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O risco dos balanços

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Na proximidade de adentrarmos a segunda quinzena de junho, a sensação é que a temática dos “balanços” arrefeceu por completo. Pudera: a obrigação legal para publicação das demonstrações financeiras (fim de abril) faz de maio um mês recheado de análises sobre receitas e endividamentos. Algumas semanas depois, entretanto, a mídia parece não considerar novas abordagens na área. O Blog Teoria dos Jogos, remando contra esta maré, vem a público tocar numa verdadeira ferida.

É fato que demonstrações financeiras muitas vezes apresentam fragilidades que são ocultadas pela ignorância do público geral na leitura de documentos do tipo. Pior: em alguns casos, balanços podem mesmo não apresentar qualquer fidedignidade, nenhum reflexo da situação econômico-financeira das instituições. É por isto que existem as empresas de auditoria.

Auditores contábeis, de maneira geral, são os responsáveis pela inspeção e análise das demonstrações contábeis de uma empresa. Caso não concordem com algum procedimento, são feitas ressalvas – sejam elas brandas ou mais severas. Nos casos extremos em que um balanço é rejeitado, as auditorias suavemente emitem um “no opinion” quanto ao conteúdo avaliado.

Os processos adotados pela “contabilidade criativa” dos clubes de futebol fazem com que, no Brasil, nenhuma das chamadas Big4 globais (PriceWaterhouse Coopers, Deloitte, Ernst Young e KPMG) aceitem auditá-los. Em compensação, outros players do “Top 20 global” se prontificam a fazê-lo.

O tamanho e a localização geográfica de uma empresa não tem relação necessária com sua capacidade. Sendo assim, auditores regionais podem ser tão competentes quanto gigantes internacionais. Mas a prática nos diz que clubes cujos processos são questionados jamais terão suas contas aprovadas por um destes gigantes.

Com isto em vista, o Blog Teoria dos Jogos decidiu questionar a qualidade das demonstrações apresentados pelos clubes brasileiros. Para tanto, nos debruçamos sobre avaliações contidas nos próprios balanços. E mais: recorremos à consultoria de fontes de alto gabarito no mercado*, solicitando avaliações sobre o risco dos auditores e dos próprios balanços. Tudo com base no grau de severidade atribuído às fragilidades encontradas.

*Por questões éticas, seus nomes não serão divulgados.

Os clubes cujos balanços foram avaliados são os seguintes:

Botafogo – clique aqui para acessar o balanço

Flamengo – clique aqui

Fluminense – clique aqui

Vasco – clique aqui

Corinthians – clique aqui

Palmeiras – clique aqui

São Paulo – clique aqui

Santos – clique aqui

Atlético-MG – clique aqui

Cruzeiro – clique aqui

Grêmio – clique aqui

Internacional – clique aqui

Atlético-PR – clique aqui

Coritiba – clique aqui

Bahia – clique aqui

Segue uma tabela com aqueles cujo risco foi considerado “Baixo”:

Fig 01
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Em posição de destaque, Atlético-PR, Atlético-MG, Cruzeiro, São Paulo, Flamengo, Fluminense, Corinthians e Coritiba. Apenas este último teve identificada uma fragilidade, ainda assim relativamente branda (a falta de exposição da fatia do clube nos direitos econômicos de seus atletas). Já o Cruzeiro, embora detentor de um balanço confiável, delegou a auditoria a pessoas físicas.

Internacional e Palmeiras tiveram seus balanços avaliados como de “médio risco”. A explicação reside no campo “Fragilidades”, se referindo à adesão colorada à Timemania e à avaliação palmeirense quanto à depreciação de seu imobilizado:

Fig 02
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Já Botafogo e Bahia tiveram balanços avaliados como de “alto risco”:

Fig 03
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O clube da Estrela Solitária viu a Mazars emitir “opinião com ressalvas”, com base nas duas fragilidades expostas na tabela – aqui consideradas de severidade “Média” e “Gravíssima”. Já o Tricolor baiano teve três fragilidades, de severidades “Média”, “Gravíssima” e “Grave”.

Grêmio e Vasco foram os clubes que mais deram motivos para ressalvas dos auditores – respectivamente sete e seis. Por isto foram balanços considerados de “altíssimo risco”:

Fig 04
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Por fim, uma situação de completa exceção, a do Santos:

Fig 05
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Simplesmente não foi possível avaliar sua situação patrimonial, uma vez que o Peixe não foi auditado. As “informações gerais” de seu balanço foram tão somente estas:

Fig 06

Ou seja, o alvinegro praiano divulgou suas demonstrações na data-limite alegando estar ainda “em processo de conclusão de auditoria”. Só que de lá pra cá, nada mais foi dito…

Este levantamento tem como intuito demonstrar a situação antagônica em que se encontram os clubes no Brasil, com apenas parte deles zelando pela transparência e as boas práticas contábeis. Infelizmente, quando maus exemplos e interesses escusos partem da própria CBF, não existem tantos motivos para esperança.

