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Receitas Agregadas: Sócio-Torcedor + Bilheterias

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Semana passada o Blog Teoria dos Jogos levantou o ranking de faturamento dos maiores clubes do Brasil com seus projetos de sócio-torcedor. Com base na média de associados ao longo de 2014, foi também calculado o ticket médio de cada um, facilitando vislumbrar verdades um tanto ocultas – como agremiações com muitos adeptos e pouco dinheiro em caixa.

Entretanto, como tudo o que se refere ao marketing esportivo, nem sempre as coisas são como parecem. O levantamento em questão foi absolutamente fidedigno, tanto que elogiado por profissionais dos próprios clubes. O problema é que projetos de naturezas completamente diferentes acabam indevidamente pasteurizados quando comparados a seus pares. Visando superar esta dificuldade, o Blog Teoria dos Jogos apresenta uma segunda e definitiva ótica.

Em meios às diferenças de uma iniciativa para outra, são dois os principais subgrupos de projetos sócio-torcedor: Aqueles que disponibilizam ingressos gratuitos e os que apenas proporcionam descontos/facilidades na aquisição. No primeiro grupo encontra-se a grande maioria dos clubes: Cruzeiro, Atlético-MG, Fluminense, Botafogo, Palmeiras, Grêmio, Internacional, etc.  Já os expoentes do segundo seriam Flamengo, Corinthians e Santos.

A consequência: projetos que oferecem ingressos acabam por canibalizar receitas de bilheteria, ao cabo que os que obrigam a comprar entradas proporcionam um boom nas contas de “bilheteria”. Ademais, mesmo entre os que oferecem ingressos, diferentes características nos planos (e no perfil das torcidas) acabam por gerar resultados heterogêneos entre si. A solução? Somar receitas de “sócio torcedor” com as de “bilheteria”. O resultado é um retrato bastante real da capacidade de geração de caixa dos clubes brasileiros.

É o que foi feito:

Fig 01

*Cruzeiro: O valor divulgado de sua receita líquida com bilheterias está em linha com a estimativa feita pelo Blog. O clube celeste inclui bilheterias, premiações e sócio-torcedor numa mesma conta contábil de R$ 85,8 milhões. Subtraindo R$ 35 milhões do sócio-torcedor e estimando R$ 15 milhões em premiações – só o título do Brasileirão pagou R$ 9 milhões – teríamos o valor em questão.

** Corinthians: segundo as notas explicativas do balanço, a partir de 2014 as receitas de bilheteria deixaram de entrar no caixa do clube, seguindo diretamente para o fundo que administra a Arena. Aos R$ 6,9 milhões de bilheterias em outros estádios, foram somados aproximadamente R$ 35 milhões em arrecadação da Arena Corinthians ao fim de 2014.

Consideradas as notas envolvendo Cruzeiro e Corinthians, eis o resultado final. A fraca bilheteria (R$ 12,1 milhões) não é capaz de tirar do Internacional a liderança do ranking (R$ 71,1 milhões). Mas faz com que Cruzeiro e Flamengo cheguem aos seus calcanhares, atingindo respectivamente R$ 70,8 milhões e R$ 70,4 milhões.

Após o empate técnico do topo, verifica-se um segundo envolvendo Grêmio (R$ 51,6 milhões) e Corinthians (R$ 51,3 milhões). Reparem que o ótimo resultado corintiano – líder em bilheterias com R$ 41,9 milhões – reverte a baixíssima capitalização do programa Fiel Torcedor. Isto porque os paulistas não cedem ingressos a sócios, em linha com o percebido no Flamengo, vice-líder nas roletas (R$ 40 milhões). No extremo oposto, o Grêmio viu entrarem meros 939 mil nesta conta.

O equilíbrio persiste com Palmeiras e Atlético-MG muito próximos (R$ 43,7 milhões a R$ 40,2 milhões). Depois, Atlético-PR (R$ 28,6 milhões), São Paulo (R$ 28,1 milhões), Coritiba (R$ 27,2 milhões), Santos (R$ 26,3 milhões) e Botafogo (R$ 25,4 milhões) disputam posição palmo a palmo. Bahia (R$ 15,2 milhões) e Fluminense (R$ 11,7 milhões) só superam o Vasco (R$ 10,6 milhões) pela inexistência de sócios-torcedores cruzmaltinos.

A harmonia marcante faz com que este seja um ranking normatizado, fruto da aglutinação de receitas aparentemente distintas. Ao influenciarem uma à outra, sócio-torcedor e bilheterias se mostram faces da mesma moeda. Podemos inflar uma das contas em detrimento da outra ou mantermos competitiva semelhança entre ambas. Tudo depende do caminho que se opta por trilhar.


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Sócio-Torcedor: quem fatura mais? Uma análise definitiva

A obrigação legal dos clubes publicarem suas demonstrações financeiras faz deste início de maio um prato cheio para análises de marketing esportivo. Já foi extensamente propagada, por exemplo, a ordem de receita e endividamento. Mais recentemente, se explorou o faturamento com transmissões televisivas. Uma análise um pouco mais complexa, contudo, se refere ao ranking de receitas com projetos de sócio-torcedor.

