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Análise: O Mapa das Curtidas – Minas Gerais

Após nos debruçarmos sobre dois dos três estados mais plurais em termos de torcidas – Santa Catarina e Paraná – chegou a vez de desembarcar no último vértice deste triângulo. Trata-se de Minas Gerais, quarta maior unidade federativa e segunda mais populosa do Brasil. Um dos berços do país como o conhecemos, cuja diversidade cultural e étnica denota à perfeição nossos contrastes, mazelas e as próprias preferências clubísticas.

Fig 01

De acordo com as curtidas no Facebook, Minas surge como enorme mancha azul celeste no centro do Brasil: Entre seus 853 municípios, 561 são de maioria cruzeirense. Embora faça frente ao Cruzeiro em muitos lugares, em nenhum o Atlético-MG se mostra acima do arquirrival, uma situação inesperada. Em território mineiro, inimigos íntimos são mesmo Flamengo e Corinthians. O rubro-negro predomina nas regiões da Zona da Mata (divisa com o Rio) e onde o Triângulo Mineiro “toca” o estado de Goiás – além de cidades esporádicas nos limites com Espírito Santo e Bahia. Já os corintianos são hegemônicos no Sul de Minas, no Triângulo “paulista” (divisa com São Paulo e Mato Grosso do Sul), além de duas pequenas cidades em pleno Vale do Jequitinhonha.

Um olhar mais apurado sobre Cruzeiro e Atlético:

Fig 02

A diferença entre os arquirrivais é tão flagrante quanto o Blog Teoria dos Jogos sempre sugeriu. Em recente entrevista ao site ESPN FC, este blogueiro afirmou que em Minas, “time do povo” seria o Cruzeiro – especialmente no interior, região onde o equilíbrio se dissiparia em favor do universo estrelado. Situação mais que evidente ao analisarmos o Mapa das Curtidas.

Com exceção das extremidades flamenguistas e corintianas, a torcida do Cruzeiro está presente ou na liderança em quase todas as regiões. Mais: pode-se dizer que o azul celeste transporta fronteiras, verificado em pequenas cidades do outro lado das divisas (Goiás, Espírito Santo e até Bahia). O mesmo não se pode dizer do Galo, restrito a Minas e, em muitos casos, relegado à terceira importância. Curiosamente, o Atlético é curtido em 100% dos 5.564 municípios brasileiros. Em cinco deles, o Cruzeiro não se viu agraciado.

Quanto aos times paulistas:

Fig 03

O nível de difusão da torcida do Corinthians pelo estado de Minas talvez represente uma das grandes surpresas do Mapa das Curtidas do Globoesporte. Os alvinegros só se veem alijados na “meiuca” da região metropolitana de BH, sendo fortemente representados até onde o Flamengo está ausente (Norte de Minas). Em todas as partes, o Timão traz consigo outro grande antagonista: o São Paulo. Em paleta de cores mais suavizada, o Tricolor Paulista se percebe em quase todas as mesorregiões onde há corintianos. O mesmo não se pode dizer de palmeirenses e santistas: O Verdão é terceiro e o Peixe quarto somente em determinadas cidades do Sul e do Triângulo.

Já os times do Rio:

Fig 04

A característica mineira do Mengão é clara. Sua torcida domina as áreas em que o estado faz divisa com outros de maioria rubro-negra. É assim na Zona da Mata (divisa com o próprio Rio), na Triângulo (fronteiriço a Goiás) e nas regiões do Vale do Rio Doce, Mucuri e Jequitinhonha, próximas à Bahia. Adentrou, perdeu. No zonal interior, o Flamengo não só perde espaço para Cruzeiro e Atlético como para o próprio Corinthians.

Quanto aos demais cariocas, estes não correspondem às expectativas – ao menos pelo Facebook. Vasco e Botafogo só aparecem na Zona da Mata, além dos cruzmaltinos em pequenos municípios do Triângulo. O Fluminense, nem isso. Outra grande revelação do “Mapa” foi justamente a distância entre os quase inexistentes tricolores e os representativos botafoguenses na região da Mata. Enquanto o Botafogo detém a segunda torcida em nove municípios (entre eles a importantíssima Juiz de Fora), o Flu é no máximo terceiro em quatro – destaque para Além Paraíba.

O que faltaria para o “Mapa” se tornar pesquisa? Além de ampliar a amostragem na direção de pobres e idosos, necessário seria contemplar o percentual dos que não torcem por time algum. Enquanto a primeira premissa apenas se soluciona através de pesquisas científicas, a segunda foi abordada num exercício pelo leitor Paulo Henrique Salles. Ele planilhou os percentuais das quatro principais torcidas nos 20 maiores municípios mineiros – que respondem por 40% da população. Depois, considerou que 70% da população torça por alguém, projetando conservadora margem de 30% para o “Nenhum”. Daí, auferiu qual seria o tamanho exato dos rivais caso o resto do estado tivesse o mesmo perfil das cidades selecionadas. Eis o resultado:

Fig 05
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Com base nos critérios descritos, a torcida do Cruzeiro representaria 26,48% da população de Minas Gerais, frente a 18,64% do Atlético-MG, 6,81% do Flamengo e 5,17% do Corinthians. Panorama absolutamente fiel ao demonstrado por pesquisas sérias no estado.

Um grande abraço e saudações!

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Análise : O Mapa das Curtidas – SC e PR

Prosseguindo a série de análises com relação ao “Mapa das Curtidas do Facebook” – uma parceria da rede social com o Globoesporte.com – é a vez de subirmos um pouco. Após detalhar o nada diversificado perfil das preferências no Rio Grande do Sul, é a vez de nos atermos aos estados de torcida mais plural do Brasil: Santa Catarina e Paraná.

