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A Pesquisa da Vez: capitais brasileiras (SPC/CNDL) – EXCLUSIVO

No início da tarde de hoje, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram uma estudo sobre os hábitos de consumo dos torcedores no Brasil. Por se tratarem de instituições relacionadas ao crédito e adimplemento, o foco da pesquisa recaiu sobre questões orçamentárias, como capacidade de pagamento e gastos excessivos com produtos e serviços relacionados ao futebol. Maiores detalhes sobre a pesquisa podem ser vistos no site da SPC Brasil (clique aqui).

Sendo um questionário aplicado nas 27 capitais brasileiras, o estudo veio naturalmente acompanhado de uma pesquisa de torcidas. Assim, o Blog Teoria dos Jogos entrou em contato com o SPC Brasil e teve acesso aos números de maneira exclusiva. No entanto, muitos esclarecimentos se fazem necessários.

Em primeiro lugar, não se trata de uma pesquisa nacional, já que as entrevistas se concentraram tão somente nas 27 capitais brasileiras, e com amostra bastante limitada: 620 torcedores. Além disso, por ter focado o universo de torcedores (e não o universo populacional), o “Nenhum” (pessoas sem time) foi descartado, fazendo com que o percentual de cada torcida subisse. Só que o mais importante é que a pesquisa não seguiu proporcionalidades primordiais. Isto que significa que 63% dos respondentes foram homens, mesmo numa sociedade de maioria feminina. Em termos geográficos, entrevistou-se um número muito maior de cariocas (16,6%) do que paulistanos (20,1%) proporcionalmente, levando a uma superestimação dos números atrelados aos times do Rio. Depois das duas maiores metrópoles vieram Salvador (8,3%), Porto Alegre (6,8%), Curitiba (6,1%), Fortaleza (5,6%), Recife (5,4%), Belo Horizonte (4,2%) e Manaus (4%).

Todas as limitações abordadas acima não inviabilizam este estudo de abordagem criativa e diferenciada. A questão é que, mais do que nunca, a pesquisa SPC/CNDL reflete tão somente o perfil de sua amostra. Por conta disto, o Blog Teoria dos Jogos optou por expor seus resultados sem proceder maiores análises sobre os recortes de gênero, idade, renda e fanatismo. Convidamos, portanto, nossos leitores a fazê-lo.

Seguem os números:

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O Mapa do Televisionamento dos Estaduais 2016

Alguns anos após introduzir este conceito no cenário econômico e futebolístico, o Blog Teoria dos Jogos retoma seu mapa do televisionamento do estaduais, versão 2016. Trata-se de um levantamento acerca dos estaduais que são veiculados, detalhando para onde e qual percentual do PIB e da população cada um está exposto. Os números se referem apenas à TV aberta e à divisão de praças da Globo, detentora dos direitos de transmissão. A Bandeirantes, emissora licenciada, obedece às regras impostas por aquela, gerando um alinhamento na maioria dos estados.

Antes de trazermos os números, alguns esclarecimentos se fazem necessários. Estamos diante de um levantamento que foi “facilitado” ao longo dos anos, dada a simplificação na distribuição dos estaduais. Anteriormente, praças que não possuíam certames próprios se dividiam entre os do Rio e de São Paulo – com larga vantagem para os primeiros. Nos últimos anos, o Paulistão deixou de ser veiculado para lugares como Tocantins (que se voltou ao Rio), Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (estaduais próprios).

Mas as baixas não são exclusividade do Campeonato Paulista. A última “dissidência” verificada se deu em Alagoas, há dois anos, quando o Campeonato Alagoano passou a ser assistido em detrimento do Carioca. Também ocorrem exceções, como no fim de semana em que a Globo Brasília optou por receber o sinal de São Paulo. Ainda assim, a hegemonia do Rio é incomparável: enquanto quinze unidades federativas alinham consigo, o Paulista hoje é visto apenas em seu estado de origem. Equiparando-o a outros onze torneios: Mineiro, Baiano, Gaúcho, Paranaense, Pernambucano, Cearense, Catarinense, Goiano, Alagoano, Mato-Grossense e Sul Mato-Grossense.