Desde já o Blog Teoria dos Jogos se coloca como um espaço aberto para esclarecimentos tanto da parte dos clubes quanto dos auditores.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

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E se o Brasil adotasse o modelo inglês?

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Talvez seja questão de tempo, não se sabe ao certo. Mas a sensação que fica é: enquanto não houver mudanças no modelo que distribui os recursos do televisionamento, a demagogia no futebol brasileiro não cessará.

O “bastião da moralidade” é o deputado Mendonça Filho, do DEM/PE, que apresentou emenda à Medida Provisória do Profut visando aplicar por aqui o modelo de repartição do futebol inglês: 50% da verba dividida entre todos os clubes, 25% conforme a classificação do torneio anterior e 25% proporcionais à audiência média de cada um.

Se isto acontecesse, como as coisas ficariam? A resposta vem de um elucidante trabalho de Christiano Candian, autor do blog Constelações e leitor do Blog Teoria dos Jogos. Ele preparou uma planilha que projeta diferentes cenários segundo mudam os percentuais atribuídos a cada critério.

Na hipótese da divisão à inglesa: 50% igualitária, 25% esportiva, 25% audiências:

Fig 01

PS: Valores em milhões de reais, com base na distribuição de recursos vigente do triênio 2013-2015 (diferente das demonstrações financeiras). O percentual de audiência foi dado como proporcional às cotas atualmente percebidas. Foram incluídos apenas os participantes da Série A em 2014 – por isso a ausência do Vasco.

A diferença entre quem ganha mais e menos (Corinthians e Criciúma) ficaria inacreditavelmente pequena: R$ 68,9 milhões a R$ 28,5 milhões. Isto significa que o Corinthians, uma das locomotivas do futebol nacional, levaria apenas 2,4 vezes mais que um clube de torcida quase municipal. Nem assim agradando aos puristas, já que na Inglaterra a diferença fica na ordem de 1,5 vez

O mais impactante pode ser visto na coluna “Diferença”, que denota o quanto ganham ou perdem os clubes sob este novo ordenamento. Gigantes como Flamengo e Corinthians experimentariam sangria superior a R$ 40 milhões. Mas não só eles: São Paulo, Palmeiras, Santos e Botafogo teriam prejuízos de R$ 8 milhões a R$ 24 milhões. Em suma: clubes que representam metade da população nacional chafurdariam para encher os bolsos de Figueirense (R$ 18,1 milhões), Atlético-PR (R$ 16,8 milhões), Chapecoense (R$ 15,9 milhões) e – é lógico – o Sport (R$ 13,5 milhões), do estado do digníssimo parlamentar.

Mas a tabela permite simulações com base em outras divisões. Se ela fosse 50% esportiva, 25% igualitária e 25% audiências:

Fig 02

Neste caso, o “clube dos infelizes” teria a deficitária companhia da dupla Ba-Vi, rebaixada em 2014. O benefício viria ao campeão, com nada menos que R$ 21,3 milhões adicionais nos cofres do Cruzeiro. O Flamengo desabaria no mesmo montante da simulação anterior (R$ 47 milhões), recebendo menos que Corinthians, São Paulo e Cruzeiro. Mas a concentração aumentaria, com o líder faturando 4,2 vezes mais do que o último colocado.

Já no caso de 50% audiências, 25% esportiva e 25% igualitária:

Fig 03

Teríamos um cenário mais racional: os mesmos prejudicados do primeiro cenário com quedas menos acentuadas – a do Flamengo, de R$ 31,5 milhões. Por analogia, o maior beneficiado teria ganhos menos expressivos (R$ 12,1 milhões ao Atlético-PR). Nos três cenários – dado o peso dos resultados esportivos – o Corinthians seria líder, aqui angariando 4 vezes mais do que o Tigre de Santa Catarina.

E a opinião do Blog…

Já expusemos nossa opinião sobre a adoção do modelo inglês num texto denominado “Não existe “espanholização” no Brasil… no máximo uma “italianização”, quiçá “enfrancesamento”. Lá foi dito que em países cuja configuração de torcidas é bem conhecida – casos de Espanha, Itália ou do próprio Brasil – recursos são direcionados de maneira concentrada nos chamados “trens pagadores”.

Se não somos tão concentrados quanto os países citados, a configuração de torcidas no Brasil também não difere tanto. Por aqui, flamenguistas atingem cerca de 24% do universo de torcedores, ao cabo que a Juventus possui 29% e o Real Madrid, 37%. Quando Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco entram em cena, passam a representar 66% da torcida e inacreditáveis 80% entre jovens.

Soa razoável este complexo de Robin Hood, refutando ditames de mercado em meio a relações puramente comerciais entre entes privados?

Não, não soa.

E o Blog Teoria dos Jogos não está sozinho em sua posição. Segundo Emerson Gonçalves, autor do blog Olhar Crônico Esportivo, haveria muitas diferenças entre Brasil e Inglaterra – explicando a pouca similaridade entre os modelos adotados aqui e lá. Ele diz:

-No Brasil a TV já nasceu privada, tendo desde o início dependido do mercado publicitário para sobreviver e crescer. Muito porque se baseou no sistema de transmissão em canal aberto, gratuito e financiado por anunciantes que pagam em troca de visibilidade. Isto não aconteceu na Inglaterra, onde a TV nasceu pública e a publicidade veio bem depois.