Em nosso país, uma das principais características das preferências clubísticas é a dicotomia entre capital e interior. Com exceção de Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul – além de estados do Norte e Nordeste dominados por forasteiros – são muitos os exemplos de rivalidades entre torcidas que perdem força à medida com que se afastam de suas zonas de influência. Neste sentido, três lugares chamam atenção: Por ordem de “pluralidade”, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Os dois primeiros podem ser vistos na imagem abaixo:

Fig 01

Uma característica comum entre ambos é o predomínio de times da capital num limitado perímetro que vai pouco além da região metropolitana. A região central é dominada por paulistas no Paraná (Flamengo depois) e Flamengo em Santa Catarina (paulistas e Vasco em seguida). Já o oeste catarinense e paranaense são de predomínio gaúcho, com supremacia de Grêmio e Internacional.

Mas o perfil de Santa Catarina vai além, muito pela quantidade e força dos times locais. Começando pelos do interior:

Fig 02

Para surpresa geral, a Chapecoense é, de longe, o clube com difusão mais avançada de Santa Catarina. Mesmo que o “Mapa” seja focado em redes sociais e potencialize simpatias, a verdade é que a zona de influência do Verdão do Oeste se espalha por uma área pouco comum em se tratando daquele estado. O clube está entre os quatro mais curtidos em nada menos que 246 localidades. Consegue ainda uma proeza quase inimaginável: influenciar pequenos municípios gaúchos limítrofes a Chapecó.

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Já a difusão dos outros rivais do interior é mais restrita a municípios-sede e entorno, sem se espalharem tanto pela região em si. Ainda que nas cidades-natal, Joinville e Criciúma, superem a Chapecoense em percentual de curtidas (38,6%, 46,6% e 37,3%, respectivamente). O JEC angaria uma das quatro primeiras posições em apenas 12 municípios, enquanto o Tigre o faz em 48.

Fig 03

As coisas não são muito melhores para os times da capital. Inseridos numa grande região de influência flamenguista, Figueirense e Avaí só conseguem leve supremacia na zona de menos de um milhão de habitantes que circunda Florianópolis. Neste raio, a supremacia do Figueira é evidente – confirmando a histórica evidência do “time do continente” que relega a identificação avaiana à pouco populosa ilha. O Figueirense detém preferência em 15 municípios, trazendo o Avaí na segunda posição em 14 deles.

Quanto aos times de fora, eis o mapa de calor:

Fig 04

Fig 05

Trata-se de um perfil bastante semelhante ao da pesquisa científica publicada pelo Blog Teoria dos Jogos ainda em seus tempos de Globoesporte.com. O Flamengo domina a maioria do estado, sendo segundo em cidades corintianas ou gremistas. Fica em terceiro no entorno de Florianópolis, em quarto no extremo sul e em sexto na região oeste, onde o predomínio é do Grêmio e depois do Internacional.

Parte da divisa entre SC e RS verifica notável crescimento do Corinthians – terceiro por ali e segundo nas regiões centrais. O Vasco cresce nas cercanias de Tubarão e Rio do Sul, ficando entre o segundo e o terceiro posto. Já o São Paulo fica em terceiro ou quarto nas regiões norte e central. Palmeiras e Santos surgem com representação residual nos limites com o Paraná.

Fig 06

Perto do estado vizinho, a atmosfera paranaense soa menos difusa, ainda que se trate de um dos representantes da pluralidade anteriormente debatida. Pelo Facebook, o Paraná é uma mancha corintiana, com contornos atleticanos na capital e gremistas no oeste. Esporádicas maiorias flamenguistas finalizam uma pintura que, comparada aos resultados científicos, traria dificuldades na distinção entre original e cópia.

A superioridade do Atlético-PR se dá ao longo do um perímetro maior do que o Coritiba: o Furacão é um dos quatro mais curtidos em 43 municípios, frente aos 28 do Coxa. Sendo que o alviverde não lidera em nenhum, derrotado pelo Corinthians em plena cidade de Curitiba – possível distorção da apuração via rede social. Se é assim com o Coxa, sabido detentor de boa torcida, imaginem com o Paraná Clube? Sua melhor posição é um irrisório 4º lugar em Bocaiúva do Sul.

Fig 07

Fig 08

As verdadeiras donas do Paraná são as torcidas de São Paulo. Como já foi dito, o Corinthians é líder absoluto em todas as regiões onde Atlético-PR ou Grêmio não aprontam. Com vantagem tricolor, São Paulo e Palmeiras vem a reboque – ainda que a quantidade de lugares onde o Palmeiras é vice não seja desprezível, incluindo cidades como Umuarama e Apucarana. Há espaço até para o Santos: segundo em duas cidades (Jardim Alegre e Nova Aurora) e terceiro em outras tantas. Oeste e Sudoeste são divididos por Grêmio e Internacional, finalizando uma zona de influência que só volta a ter relevância em rincões agrários do Centro Oeste. De qualquer maneira, pode-se dizer que em termos de torcidas, o Paraná seria quase um quintal do estado de São Paulo.

Sim, “quase”. Em meio a paulistas, gaúchos e paranaenses, surge a exceção de sempre: o Flamengo. Por lá, o se faz presente como segundo mais curtido em muitos municípios próximos à divisa com Santa Catarina (destaque para Guarapuava e Ponta Grossa). Tem mais: em Rio Negro, Campo do Tenente e Paranaguá (litoral), é o rubro-negro quem dá as cartas, liderando em curtidas. Nada disso em companhia do Vasco: ao contrário do que ocorre em Santa Catarina, cruzmaltinos praticamente inexistem no Paraná.

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