Feitas as ressalvas, vamos aos números:

Fig 01

 

Fig 02

Tamanha difusão torna natural a preponderância do Campeonato Carioca Brasil adentro. Somados, os quinze estados que o assistem representam 29,61% da população nacional. Exposto para 44 milhões de pessoas, o Paulistão possui abrangência de 21,72%. Mas o poderio econômico faz com que a balança se reverta a favor de São Paulo sob a ótica do PIB. Semanalmente, as marcas de Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos são divulgadas para o equivalente a 32,13% do Produto Interno Bruto. Os 60 milhões de brasileiros voltados aos times do Rio representam 27,14% da economia brasileira.

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Numa comparação entre os dois principais estaduais, percebemos o Paulista com potencial de renda 18% superior ao Carioca. No entanto, há uma semana expusemos que a diferença que a Globo paga por ambos é muito superior. Estima-se que nas negociações pelo Carioca-2017, Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo possam auferir entre R$ 11 milhões e R$ 12 milhões cada um. O que faria o quarteto carioca assistir aos paulistas embolsarem no mínimo 40% a mais.

Ainda em termos comparativos, viajemos à era pré-Teoria dos Jogos.  Em 2011, descobrimos que este blogueiro já compilara um mapa do televisionamento, publicando-o no blog Olhar Crônico Esportivo, do amigo Emerson Gonçalves. Naquele tempo, o Carioca era veiculado para 30,6% da população (0,99 ponto percentual a mais do que hoje) e 26,97% do PIB. Ou seja, ainda que marginalmente, pode-se dizer que o Estadual do Rio cresceu 0,17 p.p em valor – o que não corre com o Paulista. Nestes cinco anos, os clubes de São Paulo verificaram queda de 3,51 p.p na população e 4,23 p.p no PIB para o qual se expõem. Tratam-se de reduções acentuadas.

Após São Paulo e Rio, a ordem dos estaduais sob a ótica do PIB nos brinda com os Campeonatos Mineiro (9,16%), Paranaense (6,26%), Gaúcho (6,23%), Catarinense (4,03%) e Baiano (3,84%).

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Uma informação valiosa

Para o Blog Teoria dos Jogos, um deleite. Habituados a trazermos informações de renda e público até nossa audiência, sempre nos vimos tolidos pela inexistência de estatísticas desta natureza fora do território nacional – ou pelos casos internos em que cai a obrigatoriedade. Pois no fim de semana que passou (e possivelmente apenas nesta ocasião), deu-se fim a um incômodo segredo.

No Brasil, a coisa vai além da mera obrigação legal regida pelo artigo 7º do Estatuto do Torcedor. É tradição o momento em que o locutor ou o telão do estádio anunciam os números relativos à renda e ao público das partidas de futebol. Tanto é que a Lei 10.671/2003, acima citada, exige apenas que eles sejam revelados pelos “serviços de som e imagem” do estádio. A posterior divulgação de borderôs completos nos sites da CBF ou das Federações vem apenas agregar aos nossos transparentes (e surpreendentes) hábitos.

Regidos por outros códigos de leis e costumes, lá fora as coisas são diferentes. Sempre se soube que uma partida de futebol na Europa movimenta milhões. Com estádios lotados e modernos (ou, no mínimo, bem conservados), a bilheteria acaba sendo fatia de todo um universo de fontes de receitas envolvidas naquilo que se convencionou por match day. Ainda assim, uma importantíssima fatia. Em que montante, afinal?

Pois ela foi divulgada. Saiu nas contas de Twitter de jornalistas e veículos que cobriam o clássico entre Milan e Internazionale, vencido pelos rubro-negros no San Siro:

Fig 01

Um total de 77.043 pagantes (sendo 19.504 associados) proporcionaram renda de € 3.924.812,20, o equivalente a inimagináveis R$ 16.915.940,58 – pela cotação de ontem. Dinheiro suficiente para suplantar a maior renda da história do futebol brasileiro, pouco superior aos R$ 14 milhões. O ticket médio do Derby della Madonnina ficou em € 42,76 (R$ 184,32), com associados pagando € 23,16 (R$ 99,83) e torcedores comuns, € 49,41 (R$ 212,96) em média.

Se considerássemos as características das economias de Brasil e Itália em termos nominais, perceberíamos um ingresso por lá bastante alinhado com que o se verifica aqui. Italianos possuíam, ao final de 2014, renda per capita 3 vezes maior que a brasileira – com tendência a atingir o quádruplo, graças à queda do PIB e à maxidesvalorização do Real em 2015.

