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O ranking das cotas de TV – Estaduais 2016

Por conta das negociações com emissoras interessadas na transmissão do Brasileirão, só se fala em cotas de TV. No entanto, existe um torneio totalmente presente em nossas vidas, casas e aparelhos de TV, para o qual pouco nos atentamos. Tratam-se dos estaduais, cujas renegociações também se encontram em pleno vapor, ainda que envolvam cifras menos polpudas e distorções muito mais injustificáveis do que as geralmente apontadas.

Assim como tantas outras receitas de marketing, os valores pagos pelos estaduais não são fáceis de ser descobertos. Primeiro porque, nos balanços patrimoniais, a maioria dos clubes não discrimina as receitas de televisionamento. Eles classificam-nas como “Cotas de TV” numa conta única, sem separar Brasileirão, estaduais e outros torneios. E eles são muitos: Libertadores, Copa do Brasil, Primeira Liga ou amistosos, todos trazem recursos pagos pela televisão.

Enfim: com base em informações veiculadas na mídia, balanços, orçamentos e borderôs (como os da FERJ, que incluem cotas de TV), este seria o ranking dos quatro principais estaduais do país:

Fig 01

Percebam, em primeiro lugar, a discrepância de valores entre estaduais e o Brasileirão. Embora o nacional dure exatamente o dobro de um estadual (seis meses e vinte dias, contra três meses e dez dias do Carioca), a diferença paga chega, em alguns casos, a mais de dez vezes. Isto sem discrepância nas audiências – com leve tendência (acreditem) aos próprios estaduais: em 2015, dezesseis jogos do Paulista registraram média de 18,5 pontos para a Globo (quem paga a conta), enquanto 38 jogos dos clubes de São Paulo bateram 17,9 pontos no Campeonato Brasileiro.

Em segundo lugar, temos a diferença a favor do Paulista em detrimento dos demais torneios. Aí, parte da explicação reside nas rodadas de negociação: em São Paulo, os valores se referem à última leva de assinaturas*, fechada ao final de 2015 e válida pelos próximos anos. Já no Rio e no Rio Grande do Sul, o último ano do antigo contrato é justamente o atual, com conversas possivelmente iniciadas nos próximos meses. Antes do litígio entre Fla, Flu, FERJ e Primeira Liga, estimava-se para os cariocas algo em torno de R$ 11 milhões, que podem cair pela manutenção das incertezas.

*Estima-se que as luvas tenham ficado na casa dos R$ 20 milhões.

Ainda assim, a primazia de Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos se manterá. Diferente do Brasileirão – quando a Globo equipara Flamengo e Corinthians – pelos estaduais, os times do estado mais rico se beneficiam da robustez de seu mercado. Isto num torneio transmitido apenas para dentro de suas fronteiras, ao contrário do Carioca – veiculado em outras 14 praças.

Em terceiro, verifica-se a total equiparação dos grandes de um mesmo estadual no rateio da grana. A projeção desta equidade distributiva configura um sonho para a maioria dos clubes envolvidos na gritaria contra a suposta “espanholização”. Seguindo critérios de audiência e número de partidas, Flamengo e Corinthians recebem muito mais do que seus pares no Campeonato Brasileiro. Nos estaduais, não.

Um quarto elemento ainda salta aos olhos. Miudezas à parte, os maiores times do Rio recebem igual aos grandes gaúchos e mineiros. E isto não se dá porque a Globo paga o mesmo, mas porque nestes, os clubes de menor investimento pagam a conta. Enquanto no Rio um pequeno desembolsa até R$ 2,5 milhões (em São Paulo, mais de R$ 3 milhões), no Rio Grande não se aufere mais do que R$ 800 mil. Melhor do que em Minas, onde restam míseros R$ 300 mil para cada agremiação.

Enquanto o foco no Brasileirão recai sobre absurdos bem menos inexplicáveis, a verdade é que as cotas de TV nos Estaduais são aquilo que se convencionou por “samba do crioulo doido”.  Valores baixos, distribuição heterodoxa e equiparação de clubes de porte totalmente diferente.

Que o diga a Ponte Preta, faturando quase igual ao Flamengo…

Um grande abraço e saudações!

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Um crime contra o futebol

 

Fig 01

Sim, nos referimos aos 537 pagantes (1.116 presentes) da partida Fluminense x Bonsucesso, vencida pelo Tricolor por 4 x 0 ontem, na cidade de Volta Redonda. Já virou lugar-comum vociferar quanto à insanidade de um campeonato de primeira divisão, com grande clube envolvido, ser jogado mediante tão pífias testemunhas. Mas existe a necessidade de interpretar as razões do ocorrido, já que apenas uma delas se refere àquilo contra o qual o torcedor se acostumou a bradar.

É óbvio e evidente: a maior parte da culpa recai sobre a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, maquiavélica entidade que ignora o desenvolvimento do futebol carioca através do despotismo de dirigentes e aliados. Desde que o número de participantes do Estadual subiu para dezesseis – como forma de agradar apadrinhados – o evento deixou de merecer a alcunha de “espetáculo”. Retaliações contra afiliados que se insurgem contra imposições esdrúxulas e antidemocráticas coroam o estado das coisas. Sendo o Tricolor um dos maiores prejudicados, natural que o interesse de sua torcida pela competição desabe ainda mais.

A homérica culpa da FERJ, entretanto, termina aí. Restando o mau momento (duas derrotas antes da vitória de ontem) e uma avaliação equivocada da diretoria quanto à demanda por partidas de futebol que envolvam o clube.

Explica-se.

Com a entrega do Maracanã aos Jogos Olímpicos, o Fluminense novamente se viu alijado de um local ao longo da temporada 2016, escolhendo o Estádio Raulino de Oliveira (Volta Redonda) como lar. Embora não seja a primeira sequência do clube na cidade, a experiência anterior deveria tê-lo demovido da ideia. Tendo cerca de 9% da torcida de uma cidade de 260 mil habitantes (núcleo de uma mancha urbana de 450 mil), o Flu aparece com time de menor apelo local, segundo mapeamento recém promovido pelo Blog Teoria dos Jogos. Sempre considerando a margem de erro, trata-se de uma retração na ordem de 30% com relação ao verificado na capital, ou mesmo em outras regiões do interior fluminense. É nessas horas que pesquisas precisam ser consideradas.

Mediante demanda escassa, nada pode ser mais avassalador do que o excesso de exposição. Foi o que aconteceu em apenas sete dias, quando o Fluminense jogou nada menos que três vezes no mesmo estádio. Na primeira ocasião, tratava-se da primeira partida oficial do ano – estreia na Primeira Liga. Mas os excelentes 7.012 pagantes só aconteceram porque os ingressos foram trocados por 1 kg de alimento não perecível. De volta à realidade, quatro dias depois o Flu perdeu para os donos da casa na única em que não foi o mandante. Os 1.531 pagantes de domingo, então, se tornaram os 537 de ontem.

