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A Pesquisa da Vez: capitais brasileiras (SPC/CNDL) – EXCLUSIVO

No início da tarde de hoje, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram uma estudo sobre os hábitos de consumo dos torcedores no Brasil. Por se tratarem de instituições relacionadas ao crédito e adimplemento, o foco da pesquisa recaiu sobre questões orçamentárias, como capacidade de pagamento e gastos excessivos com produtos e serviços relacionados ao futebol. Maiores detalhes sobre a pesquisa podem ser vistos no site da SPC Brasil (clique aqui).

Sendo um questionário aplicado nas 27 capitais brasileiras, o estudo veio naturalmente acompanhado de uma pesquisa de torcidas. Assim, o Blog Teoria dos Jogos entrou em contato com o SPC Brasil e teve acesso aos números de maneira exclusiva. No entanto, muitos esclarecimentos se fazem necessários.

Em primeiro lugar, não se trata de uma pesquisa nacional, já que as entrevistas se concentraram tão somente nas 27 capitais brasileiras, e com amostra bastante limitada: 620 torcedores. Além disso, por ter focado o universo de torcedores (e não o universo populacional), o “Nenhum” (pessoas sem time) foi descartado, fazendo com que o percentual de cada torcida subisse. Só que o mais importante é que a pesquisa não seguiu proporcionalidades primordiais. Isto que significa que 63% dos respondentes foram homens, mesmo numa sociedade de maioria feminina. Em termos geográficos, entrevistou-se um número muito maior de cariocas (16,6%) do que paulistanos (20,1%) proporcionalmente, levando a uma superestimação dos números atrelados aos times do Rio. Depois das duas maiores metrópoles vieram Salvador (8,3%), Porto Alegre (6,8%), Curitiba (6,1%), Fortaleza (5,6%), Recife (5,4%), Belo Horizonte (4,2%) e Manaus (4%).

Todas as limitações abordadas acima não inviabilizam este estudo de abordagem criativa e diferenciada. A questão é que, mais do que nunca, a pesquisa SPC/CNDL reflete tão somente o perfil de sua amostra. Por conta disto, o Blog Teoria dos Jogos optou por expor seus resultados sem proceder maiores análises sobre os recortes de gênero, idade, renda e fanatismo. Convidamos, portanto, nossos leitores a fazê-lo.

Seguem os números:

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O Mapa do Televisionamento dos Estaduais 2016

Alguns anos após introduzir este conceito no cenário econômico e futebolístico, o Blog Teoria dos Jogos retoma seu mapa do televisionamento do estaduais, versão 2016. Trata-se de um levantamento acerca dos estaduais que são veiculados, detalhando para onde e qual percentual do PIB e da população cada um está exposto. Os números se referem apenas à TV aberta e à divisão de praças da Globo, detentora dos direitos de transmissão. A Bandeirantes, emissora licenciada, obedece às regras impostas por aquela, gerando um alinhamento na maioria dos estados.

Antes de trazermos os números, alguns esclarecimentos se fazem necessários. Estamos diante de um levantamento que foi “facilitado” ao longo dos anos, dada a simplificação na distribuição dos estaduais. Anteriormente, praças que não possuíam certames próprios se dividiam entre os do Rio e de São Paulo – com larga vantagem para os primeiros. Nos últimos anos, o Paulistão deixou de ser veiculado para lugares como Tocantins (que se voltou ao Rio), Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (estaduais próprios).

Mas as baixas não são exclusividade do Campeonato Paulista. A última “dissidência” verificada se deu em Alagoas, há dois anos, quando o Campeonato Alagoano passou a ser assistido em detrimento do Carioca. Também ocorrem exceções, como no fim de semana em que a Globo Brasília optou por receber o sinal de São Paulo. Ainda assim, a hegemonia do Rio é incomparável: enquanto quinze unidades federativas alinham consigo, o Paulista hoje é visto apenas em seu estado de origem. Equiparando-o a outros onze torneios: Mineiro, Baiano, Gaúcho, Paranaense, Pernambucano, Cearense, Catarinense, Goiano, Alagoano, Mato-Grossense e Sul Mato-Grossense.

Feitas as ressalvas, vamos aos números:

Fig 01

 

Fig 02

Tamanha difusão torna natural a preponderância do Campeonato Carioca Brasil adentro. Somados, os quinze estados que o assistem representam 29,61% da população nacional. Exposto para 44 milhões de pessoas, o Paulistão possui abrangência de 21,72%. Mas o poderio econômico faz com que a balança se reverta a favor de São Paulo sob a ótica do PIB. Semanalmente, as marcas de Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos são divulgadas para o equivalente a 32,13% do Produto Interno Bruto. Os 60 milhões de brasileiros voltados aos times do Rio representam 27,14% da economia brasileira.

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Numa comparação entre os dois principais estaduais, percebemos o Paulista com potencial de renda 18% superior ao Carioca. No entanto, há uma semana expusemos que a diferença que a Globo paga por ambos é muito superior. Estima-se que nas negociações pelo Carioca-2017, Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo possam auferir entre R$ 11 milhões e R$ 12 milhões cada um. O que faria o quarteto carioca assistir aos paulistas embolsarem no mínimo 40% a mais.

Ainda em termos comparativos, viajemos à era pré-Teoria dos Jogos.  Em 2011, descobrimos que este blogueiro já compilara um mapa do televisionamento, publicando-o no blog Olhar Crônico Esportivo, do amigo Emerson Gonçalves. Naquele tempo, o Carioca era veiculado para 30,6% da população (0,99 ponto percentual a mais do que hoje) e 26,97% do PIB. Ou seja, ainda que marginalmente, pode-se dizer que o Estadual do Rio cresceu 0,17 p.p em valor – o que não corre com o Paulista. Nestes cinco anos, os clubes de São Paulo verificaram queda de 3,51 p.p na população e 4,23 p.p no PIB para o qual se expõem. Tratam-se de reduções acentuadas.