Há alguns anos os brasileiros despertaram para esta que pode ser vista como uma das fórmulas para o gigantismo de alguns europeus. O advento do Movimento por um Futebol Melhor fomentou projetos associativos a ponto de, hoje, apenas o Vasco não possuir iniciativa do gênero*. Os sócios-torcedores no Brasil ganharam tanto corpo que já existem três clubes com mais de 100 mil adesões, dois tendo ultrapassado a barreira recentemente (Palmeiras e Corinthians).

*Segundo o marketing cruzmaltino, há um litígio com a empresa contratada pela antiga diretoria para gerir o projeto. O clube alega que a mesma não possui condições de geri-lo, cabendo apenas aguardar pelo termo do contrato.

Enquanto alguns comemoram, outros lamentam não fazerem valer suas reais potencialidades. Debate que traz à tona uma questão pouco respondida: quanto, afinal, os clubes capitalizam com seus sócios-torcedores? Naturalmente, a resposta reside nos balanços, só que explicitada de maneira não tão simples.

Um dos grandes problemas da contabilidade é a falta de padronização do plano de contas, o que atrapalha desde fiscalizações tributárias até simples análises de balanço. É o que ocorre na questão do sócio-torcedor. Se contas exclusivas para receitas de “televisionamento” ou “venda de direitos federativos” são comuns a quase todos os clubes, por algum motivo a arrecadação com sócios costuma ser aglutinada com receitas de outras naturezas. Desde bilheterias, passando por premiações ou até loterias – vários clubes os agregam ao faturamento com sócio-torcedor, atrapalhando a clareza da análise. Mas não a inviabilizando.

Dito isto, o Blog Teoria dos Jogos preparou planilha contendo o faturamento com projetos associativos de alguns dos maiores clubes do Brasil em 2014. Num comparativo com as mesmas contas em 2013, eis o resultado:

Fig 01

PS: A coluna da direita expõe a nomenclatura da conta. Clubes que contabilizam receitas com sócio-torcedor à parte estão em negrito.

Informação que denota o quão irreversível é o fomento aos planos de associação: apenas os 14 relacionados faturaram R$ 300 milhões em 2014, um expressivo aumento de 27% em relação ao ano anterior. Nos próximos parágrafos, alguns deles serão dissecados.

A maior receita provém da maior base de associados: o Internacional. Referência na área, o colorado ainda teria margem para inflar os atuais R$ 58,9 milhões. Segundo Alexandre Perin, do Blog Almanaque Esportivo, parte do aumento viria da locação anual de cadeiras (que em 2014 só ocorreu por seis meses) e pelo fim dos descontos concedidos a novos associados.

Ainda que a liderança do Inter soe natural, a verdade é que o lado vermelho do Sul destronou seu principal rival. Balanços 2013 apontavam o Grêmio como líder, mas sua queda de faturamento (R$ 57,9 milhões para R$ 50,6 milhões) levou os tricolores ao segundo posto no ranking. E se antigamente os gaúchos nadavam de braçada, a cada ano que passa a concorrência se aproxima – vide os R$ 35 milhões arrecadados pelo Cruzeiro com seu projeto “Sócio do Futebol”.

Chegar a este valor foi um desafio. O plano de contas celeste unifica a arrecadação dos sócios com bilheterias e premiações. Considerando o atual bicampeão brasileiro (a quem a CBF pagou R$ 9 milhões pelo título), tem-se um a conta denominada “Bilheterias/Premiação” de R$ 85,7 milhões. Então o Blog Teoria dos Jogos entrou em contato com Marcone Barbosa, diretor de marketing da Raposa, que esclareceu a questão. Em 2013, o “Sócio do Futebol” rendeu R$ 30 milhões em mensalidades e R$ 8,5milhões em venda de ingressos para sócios. Já em 2014, R$ 35 milhões em mensalidades e R$ 20,6 milhões em ingressos para sócios.

Em seguida surge o Flamengo, primeiro a manter conta separada para seu “Nação Rubro-Negra”. Projeto que, apesar de estagnado, injetou consideráveis R$ 30 milhões nos cofres rubro-negros ano passado. Depois do Fla, dois paranaenses e o Palmeiras, todos acima dos R$ 20 milhões. A junção da “Timemania” à conta alviverde gera pouco reflexo pela baixa rentabilidade proporcionada pela loteria. Santos e Atlético-MG são outros a alcançarem oito dígitos na arrecadação com associados.

O Corinthians vem apenas em 10º, tendo amealhado menos que os R$ 9 milhões indicados (pois loterias e premiações estão inclusas). Trata-se de um valor incompatível com a grandeza da segunda maior torcida do Brasil. O lançamento de uma nova categoria popular no Fiel Torcedor sinaliza que o clube seguirá na proposta de angariar muitos contribuintes que paguem pouco, o que foi bem recebido pela torcida. Por fim, os projetos de São Paulo, Bahia, Fluminense e Botafogo gerando pouco impacto em seus fluxos de receita.

