Arquivo da tag: Fluminense

A Pesquisa da Vez: Datafolha 2018

Detalhamento da pesquisa:

Localidade: Todo o território nacional

Instituto: Datafolha

Amostra: 2.826 entrevistas, em 174 municípios, entre 29 e 30 de janeiro de 2018

Margem de erro: 2 p.p

Tão fresquinha que nem a Folha de São Paulo – porta voz do instituto Datafolha – divulgou os números completos ainda. Mas como era de se esperar, o Blog Teoria dos Jogos preenche esta lacuna, trazendo a público todas as informações sobre a mais recente pesquisa de torcidas no Brasil. Após um período de quase-banalização, eis que as pesquisas rarearam – o último estudo nacional do Datafolha datava de 2014, também às vésperas da Copa. Vamos, portanto, aos resultados, com importantes considerações em seguida.

Iniciemos com o velho (e de certa forma cansativo) debate: a quem pertence a maior torcida do Brasil? Olhando para os números acima, não restam dúvidas: Flamengo 18% contra Corinthians 14%. Mas quem leu a primeira matéria da Folha de S.Paulo a respeito coçou a cabeça: no cabeçalho, é dito que ambos estariam empatados no limite da margem de erro, pois uma variação negativa do Flamengo contra uma positiva do Corinthians equipararia as coisas em 16%. Trata-se, no mínimo, de uma desonestidade intelectual, típica dos que precisam afagar a maioria no estado-sede. Isto porque a chance desta variação ocorrer é a mesma de o Flamengo verificar majoração positiva em dois pontos, com o Corinthians decaindo os mesmos dois. Nesta hipótese, pertenceria ao Flamengo a surra de 20% a 12%, configuração tão irreal quanto. Mas isto a Folha não diz.

Tem mais. Margens de erro não funcionam na base do “dois pontos percentuais pra todo mundo”. Fosse assim, clubes com 1% das preferências (como o Bahia) variariam entre 3% e… -1%! Ou mesmo zero, levando proeminentes torcidas regionais à condição de inexistência. Parece óbvio que estas não são opções válidas. A questão é que margens de erro são proporcionais ao “tamanho do número”, sendo assim, quanto menor o percentual, menor a margem. Só isto já é suficiente para dizer que mesmo a variação benéfica aos paulistas (eles pra cima e cariocas para baixo) não seria suficiente para atingir a condição de empate técnico. Sendo assim, é correto afirmar: Não existe qualquer dúvida sobre a inexistência de um empate na primeira posição. Para alguns, uma verdade inconveniente.

Finda esta questão, é bom recordar que foi o Datafolha quem ocultou, por semanas a fio, a pesquisa elaborada por eles mesmos em 2014. Ocultação denunciada pelo Blog Teoria dos Jogos em uma das colunas de maior repercussão na sua história. Curiosamente, apenas um dia depois, o instituto revelou a pesquisa que havia retido.

Além do entrevero envolvendo margens de erro, existe outro bem problemático em tudo o que o Datafolha faz: o arredondamento. Foi ele que, seis anos atrás, colocou torcidas em convulsão por conta da equiparação do Fluminense à Portuguesa, atribuindo a ambos 1% das preferências nacionais. Pressionado pela opinião pública, o instituto se viu obrigado a divulgar os números exatos, que revelaram um Fluminense com 1,46%, contra 0,51% da Lusa. Se é quase irresponsável divulgar que uma torcida três vezes maior seja igual à outra, beira a inconsciência acreditar que a torcida tricolor possa mesmo ser três vezes superior à da Lusinha – e não dez, quinze ou até vinte vezes. Esta sempre foi uma das grandes críticas ao instituto: o enfoque excessivo de sua amostragem no estado de São Paulo.

Pois bem, se agora a Lusa nem aparece, outro empate pode ser atribuído à questão do arredondamento: aquele entre Bahia e Vitória, no mesmo 1% das preferências. Inúmeras pesquisas atribuem à massa tricolor algo entre 50% a mais e o dobro dos rubro-negros da Boa Terra. É quase certo que numa nova divulgação de números exatos, o mesmo fosse identificado. Fica a questão: se todos os institutos divulgam pesquisas com uma casa decimal, por que o Datafolha insiste em não fazê-lo? Não custaria absolutamente nada além de duas digitações, a da vírgula e a do décimo.

Mas ainda existe um último questionamento. Na pesquisa divulgada hoje, o Sport sequer aparece na lista dos votados – ou seja, o Leão pernambucano foi acomodado dentro de nada desprezíveis 8% de “outros”. Só que numa pesquisa fidedigna, seria imperativo que os pernambucanos aparecessem (bem) à frente do Vitória, pois algumas outras já o colocaram mesmo adiante do Bahia. Se torcidas tão importantes estão dentro do “outros”, e se este agregado atingiu índice tão proeminente (equiparado ao tamanho do São Paulo, terceira maior torcida do país), por que não abri-lo? Novamente: o que custa revelar os percentuais de todos os que bateram 1% – mesmo os que o fazem com base no famigerado arredondamento? A mesma reivindicação se aplica aos importantes Atlético-PR e Coritiba, agregados dentro de um catadão que não lhes é de direito.

Debatidas as derrapagens, vamos aos números dos que ainda não citamos. O São Paulo surge com 8%, o Palmeiras com 6%, Vasco e Cruzeiro, 4%, Grêmio, Santos e Internacional, 3%, Atlético-MG com 2%, Botafogo e Fluminense, 1%. De todos, apenas o Cruzeiro variou positivamente, um ponto percentual acima da pesquisa de 2014. Vasco, Botafogo e Fluminense variaram um para baixo.

Em tese, estaríamos diante de acomodações naturais e dentro da margem de erro, pouco ou nada sugerindo crescimento ou diminuição de torcidas. Somado ao controverso arredondamento, pode-se muito bem explicar o surpreendente empate envolvendo cruzmaltinos e celestes (exemplo: 4,4% para o Vasco e 3,6% para o Cruzeiro se tornaria um 4% a 4%).O fato de o ordenamento colocar o Gigante da Colina à frente da Raposa comprova seu patamar superior. Mas é sempre bom ficar atento ao decréscimo há muito identificado no seio da torcida vascaína. Analogamente, o Bahia aparece à frente de Bota e Flu, comprovante de que os baianos há algum tempo acionaram a seta e ultrapassaram dois dos quatro cariocas.

Vamos às tabulações por sexo, idade, escolaridade e renda:

Clique para ampliar

A sensação de grandes torcidas às ruas tem relação inequívoca com o tamanho das mesmas entre homens. Não, não de trata-se de sexismo, mas de engajamento comprovado em números. Tanto que apenas 12% dos brasileiros afirmam não torcer por nenhum time, contra relevantes 32% delas. Esta e outras razões (como a violência) constituem o porquê de estádios serem ambientes tão majoritariamente masculinos. Sob esta ótica, a maioria rubro-negra é ainda mais proeminente: 19%, contra 15% do Corinthians e 10% do São Paulo. E o Vasco descola do Cruzeiro, marcando 6% contra 4%.

Em direção oposta, a melhor configuração de torcidas possível é aquela em que a diferença entre homens e mulheres não é tão grande, afinal, elas também fazem número. E muito mais, compõem uma enorme massa potencial de consumo em franco crescimento. Neste sentido, ponto negativo para São Paulo e Vasco, que possuem torcida feminina equivalente à metade da masculina. Uma louvável exceção: apenas o Galo mineiro surgiu com atleticanas em quantidade superior à de atleticanos. Caso raro.

A análise por faixa etária empata com a das rendas como recortes mais importantes nas pesquisas. Isto porque uma aponta o tamanho futuro das massas, enquanto outro indica quem consome ou tem potencial de consumir – mesmo em torcidas menores do que outras. Vamos à avaliação do primeiro grupo.

Por idade, não é de hoje, o Flamengo encerra toda e qualquer controvérsia quanto à sua liderança. Na faixa mais jovem, entre 16 e 24 anos, o Mengão explode a incríveis 24%, contra 17% do Timão. Isto, ao menos por ora, é indicativo de que nossa geração não verá qualquer mudança no topo do ordenamento. O aumento entre a garotada rubro-negra é tão impactante que supera em muito faixas reconhecidamente pertencentes à “era Zico”: 20% entre 35 e 44 anos, e 18% entre 45 e 59 anos.

Mas percebam outra estatística interessante: entre os mais velhos (acima de 60), a torcida do Corinthians surge maior que a do Fla (11% a 9%). Em tese, indicativo de que um dia corintianos foram maioria, correto? Errado. Ao menos em se tratando das pesquisas do passado e de antigos relatos em jornais e revistas, que desde sempre atribuíram aos cariocas a condição de Mais Querido. Uma explicação recai sobre o “desalento” que acomete às faixas etárias mais avançadas. Notem que, entre jovens, quem não tem time soma apenas 13%, catapultados a 31% entre os mais velhos. É como se mais flamenguistas do que corintianos tivessem “desistido” em meio à longa jornada. Se olharmos para os últimos 20 anos, notaremos claramente que vem sendo mais fácil e prazeroso (em termos de títulos) integrar os quadros da Fiel…

Mais um que cresce entre os jovens é o São Paulo: marca 8% no geral e 11% em meio àqueles entre 16 e 24. Isto nos leva à impressionante tendência de que, no futuro, Flamengo, Corinthians e São Paulo somem 52% da torcida brasileira – numero hoje estacionado nos 40%. Os demais clubes se encontram em tendência de estabilidade, mas outros como Palmeiras e Vasco sugerem propensão à queda (decerto, os três últimos anos do Palmeiras ainda não foram captados). Importante também mirar os números do Santos, que marca 4% entre os mais velhos (“era Pelé”) e despenca para 1% entre a segunda faixa mais avançada, que já pouco assistiu aos desfiles do Rei. Após isso, santistas voltam a subir lenta porém consistentemente, até atingir 3% entre os jovens. Santas gerações de Robinho, Diego, Neymar e Ganso. Olhem para o Botafogo e percebam que uma única geração mágica no passado remoto deixou de fazer verão: 3% entre os mais velhos, 1% nas demais faixas etárias.

