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OPINIÃO: Da devastação ao auge em dois atos

 

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Os últimos dias reservaram para nós, brasileiros, uma sequência de tragédias e superações que nem de longe imaginaríamos enfrentar. Na madrugada de terça-feira, o impacto de um avião lotado de sonhos e esperanças ceifou a vida de um time de futebol inteiro, numa colina próxima a Medellín. Levando junto seu corpo técnico e diretivo, além de mais de 20 jornalistas, renomados e anônimos, experientes e iniciantes. No total, incluídos os tripulantes bolivianos (país de origem da aeronave), foram ceifadas 71 vidas.

Dos destroços, se fizeram o primeiro gigante: a Associação Chapecoense de Futebol. Agremiação de existência recente, não tanto quanto a guinada que levou à sua ascensão meteórica. A caminho da Colômbia, jogaria a primeira final continental de sua história. Mais: da história de Santa Catarina – denotando importância não apenas para uma cidade, hoje em destroços, como para toda a região. Ou mesmo para o país, simpáticos que sempre fomos ao “Verdão do Oeste”.

O desaparecimento da Chape, agora sem elenco para jogar, ironicamente fez dela o maior clube do planeta. Vide as homenagens mundo afora, vindas dos maiores ídolos, das principais equipes e suas ligas. A imprensa estrangeira, em linha com a nacional, passou a só falar da Chapecoense, vítima da pior tragédia da história de uma equipe esportiva.

Das lágrimas, um oceano de afeto. E desta solidariedade – que gerará ajuda financeira e imunidade competitiva aos guerreiros Condá – surgiram os maiorais. Únicos conseguirem a façanha de unir este universo de rancores e intolerâncias chamado futebol.

Pois não é que apenas dois dias depois, a devastação deu lugar ao auge? Sim, o auge. O auge da humanidade neste ano nefasto, marcado por tragédias, conflitos e maracutaias. Marcado por tanto deboche. O apogeu se deu pelas mãos colombianas, um país que se viu envolvido numa tragédia sem perder nenhum sequer dos seus. Mas que se dedicou sobremaneira ao resgate e tratamento das vítimas. O auge se deu também através das mãos da torcida do Atlético Nacional de Medellín – representando e representado por todo o povo colombiano. Responsáveis que foram pelo mais emocionante tributo já prestado ao Brasil em 516 anos de existência.

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A homenagem aconteceu no estádio Atanasio Girardot, no exato momento em que aconteceria a primeira partida da final da Copa Sulamericana entre Atlético e Chapecoense. Uma quantidade fenomenal de pessoas lotou não somente as arquibancadas como as avenidas no seu entorno. Todas de branco, orando e cantando a Chapecoense. Prestando louvor aos que se foram. E exaltando o Brasil – sim, o Brasil. Tido por eles como espelho e referência em muitos dos inúmeros discursos emocionados.

Deste espetáculo de amor e compaixão, fez-se o segundo maior time do mundo: o Atlético Nacional de Medellín, coincidentemente verde como os nossos. E desde então, ocupante de um espacinho no coração de milhões de brasileiros que jamais imaginariam ser confortados assim, de maneira tão genuína e espontânea.

A partir de agora, os dois gigantes seguem caminhos opostos: o Atlético, rumo ao topo, ao Mundial de Clubes – campeão da Libertadores que é. Já a Chape, a caminho de uma reconstrução que pode e deve ser assumida por cada um de nós. Em comum a ambos, uma ligação, agora visceral, umbilical. E eterna.

Se formos inteligentes, extrairemos destes episódios lições das mais valiosas. A cumplicidade, o amparo e o respeito, renegando rixas, rancores e toda sorte de violências. Ainda que haja uma Floresta Amazônica separando a si dos coirmãos. Nobres ensinamentos dos nossos inesquecíveis amigos colombianos.

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O Mapa do Televisionamento dos Estaduais 2016

Alguns anos após introduzir este conceito no cenário econômico e futebolístico, o Blog Teoria dos Jogos retoma seu mapa do televisionamento do estaduais, versão 2016. Trata-se de um levantamento acerca dos estaduais que são veiculados, detalhando para onde e qual percentual do PIB e da população cada um está exposto. Os números se referem apenas à TV aberta e à divisão de praças da Globo, detentora dos direitos de transmissão. A Bandeirantes, emissora licenciada, obedece às regras impostas por aquela, gerando um alinhamento na maioria dos estados.

