São Paulo e quase pelo Palmeiras.

1ª conclusão: Existem clubes cujo tamanho da torcida está subestimado no levantamento do Facebook, enquanto outros surgem maiores do que de fato são. O melhor exemplo do primeiro caso aparenta ser o Vasco, enquanto todos os paulistas surgem em proporção virtual maior do que a real.

E se comparássemos não um agregado da região, mas um único estado específico? Também é possível. Seguem os números do estado do Amazonas, desta vez em pesquisa mais recente: 1.050 entrevistas entre os dias 20 e 22 de janeiro de 2017:

Comparem vocês mesmos:

Flamengo – 39% (Pesquisa), 39,72% (Mapa das Curtidas);

Vasco – 17,7% (Pesquisa), 16,62% (Mapa das Curtidas);

Corinthians – 4,4% (Pesquisa), 9,33% (Mapa das Curtidas);

São Paulo – 5,1% (Pesquisa), 7,42 (Mapa das Curtidas);

Palmeiras – 3,7% (Pesquisa), 4,13% (Mapa das Curtidas).

Não é impressionante?

2ª conclusão – Sem prejuízo do considerado no item anterior, alguns estados possuem um maior grau de fidelidade no Mapa das Curtidas do Facebook quando comparados às pesquisas de campo, sem que se saiba ao certo as explicações para tanto.

Amanhã, os resultados do Nordeste.

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O Mapa das Curtidas do Facebook 2017: Sul e Centro Oeste

Desde ontem, o Blog Teoria dos Jogos vem analisando o perfil de curtidas do Facebook numa parceria com o Globoesporte.com – o chamado “Mapa das Curtidas”. Para saberem mais a respeito das virtudes e limitações do Mapa, recomendamos a leitura do post em que brindamos nossa audiência com o perfil das torcidas nos estados do Sudeste. Hoje é dia de trazermos todas as especificidades ligadas aos estados do Sul e do Centro Oeste do Brasil.

REGIÃO SUL

RIO GRANDE DO SUL

Nenhum outro estado possui dicotomia tão clara e polarizada – nem mesmo Minas Gerais, ontem aqui exposta. Grêmio (37,71%) e Internacional (32,53%) totalizam 70,24% das curtidas em solo gaúcho, e se considerarmos os 6,21% da vizinha Chapecoense (seu segundo maior percentual), os 2,41% do Brasil de Pelotas e o 1,81% do Juventude, percebemos que os times do Sul angariam mais de 80% deste concorrido filão virtual. O maior forasteiro é o Corinthians, quarto colocado com 2,68%, seguido do Flamengo (sexto, 2,03%) e dos paulistas remanescentes.

No país, são quatro os estados a possuírem apenas dez times com mais de 1% das curtidas: Piauí, Ceará, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Dada a presença de alguns locais, percebe-se que resta bem pouco espaço para equipes tradicionais do futebol brasileiro, como Botafogo, Fluminense, Cruzeiro e Atlético-MG.

SANTA CATARINA

A Bela e Santa Catarina é demais: único estado brasileiro com cinco torcidas importantes e equiparadas em suas respectivas microrregiões. Ao mesmo tempo em que cariocas, paulistas e gaúchos dominam regiões específicas do estado. Esta maçaroca, sempre identificada em pesquisas de opinião, foi replicada quase que em sua totalidade no Facebook. Incluindo aquele que, para surpresa de alguns, detém a maioria do estado: o Flamengo, com 14,14%.

Em segundo lugar, o fenômeno. Historicamente, o Rubro Negro carioca brigou contra o Grêmio pela condição de maior de Santa Catarina. Avaí, Figueirense, Joinville, Criciúma e Chapecoense dominavam regiões relativamente pequenas para fazerem frente aos dois. Mas aí veio a tragédia, a solidariedade e a empatia. E o Verdão do Oeste catapultado à condição de segundo time com mais curtidas (12,57%). Eis aí uma das falhas da Matrix: é improvável que isto represente o tamanho da Chapecoense de fato, mesmo em seu berço. Curtir é grátis, já diria o poeta. E paixões clubísticas definitivamente não mudam de uma hora para outra.

Assim, os catarinenses aparecem na sexta (Figueirense, 5,95%), oitava (Joinville, 5,12%), décima (Avaí, 4,37%), e décima segunda posições (Criciúma, 3,79%). Todos atrás de Corinthians e Internacional, com 9,72% e 7,57% dos “votos”.

