Arquivo da tag: Botafogo

As maiores audiências agregadas de 2017

Desde que a Kantar Ibope Media começou divulgar as audiências semanais da TV brasileira, muito se foi possível auferir a respeito do impacto do futebol sobre o interesse do público. Isto porque, ao contrário da mera divulgação das audiências em mercados de referência (São Paulo e Rio de Janeiro), os números contemplam nada menos que as 15 maiores regiões metropolitanas do país. Assim, passou-se a compreender a exata reação de euforia ou indiferença dispensada por mercados tão díspares quanto Belém, Campinas, Vitória ou Goiânia*, seja em partidas envolvendo times locais ou equipes nacionais de maior torcida.

*O monitoramento contempla ainda Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Manaus e Brasília.

Diante disto, em mais um esforço de análise e compilação, o Blog Teoria dos Jogos elencou o top-10 das partidas de maior audiência televisiva agregada ao longo do ano de 2017. Para tanto, é importante compreender o grau de difusão no perfil das audiências em cada uma destas localidades. Conforme explicitamos anteriormente, partidas envolvendo o Flamengo, por exemplo, explodem de audiência no Rio, Manaus, Brasília ou Vitória. Em mercados como o Nordeste, apenas jogos mais importantes se destacam, enquanto praças como Goiânia ou Curitiba tratam o Rubro-Negro com certo desprezo.

Em maior ou menor grau, o processo descrito acima se aplica a todos. Clubes paulistas, gaúchos e mineiros não raro ultrapassam 40 pontos de audiência em suas praças de origem, como, na partida entre Corinthians e Palmeiras veiculada em São Paulo domingo passado. Mesmo jogo que, em Porto Alegre, não ultrapassou 19,4, enquanto Salvador lhe ofereceu irrisórios 15 pontos. Por razões como esta, eventos de maior audiência quase não ultrapassam os 30 pontos no agregado, e ainda assim são considerados um colosso pelo mercado publicitário.

Vamos, portanto, ao ranking:

OBS: audiências relativas à TV aberta na transmissão da TV Globo.

A maior audiência do futebol brasileiro este ano responde pela segunda e decisiva partida da final da Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Flamengo. Na ocasião, a decisão nos pênaltis com vitória celeste fez com que as quinze praças que alinharam em rede marcassem explosivos 32,1 pontos em média. A final da Copa surge também como uma das que constam no ranking com suas partidas de ida e volta – já que o primeiro embate do Maracanã ocupa a sétima colocação (27,6 pontos médios).

Além deste confronto, um outro envolvendo a maior torcida do país se encontra em posição de destque. Na fase anterior do mesmo torneio, o Flamengo eliminou o arquirrival Botafogo, atingindo 27,7 pontos no jogo de ida (6º lugar no ranking) e 30,7 pontos na volta (2º).

Uma verdade quase absoluta diz respeito à primazia de audiências em jogos de meio de semana. A exceção se deu no já citado Corinthians x Palmeiras do último fim de semana: seus 29 pontos representam um verdadeiro absurdo em se tratando de um domingo. Mesmo assim, o derby ocupou a 4ª posição, não superando os 29,9 pontos do próprio derby no primeiro turno – aquele sim jogado numa quarta. Ambos os clássicos, contudo, tiveram jogos envolvendo times cariocas em concomitância.

Por fim, destaque para os 27,9 pontos de Grêmio x Botafogo, pela Libertadores, partida majoritária numa noite em que o Corinthians também atuava. Fluminense x São Paulo (27,4 pontos, 12 praças) também foi muito bem, adentrando num ranking tradicionalmente dominado pelos “queridinhos” de sempre.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o blog Teoria dos Jogos no Facebook!

O histórico de Botafogo e Flamengo na Ilha do Governador

É amplamente sabido que, há quatro anos, o Maracanã foi entregue de maneira irresponsável a um grupo empresarial envolvido nos mais escandalosos episódios de corrupção. Depois de tudo vir à tona, gerir instalações futebolísticas tornou-se a última prioridade da hoje moribunda Concessionária Maracanã S.A. Por conta disto, Botafogo (primeiramente) e Flamengo (um ano depois) encontraram no estádio Luso Brasileiro, de propriedade da Portuguesa-RJ, uma solução tão pertinente quanto paliativa. Ao longo da temporada 2016, o Alvinegro fez 13 partidas na (à época) denominada “Arena Botafogo”. Recentemente, o Rubro-Negro completou seu 15º embate na atual “Ilha do Urubu”. Assim, já se faz possível estabelecer comparações em questões que vão além do resultado dentro das quatro linhas.

Mas antes, são necessários alguns esclarecimentos. Em primeiro lugar, parece claro que diferentes clubes fazem contabilizações distintas no que tange a critérios de apropriação de despesas. Por não se tratarem de documentos auditados, borderôs (ou “boletins financeiros”, como descritos no site da CBF) podem conter informações não necessariamente fidedignas. Entretanto, com o avançar das boas práticas, acredita-se que estas informações se aproximem cada vez mais da realidade. Tanto que elas referenciam diversas análises, rankings e estudos.

Em segundo lugar, clubes também vivenciam realidades próprias no que diz respeito ao tratamento do sócio-torcedor, às suas política de preços ou mesmo às fases atravessadas por cada um. O projeto “Sou Botafogo”, por exemplo, possui modalidades de acesso gratuito (mediante pagamento de mensalidade, naturalmente), o que inexiste no “Nação Rubro-Negra”. Conforme veremos adiante, isto pode ter impacto sobre as deduções das despesas.

Quanto ao momento esportivo vivido por Botafogo e Flamengo, pode-se afirmar que foram semelhantes no recorte adotado. Onze dos treze jogos do Botafogo no estádio em 2016 foram válidos pelo Brasileirão, com o clube terminando na quinta colocação e angariando vaga na pré-Libertadores. Atualmente, o Flamengo ocupa o sétimo posto no torneio, algo que lhe proporcionaria classificação para a mesmíssima fase da competição continental.

Por fim, uma última observação. É comum que a mídia especializada subtraia, do público presente, o número de gratuidades, auferindo assim o público pagante de cada partida. Trata-se de um expediente distorcivo, uma vez que nesta conta são ignoradas as cortesias. Percebam, no borderô da partida Flamengo 4 x 1 Bahia, que tais valores entram como receitas de maneira fictícia – pois foram distribuídas, não compradas. Posteriormente, há um movimento de débito de igual valor no campo das despesas.

Em jogos do Botafogo – ao menos à época da Arena Botafogo – o valor subtraído a título de “ingressos promocionais” (nome técnico das cortesias) era ligeiramente superior ao que entrava como receita. Presume-se que seja por conta das tais categorias de sócios com livre acesso, conforme detalhado no terceiro parágrafo. Como não se tratavam de valores tão consideráveis, presume-se a comparação entre os borderôs de Botafogo e Flamengo como em pé de igualdade.

Devido aos esclarecimentos acima, optamos por acrescentar duas colunas às já tradicionais colunas de “renda”, “público” ou “ticket médio”. Elas contém o número de “cortesias” e a subtração do público pagante pelas cortesias, chegando ao número real de frequentadores de estádio a título oneroso. Por fim, temos o resultado financeiro das partidas e o percentual de lucro, quando houver.

