O mapa das curtidas do Facebook 2017: Sudeste

No final do ano passado, o Globoesporte.com atualizou um dos trabalhos mais impressionantes que já elaborou: o Mapa das Curtidas do Facebook. Numa parceria com a rede social de Mark Zuckerberg, o portal mapeara, em idos de 2015, o percentual de curtidas dos clubes em 5.570 municípios do país. Em dezembro de 2017, o ranking foi atualizado. Antes em férias, o Blog Teoria dos Jogos vem agora analisar o novo perfil delineado pelo mapa, com uma novidade: análises em cada uma das 27 unidades da federação.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O MAPA DAS CURTIDAS

Antes, são imprescindíveis algumas colocações a respeito do Mapa de Curtidas. Para tanto, caberia uma leitura do post aqui publicado a respeito do primeiro Mapa de 2015. Em termos etários, ainda que o Facebook seja uma rede quase censitária entre jovens e adultos, isto não se aplica às camadas de mais idade, reduzindo seu viés científico. O mesmo ocorre nas questões de renda relacionadas à amostra. Por mais que pareça que “todos tenham Facebook”, a verdade é que o Brasil é um país com importantes desigualdades sociais e, por conseguinte, exclusão digital. Tanto as populações mais pobres quanto as residentes em áreas mais remotas possuem bem menos acesso a um perfil na rede. Sendo assim, o Mapa não constitui pesquisa de torcidas, mas apenas um espelho com ótimo grau de capilaridade da realidade do país.

Um bom exemplo reside nas duas maiores torcidas do país, Flamengo e Corinthians. Todos os estudos apontam o Rubro-Negro com cerca de 3 pontos percentuais a mais de torcedores (17% a 14% ou 16% a 13%), o que daria um gap mínimo de 6 milhões de torcedores entre ambos. Não é o que se verifica no Face, onde o Fla possui 11.561.394 curtidas contra 11.445.814 do alvinegro (às 16:18 hs de 24/01/2018), praticamente o mesmo número. Isto inequivocamente se reflete no mapeamento, inflando-o e fazendo da torcida paulista maior no Mapa do que na “vida real”.

Outras distorções são ainda mais problemáticas. Primeiro porque qualquer clube pode comprar curtidas – trata-se de um produto que o Facebook oferece a quem possua uma página por lá. Segundo porque qualquer pessoa pode curtir mais de uma página. E terceiro porque movimentos motivados por comoção potencializam números artificialmente. Foi o caso da página da Chapecoense, que após o acidente subiu de uma quantidade irrisória para mais de quatro milhões de curtidas – apenas atrás de Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras. Situação irreal mas inevitável, uma vez que ninguém pode impedir as pessoas de quererem informações sobre o clube após a tragédia vivida. Só que o boost da Chape se fez refletir nos demais: num jogo de soma zero, o crescimento de um vem necessariamente acompanhado da redução de todos os outros.

ANÁLISES POR REGIÃO – SUDESTE

Os números a seguir foram extraídos de uma nova ferramenta que torna possível verificar o perfil dos clubes individualmente, suas cidades e microrregiões mais curtidas e seu número de joinhas por estado.

Deste modo, coletando as informações de todos os estados e todos os clubes presentes no levantamento (dá trabalho…), encontramos uma configuração que na maioria das vezes se aproxima da realidade, seja no tocante aos percentuais, seja no ordenamento entre as agremiações. Sempre levando em conta o abordado nos parágrafos acima: distorções que fazem alguns parecerem maiores do que de fato são.

RIO DE JANEIRO

Os percentuais dos quatro grandes do Rio são muito semelhantes ao que demonstram as pesquisas: um Flamengo gigantesco (42,21%) e, sozinho, 130% maior do que seus três rivais somados. O Corinthians apresenta 4,08% do total no estado, pouco mais que o dobro do que costuma apresentar nas pesquisas de opinião. Com a Chape é pior: 3,92% onde na prática sua torcida inexiste. Isto comprova a solidariedade no entorno da causa, enquanto enviesa e impacta sobre os números dos demais. De resto, o Santos (8º colocado) à frente do Palmeiras e o Atlético (10º) superando o arquirrival celeste. O único clube do interior presente no levantamento é o Volta Redonda, com 0,3% das curtidas fluminenses.

SÃO PAULO

Novamente, muita fidelidade nas informações, com Corinthians (36,37%), São Paulo (21,29%), Palmeiras (12,54%) e Santos (7,59%) em percentuais muito próximos do que demonstram os estudos científicos. A comoção fez a Chapecoense superar o Flamengo (4,2% a 4,16%), ainda que o Rubro-Negro também esteja acima do que apontam as pesquisas. O Cruzeiro supera Vasco, Atlético-MG e Grêmio. Do interior, apenas a Ponte Preta atinge 1% das preferências, enquanto o Guarani marca insignificantes 0,19%. Botafogo-SP, Portuguesa, São Bento, Bragantino, Mogi Mirim e Oeste também não se aproximam da marca unitária.

MINAS GERAIS

Se o Facebook é azul, Minas Gerais também é. Neste caso, 31,07% dos curtidores no estado são cruzeirenses, contra 21,51% do Atlético. Dominantes em regiões como a Zona da Mata, o Sul e o Triângulo Mineiro, Flamengo (11,02%) e Corinthians (9,1%) lutam palmo a palmo pela condição de terceiro maior. O São Paulo é quinto, Palmeiras sétimo e o Vasco, oitavo, com Santos, Botafogo e Fluminense em seguida. O América-MG por pouco não atinge 1% das preferências – ficou em 0,93%.Diferente de outros mineiros como Boa Esporte, Tombense e Tupi, todos abaixo dos 0,24%.

ESPIRITO SANTO

Verdadeira extensão do Rio de Janeiro, mas só até a página dois. Flamengo e Vasco, de fato, surgem enormes: o rubro-negro praticamente iguala seu percentual do Rio (42,06%) enquanto o cruzmaltino o supera (16,7%), fazendo do estado capixaba seu maior reduto nas redes sociais. Mas aí vem o Corinthians (5,71%) para superar Fluminense (4,9%) e Botafogo (4,69%), subvertendo a lógica. Após a Chapecoense, temos o Cruzeiro (3,9%) mostrando que realmente os mineiros tem alguma influência no estado (o Galo é nono, com 2,69%). Assim como Mato Grosso do Sul e os estados do Norte (exceção do Pará), o Espírito Santo é um dos  poucos estados que não possuem clubes próprios representados no Mapa.

Nos próximos dias, as análises relativas às regiões Sul, Centro Oeste, Norte e Nordeste.

Um grande abraço e saudações!