PARANÁ

 

É pesquisa ou não é? Se não é, parece muito, porque é justamente este o perfil das massas no Paraná, dominado por um poderosíssimo forasteiro. Trata-se do Corinthians, que arrebata 21,84% das curtidas, quase o dobro do Atlético-PR (12,6%). A Pauliceia segue ditando regras com o São Paulo (10,22%) e o Palmeiras (8,61%), até o surgimento de uma reversão na comparação com os estudos de campo: o Flamengo, quinto colocado (7,72%) vem à frente do Coritiba (6,84%). Em seguida, quase que numa escadinha, Santos, Chapecoense, Grêmio e Internacional. O Paraná tem módicos 2,62%.

REGIÃO CENTRO OESTE

DISTRITO FEDERAL

A configuração de Brasília vem imbuída de um didatismo muito importante. Ele permite compreendermos o porquê de, apesar de tantos acertos, um mapeamento com base em rede social não necessariamente contemplar a verdade das ruas. Não pelo Flamengo, maioral, absoluto e inquestionável (36,83%). Mas pelo Corinthians, na segunda colocação (10,47%) – à frente de Vasco (9,44%) e São Paulo (9,02%). Não é o que dizem as pesquisas de torcida. Para tanto recomendamos leitura daquela elaborada pelo Instituto GPP em 2014, aqui publicada de maneira exclusiva.

Mas percebam: é questão de dois pontinhos aqui, três pontinhos ali. E basicamente no que tange ao Vasco (menor no Mapa do que nas pesquisas), ao São Paulo e ao Corinthians (maiores no Mapa). O percentual do Flamengo em ambas é basicamente o mesmo. E o do Botafogo. E o do Palmeiras. E o do Fluminense…

GOIÁS

Tem pra todo mundo: nada menos que 15 agremiações marcam mais que 1% em Goiás. Numa região futebolisticamente tão importante quanto desprestigiada pelas pesquisas, conhecer o perfil do Mapa das Curtidas é ouro. Mas por lá, se o horizonte é verdejante, a primazia é rubro-negra. E não estamos falando do Dragão…

O Flamengo possui a maior torcida goiana, com 26,03%, seguido por Corinthians (17,22%) e São Paulo (11,01%). Só então vem o Goiás, com apenas 9,36% das preferências. O Vasco, com 4,78%, alcança menos do que presume o senso comum no estado. O Vila Nova marca 3,23% e o Atlético-GO, 1,95% – suficiente apenas para mantê-lo no top-10 da região.

MATO GROSSO

É interessante que uma das influências que incidem sobre o celeiro agroindustrial brasileiro seja a ascendência paulista. Trata-se de um fenômeno verificado tanto nos “Mato Grossos” quanto, por incrível que pareça, em Rondônia – conforme veremos nos próximos dias. Pois bem: ao chegarmos ao Mato Grosso, aquele nado de braçada do Flamengo no Centro Oeste começa a cessar. Não que os cariocas não mantenham a dianteira: o Mengão permanece enorme, com seus 23,60%. Mas é que os outros começam a se aproximar perigosamente, antecipando uma ultrapassagem que se avizinha logo ali, na próxima esquina.

Sendo assim, o Corinthians encosta de vez, atingindo 21,65% das curtidas. São Paulo (14,08%) e Palmeiras (7,85%) vem a reboque. Lucas do Rio Verde se vê representada com 2,43% dos likes para a sua Luverdense. Mas a grande surpresa é outra que repousa sob a égide da agroindústria: os inúmeros bolsões gaúchos que colonizaram a região central. Elas fazem com que Grêmio (3,45%) e Internacional (2,39%) deem um salto um tanto raro para seus padrões. Tanto que, fora dos três estados do Sul, Mato Grosso é onde a dupla Grenal se sai melhor.

MATO GROSSO DO SUL

Deu seta e passou. Também, pudera: o único estado fronteiriço não influenciado por São Paulo é o Rio de Janeiro (na real, a influência é oposta). Todos os outros sucumbem à força e aos costumes da cultura paulista. E o futebol não poderia ficar de fora. Que o diga o Corinthians, líder absoluto em curtidas em Mato Grosso do Sul (29,24%). Ainda que faça força, o Flamengo (15,41%) também é sobrepujado pelo São Paulo (16,42%), com Palmeiras (11,47%) e Santos (7,14%) à espreita.

Nos próximos dias, Norte e Nordeste.