Clique para ampliar

Já que falamos da sua importância, abordemos os parâmetros de renda antes da escolaridade. O mais questionável, sem sombra de dúvidas, é o Flamengo tão superior ao Corinthians entre os mais ricos – aqueles com renda média superior aos 10 salários mínimos (R$ 10 mil). Os 19% a 11% a favor do Rubro-Negro não estão em linha com outras pesquisas que já demonstraram equilíbrio ou mesmo o Corinthians à frente. A explicação recai sobre a margem de erro do recorte (apenas 97 entrevistados), já que, em proporção, são poucos os brasileiros com renda mais alta. Portanto, a amostragem relativamente pequena, com menos de 3 mil entrevistas, acaba se saindo a vilã.

Mas se é isto que os números apontam, é o que temos: um enorme potencial de renda, ainda que adormecido, em meio aos rubro-negros. Faz sentido que haja cada vez mais flamenguistas endinheirados: em 2017, o Sudeste foi a única região do país que verificou queda na renda média da população. O Brasil que mais cresce, há anos, é o Brasil que enverga preto e vermelho, pois 80% da Nação se encontra espalhada entre as regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste (alguma coisa no Sul, veremos adiante). E por que tanto potencial estaria adormecido? Bom… desde o início do ano, o Nação Rubro Negra, projeto de sócio-torcedor do clube, já perdeu inimagináveis 44 mil associados (em defesa da torcida, existem explicações racionais). Fora relatos variados sobre a dificuldade de se fomentar propensão ao consumo entre os verdadeiramente ricos na torcida.

Em termos proporcionais, o crescimento mais acentuado entre ricos pertence ao São Paulo. O Tricolor do Morumbi sobe de 7% em meio aos mais pobres para incríveis 13% acima de 10 salários, expressivo aumento de 86%. Suficiente, inclusive, para colocá-los à frente dos arquirrivais corintianos sob esta ótica. O Palmeiras vem a reboque, saindo de 5% para 9% entre os abastados (80% de aumento). Mais que eles, só o Grêmio, que vai de 2% até 5% (150% a mais), embora números pequenos tenham maior tendência de apresentarem variações fora da curva. O Cruzeiro é outro que sobe (de maneira menos acentuada) e atinge 5%. O que faz com que tanto a maior torcida mineira quanto a gaúcha superem um Vasco estacionado nos 4%. Inter e Botafogo vão bem neste quesito, enquanto o Fluminense se mantém estável – não condizendo com o enorme potencial de renda dos tricolores no Rio. Neste último caso, o impacto negativo viria dos torcedores do Fluzão país afora.

No que tange aos mais pobres, destaque para o Bahia, que parte de 2% na faixa mais humilde até o completo desaparecimento acima dos cinco salários. O Flamengo torna latente sua vocação popular, acachapando 20% contra 13% do Corinthians. Eis um recorte com confiabilidade bastante alta: entrevistaram nada menos que 1.333 pessoas, 47% da amostra.

Por escolaridade, quem mais cresce à medida com que aumentam os anos de estudo é novamente o São Paulo, saindo de 7% entre os menos letrados para 11% mediante os mais. Na média, a variação de todos os clubes é menos expressiva do que nas análises de idade e renda. Os 18% fixos apresentados pelo Flamengo entre pessoas com ensino fundamental, médio e superior indicam que o contínuo aumento do número de estudantes nas faculdades vem tornando mais equânime esta estatística. De todo modo, outras torcidas crescem com os anos de estudo, como a do Grêmio.

O estudo apresenta ainda a configuração de torcidas divididas entre populações economicamente ativas ou não, o que julgamos se tratar de um dado menos relevante.

Clique para ampliar

Aqui, relevância absoluta: torcidas dissecadas de acordo com as regiões do país. Apesar do oba-oba como se fora novidade (sempre eles…), Corinthians maior do que Flamengo no Sudeste é mais velho do que andar para frente – basta olhar para a populações de seus estados de origem. Na região mais rica do país, corintianos marcam 19%, flamenguistas 14%, são paulinos 10%, palmeirenses e cruzeirenses, 8%. Depois temos Atlético-MG (5%), Vasco e Santos (4%, ambos), Botafogo e Fluminense (2% cada). Nos dedicamos de maneira abrangente ao Sudeste por se tratar da única região em que aglutinação dos “outros” faz pouquíssima diferença, insignificantes 2%. Nas demais, conforme veremos, o vergonhoso “catadão dos excluídos” impacta sobre os números finais, o que decerto modificaria o ordenamento.

No Sul, os adeptos que realmente se fazem notar são do Grêmio (20%), Internacional (18%), Corinthians (12%) e Flamengo (8%). Atlético-PR, Coritiba, Paraná, Figueirense, Avaí, Chapecoense, Criciúma e Joinville se aglutinam na infâmia dos 10%.

No Nordeste, o Fla inicia seu processo de extrapolação de limites, marcando 23% contra 9% do Corinthians. O Vasco vai bem, ultrapassa São Paulo e Palmeiras e atinge 6% das preferências, mesmo índice do Bahia. Enquanto o Vitória sua para atingir 3%, fazendo recordar o absurdo relatado no sexto parágrafo. Aqui, o baixo clero mais parece alto, pois atinge 14% dos habitantes. Certamente um Sport gigantesco, mas não somente ele: Santa Cruz, Ceará, Fortaleza, Náutico e tantos outros que fica difícil citar a todos.

No Centro Oeste, o Flamengo é tão soberano quanto no Nordeste, inclusive mantendo o índice. Mas o Corinthians cresce bastante, a ponto de atingir 15% da amostragem. Isto porque o Mato Grosso do Sul é um estado de maioria corintiana, ao passo que Mato Grosso se divide entre Flamengo e Corinthians. Goiás e Distrito Federal se incumbem de fazer a balança pender para lados cariocas. Pela mesma razão, São Paulo (9%), Palmeiras (6%) e Santos (4%) são tão maiores que o Vasco (2%). Dada a fraqueza dos clubes locais, o catadão soma 7%, decerto composto por clubes de fora da região.

Já o Norte ultrapassa a barreira do inimaginável, com o Flamengo abarcando 37% de toda a região. Trata-se de um número superior ao que demonstra a maioria, senão todas as pesquisas já publicadas. Por conta dos também absurdos 19% de “outros”, sobra pouco para Corinthians (8%), Vasco (7%) e São Paulo (6%) dividirem. Mas… 19% de outros? Sim, amigo. Deixaram de fora nada menos que dois fenômenos paraenses: Remo e Paysandu, cada um com torcida superior a um milhão de pessoas. Numa região com cerca de 16 milhões de habitantes, escorrem pelo ralo cerca de 13% só com a dupla Re-Pa.

Dois comparativos interessantes: com o Mapa das Torcidas do Facebook, detalhado até o mínimo denominador pelo Blog Teoria dos Jogos, e com os dados por região da pesquisa Datafolha 2014. No primeiro caso, diferenças por vezes substanciais de acordo com a região. Outras vezes, semelhanças um tanto surpreendentes. O que não muda é o ordenamento das torcidas, basicamente igual.

Já o segundo comparativo nos apresenta um Corinthians com importante variação positiva no Sul (de 6% em 2014 para incríveis 12% agora) e caindo no Norte (de 11% até 8%). O Flamengo sobe forte no Norte (de 32% para 37%) e mais delicadamente no Sul (de 6% para 8%), com queda equivalente no Centro Oeste (de 25% até 23%). O Palmeiras sobe dois pontos percentuais no Sul e cai três no Norte. O Santos cai três no Sul e sobe dois no Centro Oeste. O Vasco cai dois no Centro Oeste, o Grêmio cai dois no Sul e o Bahia sobe dois no Nordeste. Todas as demais variações são unitárias, por isso menos representativas.

Clique para ampliar

Nossa última estatística recai sobre o perfil das torcidas segundo a natureza e o porte dos municípios. Contraditórias entre si, bagunçam o imaginário rubro-negro, povoado pela “maioria à medida com que se interioriza”. Segundo o Datafolha, a diferença entre Flamengo e Corinthians se reduz no interior, e não o contrário. Seriam 18% a 15% a favor do Rubro-Negro país adentro, em face de imponentes 20% a 13% nas capitais (com boa diminuição da margem ao contemplarem demais cidades das regiões metropolitanas). Lembrando que os interiores compuseram ampla maioria da amostra, conforme demonstra a tabela. Mas quando nos debruçamos sobre o porte do município, o vetor é oposto: 19% a 13% pró-Fla nas menores cidades (até 50 mil habitantes), 17% a 16% nas maiores (acima de 500 mil). Fica o dito pelo não-dito.

Para terminarmos, tabelas de lambuja quem fomentam saudáveis discussões clubísticas, sem maiores divagações. Trata-se do interesse de cada torcida por futebol e pela Copa do Mundo, fonte de interessantes apontamentos.

Clique para ampliar
Clique para ampliar

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

As audiências dos estaduais 2018 – Rio e São Paulo

Por algum tempo, audiências em queda do futebol na TV aberta preocuparam executivos da Globo. Tratava-se, entretanto, de um processo natural, em face do crescimento da TV fechada e do pay per view – produtos majoritariamente controlados pelo próprio grupo Globo. De qualquer maneira, se a tendência se mantivesse, era de se questionar a pertinência da manutenção dos jogos de quarta e domingo, em detrimento de transmissões mais exclusivas ou requintadas, como a Champions League e a Seleção Brasileira.

Mas a enorme crise que assola o país desde 2014, bem como o processo de redução da TV paga pelo crescimento do streaming, fizeram com que o processo se revertesse de maneira robusta. Se por um lado existem prejuízos pela diminuição da venda de pacotes de TV fechada e pay per view, por outro a Globo voltou a navegar com imensa supremacia sobre a concorrência, ao menos no tocante aos campeonatos do Rio e de São Paulo. Os números a seguir se referem às recém-finalizadas edições de 2018 para os dois principais estaduais do Brasil.

Para compreendê-los, importante ter em mente as diferenças de audiências entre jogos televisionados às quartas (maiores) e domingos/fins de semana (bem menores, mais ainda nas excepcionalidades dos sábados), junto ao óbvio apelo dos clássicos na comparação com confrontos de grandes contra pequenos. Além disso, o tamanho das torcidas faz toda diferença neste universo, bem como a participação em jogos decisivos ou nas finais dos torneios. Por fim, cada ponto de audiência representa 70,5 mil domicílios ou 199,3 mil indivíduos em São Paulo. No Rio, 44,05 mil lares e 116,9 mil pessoas.

