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Tudo sobre audiências – parte 2: Os campeões de audiência 2015

Prosseguimos nossa série “Tudo sobre audiências”, dada a importância deste indicador como elemento a balizar os repasses de televisionamento. Trata-se de uma sequência de textos que, embora não consecutivos, serão sempre linkados aos anteriores, servindo como banco de dados para consultas dos interessados pelo tema. A série está assim dividida:

Parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Parte 2: Os campeões de audiência 2015

Parte 3: As audiências da Band

Parte 4: As maiores audiências RJ e SP

Parte 5: Audiências em queda: verdade ou mentira?

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Existem inúmeros recortes a serem feitos quando se objetiva explicitar as maiores audiências de uma temporada. Eles podem ter como base tanto a pontuação convencional quanto o share, imprescindível percentual de televisores ligados em um dado canal, que muitas vezes revela o paradoxo da boa audiência num baixo número. Tão importante quanto incompreendido, não focaremos no share desta vez, fazendo dele tão somente critério de desempate no caso de partidas equivalentes em pontos.

RIO DE JANEIRO

Instituímos dois critérios. O primeiro: todas as partidas que ultrapassaram os 25 pontos de audiência na soma Globo + Band. A média foi a seguinte:

FLAMENGO – 16 jogos, 28 pontos e 52% de participação (7 clássicos)

VASCO – 10 jogos, 30,5 pontos e 55% de participação (7 clássicos)

SELEÇÃO BRASILEIRA – 9 jogos (maiores detalhes adiante)

FLUMINENSE – 3 jogos, 26,3 pontos (1 clássico – participação indisponível)

BOTAFOGO – 3 jogos, 28,7 pontos e 55% de participação (3 clássicos)

Apesar de não parecer, o recorte confirma o Flamengo como campeão de audiência no futebol carioca, ao ultrapassar bem mais vezes a barreira dos 25 pontos, mesmo num ano sem qualquer título, poucas decisões e baixo percentual de clássicos contabilizados. Seu número de transmissões de apelo equivale à soma de Vasco, Fluminense e Botafogo.

No entanto, diante dos bons resultados tanto no Estadual quanto na Copa do Brasil (sobre o próprio Fla), é o Vasco quem aparece com maior pontuação absoluta. Só que nada menos que sete de seus dez jogos de maior apelo foram contra rivais cariocas, sendo dois na final do Carioca (contra o Botafogo) e outros cinco diante do próprio Flamengo – pelo Carioca, Brasileiro e Copa do Brasil.

Já a segunda ótica é a das dez maiores audiências no ano – neste caso, explicitadas jogo a jogo. Por aqui, as coisas mudam um pouco de figura. Eis o Top-10 do futebol no Rio de Janeiro em 2015:

Fig 01
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A maior audiência do futebol no ano passado se deu na segunda e decisiva partida envolvendo Vasco e Flamengo pela Copa do Brasil. Os números foram tão impressionantes que igualaram o título rubro-negro na Copa do Brasil 2013 – com dois pontos percentuais a menos de share. Mas percebam: neste top-10, quem teve os melhores resultados foram os cruzmaltinos. Nada menos que seis dos dez jogos envolveram a equipe de São Januário, contra cinco do Flamengo, três da Seleção, dois do Botafogo e um do Fluminense.

SÃO PAULO

Segue a quantidade de vezes em que cada um dos grandes paulistas ultrapassou a barreira dos 25 pontos no agregado Globo + Band:

CORINTHIANS – 15 jogos, 28,8 pontos e 49% de participação (9 clássicos)

PALMEIRAS – 10 jogos, 29,5 pontos e 52% de participação (9 clássicos)

SANTOS – 10 jogos, 28,8 pontos e 48% de participação (10 clássicos)

SÃO PAULO – 8 jogos , 29,1 pontos e e 49% de participação (8 clássicos)

SELEÇÃO BRASILEIRA – 8 jogos (maiores detalhes adiante)

Mais do que no Rio, onde a estatística teve maior relação com o tamanho das torcidas, o perfil de São Paulo deixa clara a importância dos bons resultados para um boom de audiências. Único paulista sem conquistas no ano que passou, o São Paulo se viu como time com menos jogos acima dos 25 pontos, mesmo tendo torcida equivalente à soma de Palmeiras e Santos. De todo modo, São Paulo, Palmeiras ou Santos (que decidiram tanto o Paulista quanto a Copa do Brasil) dependem quase que exclusivamente de clássicos para se catapultarem. Aqui, apenas o Corinthians surgiu capaz de entregar maiores pontuações em jogos “regulares”.

Quanto ao Top-10 de audiências no futebol paulista em 2015:

Fig 02
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Neste caso, a liderança também é corintiana, detendo seis dos dez jogos. O Palmeiras vem em seguida com cinco, seguido por Santos, São Paulo (três cada) e Seleção (um jogo).

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Apesar da supremacia quantitativa de Flamengo e Corinthians e dos ótimos picos atingidos por Vasco, Palmeiras e Santos, é importante que se olhe com especial atenção para outras duas transmissões: as de jogos da Seleção Brasileira e da Champions League.