Um indicador mais apropriado, contudo, aponta para uma análise baseada na paridade do poder de compra. Segundo ela, a diferença entre as rendas auferidas por italianos e brasileiros seria de 2,19 vezes – dados do Banco Mundial. Significa que o ticket médio do clássico milanês teria batido à casa dos R$ 84 – ainda assim, um valor verificado por estas bandas. A título de comparação, a partida Corinthians 1 x 0 XV de Pìracicaba, pela 1ª rodada do Campeonato Paulista 2016, recebeu 31.309 pagantes, com renda de R$ 1.643.455,00 e ticket de R$ 52,49.

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A Pesquisa da Vez: Volta Redonda (RJ) – EXCLUSIVO

Localidade: Volta Redonda (RJ)

Instituto: GPP (http://www.gpp.com.br/)

Amostra: 400 entrevistas em 19 de dezembro de 2015

Margem de erro: 4,9 p.p

Os dias dezenove e vinte e nove de dezembro de 2015 são históricos para o Blog Teoria dos Jogos. Tratam-se das datas em que mapeamos e divulgamos os resultados de um dos maiores sonhos deste blogueiro. Nascido há 33 anos na cidade de Volta Redonda, a 120 km da capital fluminense, são desnecessárias explicações sobre o porquê do desejo de pesquisar torcidas na “Cidade do Aço”. Local de onde, orgulhosamente, redijo estas palavras.

Indo além da importância econômica neste que é o berço da siderurgia nacional, Volta Redonda se mostra ainda a segunda cidade mais importante do estado do Rio numa abordagem futebolística. Tudo por conta do estádio Raulino de Oliveira. Durante o Campeonato Carioca, ele hospeda não apenas o Voltaço, time da casa, como um sem número de agremiações do interior, alijadas de mandarem partidas de maior porte em suas canchas. Mas não são apenas os pequenos. Basta acontecer algo com os grandes palcos da capital – como ocorrerá em 2016, com Maracanã e Engenhão entregues aos Jogos Olímpicos – e dá-lhe Estádio da Cidadania como válvula de escape. Não por acaso, trata-se do único estádio do interior a abrigar uma final do Estadual, em 2014, quando o Botafogo superou o Fluminense em solo voltarredondense.

Num resgate da parceria de maior sucesso da história do Blog, o Instituto GPP vem nos brindar com números exclusivos acerca da maior cidade da região Sul Fluminense:

Fig 01

 

De cara, já se pode taxá-los como surpreendentes. Não pela esmagadora maioria rubro-negra (42,9%), algo sabido e esperado, mas pelo absoluto equilíbrio entre Vasco (10,8%), Botafogo (10,6%) e Fluminense (8,6%). Quem é de Volta Redonda sabe que por aqui, a torcida cruzmaltina sempre se fez ouvida, especialmente em bares e conglomerados do bairro Aterrado, um dos centros da cidade. Mas desta vez, os números revelaram um interessante alinhamento com o quantitativo de botafoguenses. Nem mesmo os alvinegros esperariam este terceiro posto, dada a relevância da torcida tricolor na cidade.

Diante do exposto, dois pontos precisam ficar claros: 1) a margem de erro da pesquisa, de 4,9 pontos percentuais; 2) a fragilidade do “olhômetro” como método de pesquisa. Tendo isto claro, uma explicação para o ordenamento passaria pelo desalento dos vascaínos num estudo elaborado cerca de duas semanas após o terceiro rebaixamento em sete anos. O mesmo efeito, só que contrário, poderia ser atribuído à ascensão botafoguense, já que seus próprios adeptos se consideram os únicos a terminarem a temporada 2015 “em alta”. Outra estatística importante é a de 7,8% dos entrevistados que não responderam ao questionário. O material continha indagações de diversas outras naturezas, e o desalento pode ter impactado de maneira sintomática sobre a decisão voluntária dos vascaínos.

Uma segunda questão seria a não confirmação do crescimento paulista na cidade. Distante apenas 50 km do estado de São Paulo, Volta Redonda há algum anos se tornou um polo educacional que atrai muitos estudantes. Ainda que novamente o visual revele camisas forasteiras, o fato é que apenas Corinthians e Palmeiras foram citados, ambos abaixo de 0,5% das preferências.

Uma terceira e última abordagem se refere ao Volta Redonda, citado por míseros 0,4% dos habitantes. Em toda a região, o Tricolor de Aço nutre simpatias de “segundo time” que se “purificam” à medida com que bons resultados são colhidos – algo inexistente desde a era de ouro 2004-2006. De qualquer maneira, causa preocupação um número tão baixo de torcedores do Voltaço.