Antes de trazermos os números, alguns esclarecimentos se fazem necessários. Estamos diante de um levantamento que foi “facilitado” ao longo dos anos, dada a simplificação na distribuição dos estaduais. Anteriormente, praças que não possuíam certames próprios se dividiam entre os do Rio e de São Paulo – com larga vantagem para os primeiros. Nos últimos anos, o Paulistão deixou de ser veiculado para lugares como Tocantins (que se voltou ao Rio), Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (estaduais próprios).

Mas as baixas não são exclusividade do Campeonato Paulista. A última “dissidência” verificada se deu em Alagoas, há dois anos, quando o Campeonato Alagoano passou a ser assistido em detrimento do Carioca. Também ocorrem exceções, como no fim de semana em que a Globo Brasília optou por receber o sinal de São Paulo. Ainda assim, a hegemonia do Rio é incomparável: enquanto quinze unidades federativas alinham consigo, o Paulista hoje é visto apenas em seu estado de origem. Equiparando-o a outros onze torneios: Mineiro, Baiano, Gaúcho, Paranaense, Pernambucano, Cearense, Catarinense, Goiano, Alagoano, Mato-Grossense e Sul Mato-Grossense.

Feitas as ressalvas, vamos aos números:

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Tamanha difusão torna natural a preponderância do Campeonato Carioca Brasil adentro. Somados, os quinze estados que o assistem representam 29,61% da população nacional. Exposto para 44 milhões de pessoas, o Paulistão possui abrangência de 21,72%. Mas o poderio econômico faz com que a balança se reverta a favor de São Paulo sob a ótica do PIB. Semanalmente, as marcas de Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos são divulgadas para o equivalente a 32,13% do Produto Interno Bruto. Os 60 milhões de brasileiros voltados aos times do Rio representam 27,14% da economia brasileira.

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Numa comparação entre os dois principais estaduais, percebemos o Paulista com potencial de renda 18% superior ao Carioca. No entanto, há uma semana expusemos que a diferença que a Globo paga por ambos é muito superior. Estima-se que nas negociações pelo Carioca-2017, Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo possam auferir entre R$ 11 milhões e R$ 12 milhões cada um. O que faria o quarteto carioca assistir aos paulistas embolsarem no mínimo 40% a mais.

Ainda em termos comparativos, viajemos à era pré-Teoria dos Jogos.  Em 2011, descobrimos que este blogueiro já compilara um mapa do televisionamento, publicando-o no blog Olhar Crônico Esportivo, do amigo Emerson Gonçalves. Naquele tempo, o Carioca era veiculado para 30,6% da população (0,99 ponto percentual a mais do que hoje) e 26,97% do PIB. Ou seja, ainda que marginalmente, pode-se dizer que o Estadual do Rio cresceu 0,17 p.p em valor – o que não corre com o Paulista. Nestes cinco anos, os clubes de São Paulo verificaram queda de 3,51 p.p na população e 4,23 p.p no PIB para o qual se expõem. Tratam-se de reduções acentuadas.

Após São Paulo e Rio, a ordem dos estaduais sob a ótica do PIB nos brinda com os Campeonatos Mineiro (9,16%), Paranaense (6,26%), Gaúcho (6,23%), Catarinense (4,03%) e Baiano (3,84%).

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Análise : O Mapa das Curtidas – SC e PR

Prosseguindo a série de análises com relação ao “Mapa das Curtidas do Facebook” – uma parceria da rede social com o Globoesporte.com – é a vez de subirmos um pouco. Após detalhar o nada diversificado perfil das preferências no Rio Grande do Sul, é a vez de nos atermos aos estados de torcida mais plural do Brasil: Santa Catarina e Paraná.