Seja pela falta de craques, competência ou atrativos, o fato é que no futebol do Brasil, geralmente a demanda reprimida se sacia já na primeira visita. Exemplo disso reside no arquirrival, Flamengo, detentor de torcida bem maior e desabrigado nas mesmíssimas ocasiões. Em 2013, o Rubro Negro recorreu a Juiz de Fora, vencendo o Campinense pela Copa do Braisl diante de 18.211 torcedores. Duas semanas depois, regressou e perdeu para a Ponte Preta à frente de apenas 8.932 pagantes. Passou, então, a recorrer a Brasília. Numa sequência de cinco jogos, viu seu público minguar de 63.501 (Santos 0 x 0 Flamengo) para 12.511 (Fla 1 x 1 Portuguesa).

Diante do exposto, resta ao Fluminense excursionar, mesmo que dentro do próprio estado. Cada nova localidade – seja Edson Passos ou Claudio Moacyr – apresenta níveis mínimos de demanda reprimida que Volta Redonda não mais possui. Fora do Rio, a própria Juiz de Fora surge como ótima anfitriã num processo de “visitas únicas” que pode ainda passar por Cariacica (ES) e Brasília.

Quanto ao prejuízo esportivo pela falta de um real mando de campo? Este entra no pacote de não se possuir estádio próprio…

Um grande abraço e saudações!

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O ranking das visitações 2015

Atenção: este ranking sofreu modificações após o envio das informações relativas ao Internacional. Clique aqui e confira a coluna “Os números da Visita Colorada (atualização do ranking”. (19/01/2016)

Após um breve recesso de início de ano, o Blog Teoria dos Jogos retorna suas atividades trazendo aquilo que sua audiência mais gosta: ranking comparativos. Desta vez, trataremos de informações inéditas sobre o quantitativo de torcedores recebidos nas diversas modalidades de visitações aos maiores clubes brasileiros.

Não se pode dizer que visitas guiadas sejam alguma novidade, já que sempre existiram nos principais estádios e salas de troféus. Mas é possível entender que, com a modernização da estrutura dos clubes – seja através da construção de arenas ou centros de treinamentos de ponta – este filão vem se mostrando cada vez mais rentável e atrativo. Tanto que hoje, em muitos casos a exploração se dá por meio de empresas terceirizadas e especializadas na atividade, caso da Futebol Tour.

Elaborar um ranking das visitações é algo passível de injustiças devido à enorme heterogeneidade que envolve as diferentes estruturas. Alguns possuem estádio próprio, outros não – e nem todos são proprietários de uma arena modernizada. O mesmo se aplica aos centros de treinamento, já que existem casos de equipes que treinam no próprio estádio devido à ausência de um CT. Salas de troféus são algo comum a todos, enquanto museus ainda são raridade. Por fim, existem modelos que mesclam todas as modalidades, como salas de troféus dentro de uma arena.

Em meio às diferenças de apelo e chamarizes, procuramos classificar o tipo de visita promovida pelos doze maiores clubes do Brasil – mas Internacional, Santos e São Paulo infelizmente não nos responderam. O resultado foi o seguinte:

Fig 01
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*Os números de Fluminense e Botafogo se referem apenas ao final de 2015 (meio de novembro em diante)

Conforme já havia sido noticiado pela mídia, a grande campeã na temporada 2015 foi a Arena do Grêmio. Apesar de excelente, o número de 50 mil visitantes equivale ao total de pessoas recebidas pelo Maracanã em apenas um mês*. Segundo a Futebol Tour, que administra a visita à arena tricolor, apenas entre os dias 26 e 27/12 e 02 e 03/01/2016 (números não computados), 2,5 mil pessoas passaram pela Arena, um recorde.

*Informação corrigida

A segunda colocação (bem próximo do líder) ficou com o Tour do Allianz Parque, lar do Palmeiras. A vantagem alviverde é que as visitas só começaram no mês de março de 2015, o que presume uma média mensal quase igual à do Grêmio. Segundo a Futebol Tour, que também organiza o passeio palmeirense, o mês de julho foi o grande destaque, quando os ídolos Marcos, Ademir da Guia e Evair chegaram a atuar como “guias”. Com tantos atrativos, 8 mil visitantes passaram pela arena naquele mês. A expectativa é de que o número seja ainda maior em 2016, quando o Palmeiras disputa a Copa Libertadores e planeja novas ações com ídolos do clube.

O clube que completa a trindade administrada pela Futebol Tour é o Flamengo, no terceiro posto. O rubro-negro, por meio de sua Fla Experience, constitui o caso mais bem sucedido de visitas que não passam por um estádio – trata-se de uma sala de troféus com características híbridas às de um museu. Julho também foi mês de recorde, quando 2 mil pessoas passaram pelos salões do clube.  A seção interativa está se planejando de maneira especial para receber os turistas durante os Jogos Olímpicos Rio-2016.

As visitas à Cidade do Galo são exclusividade dos integrantes do programa “Galo na Veia”. Segundo o diretor de Comunicação do Atlético, Domênico Bhering, do total de cinco mil visitantes em 2015, três mil foram associados do projeto; outros mil vieram de escolas e instituições, além de mil conselheiros e seus familiares.

A partir de então, surgem os modestos números de Fluminense, Cruzeiro e Botafogo. Parte da explicação recai sobre o recorte limitado das informações referentes aos cariocas (apenas a partir de novembro), embora nossa apuração dê conta de que a média mensal de ambos pouco ultrapassasse os 400 visitantes. Já o Cruzeiro só organizou doze visitas VIP à Toca da Raposa, média uma por mês.

Por fim, para Corinthians e Vasco não houve visitações ao longo do ano de 2015. Para o primeiro, uma questão de tempo, dado o projeto já em processo de implementação. No caso do Vasco, como sempre, estamos diante de uma incógnita – posto que as visitas eram objeto de estudo por parte da diretoria de marketing afastada ao final da temporada.

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A Pesquisa da Vez: Volta Redonda (RJ) – EXCLUSIVO

Localidade: Volta Redonda (RJ)

Instituto: GPP (http://www.gpp.com.br/)

Amostra: 400 entrevistas em 19 de dezembro de 2015

Margem de erro: 4,9 p.p

Os dias dezenove e vinte e nove de dezembro de 2015 são históricos para o Blog Teoria dos Jogos. Tratam-se das datas em que mapeamos e divulgamos os resultados de um dos maiores sonhos deste blogueiro. Nascido há 33 anos na cidade de Volta Redonda, a 120 km da capital fluminense, são desnecessárias explicações sobre o porquê do desejo de pesquisar torcidas na “Cidade do Aço”. Local de onde, orgulhosamente, redijo estas palavras.