Vamos às tabelas:

BOTAFOGO

Clique para ampliar

O público total médio do Botafogo jogando na Ilha do Governador foi de 9.885 pessoas por jogo, um número 10% superior à média de pagantes (8.966) e nada menos que 27% acima do número “real” de pagantes (7.776) – uma vez que houve em média 1.190 cortesias* por partida. O maior público total foi de 15.170 pessoas (Botafogo 0 x 0 Coritiba) e o menor, 4.839, num embate contra o Bragantino pela Copa do Brasil. A maior renda (R$ 480.060,00) ocorreu no jogo de maior público, bem como a operação mais lucrativa (R$ 196.920,92). Já o maior ticket médio, de R$ 39,23, se deu na partida inaugural do estádio, um empate em 3 x 3 diante do próprio Flamengo.

*Considerando questões já abordadas no tocante às cortesias do Botafogo

Percebe-se claramente que, após uma inauguração minimamente rentável, o Botafogo passou a acumular uma série de prejuízos. Na pior sequência, cinco confrontos entre o Bragantino e o Santos, o clube ficou no vermelho em quatro. Mas com a briga pelo G-6, que se iniciou posteriormente e durou até as últimas rodadas, os déficits foram amenizados. De qualquer maneira, cinco dos 13 jogos tiveram prejuízo, enquanto o  resultado financeiro médio foi de meros R$ 12.940,57 por partida.

FLAMENGO

Clique para ampliar

O público total médio do Flamengo na Ilha do Urubu é de 12.551, número 11% superior à média de pagantes (11.255) e incríveis 29% acima da média dos que realmente pagaram ingresso (9.697, descontadas as 1.558 cortesias por jogo).O maior público (18.204) se deu na partida Flamengo 0 x 1 Grêmio, mas a maior renda aconteceu no confronto anterior: R$ 1.182.167,00, na vitória de 2 x 0 sobre o São Paulo. Já o pior público foi verificado durante a Copa Sul Americana, com apenas 6.074 comparecendo à goleada de 5 x 0 sobre o Palestino. O ticket médio vem variando entre R$ 32,42 e incríveis 73,50.

Pode-se dizer que o processo verificado pelo Flamengo é exatamente oposto ao do Botafogo. Numa euforia inicial, a lua-de-mel com o novo estádio fez com que todas as oito primeiras partidas fossem (bastante) lucrativas. Até o famigerado Flamengo 0 x 2 Vitória, o lucro médio vinha superior a R$ 400 mil por jogo. Com a desilusão, um impacto negativo dramático: seis prejuízos nas últimas sete partidas na Ilha, mesmo diante de uma nada desconsiderável redução do ticket médio. Assim, o resultado financeiro do Flamengo no período se viu esvaziado a uma média de R$ 179.333,65.

COMPARAÇÃO BOTAFOGO X FLAMENGO

Ao longo do período estudado, os números do Flamengo superam os do Botafogo na seguinte magnitude:

–   Público total 27% maior (12.551 x 9.885);

–   Público descontadas as gratuidades 24% maior (11.255 x 8.966);

–   Público pagante total (sem gratuidades e cortesias) 25% maior (9.697 x 7.776);

–   Quantidade de cortesias distribuídas 30% maior (1.558 x 1.190);

–  Renda bruta média 165% maior (R$ 654.077,67 x R$ 246.107,69);

–  Ticket médio 96% superior (R$ 53,90 x R$ 27,45).

Não restam dúvidas que os resultados rubro-negros no estádio foram, até aqui, consideravelmente superiores. Talvez não ao nível esperado para uma torcida quatro vezes maior na cidade do Rio, mas aí entram questões como a limitada capacidade do estádio, que impede o insuflar dos números em momentos de maior demanda. Ou mesmo o ticket médio com o dobro do tamanho, que serve como um regulador da demanda – especialmente em momentos de escassez.

De qualquer maneira, apenas duas vezes o Rubro Negro atingiu a capacidade máxima reservada para sua torcida: 18 mil pessoas contra Grêmio e Vitória. Todas as outras partidas tiveram menos de 15 mil – e ainda, em cinco ocasiões, menos de 10 mil. Isto mostra o quão falacioso é o pensamento do “sold out todo jogo”, baseando-se nas médias históricas do Maracanã. Trata-se de um padrão de comportamento já verificado na torcida do Atlético-MG, enquanto mandante de partidas no Independência e no Mineirão: quanto menor o estádio, menor é a demanda em níveis inferiores à limitação da capacidade.

Por outro lado, apesar da renda média bastante inferior, as operações alvinegras na antiga Arena Botafogo se mostraram muito mais enxutas. Isto pode ser percebido pelos resultados em partidas com rendas semelhantes, quais sejam: Botafogo 3 x 2 Atlético-MG (renda: R$ 359.455,00) e Flamengo 2 x 0 Atlético-PR (R$ 373.214,00). Apesar dos faturamentos equivalentes, o Botafogo auferiu R$ 122 mil de lucro, em face aos R$ 20 mil de prejuízo do rival.

Finalmente, em termos esportivos o Flamengo vem se saindo melhor. Após 15 jogos, foram 11 vitórias, 2 empates e 2 vitórias, com excelentes 77% de aproveitamento em pontos. Já o Botafogo encerrou sua passagem com 7 vitórias, 3 empates, 3 derrotas e um aproveitamento de 61%. Curiosamente, nenhum dos dois venceu quando o estádio da Ilha do Governador atingiu seus maiores públicos.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o blog Teoria dos Jogos no Facebook!

Razões pelas quais o Carioca foi parar na UTI

Fonte: Fox Sports

Textos, análises e colunas elencando as razões da falência do Estadual do Rio se tornaram tão abundantes quanto oxigênio. Mais ainda num ano em que a Taça Rio se tornou inacreditavelmente amistosa, com grandes duelando em confrontos esvaziados e sem qualquer sentido – já que as semifinais estavam previamente determinadas. No entanto, ainda que sejam maioria, nem todos os motivos da bancarrota são tão óbvios quanto parecem. Tentando ir além, fugiremos do senso comum e indicaremos a viabilidade da adoção de medidas que tentassem reverter os sintomas, tirando o paciente chamado Campeonato Carioca de sua experiência de quase-morte.

1- Fórmulas esdrúxulas

Apesar de já existirem muitos defeitos, até 2007 o regulamento do Carioca era um dos únicos itens presentes em sua pauta de exportações. Tanto o Campeonato Mineiro quanto o Gaúcho, cada um a seu tempo, chegaram a copiar a fórmula que apregoava “doze times, dois grupos, todos contra todos dentro (Taça Guanabara – 1º turno) e fora (Taça Rio – 2º turno) de seus grupos. Campeões dos dois turnos fazem a final. Quem ganhar os dois é campeão direto”.

Preocupada porque dois campeonatos se encerraram sem finalíssima em curto período (2011 e 2013), a Federação de Futebol do Estado do Rio (FERJ) mudou as regras no ano de 2014, passando a funcionar na base do grupo único, todos contra todos, 15 rodadas. A partir de então, a Taça Rio começou a não valer nada, sendo disputada apenas pelos times pequenos do estado. Este torneio foi o embrião das inúmeras mudanças que viriam a seguir, culminando na edição de pior fórmula em todos os tempos: a atual.

Viabilidade de se proceder mudanças: Alta. Basta querer (e votar em Arbitral) para que os moldes presentes até 2013 retornem.

2- Excesso de times

Importante notar que o número de equipes participantes tem relação inequívoca com o item anterior. Foi a partir de 2008 que a Federação, visando atender ao maior número de interesses possível, insuflou o Carioca de 12 para 16 times. Isto aumentou o número de datas destinadas ao Estadual – em direção contrária a tudo o que se apregoa atualmente – e maximizou a quantidade de jogos de baixa qualidade, sendo pequenos contra pequenos ou grandes contra pequenos.