Por isto, Emerson diz que “quando se negociam as transmissões do futebol no Brasil, é mais do que evidente que se busca a audiência”, presumindo não haver mal e refutando a adoção de modelos moldados por diferentes realidades.

Agradecemos a Christiano Candian e Emerson Gonçalves, convidando os leitores para mais esta reflexão acerca de um tema que nunca sai de pauta.

Um grande abraço e saudações!

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As torcidas da “Corrida”

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Hoje à noite acontece no Rio de Janeiro mais uma etapa da “Corrida das Torcidas”, evento que começa a se tornar tradicional no calendário esportivo carioca. Com etapas que envolvem voltas em torno do Maracanã e da Lagoa Rodrigo de Freitas, a competição tem como diferencial fazer com que cada corredor “represente” o time que torce, apontando-o no momento do seu cadastro.

Como pro Blog Teoria dos Jogos, “envolveu torcida, tem que envolver pesquisa”, elaboramos um levantamento desde o evento de 2013 – quando times de fora do Rio começaram a poder ser escolhidos. De lá pra cá, estes foram os números das torcidas:

Corrida das Torcidas 2014

Etapa Maracanã (Geral Masculino)

TOTAL – 777

Flamengo – 239

Vasco – 140

Fluminense – 96

Botafogo – 86

 

Etapa Maracanã (Geral Feminino)

TOTAL – 593

Flamengo – 165

Fluminense – 89

Vasco – 69

Botafogo – 59

 

Etapa Lagoa (Geral Masculino)

TOTAL – 700

Flamengo – 276

Vasco – 143

Fluminense – 97

Botafogo – 70

 

Etapa Lagoa (Geral Feminino)

TOTAL – 551

Flamengo – 224

Vasco – 100

Fluminense – 76

Botafogo – 65

 

Corrida das Torcidas 2013

Masculino

TOTAL 1020

Flamengo – 351

Vasco – 167

Fluminense – 105

Botafogo – 106

 

Feminino

TOTAL – 711

Flamengo – 260

Vasco – 99

Fluminense – 99

Botafogo – 60

 

No agregado, os resultados seguem abaixo – todos além dos quatro grandes do Rio em percentuais aproximados. Apenas o Flamengo marcou menos do que costuma acontecer em pesquisas na capital carioca. Os demais, em linha com a percepção de torcidas na cidade:

Corrida

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Receitas Agregadas: Sócio-Torcedor + Bilheterias

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Semana passada o Blog Teoria dos Jogos levantou o ranking de faturamento dos maiores clubes do Brasil com seus projetos de sócio-torcedor. Com base na média de associados ao longo de 2014, foi também calculado o ticket médio de cada um, facilitando vislumbrar verdades um tanto ocultas – como agremiações com muitos adeptos e pouco dinheiro em caixa.

Entretanto, como tudo o que se refere ao marketing esportivo, nem sempre as coisas são como parecem. O levantamento em questão foi absolutamente fidedigno, tanto que elogiado por profissionais dos próprios clubes. O problema é que projetos de naturezas completamente diferentes acabam indevidamente pasteurizados quando comparados a seus pares. Visando superar esta dificuldade, o Blog Teoria dos Jogos apresenta uma segunda e definitiva ótica.

Em meios às diferenças de uma iniciativa para outra, são dois os principais subgrupos de projetos sócio-torcedor: Aqueles que disponibilizam ingressos gratuitos e os que apenas proporcionam descontos/facilidades na aquisição. No primeiro grupo encontra-se a grande maioria dos clubes: Cruzeiro, Atlético-MG, Fluminense, Botafogo, Palmeiras, Grêmio, Internacional, etc.  Já os expoentes do segundo seriam Flamengo, Corinthians e Santos.

A consequência: projetos que oferecem ingressos acabam por canibalizar receitas de bilheteria, ao cabo que os que obrigam a comprar entradas proporcionam um boom nas contas de “bilheteria”. Ademais, mesmo entre os que oferecem ingressos, diferentes características nos planos (e no perfil das torcidas) acabam por gerar resultados heterogêneos entre si. A solução? Somar receitas de “sócio torcedor” com as de “bilheteria”. O resultado é um retrato bastante real da capacidade de geração de caixa dos clubes brasileiros.

É o que foi feito:

Fig 01

*Cruzeiro: O valor divulgado de sua receita líquida com bilheterias está em linha com a estimativa feita pelo Blog. O clube celeste inclui bilheterias, premiações e sócio-torcedor numa mesma conta contábil de R$ 85,8 milhões. Subtraindo R$ 35 milhões do sócio-torcedor e estimando R$ 15 milhões em premiações – só o título do Brasileirão pagou R$ 9 milhões – teríamos o valor em questão.