Indo além da importância econômica neste que é o berço da siderurgia nacional, Volta Redonda se mostra ainda a segunda cidade mais importante do estado do Rio numa abordagem futebolística. Tudo por conta do estádio Raulino de Oliveira. Durante o Campeonato Carioca, ele hospeda não apenas o Voltaço, time da casa, como um sem número de agremiações do interior, alijadas de mandarem partidas de maior porte em suas canchas. Mas não são apenas os pequenos. Basta acontecer algo com os grandes palcos da capital – como ocorrerá em 2016, com Maracanã e Engenhão entregues aos Jogos Olímpicos – e dá-lhe Estádio da Cidadania como válvula de escape. Não por acaso, trata-se do único estádio do interior a abrigar uma final do Estadual, em 2014, quando o Botafogo superou o Fluminense em solo voltarredondense.

Num resgate da parceria de maior sucesso da história do Blog, o Instituto GPP vem nos brindar com números exclusivos acerca da maior cidade da região Sul Fluminense:

Fig 01

 

De cara, já se pode taxá-los como surpreendentes. Não pela esmagadora maioria rubro-negra (42,9%), algo sabido e esperado, mas pelo absoluto equilíbrio entre Vasco (10,8%), Botafogo (10,6%) e Fluminense (8,6%). Quem é de Volta Redonda sabe que por aqui, a torcida cruzmaltina sempre se fez ouvida, especialmente em bares e conglomerados do bairro Aterrado, um dos centros da cidade. Mas desta vez, os números revelaram um interessante alinhamento com o quantitativo de botafoguenses. Nem mesmo os alvinegros esperariam este terceiro posto, dada a relevância da torcida tricolor na cidade.

Diante do exposto, dois pontos precisam ficar claros: 1) a margem de erro da pesquisa, de 4,9 pontos percentuais; 2) a fragilidade do “olhômetro” como método de pesquisa. Tendo isto claro, uma explicação para o ordenamento passaria pelo desalento dos vascaínos num estudo elaborado cerca de duas semanas após o terceiro rebaixamento em sete anos. O mesmo efeito, só que contrário, poderia ser atribuído à ascensão botafoguense, já que seus próprios adeptos se consideram os únicos a terminarem a temporada 2015 “em alta”. Outra estatística importante é a de 7,8% dos entrevistados que não responderam ao questionário. O material continha indagações de diversas outras naturezas, e o desalento pode ter impactado de maneira sintomática sobre a decisão voluntária dos vascaínos.

Uma segunda questão seria a não confirmação do crescimento paulista na cidade. Distante apenas 50 km do estado de São Paulo, Volta Redonda há algum anos se tornou um polo educacional que atrai muitos estudantes. Ainda que novamente o visual revele camisas forasteiras, o fato é que apenas Corinthians e Palmeiras foram citados, ambos abaixo de 0,5% das preferências.

Uma terceira e última abordagem se refere ao Volta Redonda, citado por míseros 0,4% dos habitantes. Em toda a região, o Tricolor de Aço nutre simpatias de “segundo time” que se “purificam” à medida com que bons resultados são colhidos – algo inexistente desde a era de ouro 2004-2006. De qualquer maneira, causa preocupação um número tão baixo de torcedores do Voltaço.

Por gênero e faixa etária:

Fig 02

A consolidação da Estrela Solitária na cidade se dá entre homens, faixa em que ultrapassam o Vasco (16,5% a 13%). Nesta, flamenguistas são 47,6% e tricolores, 10,1%. Se o Voltaço (0,9%) ainda assim não atinge a marca unitária, ele ao menos ultrapassa o número de corintianos no local. Apenas 7,6% dos homens não tem time, contra 26,9% de mulheres.

Já no recorte etário, o crescimento do Flamengo entre jovens de 16 a 24 anos – faixa onde sobe a 57,3% – não é tão expressivo quanto o verificado em outras cidades ou no próprio estado do Rio.  Ainda assim, o Rubro Negro é o único a ampliar sua base com a renovação das gerações, já que marca apenas 27,9% acima de 60 anos. Entre os idosos, a segunda torcida é a do Botafogo (14,8%) e a terceira é a do Fluminense (13,9%), tendo o Vasco apenas 6,4%. Todos os torcedores do Volta Redonda se encontram acima dos 45 anos. Os de times de fora, sempre abaixo dos 34.

Por escolaridade:

Fig 03

 

Embora sejam historicamente clubes de massa, tanto Flamengo quanto Vasco encontram seu maior quantitativo em meio a pessoas com 2º grau completo e superior incompleto (46,6% e 13,1%, respectivamente). Já Botafogo (16,6%) e Fluminense (12,2%) são maiores entre graduados em uma faculdade. Surpreende o percentual de botafoguenses entre aqueles com menos ensino formal: 15,3% dos que não possuem primeiros grau completo. Como sempre, quanto mais se estuda, mais se gosta de futebol: a evasão cai de 28,3% para 12,1%.

Por fim, o recorte de renda:

Fig 04

 

Embora reine absoluto em meio aos mais ricos (42,5%), é entre pobres que o Flamengo encontra maioria absoluta: 50,5% daqueles que ganham até um salário mínimo. A torcida vascaína é a que mais aumenta à medida com que se enriquece, saindo de 5% para 14% acima dos cinco salários mínimos. Curiosamente, tanto Botafogo quanto Fluminense encontram seu pico em escalas intermediárias de renda. Indo contra os prognósticos, apenas 6,5% dos tricolores desfrutam de maior poder aquisitivo em Volta Redonda.

FELIZ 2016!

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Análise: O Mapa das Curtidas – Minas Gerais

Após nos debruçarmos sobre dois dos três estados mais plurais em termos de torcidas – Santa Catarina e Paraná – chegou a vez de desembarcar no último vértice deste triângulo. Trata-se de Minas Gerais, quarta maior unidade federativa e segunda mais populosa do Brasil. Um dos berços do país como o conhecemos, cuja diversidade cultural e étnica denota à perfeição nossos contrastes, mazelas e as próprias preferências clubísticas.

Fig 01

De acordo com as curtidas no Facebook, Minas surge como enorme mancha azul celeste no centro do Brasil: Entre seus 853 municípios, 561 são de maioria cruzeirense. Embora faça frente ao Cruzeiro em muitos lugares, em nenhum o Atlético-MG se mostra acima do arquirrival, uma situação inesperada. Em território mineiro, inimigos íntimos são mesmo Flamengo e Corinthians. O rubro-negro predomina nas regiões da Zona da Mata (divisa com o Rio) e onde o Triângulo Mineiro “toca” o estado de Goiás – além de cidades esporádicas nos limites com Espírito Santo e Bahia. Já os corintianos são hegemônicos no Sul de Minas, no Triângulo “paulista” (divisa com São Paulo e Mato Grosso do Sul), além de duas pequenas cidades em pleno Vale do Jequitinhonha.

