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E se a Federação fizesse sua parte?

Após a intensa troca de acusações entre Flamengo, Fluminense e a Federação, eis que o Campeonato Carioca 2015 parece entrar em velocidade de cruzeiro. Não sem as devidas perdas de parte a parte: a FFERJ teve que acatar o preço dos ingressos acima do que gostaria, enquanto o Flamengo acusou a baixa de seu vice-presidente de marketing, Luiz Eduardo Baptista. Mas a polêmica está longe do fim, e agora responde pelo nível de receitas da Federação, incompatível com o prejuízo quase geral entre os participantes.

Em meio a 17 partidas deficitárias (total de 24), o cerne do criticismo se encontra nas taxas. Todos sabem (mas ninguém compreende o porquê) que a FFERJ cobra de seus filiados uma taxa de 10% sobre a bilheteria bruta nos jogos, enquanto a cobrança de praxe em outros estados é de 5%. Se a postura de “preço baixo a todo custo” soa paradoxal – uma vez que impacta sobre o próprio faturamento – a verdade é que taxas tão acima das demais fazem da Federação a líder em receitas do futebol carioca. Vejamos se não.

Com base nos boletins financeiros publicados no próprio site da FFERJ, o Blog Teoria dos Jogos preparou levantamento que mostra o tamanho do lucro/prejuízo de cada partida do Estadual do Rio. E mais: projetamos quais seriam os novos resultados financeiros caso a FFERJ cobrasse a taxa protocolar de 5% sobre o faturamento. O resultado é sintomático:

 

Foram consideradas apenas as contas “Taxa Ferj” dos borderôs
Clique para ampliar. Foram consideradas apenas as contas “Taxa Ferj” dos borderôs

Em primeiro lugar, é bom que se diga que os partidários de Rubens Lopes vem reduzindo a taxa cobrada ao longo do campeonato, ao ponto do percentual médio ficar em 9,69%. Ainda assim é quase o dobro do que deveria, sendo que o impacto desta apropriação não é desprezível. Se a taxa fosse de apenas 5%, a soma dos superávits do Carioca-2015 iria de R$ 300.884,10 para R$ 401.549,35 – um salto de consideráveis 33,4%.

Embora a tabela não apresente o rateio dos clubes em cada partida, fica claro que nenhum deles passa perto de ter arrecadado os R$ 193.042,00 da FFERJ nestas três primeiras rodadas. De fato, apenas o Flamengo jogou sempre no azul até aqui. No extremo oposto, o Vasco da Gama – mentor da política de preços baixos – até agora só chafurdou em prejuízos. Aliás, uma prova do quão pouco se capitaliza neste Carioca é justamente esta: a soma das vinte e quatro bilheterias atinge R$ 2.013.305,00, valor que não supera a receita do clássico entre Palmeiras x Corinthians, pelo Paulistão (R$ 2.646.893,75).

Um grande abraço e saudações!

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O ranking do pay per view 2014

Apenas a título de registro, segue o novo ranking de assinantes do pay per view da Globosat, assim como o valor exato do rateio entre cada um dos 18 clubes de futebol relacionados. Os números foram publicados originalmente em matéria no site da ESPN.

Ranking PPV

Ranking PPV2

Muita gente ainda confunde a metodologia utilizada para se alcançar estes percentuais. Tratam-se de duas pesquisas, elaboradas respectivamente por Ibope e Datafolha, em meio à base de assinantes do futebol na TV por assinatura (algo em torno de 1,2 milhão de pacotes). Com elas em mãos, a Globo faz uma simples média aritmética, distribuindo os recursos arrecadados segundo o tamanho auferido de cada torcida.

Importante assinalar que esta estatística reflete primordialmente os resultados do ano anterior (2013), com a maior parte das novas assinaturas acontecendo ao início da temporada. Razão pela qual o Flamengo, novamente líder, apresentou o segundo maior crescimento absoluto (0,52 pontos percentuais) – atrás apenas do Cruzeiro (0,90 p.p). A Raposa impulsionou sua participação com base no título brasileiro de 2013, sendo ajudada pelo desânimo dos atleticanos após o vexame do Mundial Interclubes. Ainda assim, o resultado dos mineiros foi extraordinário, com Cruzeiro (8,2%) e Atlético (7,7%) sendo superados apenas por Flamengo (15,2%) e Corinthians (12,8%).