Após São Paulo e Rio, a ordem dos estaduais sob a ótica do PIB nos brinda com os Campeonatos Mineiro (9,16%), Paranaense (6,26%), Gaúcho (6,23%), Catarinense (4,03%) e Baiano (3,84%).

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O faroeste envolvendo a Globo e o Esporte Interativo

Fig 01

Todos sabem que a Globo é a maior rede de televisão do Brasil e uma das maiores do mundo. Primando por excelência, além de dominar o entretenimento e o jornalismo, sempre coube a ela ditar as regras no tocante ao televisionamento do futebol. Simplesmente porque nunca teve concorrentes à altura, econômica ou estruturalmente, para sentir-se ameaçada em seu reinado. Assim, esteve nas mãos da Globo a transmissão e exploração do futebol brasileiro em suas diferentes mídias: TV aberta, fechada, pay per view, mobile e internet.

Já o Esporte Interativo é de conhecimento mais recente. Pequeno canal esportivo fundado no Rio de Janeiro, demorou para entrar nas TVs por assinatura pela falta de envergadura ao encarar operadoras, Globosat e os titãs da concorrência (Fox Sports e ESPN) – todos conglomerados internacionais. Clube ao qual adentrou há pouco mais de um ano, ao ser adquirido pela Turner, proprietária das redes CNN, TNT, Cartoon Network, Boomerang e outros.

O Esporte Interativo ficou grande. E passou a encarar a Globo naquilo que ela mais preza. Sendo exclusivamente um canal fechado, ofereceu um caminhão de dinheiro aos clubes pela propriedade. Prometendo rateio à inglesa, citação de naming rights e maior flexibilidade de horários.

A negociação deu errado diante dos clubes de maior torcida: Corinthians, São Paulo, Vasco, Botafogo, Cruzeiro e Atlético-MG fecharam ou tendem a fechar com a Globo. Por outro lado, seduziu Santos, Atlético-PR, Coritiba, Internacional e Bahia. Outros podem vir, aumentando o inédito rompimento da exclusividade global, ao menos no tocante a este ambiente em específico.

O problema é que o embate passou a ser enxergado por boa parte da opinião pública e da mídia “especializada” como um bang-bang. Aqueles antigos filmes de faroeste que opõem claramente o bandido opressor ao mocinho redentor. Clara e respectivamente representados pela vilã Globo e o herói Esporte Interativo.

Não é por aí. Nem um pouco.

Se é correto o conceito de “monopolista” aplicado à Globo nas últimas décadas, ele o seria com base nos princípios schumpeterianos do termo. A emissora foi simplesmente a vencedora, tendo sua primazia construída com base no mérito, em anos de parceria e ótimos serviços prestados. E, sim, nos preceitos de livre mercado! Afinal, na hora H, os concorrentes nunca sustentam a postura inicial de confrontamento a ela.

Tudo, evidentemente, apesar dos pesares. Dos interesses que envolvem as Organizações Globo. Da intransigência em seus princípios comerciais, no engessamento da programação ou nas exageradas exigências quanto à postura “chapa branca” de seus profissionais. Ninguém está aqui para defendê-la.

Ainda assim, não temos uma vilã, mas uma renomada empresa líder de mercado. E até por isto, com muito poder de barganha, condição que todo entrante pequeno e desprestigiado almeja alcançar.

Por outro lado, o Esporte Interativo surge como um sopro de renovação. Injetando recursos – ou fazendo com que a Globo o faça, ao suas cobrir propostas – oferece coisas novas e bacanas. Mas não se enganem, todos aqui possuem interesses e proibições, regra que passa longe de não se aplicar ao canal. Conflitos entre fornecedores e clientes, afinal, sempre transparecem – mas só quando a relação está consumada. Apelar para o emocional ou vender-se como uma espécie incompreendida de Robin Hood não faz o feitio da Time Warner, controladora da Turner. Que nos EUA, de boba nunca teve nada.

Cabe a nós aguardarmos as cenas dos próximos capítulos, na certeza de que a dicotomia já está estabelecida – dado o fechamento de contratos com ambas as emissoras. Aguardemos ainda as futuras rodadas de negociação pelo mais desejado filão, o do televisionamento aberto, que não contará com o Esporte Interativo. Nem por isto são aceitáveis as acusações de fragilização dos clubes perante a futura rodada de conversações. Ninguém sabe como estará o mercado daqui a um ou dois anos.

No mais, entrantes sempre poderão suplantar a Globo – vide a Fox Sports, com os direitos da Copa Libertadores. Basta oferecer mais, oferecer melhor. E convencer os clubes da pertinência da migração. Alguém falou que seria fácil?

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Análise : O Mapa das Curtidas – SC e PR

Prosseguindo a série de análises com relação ao “Mapa das Curtidas do Facebook” – uma parceria da rede social com o Globoesporte.com – é a vez de subirmos um pouco. Após detalhar o nada diversificado perfil das preferências no Rio Grande do Sul, é a vez de nos atermos aos estados de torcida mais plural do Brasil: Santa Catarina e Paraná.

Em nosso país, uma das principais características das preferências clubísticas é a dicotomia entre capital e interior. Com exceção de Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul – além de estados do Norte e Nordeste dominados por forasteiros – são muitos os exemplos de rivalidades entre torcidas que perdem força à medida com que se afastam de suas zonas de influência. Neste sentido, três lugares chamam atenção: Por ordem de “pluralidade”, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Os dois primeiros podem ser vistos na imagem abaixo:

Fig 01

Uma característica comum entre ambos é o predomínio de times da capital num limitado perímetro que vai pouco além da região metropolitana. A região central é dominada por paulistas no Paraná (Flamengo depois) e Flamengo em Santa Catarina (paulistas e Vasco em seguida). Já o oeste catarinense e paranaense são de predomínio gaúcho, com supremacia de Grêmio e Internacional.

