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A Pesquisa da Vez: capitais brasileiras (SPC/CNDL) – EXCLUSIVO

No início da tarde de hoje, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram uma estudo sobre os hábitos de consumo dos torcedores no Brasil. Por se tratarem de instituições relacionadas ao crédito e adimplemento, o foco da pesquisa recaiu sobre questões orçamentárias, como capacidade de pagamento e gastos excessivos com produtos e serviços relacionados ao futebol. Maiores detalhes sobre a pesquisa podem ser vistos no site da SPC Brasil (clique aqui).

Sendo um questionário aplicado nas 27 capitais brasileiras, o estudo veio naturalmente acompanhado de uma pesquisa de torcidas. Assim, o Blog Teoria dos Jogos entrou em contato com o SPC Brasil e teve acesso aos números de maneira exclusiva. No entanto, muitos esclarecimentos se fazem necessários.

Em primeiro lugar, não se trata de uma pesquisa nacional, já que as entrevistas se concentraram tão somente nas 27 capitais brasileiras, e com amostra bastante limitada: 620 torcedores. Além disso, por ter focado o universo de torcedores (e não o universo populacional), o “Nenhum” (pessoas sem time) foi descartado, fazendo com que o percentual de cada torcida subisse. Só que o mais importante é que a pesquisa não seguiu proporcionalidades primordiais. Isto que significa que 63% dos respondentes foram homens, mesmo numa sociedade de maioria feminina. Em termos geográficos, entrevistou-se um número muito maior de cariocas (16,6%) do que paulistanos (20,1%) proporcionalmente, levando a uma superestimação dos números atrelados aos times do Rio. Depois das duas maiores metrópoles vieram Salvador (8,3%), Porto Alegre (6,8%), Curitiba (6,1%), Fortaleza (5,6%), Recife (5,4%), Belo Horizonte (4,2%) e Manaus (4%).

Todas as limitações abordadas acima não inviabilizam este estudo de abordagem criativa e diferenciada. A questão é que, mais do que nunca, a pesquisa SPC/CNDL reflete tão somente o perfil de sua amostra. Por conta disto, o Blog Teoria dos Jogos optou por expor seus resultados sem proceder maiores análises sobre os recortes de gênero, idade, renda e fanatismo. Convidamos, portanto, nossos leitores a fazê-lo.

Seguem os números:

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Tamanho não é documento

Não é de hoje que os rankings envolvendo projetos de sócio-torcedor se tornaram uma coqueluche. Fogueira sobre a qual se jogou combustível quando a Ambev, na figura do seu “Movimento por um Futebol Melhor”, passou a disponibilizar seu Torcedômetro. Desde então, a discussão do “meu é maior do que o seu” tomou conta das mesas de bares – reais ou virtuais.

As atualizações mais sofisticadas incluem também os europeus – modo de se auferir os clubes com maior quantidade de sócios do mundo. A última publicação a fazê-lo foi a Máquina do Esporte, a quem pedimos licença para reproduzir o ranking na íntegra:

Fig 01

Mas também não é de hoje que o Blog Teoria dos Jogos alerta para o fato de, no tocante aos projetos associativos, tamanho não ser documento. Foi o que concluímos há dez meses, através da coluna “Sócio-Torcedor: quem fatura mais? Uma análise definitiva”. À época, dissemos que o ticket médio do projeto Nação Rubro-Negra, três vezes superior ao Fiel Torcedor, tornavam necessários 150 mil corintianos para equivalerem ao que o Flamengo arrecadava*. Verdadeiramente, a ótica mais importante.

*Proporção que começa a se aproximar, dados os 132.483 sócios alcançados pelo Corinthians, contra 60.143 do Flamengo (08/03/2016)

Trata-se de uma questão cuja pertinência é comprovada na comparação internacional. Foi o que fez o amigo Benny Kessel, do Blog Balanço da Bola, em coluna publicada no site Mundo Rubro Negro. Em análise sobre o Relatório de Gestão 2014/2015 dos portugueses do Benfica (antigos líderes do “ranking mundial”, atuais terceiros colocados), o colunista descobriu os seguintes elementos:

“– Do total de valores pagos pelos sócios-torcedores do Benfica, apenas 25% são transferidos para o clube;

– O clube obteve como rendimento 2,6 milhões de euros líquidos;

– A receita com sócios-torcedores representa 3% das receitas recorrentes com futebol (não considera venda de direito de atletas).

– Pelas demonstrações contábeis do Flamengo em 2014, do montante arrecadado com STs (R$ 30,4 milhões), o clube fica com R$ 21,9 milhões, ou seja, 75% do total, repassando 25% para a operadora do programa. No Benfica a relação é inversa, 75% para a operadora, 25% para o clube;

– Com o seu programa em 2014, o Flamengo obteve R$ 21,9 milhões de reais líquidos, valor que, em 31/12/2014 correspondia a 6,8 milhões de euros, quase 3 vezes mais do que o obtido pelo Benfica;

– As receitas líquidas do Flamengo representaram 7,7% do total das receitas recorrentes com futebol em 2014, 10,7% se considerarmos as receitas brutas. Bem mais do que os 3% apurados pelo Benfica.”

 De onde concluiu:

“Pelo menos em lucros obtidos com o programa, o Benfica não tem muito a ensinar ao Flamengo.”

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Nem ao Flamengo, nem a muitos dos nossos gigantes – como Corinthians, Palmeiras, Internacional, Grêmio e Cruzeiro. Todos capitalizando com seus projetos em níveis inéditos, independente da diferença no preço médio ou nos benefícios oferecidos por um ou outro.