Em nosso país, uma das principais características das preferências clubísticas é a dicotomia entre capital e interior. Com exceção de Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul – além de estados do Norte e Nordeste dominados por forasteiros – são muitos os exemplos de rivalidades entre torcidas que perdem força à medida com que se afastam de suas zonas de influência. Neste sentido, três lugares chamam atenção: Por ordem de “pluralidade”, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Os dois primeiros podem ser vistos na imagem abaixo:

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Uma característica comum entre ambos é o predomínio de times da capital num limitado perímetro que vai pouco além da região metropolitana. A região central é dominada por paulistas no Paraná (Flamengo depois) e Flamengo em Santa Catarina (paulistas e Vasco em seguida). Já o oeste catarinense e paranaense são de predomínio gaúcho, com supremacia de Grêmio e Internacional.

Mas o perfil de Santa Catarina vai além, muito pela quantidade e força dos times locais. Começando pelos do interior:

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Para surpresa geral, a Chapecoense é, de longe, o clube com difusão mais avançada de Santa Catarina. Mesmo que o “Mapa” seja focado em redes sociais e potencialize simpatias, a verdade é que a zona de influência do Verdão do Oeste se espalha por uma área pouco comum em se tratando daquele estado. O clube está entre os quatro mais curtidos em nada menos que 246 localidades. Consegue ainda uma proeza quase inimaginável: influenciar pequenos municípios gaúchos limítrofes a Chapecó.

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Já a difusão dos outros rivais do interior é mais restrita a municípios-sede e entorno, sem se espalharem tanto pela região em si. Ainda que nas cidades-natal, Joinville e Criciúma, superem a Chapecoense em percentual de curtidas (38,6%, 46,6% e 37,3%, respectivamente). O JEC angaria uma das quatro primeiras posições em apenas 12 municípios, enquanto o Tigre o faz em 48.

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As coisas não são muito melhores para os times da capital. Inseridos numa grande região de influência flamenguista, Figueirense e Avaí só conseguem leve supremacia na zona de menos de um milhão de habitantes que circunda Florianópolis. Neste raio, a supremacia do Figueira é evidente – confirmando a histórica evidência do “time do continente” que relega a identificação avaiana à pouco populosa ilha. O Figueirense detém preferência em 15 municípios, trazendo o Avaí na segunda posição em 14 deles.

Quanto aos times de fora, eis o mapa de calor:

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Trata-se de um perfil bastante semelhante ao da pesquisa científica publicada pelo Blog Teoria dos Jogos ainda em seus tempos de Globoesporte.com. O Flamengo domina a maioria do estado, sendo segundo em cidades corintianas ou gremistas. Fica em terceiro no entorno de Florianópolis, em quarto no extremo sul e em sexto na região oeste, onde o predomínio é do Grêmio e depois do Internacional.

Parte da divisa entre SC e RS verifica notável crescimento do Corinthians – terceiro por ali e segundo nas regiões centrais. O Vasco cresce nas cercanias de Tubarão e Rio do Sul, ficando entre o segundo e o terceiro posto. Já o São Paulo fica em terceiro ou quarto nas regiões norte e central. Palmeiras e Santos surgem com representação residual nos limites com o Paraná.

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Perto do estado vizinho, a atmosfera paranaense soa menos difusa, ainda que se trate de um dos representantes da pluralidade anteriormente debatida. Pelo Facebook, o Paraná é uma mancha corintiana, com contornos atleticanos na capital e gremistas no oeste. Esporádicas maiorias flamenguistas finalizam uma pintura que, comparada aos resultados científicos, traria dificuldades na distinção entre original e cópia.

A superioridade do Atlético-PR se dá ao longo do um perímetro maior do que o Coritiba: o Furacão é um dos quatro mais curtidos em 43 municípios, frente aos 28 do Coxa. Sendo que o alviverde não lidera em nenhum, derrotado pelo Corinthians em plena cidade de Curitiba – possível distorção da apuração via rede social. Se é assim com o Coxa, sabido detentor de boa torcida, imaginem com o Paraná Clube? Sua melhor posição é um irrisório 4º lugar em Bocaiúva do Sul.

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As verdadeiras donas do Paraná são as torcidas de São Paulo. Como já foi dito, o Corinthians é líder absoluto em todas as regiões onde Atlético-PR ou Grêmio não aprontam. Com vantagem tricolor, São Paulo e Palmeiras vem a reboque – ainda que a quantidade de lugares onde o Palmeiras é vice não seja desprezível, incluindo cidades como Umuarama e Apucarana. Há espaço até para o Santos: segundo em duas cidades (Jardim Alegre e Nova Aurora) e terceiro em outras tantas. Oeste e Sudoeste são divididos por Grêmio e Internacional, finalizando uma zona de influência que só volta a ter relevância em rincões agrários do Centro Oeste. De qualquer maneira, pode-se dizer que em termos de torcidas, o Paraná seria quase um quintal do estado de São Paulo.