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O mapa das curtidas do Facebook 2017: Sudeste

No final do ano passado, o Globoesporte.com atualizou um dos trabalhos mais impressionantes que já elaborou: o Mapa das Curtidas do Facebook. Numa parceria com a rede social de Mark Zuckerberg, o portal mapeara, em idos de 2015, o percentual de curtidas dos clubes em 5.570 municípios do país. Em dezembro de 2017, o ranking foi atualizado. Antes em férias, o Blog Teoria dos Jogos vem agora analisar o novo perfil delineado pelo mapa, com uma novidade: análises em cada uma das 27 unidades da federação.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O MAPA DAS CURTIDAS

Antes, são imprescindíveis algumas colocações a respeito do Mapa de Curtidas. Para tanto, caberia uma leitura do post aqui publicado a respeito do primeiro Mapa de 2015. Em termos etários, ainda que o Facebook seja uma rede quase censitária entre jovens e adultos, isto não se aplica às camadas de mais idade, reduzindo seu viés científico. O mesmo ocorre nas questões de renda relacionadas à amostra. Por mais que pareça que “todos tenham Facebook”, a verdade é que o Brasil é um país com importantes desigualdades sociais e, por conseguinte, exclusão digital. Tanto as populações mais pobres quanto as residentes em áreas mais remotas possuem bem menos acesso a um perfil na rede. Sendo assim, o Mapa não constitui pesquisa de torcidas, mas apenas um espelho com ótimo grau de capilaridade da realidade do país.

Um bom exemplo reside nas duas maiores torcidas do país, Flamengo e Corinthians. Todos os estudos apontam o Rubro-Negro com cerca de 3 pontos percentuais a mais de torcedores (17% a 14% ou 16% a 13%), o que daria um gap mínimo de 6 milhões de torcedores entre ambos. Não é o que se verifica no Face, onde o Fla possui 11.561.394 curtidas contra 11.445.814 do alvinegro (às 16:18 hs de 24/01/2018), praticamente o mesmo número. Isto inequivocamente se reflete no mapeamento, inflando-o e fazendo da torcida paulista maior no Mapa do que na “vida real”.

Outras distorções são ainda mais problemáticas. Primeiro porque qualquer clube pode comprar curtidas – trata-se de um produto que o Facebook oferece a quem possua uma página por lá. Segundo porque qualquer pessoa pode curtir mais de uma página. E terceiro porque movimentos motivados por comoção potencializam números artificialmente. Foi o caso da página da Chapecoense, que após o acidente subiu de uma quantidade irrisória para mais de quatro milhões de curtidas – apenas atrás de Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras. Situação irreal mas inevitável, uma vez que ninguém pode impedir as pessoas de quererem informações sobre o clube após a tragédia vivida. Só que o boost da Chape se fez refletir nos demais: num jogo de soma zero, o crescimento de um vem necessariamente acompanhado da redução de todos os outros.

ANÁLISES POR REGIÃO – SUDESTE

Os números a seguir foram extraídos de uma nova ferramenta que torna possível verificar o perfil dos clubes individualmente, suas cidades e microrregiões mais curtidas e seu número de joinhas por estado.

Deste modo, coletando as informações de todos os estados e todos os clubes presentes no levantamento (dá trabalho…), encontramos uma configuração que na maioria das vezes se aproxima da realidade, seja no tocante aos percentuais, seja no ordenamento entre as agremiações. Sempre levando em conta o abordado nos parágrafos acima: distorções que fazem alguns parecerem maiores do que de fato são.

RIO DE JANEIRO

Os percentuais dos quatro grandes do Rio são muito semelhantes ao que demonstram as pesquisas: um Flamengo gigantesco (42,21%) e, sozinho, 130% maior do que seus três rivais somados. O Corinthians apresenta 4,08% do total no estado, pouco mais que o dobro do que costuma apresentar nas pesquisas de opinião. Com a Chape é pior: 3,92% onde na prática sua torcida inexiste. Isto comprova a solidariedade no entorno da causa, enquanto enviesa e impacta sobre os números dos demais. De resto, o Santos (8º colocado) à frente do Palmeiras e o Atlético (10º) superando o arquirrival celeste. O único clube do interior presente no levantamento é o Volta Redonda, com 0,3% das curtidas fluminenses.