RIO DE JANEIRO

Mais inesperado do que o título do Botafogo foi o fato de o Alvinegro ter sido o clube mais televisionado do Cariocão 2018. Foram nada menos do que oito transmissões, contra sete do costumeiro líder Flamengo. Tudo se deveu à reta final do campeonato, pois as cinco últimas transmissões do estadual* foram clássicos envolvendo o Botafogo – apenas uma contemplou o Flamengo. Antes desta sequência, ou seja, no campeonato “regular”, eram seis jogos do Fla contra três do Bota. Ao final, o Vasco atingiu cinco jogos na TV e o Fluminense três.

*Foram eles: Vasco x Botafogo (semifinal Taça Rio), Fluminense x Botafogo (final Taça Rio), Flamengo x Botafogo (semifinal estadual), Botafogo x Vasco e Vasco x Botafogo (finalíssimas).

De qualquer maneira, e como veremos adiante, nem o excesso de clássicos envolvendo a Estrela Solitária foram capazes de fazê-lo suplantar o clube de maior torcida no agregado final. O Mengão terminou o Carioca com a excelente média de 28,4 pontos de audiência por jogo, número 10% superior aos 25,7 do Fogão (o share foi mais equilibrado: 50% a 48%). O Vasco fez 24,6 pontos médios e o Fluminense, 20,6, sendo único com share abaixo dos 40%. Importante relembrar que, diferente do que ocorre no Brasileirão, no estadual os quatro grandes recebem a mesma cota de televisionamento por parte da Globo.

Sob o espectro dos clássicos e não-clássicos (grandes x pequenos), o Botafogo tinha tudo para fazer valer a vantagem ter tido tantas transmissões em jogos com apelo. Das oito partidas do Glorioso na TV, seis foram clássicos – número que nenhum outro chega perto (o Vasco teve três, o Fla dois e o Flu apenas um). Mas índices apenas razoáveis, como o Flamengo x Botafogo do sábado de Carnaval (naturais 23 com 51%, por se tratar de um feriado com baixo número de televisores ligados) ou o Flu x Bota da decisão da Taça Rio (23 com 45%) jogaram seus números para baixo.

Até mesmo as audiências das decisões frente ao Vasco (26 e 29 pontos, respectivamente) podem ser consideradas decepcionantes, já que os Fla x Flus do ano anterior marcaram nada menos que 35 e 40 pontos. Sendo assim, o Bota marcou 28,3 pontos nos grandes embates, à frente apenas do Flu (23) e superado por Vasco (28,6) e Flamengo (30,5). Detalhe: os únicos clássicos rubro-negros foram contra o próprio Botafogo – aquele do sábado de Carnaval e outro de audiência absurda (38 pontos com 58%), na semifinal geral.

É sob a ótica dos jogos menores que a supremacia do Flamengo fica cristalina. Por saber que a vantagem do Rubro-Negro para os demais é enorme, a Globo marca muitos mais jogos dele – foram cinco, contra dois dos outros grandes. E a diferença do Fla (27,6 pontos) para o Flu (19,5), segundo colocado, foi voraz: 42% a mais. Neste recorte, o Botafogo foi o pior do Rio, embora leve vantagem sobre o Vasco no quesito participação (38% a 37%).

A última análise recai sobre jogos de meio e fim de semana. Às quartas, o pior da estatística anterior dá uma remontada e assume a liderança: o Botafogo. Muito porque seus dois únicos jogos nestas condições foram clássicos na reta final do Carioca, contra Vasco e Flamengo. O clube da Gávea, em segundo, teve três confrontos nas noites nobres do futebol, sendo dois contra nanicos. Vasco e Fluminense tiveram um joguinho cada, mas o do cruzmaltino foi um clássico contra o Botafogo, enquanto o Tricolor encarava a modesta Portuguesa – daí seu desempenho tão abaixo dos demais.

Por fim, os finais de semana – seriam “domingos”, mas o sábado de Carnaval nos obrigou a mudar a nomenclatura. Neles, nada de novo: Flamengo na cabeça (25,5 com 49%). E novamente de forma inconteste, pois apenas um de seus quatro dominicais foi clássico – o tal desfile de Carnaval. Aqui, chamou atenção mesmo a final da Taça Guanabara, entre o Mais Querido e o Boavista, com impactantes 34 pontos com 55%. Participantes da final, Vasco (23) e Botafogo (22,8) vem em seguida, sendo que o clube de General Severiano foi quem mais teve jogos. O Tricolor das Laranjeiras teve média de 20,5, desta vez não tão afastado quanto nos recortes anteriores.

SÃO PAULO

COMPARATIVO COM O RIO

Na comparação com os números expostos do Rio, pode-se dizer que São Paulo levou vantagem em 2018, com seu estadual terminando numa média de 25,7 pontos de audiência, contra 24,7 do Carioca. Além do maior número de datas (20 a 17), pesaram as audiências explosivas da final entre Corinthians e Palmeiras, junto aos números decepcionantes da Cidade Maravilhosa. Excluindo as finalíssimas, o Rio vinha com 24,3 de média, contra 24,2 do Paulistão. Virtudes da presença da maior torcida na final, em face da ausência em terras cariocas. No ano passado, os Fla x Flus decisivos tiveram 37,5 pontos de média, contra 27,5 dos recentes Vasco x Botafogo. Em compensação, a final paulista de 2018 superou a todo e qualquer confronto recente: inacreditáveis 39,5 pontos médios antenados à consagração corintiana.

Em Sampa, deu a lógica, com o Timão mais televisionado (nove oportunidades) e com maior média de audiência (31,2 e 52%). Mesmo fora das finais, o São Paulo teve oito jogos na TV, dois a mais do que o Palmeiras. O Tricolor ficou atrás do Verdão nas médias (26 com 44% contra 27,3 com 48% dos vice-campeões), mas se considerarmos sua ausência nas finais (além de elementos que veremos adiante), podemos considerar os números são paulinos satisfatórios. O mesmo não se pode dizer quanto ao Santos, como também veremos a seguir.

Dos quatro jogos do Peixe no Paulistão – clube menos exibido – três foram clássicos. Trata-se de um expediente recorrente da Globo, que na verdade até abriu uma exceção este ano. A veiculação de Ferroviária x Santos foi considerada uma enorme excepcionalidade por parte da emissora, uma vez que há sete anos não se transmitia o Peixe em qualquer jogo que não clássicos. O resultado? Um verdadeiro fiasco: 13 pontos com 28% de participação, a menor entre os dois principais mercados desde os 12 pontos de um jogo do Botafogo pelo Brasileirão 2014. OK, o clube da Vila jogou no famigerado sábado de Carnaval, mas o share de meros 28% deixa claro que a audiência foi ruim mesmo. Não é à toa, portanto, tamanho sumiço…

Na análise dos clássicos, o trio de ferro da capital foi muitíssimo bem, deixando claro que o apelo das rivalidades paulistanas anda em alta. Foram 35,8 pontos do Corinthians, 34,3 do Palmeiras e 32,3 do São Paulo – os três, por exemplo, acima do Flamengo neste quesito. O ponto fora da curva novamente foi o Santos (25,6), mesmo com seus três clássicos na fase de grupos indo parar na TV. Em sua defesa, o fato de nenhum destes jogos ser decisivo. Já em jogos contra pequenos, a grande notícia foi o destaque dado ao São Paulo, com cinco apresentações contra quatro do Corinthians. Conforme demonstra o exemplo carioca, a emissora não costuma deixar tais embates nas mãos de quem sabe que não dará retorno. De fato, o clube do Morumbi teve desempenho razoável (22,2 e 38%), numa consolidada segunda colocação.

Por dia da semana, mais do mesmo. Outro empate entre corintianos e são paulinos em veiculações às quartas, com o Corinthians na frente em pontuação por dois pontos e três no share. O Palmeiras teve apenas um joguinho e o Santos, pasmem, zerou neste quesito. A mesma concentração não foi vista nos fins de semana, quando Corinthians e Palmeiras jogaram cinco e São Paulo e Santos, quatro vezes cada. Catapultados pelas finais, alvinegros e alviverdes marcaram média de 32,5 (com 56%) e 28 pontos (com 50%), deixando para trás aqueles que ficaram pelo caminho.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

O Campeonato Carioca deve acabar? Debate e sugestões

Fluminense em Los Larios: público médio de 579 pagantes (2 jogos)

Cerca de 2.300 pagantes por jogo. Treze por cento de média de ocupação dos estádios (algumas verdadeiras pocilgas). Praticamente todos os jogos deficitários. Não restam dúvidas: o Campeonato Carioca 2018 é o pior de todos os tempos. Diante deste quadro desolador, muitas pessoas tendem a desenvolver a ideia de que o torneio precisa acabar. Elas estão certas. Mas não acabar no sentido de “deixar de existir”. Na verdade, parece claro que o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro precisa ser reinventado, em bases completamente diferentes das atuais.

A PERTINÊNCIA DOS ESTADUAIS

Indo além do caso específico fluminense, existe um grande debate acerca de os estaduais saírem do calendário em detrimento de um Brasileirão em moldes europeus, ocupando todo o calendário sempre (e apenas) aos fins de semana. Mas em enquete realizada no perfil de Twitter deste blogueiro, apenas um terço dos votantes acha que os estaduais devem realmente ter fim, ao passo que dois terços sugerem sua redução e enxugamento. Os que acham que nada deve ser feito somam um mísero por cento.

A opinião do Blog Teoria dos Jogos caminha na direção da maioria. Explica-se.

Primeiramente, embora o fracasso acometa à imensa maioria, ele não é exatamente uma realidade para todos. O Campeonato Paulista é sempre citado como sucesso de público e crítica, com médias próximas aos 8 mil torcedores e clubes inacreditavelmente próximos aos 30 mil pagantes por jogo (caso do Palmeiras). Em um torneio com tantos times e estádios pequenos, passa longe de ser um fiasco. Já no Campeonato Mineiro, embora com uma média nem tão reluzente de 5 mil torcedores por jogo, vemos o Cruzeiro incrivelmente inflado pela motivação de sua torcida. Como resultado, a média celeste superior aos 21 mil pagantes.

