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Santos x Flamengo: a experiência-piloto do #futebolnocinema

A experiência, em si, não chega a ser novidade. Desde 2014, eventos como a Copa do Mundo e as finais do Super Bowl ou da Champions League vem sendo transmitidos em salas de cinema, com razoável índice de sucesso. A grande novidade ocorrida na noite de ontem, durante o embate entre Santos e Flamengo, foi trazer a rivalidade clubística nacional para dentro das salinhas escuras. Uma iniciativa promissora, ousada e até, por que não dizer, polêmica.

Em um país com dimensões continentais como o Brasil, nada é mais comum do que torcidas espalhadas pelo território nacional. No entanto, salvo situações de exceção, partidas de futebol só acontecem numa praça: a cidade-sede do mandante. Sendo assim, uma horda de torcedores presentes em outras cidades se vê alijada da possibilidade de acompanhar in loco seu clube do coração, restando a eles o embate pela TV.

Através desta mídia, as opções costumavam se reduzir a duas: assistir aos jogos em casa ou em bares. Como nem todos gostam de bares, e alguns podem considerar a experiência domiciliar um tanto insípida, os cinemas surgiriam na tentativa de ocupar um vácuo. Trata-se de um ambiente afeito a famílias e que apresenta o auge do conforto, muitas vezes não igualado pelos camarotes mais nobres das novas arenas de futebol.

Assim, pode-se dizer que a empreitada levada a cabo pela Flix Media, em parceria com o Clube de Regatas do Flamengo, foi muito bem sucedida. Distribuída por 14 salas em 11 cidades brasileiras – nem todas de maioria rubro-negra, diga-se – a transmissão focou nos flamenguistas desde o tom dos narradores (retornaremos a isto) até o fato de apenas associados ao projeto Nação Rubro Negra poderem pagar meia.

Ao preço de R$ 90 no Rio e em São Paulo, R$ 80 nas demais cidades, o valor se apresentou como o maior entrave, passível de críticas nas redes sociais. Ainda assim, informações preliminares apontam para uma venda de aproximadamente 1.300 ingressos, mediante oferta total de 2.000 assentos. Parece pouco, mas é mais que o dobro da taxa de ocupação média das salas da rede Cinemark, veiculadora do evento. Inúmeras postagens com a hashtag #futebolnocinema no Twitter indicavam torcedores satisfeitos e fazendo grande festa. Ao menos até a bola rolar.

Botafogo Praia Shopping, por @acioli_rafaella

Aracaju, por @tarcia_araujo

Durante a partida, uma equipe de transmissão 100% focada no Flamengo (e um tanto superficial em suas considerações) destoou da cartilha do bom jornalismo. Funcionaria melhor se, naturalmente, todas as salas estivessem 100% preenchidas por flamenguistas. O problema é que faltou combinar com os santistas – ao menos na cidade de São Paulo. Justamente na sala do shopping Eldorado, aonde compareceu o Blog Teoria dos Jogos, um princípio de confusão se estabeleceu entre um grupo de torcedores rivais. Nesta sala, adeptos do Peixe responderam por aproximadamente 30% do contingente total.

Problemática no Shopping Eldorado – SP

Por sorte, este aparentou ser um episódio isolado, sem eco nas demais 13 salas exibidoras de um confronto que quase terminou em anticlímax, dada a vitória santista por 4 x 2 (classificou-se o Mengão). De mais positivo, a gigantesca tela em alta definição, o som de qualidade e mesmo a baixa dispersão, ao menos na comparação com o que se vive na informalidade de um boteco. É definitivamente uma experiência que se recomenda a todos, algum dia. Como aprendizado, além de um ajuste fino no tom da transmissão, a questão da junção de diferentes adeptos numa mesma sala, pois as preferências difusas em algumas capitais podem ser motivo para o afloramento de ânimos em confrontos envolvendo times de maior torcida.

O Blog Teoria dos Jogos agradece a Ivan Martinho, da Flix Media, pelo convite.

Um grande abraço e saudações!

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Esclarecimentos a respeito das finanças do Flamengo

Ao final de uma elogiada série de publicações acerca das finanças dos clubes brasileiros, o jornalista Rodrigo Capelo, da Época, nos brindou com suas análises a respeito da situação do Flamengo. O conteúdo revela o que já se convencionou como “chover no molhado”: a ótima gestão financeira do Rubro Negro. Mas suscita dúvidas a respeito da primazia econômica do clube no cenário atual. Tudo porque, se a situação é muito boa na comparação com cinco anos atrás, em termos absolutos existem mais dificuldades do que presume nossa vã filosofia.

Arte gráfica -Revista Época

Segundo o autor, o Flamengo teria arrecadado, de fato, R$ 468,7 milhões em 2016, um contraponto aos R$ 510 milhões contidos no balanço patrimonial do clube. Tudo porque contabilidade, embora seja uma ciência exata, é passível de interpretações e diferentes óticas. A principal delas é a questão dos regimes de caixa (o que de fato entrou) e competência (o que foi registrado, apesar de ocorrido em outros exercícios). Em seu balanço 2016 (que pode ser baixado aqui), o Flamengo comunica o recebimento de R$ 120 milhões de luvas pelo televisionamento, mas registra pouco mais de R$ 100 milhões a título de valor presente. Destes, R$ 70 milhões foram adiantados e outros R$ 50 milhões virão em duas parcelas (2019 e 2021). Isto significa uma diferença de aproximadamente R$ 30 milhões entre o que o clube já de fato arrecadou e o que contabiliza. Adicionalmente, R$ 11.345.000,00 adiantados pela REX pelo arrendamento do Edifício Hilton Santos (Morro da Viúva), ainda na administração Patricia Amorim, só foram contabilizados no exercício passado. Isto porque o acordo que desobrigou o Flamengo a devolver aquela quantia só foi fechado no ano que passou. Diante disto, teríamos a tal diferença de aproximadamente R$ 41,3 milhões entre receitas contabilizadas e as de fato verificadas.

Algo parecido, ainda que em vetores opostos, ocorre sob a ótica do endividamento. Segundo o balanço flamenguista, a dívida líquida teria caído para R$ 390 milhões em 2016. Capelo, em seu texto, considera R$ 469,6 milhões. Já a BDO Brazil, uma das principais empresas de auditoria do país, crava R$ 460,6 milhões. Novamente nos deparamos com questões conceituais, pois o Flamengo considerou quase todo seu ativo – que subtraído ao passivo, nos leva à mensuração do endividamento. O problema é que ativos como imobilizado ou intangível não devem ser considerados, segundo interpretação corrente, ainda que o clube o tenha feito. Presume-se, portanto, um endividamento maior, o que explica a situação do Flamengo ser boa, mas não maravilhosa como presumem aqueles que nele colaram a pecha de “novo rico”.