Por tudo isto – e apesar dos inúmeros pesares – é pertinente que tratemos nosso recorrente complexo de vira-latas. Há, por aqui, profissionais sérios, capacitados e iniciativas de marketing de sucesso. O desafio é difundi-las a todos os clubes, bem como torná-las sustentáveis. Fugindo das intempéries típicas do universo futebol, como o sucesso apenas nas boas fases.

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O Mapa do Televisionamento dos Estaduais 2016

Alguns anos após introduzir este conceito no cenário econômico e futebolístico, o Blog Teoria dos Jogos retoma seu mapa do televisionamento do estaduais, versão 2016. Trata-se de um levantamento acerca dos estaduais que são veiculados, detalhando para onde e qual percentual do PIB e da população cada um está exposto. Os números se referem apenas à TV aberta e à divisão de praças da Globo, detentora dos direitos de transmissão. A Bandeirantes, emissora licenciada, obedece às regras impostas por aquela, gerando um alinhamento na maioria dos estados.

Antes de trazermos os números, alguns esclarecimentos se fazem necessários. Estamos diante de um levantamento que foi “facilitado” ao longo dos anos, dada a simplificação na distribuição dos estaduais. Anteriormente, praças que não possuíam certames próprios se dividiam entre os do Rio e de São Paulo – com larga vantagem para os primeiros. Nos últimos anos, o Paulistão deixou de ser veiculado para lugares como Tocantins (que se voltou ao Rio), Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (estaduais próprios).

Mas as baixas não são exclusividade do Campeonato Paulista. A última “dissidência” verificada se deu em Alagoas, há dois anos, quando o Campeonato Alagoano passou a ser assistido em detrimento do Carioca. Também ocorrem exceções, como no fim de semana em que a Globo Brasília optou por receber o sinal de São Paulo. Ainda assim, a hegemonia do Rio é incomparável: enquanto quinze unidades federativas alinham consigo, o Paulista hoje é visto apenas em seu estado de origem. Equiparando-o a outros onze torneios: Mineiro, Baiano, Gaúcho, Paranaense, Pernambucano, Cearense, Catarinense, Goiano, Alagoano, Mato-Grossense e Sul Mato-Grossense.

Feitas as ressalvas, vamos aos números:

Fig 01

 

Fig 02

Tamanha difusão torna natural a preponderância do Campeonato Carioca Brasil adentro. Somados, os quinze estados que o assistem representam 29,61% da população nacional. Exposto para 44 milhões de pessoas, o Paulistão possui abrangência de 21,72%. Mas o poderio econômico faz com que a balança se reverta a favor de São Paulo sob a ótica do PIB. Semanalmente, as marcas de Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos são divulgadas para o equivalente a 32,13% do Produto Interno Bruto. Os 60 milhões de brasileiros voltados aos times do Rio representam 27,14% da economia brasileira.

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Numa comparação entre os dois principais estaduais, percebemos o Paulista com potencial de renda 18% superior ao Carioca. No entanto, há uma semana expusemos que a diferença que a Globo paga por ambos é muito superior. Estima-se que nas negociações pelo Carioca-2017, Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo possam auferir entre R$ 11 milhões e R$ 12 milhões cada um. O que faria o quarteto carioca assistir aos paulistas embolsarem no mínimo 40% a mais.

Ainda em termos comparativos, viajemos à era pré-Teoria dos Jogos.  Em 2011, descobrimos que este blogueiro já compilara um mapa do televisionamento, publicando-o no blog Olhar Crônico Esportivo, do amigo Emerson Gonçalves. Naquele tempo, o Carioca era veiculado para 30,6% da população (0,99 ponto percentual a mais do que hoje) e 26,97% do PIB. Ou seja, ainda que marginalmente, pode-se dizer que o Estadual do Rio cresceu 0,17 p.p em valor – o que não corre com o Paulista. Nestes cinco anos, os clubes de São Paulo verificaram queda de 3,51 p.p na população e 4,23 p.p no PIB para o qual se expõem. Tratam-se de reduções acentuadas.

Após São Paulo e Rio, a ordem dos estaduais sob a ótica do PIB nos brinda com os Campeonatos Mineiro (9,16%), Paranaense (6,26%), Gaúcho (6,23%), Catarinense (4,03%) e Baiano (3,84%).

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O faroeste envolvendo a Globo e o Esporte Interativo

Fig 01

Todos sabem que a Globo é a maior rede de televisão do Brasil e uma das maiores do mundo. Primando por excelência, além de dominar o entretenimento e o jornalismo, sempre coube a ela ditar as regras no tocante ao televisionamento do futebol. Simplesmente porque nunca teve concorrentes à altura, econômica ou estruturalmente, para sentir-se ameaçada em seu reinado. Assim, esteve nas mãos da Globo a transmissão e exploração do futebol brasileiro em suas diferentes mídias: TV aberta, fechada, pay per view, mobile e internet.

Já o Esporte Interativo é de conhecimento mais recente. Pequeno canal esportivo fundado no Rio de Janeiro, demorou para entrar nas TVs por assinatura pela falta de envergadura ao encarar operadoras, Globosat e os titãs da concorrência (Fox Sports e ESPN) – todos conglomerados internacionais. Clube ao qual adentrou há pouco mais de um ano, ao ser adquirido pela Turner, proprietária das redes CNN, TNT, Cartoon Network, Boomerang e outros.

O Esporte Interativo ficou grande. E passou a encarar a Globo naquilo que ela mais preza. Sendo exclusivamente um canal fechado, ofereceu um caminhão de dinheiro aos clubes pela propriedade. Prometendo rateio à inglesa, citação de naming rights e maior flexibilidade de horários.