A experiência corintiana aponta o ticket médio como fator determinante por sinalizar o tamanho que um projeto pode ou deve atingir. Quem cobra quatro vezes mais pode ter até quatro vezes menos adeptos. Eis um fator primordial para que se determine o sucesso ou fracasso de uma empreitada, embora poucos assim o compreendam.

Para calcular o ticket médio dos projetos, o Blog Teoria dos Jogos procurou o Movimento por um Futebol Melhor, sendo informado do número de adeptos no começo e ao final de 2014**. Pela média aritmética dos cenários, chegamos a um número que minimiza movimentos de aumento e queda, melhor se aproximando da base-padrão de associados no período:

 ** Não foi possível incluir Atético-PR e Coritiba uma vez que ambos não são filiados ao Movimento

Fig 02

Dividindo o faturamento da primeira tabela pela média de associados da segunda, eis o ticket médio de cada projeto:

Fig 03

Ordenamento diferente, clubes semelhantes. Grêmio, Cruzeiro, Flamengo e Internacional compõem o top-5 dos que mais alto cobram, tendo apenas o Botafogo como “intruso”. Todos os citados estão acima de R$ 40. No extremo oposto, projetos de Fluminense e Corinthians custam menos de R$ 20 (em média), com tendência de queda ainda maior para os paulistas.

A comparação entre Flamengo e Corinthians mostra o ticket flamenguista mais de três vezes superior. Assim, para equivaler aos 50 mil rubro-negros pagantes, os alvinegros precisam atingir uma base de 150 mil associados. Botafogo e Fluminense também nos trazem situação interessante: faturam igual, mesmo havendo 2,5 vezes mais sócios tricolores.

Cobrar muito ou pouco é política interna de cada clube. Mas as análises permitem auferir que se a opção é cobrar menos, será necessário angariar uma base colossal – algo cada vez mais difícil à medida que se saciarem demandas reprimidas e os heavy users se virem cooptados.

Um grande abraço e saudações!

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O ranking mundial de sócios-torcedores

O Movimento por um Futebol Melhor – reunião de grandes empresas parceiras dos clubes de futebol em suas iniciativas associativas – divulgou há pouco a lista dos maiores projetos de sócio-torcedor do mundo:

Fig 01

Segundo Fernando Santos, da In Press assessoria, não se trata exatamente de um ranking mundial, mas sim de uma lista englobando os clubes internacionais que responderam às consultas. Segundo ele, “existiria de fato uma limitação, pois outros clubes foram consultados sem responder”. No entanto, “o objetivo do levantamento seria ao menos dar uma referência sobre a posição dos clubes brasileiros em relação a alguns dos mais importantes do mundo”. Santos finaliza dizendo que “o próprio Torcedômetro do Movimento por um Futebol Melhor, que é um ranking nacional, não inclui todos os clubes brasileiros, apenas os filiados ao Movimento”.

Referência global nesta área, os portugueses do Benfica seguem na primeira colocação, com seus incríveis 270.000 sócios e taxa de conversão de 4% da torcida. A eles se seguem Bayern (ALE), Arsenal (ING), Real Madrid (ESP) e Barcelona (ESP), quando finalmente surgem os gaúchos do Internacional – sexta colocação, 136.980 sócios. O top-10 é encerrado com Porto (POR), Borussia Dortmund (ALE), Palmeiras (9º colocado, 119.312 associados) e Internazionale (ITA).

É improvável que algum clube de fora da lista ocupe uma posição entre os dez primeiros do mundo, tornando esta parte do levantamento relevante e confiável. Há alguns anos os clubes com maior número de sócios são amplamente conhecidos e servem como referência na comparação com as demais torcidas. Isto torna absolutamente louvável a posição ocupada por Inter e Palmeiras, dois representantes brasileiros entre os maiores.

A partir do 11º a fidelidade das informações não pode ser garantida pelas razões expostas no segundo parágrafo. Ainda assim, temos um Corinthians (13º com 98.729) na cola de gigantes como Manchester United e Boca Juniors (100 mil cada). O Grêmio se encontra relativamente estável em 15º, enquanto o Cruzeiro (19º com 69.811) persegue os 73.500 do Atlético de Madrid. Santos, São Paulo e Flamengo, em posição mais modesta, visam ainda a barreira dos 60 mil associados – exatamente onde se encontra o San Lorenzo da Argentina.

A presença brasileira se encerra com Atlético-MG, Fluminense, Bahia e Sport Recife.

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Distorções na Tabela do Brasileirão – versão 2014/2015

Há dois anos o Blog Teoria dos Jogos lançou o alerta: alguns integrantes da Série A podiam ser prejudicados ao verem suas partidas como mandantes muito concentradas nos piores dias, contrastando com a realidade dos rivais. A análise de 2013 – cujo título era o mesmo desta coluna – repercutiu bastante. Fontes próximas ao Blog atestaram a atuação de grandes clubes nos bastidores (junto à CBF), visando influir nas tabelas dos torneios subsequentes.