** Corinthians: segundo as notas explicativas do balanço, a partir de 2014 as receitas de bilheteria deixaram de entrar no caixa do clube, seguindo diretamente para o fundo que administra a Arena. Aos R$ 6,9 milhões de bilheterias em outros estádios, foram somados aproximadamente R$ 35 milhões em arrecadação da Arena Corinthians ao fim de 2014.

Consideradas as notas envolvendo Cruzeiro e Corinthians, eis o resultado final. A fraca bilheteria (R$ 12,1 milhões) não é capaz de tirar do Internacional a liderança do ranking (R$ 71,1 milhões). Mas faz com que Cruzeiro e Flamengo cheguem aos seus calcanhares, atingindo respectivamente R$ 70,8 milhões e R$ 70,4 milhões.

Após o empate técnico do topo, verifica-se um segundo envolvendo Grêmio (R$ 51,6 milhões) e Corinthians (R$ 51,3 milhões). Reparem que o ótimo resultado corintiano – líder em bilheterias com R$ 41,9 milhões – reverte a baixíssima capitalização do programa Fiel Torcedor. Isto porque os paulistas não cedem ingressos a sócios, em linha com o percebido no Flamengo, vice-líder nas roletas (R$ 40 milhões). No extremo oposto, o Grêmio viu entrarem meros 939 mil nesta conta.

O equilíbrio persiste com Palmeiras e Atlético-MG muito próximos (R$ 43,7 milhões a R$ 40,2 milhões). Depois, Atlético-PR (R$ 28,6 milhões), São Paulo (R$ 28,1 milhões), Coritiba (R$ 27,2 milhões), Santos (R$ 26,3 milhões) e Botafogo (R$ 25,4 milhões) disputam posição palmo a palmo. Bahia (R$ 15,2 milhões) e Fluminense (R$ 11,7 milhões) só superam o Vasco (R$ 10,6 milhões) pela inexistência de sócios-torcedores cruzmaltinos.

A harmonia marcante faz com que este seja um ranking normatizado, fruto da aglutinação de receitas aparentemente distintas. Ao influenciarem uma à outra, sócio-torcedor e bilheterias se mostram faces da mesma moeda. Podemos inflar uma das contas em detrimento da outra ou mantermos competitiva semelhança entre ambas. Tudo depende do caminho que se opta por trilhar.


O Blog Teoria dos Jogos orgulhosamente apresenta seu novo patrocinador: o site de apostas 188BET, parceiro dos gigantes ingleses Liverpool e Manchester City!

Se divertir por lá é fácil, rápido e seguro. Atestei na tarde de ontem, quando por sorte de principiante fiz quadriplicar uma grana apostando no empate da Juventus com o Real Madrid! E o melhor: se eu errasse, me devolveriam até o limite de R$ 25 (apenas para a primeira aposta).

Fica ou não fácil ter coragem assim?  🙂

Pra incentivá-los a conhecer o site, o Blog vai sortear (pelo Twitter) R$ 25 em créditos REAIS (cumulativos com a promoção que devolve R$ 25 na primeira aposta em caso de erro). Basta seguir o perfil 188BETBRASIL e mandar um tweet com a hashtag #188BETBRASIL. Pronto, tá concorrendo! O resultado será anunciado na sexta, 15/05/2015.

Um grande abraço e saudações!

 

Sócio-Torcedor: quem fatura mais? Uma análise definitiva

A obrigação legal dos clubes publicarem suas demonstrações financeiras faz deste início de maio um prato cheio para análises de marketing esportivo. Já foi extensamente propagada, por exemplo, a ordem de receita e endividamento. Mais recentemente, se explorou o faturamento com transmissões televisivas. Uma análise um pouco mais complexa, contudo, se refere ao ranking de receitas com projetos de sócio-torcedor.

Há alguns anos os brasileiros despertaram para esta que pode ser vista como uma das fórmulas para o gigantismo de alguns europeus. O advento do Movimento por um Futebol Melhor fomentou projetos associativos a ponto de, hoje, apenas o Vasco não possuir iniciativa do gênero*. Os sócios-torcedores no Brasil ganharam tanto corpo que já existem três clubes com mais de 100 mil adesões, dois tendo ultrapassado a barreira recentemente (Palmeiras e Corinthians).

*Segundo o marketing cruzmaltino, há um litígio com a empresa contratada pela antiga diretoria para gerir o projeto. O clube alega que a mesma não possui condições de geri-lo, cabendo apenas aguardar pelo termo do contrato.

Enquanto alguns comemoram, outros lamentam não fazerem valer suas reais potencialidades. Debate que traz à tona uma questão pouco respondida: quanto, afinal, os clubes capitalizam com seus sócios-torcedores? Naturalmente, a resposta reside nos balanços, só que explicitada de maneira não tão simples.

Um dos grandes problemas da contabilidade é a falta de padronização do plano de contas, o que atrapalha desde fiscalizações tributárias até simples análises de balanço. É o que ocorre na questão do sócio-torcedor. Se contas exclusivas para receitas de “televisionamento” ou “venda de direitos federativos” são comuns a quase todos os clubes, por algum motivo a arrecadação com sócios costuma ser aglutinada com receitas de outras naturezas. Desde bilheterias, passando por premiações ou até loterias – vários clubes os agregam ao faturamento com sócio-torcedor, atrapalhando a clareza da análise. Mas não a inviabilizando.