Mas o perfil de Santa Catarina vai além, muito pela quantidade e força dos times locais. Começando pelos do interior:

Fig 02

Para surpresa geral, a Chapecoense é, de longe, o clube com difusão mais avançada de Santa Catarina. Mesmo que o “Mapa” seja focado em redes sociais e potencialize simpatias, a verdade é que a zona de influência do Verdão do Oeste se espalha por uma área pouco comum em se tratando daquele estado. O clube está entre os quatro mais curtidos em nada menos que 246 localidades. Consegue ainda uma proeza quase inimaginável: influenciar pequenos municípios gaúchos limítrofes a Chapecó.

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Já a difusão dos outros rivais do interior é mais restrita a municípios-sede e entorno, sem se espalharem tanto pela região em si. Ainda que nas cidades-natal, Joinville e Criciúma, superem a Chapecoense em percentual de curtidas (38,6%, 46,6% e 37,3%, respectivamente). O JEC angaria uma das quatro primeiras posições em apenas 12 municípios, enquanto o Tigre o faz em 48.

Fig 03

As coisas não são muito melhores para os times da capital. Inseridos numa grande região de influência flamenguista, Figueirense e Avaí só conseguem leve supremacia na zona de menos de um milhão de habitantes que circunda Florianópolis. Neste raio, a supremacia do Figueira é evidente – confirmando a histórica evidência do “time do continente” que relega a identificação avaiana à pouco populosa ilha. O Figueirense detém preferência em 15 municípios, trazendo o Avaí na segunda posição em 14 deles.

Quanto aos times de fora, eis o mapa de calor:

Fig 04

Fig 05

Trata-se de um perfil bastante semelhante ao da pesquisa científica publicada pelo Blog Teoria dos Jogos ainda em seus tempos de Globoesporte.com. O Flamengo domina a maioria do estado, sendo segundo em cidades corintianas ou gremistas. Fica em terceiro no entorno de Florianópolis, em quarto no extremo sul e em sexto na região oeste, onde o predomínio é do Grêmio e depois do Internacional.

Parte da divisa entre SC e RS verifica notável crescimento do Corinthians – terceiro por ali e segundo nas regiões centrais. O Vasco cresce nas cercanias de Tubarão e Rio do Sul, ficando entre o segundo e o terceiro posto. Já o São Paulo fica em terceiro ou quarto nas regiões norte e central. Palmeiras e Santos surgem com representação residual nos limites com o Paraná.

Fig 06

Perto do estado vizinho, a atmosfera paranaense soa menos difusa, ainda que se trate de um dos representantes da pluralidade anteriormente debatida. Pelo Facebook, o Paraná é uma mancha corintiana, com contornos atleticanos na capital e gremistas no oeste. Esporádicas maiorias flamenguistas finalizam uma pintura que, comparada aos resultados científicos, traria dificuldades na distinção entre original e cópia.

A superioridade do Atlético-PR se dá ao longo do um perímetro maior do que o Coritiba: o Furacão é um dos quatro mais curtidos em 43 municípios, frente aos 28 do Coxa. Sendo que o alviverde não lidera em nenhum, derrotado pelo Corinthians em plena cidade de Curitiba – possível distorção da apuração via rede social. Se é assim com o Coxa, sabido detentor de boa torcida, imaginem com o Paraná Clube? Sua melhor posição é um irrisório 4º lugar em Bocaiúva do Sul.

Fig 07

Fig 08

As verdadeiras donas do Paraná são as torcidas de São Paulo. Como já foi dito, o Corinthians é líder absoluto em todas as regiões onde Atlético-PR ou Grêmio não aprontam. Com vantagem tricolor, São Paulo e Palmeiras vem a reboque – ainda que a quantidade de lugares onde o Palmeiras é vice não seja desprezível, incluindo cidades como Umuarama e Apucarana. Há espaço até para o Santos: segundo em duas cidades (Jardim Alegre e Nova Aurora) e terceiro em outras tantas. Oeste e Sudoeste são divididos por Grêmio e Internacional, finalizando uma zona de influência que só volta a ter relevância em rincões agrários do Centro Oeste. De qualquer maneira, pode-se dizer que em termos de torcidas, o Paraná seria quase um quintal do estado de São Paulo.

Sim, “quase”. Em meio a paulistas, gaúchos e paranaenses, surge a exceção de sempre: o Flamengo. Por lá, o se faz presente como segundo mais curtido em muitos municípios próximos à divisa com Santa Catarina (destaque para Guarapuava e Ponta Grossa). Tem mais: em Rio Negro, Campo do Tenente e Paranaguá (litoral), é o rubro-negro quem dá as cartas, liderando em curtidas. Nada disso em companhia do Vasco: ao contrário do que ocorre em Santa Catarina, cruzmaltinos praticamente inexistem no Paraná.