A negociação deu errado diante dos clubes de maior torcida: Corinthians, São Paulo, Vasco, Botafogo, Cruzeiro e Atlético-MG fecharam ou tendem a fechar com a Globo. Por outro lado, seduziu Santos, Atlético-PR, Coritiba, Internacional e Bahia. Outros podem vir, aumentando o inédito rompimento da exclusividade global, ao menos no tocante a este ambiente em específico.

O problema é que o embate passou a ser enxergado por boa parte da opinião pública e da mídia “especializada” como um bang-bang. Aqueles antigos filmes de faroeste que opõem claramente o bandido opressor ao mocinho redentor. Clara e respectivamente representados pela vilã Globo e o herói Esporte Interativo.

Não é por aí. Nem um pouco.

Se é correto o conceito de “monopolista” aplicado à Globo nas últimas décadas, ele o seria com base nos princípios schumpeterianos do termo. A emissora foi simplesmente a vencedora, tendo sua primazia construída com base no mérito, em anos de parceria e ótimos serviços prestados. E, sim, nos preceitos de livre mercado! Afinal, na hora H, os concorrentes nunca sustentam a postura inicial de confrontamento a ela.

Tudo, evidentemente, apesar dos pesares. Dos interesses que envolvem as Organizações Globo. Da intransigência em seus princípios comerciais, no engessamento da programação ou nas exageradas exigências quanto à postura “chapa branca” de seus profissionais. Ninguém está aqui para defendê-la.

Ainda assim, não temos uma vilã, mas uma renomada empresa líder de mercado. E até por isto, com muito poder de barganha, condição que todo entrante pequeno e desprestigiado almeja alcançar.

Por outro lado, o Esporte Interativo surge como um sopro de renovação. Injetando recursos – ou fazendo com que a Globo o faça, ao suas cobrir propostas – oferece coisas novas e bacanas. Mas não se enganem, todos aqui possuem interesses e proibições, regra que passa longe de não se aplicar ao canal. Conflitos entre fornecedores e clientes, afinal, sempre transparecem – mas só quando a relação está consumada. Apelar para o emocional ou vender-se como uma espécie incompreendida de Robin Hood não faz o feitio da Time Warner, controladora da Turner. Que nos EUA, de boba nunca teve nada.

Cabe a nós aguardarmos as cenas dos próximos capítulos, na certeza de que a dicotomia já está estabelecida – dado o fechamento de contratos com ambas as emissoras. Aguardemos ainda as futuras rodadas de negociação pelo mais desejado filão, o do televisionamento aberto, que não contará com o Esporte Interativo. Nem por isto são aceitáveis as acusações de fragilização dos clubes perante a futura rodada de conversações. Ninguém sabe como estará o mercado daqui a um ou dois anos.

No mais, entrantes sempre poderão suplantar a Globo – vide a Fox Sports, com os direitos da Copa Libertadores. Basta oferecer mais, oferecer melhor. E convencer os clubes da pertinência da migração. Alguém falou que seria fácil?

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O ranking das cotas de TV – Estaduais 2016

Por conta das negociações com emissoras interessadas na transmissão do Brasileirão, só se fala em cotas de TV. No entanto, existe um torneio totalmente presente em nossas vidas, casas e aparelhos de TV, para o qual pouco nos atentamos. Tratam-se dos estaduais, cujas renegociações também se encontram em pleno vapor, ainda que envolvam cifras menos polpudas e distorções muito mais injustificáveis do que as geralmente apontadas.

Assim como tantas outras receitas de marketing, os valores pagos pelos estaduais não são fáceis de ser descobertos. Primeiro porque, nos balanços patrimoniais, a maioria dos clubes não discrimina as receitas de televisionamento. Eles classificam-nas como “Cotas de TV” numa conta única, sem separar Brasileirão, estaduais e outros torneios. E eles são muitos: Libertadores, Copa do Brasil, Primeira Liga ou amistosos, todos trazem recursos pagos pela televisão.

Enfim: com base em informações veiculadas na mídia, balanços, orçamentos e borderôs (como os da FERJ, que incluem cotas de TV), este seria o ranking dos quatro principais estaduais do país:

Fig 01

Percebam, em primeiro lugar, a discrepância de valores entre estaduais e o Brasileirão. Embora o nacional dure exatamente o dobro de um estadual (seis meses e vinte dias, contra três meses e dez dias do Carioca), a diferença paga chega, em alguns casos, a mais de dez vezes. Isto sem discrepância nas audiências – com leve tendência (acreditem) aos próprios estaduais: em 2015, dezesseis jogos do Paulista registraram média de 18,5 pontos para a Globo (quem paga a conta), enquanto 38 jogos dos clubes de São Paulo bateram 17,9 pontos no Campeonato Brasileiro.

Em segundo lugar, temos a diferença a favor do Paulista em detrimento dos demais torneios. Aí, parte da explicação reside nas rodadas de negociação: em São Paulo, os valores se referem à última leva de assinaturas*, fechada ao final de 2015 e válida pelos próximos anos. Já no Rio e no Rio Grande do Sul, o último ano do antigo contrato é justamente o atual, com conversas possivelmente iniciadas nos próximos meses. Antes do litígio entre Fla, Flu, FERJ e Primeira Liga, estimava-se para os cariocas algo em torno de R$ 11 milhões, que podem cair pela manutenção das incertezas.

*Estima-se que as luvas tenham ficado na casa dos R$ 20 milhões.

Ainda assim, a primazia de Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos se manterá. Diferente do Brasileirão – quando a Globo equipara Flamengo e Corinthians – pelos estaduais, os times do estado mais rico se beneficiam da robustez de seu mercado. Isto num torneio transmitido apenas para dentro de suas fronteiras, ao contrário do Carioca – veiculado em outras 14 praças.