Por gênero e faixa etária:

Fig 02

A consolidação da Estrela Solitária na cidade se dá entre homens, faixa em que ultrapassam o Vasco (16,5% a 13%). Nesta, flamenguistas são 47,6% e tricolores, 10,1%. Se o Voltaço (0,9%) ainda assim não atinge a marca unitária, ele ao menos ultrapassa o número de corintianos no local. Apenas 7,6% dos homens não tem time, contra 26,9% de mulheres.

Já no recorte etário, o crescimento do Flamengo entre jovens de 16 a 24 anos – faixa onde sobe a 57,3% – não é tão expressivo quanto o verificado em outras cidades ou no próprio estado do Rio.  Ainda assim, o Rubro Negro é o único a ampliar sua base com a renovação das gerações, já que marca apenas 27,9% acima de 60 anos. Entre os idosos, a segunda torcida é a do Botafogo (14,8%) e a terceira é a do Fluminense (13,9%), tendo o Vasco apenas 6,4%. Todos os torcedores do Volta Redonda se encontram acima dos 45 anos. Os de times de fora, sempre abaixo dos 34.

Por escolaridade:

Fig 03

 

Embora sejam historicamente clubes de massa, tanto Flamengo quanto Vasco encontram seu maior quantitativo em meio a pessoas com 2º grau completo e superior incompleto (46,6% e 13,1%, respectivamente). Já Botafogo (16,6%) e Fluminense (12,2%) são maiores entre graduados em uma faculdade. Surpreende o percentual de botafoguenses entre aqueles com menos ensino formal: 15,3% dos que não possuem primeiros grau completo. Como sempre, quanto mais se estuda, mais se gosta de futebol: a evasão cai de 28,3% para 12,1%.

Por fim, o recorte de renda:

Fig 04

 

Embora reine absoluto em meio aos mais ricos (42,5%), é entre pobres que o Flamengo encontra maioria absoluta: 50,5% daqueles que ganham até um salário mínimo. A torcida vascaína é a que mais aumenta à medida com que se enriquece, saindo de 5% para 14% acima dos cinco salários mínimos. Curiosamente, tanto Botafogo quanto Fluminense encontram seu pico em escalas intermediárias de renda. Indo contra os prognósticos, apenas 6,5% dos tricolores desfrutam de maior poder aquisitivo em Volta Redonda.

FELIZ 2016!

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A Pesquisa da Vez: Uberlândia 2015

Localidade: Uberlândia/MG

Instituto: PS Marketing

Amostra: 400 entrevistas, entre 11 e 12 de março de 2015

Margem de erro: 5 p.p

De um tempo para cá, Uberlândia se tornou a cidade brasileira mais frequentemente mapeada no tocante a suas torcidas. Tudo começou em 2008, numa pesquisa elaborada pelo Instituto Veritá e publicada pelo antigo Blog Teoria dos Jogos (do Globoesporte.com). Depois, veio a “era” do instituto PS Marketing. Eles fizeram um estudo em 2011 e outro em 2014, já repercutidos neste espaço. Pouco mais de seis meses depois, voltaram à carga.

Ao contrário dos anos anteriores, desta vez a PS Marketing abriu os recortes por sexo, idade, renda e escolaridade. Mas o que seria boa notícia, infelizmente se tornou motivo de frustração. Tudo por conta da incapacidade do instituto de compilar e analisar suas próprias informações.

Outro esclarecimento importante é que em lugar algum as torcidas se modificam com o passar de meses. Por conta disto, modificações pontuais podem e devem ser atribuídas a movimentos dentro da margem de erro – em se tratando de nada desprezíveis cinco pontos percentuais.

Dito isto, vamos à atualização do perfil da segunda maior cidade do estado de Minas:

Fig 01

O Flamengo nada de braçadas na cidade, apresentando percentual (20%) que representa o dobro da segunda maior torcida, a do Corinthians (10%). Dentro das flutuações de margem de erro descritas, curioso notar que as duas maiores torcidas verificaram quedas idênticas – na casa de três pontos percentuais – desde o ano anterior. O Cruzeiro segue como terceiro maior (8%) e o São Paulo é quarto (7%). Em seguida temos Vasco (6%), Palmeiras (5%), Atlético-MG (4%), Santos (2,5%) e Uberlândia (1,25%). Todas as demais agremiações não ultrapassam a marca unitária. Indivíduos sem time somam importantes 31%.