Em segundo lugar, causa espécie que um país que se critique pela falta de memória permita que uma tradição secular como os estaduais simplesmente desapareça. Por mais de 50 anos os estaduais nadaram de braçada, tendo como única concorrência o antigo Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. Só no final da década de 50, por conta da criação da Libertadores e pela difusão da aviação comercial em território brasileiro, vieram a surgir os primeiros campeonatos verdadeiramente nacionais envolvendo clubes. Se olharmos a importância histórica do Campeonato Carioca então, vira covardia. Quando teve início, o Rio de Janeiro tinha um milhão de habitantes, enquanto São Paulo acolhia apenas 100 mil. Podemos inferir qual era, de longe, o campeonato mais importante. E até o meio da década de 90 – um “dia desses” nesta longa timeline – Carioca e Paulista dividiam tanto o protagonismo quanto a condição de torneios mais importantes (e bem jogados) no Brasil.

Por fim, temos que os estaduais proporcionam ao futebol a capilaridade necessária para o bom funcionamento do processo de revelação e garimpo de novos talentos. Enquanto países muito menores que o Brasil (como a Inglaterra) possuem até dez divisões em seus campeonatos nacionais, o Brasil possui apenas quatro. Mas um olhar atento demonstra que, na verdade, seriam mais de 60: os 27 estaduais de primeira divisão, pelo menos 27 segundas divisões e alguns outros estratos.

O FRANKENSTEIN CARIOCA

De volta às peculiaridades do Rio, apesar da importância demonstrada nos três últimos parágrafos, vivemos recentemente o esquartejamento do Campeonato Carioca. Um torneio que, há alguns anos, era enxuto, chamativo e superavitário a ponto de exportar sua fórmula para outros regionais importantes. Quem não se lembra do saudoso formato com 12 clubes, duas chaves e campeões da Guanabara e da Taça Rio se enfrentando na final? À época, tanto o Campeonato Mineiro quanto o Gaúcho copiaram a fórmula fluminense.

Eis que, no afã de exercer seu coronelismo, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) decidiu afagar a clientela responsável pela perpetuação de seus dirigentes no poder. Assim, inchou o torneio para dezesseis clubes a partir da edição de 2008. Paradoxalmente, proibiu que a maioria dos pequenos jogassem em seus estádios, alegando uma suposta “falta de estrutura” que, nos tempos áureos, nunca havia sido problema. Isto destroçou a demanda por futebol em inúmeras localidades. Algumas a reprimiram, passando a ter representação sem receberem times grandes (ex: Resende, Angra dos Reis). Outras, por possuírem estádios “chancelados”, viveram o oposto: se tornaram sede informal de vizinhos indesejados. Isto terminou por atrair uma quantidade excessiva de jogos desinteressantes e sem importância para cidades como Volta Redonda (principalmente) e Macaé. Nem embates contra os grandes passaram a salvar.

Posteriormente, a pé de cal. Os torneios de 2010, 2011 e 2013 foram decididos sem finalíssima, já que Botafogo, Flamengo e novamente o Botafogo venceram os dois turnos. Assim, o Rio ficou sem seu crème de la crème, perdendo bilheterias e cedendo espaço para a veiculação nacional do Paulista em TV aberta. Isto fustigou a criatividade malévola dos “jênios” da FERJ, que optaram por abolir o antigo formato e deram espaço aos abjetos moldes atuais. O resultado prático fez desmoronar a média de público do Carioca, de cerca de oito mil pagantes por jogo em 2009 para os atuais dois mil.

Como se não bastasse a degradação relatada, o monstro parido para 2018 foi de dar inveja ao Dr.Viktor Frankenstein. Assim como no ano que passou, os vencedores de turno garantem-se apenas na semifinal do torneio – o que fez com que o Flamengo fosse campeão em 2017 mesmo sem levar a Guanabara ou a Taça Rio. Só que agora, caso um mesmo clube vença as duas fases (algo que apenas o Rubro-Negro pode fazer), um dos eliminados do torneio (o Boavista) é simplesmente ressuscitado para compor as semifinais! E a final torna-se partida única, numa verdadeira obra de ficção científica.

O QUE DIZ (E COMO AGE) A FERJ

Desconectada da realidade como alguém intoxicado por botulismo, a FERJ vem se saindo com verdadeiras pérolas para remediar e justificar os vexames de seu campeonato. Em 2014, passou a maquiar borderôs, incluindo cotas líquidas de TV de modo a tornar positivos resultados deficitários de bilheteria. Mais recentemente, amparou-se nas audiências televisivas como muleta para a negação do fracasso, como se realmente fosse possível temperar uma caldeirada utilizando-se de bugalhos. Em resposta a matérias veiculadas pelos jornais O Globo e Extra, a Federação recorreu à desfaçatez para negar que o formato da competição fosse “fator preponderante, predisponente” ou “desencadeante dos estádios vazios”.

O QUE FAZER – UMA PROPOSTA PARA O CARIOCA

Entrando da seara da opinião pessoal, resta claro que o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro precisa ser enxugado ao máximo. Ao máximo MESMO, o que contemplaria algo em torno de dez datas de televisão. Assim, o Carioca serviria como uma espécie de torneio início da temporada que realmente interessa aos clubes. Visando maximizar apelo, emoção e imprevisibilidade, seu formato deveria ser o de copa. Mais do que isso: o de Copa do Mundo, com pequenos grupos classificando para confrontos de mata-mata. A seguir, os moldes de uma proposta, entre tantas outras que podem ser sugeridas através de nossas mídias sociais e endereços de e-mail:

1- Retorno aos doze clubes. Quatro grupos de três times, os quatro grandes como cabeças-de-chave;

2- Todos contra todos em jogos de ida e volta. Pequenos mandando jogos em SEUS ESTÁDIOS – por menores que sejam. (Responsabilidade da FERJ deixá-los em condições);

3- Fase de grupos: quatro jogos para cada clube, seis datas (um sempre folga). Classificam-se os dois primeiros de cada grupo para as quartas-de-final em JOGO ÚNICO no esquema A1 x B2; A2 x B1; C1 x D2; C2 x D1. Primeiros colocados de cada grupo como mandantes (única vantagem). Classificam-se para as semifinais os vencedores, pênaltis para jogos empatados;

4- O último de cada grupo compõe um grupo da morte (quatro times). Todos contra todos, jogos de ida e volta (6 jogos). Os dois últimos são rebaixados;

5- Semifinais no mesmo formato das quartas. Final em dois jogos, sem vantagem (resultados iguais proporcionam prorrogação e pênaltis, em persistindo o empate);

6- Número de jogos para os classificados: entre cinco (eliminados nas quartas) e oito (finalistas).  Número de jogos para os integrantes do grupo da morte: dez. Classificação para as quartas rendendo premiação apenas inferior à do título, de modo a compensar os que por ventura façam apenas cinco jogos;

7- Todas as dez rodadas das fases principais (grupos, quartas, semi e final) televisionadas e aos finais de semana.

8 – Negociação com a TV Globo para manutenção dos valores pagos a título de televisionamento – a despeito da redução das transmissões à metade – com o compromisso da entrega de um produto atraente, chamativo e viável.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

Considerações finais: Mapa das Curtidas vs Pesquisas (por regiões)

Deu uma trabalheira monstruosa, mas anteontem encerramos a série e de análises sobre o Mapa das Curtidas do Facebook por unidades da federação. Para quem não acompanhou, segue um compilado:

O Mapa das Curtidas do Facebook: Sudeste (clique aqui)

O Mapa das Curtidas do Facebook: Sul e Centro Oeste (clique aqui)

O Mapa das Curtidas do Facebook: Norte (clique aqui)

O Mapa das Curtidas do Facebook: Nordeste (clique aqui)

O problema é que o Blog Teoria dos Jogos nunca está satisfeito. Se compilamos por estado, por que não agrupar por regiões? E para o país inteiro? E se comparássemos os resultados do Mapa com os das pesquisas científicas, de campo? Coisas que até já fizemos, mas apenas no texto referente à região Norte. Decidimos, portanto, expandir fronteiras para o resto do território brasileiro.

Juntando em tabelas os quatro estados do Sudeste, os três do Sul, os quatro do Centro Oeste, os sete do Norte e os nove do Nordeste, eis a configuração de curtidas no Facebook:

OBS: O levantamento compreende apenas clubes que ultrapassaram um ponto percentual de curtidas nos respectivos estados – o que pode gerar margem de erro de alguns décimos nos resultados finais de alguns clubes (não os de maior torcida, pois estes sempre ultrapassam a marca unitária).

Juntando os resultados das cinco regiões numa nova tabela… o perfil agregado do Facebook brasileiro:

Daí vem a pergunta: Corinthians em primeiro? Sim… lembremos que o Mapa é um ranqueamento exposto às distorções de um levantamento virtual. Um dos principais era que, até o mês de maio de 2017 – data em que congelaram os números para elaboração do Mapa – o Corinthians era o clube brasileiro com mais curtidas no Facebook. A virada do Flamengo veio um mês depois, em junho passado. Atualmente os cariocas vem abrindo vantagem, só que num ritmo tal que a “diferença real” se refletirá na “virtual” apenas depois de alguns bons anos.

Ainda assim, por incrível que pareça, o ranking comparado aos estudos técnicos tem alguma credibilidade. Em certos casos, a fidelidade chega próxima à absoluta. A título de comparação, decidimos pegar a última pesquisa nacional elaborada pelo Datafolha, em 2014. Trata-se de uma pesquisa falha e polêmica, que foi ocultada pelo instituto e depois desmascarada aqui mesmo, no Blog Teoria dos Jogos. Por que escolhê-la, então? Porque é a única disponível online em vários níveis de tabulação e recortes. No mais, outras pesquisas no período se mostraram tão problemáticas quanto, ou mesmo piores.

Segundo o Datafolha, eis o perfil das torcidas brasileiras por regiões:

Comparemos os números aos do Mapa, não sem antes a realização de um ajuste: o levantamento das curtidas compreende o universo de torcedores, enquanto a pesquisa Datafolha, o universo populacional. Assim, tiramos o “Nenhum” e refizemos os percentuais da pesquisa tendo como base o universo de torcedores. Em bases iguais, Facebook e Datafolha podem agora ser confrontados, região por região.