Em terceiro, verifica-se a total equiparação dos grandes de um mesmo estadual no rateio da grana. A projeção desta equidade distributiva configura um sonho para a maioria dos clubes envolvidos na gritaria contra a suposta “espanholização”. Seguindo critérios de audiência e número de partidas, Flamengo e Corinthians recebem muito mais do que seus pares no Campeonato Brasileiro. Nos estaduais, não.

Um quarto elemento ainda salta aos olhos. Miudezas à parte, os maiores times do Rio recebem igual aos grandes gaúchos e mineiros. E isto não se dá porque a Globo paga o mesmo, mas porque nestes, os clubes de menor investimento pagam a conta. Enquanto no Rio um pequeno desembolsa até R$ 2,5 milhões (em São Paulo, mais de R$ 3 milhões), no Rio Grande não se aufere mais do que R$ 800 mil. Melhor do que em Minas, onde restam míseros R$ 300 mil para cada agremiação.

Enquanto o foco no Brasileirão recai sobre absurdos bem menos inexplicáveis, a verdade é que as cotas de TV nos Estaduais são aquilo que se convencionou por “samba do crioulo doido”.  Valores baixos, distribuição heterodoxa e equiparação de clubes de porte totalmente diferente.

Que o diga a Ponte Preta, faturando quase igual ao Flamengo…

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Os números da Visita Colorada (atualização do ranking)

Fig 01

Na semana passada, o Blog Teoria dos Jogos publicou um inédito levantamento contendo o número de torcedores recebidos pelos maiores clubes do país em seus projetos de visitação guiada (estádios, centros de treinamentos, museus ou salas de troféus). A lista trazia no topo a Arena do Grêmio, cujos visitantes bateram 50 mil ao longo do ano de 2015. Após inúmeras tentativas, não foi possível obter informações relativas a Internacional, São Paulo e Santos. Contudo, após a publicação do texto, fomos contactados por Rafael Oliveira, responsável pelo projeto Visita Colorada, disposto a nos revelar as estatísticas relacionadas à metade vermelha do Rio Grande do Sul.

Importante ressaltar que, segundo Oliveira, tais dados em breve estarão publicados no Portal da Transparência do Internacional – uma presunção de legitimidade, dado o envio apenas posterior. O diretor explicou ainda a distinção entre a Visita Colorada e o Museu do Inter: o segundo funcionaria como uma versão reduzida da primeira, oferecendo visão aérea dos camarotes e acesso ao gramado para fotos. Já a Visita Colorada daria acesso a todas as áreas internas, vestiários, áreas de competição, salas de imprensa, gramado, etc. O pacote completo ocorre apenas através do combo Visita + Museu, com os associados usufruindo de gratuidades em ambos os passeios.

Seguem, portanto, os números:

Janeiro:

Visita Colorada: 6.104

Museu do Inter: 3.752

Total: 9.856

 

Fevereiro:

Visita Colorada: 3.888

Museu do Inter: 1.717

Total: 5.605

 

Março:

Visita Colorada: 3.643

Museu do Inter: 1.882

Total: 5.525

 

Abril:

Visita Colorada: 2.770

Museu do Inter: 1.963

Total: 4.733

 

Maio:

Visita Colorada: 4.455

Museu do Inter: 3.767

Total: 8.222

 

Junho:

Visita Colorada: 3893

Museu do Inter: 2227

Total: 6.120

 

Julho:

Visita Colorada: 5.625

Museu do Inter: 2.964

Total: 8.589

 

Agosto:

Visita Colorada: 4.134

Museu do Inter: 1.877

Total: 6.011

 

Setembro:

Visita Colorada: 3.206

Museu do Inter: 1.149

Total: 4.355

 

Outubro:

Visita Colorada: 3.821

Museu do Inter: 2.449

Total: 6.270

 

Novembro:

Visita Colorada: 5.903

Museu do Inter: 2.400

Total: 8.303

 

Dezembro:

Visita Colorada: 5.386

Museu do Inter: 2.173

Total: 7.559

 

Total: 81.148

 

Diante destes números, o ranking das visitações em 2015 tem um novo líder: o Internacional. Durante visita do Blog Teoria dos Jogos às instalações coloradas, em agosto passado, pudemos ter uma pequena noção do apelo do projeto, dados os torcedores que procediam a Visita Colorada. Ao Blog, dirigentes confidenciaram que o grande diferencial com relação ao Grêmio residiria na localização do Estádio Beira Rio.

Uma segunda retificação quanto ao texto da semana passada também se faz necessária: ao contrário do publicado, o quantitativo a visitar o estádio do Maracanã (50 mil) não seria anual, mas sim mensal. Números que fazem do Mário Filho, por larga margem, o estádio mais contemplado do Brasil – ultrapassando a barreira dos 600 mil visitantes por temporada.

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Análise : O Mapa das Curtidas – SC e PR

Prosseguindo a série de análises com relação ao “Mapa das Curtidas do Facebook” – uma parceria da rede social com o Globoesporte.com – é a vez de subirmos um pouco. Após detalhar o nada diversificado perfil das preferências no Rio Grande do Sul, é a vez de nos atermos aos estados de torcida mais plural do Brasil: Santa Catarina e Paraná.

Em nosso país, uma das principais características das preferências clubísticas é a dicotomia entre capital e interior. Com exceção de Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul – além de estados do Norte e Nordeste dominados por forasteiros – são muitos os exemplos de rivalidades entre torcidas que perdem força à medida com que se afastam de suas zonas de influência. Neste sentido, três lugares chamam atenção: Por ordem de “pluralidade”, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Os dois primeiros podem ser vistos na imagem abaixo:

Fig 01

Uma característica comum entre ambos é o predomínio de times da capital num limitado perímetro que vai pouco além da região metropolitana. A região central é dominada por paulistas no Paraná (Flamengo depois) e Flamengo em Santa Catarina (paulistas e Vasco em seguida). Já o oeste catarinense e paranaense são de predomínio gaúcho, com supremacia de Grêmio e Internacional.