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As maiores rendas da história – versão final 2017

Foi um ano especial – ao menos no tocante às receitas de bilheteria. Pela segunda temporada consecutiva, a maior renda da história do futebol brasileiro foi quebrada. Na despedida da Seleção após consistente campanha nas Eliminatórias, os horizontes foram expandidos para além dos R$ 15 milhões no Allianz Parque, à zona oeste paulistana. Talvez mais impressionante do que a renda absoluta tenha sido o recorde de ticket médio que a partida representou: nada menos que R$ 368 médios. Mas não foi só. Também em São Paulo, mas longe dali, a zona leste e o estádio de Itaquera presenciaram o segundo maior ticket da história. Nas duas ocasiões, o Brasil venceu por 3 x 0, enchendo paulistanos e brasileiros de orgulho.

Se não foram tão longe quanto a Seleção, os clubes fizeram sua parte. Numa final de gigantes, Flamengo e Cruzeiro só poderiam proporcionar rendas históricas. Lá como cá, os jogos adentraram para o rol das maiores bilheterias de clubes, respectivamente, na quarta e sétima colocações. Protagonista também da final da Copa Sulamericana (nono lugar), o Rubro-Negro passa a ser o personagem principal desta lista, sendo responsável por nada menos que quatro* das dez maiores rendas em jogos interclubes. Nem mesmo o tricampeonato da Libertadores foi capaz de fazer com que gremistas, em décimo lugar no jogo do título, os suplantassem.

*A partida Santos 0 x 0 Flamengo, na oitava colocação, foi basicamente um mando de campo invertido, com 99% da torcida presente sendo rubro-negra – fato presenciado ocularmente por este blogueiro.

Na sequência, todos os rankings:

RANKING EM JOGOS ENTRE CLUBES

1) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia-PAR – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda:  R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013;

2) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013;

3) Grêmio 2 x 1 Hamburgo-ALE – Arena do Grêmio (RS) – 08/12/2012 – Público: 46.969 – Renda: R$ 8.599.614,00 – Amistoso;

4) Cruzeiro 0 x 0 Flamengo – Mineirão (MG) – 27/09/2017 – Público: 56.596 – Renda: R$ 7.881.058,00 – Final Copa do Brasil 2017;

5) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014;

6) São Paulo 0 x 2 Atlético Nacional-COL – Morumbi (SP) – 06/07/2016 – Público: 61.766 – Renda: R$ 7.526.480,00 – Semifinal Libertadores 2016;

7) Flamengo 1 x 1 Cruzeiro – Maracanã (RJ) – 07/09/2017 – Público: 56.135 – Renda: R$ 7.039.230,00 – Final Copa do Brasil 2017;

8 ) Santos 0 x 0 Flamengo – Mané Garrincha (DF) – 26/05/2013 – Público: 63.501  – Renda: R$ 6.948.710,00 – Brasileirão 2013;

9) Flamengo 1 x 1 Independiente – Maracanã (RJ) – 13/12/2017 – Público: 54.963 – Renda: R$ 6.694.300,00 – Final Sulamericana 2017;

10) Grêmio 1 x 0 Lanús – Arena do Grêmio (RS) – 22/11/2017 – Público: 55.188 – Renda: R$ 6.526.427,00 – Final Libertadores 2017;

Obs1: Partidas recém incluídas no ranking aparecem em negrito.

Obs2.: Os valores expressam a renda bruta de partidas na história recente do nosso futebol, não sendo corrigidos pela inflação. O objetivo deste levantamento é justamente a comparação intertemporal de valores, evidenciando a majoração dos preços ao longo dos anos 

RANKING EM JOGOS DA SELEÇÃO

1) Brasil 3 x 0 Chile – Allianz Parque (SP) – 10/10/2017 – Público: 41.008 – Renda: R$ 15.118.391,02 – Eliminatórias Copa 2018;

2) Brasil 3 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 10/11/2016 – Público: 53.490 – Renda: R$ 12.726.250,00 – Eliminatórias Copa 2018;

3) Brasil 3 x 0 Paraguai – Arena Corinthians (SP) – 28/03/2017 – Público: 44.378 – Renda: R$ 12.323.925,00 – Eliminatórias Copa 2018;

4) Brasil 1 × 0 Sérvia – Morumbi (SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$8.693.940,00 –Amistoso;

5) Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso;

6) Brasil 3 x 0 França – Arena do Grêmio (RS) – 09/06/2013 – Público: 51.643 – Renda: 6.833.515,00 – Amistoso;

7) Brasil 2 x 0 México – Allianz Parque (SP) – 07/06/2015 – Público: 34.659 – Renda: R$ 6.737.030,00 – Amistoso;

8 )  Brasil 0 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 18/06/2008 – Público: 52.527 – Renda: 6.605.255,00 – Eliminatórias Copa 2010;

9) Brasil 2 x 1 Colômbia – Arena da Amazônia (AM) – 06/09/2016 – Público: 36.609 – Renda: R$ 5.840.500,50 – Eliminatórias Copa 2018;

10) Brasil 2 x 2 Uruguai – Arena Pernambuco (PE) – 25/03/2016 – Público: 43.898 – Renda: R$ 4.961.890,00 – Eliminatórias Copa 2018;

 

RANKING AGREGADO (SELEÇÃO + CLUBES)

1) Brasil 3 x 0 Chile – Allianz Parque (SP) – 10/10/2017 – Público: 41.008 – Renda: R$ 15.118.391,02 – Eliminatórias Copa 2018;

2) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia-PAR – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda: R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013;

3) Brasil 3 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 10/11/2016 – Público: 53.490 – Renda: R$ 12.726.250,00 – Eliminatórias Copa 2018;

4) Brasil 3 x 0 Paraguai – Arena Corinthians (SP) – 28/03/2017 – Público: 44.378 – Renda: R$ 12.323.925,00 – Eliminatórias Copa 2018;

5) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013;

6) Brasil 1 × 0 Sérvia – Morumbi (SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$ 8.693.940,00 – Amistoso

7)  Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso;

8 ) Grêmio 2 x 1 Hamburgo-ALE – Arena do Grêmio (RS) – 08/12/2012 – Público: 46.969 – Renda: R$ 8.599.614,00 – Amistoso;

9) Cruzeiro 0 x 0 Flamengo – Mineirão (MG) – 27/09/2017 – Público: 56.596 – Renda: R$ 7.881.058,00 – Final Copa do Brasil 2017;

10) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014;

 

MAIORES TICKETS MÉDIOS DA HISTÓRIA

1) Brasil 3 x 0 Chile – Allianz Parque (SP) – 10/10/2017 – Público: 41.008 – Renda: R$ 15.118.391,02 – Eliminatórias Copa 2018 – Ticket: R$ 368;