Uma terceira problemática passa pelos empréstimos contraídos. Conforme esclarecido nos parágrafos acima, a dívida ainda é alta e muitas das despesas são descoladas das receitas. Pagamentos imediatos e inadiáveis (como folhas salariais) ocorrem em descompasso com afluxos inconstantes como bilheterias ou premiações por título. Por conta disto, a captação de empréstimos no mercado durante a gestão Bandeira de Mello se deu a uma média de quase R$ 50 milhões anuais – exatamente o valor orçado para 2017:

Fonte: Orçamento 2017 do C.R. do Flamengo

Isto leva o Flamengo à condição de detentor de uma dívida bancária cara, com taxas de juros próximas aos 2% mensais. Trata-se de um passivo que, embora em queda*, o faz em ritmo menor do que o aumento das receitas, já que estas precisam ser rateadas com a administração do futebol (salários, aquisição de direitos econômicos, luvas, etc) e a composição de patrimônio (Ex: CT Ninho do Urubu).

*Apenas com bancos, caiu de R$ 130,3 milhões em 2015 para R$ 111,5 milhões em 2016.

Fonte: Balanço patrimonial 2016 – C.R. do Flamengo

A consequência é algo que não costuma passar pela cabeça do leitor comum, sempre confrontado com números contabilmente tão bons. A redução global do endividamento do Flamengo, ainda que excelente, nem sempre se dá na exata medida dos superávits acumulados:

Fonte: Análise de Mercado – Clubes Cariocas (BDO)

Em se tratando de uma administração premiada por sua austeridade, temos ideia do tamanho das dificuldades. Operacionalizar um clube com passivos importantes e demandas esportivas ainda mais altas não é nada fácil, afinal. Num próximo texto, trataremos das expectativas financeiras do Flamengo após o fabuloso aporte que se aventa, fruto do repasse do jovem Vinicius Junior ao Real Madrid, da Espanha.

Um grande abraço e saudações!

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Match Day: Arena da Baixada

Dizem que não há nada melhor do que aliar trabalho e lazer. O Blog Teoria dos Jogos concorda, há anos trazendo até vocês prazerosas análises de match day em arenas e estádios do Brasil e do mundo. Quando o evento envolve seu time do coração, tanto melhor. Sendo assim, fomos até Curitiba acompanhar o confronto entre Atlético-PR e Flamengo, anteontem na Arena da Baixada, pela fase de grupos da Libertadores. Não deixando escapar nada além dos três pontos.

Antes, é preciso dizer que algumas das percepções estarão limitadas a uma visita que percorreu apenas caminhos e acessos destinados aos visitantes. Ainda assim, nos trouxe impressões interessantes do estádio localizado numa zona densamente povoada da capital paranaense. Chamaram atenção, por exemplo, ruazinhas no entorno sem tanta aglomeração, com o acúmulo de pessoas se intensificando apenas perto dos portões do estádio. Pessoas  eram vistos relaxando tranquilamente em suas residências de classe média – a poucos metros da típica bagunça que envolve os grandes eventos. Um edifício em especial quase se confundia com a Arena, tamanha a proximidade.

As primeiras impressões foram solapadas por uma logística de entrada que funcionou mal, lembrando os piores momentos do antigo Maracanã. Dois pontos de afunilamento – a triagem para revista e a passagem pelas catracas, dentro de uma “mini esplanada” – geraram balbúrdia, aperto e falta de educação. Importante dizer que a maioria dos desrespeitos, como furadas de fila e tentativas de entrar sem ingresso, vieram importados pelos muitos cariocas que viajaram até Curitiba. Pessoas que frequentam a Arena relataram que tais confusões não condizem com a normalidade. De qualquer maneira, corredores e escadarias apertados soaram como uma falha estrutural, ao menos à ocasião de um setor abarrotado por cerca de 4,5 mil visitantes.

Dentro das instalações, o panorama mais conhecido da Arena da Baixada: um estádio incrível. Mas de uma sobriedade inquietante e algo asséptica, dadas as cadeiras em tons de cinza ao estilo E.L James. Preenchido pelo negro-rubor atleticano (e, naquela noite, também do Flamengo) o coliseu se torna ainda mais belo, dando margem para questionamentos acerca da paleta de cores selecionada. No que tange ao conforto, pouco a reclamar – talvez uma certa superlotação no setor inferior dos visitantes.

Mas as principais curiosidades em se tratando da casa do Atlético são duas: grama sintética e cobertura. No primeiro caso, poucas avaliações podem ser feitas no olhômetro. De qualquer maneira, a aparência é claramente de algo não-natural, ao cabo que a bola parece correr e quicar normalmente. Quanto à cobertura, trata-se de algo majestoso, proporcionando um ganho ímpar de qualidade na experiência. Principalmente em noites frias e com ameaça de chuva, como era o caso.

Um efeito colateral: a proibição de fumar, em se tratando de ambiente fechado. Longos anúncios nos alto falantes chamavam atenção para o fato, o que não evitou certas “marolas”. Outra relativa imperfeição vem do formato da arquibancada, que impede a visualização do setor superior pelo inferior. Pior: camarotes atleticanos entre os dois níveis da torcida do Flamengo geraram alguns princípios de bate-boca.

Ainda assim, a atmosfera do Joaquim Américo Guimarães (seu nome oficial) é estonteante. Em parte pelo ambiente fechado e seu alarido de ginásio, mas também pela própria torcida do Furacão, articulada e atuante. Um acanhado mosaico foi preparado para a entrada do time em campo. Uma das inscrições dizia “Soy Loco Por Ti”, acompanhada por outras faixas em espanhol que remetiam à velha pedância latinizante das torcidas do Sul.

Uma recém instalada faixa de LED – algo que até então apenas a Arena Corinthians possuía – dava ares de NBA ao espetáculo.

Por fim, e novamente deixando claro se tratar apenas do setor de visitantes, banheiros e corredores internos eram simples e acanhados, assim como havia pouca variedade nos bares (nenhum produto foi consumido). Bebidas alcoólicas não se encontravam disponíveis.

Um grande abraço e saudações!