Por gênero:

Fig 02

Entre os principais consumidores de futebol (indivíduos do sexo masculino) o Flamengo é ainda maior em Uberlândia, monopolizando 22% das preferências. Ainda entre eles, São Paulo e Vasco saltam a 9%, ultrapassando o Cruzeiro (8%) e se equiparando ao próprio Corinthians. O time paulista, aliás, é o único com maioria feminina (10%), algo há muito verificado em nossas análises. Em meio a elas, vascaínas são apenas 2%, um impressionante desequilíbrio de gênero da torcida cruzmaltina. Outro dado importante é a rejeição do futebol entre mulheres em escala duplicada: 42% das uberlandenses do sexo feminino não possuem time, contra 21% dos homens.

Por idade:

Fig 03

Uma das informações mais importantes em análises desta natureza, o perfil das torcidas por faixa etária foi onde a PS Marketing mais pisou na bola – o que denota que nem mesmo pesquisadores sabem lidar com números por eles produzidos. Percebam que na faixa mais jovem, Corinthians e Cruzeiro destoam, cada um com 33% das preferências. Com 17% – exatamente a metade – vem o São Paulo, e só então surge o Flamengo, com 8% (metade da metade). Nas faixas seguintes a coisa muda de figura, com o Flamengo tomando a dianteira inclusive entre jovens. O que teria acontecido?

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O problema começa pelo número excessivo de faixas, sete, algo demasiado em se tratando de uma pesquisa com baixo número de entrevistados. Se dentro de cada faixa a margem de erro é explosivamente maior, o que dizer do primeiro recorte – que inclui entrevistados com idade entre 16 a 17 anos? Enquanto os demais contemplam toda uma geração, com intervalos de oito a dez anos, pouquíssimos foram ouvidos numa faixa (16-17) que representa cerca de 3% da população brasileira. Assim, é praticamente certo que tenham sido apenas doze indivíduos: quatro corintianos e cruzeirenses, dois são paulinos, um flamenguista e um “nenhum”. Infelizmente, nada se pode auferir num universo tão restrito. E o instituto deveria saber disto.

Analisando as demais faixas, flamenguistas são maioria entre jovens e adultos, mas atingem o ápice (31%) entre 36 a 45 anos – a tão falada “era Zico”. O Corinthians cresce à medida com que rejuvenesce, saindo de 3% em meio a idosos para 14% entre 18 e 25 anos. O Cruzeiro é a segunda maior torcida dos 46 aos 55 anos (12%), o São Paulo é vice de 26 a 35 (14%) e o Palmeiras é terceiro entre 56 e 65 anos (8%). De maneira surpreendente, a supremacia acima dos 65 pertence ao Vasco, com 10% das preferências.

Por escolaridade e classes sociais, mais equívocos:

Fig 04

O instituto não explica a diferença entre Fundamental I e II, assim como não diz qual o nível de renda associado a cada uma das (novamente excessivas) classes sociais. O mesmo erro cometido nas faixas etárias pode ser verificado, já que na classe A1, apenas Flamengo, São Paulo e Nenhum aparecem com citações – denotando outro recorte minimalista.

Podendo se auferir tão pouco, o Blog Teoria dos Jogos espera que o instituto PS Marketing melhore suas análises, sob pena de desperdiçar estatísticas tão valiosas.

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As torcidas da “Corrida”

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Hoje à noite acontece no Rio de Janeiro mais uma etapa da “Corrida das Torcidas”, evento que começa a se tornar tradicional no calendário esportivo carioca. Com etapas que envolvem voltas em torno do Maracanã e da Lagoa Rodrigo de Freitas, a competição tem como diferencial fazer com que cada corredor “represente” o time que torce, apontando-o no momento do seu cadastro.

Como pro Blog Teoria dos Jogos, “envolveu torcida, tem que envolver pesquisa”, elaboramos um levantamento desde o evento de 2013 – quando times de fora do Rio começaram a poder ser escolhidos. De lá pra cá, estes foram os números das torcidas:

Corrida das Torcidas 2014

Etapa Maracanã (Geral Masculino)

TOTAL – 777

Flamengo – 239

Vasco – 140

Fluminense – 96

Botafogo – 86

 

Etapa Maracanã (Geral Feminino)

TOTAL – 593

Flamengo – 165

Fluminense – 89

Vasco – 69

Botafogo – 59

 

Etapa Lagoa (Geral Masculino)

TOTAL – 700

Flamengo – 276

Vasco – 143

Fluminense – 97

Botafogo – 70

 