De lá pra cá muita coisa mudou? É o que analisaremos.

Inicialmente, faz-se necessário esclarecer uma interessante característica da audiência esportiva no Brasil: enquanto o futebol tem mais público pela TV nos dias úteis, aumenta o público nos estádios em fins de semana. Trata-se de algo facilmente verificável com base nas audiências divulgadas semanalmente pelo Blog Teoria dos Jogos no Twitter, bem como estabelecendo um recorte das médias de público do Campeonato Brasileiro.

Média geral de público – Brasileirão-2014:

Fig 01

Média de público – fins de semana (BR-2014):

Fig 02

Média de público – dias de semana (dias úteis – BR-2014):

Fig 03

O Blog Teoria dos Jogos agradece e credita o levantamento das informações (assim como a elaboração das tabelas) a Minwer Daqawiya, publicitário e colaborador do site Grêmio Libertador.

Parece óbvio o benefício financeiro (em termos de maiores bilheterias) dado aos que jogaram mais em casa nos fins de semana. Considerando que 27 das 38 rodadas se deram aos sábados e domingos, temos como padrão o percentual de 71%. Equipes que tiverem atuado menos do que isto aos fins de semana aparecem marcadas em tons de vermelho e amarelo –  eis os prejudicados. Em direção oposta, marcamos os beneficiados em tons de verde. Segue a distribuição:

Fig 04

Na comparação com o ano retrasado, percebe-se que o Corinthians, maior beneficiado à época (84%) teve seus jogos realocados, passando à condição de prejudicado. Em 2014 os paulistas apresentaram percentual de 63%, melhor apenas que os 58% do Coritiba. No outro extremo, Atlético-PR (89%), Atlético-MG e Internacional (84%) gozaram do benefício das bilheterias em níveis superiores aos demais.

A análise também pode se estender ao Brasileirão 2015, com a limitação de que a tabela só foi totalmente aberta até a 10ª rodada:

Fig 05

A parcialidade enviesa a análise. Até a 10ª rodada, alguns terão feitos apenas quatro jogos em casa, frente a outros com até seis. De qualquer maneira, Coritiba, Flamengo, Goiás, Internacional, Ponte Preta e Santos largam na frente, com todos os seus jogos em casa nos fins de semana. Já o Fluminense fará apenas metade deles no Maracanã.

Mediante as vinte diferentes realidades da Série A, soa impossível administrar tabelas de modo a igualar o percentual de todos. Mas ao trazer a público comparações intertemporais, o Blog Teoria dos Jogos monitora a existência ou não de benefícios/prejuízos sistemáticos para este ou aquele. Por ora, as distorções não parecem tão relevantes.

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Rendas e públicos da Libertadores 2015

Finda a fase de grupos da Libertadores, confrontos definidos. E se já é possível saber que teremos dois embates entre brasileiros, podemos também comparar quem levou mais gente aos estádios e, principalmente, quem movimentou mais dinheiro nas bilheterias.

Fig 01

Fig 02

Em comparação com o ano passado, o público pagante do líder caiu ligeiramente. Ainda assim o Corinthians sobrou (39.234), com público 18% superior ao do segundo colocado, Internacional (33.025). Únicos que também participaram da edição passada, Cruzeiro e Atlético tiveram desempenhos antagônicos. Enquanto a média do Galo subiu (de 15.738 para 19.614), a Raposa despencou (de 35.947 para 23.149).

No tocante à renda, a dianteira corintiana é demolidora. Tendo superado a marca de R$ 3 milhões em todos os jogos, o clube paulista arrecadou em média R$ 3,3 milhões –74% a mais que o São Paulo (R$ 1,9 milhão). Apesar de segundo no ranking anterior, aqui o Internacional vai a terceiro (R$ 1,3 milhão), reversão que também acomete os mineiros. Embora tenha colocado mais gente no Mineirão, a capitalização do Cruzeiro foi decepcionante: meros R$ 814 mil por jogo. Quase 40% a menos do que em 2014.

Por fim, o ticket médio – função das estatísticas anteriores. Ao contrário do equilíbrio do ano passado, a dupla paulistana disparou: nada menos que R$ 86 para o Corinthians e R$ 73 para o São Paulo. O diminuto Estádio Independência faz com que a média do Galo suba (R$ 49), superando Internacional (R$ 41) e Cruzeiro (R$ 35).

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A Pesquisa da Vez: Rio Grande do Sul/2015 – tabulações exclusivas

Detalhamento da pesquisa:

Localidade: Estado do Rio Grande do Sul

Instituto: Index (http://www.institutoindex.com.br/)

Amostra: 1.200 entrevistas, em fevereiro de 2015

Margem de erro: 2,9 p.p

Rio Grande do Sul. Tradicional celeiro futebolístico, terra de uma das maiores rivalidades entre clubes do Brasil. Por lá, se leva a questão das torcidas tão a sério que o estado é, de longe, quem melhor foi mapeado pelo Blog Teoria dos Jogos. Desde as preferências do interior até os números do estado em geral, tudo já passou pelo crivo dos institutos locais. Em meio à entressafra de materiais do gênero, só mesmo uma empresa gaúcha para inaugurar a publicação de pesquisas no ano de 2015.