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Razões pelas quais o Carioca foi parar na UTI

Fonte: Fox Sports

Textos, análises e colunas elencando as razões da falência do Estadual do Rio se tornaram tão abundantes quanto oxigênio. Mais ainda num ano em que a Taça Rio se tornou inacreditavelmente amistosa, com grandes duelando em confrontos esvaziados e sem qualquer sentido – já que as semifinais estavam previamente determinadas. No entanto, ainda que sejam maioria, nem todos os motivos da bancarrota são tão óbvios quanto parecem. Tentando ir além, fugiremos do senso comum e indicaremos a viabilidade da adoção de medidas que tentassem reverter os sintomas, tirando o paciente chamado Campeonato Carioca de sua experiência de quase-morte.

1- Fórmulas esdrúxulas

Apesar de já existirem muitos defeitos, até 2007 o regulamento do Carioca era um dos únicos itens presentes em sua pauta de exportações. Tanto o Campeonato Mineiro quanto o Gaúcho, cada um a seu tempo, chegaram a copiar a fórmula que apregoava “doze times, dois grupos, todos contra todos dentro (Taça Guanabara – 1º turno) e fora (Taça Rio – 2º turno) de seus grupos. Campeões dos dois turnos fazem a final. Quem ganhar os dois é campeão direto”.

Preocupada porque dois campeonatos se encerraram sem finalíssima em curto período (2011 e 2013), a Federação de Futebol do Estado do Rio (FERJ) mudou as regras no ano de 2014, passando a funcionar na base do grupo único, todos contra todos, 15 rodadas. A partir de então, a Taça Rio começou a não valer nada, sendo disputada apenas pelos times pequenos do estado. Este torneio foi o embrião das inúmeras mudanças que viriam a seguir, culminando na edição de pior fórmula em todos os tempos: a atual.

Viabilidade de se proceder mudanças: Alta. Basta querer (e votar em Arbitral) para que os moldes presentes até 2013 retornem.

2- Excesso de times

Importante notar que o número de equipes participantes tem relação inequívoca com o item anterior. Foi a partir de 2008 que a Federação, visando atender ao maior número de interesses possível, insuflou o Carioca de 12 para 16 times. Isto aumentou o número de datas destinadas ao Estadual – em direção contrária a tudo o que se apregoa atualmente – e maximizou a quantidade de jogos de baixa qualidade, sendo pequenos contra pequenos ou grandes contra pequenos.

Numa tentativa de remediar o mal – mas ainda mantendo a ascendência sobre os menores, cujos votos são valiosos para a manutenção do poder – em 2017 a FERJ procedeu uma emenda que, para variar, saiu pior do que o soneto. O torneio segue tendo 16 clubes, mas a primeira fase foi disputada por apenas seis pequenos – que constituíram o famigerado “Grupo A”. Ela incluiu os dois primeiros colocados da Série B de 2016, mais os quatro times de pior campanha no Estadual 2016 (exceto os rebaixados!). Deste imbróglio, apenas dois tiveram a sorte de se juntar aos dez clubes previamente qualificados para o “Carioca de verdade”. Outros quatro foram disputar a aberração chamada “quadrangular do rebaixamento” – como se, ao jogarem apenas contra outros pequenos, já não se sentissem rebaixados de antemão.

Em resumo: diminuíram os jogos de grandes contra pequenos por meio de ferramentas que trouxeram ainda mais injustiças e distorções: a) Um time pode subir da segunda divisão, investir para montar uma equipe e não ter sequer a possibilidade de enfrentar os grandes; b) Torneios envolvendo nanicos sem apelo prolongam-se indefinidamente em paralelo ao estadual principal, impactando negativamente na média de público e positivamente na tábua de artilharia. Isto mesmo: você sabia que o artilheiro do Estadual 2017 é Max, da Cabofriense, que jogou apenas os “torneios da morte”?

Viabilidade de se proceder mudanças: Média. Seria alta, já que basta a Federação decidir pelo fim dos torneios paralelos e o retorno ao Estadual com 12, ascensão e descenso diretos. Mas onde entraria o desejo de se controlar, na base do cabresto, votos do maior número possível de agremiações? Vai contra o projeto de perpetuação no poder que impera na FERJ.

 3- Desvalorização dos pequenos e do interior

Outra decisão equivocada que impactou sobre a média de público foi a proibição, alguns anos atrás, de a maioria dos pequenos mandarem jogos em seus estádios e cidades. À época, alegou-se falta de estrutura para transmissões, falta de segurança, laudos dos órgãos técnicos e outras tantas coisas inexistentes nos cem campeonatos anteriores. O resultado, todos viram: excesso de jogos em cidades com estádios autorizados mas sem demanda para eventos tão pobres e numerosos, como Volta Redonda ou Macaé. O Estádio Raulino de Oliveira passou a receber inúmeros grandes desinteressados e jogando com reservas. O Resende teve que encará-los na mesma cidade, a 40 km de casa, desequilibrando a questão esportiva pela falta do efeito-mandante. Ou seja, uma canetada chafurdou o equilíbrio, as rendas e os públicos da competição.

Viabilidade de se proceder mudanças: Baixa. A Federação passaria a ter que ajudar os pequenos na adequação e manutenção de seus estádios. Ajuda bem diferente (e mais cara) do que a usual, através do mero fornecimento de bolas, chuteiras, uniformes…

4- Desvalorização do produto

Deveria ser péssimo para a FERJ que alguns de seus principais integrantes tenham rompido entre si por não coadunarem com as práticas alheias. Que outros, por alinharem ideologicamente, digam amém a toda sorte de ingerências – principalmente as que prejudicam os insatisfeitos. A Federação deveria fomentar o consenso, e não alimentar a beligerância – como se verifica nos dias atuais.

Deveria ser péssimo para a FERJ que a média de público do Estadual seja a menor da década, impactando negativamente em sua imagem e prejudicando vendas tanto para o público geral (bilheterias) quanto para veículos de mídia e patrocinadores (placas publicitárias, naming rights, receitas de televisionamento, etc).

Deveria ser péssimo para a FERJ que o Estadual do Rio de Janeiro – outrora o mais importante – se tornasse motivo de chacota entre torcedores e profissionais de estados com bem menos tradição no esporte. Mas muito mais público…

Viabilidade de se proceder mudanças: nula, enquanto déspotas se perpetuarem em seus cargos e intervenções do poder público não chegarem às federações de futebol.