São Paulo e Vasco (ambos 6,7%) apresentaram quedas drásticas, sendo a vascaína mais justificada pelo rebaixamento consumado naquela temporada. Detentores da terceira e quinta maiores torcidas do Brasil, seus resultados (5º e 7º lugares) não fazem jus à grandeza das massas. Enquanto isto o Palmeiras (5,8%) já apresentava pequena escalada ao ultrapassar o Fluminense (5,8%). É de se imaginar qual será o resultado do alviverde em 2015, considerando a euforia da torcida neste promissor início de temporada.

A diferença do Grêmio (7,2%) para o Internacional (5,6%) é de certa forma proporcional à configuração de torcidas nos estados do Sul. Já o Botafogo (3,8%) decepcionou, apresentando queda mesmo com Seedorf (à época) e prestes a disputar uma Libertadores após 18 anos. O alvinegro, aliás, se vê ameaçado pela maior surpresa da lista: O Bahia (3,7%), que tirou ninguém menos que o Santos (3,5%) do top-12.

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Ingleses ignoram o tamanho de suas torcidas

Confesso que o  objetivo era outro. Após a grande repercussão da coluna “A César o que é de César – Um Tratado sobre Audiências 2014“, pareceu interessante adentrar no acalorado debate acerca da distribuição de recursos do televisionamento – já que tantos consideram mais apropriado o modelo inglês*. Mas para tanto, é imprescindível conhecer o tamanho, distribuição e perfil de consumo das torcidas – algo que no Brasil é constantemente mapeado pelos institutos de pesquisa. Como este tipo de estudo não é uma tradição na Inglaterra, optei por contactar individualmente os 20 times da Premier League. O resultado foi surpreendente.

*Segundo o qual, pequena parcela dos recursos é distribuída de acordo com a audiência proporcionada pelas torcidas. Parte do dinheiro é dividido igualmente e outra parcela, proporcional à performance no ano anterior.

O perfil de quem consome o “produto Campeonato Inglês” não é um problema. Anualmente é divulgada uma Fan Survey, que detalha onde, quanto e por que os fanáticos pelo futebol inglês acompanham o torneio. No entanto, quando a questão se torna o tamanho das torcidas de futebol na Inglaterra, a coisa muda de figura, com agremiações aparentemente dando de ombros para informação.

Pode-se dizer até mais: eles negligenciam solicitações do gênero, algo inesperado em se tratando de clubes tão profissionais. O Blog Teoria dos Jogos entrou em contato com todos os integrantes da Premier League temporada 2014/2015: Arsenal, Aston Villa, Burnley, Chelsea, Crystal Palace, Everton, Hull City, Leicester, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Newcastle, Queens Park Rangers, Southampton, Stoke City, Sunderland, Swansea, Tottenham, West Bromwich e West Ham. Os contatos foram passados diretamente pelo responsável de “Supporter Services” da Premier League, tornando indiferente a solicitação vir de um pequeno blog de um país distante. A mensagem, enviada no dia 12/01/2015, teve o seguinte teor:

Hello,

 First of all, my name is Vinicius Paiva, a 32 year-old Brazilian and economist. I really apologize for my poor English. 

I’m a blogger and marketing sports specialist. I edit “Blog Teoria dos Jogos” (http://www.blogteoriadosjogos.com/). One of the trending issues in my blog is related to something you don’t usually explore in England: the number of supporters of local clubs, all over the country.  

I have searched through Premier League’s Fan Surveys and nothing was said about that. Do you have any survey or poll – even if not recent – to provide (nome do time)’s number of supporters inside England? I’d like to approach the subject, and would appreciate very much in case of help. 

Regards from Brazil 

Vinicius Paiva

Inspirado numa excelente ideia do colunista Bernardo Pombo, do Blog “Pombo Sem Asa” do Globoesporte.com, o perfil do “Não Fale Conosco” na terra da rainha foi o seguinte:

Leicester (resposta no dia seguinte): “É impossível dizer quantos torcedores possuímos. Eles o fazem de todo o mundo, não apenas da Inglaterra. Vai ser difícil você conseguir a informação. Tudo o que podemos dizer é que vendemos 23 mil carnês para a temporada, temos 3.000 sócios e 5.000 sócios junior. Mas existem milhares de outros que não vem aos jogos regularmente, por uma ou outra razão.”

Burnley (resposta no dia seguinte): agradeceu e encaminhou para o departamento responsável, que não respondeu.

Manchester United (resposta no dia seguinte): agradeceu e encaminhou para o departamento responsável, que não respondeu.