Mas o perfil de Santa Catarina vai além, muito pela quantidade e força dos times locais. Começando pelos do interior:

Fig 02

Para surpresa geral, a Chapecoense é, de longe, o clube com difusão mais avançada de Santa Catarina. Mesmo que o “Mapa” seja focado em redes sociais e potencialize simpatias, a verdade é que a zona de influência do Verdão do Oeste se espalha por uma área pouco comum em se tratando daquele estado. O clube está entre os quatro mais curtidos em nada menos que 246 localidades. Consegue ainda uma proeza quase inimaginável: influenciar pequenos municípios gaúchos limítrofes a Chapecó.

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Já a difusão dos outros rivais do interior é mais restrita a municípios-sede e entorno, sem se espalharem tanto pela região em si. Ainda que nas cidades-natal, Joinville e Criciúma, superem a Chapecoense em percentual de curtidas (38,6%, 46,6% e 37,3%, respectivamente). O JEC angaria uma das quatro primeiras posições em apenas 12 municípios, enquanto o Tigre o faz em 48.

Fig 03

As coisas não são muito melhores para os times da capital. Inseridos numa grande região de influência flamenguista, Figueirense e Avaí só conseguem leve supremacia na zona de menos de um milhão de habitantes que circunda Florianópolis. Neste raio, a supremacia do Figueira é evidente – confirmando a histórica evidência do “time do continente” que relega a identificação avaiana à pouco populosa ilha. O Figueirense detém preferência em 15 municípios, trazendo o Avaí na segunda posição em 14 deles.

Quanto aos times de fora, eis o mapa de calor:

Fig 04

Fig 05

Trata-se de um perfil bastante semelhante ao da pesquisa científica publicada pelo Blog Teoria dos Jogos ainda em seus tempos de Globoesporte.com. O Flamengo domina a maioria do estado, sendo segundo em cidades corintianas ou gremistas. Fica em terceiro no entorno de Florianópolis, em quarto no extremo sul e em sexto na região oeste, onde o predomínio é do Grêmio e depois do Internacional.

Parte da divisa entre SC e RS verifica notável crescimento do Corinthians – terceiro por ali e segundo nas regiões centrais. O Vasco cresce nas cercanias de Tubarão e Rio do Sul, ficando entre o segundo e o terceiro posto. Já o São Paulo fica em terceiro ou quarto nas regiões norte e central. Palmeiras e Santos surgem com representação residual nos limites com o Paraná.

Fig 06

Perto do estado vizinho, a atmosfera paranaense soa menos difusa, ainda que se trate de um dos representantes da pluralidade anteriormente debatida. Pelo Facebook, o Paraná é uma mancha corintiana, com contornos atleticanos na capital e gremistas no oeste. Esporádicas maiorias flamenguistas finalizam uma pintura que, comparada aos resultados científicos, traria dificuldades na distinção entre original e cópia.

A superioridade do Atlético-PR se dá ao longo do um perímetro maior do que o Coritiba: o Furacão é um dos quatro mais curtidos em 43 municípios, frente aos 28 do Coxa. Sendo que o alviverde não lidera em nenhum, derrotado pelo Corinthians em plena cidade de Curitiba – possível distorção da apuração via rede social. Se é assim com o Coxa, sabido detentor de boa torcida, imaginem com o Paraná Clube? Sua melhor posição é um irrisório 4º lugar em Bocaiúva do Sul.

Fig 07

Fig 08

As verdadeiras donas do Paraná são as torcidas de São Paulo. Como já foi dito, o Corinthians é líder absoluto em todas as regiões onde Atlético-PR ou Grêmio não aprontam. Com vantagem tricolor, São Paulo e Palmeiras vem a reboque – ainda que a quantidade de lugares onde o Palmeiras é vice não seja desprezível, incluindo cidades como Umuarama e Apucarana. Há espaço até para o Santos: segundo em duas cidades (Jardim Alegre e Nova Aurora) e terceiro em outras tantas. Oeste e Sudoeste são divididos por Grêmio e Internacional, finalizando uma zona de influência que só volta a ter relevância em rincões agrários do Centro Oeste. De qualquer maneira, pode-se dizer que em termos de torcidas, o Paraná seria quase um quintal do estado de São Paulo.

Sim, “quase”. Em meio a paulistas, gaúchos e paranaenses, surge a exceção de sempre: o Flamengo. Por lá, o se faz presente como segundo mais curtido em muitos municípios próximos à divisa com Santa Catarina (destaque para Guarapuava e Ponta Grossa). Tem mais: em Rio Negro, Campo do Tenente e Paranaguá (litoral), é o rubro-negro quem dá as cartas, liderando em curtidas. Nada disso em companhia do Vasco: ao contrário do que ocorre em Santa Catarina, cruzmaltinos praticamente inexistem no Paraná.

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Análise: o Mapa das Curtidas – RS e times gaúchos

Conforme prometido, o Blog Teoria dos Jogos inicia agora sua análise com relação aos números do “Mapa das Curtidas do Facebook”, iniciativa bem sucedida do Globoesporte.com em parceria com a rede social de maior sucesso no mundo. Com robusta amostragem, o Mapa faz justiça ao verificado em diversas regiões do país. Assim, começaremos pela configuração de torcidas no Rio Grande do Sul e dos times gaúchos – Grêmio e Internacional.