Dito isto, o Blog Teoria dos Jogos preparou planilha contendo o faturamento com projetos associativos de alguns dos maiores clubes do Brasil em 2014. Num comparativo com as mesmas contas em 2013, eis o resultado:

Fig 01

PS: A coluna da direita expõe a nomenclatura da conta. Clubes que contabilizam receitas com sócio-torcedor à parte estão em negrito.

Informação que denota o quão irreversível é o fomento aos planos de associação: apenas os 14 relacionados faturaram R$ 300 milhões em 2014, um expressivo aumento de 27% em relação ao ano anterior. Nos próximos parágrafos, alguns deles serão dissecados.

A maior receita provém da maior base de associados: o Internacional. Referência na área, o colorado ainda teria margem para inflar os atuais R$ 58,9 milhões. Segundo Alexandre Perin, do Blog Almanaque Esportivo, parte do aumento viria da locação anual de cadeiras (que em 2014 só ocorreu por seis meses) e pelo fim dos descontos concedidos a novos associados.

Ainda que a liderança do Inter soe natural, a verdade é que o lado vermelho do Sul destronou seu principal rival. Balanços 2013 apontavam o Grêmio como líder, mas sua queda de faturamento (R$ 57,9 milhões para R$ 50,6 milhões) levou os tricolores ao segundo posto no ranking. E se antigamente os gaúchos nadavam de braçada, a cada ano que passa a concorrência se aproxima – vide os R$ 35 milhões arrecadados pelo Cruzeiro com seu projeto “Sócio do Futebol”.

Chegar a este valor foi um desafio. O plano de contas celeste unifica a arrecadação dos sócios com bilheterias e premiações. Considerando o atual bicampeão brasileiro (a quem a CBF pagou R$ 9 milhões pelo título), tem-se um a conta denominada “Bilheterias/Premiação” de R$ 85,7 milhões. Então o Blog Teoria dos Jogos entrou em contato com Marcone Barbosa, diretor de marketing da Raposa, que esclareceu a questão. Em 2013, o “Sócio do Futebol” rendeu R$ 30 milhões em mensalidades e R$ 8,5milhões em venda de ingressos para sócios. Já em 2014, R$ 35 milhões em mensalidades e R$ 20,6 milhões em ingressos para sócios.

Em seguida surge o Flamengo, primeiro a manter conta separada para seu “Nação Rubro-Negra”. Projeto que, apesar de estagnado, injetou consideráveis R$ 30 milhões nos cofres rubro-negros ano passado. Depois do Fla, dois paranaenses e o Palmeiras, todos acima dos R$ 20 milhões. A junção da “Timemania” à conta alviverde gera pouco reflexo pela baixa rentabilidade proporcionada pela loteria. Santos e Atlético-MG são outros a alcançarem oito dígitos na arrecadação com associados.

O Corinthians vem apenas em 10º, tendo amealhado menos que os R$ 9 milhões indicados (pois loterias e premiações estão inclusas). Trata-se de um valor incompatível com a grandeza da segunda maior torcida do Brasil. O lançamento de uma nova categoria popular no Fiel Torcedor sinaliza que o clube seguirá na proposta de angariar muitos contribuintes que paguem pouco, o que foi bem recebido pela torcida. Por fim, os projetos de São Paulo, Bahia, Fluminense e Botafogo gerando pouco impacto em seus fluxos de receita.

A experiência corintiana aponta o ticket médio como fator determinante por sinalizar o tamanho que um projeto pode ou deve atingir. Quem cobra quatro vezes mais pode ter até quatro vezes menos adeptos. Eis um fator primordial para que se determine o sucesso ou fracasso de uma empreitada, embora poucos assim o compreendam.

Para calcular o ticket médio dos projetos, o Blog Teoria dos Jogos procurou o Movimento por um Futebol Melhor, sendo informado do número de adeptos no começo e ao final de 2014**. Pela média aritmética dos cenários, chegamos a um número que minimiza movimentos de aumento e queda, melhor se aproximando da base-padrão de associados no período:

 ** Não foi possível incluir Atético-PR e Coritiba uma vez que ambos não são filiados ao Movimento

Fig 02

Dividindo o faturamento da primeira tabela pela média de associados da segunda, eis o ticket médio de cada projeto:

Fig 03

Ordenamento diferente, clubes semelhantes. Grêmio, Cruzeiro, Flamengo e Internacional compõem o top-5 dos que mais alto cobram, tendo apenas o Botafogo como “intruso”. Todos os citados estão acima de R$ 40. No extremo oposto, projetos de Fluminense e Corinthians custam menos de R$ 20 (em média), com tendência de queda ainda maior para os paulistas.

A comparação entre Flamengo e Corinthians mostra o ticket flamenguista mais de três vezes superior. Assim, para equivaler aos 50 mil rubro-negros pagantes, os alvinegros precisam atingir uma base de 150 mil associados. Botafogo e Fluminense também nos trazem situação interessante: faturam igual, mesmo havendo 2,5 vezes mais sócios tricolores.