Sim, “quase”. Em meio a paulistas, gaúchos e paranaenses, surge a exceção de sempre: o Flamengo. Por lá, o se faz presente como segundo mais curtido em muitos municípios próximos à divisa com Santa Catarina (destaque para Guarapuava e Ponta Grossa). Tem mais: em Rio Negro, Campo do Tenente e Paranaguá (litoral), é o rubro-negro quem dá as cartas, liderando em curtidas. Nada disso em companhia do Vasco: ao contrário do que ocorre em Santa Catarina, cruzmaltinos praticamente inexistem no Paraná.

Um grande abraço e saudações!

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Análise: o Mapa das Curtidas – RS e times gaúchos

Conforme prometido, o Blog Teoria dos Jogos inicia agora sua análise com relação aos números do “Mapa das Curtidas do Facebook”, iniciativa bem sucedida do Globoesporte.com em parceria com a rede social de maior sucesso no mundo. Com robusta amostragem, o Mapa faz justiça ao verificado em diversas regiões do país. Assim, começaremos pela configuração de torcidas no Rio Grande do Sul e dos times gaúchos – Grêmio e Internacional.

Novamente, é preciso deixar claro que o mapeamento não é uma pesquisa. O enfoque em jovens e pessoas conectadas gera vieses consideráveis – apenas 25% dos usuários do Facebook tem mais de 35 anos, faixa de abrange 41% da população brasileira. No mais, distorções se fazem presentes pelo fato de alguns clubes trabalharem melhor suas mídias sócias, estando “alguns passos” à frente da concorrência.

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Dito isto, vamos lá:

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O aparente massacre gremista foi motivo de festa no lado azul do Rio Grande. Por lá, deu Grêmio em nada menos de 481 dos 497 municípios – meros 16 tiveram maioria colorada. Mas se muitas cidades “vermelhas” são de pequeno porte, o Inter teve consigo o trunfo da maioria em plena Porto Alegre (13% da população gaúcha). Mais: segundo levantamento feito por Alexandre Perin, do site Almanaque Esportivo, o equilíbrio nos 20 municípios mais populosos do estado (48% da população) foi tão grande que fica difícil acreditar como o Grêmio conseguiu primazia em 18 deles. Em muitos casos – como os de Canoas e Alvorada – as diferenças não passavam de um ou dois décimos. No total, gremistas (40,7% das curtidas) e colorados (39,4%) terminam em flagrante equilíbrio.

Fig 02

A conhecida intransponibilidade do Rio Grande do Sul com relação a torcidas forasteiras se faz presente: praticamente nenhum outro clube cria “manchas” no mapa de calor do estado. O que não significa que inexistam. Além do Corinthians – maior torcida estrangeira entre os gaúchos do Facebook – Flamengo e Santos se fazem representados em cidades ou regiões. Corintianos estão presentes na fronteira com Santa Catarina e em Vera Cruz, região central, onde marcam nada menos que 7,2%. Existem flamenguistas no entorno de Bento Gonçalves e Caxias do Sul, além da cidade de Rio Grande, onde são 4,6%. E há um curioso bunker santista na região fronteiriça de Santana do Livramento, onde o Peixe é terceiro colocado com 5,1% dos cliques. Três e meio por cento da torcida de Vera Cruz se disse adepta do Bahia, enquanto 3,1% alinham com o Criciúma no balneário de Torres.

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Tanto Grêmio quanto Internacional receberam curtidas em 99,8% dos municípios brasileiros. Tricolores estão entre as quatro maiores torcidas em 14,1% dos municípios, contra 12,4% dos colorados. Das cinquenta cidades que mais os curtem, todas se encontram no Rio Grande do Sul.