2) Brasil 3 x 0 Paraguai – Arena Corinthians (SP) – 28/03/2017 – Público: 44.378 – Renda: R$ 12.323.925,00 – Eliminatórias Copa 2018; Ticket: R$ 277;

3) Atlético-MG 2 x 0 Cruzeiro – Independência (MG) – 12/11/2014 – Público: 18.578 – Renda: R$ 4.741.300,00 – Final Copa do Brasil 2014 – Ticket: R$ 255

4) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia-PAR – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda:  R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013 – Ticket: R$ 250; 

5) Brasil 3 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 10/11/2016 – Público: 53.490 – Renda: R$ 12.726.250,00 – Eliminatórias Copa 2018 – Ticket: R$ 238;

6) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014 – Ticket: R$ 197

7) Brasil 2 x 0 México – Allianz Parque (SP) – 07/06/2015 – Público: 34.659 – Renda: R$ 6.737.030,00 – Amistoso – Ticket: R$ 194;

8 ) Grêmio 2 x 1 Hamburgo-ALE – Arena do Grêmio (RS) – 08/12/2012 – Público: 46.969 – Renda: R$ 8.599.614,00 – Amistoso de inauguração – Ticket: R$ 183

9) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013 – Ticket: R$ 167;

10) Brasil 2 x 1 Colômbia – Arena da Amazônia (AM) – 06/09/2016 – Público: 36.609 – Renda: R$ 5.840.500,50 – Eliminatórias Copa 2018 – Ticket: R$ 159;

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As maiores audiências agregadas de 2017

Desde que a Kantar Ibope Media começou divulgar as audiências semanais da TV brasileira, muito se foi possível auferir a respeito do impacto do futebol sobre o interesse do público. Isto porque, ao contrário da mera divulgação das audiências em mercados de referência (São Paulo e Rio de Janeiro), os números contemplam nada menos que as 15 maiores regiões metropolitanas do país. Assim, passou-se a compreender a exata reação de euforia ou indiferença dispensada por mercados tão díspares quanto Belém, Campinas, Vitória ou Goiânia*, seja em partidas envolvendo times locais ou equipes nacionais de maior torcida.

*O monitoramento contempla ainda Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Manaus e Brasília.

Diante disto, em mais um esforço de análise e compilação, o Blog Teoria dos Jogos elencou o top-10 das partidas de maior audiência televisiva agregada ao longo do ano de 2017. Para tanto, é importante compreender o grau de difusão no perfil das audiências em cada uma destas localidades. Conforme explicitamos anteriormente, partidas envolvendo o Flamengo, por exemplo, explodem de audiência no Rio, Manaus, Brasília ou Vitória. Em mercados como o Nordeste, apenas jogos mais importantes se destacam, enquanto praças como Goiânia ou Curitiba tratam o Rubro-Negro com certo desprezo.

Em maior ou menor grau, o processo descrito acima se aplica a todos. Clubes paulistas, gaúchos e mineiros não raro ultrapassam 40 pontos de audiência em suas praças de origem, como, na partida entre Corinthians e Palmeiras veiculada em São Paulo domingo passado. Mesmo jogo que, em Porto Alegre, não ultrapassou 19,4, enquanto Salvador lhe ofereceu irrisórios 15 pontos. Por razões como esta, eventos de maior audiência quase não ultrapassam os 30 pontos no agregado, e ainda assim são considerados um colosso pelo mercado publicitário.

Vamos, portanto, ao ranking:

OBS: audiências relativas à TV aberta na transmissão da TV Globo.

A maior audiência do futebol brasileiro este ano responde pela segunda e decisiva partida da final da Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Flamengo. Na ocasião, a decisão nos pênaltis com vitória celeste fez com que as quinze praças que alinharam em rede marcassem explosivos 32,1 pontos em média. A final da Copa surge também como uma das que constam no ranking com suas partidas de ida e volta – já que o primeiro embate do Maracanã ocupa a sétima colocação (27,6 pontos médios).

Além deste confronto, um outro envolvendo a maior torcida do país se encontra em posição de destque. Na fase anterior do mesmo torneio, o Flamengo eliminou o arquirrival Botafogo, atingindo 27,7 pontos no jogo de ida (6º lugar no ranking) e 30,7 pontos na volta (2º).

Uma verdade quase absoluta diz respeito à primazia de audiências em jogos de meio de semana. A exceção se deu no já citado Corinthians x Palmeiras do último fim de semana: seus 29 pontos representam um verdadeiro absurdo em se tratando de um domingo. Mesmo assim, o derby ocupou a 4ª posição, não superando os 29,9 pontos do próprio derby no primeiro turno – aquele sim jogado numa quarta. Ambos os clássicos, contudo, tiveram jogos envolvendo times cariocas em concomitância.

Por fim, destaque para os 27,9 pontos de Grêmio x Botafogo, pela Libertadores, partida majoritária numa noite em que o Corinthians também atuava. Fluminense x São Paulo (27,4 pontos, 12 praças) também foi muito bem, adentrando num ranking tradicionalmente dominado pelos “queridinhos” de sempre.

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O histórico de Botafogo e Flamengo na Ilha do Governador

É amplamente sabido que, há quatro anos, o Maracanã foi entregue de maneira irresponsável a um grupo empresarial envolvido nos mais escandalosos episódios de corrupção. Depois de tudo vir à tona, gerir instalações futebolísticas tornou-se a última prioridade da hoje moribunda Concessionária Maracanã S.A. Por conta disto, Botafogo (primeiramente) e Flamengo (um ano depois) encontraram no estádio Luso Brasileiro, de propriedade da Portuguesa-RJ, uma solução tão pertinente quanto paliativa. Ao longo da temporada 2016, o Alvinegro fez 13 partidas na (à época) denominada “Arena Botafogo”. Recentemente, o Rubro-Negro completou seu 15º embate na atual “Ilha do Urubu”. Assim, já se faz possível estabelecer comparações em questões que vão além do resultado dentro das quatro linhas.

Mas antes, são necessários alguns esclarecimentos. Em primeiro lugar, parece claro que diferentes clubes fazem contabilizações distintas no que tange a critérios de apropriação de despesas. Por não se tratarem de documentos auditados, borderôs (ou “boletins financeiros”, como descritos no site da CBF) podem conter informações não necessariamente fidedignas. Entretanto, com o avançar das boas práticas, acredita-se que estas informações se aproximem cada vez mais da realidade. Tanto que elas referenciam diversas análises, rankings e estudos.

Em segundo lugar, clubes também vivenciam realidades próprias no que diz respeito ao tratamento do sócio-torcedor, às suas política de preços ou mesmo às fases atravessadas por cada um. O projeto “Sou Botafogo”, por exemplo, possui modalidades de acesso gratuito (mediante pagamento de mensalidade, naturalmente), o que inexiste no “Nação Rubro-Negra”. Conforme veremos adiante, isto pode ter impacto sobre as deduções das despesas.