Cobrar muito ou pouco é política interna de cada clube. Mas as análises permitem auferir que se a opção é cobrar menos, será necessário angariar uma base colossal – algo cada vez mais difícil à medida que se saciarem demandas reprimidas e os heavy users se virem cooptados.

Um grande abraço e saudações!

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Distorções na Tabela do Brasileirão – versão 2014/2015

Há dois anos o Blog Teoria dos Jogos lançou o alerta: alguns integrantes da Série A podiam ser prejudicados ao verem suas partidas como mandantes muito concentradas nos piores dias, contrastando com a realidade dos rivais. A análise de 2013 – cujo título era o mesmo desta coluna – repercutiu bastante. Fontes próximas ao Blog atestaram a atuação de grandes clubes nos bastidores (junto à CBF), visando influir nas tabelas dos torneios subsequentes.

De lá pra cá muita coisa mudou? É o que analisaremos.

Inicialmente, faz-se necessário esclarecer uma interessante característica da audiência esportiva no Brasil: enquanto o futebol tem mais público pela TV nos dias úteis, aumenta o público nos estádios em fins de semana. Trata-se de algo facilmente verificável com base nas audiências divulgadas semanalmente pelo Blog Teoria dos Jogos no Twitter, bem como estabelecendo um recorte das médias de público do Campeonato Brasileiro.

Média geral de público – Brasileirão-2014:

Fig 01

Média de público – fins de semana (BR-2014):

Fig 02

Média de público – dias de semana (dias úteis – BR-2014):

Fig 03

O Blog Teoria dos Jogos agradece e credita o levantamento das informações (assim como a elaboração das tabelas) a Minwer Daqawiya, publicitário e colaborador do site Grêmio Libertador.

Parece óbvio o benefício financeiro (em termos de maiores bilheterias) dado aos que jogaram mais em casa nos fins de semana. Considerando que 27 das 38 rodadas se deram aos sábados e domingos, temos como padrão o percentual de 71%. Equipes que tiverem atuado menos do que isto aos fins de semana aparecem marcadas em tons de vermelho e amarelo –  eis os prejudicados. Em direção oposta, marcamos os beneficiados em tons de verde. Segue a distribuição:

Fig 04

Na comparação com o ano retrasado, percebe-se que o Corinthians, maior beneficiado à época (84%) teve seus jogos realocados, passando à condição de prejudicado. Em 2014 os paulistas apresentaram percentual de 63%, melhor apenas que os 58% do Coritiba. No outro extremo, Atlético-PR (89%), Atlético-MG e Internacional (84%) gozaram do benefício das bilheterias em níveis superiores aos demais.

A análise também pode se estender ao Brasileirão 2015, com a limitação de que a tabela só foi totalmente aberta até a 10ª rodada:

Fig 05

A parcialidade enviesa a análise. Até a 10ª rodada, alguns terão feitos apenas quatro jogos em casa, frente a outros com até seis. De qualquer maneira, Coritiba, Flamengo, Goiás, Internacional, Ponte Preta e Santos largam na frente, com todos os seus jogos em casa nos fins de semana. Já o Fluminense fará apenas metade deles no Maracanã.

Mediante as vinte diferentes realidades da Série A, soa impossível administrar tabelas de modo a igualar o percentual de todos. Mas ao trazer a público comparações intertemporais, o Blog Teoria dos Jogos monitora a existência ou não de benefícios/prejuízos sistemáticos para este ou aquele. Por ora, as distorções não parecem tão relevantes.

Um grande abraço e saudações!

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Onde erra o Botafogo

Fig 01

Há pouco o Botafogo anunciou, com pompa e circunstância, o acerto com cinco empresas cujas marcas serão expostas no uniforme durante os clássicos com Flamengo e Fluminense. O anuncio foi enxergado como um “resgate da credibilidade”, após semanas jogando sem patrocinadores e expondo apenas o projeto “Sou Botafogo”.

A grande questão tem a ver com o naipe das empresas a se associarem ao Glorioso. Duas delas, renomadas, possivelmente sejam as que negociam patrocínio até o fim do ano: Netshoes (mangas) e Casa & Vídeo (costas e barra traseira). O problema são as demais. No peito, Supermercados Unidos, uma pequena rede de atuação quase exclusiva na Baixada Fluminense. A Naveg, ocupante da barra dianteira, comercializa produtos automotivos. Já a Zeex, locatária da omoplata, é tão somente uma varejista online.

As três empresas, corretíssimas ao patrocinarem uma grande marca do futebol brasileiro, devem agora estar abrindo champanhes. Pudera, até poucas horas ninguém fazia a remota ideia de suas áreas de atuação, algo que começa a mudar com explanações como a do parágrafo anterior. O problema reside na escolha feita pelo próprio Botafogo: a que tipo de empresas o Alvinegro pretende se associar?