Novamente, é preciso deixar claro que o mapeamento não é uma pesquisa. O enfoque em jovens e pessoas conectadas gera vieses consideráveis – apenas 25% dos usuários do Facebook tem mais de 35 anos, faixa de abrange 41% da população brasileira. No mais, distorções se fazem presentes pelo fato de alguns clubes trabalharem melhor suas mídias sócias, estando “alguns passos” à frente da concorrência.

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Dito isto, vamos lá:

Fig 01

O aparente massacre gremista foi motivo de festa no lado azul do Rio Grande. Por lá, deu Grêmio em nada menos de 481 dos 497 municípios – meros 16 tiveram maioria colorada. Mas se muitas cidades “vermelhas” são de pequeno porte, o Inter teve consigo o trunfo da maioria em plena Porto Alegre (13% da população gaúcha). Mais: segundo levantamento feito por Alexandre Perin, do site Almanaque Esportivo, o equilíbrio nos 20 municípios mais populosos do estado (48% da população) foi tão grande que fica difícil acreditar como o Grêmio conseguiu primazia em 18 deles. Em muitos casos – como os de Canoas e Alvorada – as diferenças não passavam de um ou dois décimos. No total, gremistas (40,7% das curtidas) e colorados (39,4%) terminam em flagrante equilíbrio.

Fig 02

A conhecida intransponibilidade do Rio Grande do Sul com relação a torcidas forasteiras se faz presente: praticamente nenhum outro clube cria “manchas” no mapa de calor do estado. O que não significa que inexistam. Além do Corinthians – maior torcida estrangeira entre os gaúchos do Facebook – Flamengo e Santos se fazem representados em cidades ou regiões. Corintianos estão presentes na fronteira com Santa Catarina e em Vera Cruz, região central, onde marcam nada menos que 7,2%. Existem flamenguistas no entorno de Bento Gonçalves e Caxias do Sul, além da cidade de Rio Grande, onde são 4,6%. E há um curioso bunker santista na região fronteiriça de Santana do Livramento, onde o Peixe é terceiro colocado com 5,1% dos cliques. Três e meio por cento da torcida de Vera Cruz se disse adepta do Bahia, enquanto 3,1% alinham com o Criciúma no balneário de Torres.

Fig 03

Fig 04

Fig 05

Tanto Grêmio quanto Internacional receberam curtidas em 99,8% dos municípios brasileiros. Tricolores estão entre as quatro maiores torcidas em 14,1% dos municípios, contra 12,4% dos colorados. Das cinquenta cidades que mais os curtem, todas se encontram no Rio Grande do Sul.

Fig 06

Ao contrário de rivalidades que veremos mais adiante, o mapa de calor da dupla GreNal denota que suas torcidas se encontram rigorosamente nos mesmos lugares. Além do estado de origem, gremistas e colorados dominam todas as divisas com Santa Catarina, bem como o oeste paranaense. Em terras catarinenses, a luta é contra a Chapecoense (no oeste) e o Criciúma (no Sul), sempre com forte presença de Corinthians e Flamengo. Já no Paraná, a rivalidade é contra as duas maiores torcidas do Brasil e o São Paulo.

Fora do Sul, Inter e Grêmio surgem fortes em colônias agrícolas espalhadas pelo Centro Oeste. Por serem quase todas pequenas, acabam influindo pouco na configuração de estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Além destes, existe uma improvável colônia na cidade de “Chapada Gaúcha”, em pleno norte de Minas Gerais. Por lá, tricolores angariam 5,7% das curtidas contra 5,3% de colorados.

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A Pesquisa da vez: Distrito Federal (nascidos e imigrantes)

Há cerca de um ano, a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan-DF) terminou um robusto mapeamento sobre o perfil de seus moradores, no âmbito da 3ª PDAD (Pesquisa Distrital por Amostra Domiciliar). Uma das informações presentes era a configuração de torcidas da capital, algo extremamente valioso por conta da escassez de informações do gênero.

À época, o Blog Teoria dos Jogos chegou a publicar algumas parciais. Posteriormente, o mapeamento do Instituto GPP se mostrou mais próximo à realidade, já que a Codeplan-DF parecia concentrar respondentes excessivamente não-consumidores de futebol. De todo modo, os números acabaram parecidos, com a PDAD tendo a vantagem de oferecer cruzamentos inexistente em pesquisas sem o seu escopo.

É o caso do exposto hoje. No dia em que o Flamengo retorna a Brasília em um espetacular Estádio Nacional lotado, apresentamos o perfil das torcidas de capital divididas entre os “nascidos no DF” e os “imigrantes”.

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Qualquer cidade do Brasil poderia refutar a significância de um levantamento do gênero, pois as grandes ondas migratórias se passaram há décadas. Não é o caso de Brasília. Com uma população estimada em 2,7 milhões de habitantes, a sede do governo federal possui, ainda hoje, 1,4 milhão de pessoas que vieram de outros estados (51% do total). Como se fosse outra Brasília inserida nos limites distritais.

O quadro que denota o perfil das torcidas está exposto a seguir. Explanações posteriores ajudarão a compreendê-lo:

Fig 01
Clique para ampliar

Importante: os números não contemplam o “Nenhum”, ou seja, indicam a configuração entre as torcidas, e não em meio à população total. Razão pela qual todos os percentuais aparecem majorados.

Em meio aos 49% de brasilienses natos (chamados “Naturais do DF”), as maiores torcidas são: Flamengo (52,8%), Vasco (12,2%), São Paulo (7,6%), Corinthians (7%), Botafogo (5,9%), Fluminense (4,8%), Palmeiras (3,8%), Cruzeiro (1,8%) e Santos (1,2%). Atlético-MG, Grêmio e Internacional não atingem 1% da torcida.