Não adentraremos no debate da falta da qualidade dos times, que impacta visceralmente no baixo apelo do certame. Nem na insegurança de eventos que atraem bandidos e culminam em pancadarias e mortes – boçalidades em ambientes que deveriam celebrar a congregação. Tais questões não serão abordadas porque, além de envolverem outras esferas (gestão esportiva, segurança pública, etc), se fazem presentes em todos os outros estados. São chagas brasileiras, portanto. Nosso foco é tudo aquilo que pode ser fruto de análise e alvo de medidas drásticas por parte dos responsáveis pelo Campeonato Carioca de futebol.

Pois se quem manda nos estaduais são as federações, a do Rio de Janeiro – na figura do sr. presidente Rubens Lopes – é a principal responsável pela implosão de seu próprio torneio.

Um grande abraço e saudações!

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Comparação nacional de audiências 2016/17: Flamengo x Corinthians

INTRODUÇÃO

Desde que a questão das audiências televisivas ganhou destaque, questiona-se a respeito de quem teria os melhores números nacionalmente. Até bem pouco, correr atrás deste tipo de informação era impossível: antes de 2013, praticamente só se divulgavam as audiências da cidade de São Paulo. De quatro anos pra cá – período em que o Blog Teoria dos Jogos passou a monitorar tais estatísticas – o Rio ganhou igual destaque. O problema era saber o que se passava país adentro.  Mas desde julho passado, a Kantar Ibope Media – empresa responsável pela mensuração das audiências televisivas – começou a publicar seu top-10 semanal. E assim, tornou-se possível ter ao menos uma ideia das audiências não apenas nas duas principais metrópoles.

Por se tratar de um trabalho de tabulação exaustivo, esta coluna focará na comparação exclusiva dos números relacionados a Flamengo e Corinthians. Não sem antes deixar bem claras as limitações do modelo. Em primeiro lugar, não estão contemplados todos os jogos destas equipes, apenas aqueles que deram audiência suficiente para integrarem o top-10 semanal da TV Globo. Por isto a quantidade muito maior de partidas às quartas, dados seus números tradicionalmente superiores. Isto faz também com que alguns clubes estejam presentes no levantamento de carona em audiências proporcionadas por “puxadores de audiência” nacionais.

Especificamente no tocante a Mengão e Timão, é impossível não considerar a questão da fase dos times, principalmente pelo recorte (iniciado em 04/07/2016) não ser benéfico aos paulistas. Ele exclui, por exemplo, toda a participação alvinegra na Libertadores 2016. A partir desta data, o Flamengo lutou pelo título brasileiro e disputa a competição continental em 2017, enquanto o Corinthians vem tendo papel secundário em torneios de caráter nacional.

Ainda assim, a análise dos números é válida. Ela torna possível avaliar o impacto da veiculação de clássicos como o Fla x Flu ou Corinthians x Santos fora de suas praças de origem. Descobrir a afeição em capitais de maioria rubro-negra – casos de Manaus, Brasília e Vitória – ou corintiana (Campinas). E avaliar a relação distanciada de metrópoles como Goiânia, Recife, Curitiba ou Salvador. Boas ou más fases tendem a ter maior efeito nas cidades-sede, se dissipando e fazendo menos diferença em outras capitais do país.

CARACTERÍSTICAS REGIONAIS E ESPECIFICIDADES

Antes, uma breve pincelada nas características deste levantamento, bem como da demanda por jogos de futebol na TV Globo. O monitoramento Kantar/Ibope contempla quinze regiões metropolitanas, sendo elas São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Belo Horizonte, Campinas, Curitiba, Brasília (DF), Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre (POA), Recife, Salvador e Vitória. A amostra iniciada em julho não contempla os números do último final de semana.

Enquanto em algumas regiões a Globo tem enorme facilidade em angariar boas audiências com futebol (ex: Belém, Florianópolis, Manaus e Porto Alegre), em outras, números satisfatórios são uma verdadeira prova de fogo – casos de Curitiba, Goiânia e Salvador.

Uma separação importante é expor as audiências por dia de semana – quais sejam, às quartas e domingos. Isto porque os números variam de maneira representativa, sendo muito maiores em jogos durante a semana. Prova disto são as poucas partidas dominicais que compuseram o top-10 de audiências.

AS AUDIÊNCIAS DO FLAMENGO

Sem maiores divagações, vamos ao levantamento das audiências relativas ao Flamengo no período entre julho/2016 e março 2017:

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Até pela já citada boa fase que vem atravessando, o Rubro-Negro foi o clube que mais emplacou partidas no top-10 de audiências semanais da Globo: doze. Foram dez às quartas feiras (contra Santos, Palmeiras, Ponte e América/MG pelo Brasileirão; Figueirense (2) e Palestino (2), pela Copa Sul Americana; San Lorenzo e Universidad, pela Libertadores) e duas aos domingos (Internacional, pelo Brasileirão, e Fluminense, pelo Carioca 2017).

Duas praças não tinham partidas do Flamengo compondo seu top-10: São Paulo e Campinas – esta última, praticamente um espelho da capital. Outras cidades com pouca penetração rubro-negra foram Porto Alegre (2 jogos), Belo Horizonte (3), Curitiba e Recife (4). Em direção oposta, Brasília e Manaus assistiram às mesmas doze partidas veiculadas no Rio. Vitória, tradicional espelho carioca, estranhamente optou por Palmeiras x São Paulo na noite em que o Fla media forças com a Ponte Preta. Entre as praças que mais o acompanharam, Belém (11), Salvador (10), Florianópolis e Goiânia (9).

AS AUDIÊNCIAS DOS CORINTHIANS

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O Corinthians compôs as dez maiores audiências globais em nove oportunidades, sendo oito quartas-feiras. Os embates foram contra Atlético/PR, Coritiba e Figueirense (Brasileirão), Fluminense (2), Cruzeiro (2) e Brusque (Copa do Brasil, a última já pela edição 2017). Já o único domingo trouxe à tela o clássico diante do Santos, válido pelo Brasileirão passado.

Antes de se ater à comparação das audiências em si, o Corinthians ficou bem atrás do Flamengo no número de jogos veiculados na maioria das praças. Fora Campinas, quem mais o acompanhou foram Curitiba (seis), Porto Alegre e Belo Horizonte (cinco oportunidades). As demais metrópoles ficam entre três e nenhum televisionamento corintiano – casos de Rio de Janeiro, Manaus e Vitória.