Numa tentativa de remediar o mal – mas ainda mantendo a ascendência sobre os menores, cujos votos são valiosos para a manutenção do poder – em 2017 a FERJ procedeu uma emenda que, para variar, saiu pior do que o soneto. O torneio segue tendo 16 clubes, mas a primeira fase foi disputada por apenas seis pequenos – que constituíram o famigerado “Grupo A”. Ela incluiu os dois primeiros colocados da Série B de 2016, mais os quatro times de pior campanha no Estadual 2016 (exceto os rebaixados!). Deste imbróglio, apenas dois tiveram a sorte de se juntar aos dez clubes previamente qualificados para o “Carioca de verdade”. Outros quatro foram disputar a aberração chamada “quadrangular do rebaixamento” – como se, ao jogarem apenas contra outros pequenos, já não se sentissem rebaixados de antemão.

Em resumo: diminuíram os jogos de grandes contra pequenos por meio de ferramentas que trouxeram ainda mais injustiças e distorções: a) Um time pode subir da segunda divisão, investir para montar uma equipe e não ter sequer a possibilidade de enfrentar os grandes; b) Torneios envolvendo nanicos sem apelo prolongam-se indefinidamente em paralelo ao estadual principal, impactando negativamente na média de público e positivamente na tábua de artilharia. Isto mesmo: você sabia que o artilheiro do Estadual 2017 é Max, da Cabofriense, que jogou apenas os “torneios da morte”?

Viabilidade de se proceder mudanças: Média. Seria alta, já que basta a Federação decidir pelo fim dos torneios paralelos e o retorno ao Estadual com 12, ascensão e descenso diretos. Mas onde entraria o desejo de se controlar, na base do cabresto, votos do maior número possível de agremiações? Vai contra o projeto de perpetuação no poder que impera na FERJ.

 3- Desvalorização dos pequenos e do interior

Outra decisão equivocada que impactou sobre a média de público foi a proibição, alguns anos atrás, de a maioria dos pequenos mandarem jogos em seus estádios e cidades. À época, alegou-se falta de estrutura para transmissões, falta de segurança, laudos dos órgãos técnicos e outras tantas coisas inexistentes nos cem campeonatos anteriores. O resultado, todos viram: excesso de jogos em cidades com estádios autorizados mas sem demanda para eventos tão pobres e numerosos, como Volta Redonda ou Macaé. O Estádio Raulino de Oliveira passou a receber inúmeros grandes desinteressados e jogando com reservas. O Resende teve que encará-los na mesma cidade, a 40 km de casa, desequilibrando a questão esportiva pela falta do efeito-mandante. Ou seja, uma canetada chafurdou o equilíbrio, as rendas e os públicos da competição.

Viabilidade de se proceder mudanças: Baixa. A Federação passaria a ter que ajudar os pequenos na adequação e manutenção de seus estádios. Ajuda bem diferente (e mais cara) do que a usual, através do mero fornecimento de bolas, chuteiras, uniformes…

4- Desvalorização do produto

Deveria ser péssimo para a FERJ que alguns de seus principais integrantes tenham rompido entre si por não coadunarem com as práticas alheias. Que outros, por alinharem ideologicamente, digam amém a toda sorte de ingerências – principalmente as que prejudicam os insatisfeitos. A Federação deveria fomentar o consenso, e não alimentar a beligerância – como se verifica nos dias atuais.

Deveria ser péssimo para a FERJ que a média de público do Estadual seja a menor da década, impactando negativamente em sua imagem e prejudicando vendas tanto para o público geral (bilheterias) quanto para veículos de mídia e patrocinadores (placas publicitárias, naming rights, receitas de televisionamento, etc).

Deveria ser péssimo para a FERJ que o Estadual do Rio de Janeiro – outrora o mais importante – se tornasse motivo de chacota entre torcedores e profissionais de estados com bem menos tradição no esporte. Mas muito mais público…

Viabilidade de se proceder mudanças: nula, enquanto déspotas se perpetuarem em seus cargos e intervenções do poder público não chegarem às federações de futebol.

Não adentraremos no debate da falta da qualidade dos times, que impacta visceralmente no baixo apelo do certame. Nem na insegurança de eventos que atraem bandidos e culminam em pancadarias e mortes – boçalidades em ambientes que deveriam celebrar a congregação. Tais questões não serão abordadas porque, além de envolverem outras esferas (gestão esportiva, segurança pública, etc), se fazem presentes em todos os outros estados. São chagas brasileiras, portanto. Nosso foco é tudo aquilo que pode ser fruto de análise e alvo de medidas drásticas por parte dos responsáveis pelo Campeonato Carioca de futebol.

Pois se quem manda nos estaduais são as federações, a do Rio de Janeiro – na figura do sr. presidente Rubens Lopes – é a principal responsável pela implosão de seu próprio torneio.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

Até onde pode chegar o Botafogo?

Se o leitor imaginou, à pergunta do título, responder algo relacionado ao desempenho de Camilo, Montillo ou Pimpão, se equivocou. Embora a participação do Botafogo na Libertadores enseje sonhos maiores, a pergunta se refere a algo diferente – ainda que com total relação. Não ao número de gols, mas aos números de audiência do time da Estrela Solitária no torneio. Que vem sendo surpreendentemente altos.

Há três semanas, o clube de General Severiano inaugurou a temporada de grandes jogos num embate contra o Colo Colo no Engenhão que marcou 27 pontos de audiência com 43% de share. Desde então, a audiência – que já começou boa – só fez subir, seja em números absolutos ou relativos. O segundo jogo contra os chilenos marcou 28 pontos com 43%. Já a partida contra o Olímpia manteve a pontuação, subindo a participação para 45%.

Tratam-se de números consideráveis em se tratando do histórico de audiências do Botafogo. Que o torcedor não se engane: se, ao longo dos últimos anos, o clube teve bem menos partidas transmitidas do que a concorrência, isto está relacionado aos números entregues pelo próprio Alvinegro. O mercado não rasga dinheiro, afinal. Não haveria “queridinhos” nem “relegados” se as escolhas não fossem baseadas na capacidade de se comunicar com um público maior – auferindo retorno aos anunciantes.

Temos aí, portanto, duas teses a serem comprovadas: a de que os números do Botafogo foram historicamente piores e a de que a Libertadores de 2017 surge como promissora exceção. Para comprová-las, o Blog Teoria dos Jogos decidiu recorrer ao seu acervo de audiências televisivas que remete ao ano de 2013. Os números expostos a seguir se referem às audiências em TV aberta (Globo ou Globo + Band, quando foi o caso). Vejamos:

2013 (Botafogo campeão estadual)

16 jogos do Botafogo transmitidos ao longo da temporada: 6 pelo Estadual, 3 pela Copa do Brasil e 7 pelo Brasileirão. Audiência média de 22,7 pontos com 45%.