Southampton (resposta no dia seguinte): “É muito difícil julgar nosso número de torcedores, uma vez que nem todo torcedor vem ao jogo, e nem todos os que vem aos jogos são torcedores! Não temos pesquisas que quantifiquem o tamanho de nossa torcida fora de Southampton, embora a Premier League FanSurvey  dê uma ideia na comparação as outros clubes.”

Não responderam, três dias depois: Arsenal, Aston Villa, Chelsea, Crystal Palace, Everton, Hull City, Liverpool, Manchester City, Newcastle, Queens Park Rangers, Stoke City, Sunderland, Swansea, Tottenham, West Bromwich e West Ham.

Ainda que soe estarrecedor, os times ingleses se saíram pior que os brasileiros no índice de respostas: dezesseis deles ignoraram e apenas dois se pronunciaram diretamente sobre o tema. Entre as respostas, uma interessante unidade em torno do completo desconhecimento com relação ao que ocorre fora dos domínios da cidade ou das cancelas do estádio.

Conhecer o tamanho das torcidas, nacional ou localmente, é o cerne do trabalho desenvolvido pelo Blog Teoria dos Jogos. Isto não ocorre para fomentar a mera rivalidade clubística – embora seja um saudável efeito colateral.  Quantificar as torcidas é mapear o perfil da demanda por produtos e serviços ligados a um clube. É impossível desenvolver iniciativas de marketing sólidas sem que se tenha clara a configuração deste público-alvo.

Devido à capilaridade da Premier League, resta claro que os ingleses ignoram esta questão com base na falácia de terem torcida globalmente – algo que, de fato, apenas alguns dos gigantes possuem. Há, ainda, que se diferenciar o torcedor do mero fã, pois estes se modificam ao sabor das boas fases, conforme comprovam pesquisas dentro do próprio Brasil. Se é verdade que existem hordas de torcedores de times ingleses fora do país (especialmente na Ásia), também é certo que o consumo mais robusto ocorre em âmbito nacional. Prova disto são os números de alguns times brasileiros, baseados na fidelização de consumidores em um mercado interno bem mais robusto.  As vendas de camisas de Flamengo e Corinthians e o número de sócios do Internacional se encontram em linha com o que se verifica entre os maiores times de lá.

Segundo o velho ditado, “é preferível pecar pelo excesso do que pela omissão”. Se as muitas pesquisas no Brasil trazem consigo estudos mal elaborados, o contrário também acontece. Conhecer detalhadamente o perfil das torcidas não é algo que se possa descartar, tanto que publicações de outros países europeus também o fazem. Assim podemos dizer que conhecemos perfeitamente nossas características, o que não acontece na Inglaterra. Por incrível que pareça, ao menos neste sentido o Brasil estaria à frente da pátria-mãe do velho e violento esporte que tanto amamos.

Um grande abraço e saudações!

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A Pesquisa da Vez: Uberlândia (2014 x 2011 x 2008)

CRM Zen

Localidade: Uberlândia/MG

Instituto: PS Marketing

Amostra: 400 entrevistas, entre 02 e 04 de agosto de 2014

Margem de erro: 5 p.p

Parece , mas não foi de propósito: na semana em que o Blog Teoria dos Jogos questionou a metodologia do Ibope no estado de Minas Gerais – citando exatamente a configuração do Trângulo Mineiro – trazemos à tona um estudo na cidade de Uberlândia. Fruto de nova parceria com o instituto PS Marketing, a pesquisa comprova tudo aquilo que falamos.

Fig 01

A mesorregião do Triângulo Mineiro foi citada como a que melhor traduzia a miscelânea de torcedores que compõe o estado de Minas Gerais. Serviu também de base para a afirmação de que os 2,9% atribuídos ao Flamengo no estado eram absolutamente ilógicos frente a tantas regiões com liderança rubro-negra. Isto se ratifica através deste novíssimo estudo: 23% de Uberlândia torce pelo Flamengo, frente a 12,5% do Corinthians, 8% do Cruzeiro e 5,25% de São Paulo e Vasco. Palmeiras (4%), Atlético-MG (3,5%) e Botafogo (1,75%) são as equipes que ultrapassam 1% das preferências. O total de torcedores sem clube é de 31%.

Seguindo nova política do Blog Teoria dos Jogos, não serão publicadas divisões por renda, faixa etária, escolaridade e gênero em pesquisas com margem de erro igual ou superior a cinco pontos percentuais, pois a margem de cada tabulação se mostra excessivamente alta e distorce conclusões.