AUDIÊNCIAS COMPARATIVAS – FLA X COR

As maiores médias do Flamengo ocorreram em praças que em nenhum momento optaram pelo Corinthians. E elas foram robustas: 31,5 pontos (às quartas) e 30,3 pontos (domingos) em Manaus – cidade onde o Flamengo se sai melhor. 30,2 pontos (Q) e 28,8 (D) no Rio. E 28 pontos (Q) + 29,8 (D) em Vitória. Em suas praças exclusivas, o Corinthians marcou 24,2 (Q) e 24,1 (D) em Sampa, enquanto Campinas apresentou 23,4 pontos às quartas e 26,7 aos domingos, num caso pouco comum de melhoria aos finais de semana.

Em Brasília e Belém, o Flamengo se saiu muito melhor. Na capital federal, a bem da verdade, a vitória foi de goleada: médias de 27,1 (Q) e 25,1 pontos (D), contra apenas 18,2 (Q) e 17,9 (D) dos paulistas em seus dois únicos jogos televisionados por lá. Já em Belém, o Fla venceu marcando 27,3 (Q) e 26,5 (Q) contra 24,9 (Q) e 21 (D) dos rivais interestaduais.

Em Belo Horizonte, vitória rubro-negra com menos folga: 22,1 (Q) com 19,2 (D) contra 21,6 (Q) e 16,5 (D). Mas pesa a favor do Corinthians o fato de ter encarado um time local por duas ocasiões: o Cruzeiro, pelas quartas-de-final da Copa do Brasil. Ou seja, o grosso das audiências que inflaram seus números em BH se deu por conta da preferência do telespectador pela Raposa.

Em Fortaleza, outra superioridade carioca com margem mediana: 21,4 pontos (Q) e 19,9 (D) contra 20,1 (Q) e 16,6 (D) do Corinthians. O mesmo aconteceu em Goiânia, a quinta capital de supremacia flamenguista: 18,3 (Q) + 20 (D) contra 17,2 (Q) + 16,8 do time paulista. O Recife foi a sexta: 19,2 pontos do Fla contra 18 do único jogo do Corinthians às quartas. Domingo houve apenas um jogo rubro negro, nenhum alvinegro.

Em Curitiba e Salvador, o melhor desempenho se mostrou indefinido. Na capital paranaense, o Flamengo foi melhor às quartas (20,6 a 18,6 pontos), dia que concentra o grosso das partidas presentes no ranking. Mas no único embate dominical de ambos, deu Corinthians: 16,7 pontos num Santos x Corinthians, contra 14 pontos daquele Internacional x Flamengo. O mesmo acontece em terras soteropolitanas, com cariocas levemente superiores às quartas (21,2 a 21) e paulistas se saindo melhor no mesmo clássico (19,2 a 15,6), em detrimento do Inter x Fla.

Outra capital de supremacia indefinida é Porto Alegre – apesar de os números novamente apontarem para um desempenho superior do Flamengo. De novo melhor às quartas, o Fla teve em seu benefício a escassez de ser veiculado apenas na chamativa partida diante do Palmeiras. O Corinthians teve quatro jogos em POA, sendo alguns de bem pouco apelo. Mais: o jogo dominical do Rubro Negro foi contra o Internacional, enquanto o do Corinthians foi contra o Santos. E o clássico paulista nem ficou tão abaixo.

Por fim, a cidade em que o Corinthians se saiu melhor foi Florianópolis. Às quartas, venceu por 29,4 pontos contra 28,2 dos oito jogos do Flamengo na cidade. Só que a única partida do Corinthians foi contra o catarinense Brusque, o que presumiria um benefício. Isto se o Flamengo não tivesse, por duas oportunidade, encarado o localíssimo Figueirense pela Copa Sul Americana. Aos domingos, um jogo pra cada lado e nova vitória corintiana por 16,2 a 15,6.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar das limitações do modelo – tanto melhor se contemplasse a totalidade das partidas, e não apenas as de melhor audiência – as tabelas não deixam de ser esclarecedoras. Principalmente em tempos em que reformula-se o rateio do dinheiro da TV aberta: a partir de 2019, se dará uma partilha 40% igualitária e 60% por performance (metade televisiva, metade por desempenho esportivo).

Seja por conta das fases distintas ou não, resta claro que, nos últimos meses, o Flamengo vem se saindo bem melhor do que o Corinthians em termos nacionais. Algo que, em breve, se refletirá no montante a adentrar os cofres de cada clube. Historicamente, Fla e Corinthians vieram equiparados pela Rede Globo na condição de detentores da maior fatia, em igualdade de condições. Muito por conta dos números nacionais de audiência do Flamengo,  aqui verificados. E também pela hegemonia corintiana nos mercados mais valorizados pela publicidade nacional: a cidade e o estado de São Paulo.

PS: Em breve apresentaremos as audiências locais das regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife – as que melhor permitem comparações entre os clubes das respectivas cidades.

Um grande abraço e saudações!

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A hora e a vez de um estádio para o Flamengo


Encerra-se hoje a semana  que talvez tenha reunido o maior número de acontecimentos importantes no que concerne à sucessão do Maracanã e ao futuro do futebol do Rio de Janeiro como o conhecemos.

Inseguros com relação a inúmeras questões jurídicas, o conglomerado que reunia CSM e GL Events (numa parceria com o Flamengo) abriu mão da compra da concessão do estádio, agora livre para ser vendida ao grupo concorrente, capitaneado pela Lagardère. Em nota oficial, o Flamengo ratificou sua posição contrária ao uso do estádio nestas condições, embora os franceses acreditem se tratar de um blefe, reversível em momentos futuros. Em meio a tantas turbulências, certezas se ratificam e novas oportunidades se configuram.

Para compreendê-las, entretanto, é necessário fazer uma retrospectiva que explique uma questão-chave, dessas verificadas na boca de qualquer torcedor comum. Por que diabos, afinal, uma instituição mais-que-centenária como o Flamengo ainda não possui estádio próprio?

A resposta ao questionamento remete à antológica frase cunhada pelo ex-presidente Márcio Braga, à época em que Ronaldo Fenômeno, então treinando em plena Gávea, surpreendeu a todos e assinou contrato com o Corinthians. Duramente questionado sobre o porquê de “o Flamengo não ter procurado Ronaldo”, Braga respondeu: “Porque ele não precisava ser procurado. Ronaldo já estava achado!”