5 clássicos: Audiência média de 28,4 pontos com 54%

11 jogos regulares: Audiência média de 20,1 pontos com 39%

2014 (Botafogo rebaixado à Série B)

13 jogos do Botafogo transmitidos ao longo da temporada: 1 pelo Estadual, 3 pela Libertadores e 9 pelo Brasileirão. Audiência média de 17,8 pontos com 37%

1 clássico: Audiência de 19 pontos com 46%

12 jogos regulares: Audiência média de 17,6 pontos com 37%

2015 (Botafogo finalista estadual e Série B)

9 jogos do Botafogo transmitidos ao longo da temporada: 6 pelo Estadual e 3 pela Copa do Brasil. Audiência média de 22,7 pontos com 44%

4 clássicos: Audiência média de 27,5 pontos com 53%

5 jogos regulares: Audiência média de 18,8 pontos com 37%

2016 (Botafogo finalista estadual)

14 jogos do Botafogo transmitidos ao longo da temporada: 5 pelo Estadual e 9 pelo Brasileirão. Audiência média de 20,8 pontos com 40%

5 clássicos: Audiência média de 24,4 pontos com 47%

9 jogos regulares: Audiência média de 18,9 pontos com 36%

Para termos a exata noção do que representam os números de 2017, é preciso olhar para os “jogos regulares” dos anos anteriores. São os jogos do Botafogo contra equipes de fora do Rio de Janeiro, supostamente só de interesse dos botafoguenses. Isto porque clássicos possuem, naturalmente, uma expressiva audiência da torcida rival – em especial nos embates contra as maiores. Ainda que uma partida válida pela Libertadores tenha o chamariz de atrair interesse adversário, existe uma última estatística que sacramenta o sucesso atual:

Jogos do Botafogo na Libertadores 2014

3 jogos: Audiência média de 21,3 pontos com 41%

Jogos do Botafogo na Libertadores 2017

3 jogos: Audiência média de 27,7 pontos com 44%

Em resumo: nos últimos anos o Botafogo nunca ultrapassou a média de 20,1 pontos de audiência com 39% de participação em partidas que não envolvessem seus rivais. Neste sentido, as audiências de 2017 são 38% superiores ao histórico das últimas quatro temporadas. Já na comparação com 2014 – a mesmíssima Libertadores de agora – os números vem se saindo 30% maiores.

Sendo assim, retornamos à pergunta original: até onde pode chegar o Botafogo? Caso a equipe siga se superando e indo longe no torneio, é possível auferir audiências ainda mais robustas? As más campanhas recentes em torneios que não o Estadual nos impedem de saber a resposta. Desde 2013, o melhor do Botafogo foram 33 pontos com 52%, mas era um jogo de quartas-de-final da Copa do Brasil contra o Flamengo. Em não-clássicos, o pico foi um Atlético-MG x Botafogo, válido pelo Campeonato Brasileiro de 2013: 25 pontos com 41%.

Por fim, um paralelo com os rivais talvez traga referências que interessam aos alvinegros. Não tanto pelo Vasco, pois nem o bi-campeonato carioca superou a audiência daquela eliminação diante do Flamengo pela Copa do Brasil. Mas Fluminense e Flamengo possuem melhores bases de comparação. Fora clássicos, o Tricolor viveu seu melhor momento na Libertadores 2013, quando marcou 27 pontos com 46% de share diante do Emelec (fase de grupos). Quanto ao Rubro Negro, este explodiu com 41 pontos e 66% de share na final da Copa do Brasil do mesmo ano.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

 

A Pesquisa da Vez – Manaus 2017

Detalhamento da pesquisa;

Localidade: Manaus/AM, entre 20 e 22 de janeiro de 2017

Instituto: Pesquisa 365

Amostra:  1.050 entrevistados

Margem de erro: 3 p.p

Está aberta a temporada 2017 de pesquisas de torcida! E a primeira do ano se deu numa localidade tão importante quanto, até bem pouco, negligenciada: Manaus, capital do Amazonas. Após anos sem pesquisas na região norte, o produtivo ano de 2012 trouxe luz a duas pesquisas elaboradas em terras manauaras e divulgadas pelo Blog Teoria dos Jogos. Desde então, nada mais foi dito. Até que o Instituto Pesquisa 365 se juntou ao “clube” frequentado por IPEN e ao GPP – elaboradores das pesquisas cinco anos atrás – e nos trouxe números aparentemente confiáveis, com grande semelhança aos verificados anteriormente. Vamos a eles:

Conforme amplamente sabido, o Flamengo detém a maior torcida de Manaus por larga margem: 39% da população. Mas o Vasco possui uma massa também representativa, atingindo 17,7% do total. A partir de então, torcidas paulistas ditam o jogo em detrimento dos demais cariocas. O São Paulo aparece com 5,1%, seguido do Corinthians (4,4%) e do Palmeiras (3,7%). Só então aparecem Botafogo (2,1%) e Fluminense (1,6%). O Santos fecha o top-8 com 1% das preferências. Números incrivelmente parecidos com os do estudo GPP/2012.

Quanto às tabulações específicas:

Clique para ampliar

Todas as agremiações crescem em seu universo masculino, onde apenas 9% não possuem time de futebol (contra 31% das mulheres). Diante dos 43% de homens flamenguistas, 20% de vascaínos e 7% são paulinos, há apenas uma reversão de ordenamento: mais palmeirenses (6%) do que corintianos (5%) no coração da Amazônia – talvez por influência do recente título brasileiro conquistado.

Olhando para as faixas etárias, extraem-se análises interessantes. Em termos absolutos, é a torcida do Flamengo a que mais cresce entre jovens: sobe de 34% entre aqueles com mais de 45 anos para 47% em meio aos jovens de 16 a 24 anos – ascensão de 13 pontos percentuais. Mas relativamente, os times que mais crescem são São Paulo e Corinthians, que saem de 1% e 2% para, respectivamente, 5% e 6%. Mais incrível é verificar o boom são paulino na faixa de 25 a 34 anos, quando atingiram robustos 9% – processo em menor escala também verificado com o Palmeiras. Subida que não se mostrou sustentável, dada a redução na base de ambos entre os mais jovens. O Vasco aparenta estabilidade, estacionado entre 17% e 18% em todas as faixas. Botafogo e Fluminense praticamente desaparecem entre jovens (1% cada), mesmo com o alvinegro detendo a terceira maior torcida daqueles acima de 45 anos (5%). Nesta faixa, o Flu possuía 4%, significando que, no passado, de fato as quatro maiores torcidas pertenciam aos quatro grandes do Rio.

Por escolaridade, a torcida do Flamengo diminui à medida com que avançam os anos de estudo: sai de 41% daqueles com ensino fundamental para 36% dos que concluíram o ensino superior. Processo oposto acontece com o Vasco, que cresce de 15% para 22% e equilibra a balança em ambientes universitários. Mas São Paulo e Corinthians também sobem, com ambos saindo de 3% para 7% nesta comparação.

Infelizmente, além de não contemplar recortes superiores nas faixas etárias (que vão apenas até os 45 anos), a pesquisa pisa na bola ao não contemplar a imprescindível análise sob a ótica da renda, substituída por uma descartável análise das torcidas segundo suas religiões.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

Tudo sobre audiências – parte 4: as maiores audiências RJ e SP 2016

Há alguns meses o Blog Teoria dos Jogos iniciou uma série de análises relacionadas às audiências televisivas do futebol brasileiro, assim dividida:

Parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Parte 2: Os campeões de audiência 2015

Parte 3: As audiências da Band

Parte 4: As maiores audiências RJ e SP 2016

Parte 5: Audiências em queda: verdade ou mentira?

Após um breve intervalo, que incluiu uma pausa para os Jogos Olímpicos – período profissionalmente muito atribulado – decidimos retomar às análises desde seu tópico 4, dada a saída da TV Bandeirantes das transmissões futebolísticas em torneios nacionais. Devidamente incentivado e “provocado”, importante dizer, pelo amigo Fábio Sormani, da Fox Sports, a quem estas tabelas são dedicadas.