Um olhar mais apurado sobre Cruzeiro e Atlético:

Fig 02

A diferença entre os arquirrivais é tão flagrante quanto o Blog Teoria dos Jogos sempre sugeriu. Em recente entrevista ao site ESPN FC, este blogueiro afirmou que em Minas, “time do povo” seria o Cruzeiro – especialmente no interior, região onde o equilíbrio se dissiparia em favor do universo estrelado. Situação mais que evidente ao analisarmos o Mapa das Curtidas.

Com exceção das extremidades flamenguistas e corintianas, a torcida do Cruzeiro está presente ou na liderança em quase todas as regiões. Mais: pode-se dizer que o azul celeste transporta fronteiras, verificado em pequenas cidades do outro lado das divisas (Goiás, Espírito Santo e até Bahia). O mesmo não se pode dizer do Galo, restrito a Minas e, em muitos casos, relegado à terceira importância. Curiosamente, o Atlético é curtido em 100% dos 5.564 municípios brasileiros. Em cinco deles, o Cruzeiro não se viu agraciado.

Quanto aos times paulistas:

Fig 03

O nível de difusão da torcida do Corinthians pelo estado de Minas talvez represente uma das grandes surpresas do Mapa das Curtidas do Globoesporte. Os alvinegros só se veem alijados na “meiuca” da região metropolitana de BH, sendo fortemente representados até onde o Flamengo está ausente (Norte de Minas). Em todas as partes, o Timão traz consigo outro grande antagonista: o São Paulo. Em paleta de cores mais suavizada, o Tricolor Paulista se percebe em quase todas as mesorregiões onde há corintianos. O mesmo não se pode dizer de palmeirenses e santistas: O Verdão é terceiro e o Peixe quarto somente em determinadas cidades do Sul e do Triângulo.

Já os times do Rio:

Fig 04

A característica mineira do Mengão é clara. Sua torcida domina as áreas em que o estado faz divisa com outros de maioria rubro-negra. É assim na Zona da Mata (divisa com o próprio Rio), na Triângulo (fronteiriço a Goiás) e nas regiões do Vale do Rio Doce, Mucuri e Jequitinhonha, próximas à Bahia. Adentrou, perdeu. No zonal interior, o Flamengo não só perde espaço para Cruzeiro e Atlético como para o próprio Corinthians.

Quanto aos demais cariocas, estes não correspondem às expectativas – ao menos pelo Facebook. Vasco e Botafogo só aparecem na Zona da Mata, além dos cruzmaltinos em pequenos municípios do Triângulo. O Fluminense, nem isso. Outra grande revelação do “Mapa” foi justamente a distância entre os quase inexistentes tricolores e os representativos botafoguenses na região da Mata. Enquanto o Botafogo detém a segunda torcida em nove municípios (entre eles a importantíssima Juiz de Fora), o Flu é no máximo terceiro em quatro – destaque para Além Paraíba.

O que faltaria para o “Mapa” se tornar pesquisa? Além de ampliar a amostragem na direção de pobres e idosos, necessário seria contemplar o percentual dos que não torcem por time algum. Enquanto a primeira premissa apenas se soluciona através de pesquisas científicas, a segunda foi abordada num exercício pelo leitor Paulo Henrique Salles. Ele planilhou os percentuais das quatro principais torcidas nos 20 maiores municípios mineiros – que respondem por 40% da população. Depois, considerou que 70% da população torça por alguém, projetando conservadora margem de 30% para o “Nenhum”. Daí, auferiu qual seria o tamanho exato dos rivais caso o resto do estado tivesse o mesmo perfil das cidades selecionadas. Eis o resultado:

Fig 05
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Com base nos critérios descritos, a torcida do Cruzeiro representaria 26,48% da população de Minas Gerais, frente a 18,64% do Atlético-MG, 6,81% do Flamengo e 5,17% do Corinthians. Panorama absolutamente fiel ao demonstrado por pesquisas sérias no estado.

Um grande abraço e saudações!

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A Pesquisa da vez: Distrito Federal (nascidos e imigrantes)

Há cerca de um ano, a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan-DF) terminou um robusto mapeamento sobre o perfil de seus moradores, no âmbito da 3ª PDAD (Pesquisa Distrital por Amostra Domiciliar). Uma das informações presentes era a configuração de torcidas da capital, algo extremamente valioso por conta da escassez de informações do gênero.

À época, o Blog Teoria dos Jogos chegou a publicar algumas parciais. Posteriormente, o mapeamento do Instituto GPP se mostrou mais próximo à realidade, já que a Codeplan-DF parecia concentrar respondentes excessivamente não-consumidores de futebol. De todo modo, os números acabaram parecidos, com a PDAD tendo a vantagem de oferecer cruzamentos inexistente em pesquisas sem o seu escopo.

É o caso do exposto hoje. No dia em que o Flamengo retorna a Brasília em um espetacular Estádio Nacional lotado, apresentamos o perfil das torcidas de capital divididas entre os “nascidos no DF” e os “imigrantes”.

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Qualquer cidade do Brasil poderia refutar a significância de um levantamento do gênero, pois as grandes ondas migratórias se passaram há décadas. Não é o caso de Brasília. Com uma população estimada em 2,7 milhões de habitantes, a sede do governo federal possui, ainda hoje, 1,4 milhão de pessoas que vieram de outros estados (51% do total). Como se fosse outra Brasília inserida nos limites distritais.

O quadro que denota o perfil das torcidas está exposto a seguir. Explanações posteriores ajudarão a compreendê-lo:

Fig 01
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Importante: os números não contemplam o “Nenhum”, ou seja, indicam a configuração entre as torcidas, e não em meio à população total. Razão pela qual todos os percentuais aparecem majorados.

Em meio aos 49% de brasilienses natos (chamados “Naturais do DF”), as maiores torcidas são: Flamengo (52,8%), Vasco (12,2%), São Paulo (7,6%), Corinthians (7%), Botafogo (5,9%), Fluminense (4,8%), Palmeiras (3,8%), Cruzeiro (1,8%) e Santos (1,2%). Atlético-MG, Grêmio e Internacional não atingem 1% da torcida.

Já entre os 51% de imigrantes que integram a sociedade brasiliense, o ordenamento se altera: Flamengo (42,9%), Vasco (12,1%), Corinthians (7,6%), Botafogo e Fluminense (6,3%), São Paulo (5,7%), Palmeiras (4,7%), Cruzeiro (4,6%), Atlético-MG (2,7%), clubes do Norte/Nordeste (1,8%), Santos (1,5%) e Grêmio (1,3%). O Inter fica abaixo de 1%.