A inexistência de uma arena rubro-negra vai ao encontro do que proferiu o ex-presidente. O Flamengo nunca construiu um estádio porque ele sempre teve um – o nome dele era Maracanã! Imagine-se sediado numa capital global como o Rio de Janeiro, há 60 anos coexistindo com aquele que, desde seu advento, se sacramentou como maior templo do futebol mundial? Mais: um estádio que por todo este tempo foi público, barato e disponível. Administrado por uma autarquia estadual (a Suderj), sempre cedido a preço de custo, sem maiores ônus, burocracias ou entroncamentos com calendário de shows. Era só pegar a chave e usar.

Por tudo isto, o Maracanã foi a casa não só do Flamengo como do Fluminense e do Botafogo – Vasco em menor escala.  Em tempos de hiperinflação, crédito restrito e enormes instabilidades políticas e econômicas, não fazia o menor sentido imaginar a hipótese de se construiu um estádio de ponta no Rio até bem pouco tempo. É verdade que a partir da década de 90 o Flamengo se notabilizou por um sem número de péssimas administrações, mas se existe um fardo que aquelas diretorias não podem carregar é este.

Situação bem diferente do que se verificava em São Paulo, por exemplo. Nunca houve, na maior metrópole brasileira, um grande estádio público de direito – apenas de fato. Talvez por analogia com o Rio, os paulistas tomaram para si o Morumbi, particular e pertencente ao São Paulo Futebol. Os tempos de convivência pacífica se foram, fazendo com que Corinthians e Palmeiras (também em menor escala) percebessem a burrada de depender do salão de festas alheio para o aniversário das crianças. Só pelos idos de 2010, e utilizando-se de instrumentos diametralmente opostos, movimentou-se no sentido da construção da Arena Corinthians e do Allianz Parque.

Importante compreender este contexto para que possamos novamente aterrissar em 2017, ano em que o Flamengo se aproxima dos últimos dias naquele que foi seu grande companheiro de glórias e derrocadas. Vivendo o ocaso da administração Odebrecht, o Maracanã ainda receberá ao menos um jogo do Flamengo pela Copa Libertadores – mês que vem, contra o Atlético-PR. A partir de então, foi dado o xeque-mate. E ele veio na forma de um edital publicado ontem no site oficial rubro-negro. Utilizando-se de um instrumento denominado “permuta com torna”, o Fla se prepara para ceder seu maior patrimônio – edifício do Morro da Viúva – em troca de algo. Pode perfeitamente ser um terreno. Para bom entendedor, meia palavra basta.

Prejudicado pela histórica existência de um bendito e predatório Maracanã, o Flamengo finalmente parece concluir que a construção do estádio próprio se faz mais do que necessária: vital. Para tanto, foi preparada a casa provisória na Arena da Ilha, evitando ao time a chaga das cansativas viagens ao longo da temporada. Enquanto isto, tenta superar o que é visto como maior entrave à construção do estádio: o custo de aquisição do terreno. Especialistas atestam que para o custeio das obras em si, existe caixa.

Diante do exposto, é recomendável que a torcida rubro-negra curta, aproveite, desfrute ao máximo sua experiência no antigo “Maior do Mundo” – tão próxima de um divórcio definitivo e litigioso. Aos que se acham espertos, um toque: Eduardo Bandeira de Mello não será presidente para sempre, é verdade. Mas o Flamengo passa longe de ser o clube das épocas em que negociatas eram vistas como prato de comida.

Um grande abraço e saudações!

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A Pesquisa da Vez – Manaus 2017

Detalhamento da pesquisa;

Localidade: Manaus/AM, entre 20 e 22 de janeiro de 2017

Instituto: Pesquisa 365

Amostra:  1.050 entrevistados

Margem de erro: 3 p.p

Está aberta a temporada 2017 de pesquisas de torcida! E a primeira do ano se deu numa localidade tão importante quanto, até bem pouco, negligenciada: Manaus, capital do Amazonas. Após anos sem pesquisas na região norte, o produtivo ano de 2012 trouxe luz a duas pesquisas elaboradas em terras manauaras e divulgadas pelo Blog Teoria dos Jogos. Desde então, nada mais foi dito. Até que o Instituto Pesquisa 365 se juntou ao “clube” frequentado por IPEN e ao GPP – elaboradores das pesquisas cinco anos atrás – e nos trouxe números aparentemente confiáveis, com grande semelhança aos verificados anteriormente. Vamos a eles:

Conforme amplamente sabido, o Flamengo detém a maior torcida de Manaus por larga margem: 39% da população. Mas o Vasco possui uma massa também representativa, atingindo 17,7% do total. A partir de então, torcidas paulistas ditam o jogo em detrimento dos demais cariocas. O São Paulo aparece com 5,1%, seguido do Corinthians (4,4%) e do Palmeiras (3,7%). Só então aparecem Botafogo (2,1%) e Fluminense (1,6%). O Santos fecha o top-8 com 1% das preferências. Números incrivelmente parecidos com os do estudo GPP/2012.

Quanto às tabulações específicas:

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Todas as agremiações crescem em seu universo masculino, onde apenas 9% não possuem time de futebol (contra 31% das mulheres). Diante dos 43% de homens flamenguistas, 20% de vascaínos e 7% são paulinos, há apenas uma reversão de ordenamento: mais palmeirenses (6%) do que corintianos (5%) no coração da Amazônia – talvez por influência do recente título brasileiro conquistado.

Olhando para as faixas etárias, extraem-se análises interessantes. Em termos absolutos, é a torcida do Flamengo a que mais cresce entre jovens: sobe de 34% entre aqueles com mais de 45 anos para 47% em meio aos jovens de 16 a 24 anos – ascensão de 13 pontos percentuais. Mas relativamente, os times que mais crescem são São Paulo e Corinthians, que saem de 1% e 2% para, respectivamente, 5% e 6%. Mais incrível é verificar o boom são paulino na faixa de 25 a 34 anos, quando atingiram robustos 9% – processo em menor escala também verificado com o Palmeiras. Subida que não se mostrou sustentável, dada a redução na base de ambos entre os mais jovens. O Vasco aparenta estabilidade, estacionado entre 17% e 18% em todas as faixas. Botafogo e Fluminense praticamente desaparecem entre jovens (1% cada), mesmo com o alvinegro detendo a terceira maior torcida daqueles acima de 45 anos (5%). Nesta faixa, o Flu possuía 4%, significando que, no passado, de fato as quatro maiores torcidas pertenciam aos quatro grandes do Rio.