Já entre os 51% de imigrantes que integram a sociedade brasiliense, o ordenamento se altera: Flamengo (42,9%), Vasco (12,1%), Corinthians (7,6%), Botafogo e Fluminense (6,3%), São Paulo (5,7%), Palmeiras (4,7%), Cruzeiro (4,6%), Atlético-MG (2,7%), clubes do Norte/Nordeste (1,8%), Santos (1,5%) e Grêmio (1,3%). O Inter fica abaixo de 1%.

Eis um comparativo tão inédito quanto fantástico. O confronto dos dados dá a ideia de como clubes de Minas Gerais, Nordeste e Sul se fazem presentes justamente por conta da existência de populações que deixaram para trás seus estados em busca de uma vida melhor no Planalto Central. E mais: a chegada de imigrantes (especialmente cruzeirenses e atleticanos) se mostra predatória sobre a torcida do Flamengo. Tanto que a maior torcida do Brasil se verifica em escala dez pontos percentuais superior entre brasilienses natos.

Tendo eles relevância, é de suma importância que se isolem os imigrantes, analisando seu perfil de torcidas em separado. As conclusões surpreendem pelas contradições entre a origem dos cidadãos e seus clubes do coração. Possivelmente consequência natural de um processo de inserção às características da sociedade local.

Norte/Nordeste

Os residentes no Distrito Federal oriundos dos estados do Norte/Nordeste são 795,9 mil, representando 56,0% do total de imigrantes. Mas clubes destas regiões atraem a preferência de apenas 2,6% deles. A imensa maioria de nordestinos e nortistas torce para times do Rio (75,6%) – destaque para Flamengo (50,5%) e Vasco (13,4%), seguidos de Botafogo (6,1%) e Fluminense (5,6%). Os imigrantes que apoiam clubes de São Paulo são 19,3%, pontuando Corinthians (7,5%), São Paulo (5,7%) e Palmeiras (4,8%). Mineiros, gaúchos e clubes de outros estados somam 2,5%.

Goiás

Já os nascidos em Goiás somam 184,8 mil e representam 13% dos imigrantes. Mas Goiás, Vila Nova e Atlético-GO atraem meros 3,5% da preferência dos torcedores. A maioria entre os goianos radicados no DF é Flamengo (44,9%), seguida do Vasco (13,0%), Corinthians (7,8%) e Botafogo (7,4%).

Minas Gerais

Um número expressivo de 254,1 mil mineiros se mudou para o DF, o que representa 17,9% do total de imigrantes. É entre eles que temos a maior surpresa: são majoritariamente flamenguistas (27,7%), seguidos de cruzeirenses (22,7%), atleticanos (12,9%) e vascaínos (8,6%). Do universo total de imigrantes – ou seja, somando os de outros estados, Cruzeiro, Atlético-MG e América-MG totalizam 7,4% das preferências.

Rio de Janeiro

Cariocas e fluminenses estão presentes em Brasília na escala de 4,7% do total – o que representa 66,9 mil imigrantes. Entre eles, lógico, prevalecem flamenguistas (47,4%), seguidos de vascaínos (17,1%), tricolores (15,3%) e botafoguenses (12,4%).

São Paulo

Embora haja apenas 50,8 mil imigrantes paulistas (3,6% do total), seus clubes concentram a predileção de 19,5% do universo total de imigrantes – número apenas inferior ao dos cariocas (67,6%). Entre aqueles que vieram de São Paulo, predominam corintianos (28,3%), são paulinos (20,7%), palmeirenses (12,7%) e santistas (8,9%). Mas acreditem: flamenguistas representam 17% deles, suficientes para suplantarem o Verdão e o Peixe.

Rio Grande do Sul

Imigrantes gaúchos são 20,2 mil no DF – ou 1,4% do total. Grêmio (40,7%) e Internacional (34,3%) monopolizam as atenções, embora não se perceba a famosa”blindagem” verificada no estado de origem, pois outras dez grandes agremiações atraem 23% das preferências. Destaque para os flamenguistas (9,8%).

Demais estados

Capixabas – presentas na tabela como “Restante Sudeste” – são flamenguistas (47%), vascaínos (17%) tricolores e botafoguenses (9% cada), números próximos à configuração dos cariocas. No combo Paraná + Santa Catarina (“Restante Sul”), 24,5% são flamenguistas, 10,3% corintianos, 8,9% vascaínos e 6,9% palmeirenses. Por fim, entre os egressos dos dois Mato Grossos “(Restante Centro Oeste”), também predominam torcedores do Flamengo (27,7%). Corinthians (13,0%), Vasco (11,9%) e São Paulo (9,7%) completam o ranking.

O Blog Teoria dos Jogos agradece a contribuição de Daniel Endebo.

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Arena x Gigante – uma visita ao Estádio Beira-Rio

Na última terça-feira , o Blog Teoria dos Jogos publicou sua análise de match day relativa à Arena do Grêmio, em operação na vitória do anfitrião sobre o Joinville. O resultado repercutiu positivamente entre os gremistas, orgulhosos de seu portentoso estádio enquanto anseiam pelas melhorias prometidas no entorno.  Infelizmente não houve jogo do Internacional no mesmo fim de semana, impedindo análises que envolvam a logística em torno do Beira-Rio. Nada que inviabilize, entretanto, a comparação direta da estrutura dos estádios.