SÃO PAULO

Novamente, muita fidelidade nas informações, com Corinthians (36,37%), São Paulo (21,29%), Palmeiras (12,54%) e Santos (7,59%) em percentuais muito próximos do que demonstram os estudos científicos. A comoção fez a Chapecoense superar o Flamengo (4,2% a 4,16%), ainda que o Rubro-Negro também esteja acima do que apontam as pesquisas. O Cruzeiro supera Vasco, Atlético-MG e Grêmio. Do interior, apenas a Ponte Preta atinge 1% das preferências, enquanto o Guarani marca insignificantes 0,19%. Botafogo-SP, Portuguesa, São Bento, Bragantino, Mogi Mirim e Oeste também não se aproximam da marca unitária.

MINAS GERAIS

Se o Facebook é azul, Minas Gerais também é. Neste caso, 31,07% dos curtidores no estado são cruzeirenses, contra 21,51% do Atlético. Dominantes em regiões como a Zona da Mata, o Sul e o Triângulo Mineiro, Flamengo (11,02%) e Corinthians (9,1%) lutam palmo a palmo pela condição de terceiro maior. O São Paulo é quinto, Palmeiras sétimo e o Vasco, oitavo, com Santos, Botafogo e Fluminense em seguida. O América-MG por pouco não atinge 1% das preferências – ficou em 0,93%.Diferente de outros mineiros como Boa Esporte, Tombense e Tupi, todos abaixo dos 0,24%.

ESPIRITO SANTO

Verdadeira extensão do Rio de Janeiro, mas só até a página dois. Flamengo e Vasco, de fato, surgem enormes: o rubro-negro praticamente iguala seu percentual do Rio (42,06%) enquanto o cruzmaltino o supera (16,7%), fazendo do estado capixaba seu maior reduto nas redes sociais. Mas aí vem o Corinthians (5,71%) para superar Fluminense (4,9%) e Botafogo (4,69%), subvertendo a lógica. Após a Chapecoense, temos o Cruzeiro (3,9%) mostrando que realmente os mineiros tem alguma influência no estado (o Galo é nono, com 2,69%). Assim como Mato Grosso do Sul e os estados do Norte (exceção do Pará), o Espírito Santo é um dos  poucos estados que não possuem clubes próprios representados no Mapa.

Nos próximos dias, as análises relativas às regiões Sul, Centro Oeste, Norte e Nordeste.

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Análise: O Mapa das Curtidas – Minas Gerais

Após nos debruçarmos sobre dois dos três estados mais plurais em termos de torcidas – Santa Catarina e Paraná – chegou a vez de desembarcar no último vértice deste triângulo. Trata-se de Minas Gerais, quarta maior unidade federativa e segunda mais populosa do Brasil. Um dos berços do país como o conhecemos, cuja diversidade cultural e étnica denota à perfeição nossos contrastes, mazelas e as próprias preferências clubísticas.

Fig 01

De acordo com as curtidas no Facebook, Minas surge como enorme mancha azul celeste no centro do Brasil: Entre seus 853 municípios, 561 são de maioria cruzeirense. Embora faça frente ao Cruzeiro em muitos lugares, em nenhum o Atlético-MG se mostra acima do arquirrival, uma situação inesperada. Em território mineiro, inimigos íntimos são mesmo Flamengo e Corinthians. O rubro-negro predomina nas regiões da Zona da Mata (divisa com o Rio) e onde o Triângulo Mineiro “toca” o estado de Goiás – além de cidades esporádicas nos limites com Espírito Santo e Bahia. Já os corintianos são hegemônicos no Sul de Minas, no Triângulo “paulista” (divisa com São Paulo e Mato Grosso do Sul), além de duas pequenas cidades em pleno Vale do Jequitinhonha.

Um olhar mais apurado sobre Cruzeiro e Atlético:

Fig 02

A diferença entre os arquirrivais é tão flagrante quanto o Blog Teoria dos Jogos sempre sugeriu. Em recente entrevista ao site ESPN FC, este blogueiro afirmou que em Minas, “time do povo” seria o Cruzeiro – especialmente no interior, região onde o equilíbrio se dissiparia em favor do universo estrelado. Situação mais que evidente ao analisarmos o Mapa das Curtidas.

Com exceção das extremidades flamenguistas e corintianas, a torcida do Cruzeiro está presente ou na liderança em quase todas as regiões. Mais: pode-se dizer que o azul celeste transporta fronteiras, verificado em pequenas cidades do outro lado das divisas (Goiás, Espírito Santo e até Bahia). O mesmo não se pode dizer do Galo, restrito a Minas e, em muitos casos, relegado à terceira importância. Curiosamente, o Atlético é curtido em 100% dos 5.564 municípios brasileiros. Em cinco deles, o Cruzeiro não se viu agraciado.