Por escolaridade, a torcida do Flamengo diminui à medida com que avançam os anos de estudo: sai de 41% daqueles com ensino fundamental para 36% dos que concluíram o ensino superior. Processo oposto acontece com o Vasco, que cresce de 15% para 22% e equilibra a balança em ambientes universitários. Mas São Paulo e Corinthians também sobem, com ambos saindo de 3% para 7% nesta comparação.

Infelizmente, além de não contemplar recortes superiores nas faixas etárias (que vão apenas até os 45 anos), a pesquisa pisa na bola ao não contemplar a imprescindível análise sob a ótica da renda, substituída por uma descartável análise das torcidas segundo suas religiões.

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Errata: a verdadeira maior venda da história do Flamengo

Na última quinta postamos coluna sobre as maiores vendas da história do Flamengo,  numa comparação com a dupla Gre-Nal, tradicionalmente boa negociadora de seus ativos. Foram considerados os repasses de Renato Augusto e Jorge, respectivamente a Bayer Leverkusen e Monaco, sendo o meia da Seleção transferido no meio da temporada de 2008 – razão pela qual se fizeram necessárias atualizações cambiais e inflacionárias.

No entanto, visando disponibilizar sempre as informações mais precisas e confiáveis – expediente costumeiro do Blog Teoria dos Jogos – contactamos algumas fontes e apuramos outras negociações envolvendo ex-atletas rubro-negros. Tal investigação nos levou a concluir que a verdadeira maior venda da história do Flamengo não foi nem a de Jorge (como já havíamos refutado), tampouco a de Renato Augusto. Seria a de Sávio, comprado pelo Real Madrid em dezembro de 1997 pela fabulosa soma total de US$ 19.437.500,00, sendo US$ 6.437.500,00 em dinheiro e US$ 13 milhões através dos repasses de 50% dos direitos econômicos de Rodrigo Fabri (avaliados em US$ 5 milhões) e 100% de Zé Roberto – ele mesmo – por US$ 8 milhões. Segue documentação comprobatória:

Isto faria com que o atualizado ranking rubro-negro, ficasse assim:

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PS: A cotação do dólar considerada à época da transferência de Sávio foi a de R$ 1,11. O valor da transferência de Jorge foi atualizado para € 9 milhões.

Ou seja: temos que, considerando o valor bruto da negociação (direitos econômicos inclusos) a venda de Sávio foi uma das maiores da história do nosso futebol, superando em muito às da dupla Gre-Nal. Se incluirmos apenas os repasses financeiros, aí a venda de Sávio segue atrás da de Renato Augusto.

Um grande abraço e saudações!

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O que representa a venda de Jorge

Numa manhã turbulenta, que começou com a prisão do vice-presidente de futebol do Flamengo, Flávio Godinho, uma segunda bomba eclodiu pelos corredores do Ninho do Urubu – esta, com menor potencial destrutivo. Foi anunciada, de maneira extra oficial, a venda do lateral-esquerdo Jorge – justamente no dia seguinte à sua estreia pela Seleção Brasileira, na vitória do Brasil sobre a Colômbia. Após um período de esquizofrenia midiática, quando o jornal Extra chegou a divulgar a venda por R$ 68 milhões, os valores posteriormente convergiram para uma faixa bastante inferior: segundo o Globoesporte.com, €8,5 milhões (R$ 28,9 milhões). De acordo com o UOL, €8,8 milhões (R$ 29,9 milhões). Certo mesmo é que o Flamengo ficará com 70% da venda, o que equivale a algo entre R$ 20,2 milhões e R$ 20,9 milhões, seguindo as fontes.

Verdade que os valores não deixam de significar uma entrada de recursos em período de montagem de elenco e disputa de Libertadores. Mais do que isto, o retorno do Flamengo às transações de altas somas, pois há anos o clube não movimenta dezenas de milhões numa negociação. É amplamente sabido que, entre os grandes brasileiros, o Flamengo era o que menos arrecadava com a venda de direitos econômicos – uma verdadeira barreira à sua recente entrada no “clube dos endinheirados”. O Palmeiras, por exemplo – possivelmente o primeiro a ultrapassar a barreira dos R$ 500 milhões em receitas em 2016 – só conseguiu a façanha por conta da venda de Gabriel Jesus, um negócio de R$ 121 milhões. De volta à realidade, o orçamento alviverde para 2017 recuou à casa dos R$ 389 milhões.

De qualquer maneira, a venda do lateral por valores muito inferiores ao que se imaginava, além de recheada de lamentações, vem circundada por informações questionáveis e por um retrato do tamanho da histórica incapacidade flamenguista nesta seara.

Pra início de conversa, não se trata da “maior venda da história do Flamengo”, ao menos não sob o ponto de vista europeu – para quem um euro quase sempre valeu um euro. Em julho de 2008, o Fla vendeu o meia Renato Augusto por €10 milhões, o que hoje equivaleria a R$ 34 milhões, mas à época representavam R$ 25 milhões. Os tais R$ 15 milhões propalados pela mídia representam os 60% a que o clube tinha direito na transação, pouco abaixo do verificado agora com Jorge. Sendo assim, sob a ótica do mercado do futebol, Renato Augusto valia €10 milhões em 2008, Jorge vale €8,8 milhões em 2017. Não é preciso dizer que a “melhor venda” de agora se trata de mera questão de taxa de câmbio, sem a devida correção inflacionária.

Mas e pela ótica interna? Expostos a uma inflação galopante, por aqui definitivamente não podemos dizer que um real vale sempre um real. Decidimos, então, comparar o Flamengo a alguns dos melhores vendedores de atletas do futebol brasileiro, Grêmio e Internacional, corrigindo valores históricos pelo IGP-M. O autor do levantamento foi Alexandre Perin, do Blog Almanaque Esportivo, a quem agradecemos a gentileza pela disponibilização:

INTERNACIONAL:

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GRÊMIO:

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PS: Para a venda de Jorge, foi considerado o valor de €8,8 milhões e a taxa de câmbio de €1 = R$ 3,405036. Caso outros valores divulgados na mídia sejam considerados, a posição no ranking muda.

Temos que a venda de Jorge figuraria apenas na 15ª posição do ranking de melhores negócios da história do Internacional, 12º na comparação com o Grêmio. Há que se considerar, naturalmente, que a posição de lateral não é das mais usuais nesta lista – apenas Mário Fernandes, do Grêmio, aparece à frente da cria da Gávea. De qualquer maneira, dada a idade e a técnica do rubro-negro, era de se esperar algo que envolvesse montantes superiores. Para o bem das próprias finanças do Flamengo, em seu resgate da credibilidade frente ao mercado internacional.