Quanto ao momento esportivo vivido por Botafogo e Flamengo, pode-se afirmar que foram semelhantes no recorte adotado. Onze dos treze jogos do Botafogo no estádio em 2016 foram válidos pelo Brasileirão, com o clube terminando na quinta colocação e angariando vaga na pré-Libertadores. Atualmente, o Flamengo ocupa o sétimo posto no torneio, algo que lhe proporcionaria classificação para a mesmíssima fase da competição continental.

Por fim, uma última observação. É comum que a mídia especializada subtraia, do público presente, o número de gratuidades, auferindo assim o público pagante de cada partida. Trata-se de um expediente distorcivo, uma vez que nesta conta são ignoradas as cortesias. Percebam, no borderô da partida Flamengo 4 x 1 Bahia, que tais valores entram como receitas de maneira fictícia – pois foram distribuídas, não compradas. Posteriormente, há um movimento de débito de igual valor no campo das despesas.

Em jogos do Botafogo – ao menos à época da Arena Botafogo – o valor subtraído a título de “ingressos promocionais” (nome técnico das cortesias) era ligeiramente superior ao que entrava como receita. Presume-se que seja por conta das tais categorias de sócios com livre acesso, conforme detalhado no terceiro parágrafo. Como não se tratavam de valores tão consideráveis, presume-se a comparação entre os borderôs de Botafogo e Flamengo como em pé de igualdade.

Devido aos esclarecimentos acima, optamos por acrescentar duas colunas às já tradicionais colunas de “renda”, “público” ou “ticket médio”. Elas contém o número de “cortesias” e a subtração do público pagante pelas cortesias, chegando ao número real de frequentadores de estádio a título oneroso. Por fim, temos o resultado financeiro das partidas e o percentual de lucro, quando houver.

Vamos às tabelas:

BOTAFOGO

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O público total médio do Botafogo jogando na Ilha do Governador foi de 9.885 pessoas por jogo, um número 10% superior à média de pagantes (8.966) e nada menos que 27% acima do número “real” de pagantes (7.776) – uma vez que houve em média 1.190 cortesias* por partida. O maior público total foi de 15.170 pessoas (Botafogo 0 x 0 Coritiba) e o menor, 4.839, num embate contra o Bragantino pela Copa do Brasil. A maior renda (R$ 480.060,00) ocorreu no jogo de maior público, bem como a operação mais lucrativa (R$ 196.920,92). Já o maior ticket médio, de R$ 39,23, se deu na partida inaugural do estádio, um empate em 3 x 3 diante do próprio Flamengo.

*Considerando questões já abordadas no tocante às cortesias do Botafogo

Percebe-se claramente que, após uma inauguração minimamente rentável, o Botafogo passou a acumular uma série de prejuízos. Na pior sequência, cinco confrontos entre o Bragantino e o Santos, o clube ficou no vermelho em quatro. Mas com a briga pelo G-6, que se iniciou posteriormente e durou até as últimas rodadas, os déficits foram amenizados. De qualquer maneira, cinco dos 13 jogos tiveram prejuízo, enquanto o  resultado financeiro médio foi de meros R$ 12.940,57 por partida.

FLAMENGO

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O público total médio do Flamengo na Ilha do Urubu é de 12.551, número 11% superior à média de pagantes (11.255) e incríveis 29% acima da média dos que realmente pagaram ingresso (9.697, descontadas as 1.558 cortesias por jogo).O maior público (18.204) se deu na partida Flamengo 0 x 1 Grêmio, mas a maior renda aconteceu no confronto anterior: R$ 1.182.167,00, na vitória de 2 x 0 sobre o São Paulo. Já o pior público foi verificado durante a Copa Sul Americana, com apenas 6.074 comparecendo à goleada de 5 x 0 sobre o Palestino. O ticket médio vem variando entre R$ 32,42 e incríveis 73,50.

Pode-se dizer que o processo verificado pelo Flamengo é exatamente oposto ao do Botafogo. Numa euforia inicial, a lua-de-mel com o novo estádio fez com que todas as oito primeiras partidas fossem (bastante) lucrativas. Até o famigerado Flamengo 0 x 2 Vitória, o lucro médio vinha superior a R$ 400 mil por jogo. Com a desilusão, um impacto negativo dramático: seis prejuízos nas últimas sete partidas na Ilha, mesmo diante de uma nada desconsiderável redução do ticket médio. Assim, o resultado financeiro do Flamengo no período se viu esvaziado a uma média de R$ 179.333,65.

COMPARAÇÃO BOTAFOGO X FLAMENGO

Ao longo do período estudado, os números do Flamengo superam os do Botafogo na seguinte magnitude:

–   Público total 27% maior (12.551 x 9.885);

–   Público descontadas as gratuidades 24% maior (11.255 x 8.966);

–   Público pagante total (sem gratuidades e cortesias) 25% maior (9.697 x 7.776);

–   Quantidade de cortesias distribuídas 30% maior (1.558 x 1.190);

–  Renda bruta média 165% maior (R$ 654.077,67 x R$ 246.107,69);

–  Ticket médio 96% superior (R$ 53,90 x R$ 27,45).

Não restam dúvidas que os resultados rubro-negros no estádio foram, até aqui, consideravelmente superiores. Talvez não ao nível esperado para uma torcida quatro vezes maior na cidade do Rio, mas aí entram questões como a limitada capacidade do estádio, que impede o insuflar dos números em momentos de maior demanda. Ou mesmo o ticket médio com o dobro do tamanho, que serve como um regulador da demanda – especialmente em momentos de escassez.

De qualquer maneira, apenas duas vezes o Rubro Negro atingiu a capacidade máxima reservada para sua torcida: 18 mil pessoas contra Grêmio e Vitória. Todas as outras partidas tiveram menos de 15 mil – e ainda, em cinco ocasiões, menos de 10 mil. Isto mostra o quão falacioso é o pensamento do “sold out todo jogo”, baseando-se nas médias históricas do Maracanã. Trata-se de um padrão de comportamento já verificado na torcida do Atlético-MG, enquanto mandante de partidas no Independência e no Mineirão: quanto menor o estádio, menor é a demanda em níveis inferiores à limitação da capacidade.

Por outro lado, apesar da renda média bastante inferior, as operações alvinegras na antiga Arena Botafogo se mostraram muito mais enxutas. Isto pode ser percebido pelos resultados em partidas com rendas semelhantes, quais sejam: Botafogo 3 x 2 Atlético-MG (renda: R$ 359.455,00) e Flamengo 2 x 0 Atlético-PR (R$ 373.214,00). Apesar dos faturamentos equivalentes, o Botafogo auferiu R$ 122 mil de lucro, em face aos R$ 20 mil de prejuízo do rival.