SUDESTE

É no Sudeste que o Mapa e a pesquisa mais convergem. A explicação pode recair sobre fatores sócio-econômicos: como região mais rica, há maiores níveis de inclusão digital, com o universo virtual refletindo melhor a realidade das pessoas. Ao contrário do que se imaginava sobre o Corinthians, apenas São Paulo e Santos se mostraram maiores no Facebook do que na vida real. E também os “outros”, capitaneados por uma gigantesca Chapecoense virtual que, obviamente, optamos por nem incluir entre as maiores torcidas.

SUL

Em direção oposta à do Sudeste, é no Sul onde o Mapa e o Data mais divergem. Neste caso, tirem a rede social da reta: a culpa é majoritariamente do instituto, seus arredondamentos impróprios e metodologias questionáveis. Onde já se viu Atlético-PR com 1% e Coritiba com 3%? Ou mesmo o Santos com enormes 6%, acima de São Paulo e Palmeiras? Honestamente, não dá nem pra analisar. Olhando para os demais, temos um Corinthians, aqui sim, bem maior nas curtidas do que nas ruas. O mesmo se aplica a São Paulo e Palmeiras, enquanto os líderes Grêmio e Internacional aparecem muito abaixo. Justificativas novamente passam pela Chapecoense, dado o violento impacto das curtidas que recebeu em sua região-sede. Nestas horas, os grandes números sofrem mais do que os demais.

CENTRO-OESTE

Finalmente um pouco de paz no ordenamento: as seis maiores torcidas do Centro Oeste se alinham nas pesquisas e nas curtidas. E com pouco viés. O maior deles impacta sobre o Flamengo, pela primeira vez abaixo do seu potencial virtual. E de novo, é o São Paulo quem está acima. Já a convergência entre likes e respondentes físicos do Corinthians é quase perfeita.

NORTE

Quanto mais a gente sobe, mais percebe o Flamengo desabando na comparação com seu potencial digital. No Norte, os 34% de curtidas associadas ao clube parecem ótimas até descobrirmos que 42% dos torcedores são rubro-negros. Adivinha quem está bem na fita? Ele mesmo, o São Paulo (aqui, associado ao Santos). E quem está certinho onde deveria estar? Que surpresa, Coringão…

NORDESTE

Aqui, o desmoronamento virtual dos cariocas atinge seu apogeu: no Mapa das Curtidas, Flamengo e Vasco combinam para 15 pontos percentuais abaixo da amostragem de campo. Em detrimento dos muitos nordestinos que, somados, acabam tendo duas vezes mais curtidas do que afiliações reais.

CONCLUSÕES

Nas análises dos últimos dias, dissemos que entre as muitas distorções do levantamento virtual estava o quantitativo mais que proporcional de curtidas em páginas de clubes paulistas. Acertamos em cheio no diagnóstico, errando o nome do paciente. A comparação do Mapa com a pesquisa corrigida clarificou: o Corinthians está exatamente onde deveria estar. É como se o alvinegro paulista tivesse, antes dos demais, atingido seu pleno potencial em redes sociais, tamanhas as coincidências nos percentuais auferidos. Outros times de São Paulo, entretanto, parecem muito acima do que presumem as ruas – principalmente o São Paulo. Se por engajamento ou simples compra de likes, jamais saberemos. No extremo oposto está o Flamengo, talvez pelo ônus de uma maioria tão ampla em regiões remotas, de menor potencial de renda e inclusão.

Com o passar do tempo veremos em que direção caminharam todos estes processos. Até a terceira edição do Mapa das Curtidas do Facebook!

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

O Mapa das Curtidas do Facebook 2017: Nordeste

Termina aqui nossa série de análises relativa ao Mapa das Curtidas do Facebook  2017, grandiosa iniciativa do Globoesporte.com em parceria com a maior rede social do mundo. Após divulgarmos os números das regiões Sudeste, Sul, Centro Oeste e Norte, muitos já devem ter percebido que, embora não se trate de pesquisa de torcidas com rigor científico, o Mapa tende a refletir com enorme grau de fidelidade o perfil dos torcedores mais jovens, geralmente abaixo dos 35 anos de idade. Sendo assim, é hora de avaliarmos como andam as coisas pelo Nordeste.

REGIÃO NORDESTE

BAHIA

Houve uma reversão relativamente recente nos números da Bahia, apontando o Tricolor da Boa Terra como detentor da maior torcida do estado. A última Lance/Ibope, por exemplo, revelou esta suposta realidade. No entanto, esta mesma pesquisa foi criticadíssima (inclusive neste espaço) por projetar resultados das capitais para os interiores, a ponto de inacreditavelmente divulgarem o Atlético-PR como maior do que o Corinthians no Paraná. Sendo assim, enquanto não houver uma pesquisa mais confiável, tudo o que teremos é o Mapa das Curtidas. Só que o Mapa…

… mostra justamente o Bahia em primeiro! Não com a dianteira exposta pela Lance/Ibope: são 22,11% contra 19,73% de um Flamengo próximo, mas ainda assim no segundo posto. De todo modo, o Vitória com 8,52% – tão atrás do Corinthians e seus 13,52% – deixa claro que colocá-los à frente dos cariocas é um nonsense, mesmo que na terra dos orixás.

PERNAMBUCO

Polêmica na Bahia, polêmica em Pernambuco. Se quase ninguém em sã consciência questiona os 26,81% do Sport, líder mais-que-absoluto, o segundo lugar deste outro forasteiro – o Corinthians, com 13,68% – passa longe de ser o que dizem as pesquisas. Quem costuma digladiar com o Leão são os corais do Santa Cruz, no mapa apenas com 11,93%. Como dissemos no primeiro parágrafo, pode ser indicativo de que estas seriam as massas pernambucanas do futuro, não se sabe. Se for, preocupariam os 4,56% do Náutico, ocupante de uma mera sétima colocação. Outro detalhe interessante: fora Minas, Espírito Santo e Brasília, é em Pernambuco que o Atlético-MG atinge sua maior representação (1,62%).

CEARÁ

Equilíbrio, eis a palavra que resume as preferências cearenses no Facebook. Tanto na primeira quanto na segunda colocação, um voraz empate técnico envolve Flamengo e Ceará (17,96% a 17,47%), Fortaleza e Corinthians (14,68% a 14,49%). Se desconsiderarmos as duas forças locais, apenas oito agremiações atingem mais de 1% das preferências no Ceará, a menor quantidade deste levantamento.

RIO GRANDE DO NORTE

Ainda que tradicionais, os clubes potiguares não tem o mesmo histórico de Bahia, Sport ou Ceará. Assim, onde o futebol é mais fraco, o vácuo é ocupado pelo fenômeno de massas. É o que faz o Flamengo, do alto de seus 26,27%. ABC (14,1%) e América-RN (13,73%) até resistem, mas só conseguem desbancá-lo somando forças.

PARAÍBA

 

Aqui, os locais não tem vez: Flamengo (31,22%), Corinthians (11,63%), São Paulo (8,15%) e Vasco (7,76%) dominam o cenário paraibano. O melhor local vem de João Pessoa, o Botafogo-PB (5,1%), enquanto Campina Grande vê seus times diluírem preferências entre Campinense (4,27%) e Treze (1,68%). Não se sabe se pela “força da marca”, é na Paraíba que o Botafogo do Rio de Janeiro (2,15%) encontra seu ápice em terras nordestinas. Também na Paraíba está a maior influência dos pernambucanos fora de seus limites.

MARANHÃO

Em absolutamente nenhuma localidade, o Vasco tem mais curtidas do que o Corinthians no Nordeste. Onde isto mais chega perto de acontecer é no Maranhão, com os dois dígitos de cruzmaltinos sendo uma demonstração de força. Não suficientes, entretanto, para subjugarem corintianos (10,43%) e flamenguistas (37,26%). Ainda assim, bem mais do que os locais Sampaio Corrêa (6,76%) e Moto Club (1,64%).

PIAUÍ

Flamengo (35,99%), Corinthians (14,01%)… cansamos de saber. Bom mesmo é descobrir que, no Piauí, o São Paulo atinge seu maior percentual no Nordeste (13,27%). Outra interessante é que apenas lá o número de cruzeirenses supera o de atleticanos – o que não deixa de ser surpreendente.

ALAGOAS

 

Em meio a um festival de 16 clubes ultrapassando a marca unitária, a última fronteira com três forças locais no Nordeste é Alagoas. Mas CRB (8,91%), CSA (8,35%) e ASA (2,49%) não fazem frente a Flamengo (26,71%), Corinthians (12,38%) e São Paulo (9,64%).

SERGIPE

Se ignorarmos a presença da Chapecoense, temos os dois nordestinos menos badalados deste levantamento fazendo um “sanduíche de peixe”: Confiança (5,3%), Santos (3,04%) e Sergipe (2,72%). Justo no estado em que o clube da Baixada Santista atinge seu maior percentual. Por ali o Bahia também tem presença (2,65%), embora nem perto do Flamengo, como sempre na dianteira com 33,93%.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

O Mapa das Curtidas do Facebook 2017: Região Norte

Na terceira postagem da série que analisa o Mapa das Curtidas do Facebook, é a vez de nos debruçarmos sobre a região Norte. Mas aqui, com uma novidade: um comparativo entre os números auferidos na rede social e aqueles obtidos através de pesquisas científicas nos mesmos estados. Para melhor compreensão, sugerimos leitura do primeiro texto sobre o tema (com os números do Sudeste) e o segundo, contemplando as regiões Sul e Centro-Oeste.

REGIÃO NORTE

AMAZONAS

Somente o Espírito Santo faz frente ao Amazonas no que diz respeito à rivalidade Flamengo x Vasco. Mesmo com todas as distorções explicadas em colunas anteriores, o fato é que no coração da Amazônia, não tem pra ninguém: Flamengo (39,72%) e Vasco (16,62%) praticamente monopolizam atenções. Tudo bem que o Corinthians não vem fraco (9,33%), seguido do São Paulo (7,42%) e da Chapecoense (4,85%). Mas os outros cariocas, só nas longínquas oitava (Botafogo, 2,68%) e nona colocações (Fluminense, 1,95%).