Etapa Lagoa (Geral Feminino)

TOTAL – 551

Flamengo – 224

Vasco – 100

Fluminense – 76

Botafogo – 65

 

Corrida das Torcidas 2013

Masculino

TOTAL 1020

Flamengo – 351

Vasco – 167

Fluminense – 105

Botafogo – 106

 

Feminino

TOTAL – 711

Flamengo – 260

Vasco – 99

Fluminense – 99

Botafogo – 60

 

No agregado, os resultados seguem abaixo – todos além dos quatro grandes do Rio em percentuais aproximados. Apenas o Flamengo marcou menos do que costuma acontecer em pesquisas na capital carioca. Os demais, em linha com a percepção de torcidas na cidade:

Corrida

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Evasão de renda na Copa do Brasil?

Havia uma interessante expectativa em torno do jogo entre Salgueiro e Flamengo, pela 2ª fase da Copa do Brasil. O chamado “Carcará” – força em ascensão no futebol pernambucano – fazia o que se considerava a maior partida de sua breve década de história. O Flamengo, enorme onde quer que passe, arrastou multidões desde o desembarque em Juazeiro do Norte (Ceará) até o sertão pernambucano. Havendo ainda dúvidas quanto ao seu desempenho, por conta da eliminação diante do Vasco no Campeonato Carioca.

Em campo deu a lógica: Fla 2 x 0, classificação garantida pela regra das primeiras etapas da Copa do Brasil. A mesma que diz que o mandante só fica com 100% da renda caso garanta o jogo de volta. Se não acontecer (como ontem), o visitante abocanha nada menos que 60% da renda da partida.

E que renda. Acostumado a cobrar até R$ 3 pelos ingressos, ontem o Salgueiro capitalizou em grau máximo. Cobrando R$ 100 da sua torcida (primeiro lote) e R$ 200 dos visitantes (2º lote, também destinado aos locais), o clube poderia até entrar para o ranking das maiores rendas da história do futebol pernambucano – lista dominada pelo trio da capital. Infelizmente, ao final da partida estes recursos se tornaram fruto de discórdia entre as diretorias.

Tudo porque o borderô oficial teria apontado meros 4.900 pagantes em meio a 12.000 ingressos postos à venda. Mesmo com um Cornélio de Barros quase lotado. Segundo o Globoesporte.com, diante da possibilidade de evasão de renda, o chefe de segurança do Flamengo não recolheu os 60% a que tinha direito, prometendo reclamação formal diante da CBF.

A título de comparação, o Blog Teoria dos Jogos selecionou imagens do último jogo do Salgueiro como mandante, domingo passado, diante do Sport. Válida pelas semifinais do Campeonato Pernambucano, a partida também recebeu excelente público – oficialmente 9.307 pagantes (renda de R$ 137.660,00).

Fig 01

Agora as imagens de ontem, frente ao Flamengo.

Fig 02

O comparecimento da torcida do Salgueiro pareceu o mesmo, sendo a única diferença o maior número de flamenguistas (quando comparados aos visitantes do Sport). Em compensação, o espaço destinado aos visitantes era maior, acarretando certo espaço vazio. Durante a transmissão, percebeu-se que a maior parte dos rubro-negros se infiltrou entre os carcarás, a quem os ingressos saíram mais em conta.

Na manhã de hoje, jornalistas locais divulgaram que o público teria sido de 7.553 pagantes, com renda de R$ 570.200,00. Segundo os mesmos, a razão da discórdia seria a recusa do Flamengo em assinar o recibo para retirada do dinheiro.

Ao falarmos de centenas de milhares de reais, é imprescindível que não haja qualquer dúvida com relação ao rateio – um direito dos clubes. Até a publicação deste texto, o borderô oficial não havia sido publicado no site da CBF, como de costume. Parecem haver poucas evidências que justifiquem discrepâncias muito grandes entre o número de pagantes.

Com a palavra, as autoridades.

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A Pesquisa da Vez: Rio Grande do Sul/2015 – tabulações exclusivas

Detalhamento da pesquisa:

Localidade: Estado do Rio Grande do Sul

Instituto: Index (http://www.institutoindex.com.br/)

Amostra: 1.200 entrevistas, em fevereiro de 2015

Margem de erro: 2,9 p.p

Rio Grande do Sul. Tradicional celeiro futebolístico, terra de uma das maiores rivalidades entre clubes do Brasil. Por lá, se leva a questão das torcidas tão a sério que o estado é, de longe, quem melhor foi mapeado pelo Blog Teoria dos Jogos. Desde as preferências do interior até os números do estado em geral, tudo já passou pelo crivo dos institutos locais. Em meio à entressafra de materiais do gênero, só mesmo uma empresa gaúcha para inaugurar a publicação de pesquisas no ano de 2015.