Eis um comparativo tão inédito quanto fantástico. O confronto dos dados dá a ideia de como clubes de Minas Gerais, Nordeste e Sul se fazem presentes justamente por conta da existência de populações que deixaram para trás seus estados em busca de uma vida melhor no Planalto Central. E mais: a chegada de imigrantes (especialmente cruzeirenses e atleticanos) se mostra predatória sobre a torcida do Flamengo. Tanto que a maior torcida do Brasil se verifica em escala dez pontos percentuais superior entre brasilienses natos.

Tendo eles relevância, é de suma importância que se isolem os imigrantes, analisando seu perfil de torcidas em separado. As conclusões surpreendem pelas contradições entre a origem dos cidadãos e seus clubes do coração. Possivelmente consequência natural de um processo de inserção às características da sociedade local.

Norte/Nordeste

Os residentes no Distrito Federal oriundos dos estados do Norte/Nordeste são 795,9 mil, representando 56,0% do total de imigrantes. Mas clubes destas regiões atraem a preferência de apenas 2,6% deles. A imensa maioria de nordestinos e nortistas torce para times do Rio (75,6%) – destaque para Flamengo (50,5%) e Vasco (13,4%), seguidos de Botafogo (6,1%) e Fluminense (5,6%). Os imigrantes que apoiam clubes de São Paulo são 19,3%, pontuando Corinthians (7,5%), São Paulo (5,7%) e Palmeiras (4,8%). Mineiros, gaúchos e clubes de outros estados somam 2,5%.

Goiás

Já os nascidos em Goiás somam 184,8 mil e representam 13% dos imigrantes. Mas Goiás, Vila Nova e Atlético-GO atraem meros 3,5% da preferência dos torcedores. A maioria entre os goianos radicados no DF é Flamengo (44,9%), seguida do Vasco (13,0%), Corinthians (7,8%) e Botafogo (7,4%).

Minas Gerais

Um número expressivo de 254,1 mil mineiros se mudou para o DF, o que representa 17,9% do total de imigrantes. É entre eles que temos a maior surpresa: são majoritariamente flamenguistas (27,7%), seguidos de cruzeirenses (22,7%), atleticanos (12,9%) e vascaínos (8,6%). Do universo total de imigrantes – ou seja, somando os de outros estados, Cruzeiro, Atlético-MG e América-MG totalizam 7,4% das preferências.

Rio de Janeiro

Cariocas e fluminenses estão presentes em Brasília na escala de 4,7% do total – o que representa 66,9 mil imigrantes. Entre eles, lógico, prevalecem flamenguistas (47,4%), seguidos de vascaínos (17,1%), tricolores (15,3%) e botafoguenses (12,4%).

São Paulo

Embora haja apenas 50,8 mil imigrantes paulistas (3,6% do total), seus clubes concentram a predileção de 19,5% do universo total de imigrantes – número apenas inferior ao dos cariocas (67,6%). Entre aqueles que vieram de São Paulo, predominam corintianos (28,3%), são paulinos (20,7%), palmeirenses (12,7%) e santistas (8,9%). Mas acreditem: flamenguistas representam 17% deles, suficientes para suplantarem o Verdão e o Peixe.

Rio Grande do Sul

Imigrantes gaúchos são 20,2 mil no DF – ou 1,4% do total. Grêmio (40,7%) e Internacional (34,3%) monopolizam as atenções, embora não se perceba a famosa”blindagem” verificada no estado de origem, pois outras dez grandes agremiações atraem 23% das preferências. Destaque para os flamenguistas (9,8%).

Demais estados

Capixabas – presentas na tabela como “Restante Sudeste” – são flamenguistas (47%), vascaínos (17%) tricolores e botafoguenses (9% cada), números próximos à configuração dos cariocas. No combo Paraná + Santa Catarina (“Restante Sul”), 24,5% são flamenguistas, 10,3% corintianos, 8,9% vascaínos e 6,9% palmeirenses. Por fim, entre os egressos dos dois Mato Grossos “(Restante Centro Oeste”), também predominam torcedores do Flamengo (27,7%). Corinthians (13,0%), Vasco (11,9%) e São Paulo (9,7%) completam o ranking.

O Blog Teoria dos Jogos agradece a contribuição de Daniel Endebo.

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O desserviço dos especialistas em audiências

Fig 01

Houve um tempo em que a Máquina do Esporte era considerada fonte primária de notícias e análises relacionadas ao marketing esportivo. Seu visual amigável trazia consigo informações não encontradas em nenhum outro veículo do gênero – como as audiências do futebol. Infelizmente, uma equivocada mudança na divulgação e análise destes números vem colocando em xeque a credibilidade do portal.

Não vem de hoje, mas um exemplo se deu na 17ª rodada do Brasileirão, quando Ponte Preta e Flamengo se enfrentaram em partida veiculada pela Globo Rio. Para São Paulo, um eletrizante Cruzeiro x Palmeiras complementou a jornada esportiva. Os números no Rio foram condizentes com as médias do Flamengo: 17 pontos com 41% na Globo e 2 com 4% na Band (Total: 19 com 45%). Em São Paulo, resultado ainda melhor: 16 com 37% na Globo e 5 com 11% na Band (Total: 21 pontos com 48%). Números satisfatórios em ambas as praças, dado o menor número de televisores ligados naquela tarde de Dia dos Pais. Mesmo assim, a Máquina do Esporte se saiu com a seguinte chamada:

Flamengo tem nova baixa e iguala sua pior audiência no Brasileirão

Indo de encontro ao que costumava fazer, o veículo ocultou o elevado share das duas partidas (principalmente a do Palmeiras), focando suas análises nos falaciosos resultados da audiência absoluta. Interpelado via redes sociais, o proprietário da Máquina do Esporte, Erich Beting, alegou que a omissão do share era proposital, já que a mesma “mascararia” a realidade.

Ontem, de maneira mais escancarada, o expediente se repetiu:

Flamengo e São Paulo fazem clássico de audiência pífia na TV

Desta vez, além de premeditadamente ocultar o share, o portal se ateve à audiência individual de uma emissora, como se apenas os números da Globo SP os credenciasse a falar na audiência da TV como um todo. Se marcou 15 pontos com 31% na emissora dos Marinho, Flamengo x São Paulo atingiu outros 6 pontos com 11% na Band, totalizando nada desprezíveis 21 pontos com 42%.

Para que se tenha ideia do equívoco, o clássico do Maracanã foi simplesmente a maior audiência agregada do São Paulo no Brasileirão aos domingos (outros jogos: Internacional, Palmeiras e Sport). Se pela Globo o resultado não foi dos melhores (apenas superando os 14 pontos de Sport x SPFC), aqueles 6 pontos da Band configuraram recorde para o Tricolor no mesmo dia e horário. Mais: os 42% de share no agregado foram simplesmente o segundo melhor do clube na competição (incluindo aí quatro partidas às quartas e um sábado). Falar em “audiência pífia” nestas condições denota ignorância sobre um assunto que deveria dominar ou oportunismo.