PARÁ

Só perdendo para o Amazonas em área, pode-se classificar o Pará como o estado mais importante do Norte sob diversos aspectos. Trata-se da maior economia, da maior população (o dobro dos vizinhos amazonenses e 46% do total da região), sendo ainda o único estado possuidor de verdadeira tradição futebolística. Isto fez com que seus clubes, Remo (13,38%) e Paysandu (10,89%) se saíssem muito bem no levantamento das curtidas. Iriam melhor se o foco recaísse apenas sobre a capital, Belém. Mas abrangendo o estado em sua totalidade, eles não conseguiram fazer frente ao Flamengo (25,11%) e ao Corinthians (14,59%).

AMAPÁ E RORAIMA

Aglutinamos as análises de Amapá e Roraima por se tratarem das últimas fronteiras do mengovasquismo em solo setentrional. No Amapá, nada menos que 40,63% das curtidas são rubro-negras, ao passo que Roraima responde por 39,22%. Já o Vasco perde força na comparação com o Amazonas, atingindo, respectivamente, 12,78% e 12,25%. Os 11,86% de corintianos em Roraima – estado com a menor população do Brasil – sugerem um processo que veremos ganhar força a partir das próximas localidades.

ACRE E RONDÔNIA

A não ser pela perda de força do Vasco, o que se vê no Acre aparenta espelhar um pouco da normalidade, com um Flamengo absoluto e gigantesco (40,17%). Mas a tomada do segundo posto pelo Corinthians (12,67%) introduz uma tendência a ser verificada no estado de Rondônia.

Reparem que, no mapa do Brasil, Rondônia é um estado praticamente encravado em Mato Grosso. Isto faz com que seu perfil de torcidas reflita o do vizinho, com um Flamengo (31,49%) menor do que a média do entorno. Em direção oposta, Corinthians (19,09%), São Paulo (12,34%) e até mesmo Palmeiras (7,71%) tornam o Vasco (5,59%) uma mera e distante lembrança.

TOCANTINS

Tocantins também é vizinho de Mato Grosso, mas está rodeado pelos interiores do Pará, do Maranhão e da Bahia. Isto leva o Flamengo a novo crescimento (36,71%), seguido de Corinthians (14,2%), São Paulo (10,22%) e Vasco (7,61%).

COMPARAÇÃO REGIÃO NORTE: PESQUISAS vs MAPA DAS CURTIDAS

Devido ao distanciamento dos grandes centros e da baixa densidade demográfica, por muito tempo o Norte foi a região mais desabastecida do país em termos de pesquisas de diversas naturezas. Até que veio o Blog Teoria dos Jogos mudando a realidade e trazendo pesquisas científicas em todos estes estados, à exceção de Roraima. Posteriormente (ainda à época do Globoesporte.com), tivemos a ideia de tabular os resultados gerais da região. Já que a análise do Mapa das Curtidas também permite este expediente, por que não comparar os resultados científicos aos das redes sociais?

Primeiro, relembremos os números da região Norte, segundo pesquisa do Instituto GPP com 4.244 entrevistas entre agosto e setembro de 2013:

Atrás de um Flamengo monopolista (31,9%) vem o Vasco se agarrando por um fio à segunda colocação: 9,5% contra 8,6% do Corinthians. Depois, e completamente empatados, os paraenses Remo (7,2%) e Paysandu (6,9%) fazendo valer o peso de seu estado de origem.

E os números do Mapa das Curtidas, como seriam?

Antes, é preciso esclarecer que o somatório das curtidas da região – balizador dos percentuais de cada clube – não é perfeito, pois só contempla aqueles com mais de 1% das curtidas. Mas as diferenças resultantes são absolutamente residuais, não afetando o cômputo geral em mais do que alguns poucos décimos.

Dito isto, eis o perfil da região Norte segundo o Facebook:

Percebam que os percentuais de todas as torcidas são maiores no Mapa do que na pesquisa. A explicação recai sobre o fato de o universo amostral das pesquisas ser a população geral, enquanto o Mapa considera apenas o universo de torcedores. Tanto é que o mapeamento de 2013 aponta 21% de “Nenhum”, algo que naturalmente inexiste quando olhamos para o das curtidas. Caso excluíssemos o “Nenhum” da análise, haveria a inflação dos números atribuídos a todos os clubes, exatamente como o Mapa faz.

Pois bem, seguindo pelo Mapa, o Flamengo é líder na região Norte com cerca de 34% – níveis ainda assim semelhantes aos da pesquisa. Mas o Corinthians ultrapassa o Vasco numa reversão que não condiz com os estudos de campo. Mais: o crescimento do Vasco é muito pobre (9,84% no Mapa, 9,5% na pesquisa), o que presume que seus números nas redes sociais estariam subestimados. Remo e Paysandu vivem algo semelhante, quase idênticos no Mapa e na pesquisa. Tanto que são ultrapassados pelo São Paulo e quase pelo Palmeiras.

1ª conclusão: Existem clubes cujo tamanho da torcida está subestimado no levantamento do Facebook, enquanto outros surgem maiores do que de fato são. O melhor exemplo do primeiro caso aparenta ser o Vasco, enquanto todos os paulistas surgem em proporção virtual maior do que a real.

E se comparássemos não um agregado da região, mas um único estado específico? Também é possível. Seguem os números do estado do Amazonas, desta vez em pesquisa mais recente: 1.050 entrevistas entre os dias 20 e 22 de janeiro de 2017:

Comparem vocês mesmos:

Flamengo – 39% (Pesquisa), 39,72% (Mapa das Curtidas);

Vasco – 17,7% (Pesquisa), 16,62% (Mapa das Curtidas);

Corinthians – 4,4% (Pesquisa), 9,33% (Mapa das Curtidas);

São Paulo – 5,1% (Pesquisa), 7,42 (Mapa das Curtidas);

Palmeiras – 3,7% (Pesquisa), 4,13% (Mapa das Curtidas).

Não é impressionante?

2ª conclusão – Sem prejuízo do considerado no item anterior, alguns estados possuem um maior grau de fidelidade no Mapa das Curtidas do Facebook quando comparados às pesquisas de campo, sem que se saiba ao certo as explicações para tanto.

Amanhã, os resultados do Nordeste.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

O Mapa das Curtidas do Facebook 2017: Sul e Centro Oeste

Desde ontem, o Blog Teoria dos Jogos vem analisando o perfil de curtidas do Facebook numa parceria com o Globoesporte.com – o chamado “Mapa das Curtidas”. Para saberem mais a respeito das virtudes e limitações do Mapa, recomendamos a leitura do post em que brindamos nossa audiência com o perfil das torcidas nos estados do Sudeste. Hoje é dia de trazermos todas as especificidades ligadas aos estados do Sul e do Centro Oeste do Brasil.

REGIÃO SUL

RIO GRANDE DO SUL

Nenhum outro estado possui dicotomia tão clara e polarizada – nem mesmo Minas Gerais, ontem aqui exposta. Grêmio (37,71%) e Internacional (32,53%) totalizam 70,24% das curtidas em solo gaúcho, e se considerarmos os 6,21% da vizinha Chapecoense (seu segundo maior percentual), os 2,41% do Brasil de Pelotas e o 1,81% do Juventude, percebemos que os times do Sul angariam mais de 80% deste concorrido filão virtual. O maior forasteiro é o Corinthians, quarto colocado com 2,68%, seguido do Flamengo (sexto, 2,03%) e dos paulistas remanescentes.

No país, são quatro os estados a possuírem apenas dez times com mais de 1% das curtidas: Piauí, Ceará, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Dada a presença de alguns locais, percebe-se que resta bem pouco espaço para equipes tradicionais do futebol brasileiro, como Botafogo, Fluminense, Cruzeiro e Atlético-MG.

SANTA CATARINA

A Bela e Santa Catarina é demais: único estado brasileiro com cinco torcidas importantes e equiparadas em suas respectivas microrregiões. Ao mesmo tempo em que cariocas, paulistas e gaúchos dominam regiões específicas do estado. Esta maçaroca, sempre identificada em pesquisas de opinião, foi replicada quase que em sua totalidade no Facebook. Incluindo aquele que, para surpresa de alguns, detém a maioria do estado: o Flamengo, com 14,14%.

Em segundo lugar, o fenômeno. Historicamente, o Rubro Negro carioca brigou contra o Grêmio pela condição de maior de Santa Catarina. Avaí, Figueirense, Joinville, Criciúma e Chapecoense dominavam regiões relativamente pequenas para fazerem frente aos dois. Mas aí veio a tragédia, a solidariedade e a empatia. E o Verdão do Oeste catapultado à condição de segundo time com mais curtidas (12,57%). Eis aí uma das falhas da Matrix: é improvável que isto represente o tamanho da Chapecoense de fato, mesmo em seu berço. Curtir é grátis, já diria o poeta. E paixões clubísticas definitivamente não mudam de uma hora para outra.

Assim, os catarinenses aparecem na sexta (Figueirense, 5,95%), oitava (Joinville, 5,12%), décima (Avaí, 4,37%), e décima segunda posições (Criciúma, 3,79%). Todos atrás de Corinthians e Internacional, com 9,72% e 7,57% dos “votos”.

PARANÁ

 

É pesquisa ou não é? Se não é, parece muito, porque é justamente este o perfil das massas no Paraná, dominado por um poderosíssimo forasteiro. Trata-se do Corinthians, que arrebata 21,84% das curtidas, quase o dobro do Atlético-PR (12,6%). A Pauliceia segue ditando regras com o São Paulo (10,22%) e o Palmeiras (8,61%), até o surgimento de uma reversão na comparação com os estudos de campo: o Flamengo, quinto colocado (7,72%) vem à frente do Coritiba (6,84%). Em seguida, quase que numa escadinha, Santos, Chapecoense, Grêmio e Internacional. O Paraná tem módicos 2,62%.

REGIÃO CENTRO OESTE

DISTRITO FEDERAL

A configuração de Brasília vem imbuída de um didatismo muito importante. Ele permite compreendermos o porquê de, apesar de tantos acertos, um mapeamento com base em rede social não necessariamente contemplar a verdade das ruas. Não pelo Flamengo, maioral, absoluto e inquestionável (36,83%). Mas pelo Corinthians, na segunda colocação (10,47%) – à frente de Vasco (9,44%) e São Paulo (9,02%). Não é o que dizem as pesquisas de torcida. Para tanto recomendamos leitura daquela elaborada pelo Instituto GPP em 2014, aqui publicada de maneira exclusiva.