As audiências do futebol em 2016 dividem-se entre as praças do Rio de Janeiro e de São Paulo – únicas divulgadas pela TV Globo semanalmente. Dividem-se ainda entre os principais torneios do ano: Campeonatos Estaduais, Copas (Libertadores, do Brasil e Sul Americana) e Brasileirão. Por fim, os números são separados por dia da semana e pela natureza dos jogos (clássicos ou não), dada a primazia de audiências verificadas às quartas feiras ou em confrontos entre times grandes.

Lembrando que: 1) Cada ponto de audiência equivale a 69 mil domicílios em São Paulo e 43 mil no Rio, enquanto o share significa o percentual de televisores ligados naquele canal; 2) Todos os números se referem apenas à audiência em TV aberta da Globo, menos para os Estaduais, que representam a soma Globo + Band, pois neles ainda havia o compartilhamento dos direitos televisivos; 3) As estatísticas contidas nesta coluna não contemplam a rodada do último fim de semana (24 e 25/9) no Brasileirão.

CAMPEONATOS ESTADUAIS

Pode-se dizer que os campeonatos estaduais são aqueles em que as audiências mais estão expostas a “causas perturbadoras” a lhes enviesarem. Isto porque se tratam de torneios de tiro curto com alto índice de clássicos transmitidos. Assim, clubes com menos torcida tendem a aparecer em poucos jogos, primariamente em clássicos – onde as audiências são naturalmente mais altas. Assim, muitas estatísticas acabam por se insuflar de maneira irreal. Outro benefício que precisa ser relativizado acomete àqueles que chegam à final do campeonato, geralmente um oásis de bons números em meio a um marasmo de audiências regulares.

Dito isto, vamos às análises:

RIO DE JANEIRO

fig-01
Clique para ampliar

Embora o clube mais televisionado durante o Campeonato Carioca tenha sido o Vasco (nove jogos), foram os sete do Flamengo que apresentaram os melhores números do torneio. Na média final, o Rubro Negro teve um audiência de 27,1 pontos com 49%, contra 25,1 (48%) dos cruzmaltinos, 24,2 (47%) do Botafogo e 22,2 (42%) do Fluminense. Percebam a discrepância entre Flu e Bota pelo fato do alvinegro ter ido à final, catapultando seus números. No campeonato como um todo, ambos tiveram cinco jogos transmitidos.

Quando separamos a análise por dia de semana (DDS) e fim de semana (FDS), chegamos a algumas outras conclusões. Apesar do Vasco ter tido nove jogos na telinha, apenas um se deu nos dias de audiência mais alta, a quarta-feira. E não foi um jogo qualquer, mas um Flamengo x Vasco pela fase de grupos da Taça Guanabara, que explodiu como poucas vezes: 37 pontos de audiência com 57% de participação. De qualquer maneira, o time da Colina passou nada menos que oito vezes aos domingos, desproporção não atingida por nenhum de seus rivais.

Sob outro ponto de vista, separamos clássicos de jogos contra times pequenos – o que também faz uma diferença brutal. Aí os beneficiados são outros:

fig-02
Clique para ampliar

Dos nove jogos vascaínos na TV, nada menos que seis foram clássicos – sendo dois pelas finais, diante do Botafogo. Até por ser um dos finalistas, o clube da Estrela Solitária se viu bastante inflado, já que quatro de suas cinco transmissões se deram em clássicos. Por outro lado, o Flamengo e principalmente o Fluminense tiveram maior número de jogos contra times pequenos, elemento de evidente impacto negativo. De qualquer maneira, as audiências do Flamengo superaram as dos rivais sob todos os aspectos: 30 pontos (55%) em clássicos e 23,3 (42%) contra pequenos. Neste último caso, os números do Mengão foram 19% superiores aos do Tricolor, segundo colocado – uma enormidade em se tratando destas informações.

SÃO PAULO

fig-03
Clique para ampliar

Se no Rio o mais transmitido foi o campeão estadual, São Paulo viveu situação antagônica. O Santos, campeão paulista, tive míseros três jogos na TV – sendo dois na final, contra o Audax. O outro, como veremos adiante, foi um clássico. O resultado foram números artificialmente superiores aos de todos os demais: 25,6 pontos e 47% de share. No outro extremo está o Corinthians, com seus oito jogos na TV. Com eles, marcou 24,5 pontos médios e 45%. O São Paulo teve cinco jogos, 22,2 pontos e 42% em média. O Palmeiras, quatro jogos, 24,5 pontos e 46%.

A análise por dia da semana em Sampa diz menos do que no Rio, já que muitos paulistas jogavam a Libertadores enquanto a Globo Rio veiculava seus times no Carioca. Sendo assim, apenas Corinthians (duas vezes) e São Paulo (uma) apareceram na telinha às quartas. Já a análise que separa clássicos de jogos contra pequenos é bem mais reveladora:

fig-04
Clique para ampliar

Antes, é importante dizer que o Paulistão deste ano teve, excepcionalmente, um número de clássicos transmitidos menor do que no Rio. Seu campeão de exposição foi o Corinthians, com três jogos, 28,3 pontos e 51%. Os números dos outros podem parecer iguais (São Paulo, 28 pontos) ou maiores (Palmeiras, 29 pontos), mas existe um porém: 75% dos clássicos transmitidos (três de quatro) foram contra o time de Itaquera, ou seja, é exatamente o Corinthians quem ajuda a inflar os rivais. Já o Santos, tendo confrontado duas vezes um pequeno em plena final, nadou de braçada neste recorte.

COPAS

Eis uma estatística muito mais simples de ser analisada: copas só são jogadas às quartas, tornando desnecessária a separação por dia. Também são raros os clássicos nestas circunstâncias – este ano, por exemplo, não aconteceu nenhum. Ou seja, a única coisa a ser considerada aqui é o peso do torneio.

RIO DE JANEIRO

Nenhum time da Cidade Maravilhosa jogou a Libertadores 2016. Sendo assim, a maioria das análises se refere à Copa do Brasil, com exceção dos três últimos jogos do Flamengo, válidos pelas fases intermediárias da Sul Americana:

fig-05

Isso mesmo: foram sete jogos rubro-negros, com audiências 22% superiores às do Vasco (26,3 a 21,6 pontos). Cinco jogos vascaínos e três tricolores (20,3 pontos, em média). E nenhum. Nenhum joguinho do Botafogo para contar história…

SÃO PAULO

fig-06

Na Terra da Garoa houve maior equilíbrio entre o líder Corinthians (nove jogos, 26,1 pontos com 40%) e o segundo colocado, São Paulo (oito jogos, 25,5 pontos com 39%). Parte da explicação recai sobre o fato de o Tricolor ter chegado às semifinais da Libertadores, enquanto o Corinthians parou nas oitavas. Assim como o Botafogo, o Palmeiras simplesmente não apareceu na TV nestes torneios. Já o Santos, uma única vez: contra o Gama, pela Copa do Brasil (18 pontos).

BRASILEIRÃO

RIO DE JANEIRO

As transmissões do Brasileirão retomam a necessidade de separação segundo o dia da semana. Contudo, no Rio não se faz necessário repartir clássicos e jogos regulares, uma vez que apenas um foi veiculado na cidade: Fluminense x Botafogo, num domingo de inexpressivos 20 pontos com 38%.

fig-07
Clique para ampliar

Na ausência do Vasco (que joga a Série B), o grande beneficiado foi o Fluminense que, este ano, apareceu tantas vezes quanto o Flamengo (11 cada). Os dois tiveram igualdade também no perfil das transmissões: quatro em dias de semana, sete em fins de semana. Assim, a comparação entre ambos pode se dar sob bases equânimes.