Não é de hoje que o Blog Teoria dos Jogos enfoca os significados implícitos do share na análise das audiências televisivas. Para evitar redundâncias, segue o link de um texto que exemplifica diferenças nas praças de Rio e São Paulo de acordo com características ligadas ao clima. Tudo impacta nas audiências: dia da semana, horário, temperatura e até feriados. Mas a verdade que vem sendo tão refutada por quem se diz especialista é que apenas um elemento não se deixa iludir com tamanhas variâncias. Elemento que revela, ao invés de mascarar: justamente ele, o share.

Um grande abraço e saudações!

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Todas as audiências do futebol 2015 (RJ e SP)

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Na semana passada, dissemos que existem três elementos primordiais no tocante à exposição de cada clube – e ao valor que auferem da TV: o total de transmissões, a audiência proporcionada por elas e o alcance das partidas, medido pelo número de praças para as quais são veiculadas. Este último foi cerne de uma análise exclusiva do Blog Teoria dos Jogos, conforme se verifica no link acima. Agora, focamos os dois primeiros elementos.

Com base em números divulgados pela assessoria de imprensa da TV Globo (sempre expostos no nosso Twitter), trazemos agora uma tabela completa com a audiência dos times do Rio e de São Paulo, em conjunto com esclarecedores resumos por dia da semana, perfil das partidas e campeonato. Trata-se de um levantamento inédito, baseado em informações valiosas e guardadas a sete chaves por clubes e anunciantes.

FLAMENGO

Fig 01
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Fig 02

Números relativos às transmissões da TV Globo para o Rio de Janeiro. Em negrito, clássicos veiculados para a própria praça. Em vermelho, shares calculados com base em proporção. Jogos aos sábados foram expostos individualmente mas não aglutinados.

Embora exista a convenção de que o Flamengo tem um número muito maior de televisionamentos entre os cariocas, a verdade é que pelo menos a comparação com o Vasco denota relativo equilíbrio. Em 2015 o Rubro-Negro monopolizou 20 transmissões de um total de 52 (38%) frente a 16 transmissões vascaínas (30%). Botafogo (nove partidas, 17%) e Fluminense (sete partidas, 13%) surgem bem atrás.

O Flamengo é líder absoluto em audiências mesmo na própria comparação com São Paulo (o que será exposto adiante). Em pontos, supera seus rivais na maioria dos recortes, seja por dia, apelo ou competição. No tocante ao share, vence em absolutamente todas as óticas – nem o Corinthians se aproxima. É também o principal foco de audiências da TV Globo, detentora dos direitos de televisionamento.

Em benefício ao clube, o fato da TV colocá-lo às quartas num nível destoante: foram simplesmente 13 jogos contra seis aos domingos. Isto infla suas audiências pois é exatamente às quartas que se verificam os melhores números . Em compensação, veiculam-se muito poucos clássicos do time (partidas com apelo bem maior): apenas três em 2015. É exatamente aí que a maior torcida do Brasil se destaca. Sua audiência nas 17 partidas “normais” (não-clássicos) atinge a extraordinária média de 23,7 pontos e 44% de participação. Em jogos de pouco apelo, o Flamengo cumpre papel de verdadeira bola de segurança na TV brasileira.

VASCO

Fig 03
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Fig 04

Alguns números do Vasco acabam mascarados por ter sido o campeão dos clássicos na TV até aqui. Muito por ter decidido o Carioca, o cruzmaltino foi veiculado em seis jogos do gênero, atingindo ótimas médias de 27,5 pontos (53%) e perdendo apenas para Fla, Corinthians e São Paulo sob este ponto de vista.

O Vasco se saiu bem no Estadual pelas razões expostos no parágrafo anterior, mas a verdade é que seus números na Copa do Brasil e no Brasileirão (onde já teve outro clássico televisionado) decepcionam: média igual ou inferior a 19 pontos e 38% de share.

FLUMINENSE

Fig 05
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Fig 06

Até agora o carioca mais afastado da TV, o Flu apresenta, por larga margem, as piores audiências: médias de 18 pontos e 37%. Mas nem tudo é o que parece. O Flu vai tão mal porque foi o clube com menos clássicos na TV (só um) e com menos duelos em dia nobre (apenas uma quarta-feira). Em suma, seus números poderiam ser melhores se não atuasse em condições tão adversas. De qualquer maneira, pertence ao Fluminense a pior audiência do ano: 14 pontos totais no confronto diante do Bangu.

BOTAFOGO

Fig 07
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Fig 08

Fora o baixo número de partidas transmitidas, a situação botafoguense é perfeitamente antagônica à tricolor: tem mais jogos às quartas (três) e um alto índice de clássicos (quatro entre nove) que enviesam a análise. Os 22,6 pontos e 44% de share do Bota seriam excepcionais não fossem uma artificialidade. Em “não-clássicos” e em jogos da Copa do Brasil, o alvinegro cai para níveis próximos aos do Flu. Uma curiosidade: é com a estrela Solitária que a Band aufere seus melhores resultados no Rio: média de 2,6 pontos e 4% de share.

CORINTHIANS

Fig 09
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Fig 10

Números relativos às transmissões da TV Globo para São Paulo. Em negrito, clássicos veiculados para a própria praça. Em vermelho, shares calculados com base em proporção. Jogos aos sábados foram expostos individualmente mas não aglutinados.

Embora haja chiadeira pelo excesso de “corintianização”, o fato é que é o Corinthians quem segura as audiências na TV paulista. Eis o único clube, ao lado do Flamengo, a marcar mais de 40% de share em qualquer recorte analisado. Além disto, supera o rubro-negro em audiências às quartas (25,8 a 24,8 pontos) e na maior pontuação absoluta do ano (33 pontos, no embate frente ao São Paulo).

Mas o clube também se destaca no número de jogos televisionados. Em 22 ocasiões se assistiu ao Corinthians na TV, percentual de 39% superior a toda a concorrência. Em São Paulo, quem mais se aproxima é o Tricolor Paulista (18 jogos, 32%). Palmeiras (dez jogos, 18%) e Santos (seis jogos, 11%) fazem figuração.

SÃO PAULO

Fig 11
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Fig 12

Entre os paulistas, pertence ao Tricolor a menor proporção de clássicos sobre o número total de transmissões (cinco entre 18), o que significa números bem pouco inflados por demandas extraordinárias. Sendo assim, seus 22 pontos com 40% colocam-no em um seleto rol de audiências inferiores apernas às de Flamengo e Corinthians. Mais: sua pontuação média em clássicos (28,4 pontos) é a maior do Brasil. Em direção oposta, o clube do Morumbi proporcionou a pior audiência do ano em São Paulo: 15 pontos totais diante da Chapecoense.