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A Pesquisa da Vez: Maringá (PR) – 2015

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Detalhamento da pesquisa:

Localidade: Maringá, Paraná.
Elaborador: Faculdade Cidade Verde (FCV)
Amostra: 453 entrevistados em maio de 2015
Margem de erro: 2,5 p.p

Uma das principais características das torcidas no interior do Paraná é a primazia das equipes paulistas entre as preferências: trata-se de algo presente em todos os levantamentos publicados pelo “antigo” Blog Teoria dos Jogos. Uma das mais belas e importantes cidades da região, com 391 mil habitantes e alto índice de desenvolvimento humano, Maringá não foge às características do norte paranaense. Foi o que identificaram os alunos do curso de economia da Faculdade Cidade Verde (FCV), num dos mais recentes materiais do gênero:

Arte: maringanews.com.br
Arte: maringanews.com.br

O Corinthians lidera de forma absoluta (24,28%), com percentual quase duas vezes superior ao do segundo colocado, Palmeiras (12,8%). Em situação de completo empate técnico, São Paulo (11,26%) e Santos (10,82%) surgem nos calcanhares alviverdes. Tradicional estranho no ninho, o Flamengo aparece com 4,64% da torcida. A partir de então temos o próprio Maringá (2%), além de Internacional (1,33%), Cruzeiro (1,2%) e Grêmio (1%) ultrapassando a marca unitária. Clubes do estado, como Atlético-PR (0,87%) e Coritiba (0,66%), chafurdam nas insignificantes 11ª e 12ª colocações, respectivamente.

Embora não se trate de instituto com registro em órgão de classe, chamou atenção o alinhamento desta pesquisa com algumas anteriores. Tanto em 2008 quanto em 2012, o instituto Paraná Pesquisas trouxe à tona números bastante semelhantes – especialmente na comparação com 2012:

Fig 02

Percebam que não é de hoje o descolamento corintiano nem o tríplice empate entre Santos, Palmeiras e São Paulo. O Flamengo sempre surge em posição intermediária, ainda que agora num patamar ligeiramente abaixo. Além destes cinco, nenhum clube apresenta força para se fazer realmente presente às ruas de Maringá.

Talvez por não se tratar de um instituto formal, não foram divulgadas tabulações por gênero, renda ou escolaridade – o que pouco revelaria devido à baixa amostragem. O Blog Teoria dos Jogos tentou contato com o coordenador da pesquisa, não obtendo sucesso.

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O risco dos balanços

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Na proximidade de adentrarmos a segunda quinzena de junho, a sensação é que a temática dos “balanços” arrefeceu por completo. Pudera: a obrigação legal para publicação das demonstrações financeiras (fim de abril) faz de maio um mês recheado de análises sobre receitas e endividamentos. Algumas semanas depois, entretanto, a mídia parece não considerar novas abordagens na área. O Blog Teoria dos Jogos, remando contra esta maré, vem a público tocar numa verdadeira ferida.

É fato que demonstrações financeiras muitas vezes apresentam fragilidades que são ocultadas pela ignorância do público geral na leitura de documentos do tipo. Pior: em alguns casos, balanços podem mesmo não apresentar qualquer fidedignidade, nenhum reflexo da situação econômico-financeira das instituições. É por isto que existem as empresas de auditoria.

Auditores contábeis, de maneira geral, são os responsáveis pela inspeção e análise das demonstrações contábeis de uma empresa. Caso não concordem com algum procedimento, são feitas ressalvas – sejam elas brandas ou mais severas. Nos casos extremos em que um balanço é rejeitado, as auditorias suavemente emitem um “no opinion” quanto ao conteúdo avaliado.

Os processos adotados pela “contabilidade criativa” dos clubes de futebol fazem com que, no Brasil, nenhuma das chamadas Big4 globais (PriceWaterhouse Coopers, Deloitte, Ernst Young e KPMG) aceitem auditá-los. Em compensação, outros players do “Top 20 global” se prontificam a fazê-lo.

O tamanho e a localização geográfica de uma empresa não tem relação necessária com sua capacidade. Sendo assim, auditores regionais podem ser tão competentes quanto gigantes internacionais. Mas a prática nos diz que clubes cujos processos são questionados jamais terão suas contas aprovadas por um destes gigantes.

Com isto em vista, o Blog Teoria dos Jogos decidiu questionar a qualidade das demonstrações apresentados pelos clubes brasileiros. Para tanto, nos debruçamos sobre avaliações contidas nos próprios balanços. E mais: recorremos à consultoria de fontes de alto gabarito no mercado*, solicitando avaliações sobre o risco dos auditores e dos próprios balanços. Tudo com base no grau de severidade atribuído às fragilidades encontradas.

*Por questões éticas, seus nomes não serão divulgados.

Os clubes cujos balanços foram avaliados são os seguintes:

Botafogo – clique aqui para acessar o balanço

Flamengo – clique aqui

Fluminense – clique aqui

Vasco – clique aqui

Corinthians – clique aqui

Palmeiras – clique aqui

São Paulo – clique aqui

Santos – clique aqui

Atlético-MG – clique aqui

Cruzeiro – clique aqui

Grêmio – clique aqui

Internacional – clique aqui

Atlético-PR – clique aqui

Coritiba – clique aqui

Bahia – clique aqui

Segue uma tabela com aqueles cujo risco foi considerado “Baixo”:

Fig 01
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Em posição de destaque, Atlético-PR, Atlético-MG, Cruzeiro, São Paulo, Flamengo, Fluminense, Corinthians e Coritiba. Apenas este último teve identificada uma fragilidade, ainda assim relativamente branda (a falta de exposição da fatia do clube nos direitos econômicos de seus atletas). Já o Cruzeiro, embora detentor de um balanço confiável, delegou a auditoria a pessoas físicas.

Internacional e Palmeiras tiveram seus balanços avaliados como de “médio risco”. A explicação reside no campo “Fragilidades”, se referindo à adesão colorada à Timemania e à avaliação palmeirense quanto à depreciação de seu imobilizado:

Fig 02
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Já Botafogo e Bahia tiveram balanços avaliados como de “alto risco”:

Fig 03
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O clube da Estrela Solitária viu a Mazars emitir “opinião com ressalvas”, com base nas duas fragilidades expostas na tabela – aqui consideradas de severidade “Média” e “Gravíssima”. Já o Tricolor baiano teve três fragilidades, de severidades “Média”, “Gravíssima” e “Grave”.