Em boa dose por conta da fantástica audiência do jogo contra o Palmeiras, o Rubro Negro atropela o Tricolor sob a ótica das quartas feiras: 30,5 com 47% a 23 com 36% – resultado 33% superior. Nos fins de semana, a superioridade flamenguista cai para a casa dos 19% (23 pontos contra 19,3). Já o Botafogo teve cinco jogos, todos aos finais de semana – esvaziando seus números. No geral, portanto, o Fla marca em média 25,7 pontos com 44%. O Flu, 20,6 com 37%. O Bota, 18 com 35%.

Importante: um jogo do Alvinegro aconteceu sábado, dia de audiências tradicionalmente inferiores.

SÃO PAULO

Diferente do Rio, em São Paulo retomam-se análises não só por dia de semana mas também por clássicos. Isto porque, por lá, já foram veiculados cinco dérbis neste Brasileirão. A começar pela primeira ótica:

fig-08
Clique para ampliar

Em Sampa também há empate envolvendo Corinthians e São Paulo, ambos com 11 partidas televisionadas. E o perfil é quase o mesmo: Timão quatro vezes às quartas, sete aos fins de semana. Soberano, três às quartas, oito aos domingos. Em compensação, o Corinthians se apresentou num sábado. Sendo assim, em analogia à dupla Fla-Flu no Brasileirão, pode-se considerar justa a comparação direta entre Corinthians e São Paulo.

Às quartas, o Corinthians vence o São Paulo por apertados 25,5 a 24,3 (mesmo share: 40%). Aos fins de semana, um pouco mais de folga: 22,6 (com 43%) para um, 20,1 (com 37%) para outro. Só que em termos gerais, Corinthians (23,6 com 42%), São Paulo (21,3 com 38%) e Santos (23 com 44% em dois jogos) perdem para o Palmeiras (24,1 com 41%). Por quê?

fig-09
Clique para ampliar

A explicação reside aqui. Entre as agremiações com mais televisionamentos, o maior percentual de clássicos pertence ao Palmeiras (três de sete). O São Paulo fez três clássicos diluídos num universo de 11 transmissões. O Corinthians, apenas dois em 11. Nas partidas regulares, onde as audiências vem sem tanta facilidade, os 22,9 pontos do Corinthians em nove jogos superam os 22 pontos em 4 jogos do Verdão. Aqui, o Santos é novamente um ponto fora da curva: dois jogos, dois clássicos.

COMPARAÇÕES INTERNAS

No Rio, resta claro que, sob qualquer aspecto, o Flamengo apresenta audiências muito superiores às de seus rivais. Inclusive, pode-se dizer que em condições normais de temperatura e pressão, Vasco, Fluminense e Botafogo se equivalem – com certa vantagem cruzmaltina.

Já em São Paulo, há maior equilíbrio entre o líder Corinthians e o São Paulo – ainda que não se discuta a supremacia do primeiro. Palmeiras e Santos, alguns passos abaixo, se veem tão relegados que geralmente aparecem apenas em clássicos ou jogos decisivos. Seria importante vê-los em mais partidas regulares, proporcionando uma melhor base de comparação. De qualquer maneira, em anos anteriores a dupla já apresentou alguns índices bem fracos.

Aqui, uma questão particular que explica meu grande ponto de discordância com relação ao Sormani. Eu considero que diferenças de alguns pontos de audiência (e share) justificam as diferenças nas cotas de televisionamento, tendo em vista que um mercado tão competitivo quanto o da TV aberta precifica cada ponto marginal em muitos milhões. Sormani tem outro ponto de vista, entendendo injustificáveis as diferenças, por pequenas que seriam.

Não há certo ou errado neste debate, apenas interpretações.

COMPARAÇÃO RIO X SÃO PAULO

Nem todo ano é assim, mas em 2016, o rei das audiências no Rio (Flamengo) supera o preferido de São Paulo (Corinthians) sob todos os recortes – incluindo Copas em que os Paulistas disputaram a Libertadores. O que faz retornarmos ao que é sempre dito: o Rubro Negro se beneficia de audiências maiores e nacionalmente mais dispersas. O Alvinegro, da supremacia nos principais mercados – que não se resumem ao seu berço, já que Paraná ou Rio Grande do Sul muitas vezes alinham com a Globo São Paulo. Por isso, é importante analisar o quantitativo médio de praças alinhando com a transmissão de cada um deles. Assunto para outra coluna…

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o blog Teoria dos Jogos no Facebook!

A Pesquisa da Vez: capitais brasileiras (SPC/CNDL) – EXCLUSIVO

No início da tarde de hoje, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram uma estudo sobre os hábitos de consumo dos torcedores no Brasil. Por se tratarem de instituições relacionadas ao crédito e adimplemento, o foco da pesquisa recaiu sobre questões orçamentárias, como capacidade de pagamento e gastos excessivos com produtos e serviços relacionados ao futebol. Maiores detalhes sobre a pesquisa podem ser vistos no site da SPC Brasil (clique aqui).

Sendo um questionário aplicado nas 27 capitais brasileiras, o estudo veio naturalmente acompanhado de uma pesquisa de torcidas. Assim, o Blog Teoria dos Jogos entrou em contato com o SPC Brasil e teve acesso aos números de maneira exclusiva. No entanto, muitos esclarecimentos se fazem necessários.

Em primeiro lugar, não se trata de uma pesquisa nacional, já que as entrevistas se concentraram tão somente nas 27 capitais brasileiras, e com amostra bastante limitada: 620 torcedores. Além disso, por ter focado o universo de torcedores (e não o universo populacional), o “Nenhum” (pessoas sem time) foi descartado, fazendo com que o percentual de cada torcida subisse. Só que o mais importante é que a pesquisa não seguiu proporcionalidades primordiais. Isto que significa que 63% dos respondentes foram homens, mesmo numa sociedade de maioria feminina. Em termos geográficos, entrevistou-se um número muito maior de cariocas (16,6%) do que paulistanos (20,1%) proporcionalmente, levando a uma superestimação dos números atrelados aos times do Rio. Depois das duas maiores metrópoles vieram Salvador (8,3%), Porto Alegre (6,8%), Curitiba (6,1%), Fortaleza (5,6%), Recife (5,4%), Belo Horizonte (4,2%) e Manaus (4%).

Todas as limitações abordadas acima não inviabilizam este estudo de abordagem criativa e diferenciada. A questão é que, mais do que nunca, a pesquisa SPC/CNDL reflete tão somente o perfil de sua amostra. Por conta disto, o Blog Teoria dos Jogos optou por expor seus resultados sem proceder maiores análises sobre os recortes de gênero, idade, renda e fanatismo. Convidamos, portanto, nossos leitores a fazê-lo.

Seguem os números:

Clique para ampliar
Clique para ampliar

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o blog Teoria dos Jogos no Facebook!

Um acerto chamado “Arena Botafogo”

Fig 01

No próximo sábado, data peculiar para um clássico da envergadura de um Botafogo x Flamengo, ocorre a inauguração do mais novo estádio de “propriedade” do Glorioso. Trata-se da Arena Botafogo, na Ilha do Governador. Com o perdão pela utilização indevida e um tanto banalizada da expressão “arena” (tudo o que o velho Estádio Luso Brasileiro não é), o fato é que a parceria com a Portuguesa/RJ constituiu grande bola dentro por parte da diretoria alvinegra. E o Blog Teoria dos Jogos explica o porquê.