Há variações (dentro da margem de erro) em comparação com números anteriores,  mas o ordenamento se mantém semelhante. Já havíamos publicado números referentes a 2008 que mostravam a liderança do Fla, seguido de Corinthians, São Paulo e Vasco. Em 2011, o próprio PS Marketing divulgara estatísticas da cidade, com Flamengo, Corinthians e Cruzeiro compondo o pódio.

Enquanto houver paixão clubística, haverá debate em torno da metodologia das pesquisas, até porque muitas são realmente questionáveis. E questionar é a razão de ser deste Blog. Para nós, isto é tão importante quanto trazer ao grande público a verdade no ordenamento das massas.

TRÊS ANOS

Vela 3 anos

O Blog Teoria dos Jogos trocou de casa, mas não mudou de essência nem de nome. Sendo assim, hoje, 03/09/2014 é nosso ANIVERSÁRIO DE TRÊS ANOS! Parabéns!

Um grande abraço e saudações!

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A Pesquisa da Vez: Maranhão – EXCLUSIVO

Detalhamento da pesquisa:

Localidade: Estado do Maranhão (capital e interior)

Instituto: GPP 

Amostra: 804 entrevistas, entre 26 e 30 de junho de 2014

Margem de erro: 3,5 p.p

De volta ao mapeamento, são cada vez menos os estados não contemplados com pesquisas por parte do Blog Teoria dos Jogos. Nossa grande parceria com o Instituto GPP rende agora com exclusividade os números do Maranhão – populosa unidade da federação detentora de um dos menores IDHs brasileiros.

Algumas ressalvas metodológicas se fazem necessárias antes da análise. O total de 804 entrevistados faz com que a margem de erro da pesquisa (3,5 pontos percentuais) seja razoável. Entretanto, a capital São Luís possui fatia relativamente pequena da população do estado (em torno de 16%). A manutenção da proporcionalidade fez com que se entrevistassem apenas 137 pessoas na região metropolitana. Assim, são mais fidedignos os números do interior e do estado como um todo.

Segue a preferência maranhense:

Fig 01

Como na maioria do Norte-Nordeste, a supremacia do Flamengo é acachapante. Com 38,9%, é o único a cruzar a marca dos dois dígitos no estado. Abaixo surgem torcedores do Vasco da Gama (9,7%), Corinthians (7,3%), Palmeiras (4,6%) e São Paulo (3,7%). A sexta posição é ocupada por uma força local, o Sampaio Correia: 2,2% da preferência do Maranhão. Botafogo (1,5%), Fluminense (0,8%) e Cruzeiro (0,5%) precedem o Moto Clube (0,4%), enquanto o Maranhão atinge 0,3%.

A divisão capital-interior é a seguinte:

Fig 02

Por conta das explicações do segundo parágrafo, pouco se falará da configuração de São Luís. Entretanto, não se pode ignorá-la como zona de influência do Sampaio Correia (9,4%), ficando atrás do Flamengo (44,7%). No interior, ambos perdem força, enquanto crescem as torcidas de Vasco (10,8%) e Corinthians (8%). Ainda assim a liderança é flamenguista (37,7%). Cabe destaque para a maioria de palmeirenses sobre são paulinos tanto na capital quanto no interior.

Por sexo e faixa etária:

Fig 03

Todas as torcidas são maiores entre homens, apenas a corintiana mantem estabilidade de gêneros. São Paulo (6,1% a 1,4%) e Sampaio Correia (4% a 0,5%) apresentam forte concentração masculina. Por idade, São Paulo e Flamengo crescem entre jovens. São paulinos, inexistentes acima de 60 anos, sobem a 7,5% na faixa de 25 a 34 anos. Já o Rubro-Negro sai de 22,5% para incríveis 51,5%. Ainda entre jovens, há equilíbrio entre Corinthians e Vasco, com ligeira vantagem paulista (9,8% a 9,2%). No extremo oposto, “bolivianos” do Sampaio estão quase que exclusivamente concentrados acima dos 60 anos (6,9%).

Por renda e instrução:

Fig 04

Fig 05

São flamenguistas os detentores de maior poder aquisitivo do Maranhão: 41,4% daqueles a auferirem mais de cinco salários mínimos. As demais verificam estabilidade, menos a torcida do Sampaio Correia, concentrada entre mais velhos. Seus adeptos saem do traço estatístico abaixo do vencimento mínimo para 7% acima dos cinco salários. Por fim, quem mais cresce com os anos de instrução é o Vasco: 5,7% dos cruzmaltinos tem o primeiro grau, frente a 18% com nível superior completo.

Um grande abraço e saudações!

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