O problema é que, a cada nova pesquisa, saímos com menos certezas do que entramos. Clicando nos links do parágrafo anterior, percebemos um interior amplamente dominado pela torcida gremista – em linha com o crescimento do clube nas décadas de 80 e 90. Eis que em 2013, pela primeira vez o Inter surgiu na dianteira – algo provavelmente atribuído à explosão colorada nos anos 2000. Do pó viemos, ao pó retornaremos. Segundo nova pesquisa do Instituto Index, é o Tricolor quem comanda absolutamente todo o estado:

Fig 01

Com 49% das preferências, o Grêmio se consolida como o rei dos pampas. Surpreendentemente abaixo, o Internacional surge com 35,7%. Apenas Brasil de Pelotas (2,7%), Caxias (1,3%) e o surpreendente Lajeadense (1,1%) ultrapassam a marca unitária. Outros quatro clubes gaúchos e cinco forasteiros são citados. O número de pessoas sem time (7,2% = 2,8% + 4,4%) também se dá em níveis muito inferiores aos que se tinha notícia.

Embora a pequena amostragem eleve sobremaneira a margem de erro em cada faixa específica, a distribuição geográfica das torcidas se deu assim:

Fig 02

O Tricolor supera o Colorado em todas as regiões do estado, com maior diferença na região Oriental (50,6% a 27,8%) e menor no Sudoeste (50,6% a 49,4%). A única torcida a realmente bater de frente com a dupla Gre-Nal é a Xavante: na região Sudeste, o Brasil de Pelotas marca 28,8%, superando o Inter (23,4%) e só perdendo para o Grêmio (36,9%). Denotando algum caráter cosmopolita, apenas na região metropolitana de Porto Alegre foram verificados torcedores de times de fora (Atlético-MG, Atlético-PR, Flamengo, Palmeiras e São Paulo).

Por gênero e faixa etária:

Fig 03

Fig 04

Interessante constatação: o Grêmio atinge maioria absoluta entre homens (51,4%), enquanto as coloradas existem em maior número na torcida do Inter (38,4%, contra 33,4%). Cem por cento dos torcedores do Caxias entrevistados eram homens.

Por idade, tanto Grêmio quanto Inter mantem relativa estabilidade entre faixas, mas os tricolores atingem seu ápice mediante os mais jovens (52,9%), ao cabo que o auge colorado vem na faixa de 45 a 59 anos (37,5%). Por incrível que pareça, a tão fanática torcida do Brasil de Pelotas perde para Lajeadense, Passo Fundo e Caxias entre jovens.

Por escolaridade e renda:

Fig 05

Fig 06

A maior parte dos gremistas completou o Ensino Médio (53,5%), enquanto o Inter atinge o apogeu entre aqueles com Fundamental Completo (37,9%). Todos os entrevistados do Passo Fundo possuíam nível superior (4,4%).

Chama atenção, ainda, a pirâmide invertida que representa o Inter no tocante à renda – onde cresce a cada tabulação. Entre os mais ricos, 42,9% são colorados, faixa em que a Lajeadense também se destaca (4,1%). A maioria dos gremistas se encontra no segundo pelotão de riqueza, de 6 a 10 salários mínimos (52,7%).

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Não existe “espanholização” no Brasil…

…no máximo uma “italianização”, quiçá “enfrancesamento”. É o que trouxe à tona o Diário Ás, de Madrid, com um quadro comparativo entre direitos televisivos das principais ligas europeias na temporada 2013/2014. Ei-lo:

Fig 01

A título de comparação, e com câmbio de hoje, segue o ranking envolvendo os times brasileiros na temporada passada:

Valores relativos à TV aberta, não contemplando o pay per view
Valores relativos à TV aberta, não contemplando o pay per view

Percebe-se que, em face dos inúmeros paralelos equiparando Flamengo e Corinthians a Real Madrid e Barcelona, a verdade é que na península ibérica a coisa é muito mais concentrada. Os dois gigantes receberam nada menos que 7,7 vezes mais do que o Almería, integrante do último pelotão espanhol. Já no Brasil, Mengão e Timão angariaram 4 vezes mais do que clubes de fora do eixo RJ-SP-MG-RS.

Embora não se refute haver uma concentração por aqui – sendo também necessário debater os méritos da questão – a verdade é que perdemos até para a Itália neste quesito. No País da Bota, a Juventus sozinha recebeu 5,2 vezes mais do que o Sassuolo. Seríamos um intermédio entre ela e a França, onde o PSG faturou 3,4 vezes mais do que o primo pobre Ajaccio.