Fruto de um acordo que resultou em investimentos na ordem de R$ 5 milhões por parte do clube da Estrela Solitária, a Arena Botafogo ergueu-se como um estádio para 15 mil torcedores na zona norte do Rio de Janeiro. Não se trata de novidade: em 2005, Botafogo e o mesmo Flamengo reformaram o próprio Luso Brasileiro (à época renomeado Arena Petrobras) por conta da interdição do Maracanã para os Jogos Panamericanos. A importância do retorno à Ilha ocorre pelo reconhecimento, por parte dos botafoguenses, de duas verdades inconvenientes:

1-É melhor investir agora do que pagar com o rebaixamento.

Desde o ano passado, o Botafogo ocupa a condição de clube mais endividado do país. Para piorar, é também o de pior relação receita/dívida, dada a simplória 13ª posição no ranking de receitas em 2015. Seu faturamento, inferior ao do Atlético-PR, equivale a apenas 16% do passivo total. Diante deste cenário, o que justificaria a custosa remodelação de um estádio antigo, ultrapassado e relativamente mal localizado – que só será utilizado até que o Engenhão volte às suas mãos?

Justamente o entendimento de que o clube não possui cancha para suportar a competitividade do Campeonato Brasileiro sem o imprescindível fator-casa verificado em sua cidade-sede. Ainda que a instalação das arquibancadas tubulares surja como um sunk cost para o Botafogo, a verdade é que o clube não conseguiria conviver com o apequenamento resultante de um terceiro rebaixamento. Diminuição que viria tanto pela queda das receitas quanto em termos institucionais. As duas passagens pela Segundona provaram: após ser abraçado pelos alvinegros na campanha da série B em 2003, ano passado o Bota apresentou apenas a sétima melhor média de público do torneio (9.337 pagantes).

2-Fora do Rio, o clube não possui torcida que justifique excursionar

Esta possivelmente seja a conclusão mais delicada. Após viver a ilusão de “os clubes do Rio de Janeiro terem torcida nacional”, nos últimos anos os fatos batem à porta do Alvinegro de maneira contumaz. Na condição de mandante ou visitante, quanto mais afastado do Rio, menor é o quantitativo de botafoguenses nos estádios. Algo comprovado não apenas pelas pesquisas de torcida aqui divulgadas (clique aqui e aqui), mas também escancarado pelo mapa de calor do ranking das torcidas no Facebook, importante iniciativa do Globoesporte.com:

Fig 02

A dura realidade é que Brasília ou Vitória são simples manchinhas um pouco menos claras. Fora do Rio de Janeiro, o único lugar onde o Botafogo possui representatividade é a Zona da Mata mineira, região que tem em Juiz de Fora sua capital informal. Mesmo lá, os números do Botafogo este ano são sofríveis: 7.091 pagantes, média catapultada por um clássico diante do Flamengo pelo Carioca. Sem aqueles 16.150 torcedores, restariam ao Glorioso decepcionantes 4.071 pagantes em três jogos do Brasileirão. Surpresa nenhuma: com seus pouco mais de 500 mil habitantes, JF vivencia processo semelhante ao da malfadada cidade de Volta Redonda.

Antes mesmo da inauguração, alvinegros já vivem algum alento pela melhoria dos resultados do time no Brasileiro. Ainda assim, assombra a 14ª posição, apenas um ponto acima da zona da degola. Diante disto, se nas arquibancadas do Engenhão os botafoguenses se reunirem em celebrações pela participação na Série A 2017, em muito deverão agradecer pela ousadia da pilotagem rumo às cercanias do Aeroporto do Galeão.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o blog Teoria dos Jogos no Facebook!

Reflexões esportivas e econômicas sobre o “engodo” de Volta Redonda

Fig 01

“Volta Redonda é o túmulo do futebol”.

Eis a frase recentemente proferida por um importante profissional na área de marketing esportivo, num debate interno do qual este blogueiro participa. Apesar de captar o olhar de quem só acompanha o futebol carioca à distância, num primeiro momento soa difícil discordar da assertiva. Os péssimos públicos auferidos por Flamengo, Fluminense e Botafogo no estádio da cidade, o Raulino de Oliveira, são o mote.

Os que se insurgem descontentes com os públicos na Cidade do Aço são, cada vez mais, respaldados por análises vindas da grande imprensa. Há quatro dias foi Gustavo Setti, representando a ESPN, quem abordou a detestável ambientação sob a ótica dos torcedores. Hoje foi a vez d’O Globo, sob a respeitável figura de Carlos Eduardo Mansur. Desde antes, sites e blogs vem dispendendo tempo e neurônios na infrutífera tentativa de compreender a ausência de público.

Chegou a nossa vez. Não a primeira, diga-se de passagem. Desde sempre o Blog Teoria dos Jogos se dedica a compreender, justificar ou refutar questões que envolvam a presença de público e a escolha de Volta Redonda como palco – leia uma análise anterior aqui. Mas desta vez vamos um pouco além, tanto no que se refere à pertinência das críticas dirigidas, quanto na contextualização econômica da questão.

É fato, os públicos em Volta Redonda são péssimos. Mas isto não acontece por improvidência divina ou como fruto de uma população desapegada ao futebol. Terra natal deste blogueiro, é com conhecimento de causa (algo que Juca Kfouri não possui) que afirmo: Volta Redonda é uma cidade como qualquer outra, o que inclui ser também uma cidade apaixonada por futebol.

Mas…

1- A cidade recebe jogos demais – com apelo de menos

Tendo recebido 27 jogos nesta temporada (21 dos grandes cariocas), o Raulino de Oliveira é o estádio mais utilizado do Brasil em 2016. Apenas o Independência, em Belo Horizonte, se aproxima – recepcionando 24 partidas. Mas aí as diferenças vão desde o tamanho dos mercados até a importância dos torneios, considerando-se a ausência de jogos válidos pela Libertadores em solo voltarredondense.

A grande questão é que, no Brasil, cidades de médio porte não costumam ter demanda suficiente para recepcionar mais do que um ou dois eventos. Vide o exemplo de Juiz de Fora, em Minas Gerais – tantas vezes considerada uma “meca” para os clubes do Rio. Com seus 550 mil habitantes, não recebeu mais do que 4.384 pagantes na vitória do Botafogo sobre o Atlético-PR, pelo Brasileirão. Já o Flu foi desde incríveis 23.985 torcedores na final da Primeira Liga (contra o mesmo Furacão) até ridículos 1.406 pagantes, no confronto diante do Criciúma, pela fase de grupos da mesma Liga. É possível que na Cidade do Aço houvesse mais gente.

“Mas e os três clássicos entre Fluminense e Botafogo na cidade?”, alguém retrucaria. Estes só vem a confirmar cada palavra proferida no tópico, já que a reiteração foi a chave do saciamento da demanda e da perda de chamariz. Em 13/03/2016, registraram-se 4.378 pagantes em Fluminense 1 x 1 Botafogo. Em 24/04/2016, 3.562 pagaram ingressos em Flu 0 x 1 Bota. Já no último domingo, o Tricolor deu o troco (1 x 0) mediante 2.860 pagantes – verifique aqui. Mais cristalino, impossível.