Grêmio e Vasco foram os clubes que mais deram motivos para ressalvas dos auditores – respectivamente sete e seis. Por isto foram balanços considerados de “altíssimo risco”:

Fig 04
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Por fim, uma situação de completa exceção, a do Santos:

Fig 05
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Simplesmente não foi possível avaliar sua situação patrimonial, uma vez que o Peixe não foi auditado. As “informações gerais” de seu balanço foram tão somente estas:

Fig 06

Ou seja, o alvinegro praiano divulgou suas demonstrações na data-limite alegando estar ainda “em processo de conclusão de auditoria”. Só que de lá pra cá, nada mais foi dito…

Este levantamento tem como intuito demonstrar a situação antagônica em que se encontram os clubes no Brasil, com apenas parte deles zelando pela transparência e as boas práticas contábeis. Infelizmente, quando maus exemplos e interesses escusos partem da própria CBF, não existem tantos motivos para esperança.

Desde já o Blog Teoria dos Jogos se coloca como um espaço aberto para esclarecimentos tanto da parte dos clubes quanto dos auditores.

Um grande abraço e saudações!

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O ranking dos patrocínios – Série A 2015 (Em valores mensais)

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Um dia após a eclosão do maior escândalo de corrupção da história da FIFA, o Blog Teoria dos Jogos traz a público seu costumeiro foco naquilo que deveria ser considerado o lado sério do futebol. Negócios precisam envolver pessoas responsáveis, bem intencionadas e por que não dizer, dotadas de vergonha na cara. Interesses escusos que recheiam contas bancárias de gatunos e aproveitadores devem ter o destino que o FBI parece reservar aos dirigentes envolvidos no episódio: a cadeia.

Dito isto, vamos ao que interessa. Após uma incessante apuração, apresentamos um dos levantamentos mais importantes no tocante à geração de caixa: o ranking de patrocínios às camisas dos clubes da Série A. Mas sob uma nova ótica. Por conta da diferença na duração dos contratos, o cálculo se refere ao valor mensal auferido por cada participante. Isto porque, capitaneados por uma nova política da Caixa, alguns contratos se encerrarão ao final de 2015, não sendo mais anualizados.

Importante deixar claro que as tabelas abaixo passam longe de qualquer verdade absoluta. Tratam-se de valores divulgados na mídia à época da celebração dos contratos, com algumas apurações do Blog entre fontes ligadas aos clubes. Em alguns casos, foram ainda utilizadas projeções, estimativas de mercado ou extrações dos balanços dos clubes. Decerto um trabalho exaustivo, até por se referir a questões rodeadas de sigilo e cláusulas de confidencialidade.

Eis, portanto, o ordenamento dos maiores patrocínios do Brasil em valores mensalizados:

1) Flamengo – R$ 4,8 milhões

Fig 01

Embora não seja o líder quanto ao valor total dos contratos, é o Flamengo que fica na liderança sob a ótica dos aportes mensais de patrocínios. Isto porque, embora Caixa e Jeep tenham fechado parcerias relativamente curtas (sete meses, até o fim de 2015), os repasses representam o que há de mais alto em valores de mercado. A menor duração dos mesmos só será um problema caso as negociações de renovação falhem ou novas empresas não se interessem em substituí-las de imediato.

2) Palmeiras – R$ 4,08 milhões

Fig 02

A situação do Palmeiras é um pouco diferente do Fla: sem problemas quanto à duração dos muitos patrocínios, pertence ao alviverde a maior soma do valor dos patrocínios. Mas, por se dissiparem ao longo de doze meses, os repasses mensais acabam ficando abaixo do rival carioca. O Palmeiras é também quem loteia o maior número de propriedades em seu uniforme, com interessantes revezamentos entre as marcas (algumas de um mesmo conglomerado).

3) Corinthians – R$ 3,2 milhões

Fig 03

Da contratação de Ronaldo Fenômeno ao advento de sua “era de ouro”, por anos o Corinthians se habituou a ocupar a liderança de rankings do gênero. Mas a realidade agora é outra: o clube do Parque São Jorge se vê preocupantemente na dependência de um único contrato – em termos absolutos ainda o maior do país (Caixa). De positivo, o casamento recém celebrado com o aplicativo 99Táxis, novo “menino dos olhos” do mercado publicitário.

4) Vasco da Gama – R$ 3,06 milhões

Fig 04

Eurico Miranda tem muitos, muitos defeitos. Um deles é transformar o Vasco numa caixa preta sem nenhuma transparência – o que faz de todo número envolvendo o clube uma enorme fonte de especulação. Aqui não foi diferente. Mas pelo visto os vascaínos não podem reclamar da capacidade de prospecção de negócios da atual administração. Com Caixa, Viton 44 e Tim, o cruzmaltino galgou a um imponente quarto lugar no ranking de patrocínios.

5) Atlético-MG – R$ 2,19 milhões

Fig 05

Contactamos o Atlético de maneira inócua. Neste departamento, o Galo é muito como o Vasco: executivos não autorizados a divulgarem absolutamente nenhuma importância que envolva o clube. Isto faz com que a única referência sejam especulações de mídias nem sempre especializadas. É o caso da parceria com a Tenco Engenharia, presumida pelo Blog como R$ 900 mil anuais embora muitos veículos tenham noticiado R$ 900 mil mensais – impossível, em se tratando do valor da propriedade em questão. Também não foi possível confirmar os valores repassados pela Tim, decerto entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões anuais. Não mudariam, entretanto, a posição do Galo neste ordenamento. Em tempo: é no uniforme alvinegro que se verifica a maior variedade de marcas de diferentes conglomerados.