Quanto aos times paulistas:

Fig 03

O nível de difusão da torcida do Corinthians pelo estado de Minas talvez represente uma das grandes surpresas do Mapa das Curtidas do Globoesporte. Os alvinegros só se veem alijados na “meiuca” da região metropolitana de BH, sendo fortemente representados até onde o Flamengo está ausente (Norte de Minas). Em todas as partes, o Timão traz consigo outro grande antagonista: o São Paulo. Em paleta de cores mais suavizada, o Tricolor Paulista se percebe em quase todas as mesorregiões onde há corintianos. O mesmo não se pode dizer de palmeirenses e santistas: O Verdão é terceiro e o Peixe quarto somente em determinadas cidades do Sul e do Triângulo.

Já os times do Rio:

Fig 04

A característica mineira do Mengão é clara. Sua torcida domina as áreas em que o estado faz divisa com outros de maioria rubro-negra. É assim na Zona da Mata (divisa com o próprio Rio), na Triângulo (fronteiriço a Goiás) e nas regiões do Vale do Rio Doce, Mucuri e Jequitinhonha, próximas à Bahia. Adentrou, perdeu. No zonal interior, o Flamengo não só perde espaço para Cruzeiro e Atlético como para o próprio Corinthians.

Quanto aos demais cariocas, estes não correspondem às expectativas – ao menos pelo Facebook. Vasco e Botafogo só aparecem na Zona da Mata, além dos cruzmaltinos em pequenos municípios do Triângulo. O Fluminense, nem isso. Outra grande revelação do “Mapa” foi justamente a distância entre os quase inexistentes tricolores e os representativos botafoguenses na região da Mata. Enquanto o Botafogo detém a segunda torcida em nove municípios (entre eles a importantíssima Juiz de Fora), o Flu é no máximo terceiro em quatro – destaque para Além Paraíba.

O que faltaria para o “Mapa” se tornar pesquisa? Além de ampliar a amostragem na direção de pobres e idosos, necessário seria contemplar o percentual dos que não torcem por time algum. Enquanto a primeira premissa apenas se soluciona através de pesquisas científicas, a segunda foi abordada num exercício pelo leitor Paulo Henrique Salles. Ele planilhou os percentuais das quatro principais torcidas nos 20 maiores municípios mineiros – que respondem por 40% da população. Depois, considerou que 70% da população torça por alguém, projetando conservadora margem de 30% para o “Nenhum”. Daí, auferiu qual seria o tamanho exato dos rivais caso o resto do estado tivesse o mesmo perfil das cidades selecionadas. Eis o resultado:

Fig 05
Clique para ampliar

Com base nos critérios descritos, a torcida do Cruzeiro representaria 26,48% da população de Minas Gerais, frente a 18,64% do Atlético-MG, 6,81% do Flamengo e 5,17% do Corinthians. Panorama absolutamente fiel ao demonstrado por pesquisas sérias no estado.

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Análise : O Mapa das Curtidas – SC e PR

Prosseguindo a série de análises com relação ao “Mapa das Curtidas do Facebook” – uma parceria da rede social com o Globoesporte.com – é a vez de subirmos um pouco. Após detalhar o nada diversificado perfil das preferências no Rio Grande do Sul, é a vez de nos atermos aos estados de torcida mais plural do Brasil: Santa Catarina e Paraná.

Em nosso país, uma das principais características das preferências clubísticas é a dicotomia entre capital e interior. Com exceção de Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul – além de estados do Norte e Nordeste dominados por forasteiros – são muitos os exemplos de rivalidades entre torcidas que perdem força à medida com que se afastam de suas zonas de influência. Neste sentido, três lugares chamam atenção: Por ordem de “pluralidade”, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Os dois primeiros podem ser vistos na imagem abaixo:

Fig 01

Uma característica comum entre ambos é o predomínio de times da capital num limitado perímetro que vai pouco além da região metropolitana. A região central é dominada por paulistas no Paraná (Flamengo depois) e Flamengo em Santa Catarina (paulistas e Vasco em seguida). Já o oeste catarinense e paranaense são de predomínio gaúcho, com supremacia de Grêmio e Internacional.

Mas o perfil de Santa Catarina vai além, muito pela quantidade e força dos times locais. Começando pelos do interior:

Fig 02

Para surpresa geral, a Chapecoense é, de longe, o clube com difusão mais avançada de Santa Catarina. Mesmo que o “Mapa” seja focado em redes sociais e potencialize simpatias, a verdade é que a zona de influência do Verdão do Oeste se espalha por uma área pouco comum em se tratando daquele estado. O clube está entre os quatro mais curtidos em nada menos que 246 localidades. Consegue ainda uma proeza quase inimaginável: influenciar pequenos municípios gaúchos limítrofes a Chapecó.