2- O comparecimento per capita não é pior do que o da capital

Volta Redonda possui 260 mil habitantes segundo o Censo 2010. Na condição de principal cidade, integra ainda uma conurbação com Barra Mansa, Pinheiral e Barra do Piraí (parcialmente) que detém quase 500 mil habitantes. Semelhante, portanto, à Juiz do Fora do exemplo anterior. Se considerarmos o público médio apenas nos jogos de Flamengo, Fluminense e Botafogo (3.225 pagantes), pode-se dizer que ele representa 1,24% da população da cidade e 0,65% da conurbação. Estes percentuais – se aplicados aos 6,4 milhões de habitantes da capital e aos 11,6 milhões da região metropolitana do Rio de Janeiro – equivaleriam, respectivamente, a inatingíveis médias de público de 79 mil e 75 mil torcedores no Maracanã.

3- Nem todos os times cariocas tem demanda suficiente na cidade

Aqui a argumentação vem baseada em informações exclusivas do Blog Teoria dos Jogos, que mapeou pela primeira vez o perfil de torcidas na cidade. O que se descobriu foi que a monumental diferença no tamanho da torcida do Flamengo (42,9%) para as demais (todas abaixo de 10,8%*) é algo contra o qual fica difícil lutar. De fato, os 10,6% de botafoguenses e os 8,6% de tricolores representariam 27 mil e 22 mil torcedores, respectivamente. Num estádio com capacidade para 20 mil, é como se mal houvesse torcida suficiente para o completo preenchimento de um Raulino de Oliveira.

*A pesquisa foi realizada cerca de duas semanas após o rebaixamento do Vasco, identificando número suspeitamente alto de não-respondentes (7,8%). É possível que parte destes tenham representado vascaínos em desalento.

Não por acaso, mesmo sem qualquer clássico jogado na cidade, o Flamengo conseguiu atrair públicos próximos aos 8 mil pagantes por duas vezes. Enquanto isto, o Fluminense jogou três vezes para menos de 800 testemunhas. Já o Botafogo, apesar da baixa média de público em Volta Redonda, consegue ter um comparecimento médio 60% inferior quando se apresenta em São Januário, em pleno Rio de Janeiro. O problema é mesmo a cidade?

Fig 02

**

A verdade, então, recai sob outros aspectos. Que apontam para o fato de o principal produto esportivo do suposto “país do futebol” (quem merece a alcunha é a Inglaterra) apresentar graves problemas, tanto da parte da demanda quanto da oferta.

Olhando para a demanda, as restrições orçamentárias do brasileiro realmente impactam sobre o comparecimento aos estádios, inviabilizando-o ao nível desejado. Não são poucos os torcedores que alegam a impossibilidade da presença semanal dada a “desimportância dos jogos”. Optam, assim, por reservar dinheiro para fases e embates mais importantes. Se beneficia quem joga o que realmente vale – leia-se a Copa Libertadores. Torneio que faz com que os cinco clubes de melhor média em 2016 sejam justamente os cinco que participaram dele.

Neste sentido, comparar o Brasil com Alemanha, Inglaterra, França ou Espanha – só porque todos são países importantes no mundo do futebol – soa quase como deboche. Naqueles lugares, jogos desimportantes também enchem, ou ao menos não ficam às moscas. Simplesmente porque futebol é lazer, e existe gente suficiente com capacidade para usufruir desta opção sem prejuízo das demais.

Indo além: os problemas de demanda no futebol brasileiro se aprofundam em cidades do interior, condição ocupada por Volta Redonda. Nas grandes capitais, além da maior renda, existe ainda o facilitador que é a existência de times locais fortes e com apelo. Ainda assim, poucas preenchem tais características: em maior escala, apenas São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre, com Salvador, Recife e Curitiba correndo por fora. Marginalmente, Fortaleza ou Belém (pela quantidade) e Florianópolis (dado o poder aquisitivo).

Enquanto isso, sob a ótica da oferta reside um número ainda maior de complicadores ao futebol como espetáculo. É nesta conta, afinal, que se coloca o péssimo produto oferecido, com dirigentes corruptos, times fracos e com rebarbas da Europa, estádios ruins e gramados esburacados. Mais: aqui entram os graves problemas de segurança pública e falta de infraestrutura de transportes, elementos tão atribuídos como razões da ausência do público nos estádios. Clubes que superaram algumas destas dificuldades, como Corinthians e Palmeiras, vem destoando dos demais.

Em suma, são variados e complexos os componentes da demanda por jogos de futebol no Brasil – questão que muito em breve será retomada aqui no Blog Teoria dos Jogos. Como tal, em Volta Redonda não haveria de ser diferente. A cidade veio tão somente expor a urgência com que se fazem necessárias mudanças estruturais na gestão dos clubes, via planejamento e capacidade de visão de longo prazo. Sem, no entanto, servir como mártir de coisa alguma.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

As (baixas) audiências das finais dos Estaduais 2016

Fig 01
Foto: André Durão/Globoesporte.com

Na tarde de ontem, os principais campeonatos estaduais conheceram os grandes campeões da edição 2016. Além do hexa do Internacional, no Rio Grande do Sul, e da surpreendente vitória do América-MG sobre o Atlético-MG, São Paulo e Rio de Janeiro também viveram suas voltas olímpicas. Mas se as torcidas de Vasco e Santos tem muito o que comemorar, a verdade é que para as emissoras de TV, houve bem menos razões para festejos.

A começar por São Paulo, onde a falta de euforia era um pouco mais óbvia. Embora um grande clube de futebol tradicionalmente bonito confrontasse a maior revelação tática dos últimos anos (Audax), o apelo por uma decisão sempre termina relacionado ao tamanho das torcidas. E o Santos tem apenas a quarta maior do estado de São Paulo. Pior o Audax, time da cidade de Osasco, na região metropolitana, praticamente sem torcida. Por isto, as audiências da final paulista foram as seguintes:

SANTOS X AUDAX

GLOBO – 21 PONTOS COM 40% DE PARTICIPAÇÃO

BAND – 6 PONTOS COM 11% DE PARTICIPAÇÃO

TOTAL: 27 PONTOS COM 51% DE PARTICIPAÇÃO

No agregado, três pontos e 8% acima da primeira partida, jogada domingo passado na casa do Audax. Ainda assim, uma audiência muito baixa em termos de final de campeonato. Menor, por exemplo, que a decisão Santos x Ituano, válida pelo Paulistão-2014 (28 pontos com 54%). Se a comparação for apenas com o torneio de 2016, a finalíssima ficou atrás dos clássicos entre Corinthians x São Paulo (28 com 52% totais) e Palmeiras x Corinthians (31 com 54% totais).

Já no Rio, a final envolvia dois grandes e tradicionais players do estado, Vasco e Botafogo. Mas a derrocada das audiências nos brindou com uma situação ainda mais rara:

VASCO X BOTAFOGO

GLOBO – 24 PONTOS COM 51% DE PARTICIPAÇÃO

BAND – 2 PONTOS COM 4% DE PARTICIPAÇÃO

TOTAL: 26 PONTOS COM 55% DE PARTICIPAÇÃO

Na comparação com o primeiro jogo, até houve aumento no share, de 48% para 55%. Mas a audiência absoluta caiu dos 27 pontos da semana passada para 26 ontem. Trata-se de uma situação raríssima, além de uma enorme demonstração de desinteresse – tanto das torcidas quanto dos telespectadores. Para que se tenha uma ideia, os mesmos times decidiram o Campeonato Carioca 2015 numa jornada de 31 pontos com 59% de participação. O primeiro jogo alcançara 30 com 54%.

Com números tão fracos, as maiores audiências do Carioca-2016 acabaram nas mãos dos dois confrontos entre Flamengo e Vasco: 37% com 57% na fase de grupos (jogado numa quarta-feira, quando os números são tradicionalmente maiores) e 30 pontos com 57% na semifinal.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!