Em primeiro lugar, é um tanto óbvio que o escrete canarinho se apresenta menos do que a maioria dos times veiculados na TV: no ano passado, foram 14 jogos. E apesar dos recortes desta análise não deixarem claro, a verdade é que a Seleção nunca decepciona em audiências. Abandonemos, portanto, a tabulação acima dos 25 pontos. Em 2015, no cômputo geral de amistosos, Copa América e Eliminatórias, a contestada esquadra de Dunga atingiu 26,3 pontos e 47% de share em média, no Rio. Já em São Paulo, foram 24,7 pontos médios e 43%.

Por fim, a valiosa Liga dos Campeões da Europa. Valiosa porque, ao lado da Seleção (e salvo exceções), são as únicas partidas com veiculação 100% nacional. Elas sequer apareceram no top-10 porque são televisionadas às quartas-feiras no meio da tarde. Trata-se de um horário útil, com número insuficiente de aparelhos ligados para que se atinjam grandes pontuações. Por isto, aqui sim, torna-se importante avaliá-las sob a ótica do share. No Rio, tais embates renderam 20,9 pontos e 45% de participação, em média. Em São Paulo, 19,8 pontos e 42%. O Barcelona, é lógico, foi o mais agraciado, com seis das sete transmissões totais – não sendo computadas partidas transmitidas apenas pela Band.

Um grande abraço e saudações!

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O ranking mundial de sócios-torcedores

O Movimento por um Futebol Melhor – reunião de grandes empresas parceiras dos clubes de futebol em suas iniciativas associativas – divulgou há pouco a lista dos maiores projetos de sócio-torcedor do mundo:

Fig 01

Segundo Fernando Santos, da In Press assessoria, não se trata exatamente de um ranking mundial, mas sim de uma lista englobando os clubes internacionais que responderam às consultas. Segundo ele, “existiria de fato uma limitação, pois outros clubes foram consultados sem responder”. No entanto, “o objetivo do levantamento seria ao menos dar uma referência sobre a posição dos clubes brasileiros em relação a alguns dos mais importantes do mundo”. Santos finaliza dizendo que “o próprio Torcedômetro do Movimento por um Futebol Melhor, que é um ranking nacional, não inclui todos os clubes brasileiros, apenas os filiados ao Movimento”.

Referência global nesta área, os portugueses do Benfica seguem na primeira colocação, com seus incríveis 270.000 sócios e taxa de conversão de 4% da torcida. A eles se seguem Bayern (ALE), Arsenal (ING), Real Madrid (ESP) e Barcelona (ESP), quando finalmente surgem os gaúchos do Internacional – sexta colocação, 136.980 sócios. O top-10 é encerrado com Porto (POR), Borussia Dortmund (ALE), Palmeiras (9º colocado, 119.312 associados) e Internazionale (ITA).

É improvável que algum clube de fora da lista ocupe uma posição entre os dez primeiros do mundo, tornando esta parte do levantamento relevante e confiável. Há alguns anos os clubes com maior número de sócios são amplamente conhecidos e servem como referência na comparação com as demais torcidas. Isto torna absolutamente louvável a posição ocupada por Inter e Palmeiras, dois representantes brasileiros entre os maiores.

A partir do 11º a fidelidade das informações não pode ser garantida pelas razões expostas no segundo parágrafo. Ainda assim, temos um Corinthians (13º com 98.729) na cola de gigantes como Manchester United e Boca Juniors (100 mil cada). O Grêmio se encontra relativamente estável em 15º, enquanto o Cruzeiro (19º com 69.811) persegue os 73.500 do Atlético de Madrid. Santos, São Paulo e Flamengo, em posição mais modesta, visam ainda a barreira dos 60 mil associados – exatamente onde se encontra o San Lorenzo da Argentina.

A presença brasileira se encerra com Atlético-MG, Fluminense, Bahia e Sport Recife.

Um grande abraço e saudações!

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Não existe “espanholização” no Brasil…

…no máximo uma “italianização”, quiçá “enfrancesamento”. É o que trouxe à tona o Diário Ás, de Madrid, com um quadro comparativo entre direitos televisivos das principais ligas europeias na temporada 2013/2014. Ei-lo:

Fig 01

A título de comparação, e com câmbio de hoje, segue o ranking envolvendo os times brasileiros na temporada passada:

Valores relativos à TV aberta, não contemplando o pay per view
Valores relativos à TV aberta, não contemplando o pay per view

Percebe-se que, em face dos inúmeros paralelos equiparando Flamengo e Corinthians a Real Madrid e Barcelona, a verdade é que na península ibérica a coisa é muito mais concentrada. Os dois gigantes receberam nada menos que 7,7 vezes mais do que o Almería, integrante do último pelotão espanhol. Já no Brasil, Mengão e Timão angariaram 4 vezes mais do que clubes de fora do eixo RJ-SP-MG-RS.