Finalmente, em termos esportivos o Flamengo vem se saindo melhor. Após 15 jogos, foram 11 vitórias, 2 empates e 2 vitórias, com excelentes 77% de aproveitamento em pontos. Já o Botafogo encerrou sua passagem com 7 vitórias, 3 empates, 3 derrotas e um aproveitamento de 61%. Curiosamente, nenhum dos dois venceu quando o estádio da Ilha do Governador atingiu seus maiores públicos.

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Audiências: uma comparação entre as finalíssimas da Copa do Brasil

Por conta do atraso maior do que o normal na divulgação dos números de audiência pela Kantar Ibope Media, só na última sexta saíram os dados agregados das 15 praças monitoradas durante a final da Copa do Brasil. Como o instituto começou a divulgar estes números em 2016, temos finalizado um ciclo que contempla duas decisões do torneio: Grêmio x Atlético-MG em 2016 e este recente Cruzeiro x Flamengo.

Em tempos de debates (e questionamentos) sobre os valores pagos pelo televisionamento dos clubes de maior torcida, os números proporcionam um comparativo que dá a ideia apropriada do plus representado por alguém como o Flamengo numa final de torneio nacional. Ainda que cruzeirenses possam não concordar, a verdade é que a Raposa equivale ao Galo – ou mesmo ao Grêmio, campeão um ano antes – em termos de chamariz nacional. Sendo assim, soa correto atribuir ao apelo do Rubro-Negro a diferença das audiências registradas nas finais de 2016 e 2017. Vamos a elas:

Em apenas três das quinze praças, a penúltima finalíssima apresentou apelo maior do que a decisão de duas semanas atrás. A primeira delas é óbvia: Porto Alegre tinha um dos seus representantes envolvidos ano passado, fato que não se repetiu agora. Por lá a audiência compreensivelmente desmoronou 19,8 pontos. As outras duas praças trazem à tona uma revelação interessante. Curitiba (-0,4 ponto de audiência) e Florianópolis (-5,5 pontos) demonstraram que a final envolvendo um time gaúcho suplantou a presença do Flamengo – mesmo com pesquisas apontando a torcida carioca como maior do que a do Grêmio nas duas cidades. Nestes casos, pode ser que valha mais o agregado: o somatório de gremistas e colorados um ano antes seria mais representativo do que o de flamenguistas agora. Ou ainda uma questão de regionalismo, pela simples valorização de times do Sul do Brasil.

Nas demais regiões, um verdadeiro baile. Se excluirmos o Rio de Janeiro (por óbvio), poderíamos apontar três praças que supervalorizam o Mengão em termos de audiências: Manaus, Vitória e Brasília. Todas tiveram ganhos superiores aos 12 pontos quando comparadas à final passada, uma enormidade. Manaus, inclusive, registrou audiência superior aos 40 pontos, algo verificado apenas no Rio e em Belém. A capital paraense é um caso à parte: extremamente amigável ao Flamengo, costuma apresentar grandes audiências com facilidade também para outros times, tanto que a comparação com o ano anterior apresentou ganho de “apenas” 9,4 pontos.

Outros destaques puderam ser verificados no Recife (+9,4 pontos), Goiânia (+8,6 pontos) – cidade onde a TV Globo apresenta dificuldades para ultrapassar a casa dos 20 pontos com o futebol – e São Paulo (+5,7 pontos). Esta última, evidentemente, surge como o principal ganho do Flamengo em termos comerciais. Cinco pontos de audiência em plena sede do mercado publicitário brasileiro são algo de um valor quase inestimável. No extremo oposto, surpreendente que uma cidade como Salvador, em pleno Nordeste brasileiro, tenha dado de ombros à equipe carioca, apresentando meros 1,3 pontos adicionais.

Por fim, algumas considerações relativas às audiências do Cruzeiro. Inicialmente, parece haver explicação para os números absurdamente maiores em BH este ano – 15,5 pontos acima da final de 2016. Ano passado, os atleticanos tombaram na primeira partida em casa, diminuindo o apelo do segundo confronto. No entanto, esta justificativa não se sustenta nem na comparação dos primeiros jogos (30,7 pontos ano passado, 39 pontos este ano), nem na audiência média de Cruzeiro e Atlético. Desde o início das divulgações do Ibope (junho de 2016), 19 partidas do Cruzeiro adentraram ao top-10, cravando média de 28,1 pontos. Já o Atlético teve 13 jogos e 26 pontos médios. Lembrando que ambos tiveram desempenhos semelhantes, chegando à final da Copa do Brasil, com o Galo jogando a Libertadores 2017.

Diante do exposto, poderíamos formular duas teorias para as maiores audiências do Cruzeiro na comparação com o Atlético na capital mineira: ou a torcida azul seria maior, o que não se sustenta pelas pesquisas, já que elas mostram enorme equilíbrio entre ambas na cidade; Ou a massa atleticana seria mais “engajada” – secando mais os rivais em suas partidas do que o oposto. Consequentemente, ofertando-lhe de bandeja audiências superiores.

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Santos x Flamengo: a experiência-piloto do #futebolnocinema

A experiência, em si, não chega a ser novidade. Desde 2014, eventos como a Copa do Mundo e as finais do Super Bowl ou da Champions League vem sendo transmitidos em salas de cinema, com razoável índice de sucesso. A grande novidade ocorrida na noite de ontem, durante o embate entre Santos e Flamengo, foi trazer a rivalidade clubística nacional para dentro das salinhas escuras. Uma iniciativa promissora, ousada e até, por que não dizer, polêmica.

Em um país com dimensões continentais como o Brasil, nada é mais comum do que torcidas espalhadas pelo território nacional. No entanto, salvo situações de exceção, partidas de futebol só acontecem numa praça: a cidade-sede do mandante. Sendo assim, uma horda de torcedores presentes em outras cidades se vê alijada da possibilidade de acompanhar in loco seu clube do coração, restando a eles o embate pela TV.

Através desta mídia, as opções costumavam se reduzir a duas: assistir aos jogos em casa ou em bares. Como nem todos gostam de bares, e alguns podem considerar a experiência domiciliar um tanto insípida, os cinemas surgiriam na tentativa de ocupar um vácuo. Trata-se de um ambiente afeito a famílias e que apresenta o auge do conforto, muitas vezes não igualado pelos camarotes mais nobres das novas arenas de futebol.

Assim, pode-se dizer que a empreitada levada a cabo pela Flix Media, em parceria com o Clube de Regatas do Flamengo, foi muito bem sucedida. Distribuída por 14 salas em 11 cidades brasileiras – nem todas de maioria rubro-negra, diga-se – a transmissão focou nos flamenguistas desde o tom dos narradores (retornaremos a isto) até o fato de apenas associados ao projeto Nação Rubro Negra poderem pagar meia.