PALMEIRAS

Fig 13
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Fig 14

Números irreais. Se o Palmeiras aparece na TV, 70% de chances de ser em clássicos. Em jogos normais, decepcionou na Copa do Brasil – competição onde atinge meros 18 pontos e 32%, o menor share entre as agremiações comparadas.

SANTOS

Fig 15
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Fig 16

Mesma lógica palmeirense, só que em ainda menos jogos. Curiosamente, metade das partidas televisionadas do Peixe foi contra o próprio Verdão. Outra: num interessante paralelo com o perfil de audiências do Botafogo, é o Santos quem atinge os melhores índices para Band em São Paulo (4,67 pontos).

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O alcance das transmissões de TV (RJ vs SP)

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Três são os elementos que precisam ser levados em conta quando analisamos a exposição dos clubes como elemento dimensionador das cotas de televisionamento. Em primeiro lugar, o total de transmissões envolvendo cada um. Em segundo, a audiência proporcionada por estas transmissões – em tese, quanto maior a torcida, mais gente assistindo. Tratam-se de números fáceis de ser levantados – o próprio Blog Teoria dos Jogos os divulga semanalmente em seu Twitter. O problema reside no terceiro elemento: o “alcance” de cada partida, ou seja, para quantas praças cada transmissão é veiculada. Discorramos.

Transmissões em TV aberta no Brasil são um produto cuja exclusividade pertence à Globo, sendo esta uma sublicenciada da Fox apenas no tocante à Copa Libertadores. De fevereiro a maio, treze estados acompanham regionais próprios através de suas afiliada locais. A não ser em datas cujo calendário fica vago, estas praças não estão autorizadas a deixarem de transmitir seus estaduais. Os 14 estados remanescentes (incluído aí o Distrito Federal) alinham com a transmissão da TV Globo do Rio de Janeiro, fazendo com que o Campeonato Carioca seja o único produto a ser exibido em mais de um estado, salvo exceções ressalvadas.

Intercalados com os estaduais, temos as transmissões das Copas do Brasil e Libertadores. A partir de maio, entra em cena o Campeonato Brasileiro. Nestes torneios, na maioria das vezes terminam as obrigatoriedades, com cada afiliada podendo escolher sua partida de acordo com audiências e com a configuração de torcidas local. Tal escolha recai sobre as transmissões de uma das “Globos nacionais”: a do Rio (SAT Rede) ou a de São Paulo (SAT SP).

A pergunta é: cariocas e paulistas tem seus jogos difundidos para quantos estados? Estamos diante de uma informação pública, divulgada pela própria emissora por meio de seus canais digitais. Ainda que conhecer este perfil faça toda a diferença, a resposta não é fácil por se tratar de um levantamento trabalhoso, pois a cada confronto o alcance muda ao sabor da preferência das afiliadas.

É aí que entra o Blog Teoria dos Jogos. Em um estudo totalmente exclusivo, analisamos o perfil de cada uma das 43 transmissões das TVs Globo do Rio e de São Paulo em 2015 – únicas que veiculam partidas para mais de um estado com consistência*. O levantamento não inclui amistosos ou torneios de pré-temporada como o Super Series, disputado em Manaus por Flamengo, Vasco e São Paulo em janeiro. Não foram consideradas transmissões da TV Bandeirantes, canais fechados ou parabólicas, bem como partidas da Seleção Brasileira.

*Apenas esporadicamente, filiais ou afiliadas tem suas partidas difundidas para além da praça-sede. Exemplos de 2015: Bahia x Ceará (final da Copa do Nordeste), para BA e CE. Cruzeiro x River Plate (Libertadores), para MG e RS. Flamengo x Sport (Brasileirão), para PE e DF.

CAMPEONATOS ESTADUAIS (CARIOCA VS PAULISTA)

Ao longo de 16 datas, o Campeonato Carioca concorreu diretamente com o Paulista em 2015. Como já foi dito, por questões contratuais não houve margem para escolha: os jogos do Rio saíram para algo entre 14 e 16 estados por ocasião, com o Paulista se reservando aos limites do estado (PR, MS e CE receberam-no em pelo menos uma circunstância).

CAMPEONATO CARIOCA VS PAULISTAS NA LIBERTADORES

Num ano em que nenhum time do Rio foi para a Libertadores, por três quartas-feiras o Estadual confrontou com jogos de Corinthians ou São Paulo pelo torneio continental. Isto fez com que o número médio de estados que o acompanham o Carioca tenha caído para 13, enquanto cinco estados (em média) alinharam com a Globo SP. Diferença relativamente pequena quando comparada ao cenário anterior porque  ainda havia o compromisso da maioria afiliadas com seus torneios locais, limando suas opções de escolha.

Houve aqui uma exceção: San Lorenzo x Corinthians foi veiculado numa data sem jogos do Carioca, quando se encaixou na grade um amistoso do Flamengo contra o Nacional/URU (“despedida de Leo Moura”). Foi a única ocasião em que se verificou absoluta reversão do televisionamento: 20 estados seguiram o alvinegro, ficando apenas o Rio com o Fla.

COPAS (DO BRASIL E LIBERTADORES): RJ VS SP

Temos aqui nosso cenário mais equilibrado. Dez jogos da Globo Rio (sempre pela Copa do Brasil) confrontaram com a Globo SP (Libertadores ou Copa do Brasil). Com afiliadas livres para optarem, valeu o peso da competição da Conmebol: onze estados, em média, ficaram ao lado dos paulistas, contra os mesmos onze dos cariocas. Em cinco oportunidades, a Globo SP teve maioria de afiliadas. A Globo Rio só mantinha o equilíbrio quando a Libertadores saía de cena (Copa do Brasil vs Copa do Brasil). Ou em jogos do Flamengo.

Aqui, a partida mais propagada foi São Paulo x Cruzeiro, pela Libertadores, acompanhada em 22 estados. Em seguida vem Flamengo x Náutico, pela Copa do Brasil (21 estados). No extremo oposto, Botafogo x Capivariano, pela Copa do Brasil, só pode ser vista no Rio de Janeiro.

Neste cenário, dos dez jogos da Globo RJ, quatro foram do Flamengo – veiculados em média para 16 estados. Três foram do Vasco (média de 12 estados) e três do Botafogo (média de cinco estados). Dos dez jogos da Globo SP, cinco foram do São Paulo  – veiculados em média para 13 estados. Três do Corinthians (média de 14 estados), dois do Palmeiras (cinco estados) e um do Santos (três estados).