6) Grêmio e Internacional – R$ 1,85 milhões

Fig 06

Diferenças de valores não são admitidas no excêntrico mercado publicitário gaúcho. Grêmio e Internacional angariam absolutamente os mesmos valores de Banrisul, Tramontina, Unimed e Tim. Os três últimos não pagam exatamente igual, sendo estimativas apuradas pelo Blog com base no somatório de seus repasses.

8) Fluminense – R$ 1,5 milhões

9) Coritiba – R$ 683 mil

10) Atlético-PR – R$ 583 mil

Fig 07

O oitavo posto é ocupado por um Fluminense ainda em estágio de adaptação à sua nova realidade. Por anos, os tricolores usufruíram de uma espécie de mecenato da Unimed, auferindo valores totalmente desconectados da realidade do mercado. Isto acabou, e o Flu até que se saiu bem repondo rápido os espaços que ficaram vagos. De qualquer maneira, a diferença hoje se faz gritante: o clube fatura o equivalente à metade do Vasco e um terço do Flamengo.

Completando o top-10, temos a dupla Atletiba. Equiparada em valor por Caixa e Tim, os rivais de Curitiba veem a balança pender para o Alto da Glória no número e no valor pago pelos demais anunciantes. A Pro Tork, inclusive, é uma das únicas a admitirem via site oficial quanto pagam por sua propriedade. Trata-se da empresa que investiu R$ 16,6 milhões na construção de três anéis de camarotes, lanchonetes e lounges do estádio Couto Pereira.

11) Chapecoense – R$ 533 mil

12) Joinville – R$ 520 mil

13) Sport – R$ 500 mil

14) Figueirense – R$ 375 mil

Fig 08

Com exceção do Joinville, temos aqui uma sequência de clubes patrocinados pela Caixa (algo que facilita a apuração) e que muito provavelmente se adequarão à nova política de renovação de patrocínios da estatal. Não foi possível apurar os valores pagos pela 99Táxis ao Sport e por Taschibra/Liderança ao Figueirense, o que pode gerar modificações no ordenamento.

15) Santos – R$ 375 mil

Fig 09

O 15º posto é surpreendente – embora não mais do que o que está por vir. Com apenas um remanescente dos áureos tempos, o Santos sofre com o sumiço de anunciantes desde a saída de Neymar em 2013. Pelas boas atuações coroadas com o título, durante o Paulista foram muitas as parcerias pontuais. Mas relações estáveis andam difíceis para os lados da Vila Belmiro.

16) Avaí – No mínimo R$ 321 mil

17) Goiás – No mínimo R$ 241 mil

18) Ponte Preta – No mínimo R$ 237 mil

Fig 10

Não foi possível apurar o montante repassado aos clubes acima, de modo que as estimativas se baseiam na conta de “patrocínios” das respectivas demonstrações financeiras.

19) Cruzeiro – R$ 200 mil

20) São Paulo – zero

Fig 11

O gran finale da coluna traz dois gigantes em situação de dificuldade. O Cruzeiro, nada menos que atual bi-campeão brasileiro, já deixou de arrecadar cerca de R$ 5 milhões com a falta de patrocinadores no uniforme (valores atualizados). Como alento, a venda de camisas vem explodindo pela beleza do azul celeste livre de logotipos alienígenas. A expectativa do clube é fechar os seis primeiros meses com 190 mil camisas vendidas, número próximo das 220 mil vendas contabilizadas em todo o ano passado.

Já o São Paulo até vem fechando patrocínios, mas de outras naturezas. Gatorade e Copa Airlines se uniram ao clube em 2015 para ações de relacionamento, publicidade e mídias digitais – um excelente mercado a ser explorado.  Mas não caíram bem os dois jogos de exposição da companhia aérea no uniforme durante a Libertadores. Ainda que venha tentando diversificar seu portfolio, a verdade é que desde que passou a conviver com a falta de anunciantes, atrasos salariais no Tricolor Paulista também se tornaram notícia.

Lembrando que os valores aqui expostos são passíveis de modificação, sendo o Blog Teoria dos Jogos um espaço aberto caso clubes queiram contactá-lo para maiores esclarecimentos.

Um grande abraço e saudações!

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E se o Brasil adotasse o modelo inglês?

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Talvez seja questão de tempo, não se sabe ao certo. Mas a sensação que fica é: enquanto não houver mudanças no modelo que distribui os recursos do televisionamento, a demagogia no futebol brasileiro não cessará.

O “bastião da moralidade” é o deputado Mendonça Filho, do DEM/PE, que apresentou emenda à Medida Provisória do Profut visando aplicar por aqui o modelo de repartição do futebol inglês: 50% da verba dividida entre todos os clubes, 25% conforme a classificação do torneio anterior e 25% proporcionais à audiência média de cada um.

Se isto acontecesse, como as coisas ficariam? A resposta vem de um elucidante trabalho de Christiano Candian, autor do blog Constelações e leitor do Blog Teoria dos Jogos. Ele preparou uma planilha que projeta diferentes cenários segundo mudam os percentuais atribuídos a cada critério.

Na hipótese da divisão à inglesa: 50% igualitária, 25% esportiva, 25% audiências:

Fig 01

PS: Valores em milhões de reais, com base na distribuição de recursos vigente do triênio 2013-2015 (diferente das demonstrações financeiras). O percentual de audiência foi dado como proporcional às cotas atualmente percebidas. Foram incluídos apenas os participantes da Série A em 2014 – por isso a ausência do Vasco.