Todos sabem que a Série B é a maior provação a qual um grande clube pode se submeter no Brasil. A menor visibilidade faz com que receitas de patrocínio desabem, ao cabo que bilheterias tendem a ser menores por conta do produto piorado. Se o clube não subir no primeiro ano, as receitas de televisionamento desmoronam à metade, asfixiando-o à morte. Trata-se de uma situação que ainda não aconteceu com nenhuma das doze grandes torcidas.

Fig 02

Neste contexto, nada mais natural que o “processo de abadalização” dos uniformes. Assim procedeu o Corinthians em 2008, loteando uma quantidade de espaços sem precedentes – incluindo as axilas. Assim o faz o Botafogo, e tem mesmo que fazê-lo. O drama neste caso não possui natureza quantitativa, mas qualitativa. Ainda utilizando o Corinthians como paralelo, o clube à época assinou com a gigantesca Hypermarcas e o mediano Grupo Silvio Santos. No fim, marcas famosas e com alguma identificação com seus consumidores. Mas o Botafogo…

Associando-se a conglomerados nanicos e sem nenhuma identificação com torcedores majoritariamente de classe média, o clube só faz desvalorizar propriedades que, há pouco, se tornaram case ao catapultarem a Viton 44 – proprietária do Guaraviton, Guaravita e Matte Viton (ainda assim uma empresa muito maior do que as atuais). O borrão aumenta quando relembramos a inacreditável parceria botafoguense com a Telexfree, empresa condenada pela justiça brasileira por atuar em esquema de pirâmide, situação flagrantemente ilegal.

É lógico que isto se dá pela situação de penúria dos cofres em General Severiano. Análise do próprio Blog Teoria dos Jogos apontou o Bota como detentor da pior relação receita/dívida do futebol brasileiro. Sem nenhuma capacidade de pagamento, escancara-se uma necessidade visceral de faturar, mas a que custo? Se é pra receber pouco, por que não seduzir grandes marcas com base no menor investimento?

O risco que se incorre é o do encolhimento irreversível da imagem do Botafogo aos olhos do mercado. A partir de então, não haverá resgate de credibilidade capaz de regular o gás deste fogão.

Um grande abraço e saudações!

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Não existe “espanholização” no Brasil…

…no máximo uma “italianização”, quiçá “enfrancesamento”. É o que trouxe à tona o Diário Ás, de Madrid, com um quadro comparativo entre direitos televisivos das principais ligas europeias na temporada 2013/2014. Ei-lo:

Fig 01

A título de comparação, e com câmbio de hoje, segue o ranking envolvendo os times brasileiros na temporada passada:

Valores relativos à TV aberta, não contemplando o pay per view
Valores relativos à TV aberta, não contemplando o pay per view

Percebe-se que, em face dos inúmeros paralelos equiparando Flamengo e Corinthians a Real Madrid e Barcelona, a verdade é que na península ibérica a coisa é muito mais concentrada. Os dois gigantes receberam nada menos que 7,7 vezes mais do que o Almería, integrante do último pelotão espanhol. Já no Brasil, Mengão e Timão angariaram 4 vezes mais do que clubes de fora do eixo RJ-SP-MG-RS.

Embora não se refute haver uma concentração por aqui – sendo também necessário debater os méritos da questão – a verdade é que perdemos até para a Itália neste quesito. No País da Bota, a Juventus sozinha recebeu 5,2 vezes mais do que o Sassuolo. Seríamos um intermédio entre ela e a França, onde o PSG faturou 3,4 vezes mais do que o primo pobre Ajaccio.

Percebam que em países cuja configuração de torcidas é bem conhecida – como no caso da Espanha, da Itália ou do próprio Brasil – recursos são direcionados de maneira concentrada aos chamados “trens pagadores”. Não é o caso da Inglaterra, onde por incrível que pareça os clubes não fazem a mais vaga ideia de quantos torcedores possuem. A Terra da Rainha apresenta a melhor repartição do dinheiro, com o Liverpool tendo recebido apenas 1,5 vez mais do que o Cardiff City. Na Alemanha, país em que estudos do gênero também não são comuns, o Bayern recebeu o dobro do Eintracht Braunschweig.

Ainda ontem divulgou-se o novo acordo envolvendo a Premier League e as televisões locais. A partir da próxima temporada, clubes ingleses passarão a receber algo em torno de 2,3 bilhões de euros por temporada, o que possivelmente não impactará no rateio proporcional entre si. O fato levou a ESPN a publicar comparações inapropriadas entre brasileiros e ingleses. Isto porque no Brasil os valores também aumentarão a partir da próxima temporada – algo negociado desde 2013. Por aqui também subiremos, com o novo ranking do televisionamento ficando assim:

Fig 03

E sim, é verdade: a concentração vai aumentar no Brasil, com os ricos recebendo 4,8 vezes mais do que os modestos.

Ainda assim, será menos que na Itália…

Um grande abraço e saudações!

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E se a Federação fizesse sua parte?