Percebam que em países cuja configuração de torcidas é bem conhecida – como no caso da Espanha, da Itália ou do próprio Brasil – recursos são direcionados de maneira concentrada aos chamados “trens pagadores”. Não é o caso da Inglaterra, onde por incrível que pareça os clubes não fazem a mais vaga ideia de quantos torcedores possuem. A Terra da Rainha apresenta a melhor repartição do dinheiro, com o Liverpool tendo recebido apenas 1,5 vez mais do que o Cardiff City. Na Alemanha, país em que estudos do gênero também não são comuns, o Bayern recebeu o dobro do Eintracht Braunschweig.

Ainda ontem divulgou-se o novo acordo envolvendo a Premier League e as televisões locais. A partir da próxima temporada, clubes ingleses passarão a receber algo em torno de 2,3 bilhões de euros por temporada, o que possivelmente não impactará no rateio proporcional entre si. O fato levou a ESPN a publicar comparações inapropriadas entre brasileiros e ingleses. Isto porque no Brasil os valores também aumentarão a partir da próxima temporada – algo negociado desde 2013. Por aqui também subiremos, com o novo ranking do televisionamento ficando assim:

Fig 03

E sim, é verdade: a concentração vai aumentar no Brasil, com os ricos recebendo 4,8 vezes mais do que os modestos.

Ainda assim, será menos que na Itália…

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O ranking do pay per view 2014

Apenas a título de registro, segue o novo ranking de assinantes do pay per view da Globosat, assim como o valor exato do rateio entre cada um dos 18 clubes de futebol relacionados. Os números foram publicados originalmente em matéria no site da ESPN.

Ranking PPV

Ranking PPV2

Muita gente ainda confunde a metodologia utilizada para se alcançar estes percentuais. Tratam-se de duas pesquisas, elaboradas respectivamente por Ibope e Datafolha, em meio à base de assinantes do futebol na TV por assinatura (algo em torno de 1,2 milhão de pacotes). Com elas em mãos, a Globo faz uma simples média aritmética, distribuindo os recursos arrecadados segundo o tamanho auferido de cada torcida.

Importante assinalar que esta estatística reflete primordialmente os resultados do ano anterior (2013), com a maior parte das novas assinaturas acontecendo ao início da temporada. Razão pela qual o Flamengo, novamente líder, apresentou o segundo maior crescimento absoluto (0,52 pontos percentuais) – atrás apenas do Cruzeiro (0,90 p.p). A Raposa impulsionou sua participação com base no título brasileiro de 2013, sendo ajudada pelo desânimo dos atleticanos após o vexame do Mundial Interclubes. Ainda assim, o resultado dos mineiros foi extraordinário, com Cruzeiro (8,2%) e Atlético (7,7%) sendo superados apenas por Flamengo (15,2%) e Corinthians (12,8%).

São Paulo e Vasco (ambos 6,7%) apresentaram quedas drásticas, sendo a vascaína mais justificada pelo rebaixamento consumado naquela temporada. Detentores da terceira e quinta maiores torcidas do Brasil, seus resultados (5º e 7º lugares) não fazem jus à grandeza das massas. Enquanto isto o Palmeiras (5,8%) já apresentava pequena escalada ao ultrapassar o Fluminense (5,8%). É de se imaginar qual será o resultado do alviverde em 2015, considerando a euforia da torcida neste promissor início de temporada.

A diferença do Grêmio (7,2%) para o Internacional (5,6%) é de certa forma proporcional à configuração de torcidas nos estados do Sul. Já o Botafogo (3,8%) decepcionou, apresentando queda mesmo com Seedorf (à época) e prestes a disputar uma Libertadores após 18 anos. O alvinegro, aliás, se vê ameaçado pela maior surpresa da lista: O Bahia (3,7%), que tirou ninguém menos que o Santos (3,5%) do top-12.

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A dívida dos clubes perante a União – 2013/2015

Em meio a debates acerca da aprovação de uma Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, ontem a presidente Dilma vetou o artigo 141 da Medida Provisória 656 que propunha, sem qualquer contrapartida, o refinanciamento em 240 meses da dívida dos clubes de futebol. O Bom Senso FC celebrou a iniciativa, pois a inclusão do procedimento numa MP sem qualquer relação com o futebol foi enxergada como manipulação, visando o claro benefício dos integrantes da “Bancada da Bola” no Congresso Federal.

Hoje, a Folha de S.Paulo divulgou relatório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) que mensura o tamanho da dívida dos 12 maiores clubes brasileiros perante a União. O levantamento – que exclui dívidas bancárias e com fornecedores, impostos estaduais e municipais – pode ser enxergado como uma fotografia dos maiores devedores do Brasil no mês de janeiro de 2015.

Porém no ano passado, o portal UOL (do grupo da Folha) divulgou o mesmo levantamento, à época se referindo ao período dezembro-2013/julho-2014. Com base nestas informações, o Blog Teoria dos Jogos compilou os números e elaborou uma tabela que traz à tona quais clubes vem melhor administrando suas dívidas. E quem são aqueles que se deixam conduzir por dirigentes pouco afeitos à responsabilidade no trato das finanças.