A diferença entre quem ganha mais e menos (Corinthians e Criciúma) ficaria inacreditavelmente pequena: R$ 68,9 milhões a R$ 28,5 milhões. Isto significa que o Corinthians, uma das locomotivas do futebol nacional, levaria apenas 2,4 vezes mais que um clube de torcida quase municipal. Nem assim agradando aos puristas, já que na Inglaterra a diferença fica na ordem de 1,5 vez

O mais impactante pode ser visto na coluna “Diferença”, que denota o quanto ganham ou perdem os clubes sob este novo ordenamento. Gigantes como Flamengo e Corinthians experimentariam sangria superior a R$ 40 milhões. Mas não só eles: São Paulo, Palmeiras, Santos e Botafogo teriam prejuízos de R$ 8 milhões a R$ 24 milhões. Em suma: clubes que representam metade da população nacional chafurdariam para encher os bolsos de Figueirense (R$ 18,1 milhões), Atlético-PR (R$ 16,8 milhões), Chapecoense (R$ 15,9 milhões) e – é lógico – o Sport (R$ 13,5 milhões), do estado do digníssimo parlamentar.

Mas a tabela permite simulações com base em outras divisões. Se ela fosse 50% esportiva, 25% igualitária e 25% audiências:

Fig 02

Neste caso, o “clube dos infelizes” teria a deficitária companhia da dupla Ba-Vi, rebaixada em 2014. O benefício viria ao campeão, com nada menos que R$ 21,3 milhões adicionais nos cofres do Cruzeiro. O Flamengo desabaria no mesmo montante da simulação anterior (R$ 47 milhões), recebendo menos que Corinthians, São Paulo e Cruzeiro. Mas a concentração aumentaria, com o líder faturando 4,2 vezes mais do que o último colocado.

Já no caso de 50% audiências, 25% esportiva e 25% igualitária:

Fig 03

Teríamos um cenário mais racional: os mesmos prejudicados do primeiro cenário com quedas menos acentuadas – a do Flamengo, de R$ 31,5 milhões. Por analogia, o maior beneficiado teria ganhos menos expressivos (R$ 12,1 milhões ao Atlético-PR). Nos três cenários – dado o peso dos resultados esportivos – o Corinthians seria líder, aqui angariando 4 vezes mais do que o Tigre de Santa Catarina.

E a opinião do Blog…

Já expusemos nossa opinião sobre a adoção do modelo inglês num texto denominado “Não existe “espanholização” no Brasil… no máximo uma “italianização”, quiçá “enfrancesamento”. Lá foi dito que em países cuja configuração de torcidas é bem conhecida – casos de Espanha, Itália ou do próprio Brasil – recursos são direcionados de maneira concentrada nos chamados “trens pagadores”.

Se não somos tão concentrados quanto os países citados, a configuração de torcidas no Brasil também não difere tanto. Por aqui, flamenguistas atingem cerca de 24% do universo de torcedores, ao cabo que a Juventus possui 29% e o Real Madrid, 37%. Quando Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco entram em cena, passam a representar 66% da torcida e inacreditáveis 80% entre jovens.

Soa razoável este complexo de Robin Hood, refutando ditames de mercado em meio a relações puramente comerciais entre entes privados?

Não, não soa.

E o Blog Teoria dos Jogos não está sozinho em sua posição. Segundo Emerson Gonçalves, autor do blog Olhar Crônico Esportivo, haveria muitas diferenças entre Brasil e Inglaterra – explicando a pouca similaridade entre os modelos adotados aqui e lá. Ele diz:

-No Brasil a TV já nasceu privada, tendo desde o início dependido do mercado publicitário para sobreviver e crescer. Muito porque se baseou no sistema de transmissão em canal aberto, gratuito e financiado por anunciantes que pagam em troca de visibilidade. Isto não aconteceu na Inglaterra, onde a TV nasceu pública e a publicidade veio bem depois.

Por isto, Emerson diz que “quando se negociam as transmissões do futebol no Brasil, é mais do que evidente que se busca a audiência”, presumindo não haver mal e refutando a adoção de modelos moldados por diferentes realidades.

Agradecemos a Christiano Candian e Emerson Gonçalves, convidando os leitores para mais esta reflexão acerca de um tema que nunca sai de pauta.

Um grande abraço e saudações!

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As torcidas da “Corrida”

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Hoje à noite acontece no Rio de Janeiro mais uma etapa da “Corrida das Torcidas”, evento que começa a se tornar tradicional no calendário esportivo carioca. Com etapas que envolvem voltas em torno do Maracanã e da Lagoa Rodrigo de Freitas, a competição tem como diferencial fazer com que cada corredor “represente” o time que torce, apontando-o no momento do seu cadastro.

Como pro Blog Teoria dos Jogos, “envolveu torcida, tem que envolver pesquisa”, elaboramos um levantamento desde o evento de 2013 – quando times de fora do Rio começaram a poder ser escolhidos. De lá pra cá, estes foram os números das torcidas:

Corrida das Torcidas 2014

Etapa Maracanã (Geral Masculino)

TOTAL – 777

Flamengo – 239

Vasco – 140

Fluminense – 96

Botafogo – 86

 

Etapa Maracanã (Geral Feminino)

TOTAL – 593

Flamengo – 165

Fluminense – 89

Vasco – 69

Botafogo – 59

 

Etapa Lagoa (Geral Masculino)

TOTAL – 700

Flamengo – 276

Vasco – 143

Fluminense – 97

Botafogo – 70

 

Etapa Lagoa (Geral Feminino)

TOTAL – 551

Flamengo – 224

Vasco – 100

Fluminense – 76

Botafogo – 65

 

Corrida das Torcidas 2013

Masculino

TOTAL 1020

Flamengo – 351

Vasco – 167

Fluminense – 105

Botafogo – 106

 

Feminino

TOTAL – 711

Flamengo – 260

Vasco – 99

Fluminense – 99

Botafogo – 60

 

No agregado, os resultados seguem abaixo – todos além dos quatro grandes do Rio em percentuais aproximados. Apenas o Flamengo marcou menos do que costuma acontecer em pesquisas na capital carioca. Os demais, em linha com a percepção de torcidas na cidade:

Corrida

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Receitas Agregadas: Sócio-Torcedor + Bilheterias

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Semana passada o Blog Teoria dos Jogos levantou o ranking de faturamento dos maiores clubes do Brasil com seus projetos de sócio-torcedor. Com base na média de associados ao longo de 2014, foi também calculado o ticket médio de cada um, facilitando vislumbrar verdades um tanto ocultas – como agremiações com muitos adeptos e pouco dinheiro em caixa.