Um grande abraço e saudações!

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Carabao: quem é, o que pretende, aonde quer chegar

Fla Carabao

No final do ano passado, veio a informação de que a Carabao Energy Drink – até então desconhecida fabricante tailandesa de bebidas energéticas – patrocinaria o Flamengo com valores e termos inéditos em se tratando do mercado brasileiro. Durante a temporada de 2017 serão R$ 15 milhões anuais pela exploração das mangas do uniforme rubro-negro, passando a R$ 35 milhões a partir de 2018, quando a empresa assumirá o peito e a condição de principal patrocinadora do clube até 2022.

Como não deixaria de ser em se tratando dos flamenguistas, formou-se um tsunami de euforia, otimismo e curiosidade. Torcedores tomaram a web em memes exaltando a Carabao em detrimento de suas principais concorrentes. Gerou-se enorme desejo de consumo no tocante a um produto que ainda sequer aportou no mercado – e sobre o qual, portanto, se desconhecem preços e qualidade. Criou-se uma quase umbilical relação baseada na piada do “nem te conheço e já te considero”. Tudo por uma companhia que só criou perfil oficial no Facebook do Brasil dia 30 de dezembro – concomitante ao anúncio da parceria com o Fla.

Brincadeiras e exageros à parte, é mais do que pertinente questionar não apenas quem é, mas o que pretende e aonde quer chegar a Carabao.

Pra início de conversa, estaríamos diante de alguma aventureira? A princípio, não. Segundo matéria do Meio & Mensagem – de onde foram extraídas algumas das informações aqui processadas – a Carabao é uma empresa fundada em 2002, com maior presença na Ásia e detentora de 17% do market share de energéticos na Tailândia. Com processo de internacionalização iniciado em 2004, o Flamengo não é o maior investimento esportivo da mesma: para a temporada 2017/2018, o conglomerado adquiriu os naming rights da Copa da Liga Inglesa por aproximadamente US$ 12,2 milhões (R$ 38,6 milhões); o patrocínio do uniforme de treino do Chelsea por 10 milhões de libras anuais (R$ 39 milhões); e a condição de patrocinador principal do Reading FC, da segunda divisão da Inglaterra, dispendendo a bagatela de US$ 37 milhões (R$ 117,2 milhões) por temporada.

A grande questão é o tamanho da Carabao em face do volume de seus investimentos. Estima-se que a companhia tenha fechado 2015 com receita próxima aos US$ 225 milhões. Isto faria com que apenas os aportes futuros a EFL Cup, Chelsea, Reading e Flamengo – que somarão cerca de US$ 65 milhões em 2017 – representem mais de um quarto de tudo o que a empresa vem faturando. Fica difícil não comparar tamanha agressividade a um all in por parte da Carabao, algo um tanto preocupante caso ela não atinja suas metas. Bom lembrar que, além dos valores envolvidos, o contrato firmado com o Flamengo foi também exaltado justamente por seu prazo de seis anos, o mais longo entre os principais anunciantes do futebol tupiniquim.

E quais seriam, afinal, as tais metas da Carabao? Uma dica surgiu em matéria publicada pelo Mundo Rubro Negro, quando foi revelado que o contrato dos tailandeses com o Flamengo presume pagamento de R$ 10 milhões adicionais caso ultrapassem a marca das 70 milhões de latinhas vendidas. O bônus iria a incríveis R$ 80 milhões caso a Carabao venha a se tornar líder de mercado durante a vigência do contrato com o clube carioca.

Parece ousado, quase insano, talvez porque realmente seja. Segundo material extraído do portal da revista Exame, em junho de 2016, o mercado brasileiro de bebidas energéticas fechou 2015 com consumo total de 390 milhões de latas e viés de alta próximo aos 15% anuais. Mantida a expectativa, significa que em 2017 serão comercializadas cerca de 515 milhões de unidades. Assim, as 70 milhões de latas necessárias para o Flamengo acionar seu primeiro bônus (de R$ 10 milhões) tornariam a Carabao detentora de 13,6% do mercado – quase o que ela detém em seu próprio país.

Atingida a primeira meta, teríamos os tailandeses na segunda posição no ranking de market share nacional, pois assim seria a estrutura do mercado brasileiro de bebidas energéticas em 2015: Red Bull (43%), Ambev e Coca-Cola (10%), Grupo Petrópolis (8%), Globalbev (5%), Monster (4%), outros (20%). Ou seja, para acionar o segundo bônus (de R$ 80 milhões), a Carabao precisaria ultrapassar a inacreditável barreira das 222 milhões de latas vendidas.

Há uma semana, a página do jornal Extra trouxe ainda mais luz sobre o plano de metas da fabricante asiática. Segundo a publicação, uma das cláusulas do contrato determinaria a venda de 37 milhões de latas até o dia 30 de setembro de 2018, ultrapassando as 40 milhões de 2019 em diante. Tudo sob pena de rompimento de contrato, caso as projeções não sejam atingidas. Nossos cálculos do parágrafo anterior – que tem como base o ano de 2017 – indicam que a Carabao rescindiria seu acordo com o Flamengo caso não atinja 7% do market share no Brasil.

Em se tratando de um mercado tão pulverizado e competitivo, estaríamos praticamente diante de um devaneio. Primeiro porque estima-se que existam mais de cem marcas de energético por aqui. E em segundo lugar, para atingir seus “meros” 8% de market share atuais, o energético TNT, do Grupo Petrópolis, ocupa nada menos que a condição de patrocinador oficial da Scuderia Ferrari de Fórmula-1 há alguns anos. Nem é preciso discorrer a respeito do volume de investimentos da Red Bull no próprio automobilismo, na TV, futebol e em esportes radicais globalmente.

Diante do exposto, temos que a Carabao surge aparentando ser uma empresa jovem, audaciosa e possivelmente bastante alavancada. O que colherá no futuro depende, sobremaneira, do sucesso de suas empreitadas no universo esportivo inglês e brasileiro. Por aqui, e até o momento, seu único representante seria o Clube de Regatas do Flamengo. Nele residiria a esperança de visibilidade oferecida pela instituição, bem como o consumo potencial de sua enorme torcida. Ainda assim, fica difícil acreditar que metas traçadas para cachorros tão grandes sejam facilmente atingidas por touros ainda tão pequenos.

Um grande abraço e saudações!

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