Mas percebam: é questão de dois pontinhos aqui, três pontinhos ali. E basicamente no que tange ao Vasco (menor no Mapa do que nas pesquisas), ao São Paulo e ao Corinthians (maiores no Mapa). O percentual do Flamengo em ambas é basicamente o mesmo. E o do Botafogo. E o do Palmeiras. E o do Fluminense…

GOIÁS

Tem pra todo mundo: nada menos que 15 agremiações marcam mais que 1% em Goiás. Numa região futebolisticamente tão importante quanto desprestigiada pelas pesquisas, conhecer o perfil do Mapa das Curtidas é ouro. Mas por lá, se o horizonte é verdejante, a primazia é rubro-negra. E não estamos falando do Dragão…

O Flamengo possui a maior torcida goiana, com 26,03%, seguido por Corinthians (17,22%) e São Paulo (11,01%). Só então vem o Goiás, com apenas 9,36% das preferências. O Vasco, com 4,78%, alcança menos do que presume o senso comum no estado. O Vila Nova marca 3,23% e o Atlético-GO, 1,95% – suficiente apenas para mantê-lo no top-10 da região.

MATO GROSSO

É interessante que uma das influências que incidem sobre o celeiro agroindustrial brasileiro seja a ascendência paulista. Trata-se de um fenômeno verificado tanto nos “Mato Grossos” quanto, por incrível que pareça, em Rondônia – conforme veremos nos próximos dias. Pois bem: ao chegarmos ao Mato Grosso, aquele nado de braçada do Flamengo no Centro Oeste começa a cessar. Não que os cariocas não mantenham a dianteira: o Mengão permanece enorme, com seus 23,60%. Mas é que os outros começam a se aproximar perigosamente, antecipando uma ultrapassagem que se avizinha logo ali, na próxima esquina.

Sendo assim, o Corinthians encosta de vez, atingindo 21,65% das curtidas. São Paulo (14,08%) e Palmeiras (7,85%) vem a reboque. Lucas do Rio Verde se vê representada com 2,43% dos likes para a sua Luverdense. Mas a grande surpresa é outra que repousa sob a égide da agroindústria: os inúmeros bolsões gaúchos que colonizaram a região central. Elas fazem com que Grêmio (3,45%) e Internacional (2,39%) deem um salto um tanto raro para seus padrões. Tanto que, fora dos três estados do Sul, Mato Grosso é onde a dupla Grenal se sai melhor.

MATO GROSSO DO SUL

Deu seta e passou. Também, pudera: o único estado fronteiriço não influenciado por São Paulo é o Rio de Janeiro (na real, a influência é oposta). Todos os outros sucumbem à força e aos costumes da cultura paulista. E o futebol não poderia ficar de fora. Que o diga o Corinthians, líder absoluto em curtidas em Mato Grosso do Sul (29,24%). Ainda que faça força, o Flamengo (15,41%) também é sobrepujado pelo São Paulo (16,42%), com Palmeiras (11,47%) e Santos (7,14%) à espreita.

Nos próximos dias, Norte e Nordeste.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o blog Teoria dos Jogos no Facebook!

O mapa das curtidas do Facebook 2017: Sudeste

No final do ano passado, o Globoesporte.com atualizou um dos trabalhos mais impressionantes que já elaborou: o Mapa das Curtidas do Facebook. Numa parceria com a rede social de Mark Zuckerberg, o portal mapeara, em idos de 2015, o percentual de curtidas dos clubes em 5.570 municípios do país. Em dezembro de 2017, o ranking foi atualizado. Antes em férias, o Blog Teoria dos Jogos vem agora analisar o novo perfil delineado pelo mapa, com uma novidade: análises em cada uma das 27 unidades da federação.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O MAPA DAS CURTIDAS

Antes, são imprescindíveis algumas colocações a respeito do Mapa de Curtidas. Para tanto, caberia uma leitura do post aqui publicado a respeito do primeiro Mapa de 2015. Em termos etários, ainda que o Facebook seja uma rede quase censitária entre jovens e adultos, isto não se aplica às camadas de mais idade, reduzindo seu viés científico. O mesmo ocorre nas questões de renda relacionadas à amostra. Por mais que pareça que “todos tenham Facebook”, a verdade é que o Brasil é um país com importantes desigualdades sociais e, por conseguinte, exclusão digital. Tanto as populações mais pobres quanto as residentes em áreas mais remotas possuem bem menos acesso a um perfil na rede. Sendo assim, o Mapa não constitui pesquisa de torcidas, mas apenas um espelho com ótimo grau de capilaridade da realidade do país.

Um bom exemplo reside nas duas maiores torcidas do país, Flamengo e Corinthians. Todos os estudos apontam o Rubro-Negro com cerca de 3 pontos percentuais a mais de torcedores (17% a 14% ou 16% a 13%), o que daria um gap mínimo de 6 milhões de torcedores entre ambos. Não é o que se verifica no Face, onde o Fla possui 11.561.394 curtidas contra 11.445.814 do alvinegro (às 16:18 hs de 24/01/2018), praticamente o mesmo número. Isto inequivocamente se reflete no mapeamento, inflando-o e fazendo da torcida paulista maior no Mapa do que na “vida real”.

Outras distorções são ainda mais problemáticas. Primeiro porque qualquer clube pode comprar curtidas – trata-se de um produto que o Facebook oferece a quem possua uma página por lá. Segundo porque qualquer pessoa pode curtir mais de uma página. E terceiro porque movimentos motivados por comoção potencializam números artificialmente. Foi o caso da página da Chapecoense, que após o acidente subiu de uma quantidade irrisória para mais de quatro milhões de curtidas – apenas atrás de Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras. Situação irreal mas inevitável, uma vez que ninguém pode impedir as pessoas de quererem informações sobre o clube após a tragédia vivida. Só que o boost da Chape se fez refletir nos demais: num jogo de soma zero, o crescimento de um vem necessariamente acompanhado da redução de todos os outros.

ANÁLISES POR REGIÃO – SUDESTE

Os números a seguir foram extraídos de uma nova ferramenta que torna possível verificar o perfil dos clubes individualmente, suas cidades e microrregiões mais curtidas e seu número de joinhas por estado.

Deste modo, coletando as informações de todos os estados e todos os clubes presentes no levantamento (dá trabalho…), encontramos uma configuração que na maioria das vezes se aproxima da realidade, seja no tocante aos percentuais, seja no ordenamento entre as agremiações. Sempre levando em conta o abordado nos parágrafos acima: distorções que fazem alguns parecerem maiores do que de fato são.

RIO DE JANEIRO

Os percentuais dos quatro grandes do Rio são muito semelhantes ao que demonstram as pesquisas: um Flamengo gigantesco (42,21%) e, sozinho, 130% maior do que seus três rivais somados. O Corinthians apresenta 4,08% do total no estado, pouco mais que o dobro do que costuma apresentar nas pesquisas de opinião. Com a Chape é pior: 3,92% onde na prática sua torcida inexiste. Isto comprova a solidariedade no entorno da causa, enquanto enviesa e impacta sobre os números dos demais. De resto, o Santos (8º colocado) à frente do Palmeiras e o Atlético (10º) superando o arquirrival celeste. O único clube do interior presente no levantamento é o Volta Redonda, com 0,3% das curtidas fluminenses.

SÃO PAULO

Novamente, muita fidelidade nas informações, com Corinthians (36,37%), São Paulo (21,29%), Palmeiras (12,54%) e Santos (7,59%) em percentuais muito próximos do que demonstram os estudos científicos. A comoção fez a Chapecoense superar o Flamengo (4,2% a 4,16%), ainda que o Rubro-Negro também esteja acima do que apontam as pesquisas. O Cruzeiro supera Vasco, Atlético-MG e Grêmio. Do interior, apenas a Ponte Preta atinge 1% das preferências, enquanto o Guarani marca insignificantes 0,19%. Botafogo-SP, Portuguesa, São Bento, Bragantino, Mogi Mirim e Oeste também não se aproximam da marca unitária.

MINAS GERAIS

Se o Facebook é azul, Minas Gerais também é. Neste caso, 31,07% dos curtidores no estado são cruzeirenses, contra 21,51% do Atlético. Dominantes em regiões como a Zona da Mata, o Sul e o Triângulo Mineiro, Flamengo (11,02%) e Corinthians (9,1%) lutam palmo a palmo pela condição de terceiro maior. O São Paulo é quinto, Palmeiras sétimo e o Vasco, oitavo, com Santos, Botafogo e Fluminense em seguida. O América-MG por pouco não atinge 1% das preferências – ficou em 0,93%.Diferente de outros mineiros como Boa Esporte, Tombense e Tupi, todos abaixo dos 0,24%.

ESPIRITO SANTO

Verdadeira extensão do Rio de Janeiro, mas só até a página dois. Flamengo e Vasco, de fato, surgem enormes: o rubro-negro praticamente iguala seu percentual do Rio (42,06%) enquanto o cruzmaltino o supera (16,7%), fazendo do estado capixaba seu maior reduto nas redes sociais. Mas aí vem o Corinthians (5,71%) para superar Fluminense (4,9%) e Botafogo (4,69%), subvertendo a lógica. Após a Chapecoense, temos o Cruzeiro (3,9%) mostrando que realmente os mineiros tem alguma influência no estado (o Galo é nono, com 2,69%). Assim como Mato Grosso do Sul e os estados do Norte (exceção do Pará), o Espírito Santo é um dos  poucos estados que não possuem clubes próprios representados no Mapa.

Nos próximos dias, as análises relativas às regiões Sul, Centro Oeste, Norte e Nordeste.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o blog Teoria dos Jogos no Facebook!

As maiores audiências agregadas de 2017

Desde que a Kantar Ibope Media começou divulgar as audiências semanais da TV brasileira, muito se foi possível auferir a respeito do impacto do futebol sobre o interesse do público. Isto porque, ao contrário da mera divulgação das audiências em mercados de referência (São Paulo e Rio de Janeiro), os números contemplam nada menos que as 15 maiores regiões metropolitanas do país. Assim, passou-se a compreender a exata reação de euforia ou indiferença dispensada por mercados tão díspares quanto Belém, Campinas, Vitória ou Goiânia*, seja em partidas envolvendo times locais ou equipes nacionais de maior torcida.