Após a intensa troca de acusações entre Flamengo, Fluminense e a Federação, eis que o Campeonato Carioca 2015 parece entrar em velocidade de cruzeiro. Não sem as devidas perdas de parte a parte: a FFERJ teve que acatar o preço dos ingressos acima do que gostaria, enquanto o Flamengo acusou a baixa de seu vice-presidente de marketing, Luiz Eduardo Baptista. Mas a polêmica está longe do fim, e agora responde pelo nível de receitas da Federação, incompatível com o prejuízo quase geral entre os participantes.

Em meio a 17 partidas deficitárias (total de 24), o cerne do criticismo se encontra nas taxas. Todos sabem (mas ninguém compreende o porquê) que a FFERJ cobra de seus filiados uma taxa de 10% sobre a bilheteria bruta nos jogos, enquanto a cobrança de praxe em outros estados é de 5%. Se a postura de “preço baixo a todo custo” soa paradoxal – uma vez que impacta sobre o próprio faturamento – a verdade é que taxas tão acima das demais fazem da Federação a líder em receitas do futebol carioca. Vejamos se não.

Com base nos boletins financeiros publicados no próprio site da FFERJ, o Blog Teoria dos Jogos preparou levantamento que mostra o tamanho do lucro/prejuízo de cada partida do Estadual do Rio. E mais: projetamos quais seriam os novos resultados financeiros caso a FFERJ cobrasse a taxa protocolar de 5% sobre o faturamento. O resultado é sintomático:

 

Foram consideradas apenas as contas “Taxa Ferj” dos borderôs
Clique para ampliar. Foram consideradas apenas as contas “Taxa Ferj” dos borderôs

Em primeiro lugar, é bom que se diga que os partidários de Rubens Lopes vem reduzindo a taxa cobrada ao longo do campeonato, ao ponto do percentual médio ficar em 9,69%. Ainda assim é quase o dobro do que deveria, sendo que o impacto desta apropriação não é desprezível. Se a taxa fosse de apenas 5%, a soma dos superávits do Carioca-2015 iria de R$ 300.884,10 para R$ 401.549,35 – um salto de consideráveis 33,4%.

Embora a tabela não apresente o rateio dos clubes em cada partida, fica claro que nenhum deles passa perto de ter arrecadado os R$ 193.042,00 da FFERJ nestas três primeiras rodadas. De fato, apenas o Flamengo jogou sempre no azul até aqui. No extremo oposto, o Vasco da Gama – mentor da política de preços baixos – até agora só chafurdou em prejuízos. Aliás, uma prova do quão pouco se capitaliza neste Carioca é justamente esta: a soma das vinte e quatro bilheterias atinge R$ 2.013.305,00, valor que não supera a receita do clássico entre Palmeiras x Corinthians, pelo Paulistão (R$ 2.646.893,75).

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O ranking do pay per view 2014

Apenas a título de registro, segue o novo ranking de assinantes do pay per view da Globosat, assim como o valor exato do rateio entre cada um dos 18 clubes de futebol relacionados. Os números foram publicados originalmente em matéria no site da ESPN.

Ranking PPV

Ranking PPV2

Muita gente ainda confunde a metodologia utilizada para se alcançar estes percentuais. Tratam-se de duas pesquisas, elaboradas respectivamente por Ibope e Datafolha, em meio à base de assinantes do futebol na TV por assinatura (algo em torno de 1,2 milhão de pacotes). Com elas em mãos, a Globo faz uma simples média aritmética, distribuindo os recursos arrecadados segundo o tamanho auferido de cada torcida.

Importante assinalar que esta estatística reflete primordialmente os resultados do ano anterior (2013), com a maior parte das novas assinaturas acontecendo ao início da temporada. Razão pela qual o Flamengo, novamente líder, apresentou o segundo maior crescimento absoluto (0,52 pontos percentuais) – atrás apenas do Cruzeiro (0,90 p.p). A Raposa impulsionou sua participação com base no título brasileiro de 2013, sendo ajudada pelo desânimo dos atleticanos após o vexame do Mundial Interclubes. Ainda assim, o resultado dos mineiros foi extraordinário, com Cruzeiro (8,2%) e Atlético (7,7%) sendo superados apenas por Flamengo (15,2%) e Corinthians (12,8%).

São Paulo e Vasco (ambos 6,7%) apresentaram quedas drásticas, sendo a vascaína mais justificada pelo rebaixamento consumado naquela temporada. Detentores da terceira e quinta maiores torcidas do Brasil, seus resultados (5º e 7º lugares) não fazem jus à grandeza das massas. Enquanto isto o Palmeiras (5,8%) já apresentava pequena escalada ao ultrapassar o Fluminense (5,8%). É de se imaginar qual será o resultado do alviverde em 2015, considerando a euforia da torcida neste promissor início de temporada.

A diferença do Grêmio (7,2%) para o Internacional (5,6%) é de certa forma proporcional à configuração de torcidas nos estados do Sul. Já o Botafogo (3,8%) decepcionou, apresentando queda mesmo com Seedorf (à época) e prestes a disputar uma Libertadores após 18 anos. O alvinegro, aliás, se vê ameaçado pela maior surpresa da lista: O Bahia (3,7%), que tirou ninguém menos que o Santos (3,5%) do top-12.

Um grande abraço e saudações!

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