O problema é que, a cada nova pesquisa, saímos com menos certezas do que entramos. Clicando nos links do parágrafo anterior, percebemos um interior amplamente dominado pela torcida gremista – em linha com o crescimento do clube nas décadas de 80 e 90. Eis que em 2013, pela primeira vez o Inter surgiu na dianteira – algo provavelmente atribuído à explosão colorada nos anos 2000. Do pó viemos, ao pó retornaremos. Segundo nova pesquisa do Instituto Index, é o Tricolor quem comanda absolutamente todo o estado:

Fig 01

Com 49% das preferências, o Grêmio se consolida como o rei dos pampas. Surpreendentemente abaixo, o Internacional surge com 35,7%. Apenas Brasil de Pelotas (2,7%), Caxias (1,3%) e o surpreendente Lajeadense (1,1%) ultrapassam a marca unitária. Outros quatro clubes gaúchos e cinco forasteiros são citados. O número de pessoas sem time (7,2% = 2,8% + 4,4%) também se dá em níveis muito inferiores aos que se tinha notícia.

Embora a pequena amostragem eleve sobremaneira a margem de erro em cada faixa específica, a distribuição geográfica das torcidas se deu assim:

Fig 02

O Tricolor supera o Colorado em todas as regiões do estado, com maior diferença na região Oriental (50,6% a 27,8%) e menor no Sudoeste (50,6% a 49,4%). A única torcida a realmente bater de frente com a dupla Gre-Nal é a Xavante: na região Sudeste, o Brasil de Pelotas marca 28,8%, superando o Inter (23,4%) e só perdendo para o Grêmio (36,9%). Denotando algum caráter cosmopolita, apenas na região metropolitana de Porto Alegre foram verificados torcedores de times de fora (Atlético-MG, Atlético-PR, Flamengo, Palmeiras e São Paulo).

Por gênero e faixa etária:

Fig 03

Fig 04

Interessante constatação: o Grêmio atinge maioria absoluta entre homens (51,4%), enquanto as coloradas existem em maior número na torcida do Inter (38,4%, contra 33,4%). Cem por cento dos torcedores do Caxias entrevistados eram homens.

Por idade, tanto Grêmio quanto Inter mantem relativa estabilidade entre faixas, mas os tricolores atingem seu ápice mediante os mais jovens (52,9%), ao cabo que o auge colorado vem na faixa de 45 a 59 anos (37,5%). Por incrível que pareça, a tão fanática torcida do Brasil de Pelotas perde para Lajeadense, Passo Fundo e Caxias entre jovens.

Por escolaridade e renda:

Fig 05

Fig 06

A maior parte dos gremistas completou o Ensino Médio (53,5%), enquanto o Inter atinge o apogeu entre aqueles com Fundamental Completo (37,9%). Todos os entrevistados do Passo Fundo possuíam nível superior (4,4%).

Chama atenção, ainda, a pirâmide invertida que representa o Inter no tocante à renda – onde cresce a cada tabulação. Entre os mais ricos, 42,9% são colorados, faixa em que a Lajeadense também se destaca (4,1%). A maioria dos gremistas se encontra no segundo pelotão de riqueza, de 6 a 10 salários mínimos (52,7%).

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E se a Federação fizesse sua parte?

Após a intensa troca de acusações entre Flamengo, Fluminense e a Federação, eis que o Campeonato Carioca 2015 parece entrar em velocidade de cruzeiro. Não sem as devidas perdas de parte a parte: a FFERJ teve que acatar o preço dos ingressos acima do que gostaria, enquanto o Flamengo acusou a baixa de seu vice-presidente de marketing, Luiz Eduardo Baptista. Mas a polêmica está longe do fim, e agora responde pelo nível de receitas da Federação, incompatível com o prejuízo quase geral entre os participantes.

Em meio a 17 partidas deficitárias (total de 24), o cerne do criticismo se encontra nas taxas. Todos sabem (mas ninguém compreende o porquê) que a FFERJ cobra de seus filiados uma taxa de 10% sobre a bilheteria bruta nos jogos, enquanto a cobrança de praxe em outros estados é de 5%. Se a postura de “preço baixo a todo custo” soa paradoxal – uma vez que impacta sobre o próprio faturamento – a verdade é que taxas tão acima das demais fazem da Federação a líder em receitas do futebol carioca. Vejamos se não.