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Ao contrário de rivalidades que veremos mais adiante, o mapa de calor da dupla GreNal denota que suas torcidas se encontram rigorosamente nos mesmos lugares. Além do estado de origem, gremistas e colorados dominam todas as divisas com Santa Catarina, bem como o oeste paranaense. Em terras catarinenses, a luta é contra a Chapecoense (no oeste) e o Criciúma (no Sul), sempre com forte presença de Corinthians e Flamengo. Já no Paraná, a rivalidade é contra as duas maiores torcidas do Brasil e o São Paulo.

Fora do Sul, Inter e Grêmio surgem fortes em colônias agrícolas espalhadas pelo Centro Oeste. Por serem quase todas pequenas, acabam influindo pouco na configuração de estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Além destes, existe uma improvável colônia na cidade de “Chapada Gaúcha”, em pleno norte de Minas Gerais. Por lá, tricolores angariam 5,7% das curtidas contra 5,3% de colorados.

Um grande abraço e saudações!

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O ranking dos patrocínios – Série A 2015 (Em valores mensais)

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Um dia após a eclosão do maior escândalo de corrupção da história da FIFA, o Blog Teoria dos Jogos traz a público seu costumeiro foco naquilo que deveria ser considerado o lado sério do futebol. Negócios precisam envolver pessoas responsáveis, bem intencionadas e por que não dizer, dotadas de vergonha na cara. Interesses escusos que recheiam contas bancárias de gatunos e aproveitadores devem ter o destino que o FBI parece reservar aos dirigentes envolvidos no episódio: a cadeia.

Dito isto, vamos ao que interessa. Após uma incessante apuração, apresentamos um dos levantamentos mais importantes no tocante à geração de caixa: o ranking de patrocínios às camisas dos clubes da Série A. Mas sob uma nova ótica. Por conta da diferença na duração dos contratos, o cálculo se refere ao valor mensal auferido por cada participante. Isto porque, capitaneados por uma nova política da Caixa, alguns contratos se encerrarão ao final de 2015, não sendo mais anualizados.

Importante deixar claro que as tabelas abaixo passam longe de qualquer verdade absoluta. Tratam-se de valores divulgados na mídia à época da celebração dos contratos, com algumas apurações do Blog entre fontes ligadas aos clubes. Em alguns casos, foram ainda utilizadas projeções, estimativas de mercado ou extrações dos balanços dos clubes. Decerto um trabalho exaustivo, até por se referir a questões rodeadas de sigilo e cláusulas de confidencialidade.

Eis, portanto, o ordenamento dos maiores patrocínios do Brasil em valores mensalizados:

1) Flamengo – R$ 4,8 milhões

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Embora não seja o líder quanto ao valor total dos contratos, é o Flamengo que fica na liderança sob a ótica dos aportes mensais de patrocínios. Isto porque, embora Caixa e Jeep tenham fechado parcerias relativamente curtas (sete meses, até o fim de 2015), os repasses representam o que há de mais alto em valores de mercado. A menor duração dos mesmos só será um problema caso as negociações de renovação falhem ou novas empresas não se interessem em substituí-las de imediato.

2) Palmeiras – R$ 4,08 milhões

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A situação do Palmeiras é um pouco diferente do Fla: sem problemas quanto à duração dos muitos patrocínios, pertence ao alviverde a maior soma do valor dos patrocínios. Mas, por se dissiparem ao longo de doze meses, os repasses mensais acabam ficando abaixo do rival carioca. O Palmeiras é também quem loteia o maior número de propriedades em seu uniforme, com interessantes revezamentos entre as marcas (algumas de um mesmo conglomerado).

3) Corinthians – R$ 3,2 milhões

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Da contratação de Ronaldo Fenômeno ao advento de sua “era de ouro”, por anos o Corinthians se habituou a ocupar a liderança de rankings do gênero. Mas a realidade agora é outra: o clube do Parque São Jorge se vê preocupantemente na dependência de um único contrato – em termos absolutos ainda o maior do país (Caixa). De positivo, o casamento recém celebrado com o aplicativo 99Táxis, novo “menino dos olhos” do mercado publicitário.