Fig 01

 

O líder da estatística é o Atlético-MG, com nada menos que R$ 282,6 milhões em dívidas federais. Trata-se de um número assombroso em se tratando de um clube cujo teto de receitas se encontra na casa dos R$ 230 milhões – o que o Galo faturou em 2013, melhor ano de sua história. Mais assustador é o fato de a dívida do Atlético ter subido 126,67% justamente de 2013 para 2014, sem que o clube tenha contraído dívidas pesadas, como quando se constrói um estádio próprio. Do ano passado para cá, a variação foi de 3,9%.

O segundo colocado é também o maior exemplo a ser seguido. Capitaneado por executivos que abandoaram a filosofia perdulária de anos anteriores, o Flamengo deve R$ 241,3 milhões, mas a dívida se mostra absolutamente controlada e em viés de queda.  A redução de 4,62% (2014 para 2015) sucedeu o estancar da sangria no exercício anterior, configurando também a maior amortização de dívida verificada no período.

O terceiro colocado, Botafogo, deve R$ 219,9 milhões, tendo merecido análise própria neste espaço há alguns meses. O Corinthians (R$ 186,5 milhões) ultrapassou o Fluminense (R$ 172,8 milhões) e apresentou o maior aumento em termos absolutos: R$ 44,5 milhões de 2014 para cá. O fato pode ser atribuído à construção da Arena de Itaquera, que fará com que o clube tenha que desembolsar nada menos que R$ 100 milhões até o meio do ano. De qualquer maneira, é bom ficar de olho na explosão da dívida Tricolor, que subiu inacreditáveis 80% de 2013 para 2014. A saída da Unimed pode ser o início de tempos sombrios no clube das Laranjeiras, conforme também analisado aqui no Blog.

Em sexto temos o Vasco da Gama (R$ 147,7 milhões), trazendo consigo uma grata surpresa. O clube reduziu sua dívida federal em 3,66% ao final de 2014 – sendo o único ao fazê-lo, além do arquirrival Flamengo. Para tanto, a equipe da Colina desembolsou R$ 14 milhões em pagamentos diversos, sendo agraciado com a tão esperada Certidão Positiva com Efeitos de Negativa. Trata-se de uma das certidões necessárias para credenciá-lo a receber recursos estatais, já que o Vasco era um dos patrocinados pela Caixa.

Infelizmente o levantamento não contempla dívidas anteriores do Internacional, mas ela foi agora a R$ 129 milhões. O oitavo é o Palmeiras (R$ 73,3 milhões), acendendo o sinal amarelo pelos sucessivos aumentos no montante devido. O nono é o Santos (R$ 66 milhões), em relativa estabilidade. Em décimo vem o Grêmio (R$ 40,9 milhões).

No fim da fila, Cruzeiro (R$ 19,7 milhões) e São Paulo (R$ 7,8 milhões) são aqueles com maior tranquilidade, possuindo dívidas em escala absolutamente administrável perante suas receitas. Entretanto, é bom ficar de olho na Raposa, pois seu aumento percentual no período 2013-2015 só perde para o do Atlético-MG.

Um grande abraço e saudações!

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A Pesquisa da Vez: Lance/Ibope-2014 (E haja polêmica…)

CRM Zen

Desde as primeiras horas de ontem, este blogueiro se viu bombardeado por pedidos de esclarecimento, informações e análises. Logo se percebia que a tão aguardada pesquisa Lance/Ibope-2014 saíra do forno, verdadeira fagulha sobre o combustível do debate envolvendo o tamanho das torcidas. Como ultimamente quem gera mais polêmica ganha mais cliques, os institutos parecem estar caprichando.

Antes, uma ressalva: a amostra da pesquisa Lance-Ibope é de 7.005 pessoas, com margem de erro de apenas um ponto percentual. Significa ser totalmente fiel à realidade? Absolutamente não. Como o Blog Teoria dos Jogos sempre faz questão de esclarecer, pesquisas de torcida refletem – com fidelidade maior ou menor – a realidade da amostra. Por exemplo: um milhão de entrevistados em regiões metropolitanas serão um retrato fidelíssimo das torcidas nas… regiões metropolitanas. Configuração distinta do que se vê no país como um todo. Foi aí que o Ibope pareceu pecar.

OS NÚMEROS NACIONAIS

Fig 01

Variações na margem de erro são normais e fazem com que certos ordenamentos se modifiquem de uma pesquisa para outra. Mas é bom desconfiar quando vários ordenamentos, sempre tão estáticos, se modificam em apenas uma delas. No movimento mais flagrante, o Atlético-MG simplesmente não tomou conhecimento do Cruzeiro – situação avessa à de inúmeras pesquisas no estado de Minas Gerais. Além de suplantar seu arquirrival, o Galo surge na frente de quem sempre apareceu na dianteira, casos de Grêmio e Internacional. Pela primeira vez a torcida do São Paulo demonstra queda acima da margem de erro, levando consigo um Vasco quase ultrapassado pelo próprio Atlético-MG. O Bahia iguala o Botafogo, trazendo torcedores do Vitória também à frente do Sport. Aliás, o Leão pernambucano perde até pro Atlético-PR. É muita polêmica numa só pesquisa…