Com base nos boletins financeiros publicados no próprio site da FFERJ, o Blog Teoria dos Jogos preparou levantamento que mostra o tamanho do lucro/prejuízo de cada partida do Estadual do Rio. E mais: projetamos quais seriam os novos resultados financeiros caso a FFERJ cobrasse a taxa protocolar de 5% sobre o faturamento. O resultado é sintomático:

 

Foram consideradas apenas as contas “Taxa Ferj” dos borderôs
Clique para ampliar. Foram consideradas apenas as contas “Taxa Ferj” dos borderôs

Em primeiro lugar, é bom que se diga que os partidários de Rubens Lopes vem reduzindo a taxa cobrada ao longo do campeonato, ao ponto do percentual médio ficar em 9,69%. Ainda assim é quase o dobro do que deveria, sendo que o impacto desta apropriação não é desprezível. Se a taxa fosse de apenas 5%, a soma dos superávits do Carioca-2015 iria de R$ 300.884,10 para R$ 401.549,35 – um salto de consideráveis 33,4%.

Embora a tabela não apresente o rateio dos clubes em cada partida, fica claro que nenhum deles passa perto de ter arrecadado os R$ 193.042,00 da FFERJ nestas três primeiras rodadas. De fato, apenas o Flamengo jogou sempre no azul até aqui. No extremo oposto, o Vasco da Gama – mentor da política de preços baixos – até agora só chafurdou em prejuízos. Aliás, uma prova do quão pouco se capitaliza neste Carioca é justamente esta: a soma das vinte e quatro bilheterias atinge R$ 2.013.305,00, valor que não supera a receita do clássico entre Palmeiras x Corinthians, pelo Paulistão (R$ 2.646.893,75).

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

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O ranking do pay per view 2014

Apenas a título de registro, segue o novo ranking de assinantes do pay per view da Globosat, assim como o valor exato do rateio entre cada um dos 18 clubes de futebol relacionados. Os números foram publicados originalmente em matéria no site da ESPN.

Ranking PPV

Ranking PPV2

Muita gente ainda confunde a metodologia utilizada para se alcançar estes percentuais. Tratam-se de duas pesquisas, elaboradas respectivamente por Ibope e Datafolha, em meio à base de assinantes do futebol na TV por assinatura (algo em torno de 1,2 milhão de pacotes). Com elas em mãos, a Globo faz uma simples média aritmética, distribuindo os recursos arrecadados segundo o tamanho auferido de cada torcida.

Importante assinalar que esta estatística reflete primordialmente os resultados do ano anterior (2013), com a maior parte das novas assinaturas acontecendo ao início da temporada. Razão pela qual o Flamengo, novamente líder, apresentou o segundo maior crescimento absoluto (0,52 pontos percentuais) – atrás apenas do Cruzeiro (0,90 p.p). A Raposa impulsionou sua participação com base no título brasileiro de 2013, sendo ajudada pelo desânimo dos atleticanos após o vexame do Mundial Interclubes. Ainda assim, o resultado dos mineiros foi extraordinário, com Cruzeiro (8,2%) e Atlético (7,7%) sendo superados apenas por Flamengo (15,2%) e Corinthians (12,8%).

São Paulo e Vasco (ambos 6,7%) apresentaram quedas drásticas, sendo a vascaína mais justificada pelo rebaixamento consumado naquela temporada. Detentores da terceira e quinta maiores torcidas do Brasil, seus resultados (5º e 7º lugares) não fazem jus à grandeza das massas. Enquanto isto o Palmeiras (5,8%) já apresentava pequena escalada ao ultrapassar o Fluminense (5,8%). É de se imaginar qual será o resultado do alviverde em 2015, considerando a euforia da torcida neste promissor início de temporada.

A diferença do Grêmio (7,2%) para o Internacional (5,6%) é de certa forma proporcional à configuração de torcidas nos estados do Sul. Já o Botafogo (3,8%) decepcionou, apresentando queda mesmo com Seedorf (à época) e prestes a disputar uma Libertadores após 18 anos. O alvinegro, aliás, se vê ameaçado pela maior surpresa da lista: O Bahia (3,7%), que tirou ninguém menos que o Santos (3,5%) do top-12.

Um grande abraço e saudações!

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