Entretanto, como tudo o que se refere ao marketing esportivo, nem sempre as coisas são como parecem. O levantamento em questão foi absolutamente fidedigno, tanto que elogiado por profissionais dos próprios clubes. O problema é que projetos de naturezas completamente diferentes acabam indevidamente pasteurizados quando comparados a seus pares. Visando superar esta dificuldade, o Blog Teoria dos Jogos apresenta uma segunda e definitiva ótica.

Em meios às diferenças de uma iniciativa para outra, são dois os principais subgrupos de projetos sócio-torcedor: Aqueles que disponibilizam ingressos gratuitos e os que apenas proporcionam descontos/facilidades na aquisição. No primeiro grupo encontra-se a grande maioria dos clubes: Cruzeiro, Atlético-MG, Fluminense, Botafogo, Palmeiras, Grêmio, Internacional, etc.  Já os expoentes do segundo seriam Flamengo, Corinthians e Santos.

A consequência: projetos que oferecem ingressos acabam por canibalizar receitas de bilheteria, ao cabo que os que obrigam a comprar entradas proporcionam um boom nas contas de “bilheteria”. Ademais, mesmo entre os que oferecem ingressos, diferentes características nos planos (e no perfil das torcidas) acabam por gerar resultados heterogêneos entre si. A solução? Somar receitas de “sócio torcedor” com as de “bilheteria”. O resultado é um retrato bastante real da capacidade de geração de caixa dos clubes brasileiros.

É o que foi feito:

Fig 01

*Cruzeiro: O valor divulgado de sua receita líquida com bilheterias está em linha com a estimativa feita pelo Blog. O clube celeste inclui bilheterias, premiações e sócio-torcedor numa mesma conta contábil de R$ 85,8 milhões. Subtraindo R$ 35 milhões do sócio-torcedor e estimando R$ 15 milhões em premiações – só o título do Brasileirão pagou R$ 9 milhões – teríamos o valor em questão.

** Corinthians: segundo as notas explicativas do balanço, a partir de 2014 as receitas de bilheteria deixaram de entrar no caixa do clube, seguindo diretamente para o fundo que administra a Arena. Aos R$ 6,9 milhões de bilheterias em outros estádios, foram somados aproximadamente R$ 35 milhões em arrecadação da Arena Corinthians ao fim de 2014.

Consideradas as notas envolvendo Cruzeiro e Corinthians, eis o resultado final. A fraca bilheteria (R$ 12,1 milhões) não é capaz de tirar do Internacional a liderança do ranking (R$ 71,1 milhões). Mas faz com que Cruzeiro e Flamengo cheguem aos seus calcanhares, atingindo respectivamente R$ 70,8 milhões e R$ 70,4 milhões.

Após o empate técnico do topo, verifica-se um segundo envolvendo Grêmio (R$ 51,6 milhões) e Corinthians (R$ 51,3 milhões). Reparem que o ótimo resultado corintiano – líder em bilheterias com R$ 41,9 milhões – reverte a baixíssima capitalização do programa Fiel Torcedor. Isto porque os paulistas não cedem ingressos a sócios, em linha com o percebido no Flamengo, vice-líder nas roletas (R$ 40 milhões). No extremo oposto, o Grêmio viu entrarem meros 939 mil nesta conta.

O equilíbrio persiste com Palmeiras e Atlético-MG muito próximos (R$ 43,7 milhões a R$ 40,2 milhões). Depois, Atlético-PR (R$ 28,6 milhões), São Paulo (R$ 28,1 milhões), Coritiba (R$ 27,2 milhões), Santos (R$ 26,3 milhões) e Botafogo (R$ 25,4 milhões) disputam posição palmo a palmo. Bahia (R$ 15,2 milhões) e Fluminense (R$ 11,7 milhões) só superam o Vasco (R$ 10,6 milhões) pela inexistência de sócios-torcedores cruzmaltinos.

A harmonia marcante faz com que este seja um ranking normatizado, fruto da aglutinação de receitas aparentemente distintas. Ao influenciarem uma à outra, sócio-torcedor e bilheterias se mostram faces da mesma moeda. Podemos inflar uma das contas em detrimento da outra ou mantermos competitiva semelhança entre ambas. Tudo depende do caminho que se opta por trilhar.


O Blog Teoria dos Jogos orgulhosamente apresenta seu novo patrocinador: o site de apostas 188BET, parceiro dos gigantes ingleses Liverpool e Manchester City!

Se divertir por lá é fácil, rápido e seguro. Atestei na tarde de ontem, quando por sorte de principiante fiz quadriplicar uma grana apostando no empate da Juventus com o Real Madrid! E o melhor: se eu errasse, me devolveriam até o limite de R$ 25 (apenas para a primeira aposta).

Fica ou não fácil ter coragem assim?  🙂

Pra incentivá-los a conhecer o site, o Blog vai sortear (pelo Twitter) R$ 25 em créditos REAIS (cumulativos com a promoção que devolve R$ 25 na primeira aposta em caso de erro). Basta seguir o perfil 188BETBRASIL e mandar um tweet com a hashtag #188BETBRASIL. Pronto, tá concorrendo! O resultado será anunciado na sexta, 15/05/2015.

Um grande abraço e saudações!