BRASILEIRÃO (RJ VS SP)

Já contando a rodada do último domingo, Globo RJ e SP concorreram treze vezes* pelo Brasileirão, com vantagem de 16 estados alinhados aos cariocas contra 10 aos paulistas.

*Flamengo x Atlético-MG ganhou status nacional por conta do rubro-negro, mesmo sendo uma transmissão da Globo Minas. Naquele fim de semana, Sport x Vasco foi relegado apenas à capital fluminense.

A “partida mais nacional do Brasil” foi justamente Flamengo 0 x 3 Corinthians, com veiculação para nada menos que 26 estados (excluídos o estado de Goiás e a cidade do Rio), condição esta apenas superada pelos jogos da Seleção Brasileira. Em seguida vem Fluminense x Corinthians (25 estados) e São Paulo x Fluminense (24 estados). Acreditem, na outra ponta se encontra o confronto do Flamengo com o Avaí, visto apenas no estado do Rio. Goiás x Corinthians só passou para SP e PR.

Dos treze jogos da Globo RJ (incluída a exceção do asterisco acima) neste cenário, foram sete do Flamengo veiculados em média para 18 estados. Quatro do Fluminense para 13 estados e dois do Vasco para 18 estados. Para SP, foram sete do Corinthians para 11 estados em média, cinco do São Paulo (média de oito estados), dois do Santos (oito estados) e um do Palmeiras para 17 estados (o clássico Palmeiras x SPFC).

TOTAL

A contabilidade por praças  é esclarecedora: denota o apelo dos clubes em face à Globo do seu próprio estado. Mas também subestima exposições. Um exemplo: Fla x Corinthians era da Globo SP e por isto só entrou na conta alvinegra, embora toda a exposição fosse compartilhada. Diante disto, preparamos um ranking contendo o número médio de estados para os quais cada grande paulista ou carioca foi exposto nas 43 partidas de 2015 – seja pela Globo do Rio ou de São Paulo. Ou seja, cariocas veiculados pela filial paulista tiveram exposição também contabilizada para si e vice versa.

*Foram excluídas transmissões restritas a uma cidade, comuns no Campeonato Paulista. Nestes casos, somente o confronto principal foi considerado.

Fig 01

CONCLUSÕES

É lógico que, no tocante ao alcance de uma transmissão, números absolutos podem traduzir pouco. Alguns estados do Norte ou Nordeste, pequenos e pouco populosos, inflam estatísticas e não impactam significativamente sob a ótica do poder aquisitivo. Tendo claro que nem sempre “mais” é “melhor”, parece fato que numa federação formada por 27 estados, a penetração dos clubes do Rio de Janeiro destoa, chamando bastante atenção.

Em maior ou menor escala, os clubes cariocas (e por conseguinte, suas marcas e parceiros) apresentam capilaridade muito superior aos paulistas, fazendo daqueles um foco mais acertado a anunciantes que visem campanhas abrangentes, de cunho nacional. Em contrapartida, o peso econômico de São Paulo aliado à importância das praças que tradicionalmente alinham consigo (PR ou RS, por exemplo) fazem  do seu retorno em mídia algo no mínimo equivalente ao dos cariocas, ultrapassando-os em diversas ocasiões aqui expostas.

Um grande abraço e saudações!

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Os números Ibope|Repucom: Flamengo e rivais cariocas

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Muito se fala em “exposição em mídia” quando o assunto é televisionamento, propriedades de patrocínio e repercussões em geral. No entanto, quem mensura isto? Como? Estariam os valores que envolvem o futebol em linha com os retornos proporcionados?

Para ajudar a responder estas perguntas, o Blog Teoria dos Jogos teve acesso a um material elaborado pelo Ibope|Repucom – braço do instituto Ibope responsável pelas métricas de exposição das marcas em mídia. As estatísticas foram disponibilizadas com exclusividade para o Clube de Regatas do Flamengo, razão pela qual o Rubro Negro é o enfoque das figuras abaixo. Entretanto, Vasco, Fluminense e Botafogo também são analisados, proporcionando um interessante comparativo quanto ao valor dos quatro rivais cariocas em termos locais e nacionais.

Sobre as transmissões em TV aberta e fechada:

Fig 01

O alcance do Flamengo em 2014 (ano-base dos números aqui expostos) foi de 80% da região metropolitana do Rio de Janeiro. Isto significa que por lá, 8,6 milhões de indivíduos assistiram, em algum momento, aos jogos do clube. Em São Paulo este alcance foi bem inferior (20%), mas como a população é maior, 3,9 milhões de paulistanos se ligaram nas marcas e patrocínios ao Rubro Negro. Em termos acumulados, 134 milhões de pessoas acompanharam o Fla pela TV.

Sobre as mídias sociais:

Fig 02

Além do mais alto índice de conteúdo positivo, as postagens com a palavra “Flamengo” (já devidamente filtradas para seu significado futebolístico) se deram em número 44% superior às relativas ao Vasco, 175% acima do Botafogo e 237% à frente do Fluminense.

Sobre cobertura e audiências:

Fig 03

Em linha com os números expostos pelo Twitter de Vinicius Paiva, ao longo de 2014 o Fla atingiu 22,6 pontos médios em suas 46 transmissões em TV aberta. Vasco (31 televisionamentos), Fluminense (28) e Botafogo (19) não ultrapassaram a barreira dos 17 pontos cada um. Neste ponto, necessário um adendo: não foi considerado o share das partidas (percentual de televisores ligados em determinado canal), informação tão importante quanto os pontos na mensuração da audiência de um clube. Entretanto, o Rubro-negro também se destaca neste quesito, mantendo sempre entre 40% e 45% de participação (contra algo entre 30% e 35% dos rivais).

Sobre o número de transmissões por mercado:

Fig 04

Pasmem, é Manaus quem mais acompanha o Fla na telinha: 38 transmissões, superando Rio de Janeiro e Brasília (37 cada). Isto se dá por conta do bloqueio de praça que impede a transmissão de alguns jogos no Maracanã para a própria cidade, casos em que a Região Norte se alinha à Globo SP em busca de jogos do Mais Querido. Em tempo: Porto Alegre (18), Goiânia (17), Campinas (10) e São Paulo (7) estão no extremo oposto.

Por fim, tempo e valores da exposição:

Fig 05

Numa avaliação quantitativa, os patrocinadores tiveram R$ 1,1 bilhão em exposição (R$ 307 milhões sob uma ótica qualitativa) durante 268h26min de transmissões. O Fla teve ainda o maior retorno da Série A na propriedade máster frontal, além de 172h40min de exposições do backdrop.

O Blog Teoria dos Jogos se compromete a apurar os números relativos aos quatro grandes de São Paulo, visando uma real comparação entre as marcas de maior valor e exposição do futebol brasileiro.

Um grande abraço e saudações!

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