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Já a difusão dos outros rivais do interior é mais restrita a municípios-sede e entorno, sem se espalharem tanto pela região em si. Ainda que nas cidades-natal, Joinville e Criciúma, superem a Chapecoense em percentual de curtidas (38,6%, 46,6% e 37,3%, respectivamente). O JEC angaria uma das quatro primeiras posições em apenas 12 municípios, enquanto o Tigre o faz em 48.

Fig 03

As coisas não são muito melhores para os times da capital. Inseridos numa grande região de influência flamenguista, Figueirense e Avaí só conseguem leve supremacia na zona de menos de um milhão de habitantes que circunda Florianópolis. Neste raio, a supremacia do Figueira é evidente – confirmando a histórica evidência do “time do continente” que relega a identificação avaiana à pouco populosa ilha. O Figueirense detém preferência em 15 municípios, trazendo o Avaí na segunda posição em 14 deles.

Quanto aos times de fora, eis o mapa de calor:

Fig 04

Fig 05

Trata-se de um perfil bastante semelhante ao da pesquisa científica publicada pelo Blog Teoria dos Jogos ainda em seus tempos de Globoesporte.com. O Flamengo domina a maioria do estado, sendo segundo em cidades corintianas ou gremistas. Fica em terceiro no entorno de Florianópolis, em quarto no extremo sul e em sexto na região oeste, onde o predomínio é do Grêmio e depois do Internacional.

Parte da divisa entre SC e RS verifica notável crescimento do Corinthians – terceiro por ali e segundo nas regiões centrais. O Vasco cresce nas cercanias de Tubarão e Rio do Sul, ficando entre o segundo e o terceiro posto. Já o São Paulo fica em terceiro ou quarto nas regiões norte e central. Palmeiras e Santos surgem com representação residual nos limites com o Paraná.

Fig 06

Perto do estado vizinho, a atmosfera paranaense soa menos difusa, ainda que se trate de um dos representantes da pluralidade anteriormente debatida. Pelo Facebook, o Paraná é uma mancha corintiana, com contornos atleticanos na capital e gremistas no oeste. Esporádicas maiorias flamenguistas finalizam uma pintura que, comparada aos resultados científicos, traria dificuldades na distinção entre original e cópia.

A superioridade do Atlético-PR se dá ao longo do um perímetro maior do que o Coritiba: o Furacão é um dos quatro mais curtidos em 43 municípios, frente aos 28 do Coxa. Sendo que o alviverde não lidera em nenhum, derrotado pelo Corinthians em plena cidade de Curitiba – possível distorção da apuração via rede social. Se é assim com o Coxa, sabido detentor de boa torcida, imaginem com o Paraná Clube? Sua melhor posição é um irrisório 4º lugar em Bocaiúva do Sul.

Fig 07

Fig 08

As verdadeiras donas do Paraná são as torcidas de São Paulo. Como já foi dito, o Corinthians é líder absoluto em todas as regiões onde Atlético-PR ou Grêmio não aprontam. Com vantagem tricolor, São Paulo e Palmeiras vem a reboque – ainda que a quantidade de lugares onde o Palmeiras é vice não seja desprezível, incluindo cidades como Umuarama e Apucarana. Há espaço até para o Santos: segundo em duas cidades (Jardim Alegre e Nova Aurora) e terceiro em outras tantas. Oeste e Sudoeste são divididos por Grêmio e Internacional, finalizando uma zona de influência que só volta a ter relevância em rincões agrários do Centro Oeste. De qualquer maneira, pode-se dizer que em termos de torcidas, o Paraná seria quase um quintal do estado de São Paulo.

Sim, “quase”. Em meio a paulistas, gaúchos e paranaenses, surge a exceção de sempre: o Flamengo. Por lá, o se faz presente como segundo mais curtido em muitos municípios próximos à divisa com Santa Catarina (destaque para Guarapuava e Ponta Grossa). Tem mais: em Rio Negro, Campo do Tenente e Paranaguá (litoral), é o rubro-negro quem dá as cartas, liderando em curtidas. Nada disso em companhia do Vasco: ao contrário do que ocorre em Santa Catarina, cruzmaltinos praticamente inexistem no Paraná.

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