Ao preço de R$ 90 no Rio e em São Paulo, R$ 80 nas demais cidades, o valor se apresentou como o maior entrave, passível de críticas nas redes sociais. Ainda assim, informações preliminares apontam para uma venda de aproximadamente 1.300 ingressos, mediante oferta total de 2.000 assentos. Parece pouco, mas é mais que o dobro da taxa de ocupação média das salas da rede Cinemark, veiculadora do evento. Inúmeras postagens com a hashtag #futebolnocinema no Twitter indicavam torcedores satisfeitos e fazendo grande festa. Ao menos até a bola rolar.

Botafogo Praia Shopping, por @acioli_rafaella

Aracaju, por @tarcia_araujo

Durante a partida, uma equipe de transmissão 100% focada no Flamengo (e um tanto superficial em suas considerações) destoou da cartilha do bom jornalismo. Funcionaria melhor se, naturalmente, todas as salas estivessem 100% preenchidas por flamenguistas. O problema é que faltou combinar com os santistas – ao menos na cidade de São Paulo. Justamente na sala do shopping Eldorado, aonde compareceu o Blog Teoria dos Jogos, um princípio de confusão se estabeleceu entre um grupo de torcedores rivais. Nesta sala, adeptos do Peixe responderam por aproximadamente 30% do contingente total.

Problemática no Shopping Eldorado – SP

Por sorte, este aparentou ser um episódio isolado, sem eco nas demais 13 salas exibidoras de um confronto que quase terminou em anticlímax, dada a vitória santista por 4 x 2 (classificou-se o Mengão). De mais positivo, a gigantesca tela em alta definição, o som de qualidade e mesmo a baixa dispersão, ao menos na comparação com o que se vive na informalidade de um boteco. É definitivamente uma experiência que se recomenda a todos, algum dia. Como aprendizado, além de um ajuste fino no tom da transmissão, a questão da junção de diferentes adeptos numa mesma sala, pois as preferências difusas em algumas capitais podem ser motivo para o afloramento de ânimos em confrontos envolvendo times de maior torcida.

O Blog Teoria dos Jogos agradece a Ivan Martinho, da Flix Media, pelo convite.

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Esclarecimentos a respeito das finanças do Flamengo

Ao final de uma elogiada série de publicações acerca das finanças dos clubes brasileiros, o jornalista Rodrigo Capelo, da Época, nos brindou com suas análises a respeito da situação do Flamengo. O conteúdo revela o que já se convencionou como “chover no molhado”: a ótima gestão financeira do Rubro Negro. Mas suscita dúvidas a respeito da primazia econômica do clube no cenário atual. Tudo porque, se a situação é muito boa na comparação com cinco anos atrás, em termos absolutos existem mais dificuldades do que presume nossa vã filosofia.

Arte gráfica -Revista Época

Segundo o autor, o Flamengo teria arrecadado, de fato, R$ 468,7 milhões em 2016, um contraponto aos R$ 510 milhões contidos no balanço patrimonial do clube. Tudo porque contabilidade, embora seja uma ciência exata, é passível de interpretações e diferentes óticas. A principal delas é a questão dos regimes de caixa (o que de fato entrou) e competência (o que foi registrado, apesar de ocorrido em outros exercícios). Em seu balanço 2016 (que pode ser baixado aqui), o Flamengo comunica o recebimento de R$ 120 milhões de luvas pelo televisionamento, mas registra pouco mais de R$ 100 milhões a título de valor presente. Destes, R$ 70 milhões foram adiantados e outros R$ 50 milhões virão em duas parcelas (2019 e 2021). Isto significa uma diferença de aproximadamente R$ 30 milhões entre o que o clube já de fato arrecadou e o que contabiliza. Adicionalmente, R$ 11.345.000,00 adiantados pela REX pelo arrendamento do Edifício Hilton Santos (Morro da Viúva), ainda na administração Patricia Amorim, só foram contabilizados no exercício passado. Isto porque o acordo que desobrigou o Flamengo a devolver aquela quantia só foi fechado no ano que passou. Diante disto, teríamos a tal diferença de aproximadamente R$ 41,3 milhões entre receitas contabilizadas e as de fato verificadas.

Algo parecido, ainda que em vetores opostos, ocorre sob a ótica do endividamento. Segundo o balanço flamenguista, a dívida líquida teria caído para R$ 390 milhões em 2016. Capelo, em seu texto, considera R$ 469,6 milhões. Já a BDO Brazil, uma das principais empresas de auditoria do país, crava R$ 460,6 milhões. Novamente nos deparamos com questões conceituais, pois o Flamengo considerou quase todo seu ativo – que subtraído ao passivo, nos leva à mensuração do endividamento. O problema é que ativos como imobilizado ou intangível não devem ser considerados, segundo interpretação corrente, ainda que o clube o tenha feito. Presume-se, portanto, um endividamento maior, o que explica a situação do Flamengo ser boa, mas não maravilhosa como presumem aqueles que nele colaram a pecha de “novo rico”.

Uma terceira problemática passa pelos empréstimos contraídos. Conforme esclarecido nos parágrafos acima, a dívida ainda é alta e muitas das despesas são descoladas das receitas. Pagamentos imediatos e inadiáveis (como folhas salariais) ocorrem em descompasso com afluxos inconstantes como bilheterias ou premiações por título. Por conta disto, a captação de empréstimos no mercado durante a gestão Bandeira de Mello se deu a uma média de quase R$ 50 milhões anuais – exatamente o valor orçado para 2017:

Fonte: Orçamento 2017 do C.R. do Flamengo

Isto leva o Flamengo à condição de detentor de uma dívida bancária cara, com taxas de juros próximas aos 2% mensais. Trata-se de um passivo que, embora em queda*, o faz em ritmo menor do que o aumento das receitas, já que estas precisam ser rateadas com a administração do futebol (salários, aquisição de direitos econômicos, luvas, etc) e a composição de patrimônio (Ex: CT Ninho do Urubu).

*Apenas com bancos, caiu de R$ 130,3 milhões em 2015 para R$ 111,5 milhões em 2016.

Fonte: Balanço patrimonial 2016 – C.R. do Flamengo

A consequência é algo que não costuma passar pela cabeça do leitor comum, sempre confrontado com números contabilmente tão bons. A redução global do endividamento do Flamengo, ainda que excelente, nem sempre se dá na exata medida dos superávits acumulados:

Fonte: Análise de Mercado – Clubes Cariocas (BDO)

Em se tratando de uma administração premiada por sua austeridade, temos ideia do tamanho das dificuldades. Operacionalizar um clube com passivos importantes e demandas esportivas ainda mais altas não é nada fácil, afinal. Num próximo texto, trataremos das expectativas financeiras do Flamengo após o fabuloso aporte que se aventa, fruto do repasse do jovem Vinicius Junior ao Real Madrid, da Espanha.