O que particularmente mais chocou a audiência do Blog foram os ângulos inéditos do entorno da Arena Grêmio. Neste quesito, a experiência no Beira-Rio proporciona sensação diametralmente oposta. Localizado numa área das mais nobres de Porto Alegre, o espaço colorado se vê banhado pelas águas do Guaíba e acariciado por um revigorante parque ao seu lado. Para completar, um número razoável de bons quartos de hotel numa linha reta pela Avenida Borges de Medeiros:

Fig 01

Na fachada, o Beira Rio é muito bonito e um dos mais criativos da Copa, tudo por suas belíssimas membranas em formato folhado. Contudo, se agrada pelo design um tanto clean, passa longe de impressionar pela imponência. Na verdade, visto de fora já se tem a sensação de um estádio de médio porte, algo diferente das credenciais apresentadas pelo arquirrival. De fato, alguns passos separam as arquibancadas da calçada.

Ainda no lado externo, o Gigante possui um bom número de lojas disponíveis para comercialização – todas em etapa final de locação, segundo informações da diretoria colorada. Finalizado o processo, serão 41 dos mais diversos segmentos, transformando o estádio num verdadeiro shopping a céu aberto. Também por lá se acessa a Central de Atendimento ao Sócio, destinada à resolução de toda sorte de problemas no clube com maior quadro associativo do país. Para tanto, são disponibilizados 16 guichês que trabalham a todo vapor em dias de jogo:

Fig 02

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Também pelo lado de fora de acessa o Museu do Internacional – em processo de reabertura para o público geral e ainda bastante simples e pouco interativo – além da mega loja colorada. Segundo o Inter, seu número de visitantes (majoritariamente fazendo a Visita Colorada) aproxima-se dos cinco mil por semana, superando a marca de 250 mil anuais e fazendo do Beira Rio um dos templos futebolísticos mais visitados do Brasil:

Fig 05

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Ao adentrar os corredores internos, certa decepção. Além de estreitos, a profusão de concreto armado se assemelha às más experiências verificadas no Mané Garrincha e no Mineirão. Estima-se em cerca de R$ 6 milhões um acabamento mais primoroso, com pisos e pastilhas, o que teoricamente deveria ter sido entregue pela construtora Andrade Gutierrez:

Fig 07

No acesso dos jogadores ao campo, foi empregada solução mais simples e barata, com placas ornamentando a passagem e tampando o cimento cru dos corredores. Nos vestiários, um uniforme completo de Andrés D’Alessandro sempre disponível para fotografias, denotando o nível de idolatria em torno do argentino:

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Por dentro, das arquibancadas ou do próprio gramado, a torcida se vê diante do típico Padrão-FIFA: visual belíssimo e em plena harmonia com as cores do clube. Atrás das traves, espaços um tanto longos até a primeira linha de torcedores.

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As áreas nobres do estádio são bonitas e interligadas com um edifício-garagem – uma das muitas fontes de receitas exploradas pela construtora. Dentro dos camarotes, uma surpresa: o visual mais próximo ao gramado já visitado pelo Blog Teoria dos Jogos. Além disso, quase inexiste separação destes assentos com as arquibancadas normais. Isto significa que: 1) A experiência de estar num camarote do Beira-Rio é de plena imersão no calor de uma torcida; 2) Um astro qualquer (artista ou ex-jogador) dificilmente teria a privacidade exigida em um espaço do gênero.

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Mas o Beira-Rio possui um segundo setor prime, também inédito em meio às nossas visitações. Tratam-se dos sky boxes: espécies de camarotes localizados acima do anel superior, apenas em um dos lados do estádio. Por ali a visão é mais ampla e a privacidade, plena.

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É também onde melhor se pode observar a bonita disposição da cobertura:

Fig 22

A lotação máxima oficial é de 50.038, mas por questões técnicas o Beira-Rio não recebe públicos superiores a 45 mil, fazendo dele menor que a Arena do Grêmio em 10 mil lugares:

Fig 23

À noite, um deslumbre: até a meia-noite, luzes iluminam as folhas do Beira-Rio, fazendo da noite de Porto Alegre um estonteante rubor:

Fig 24

Arena do Grêmio vs Beira-Rio: O veredito

Embora seja pantanoso o terreno das comparações entre Grêmio e Inter, a verdade é que as fanáticas torcidas do Rio Grande do Sul precisam delas. Isto porque tricolores e colorados, duas faces de uma mesma moeda, trazem consigo a grandeza do maior rival justamente por conta desta saudável competição. Sendo assim, o Blog Teoria dos Jogos não se faz de rogado e apresenta suas impressões finais a respeito deste verdadeiro duelo de titãs.

A Arena do Grêmio é um estádio melhor que o Beira-Rio – talvez um pouco mais do que “melhor”. Não por demérito colorado, mas por uma imponência que destoa do próprio padrão de concorrentes do gênero. A Arena é um primor aos níveis mais detalhistas. Estádio por estádio, vitória do Grêmio.

Mas o Beira-Rio se funde com a paisagem a ponto de não sabermos se a beleza ali se instalou por conta do estádio ou apesar dele. Tem todas as funcionalidades que se exige de uma arena, interliga-se ao centro de treinamento (do outro lado da avenida) e até brilha no escuro. O “combo” do Beira-Rio supera o da Arena.

Apesar da tendência do Blog à predileção de um pacote em detrimento da estrutura isolada, a verdade é que o Grêmio tem em mãos a chance de adotar a suprema iniciativa de marketing jamais implementada. Algo que, de tão grandioso, transbordaria a escala comercial, se moldando como ação de responsabilidade social. Trata-se da integração de seu entorno, a promoção de melhorias e de ascensão social. Neste sentido, o Inter tem a vida simplificada, livre para trabalhar o próprio engrandecimento. Improvável, pois será tão mais Gigante quanto menos pensar apenas em si.

O Blog agradece ao Diretor de Administração do SC Internacional, André Flores.

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