4) Vasco da Gama – R$ 3,06 milhões

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Eurico Miranda tem muitos, muitos defeitos. Um deles é transformar o Vasco numa caixa preta sem nenhuma transparência – o que faz de todo número envolvendo o clube uma enorme fonte de especulação. Aqui não foi diferente. Mas pelo visto os vascaínos não podem reclamar da capacidade de prospecção de negócios da atual administração. Com Caixa, Viton 44 e Tim, o cruzmaltino galgou a um imponente quarto lugar no ranking de patrocínios.

5) Atlético-MG – R$ 2,19 milhões

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Contactamos o Atlético de maneira inócua. Neste departamento, o Galo é muito como o Vasco: executivos não autorizados a divulgarem absolutamente nenhuma importância que envolva o clube. Isto faz com que a única referência sejam especulações de mídias nem sempre especializadas. É o caso da parceria com a Tenco Engenharia, presumida pelo Blog como R$ 900 mil anuais embora muitos veículos tenham noticiado R$ 900 mil mensais – impossível, em se tratando do valor da propriedade em questão. Também não foi possível confirmar os valores repassados pela Tim, decerto entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões anuais. Não mudariam, entretanto, a posição do Galo neste ordenamento. Em tempo: é no uniforme alvinegro que se verifica a maior variedade de marcas de diferentes conglomerados.

6) Grêmio e Internacional – R$ 1,85 milhões

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Diferenças de valores não são admitidas no excêntrico mercado publicitário gaúcho. Grêmio e Internacional angariam absolutamente os mesmos valores de Banrisul, Tramontina, Unimed e Tim. Os três últimos não pagam exatamente igual, sendo estimativas apuradas pelo Blog com base no somatório de seus repasses.

8) Fluminense – R$ 1,5 milhões

9) Coritiba – R$ 683 mil

10) Atlético-PR – R$ 583 mil

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O oitavo posto é ocupado por um Fluminense ainda em estágio de adaptação à sua nova realidade. Por anos, os tricolores usufruíram de uma espécie de mecenato da Unimed, auferindo valores totalmente desconectados da realidade do mercado. Isto acabou, e o Flu até que se saiu bem repondo rápido os espaços que ficaram vagos. De qualquer maneira, a diferença hoje se faz gritante: o clube fatura o equivalente à metade do Vasco e um terço do Flamengo.

Completando o top-10, temos a dupla Atletiba. Equiparada em valor por Caixa e Tim, os rivais de Curitiba veem a balança pender para o Alto da Glória no número e no valor pago pelos demais anunciantes. A Pro Tork, inclusive, é uma das únicas a admitirem via site oficial quanto pagam por sua propriedade. Trata-se da empresa que investiu R$ 16,6 milhões na construção de três anéis de camarotes, lanchonetes e lounges do estádio Couto Pereira.

11) Chapecoense – R$ 533 mil

12) Joinville – R$ 520 mil

13) Sport – R$ 500 mil

14) Figueirense – R$ 375 mil

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Com exceção do Joinville, temos aqui uma sequência de clubes patrocinados pela Caixa (algo que facilita a apuração) e que muito provavelmente se adequarão à nova política de renovação de patrocínios da estatal. Não foi possível apurar os valores pagos pela 99Táxis ao Sport e por Taschibra/Liderança ao Figueirense, o que pode gerar modificações no ordenamento.

15) Santos – R$ 375 mil

Fig 09

O 15º posto é surpreendente – embora não mais do que o que está por vir. Com apenas um remanescente dos áureos tempos, o Santos sofre com o sumiço de anunciantes desde a saída de Neymar em 2013. Pelas boas atuações coroadas com o título, durante o Paulista foram muitas as parcerias pontuais. Mas relações estáveis andam difíceis para os lados da Vila Belmiro.

16) Avaí – No mínimo R$ 321 mil

17) Goiás – No mínimo R$ 241 mil

18) Ponte Preta – No mínimo R$ 237 mil

Fig 10

Não foi possível apurar o montante repassado aos clubes acima, de modo que as estimativas se baseiam na conta de “patrocínios” das respectivas demonstrações financeiras.

19) Cruzeiro – R$ 200 mil

20) São Paulo – zero

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O gran finale da coluna traz dois gigantes em situação de dificuldade. O Cruzeiro, nada menos que atual bi-campeão brasileiro, já deixou de arrecadar cerca de R$ 5 milhões com a falta de patrocinadores no uniforme (valores atualizados). Como alento, a venda de camisas vem explodindo pela beleza do azul celeste livre de logotipos alienígenas. A expectativa do clube é fechar os seis primeiros meses com 190 mil camisas vendidas, número próximo das 220 mil vendas contabilizadas em todo o ano passado.