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Match Day – Morumbi Concept Hall (Camarote Unyco)

Quem acompanha o Blog Teoria dos Jogos conhece nosso hábito de promover visitações aos estádios de futebol, seja em suas áreas nobres ou arquibancadas. O exemplo mais recente de experiência na condição de torcedor comum se deu há poucas semanas, quando estivemos na Arena da Baixada, em Curitiba, para uma partida da Libertadores. Já as experiências prime tiveram representação, entre tantos outros lugares, nas duas mais recentes arenas paulistas: o Business Lounge da Arena Corinthians e os camarotes do Allianz Parque.

No entanto, faltava visitar o último grande estádio particular da cidade – na verdade, o mais antigo deles. Que além de pioneiro em sua grandiosidade, foi também o primeiro a oferecer um mix de opções aos que demandam experiências mais sofisticadas. Em tempos de difícil definição sobre o significado da expressão “arena”, o Estádio Cícero Pompeu de Toledo – mais conhecido como Morumbi – oferece, do alto de seus 56 anos, uma das visitações mais surpreendentes entre as vivenciadas ao longo do nosso processo.

É bom deixar claro: o Morumbi é um estádio antigo, tornando irremediável a obsolescência de sua estrutura geral. Nada diferente de outros estádios tradicionais, mesmo fora do Brasil, como o Camp Nou (Barcelona) ou o Vicente Caldeirón (Atlético de Madrid – em vias de desativação). Uma olhada na estrutura dos anéis superiores de arquibancadas deixa isso claro. O posicionamento dos camarotes também: em localização térrea, impede que se tenha plena noção de profundidade a quem acompanha as partidas. Erro que também cometia, ainda que antagonicamente, o antigo Maracanã e seus camarotes na última (e mais distanciada) fila de arquibancadas. Este tipo de equívoco não existe nas novas arenas.

Mas se existe um problema na “localização geográfica” dos camarotes do Morumbi, eles se equivalem aos demais – e em alguns casos, os superam – no tocante as suas outras características. Tudo fruto da excelente ideia chamada Morumbi Concept Hall, que há dez anos iniciou a utilização da estrutura térrea do estádio mesmo em dias sem futebol. Por lá, se verificam desde academias de ginástica a buffets infantis, passando por uma loja oficial, restaurantes e até um pub. Todos abertos em dias de jogos, possibilitando desfrutar de uma gama de serviços bastante rara nas experiências de match day brasileiras.

Ao longo dos espaçosos corredores do Morumbi Concept Hall, encontram-se os camarotes do estádio. E a primeira coisa a chamar atenção foi como o Tricolor se aproxima de seus parceiros comerciais, oferecendo a todos os seus inúmeros patrocinadores o espaço próprio. Além destas salas corporativas, vemos ainda espaços de agências de marketing esportivo e empresas especializadas em hospitalidade. O principal e mais grandioso é o Unyco, que gentilmente atendeu à solicitação de nossa visita, sendo o local onde apreciamos a partida São Paulo x Defensa Y Justicia, na última quinta feira.

Disposto em um grandioso salão, o Espaço Unyco muitas vezes é utilizado para eventos ou gravações de programas de rádio e TV. Com sofás, mesas e bistrôs, o ambiente é refinado e de bom gosto, proporcionando o que há de melhor no que concerne também à culinária. No dia da visita, havia desde petiscos a um apropriado risoto, dada a fria noite de outono. Em meio a eles, bebidas, hambúrgueres e bem preparados sanduíches, como o de pernil com cebola caramelizada.

Mas se o que interessava naquela noite era futebol, para isto também havia opções. Como em todos os outros camarotes do primeiro anel do Morumbi, os torcedores podem escolher entre as cadeiras externas e o lounge interno com visão do campo. Do lado de fora, há mais experiência de estádio, ouvindo a torcida cantar e se integrando a ela (o que pouco aconteceu na ocasião). Se a escolha for o lado de dentro – o que muitos quiseram por conta da temperatura – luxuosas poltronas se dispõem diante televisores ligados em canais esportivos, oferecendo a possibilidade de não perder nenhum detalhe de cada lance.

Ao final, uma improvável e frustrante eliminação acometeu à torcida do são paulina presente ao Espaço. Um paradoxo no tocante à sensação que ficou com o Blog Teoria dos Jogos: uma das melhores experiências num estádio de futebol desde sempre.

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As razões para o encolhimento do Maracanã

Argentina x Alemanha – Final da Copa do Mundo 2014

De norte a sul, o domingo foi de festa por conta do esperado desfecho dos campeonatos estaduais. Especialmente no Rio, onde um esvaziado campeonato se arrastou por quase três meses, a final nos reservou uma epopeia que apenas um Fla x Flu é capaz de proporcionar. Seguindo roteiro diferente do último embate entre as duas equipes, 22 anos antes, o Flamengo sagrou-se campeão carioca invicto pela sexta vez em sua história.

Em meio a tudo, festa nas arquibancadas: foram 58.399 pagantes, 68.165 presentes e uma renda de R$ 3.242.130,00. Ótimos números para a realidade do futebol atual, uma vez que tivemos o maior público do ano no Brasil. Mas insuficientes para estancar questionamentos que tomam de assalto a cabeça dos torcedores. Se o estádio nunca mais atingirá os 194.063 aficionados do Fla-Flu de 1963, ou mesmo os 120.418 presentes ao clássico do gol de barriga em 1995, por que então o Maracanã não pode alcançar sua capacidade máxima estabelecida, de 78.838 pessoas? Numa final de Copa do Mundo com 74.738 torcedores, onde estariam estes supostos quatro mil lugares?

Decerto, pouco saberemos responder acerca da caixa preta chamada Copa do Mundo. Nada além do fato de, em grandes eventos, posicionamentos de câmera e modificações cerimoniais eliminarem lugares, reduzindo a plenitude de sua capacidade. Mas quanto ao Maracanã do dia-a-dia, tão presente em nosso cotidiano, torna-se quase um dever explicar a razão de tamanhas discrepâncias.

Flamengo x Universidad Católica – Libertadores 2017

Segundo apurações do Blog Teoria dos Jogos, a verdadeira capacidade do Jornalista Mário Filho em 2017 é de 72.285 lugares – eis o que consta no Certificado de Registro, documento emitido pelo Corpo de Bombeiros para autorizar seu funcionamento. Tratam-se de 6.553 lugares a menos do que capacidade máxima. E a razão vem da quantidade de cadeiras quebradas e sem reposição.