Embora não se refute haver uma concentração por aqui – sendo também necessário debater os méritos da questão – a verdade é que perdemos até para a Itália neste quesito. No País da Bota, a Juventus sozinha recebeu 5,2 vezes mais do que o Sassuolo. Seríamos um intermédio entre ela e a França, onde o PSG faturou 3,4 vezes mais do que o primo pobre Ajaccio.

Percebam que em países cuja configuração de torcidas é bem conhecida – como no caso da Espanha, da Itália ou do próprio Brasil – recursos são direcionados de maneira concentrada aos chamados “trens pagadores”. Não é o caso da Inglaterra, onde por incrível que pareça os clubes não fazem a mais vaga ideia de quantos torcedores possuem. A Terra da Rainha apresenta a melhor repartição do dinheiro, com o Liverpool tendo recebido apenas 1,5 vez mais do que o Cardiff City. Na Alemanha, país em que estudos do gênero também não são comuns, o Bayern recebeu o dobro do Eintracht Braunschweig.

Ainda ontem divulgou-se o novo acordo envolvendo a Premier League e as televisões locais. A partir da próxima temporada, clubes ingleses passarão a receber algo em torno de 2,3 bilhões de euros por temporada, o que possivelmente não impactará no rateio proporcional entre si. O fato levou a ESPN a publicar comparações inapropriadas entre brasileiros e ingleses. Isto porque no Brasil os valores também aumentarão a partir da próxima temporada – algo negociado desde 2013. Por aqui também subiremos, com o novo ranking do televisionamento ficando assim:

Fig 03

E sim, é verdade: a concentração vai aumentar no Brasil, com os ricos recebendo 4,8 vezes mais do que os modestos.

Ainda assim, será menos que na Itália…

Um grande abraço e saudações!

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A Pesquisa da Vez: Espanha 2014

Em tempos de muitos mapeamentos nacionais e poucos locais, sai do forno mais uma pesquisa sobre o perfil nacional das torcidas. Só que desta vez do outro lado do oceano: na Espanha. Um estudo elaborado pelo Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS) e publicado pelo Jot Down.es trouxe à tona a mais reveladora pesquisa de torcidas no país onde Messi e Cristiano Ronaldo desfilam seu talento. Os resultados, relativamente semelhantes ao que se verifica numa certo país tropical, serão expostos a seguir.

Inicialmente a pesquisa traça um perfil da preferência esportiva espanhola, país onde o futebol também é soberano:

Fig 01

Chama atenção o fato de os espanhóis também denominarem o futebol como “ópio do povo”, discutindo as razões pelas quais centraliza tanta mídia em detrimento dos demais esportes. Certas questões parecem não ter pátria.

Agora, a preferência por clubes de futebol no país:

Fig 02

A tabela acima confirma a expressão “Espanholização” como sinônimo de concentração entre torcidas. Sozinhos, Real Madrid e Barcelona  representam incríveis 63,3% da torcida espanhola: 37,9% para os merengues e 25,4% para os culés. Um verdadeiro precipício separa a dupla de Atlético de Madrid (6,1%), Valencia (3,5%), Athletic Bilbao (3,3%) e Betis (3,2%). Outras oito agremiações (fora a seleção espanhola) marcam de 1% a 2%, enquanto sete torcidas não ultrapassam a marca unitária.

Para compararmos este panorama com o que se verifica no Brasil, é preciso uma normatização. Os números do país europeu não contemplam pessoas “sem clube”, de modo que estes percentuais se referem à torcida, e não à população espanhola. Por aqui, a estatística costuma contemplar a população geral. Com base na enquete Datafolha-2014, fizemos esta adaptação para uma melhor comparação:

Fig 03

O Flamengo detém 23,4% da torcida brasileira, enquanto o Corinthians concentra 18,2%. A soma de ambos, embora vultosa (41,6%), se encontra 21,7 pontos percentuais abaixo do que Real e Barcelona representam em seu país. Ainda assim, há semelhanças entre a dupla daqui e a de lá:

Fig 04

A análise do perfil geográfico denota um Real Madrid muito mais espalhado, sendo a maior torcida em 21 dos 40 territórios – empata com o Barcelona em três. O Barça é líder em oito províncias, já considerando as três onde ficam empatados. Mal comparando, é como se o Real tivesse um perfil semelhante ao do Flamengo, enquanto o Barcelona seria o Corinthians. A maior diferença com relação ao Brasil é o grande número de territórios (doze) dominados por forças locais. O percentual dos três maiores em cada província pode ser visto aqui:

Fig 05

Quanto ao perfil social, outra semelhança: a diferença entre Real e Barcelona diminui em meio aos mais ricos, aumentando entre os menos qualificados. Trata-se de situação em linha com o que acontece no Brasil, onde a torcida do Fla é mais popular e a do Corinthians mais rica:

Fig 06

A pesquisa completa, muito pormenorizada, por ser acessada aqui e aqui. O material contempla diversas análises relacionadas à ideologia e ao perfil eleitoral de cada torcida, além de detalhar a distribuição geográfica dos adeptos de Real Madrid e Barcelona.

Um grande abraço e saudações!

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Agradecimentos ao leitor Ivens Thomaz pela contribuição