Já o São Paulo até vem fechando patrocínios, mas de outras naturezas. Gatorade e Copa Airlines se uniram ao clube em 2015 para ações de relacionamento, publicidade e mídias digitais – um excelente mercado a ser explorado.  Mas não caíram bem os dois jogos de exposição da companhia aérea no uniforme durante a Libertadores. Ainda que venha tentando diversificar seu portfolio, a verdade é que desde que passou a conviver com a falta de anunciantes, atrasos salariais no Tricolor Paulista também se tornaram notícia.

Lembrando que os valores aqui expostos são passíveis de modificação, sendo o Blog Teoria dos Jogos um espaço aberto caso clubes queiram contactá-lo para maiores esclarecimentos.

Um grande abraço e saudações!

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Distorções na Tabela do Brasileirão – versão 2014/2015

Há dois anos o Blog Teoria dos Jogos lançou o alerta: alguns integrantes da Série A podiam ser prejudicados ao verem suas partidas como mandantes muito concentradas nos piores dias, contrastando com a realidade dos rivais. A análise de 2013 – cujo título era o mesmo desta coluna – repercutiu bastante. Fontes próximas ao Blog atestaram a atuação de grandes clubes nos bastidores (junto à CBF), visando influir nas tabelas dos torneios subsequentes.

De lá pra cá muita coisa mudou? É o que analisaremos.

Inicialmente, faz-se necessário esclarecer uma interessante característica da audiência esportiva no Brasil: enquanto o futebol tem mais público pela TV nos dias úteis, aumenta o público nos estádios em fins de semana. Trata-se de algo facilmente verificável com base nas audiências divulgadas semanalmente pelo Blog Teoria dos Jogos no Twitter, bem como estabelecendo um recorte das médias de público do Campeonato Brasileiro.

Média geral de público – Brasileirão-2014:

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Média de público – fins de semana (BR-2014):

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Média de público – dias de semana (dias úteis – BR-2014):

Fig 03

O Blog Teoria dos Jogos agradece e credita o levantamento das informações (assim como a elaboração das tabelas) a Minwer Daqawiya, publicitário e colaborador do site Grêmio Libertador.

Parece óbvio o benefício financeiro (em termos de maiores bilheterias) dado aos que jogaram mais em casa nos fins de semana. Considerando que 27 das 38 rodadas se deram aos sábados e domingos, temos como padrão o percentual de 71%. Equipes que tiverem atuado menos do que isto aos fins de semana aparecem marcadas em tons de vermelho e amarelo –  eis os prejudicados. Em direção oposta, marcamos os beneficiados em tons de verde. Segue a distribuição:

Fig 04

Na comparação com o ano retrasado, percebe-se que o Corinthians, maior beneficiado à época (84%) teve seus jogos realocados, passando à condição de prejudicado. Em 2014 os paulistas apresentaram percentual de 63%, melhor apenas que os 58% do Coritiba. No outro extremo, Atlético-PR (89%), Atlético-MG e Internacional (84%) gozaram do benefício das bilheterias em níveis superiores aos demais.

A análise também pode se estender ao Brasileirão 2015, com a limitação de que a tabela só foi totalmente aberta até a 10ª rodada:

Fig 05

A parcialidade enviesa a análise. Até a 10ª rodada, alguns terão feitos apenas quatro jogos em casa, frente a outros com até seis. De qualquer maneira, Coritiba, Flamengo, Goiás, Internacional, Ponte Preta e Santos largam na frente, com todos os seus jogos em casa nos fins de semana. Já o Fluminense fará apenas metade deles no Maracanã.

Mediante as vinte diferentes realidades da Série A, soa impossível administrar tabelas de modo a igualar o percentual de todos. Mas ao trazer a público comparações intertemporais, o Blog Teoria dos Jogos monitora a existência ou não de benefícios/prejuízos sistemáticos para este ou aquele. Por ora, as distorções não parecem tão relevantes.

Um grande abraço e saudações!

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