Estamos falando de um problema que existe desde o começo das operações da Concessionária Maracanã SA, em 2013. Algo que se intensificou após o Comitê Organizador das Olimpíadas assumir o estádio, devolvendo-o em estado de penúria. Historicamente, o ritmo de cadeiras quebradas foi de 25 por partida, gerando um esvaziamento progressivo ao longo do tempo. Para piorar, a fornecedora dos assentos foi à falência e não existe mais. Por estas e outras, o fato é que em quatro anos, novas cadeiras nunca foram compradas, sendo realizada apenas a manutenção e o remanejamento das que tinham salvação.

Explicado o déficit de lugares, temos um outro problema: as cadeiras cativas. Acreditem ou não, elas foram adquiridas em caráter vitalício à época da construção do Maracanã, em 1950. Atualmente, passam de 5.000, mas por problemas que remetem a heranças, espólios e congêneres, aproximadamente 2.300 se encontram fora de uso e descadastradas pela Suderj (que ainda existe). Em razão das perpétuas inoperantes, chegamos ao número mágico de 69.790 ingressos disponibilizados para o Fla x Flu, segundo seu borderô. Com 1.625 devoluções de cortesias, cativas e gratuidades, atingimos o público presente de 68.165 torcedores ontem.

Espaços vazios no Fla x Flu decisivo do Estadual 2017

Diante deste quadro, não podemos dizer que o Maracanã é sequer o maior estádio do Brasil, uma vez que o Estádio Nacional de Brasília (Mané Garrincha) possui capacidade oficial superior: 72.788 pessoas. Seu maior público, na prática, foi de 69.389 durante os Jogos Olímpicos 2016 – equivalente ao máximo comportado em solo carioca. Além disso, tanto Morumbi quanto Castelão e Mineirão possuem dimensões semelhantes, muitas vezes superando o Mário Filho sob a ótica dos públicos pagantes:

-67.052 é a capacidade total de público do Morumbi desde 2013. Seu recorde recente, 66.369 presentes (58.446 pagantes), se deu em um São Paulo x Cruzeiro válido pela Libertadores 2015;

-63.999 pagantes, o recorde da Arena Castelão, durante a partida Fortaleza x Juventude, pela Série C 2016;

-56.854 pagantes (58.893 presentes) foram ao Mineirão assistir à peleja envolvendo Cruzeiro e Grêmio, pelo Brasileirão 2013.

Nuas e cruas, estas são as verdades sobre as atuais condições do estádio do Maracanã.

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Match Day: Arena da Baixada

Dizem que não há nada melhor do que aliar trabalho e lazer. O Blog Teoria dos Jogos concorda, há anos trazendo até vocês prazerosas análises de match day em arenas e estádios do Brasil e do mundo. Quando o evento envolve seu time do coração, tanto melhor. Sendo assim, fomos até Curitiba acompanhar o confronto entre Atlético-PR e Flamengo, anteontem na Arena da Baixada, pela fase de grupos da Libertadores. Não deixando escapar nada além dos três pontos.

Antes, é preciso dizer que algumas das percepções estarão limitadas a uma visita que percorreu apenas caminhos e acessos destinados aos visitantes. Ainda assim, nos trouxe impressões interessantes do estádio localizado numa zona densamente povoada da capital paranaense. Chamaram atenção, por exemplo, ruazinhas no entorno sem tanta aglomeração, com o acúmulo de pessoas se intensificando apenas perto dos portões do estádio. Pessoas  eram vistos relaxando tranquilamente em suas residências de classe média – a poucos metros da típica bagunça que envolve os grandes eventos. Um edifício em especial quase se confundia com a Arena, tamanha a proximidade.

As primeiras impressões foram solapadas por uma logística de entrada que funcionou mal, lembrando os piores momentos do antigo Maracanã. Dois pontos de afunilamento – a triagem para revista e a passagem pelas catracas, dentro de uma “mini esplanada” – geraram balbúrdia, aperto e falta de educação. Importante dizer que a maioria dos desrespeitos, como furadas de fila e tentativas de entrar sem ingresso, vieram importados pelos muitos cariocas que viajaram até Curitiba. Pessoas que frequentam a Arena relataram que tais confusões não condizem com a normalidade. De qualquer maneira, corredores e escadarias apertados soaram como uma falha estrutural, ao menos à ocasião de um setor abarrotado por cerca de 4,5 mil visitantes.

Dentro das instalações, o panorama mais conhecido da Arena da Baixada: um estádio incrível. Mas de uma sobriedade inquietante e algo asséptica, dadas as cadeiras em tons de cinza ao estilo E.L James. Preenchido pelo negro-rubor atleticano (e, naquela noite, também do Flamengo) o coliseu se torna ainda mais belo, dando margem para questionamentos acerca da paleta de cores selecionada. No que tange ao conforto, pouco a reclamar – talvez uma certa superlotação no setor inferior dos visitantes.

Mas as principais curiosidades em se tratando da casa do Atlético são duas: grama sintética e cobertura. No primeiro caso, poucas avaliações podem ser feitas no olhômetro. De qualquer maneira, a aparência é claramente de algo não-natural, ao cabo que a bola parece correr e quicar normalmente. Quanto à cobertura, trata-se de algo majestoso, proporcionando um ganho ímpar de qualidade na experiência. Principalmente em noites frias e com ameaça de chuva, como era o caso.

Um efeito colateral: a proibição de fumar, em se tratando de ambiente fechado. Longos anúncios nos alto falantes chamavam atenção para o fato, o que não evitou certas “marolas”. Outra relativa imperfeição vem do formato da arquibancada, que impede a visualização do setor superior pelo inferior. Pior: camarotes atleticanos entre os dois níveis da torcida do Flamengo geraram alguns princípios de bate-boca.

Ainda assim, a atmosfera do Joaquim Américo Guimarães (seu nome oficial) é estonteante. Em parte pelo ambiente fechado e seu alarido de ginásio, mas também pela própria torcida do Furacão, articulada e atuante. Um acanhado mosaico foi preparado para a entrada do time em campo. Uma das inscrições dizia “Soy Loco Por Ti”, acompanhada por outras faixas em espanhol que remetiam à velha pedância latinizante das torcidas do Sul.

Uma recém instalada faixa de LED – algo que até então apenas a Arena Corinthians possuía – dava ares de NBA ao espetáculo.

Por fim, e novamente deixando claro se tratar apenas do setor de visitantes, banheiros e corredores internos eram simples e acanhados, assim como havia pouca variedade nos bares (nenhum produto foi consumido). Bebidas alcoólicas não se encontravam disponíveis.

Um grande abraço e saudações!

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