Enquanto o Ibope não abrir a metodologia – principalmente citando o número de localidades e listando quais foram contempladas – nada poderá ser dito a respeito da pesquisa. Mas num primeiro momento, a impressão que fica é de um viés em direção a Belo Horizonte – onde o Atlético-MG de fato supera o Cruzeiro – e Salvador. Aparenta também uma Curitiba superdimensionada. Em direção oposta, regiões de predomínio carioca (como o Norte/Nordeste) podem ter sido visitadas fora de proporção. Para piorar, mais uma vez Pernambuco parece não ter recebido o devido peso. Tais impressões aumentam à medida com que analisamos as próximas tabelas.

TABULAÇÕES ESPECÍFICAS

Fig 02

Os arranjos por faixa etária não aparentam maiores problemas – embora a possibilidade de viés impacte na pesquisa como um todo. Entre os mais velhos, resultado semelhante ao da pesquisa Datafolha-2014: Flamengo e Corinthians em franco equilíbrio, Santos, Internacional, Botafogo e Fluminense acima do que registram atualmente. Galo à frente do Cruzeiro e Inter batendo o Grêmio, exatamente conforme abordado por aqui anteontem.

Fig 03

Entre os mais novos não há base de comparação, pois os números consideram torcedores de 10 a 15 anos, enquanto o Datafolha abordou apenas eleitores – ou seja, acima dos 16. Assim, estamos diante de um cenário absolutamente novo. Apesar do intenso crescimento do Corinthians (16,9%), o Flamengo é sacramentado como preferido por quase um quarto da população futura (22,3%). O Cruzeiro possui torcida mais jovem que o Atlético (4,1% a 3,9%), outro processo já verificado neste espaço. Vasco, Santos, Botafogo e Fluminense perdem posições. Daí a despencarem nos níveis expostos (abaixo de Bahia, Vitória ou Sport) já é algo que desperta incredulidade e desconfiança.

O problema mais evidente da pesquisa, contudo, surge nas tabulações por nível de renda:

Fig 04

Entre os mais pobres, nada a questionar – com as devidas ressalvas dos parágrafos anteriores. De certo o número de entrevistados foi robusto o suficiente para gerar a intensiva hegemonia de flamenguistas (20,8%) – o dobro do que apresenta o Corinthians (10%) e quase o quádruplo do São Paulo (5,6%). Ainda assim, chama atenção o quantitativo de adeptos do Sport (4,2%) e do Santa Cruz (4%) mediante galeras quase inexistentes de Atlético-MG, Cruzeiro, Santos e Fluminense (todos abaixo de 1%). Percebam agora o verdadeiro mau trato à informação:

Fig 05

A dianteira do Corinthians (17,6% a 10,9% sobre o Flamengo) até encontra eco nos números divulgados pelo Datafolha há um mês. Mas os inacreditáveis 10,1% marcados pelo Atlético-MG acendem uma luz amarela quanto à fidelidade da tabela. Isto porque, segundo o IBGE, apenas 1% da população brasileira auferia mais de 10 salários mínimos em 2010 – o equivalente, hoje, a R$ 7.240,00 mensais:

Fig 06

Para seguir a proporção, significaria apenas 70 pessoas sendo entrevistadas na faixa mais alta de renda (com alguma correção por estarmos em 2014). O leitor Christiano Candian matou a charada: foram 119 entrevistados. Para tanto, atribuiu ao menor percentual (0,84%, do Bahia) o número um, deduzindo o quantitativo exato de cada “torcedor rico” pesquisado:

Fig 07

Diante de um universo de 21 corintianos, 13 flamenguistas e 12 atleticanos, a verdade é que a análise desta faixa de renda é inócua. Sem um teto de renda mais baixo (por exemplo, “acima de 5 salários mínimos”), o Ibope teria a obrigação de dizer que a margem de erro de 119 pessoas sobre a amostra de 7.005 é superior a dez pontos percentuais. A mesma coisa que nada.

Fig 08

Finalmente por educação formal, o instituto muda de parâmetros, fazendo um percentual interno de pessoas com nível superior dentro de cada torcida. Trata-se de uma ótica diferente das tabelas que tem por referência o universo total de entrevistados. Modificações desta natureza só servem para confundir a cabeça do leitor médio, não sendo recomendadas no contexto de um mesmo estudo.

Pra terminar: apenas hoje, 24 horas depois da publicação original, o diário Lance veio a divulgar o percentual de pessoas sem time (23,4%). Eis um referencial imprescindível para análises de marketing esportivo, mensurando o tamanho do mercado sobre o qual os clubes precisam trabalhar. Cada vez mais as pesquisas Lance-Ibope se mostram confusas e geradoras de incertezas – sensação que se potencializa mediante a recusa em explicar a metodologia e prestar esclarecimentos.

Um grande abraço e saudações!

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