*O monitoramento contempla ainda Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Manaus e Brasília.

Diante disto, em mais um esforço de análise e compilação, o Blog Teoria dos Jogos elencou o top-10 das partidas de maior audiência televisiva agregada ao longo do ano de 2017. Para tanto, é importante compreender o grau de difusão no perfil das audiências em cada uma destas localidades. Conforme explicitamos anteriormente, partidas envolvendo o Flamengo, por exemplo, explodem de audiência no Rio, Manaus, Brasília ou Vitória. Em mercados como o Nordeste, apenas jogos mais importantes se destacam, enquanto praças como Goiânia ou Curitiba tratam o Rubro-Negro com certo desprezo.

Em maior ou menor grau, o processo descrito acima se aplica a todos. Clubes paulistas, gaúchos e mineiros não raro ultrapassam 40 pontos de audiência em suas praças de origem, como, na partida entre Corinthians e Palmeiras veiculada em São Paulo domingo passado. Mesmo jogo que, em Porto Alegre, não ultrapassou 19,4, enquanto Salvador lhe ofereceu irrisórios 15 pontos. Por razões como esta, eventos de maior audiência quase não ultrapassam os 30 pontos no agregado, e ainda assim são considerados um colosso pelo mercado publicitário.

Vamos, portanto, ao ranking:

OBS: audiências relativas à TV aberta na transmissão da TV Globo.

A maior audiência do futebol brasileiro este ano responde pela segunda e decisiva partida da final da Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Flamengo. Na ocasião, a decisão nos pênaltis com vitória celeste fez com que as quinze praças que alinharam em rede marcassem explosivos 32,1 pontos em média. A final da Copa surge também como uma das que constam no ranking com suas partidas de ida e volta – já que o primeiro embate do Maracanã ocupa a sétima colocação (27,6 pontos médios).

Além deste confronto, um outro envolvendo a maior torcida do país se encontra em posição de destque. Na fase anterior do mesmo torneio, o Flamengo eliminou o arquirrival Botafogo, atingindo 27,7 pontos no jogo de ida (6º lugar no ranking) e 30,7 pontos na volta (2º).

Uma verdade quase absoluta diz respeito à primazia de audiências em jogos de meio de semana. A exceção se deu no já citado Corinthians x Palmeiras do último fim de semana: seus 29 pontos representam um verdadeiro absurdo em se tratando de um domingo. Mesmo assim, o derby ocupou a 4ª posição, não superando os 29,9 pontos do próprio derby no primeiro turno – aquele sim jogado numa quarta. Ambos os clássicos, contudo, tiveram jogos envolvendo times cariocas em concomitância.

Por fim, destaque para os 27,9 pontos de Grêmio x Botafogo, pela Libertadores, partida majoritária numa noite em que o Corinthians também atuava. Fluminense x São Paulo (27,4 pontos, 12 praças) também foi muito bem, adentrando num ranking tradicionalmente dominado pelos “queridinhos” de sempre.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o blog Teoria dos Jogos no Facebook!

Razões pelas quais o Carioca foi parar na UTI

Fonte: Fox Sports

Textos, análises e colunas elencando as razões da falência do Estadual do Rio se tornaram tão abundantes quanto oxigênio. Mais ainda num ano em que a Taça Rio se tornou inacreditavelmente amistosa, com grandes duelando em confrontos esvaziados e sem qualquer sentido – já que as semifinais estavam previamente determinadas. No entanto, ainda que sejam maioria, nem todos os motivos da bancarrota são tão óbvios quanto parecem. Tentando ir além, fugiremos do senso comum e indicaremos a viabilidade da adoção de medidas que tentassem reverter os sintomas, tirando o paciente chamado Campeonato Carioca de sua experiência de quase-morte.

1- Fórmulas esdrúxulas

Apesar de já existirem muitos defeitos, até 2007 o regulamento do Carioca era um dos únicos itens presentes em sua pauta de exportações. Tanto o Campeonato Mineiro quanto o Gaúcho, cada um a seu tempo, chegaram a copiar a fórmula que apregoava “doze times, dois grupos, todos contra todos dentro (Taça Guanabara – 1º turno) e fora (Taça Rio – 2º turno) de seus grupos. Campeões dos dois turnos fazem a final. Quem ganhar os dois é campeão direto”.

Preocupada porque dois campeonatos se encerraram sem finalíssima em curto período (2011 e 2013), a Federação de Futebol do Estado do Rio (FERJ) mudou as regras no ano de 2014, passando a funcionar na base do grupo único, todos contra todos, 15 rodadas. A partir de então, a Taça Rio começou a não valer nada, sendo disputada apenas pelos times pequenos do estado. Este torneio foi o embrião das inúmeras mudanças que viriam a seguir, culminando na edição de pior fórmula em todos os tempos: a atual.

Viabilidade de se proceder mudanças: Alta. Basta querer (e votar em Arbitral) para que os moldes presentes até 2013 retornem.

2- Excesso de times

Importante notar que o número de equipes participantes tem relação inequívoca com o item anterior. Foi a partir de 2008 que a Federação, visando atender ao maior número de interesses possível, insuflou o Carioca de 12 para 16 times. Isto aumentou o número de datas destinadas ao Estadual – em direção contrária a tudo o que se apregoa atualmente – e maximizou a quantidade de jogos de baixa qualidade, sendo pequenos contra pequenos ou grandes contra pequenos.

Numa tentativa de remediar o mal – mas ainda mantendo a ascendência sobre os menores, cujos votos são valiosos para a manutenção do poder – em 2017 a FERJ procedeu uma emenda que, para variar, saiu pior do que o soneto. O torneio segue tendo 16 clubes, mas a primeira fase foi disputada por apenas seis pequenos – que constituíram o famigerado “Grupo A”. Ela incluiu os dois primeiros colocados da Série B de 2016, mais os quatro times de pior campanha no Estadual 2016 (exceto os rebaixados!). Deste imbróglio, apenas dois tiveram a sorte de se juntar aos dez clubes previamente qualificados para o “Carioca de verdade”. Outros quatro foram disputar a aberração chamada “quadrangular do rebaixamento” – como se, ao jogarem apenas contra outros pequenos, já não se sentissem rebaixados de antemão.

Em resumo: diminuíram os jogos de grandes contra pequenos por meio de ferramentas que trouxeram ainda mais injustiças e distorções: a) Um time pode subir da segunda divisão, investir para montar uma equipe e não ter sequer a possibilidade de enfrentar os grandes; b) Torneios envolvendo nanicos sem apelo prolongam-se indefinidamente em paralelo ao estadual principal, impactando negativamente na média de público e positivamente na tábua de artilharia. Isto mesmo: você sabia que o artilheiro do Estadual 2017 é Max, da Cabofriense, que jogou apenas os “torneios da morte”?

Viabilidade de se proceder mudanças: Média. Seria alta, já que basta a Federação decidir pelo fim dos torneios paralelos e o retorno ao Estadual com 12, ascensão e descenso diretos. Mas onde entraria o desejo de se controlar, na base do cabresto, votos do maior número possível de agremiações? Vai contra o projeto de perpetuação no poder que impera na FERJ.

 3- Desvalorização dos pequenos e do interior

Outra decisão equivocada que impactou sobre a média de público foi a proibição, alguns anos atrás, de a maioria dos pequenos mandarem jogos em seus estádios e cidades. À época, alegou-se falta de estrutura para transmissões, falta de segurança, laudos dos órgãos técnicos e outras tantas coisas inexistentes nos cem campeonatos anteriores. O resultado, todos viram: excesso de jogos em cidades com estádios autorizados mas sem demanda para eventos tão pobres e numerosos, como Volta Redonda ou Macaé. O Estádio Raulino de Oliveira passou a receber inúmeros grandes desinteressados e jogando com reservas. O Resende teve que encará-los na mesma cidade, a 40 km de casa, desequilibrando a questão esportiva pela falta do efeito-mandante. Ou seja, uma canetada chafurdou o equilíbrio, as rendas e os públicos da competição.

Viabilidade de se proceder mudanças: Baixa. A Federação passaria a ter que ajudar os pequenos na adequação e manutenção de seus estádios. Ajuda bem diferente (e mais cara) do que a usual, através do mero fornecimento de bolas, chuteiras, uniformes…

4- Desvalorização do produto

Deveria ser péssimo para a FERJ que alguns de seus principais integrantes tenham rompido entre si por não coadunarem com as práticas alheias. Que outros, por alinharem ideologicamente, digam amém a toda sorte de ingerências – principalmente as que prejudicam os insatisfeitos. A Federação deveria fomentar o consenso, e não alimentar a beligerância – como se verifica nos dias atuais.

Deveria ser péssimo para a FERJ que a média de público do Estadual seja a menor da década, impactando negativamente em sua imagem e prejudicando vendas tanto para o público geral (bilheterias) quanto para veículos de mídia e patrocinadores (placas publicitárias, naming rights, receitas de televisionamento, etc).

Deveria ser péssimo para a FERJ que o Estadual do Rio de Janeiro – outrora o mais importante – se tornasse motivo de chacota entre torcedores e profissionais de estados com bem menos tradição no esporte. Mas muito mais público…

Viabilidade de se proceder mudanças: nula, enquanto déspotas se perpetuarem em seus cargos e intervenções do poder público não chegarem às federações de futebol.

Não adentraremos no debate da falta da qualidade dos times, que impacta visceralmente no baixo apelo do certame. Nem na insegurança de eventos que atraem bandidos e culminam em pancadarias e mortes – boçalidades em ambientes que deveriam celebrar a congregação. Tais questões não serão abordadas porque, além de envolverem outras esferas (gestão esportiva, segurança pública, etc), se fazem presentes em todos os outros estados. São chagas brasileiras, portanto. Nosso foco é tudo aquilo que pode ser fruto de análise e alvo de medidas drásticas por parte dos responsáveis pelo Campeonato Carioca de futebol.

Pois se quem manda nos estaduais são as federações, a do Rio de Janeiro – na figura do sr. presidente Rubens Lopes – é a principal responsável pela implosão de seu próprio torneio.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!