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A Pesquisa da Vez: Campinas 2016 – Tira teima EXCLUSIVO

Detalhamento da pesquisa;

Localidade: Campinas/SP, em 20 de setembro de 2016

Instituto: GPP (www.gpp.com.br)

Amostra:  601 entrevistados

Margem de erro: 4 p.p

Nós avisamos que costumava dar problema. Em coluna postada no dia 29/09/2016, trouxemos as tabulações exclusivas de uma pesquisa do Instituto Pró Pesquisa contendo a configuração de torcidas da cidade de Campinas. No texto, advertíamos para o fato de profissionais da área evitarem a cidade, dadas as enormes polêmicas que por lá se alavancavam. Foi exatamente o que aconteceu. A ponto de a diretoria do Guarani, indignada com a enorme disparidade com relação à Ponte Preta, se insurgir contra a pesquisa e sua contratante – a Brasil Kirin, patrocinadora da rival. A polêmica chegou ao ponto de incitarem a torcida a não consumir produtos da empresa, detentora da marca Schincariol no Brasil. As coisas em Campinas não são fáceis.

fig-01

A razão da controvérsia foram os números que atribuíram ao Bugre apenas 3,4% da torcida na cidade. Menos do que Santos (4,2%), Palmeiras (7,9%), São Paulo (9,7%), Corinthians (21,7%)… e o pior, menos do que a Macaca e seus 19,8%. Eis o drama: uma Campinas com quase seis vezes mais torcida da Ponte diante do Guarani.

Como dizia o poeta – e exacerbando sua conotação automobilística – carreras son carreras. Um sem número de razões pode justificar os números de uma pesquisa, desde elementos metodológicos e amostrais, até a margem de erro ou outros fatores. Fato é que, diante do ocorrido, o Blog Teoria dos Jogos solicitou ao seu principal parceiro histórico – o Instituto GPP, com escritório em Campinas – um tira-teima das torcidas na cidade. Fomos atendidos. E anunciamos os tão aguardados resultados:

fig-02

Por ora, ignoremos os resultados globais, pois fica difícil não direcionar o foco à dicotomia Ponte-Guarani. Diferente dos números a pesquisa anterior, o GPP aponta uma Ponte Preta menos de duas vezes maior do que o Guarani: 12,1% para a Macaca, 6,3% para o Bugre. Números que, ainda assim, deixam evidente a preponderância do clube em décadas recentes. Ao mesmo tempo, o Guarani teria números nada desprezíveis na comparação com as demais torcidas da cidade. De fato, pela ótica do GPP, elem seriam seria a quarta maior torcida, à frente de Flamengo (3,1%), Palmeiras (5,6%) e Santos (6,1%). Ainda assim, atrás do São Paulo (11,6%) e do Corinthians (20,7%).

Além de sacramentar a hegemonia do alvinegro do Parque São Jorge, os números trariam apenas uma reversão significativa: o Santos à frente do Palmeiras. Nunca devemos, no entanto, esquecer da margem de erro que coloca os rivais em situação de empate técnico. Fora isto, podemos destacar: 1) a semelhança dos números da Pró Pesquisa na comparação com o GPP para todos os times que não Ponte e Guarani – com variações sempre inferiores a dois pontos percentuais; 2) a razoável posição ocupada pelo Flamengo na pesquisa GPP, em percentual atribuído pela Pró Pesquisa ao próprio Guarani.

Feitas estas análises, vamos aos resultados por gênero, faixa etária, escolaridade e renda:

fig-03

Observando a distribuição por sexo, vemos que apenas São Paulo e Flamengo possuem mais mulheres do que homens em seus quadros. Dentro do universo masculino, o Corinthians amplia a vantagem perante a Ponte, indo a 24,3% contra 15,4% da Macaca. Ainda em meio a eles, o Tricolor do Morumbi atinge 10,2% e o Santos surpreende ao ultrapassar o Guarani (8,8% a 8,6%).

Por idade:

fig-04

Aqui, não restam dúvidas: a juventude campineira é corintiana e são paulina. Dentre aqueles de 16 a 24 anos, a dupla marca expressivos (e respectivos) 30,2% e 18%. Tanto Ponte quanto Guarani atingem seu auge na faixa de 35 a 44 anos (17,6% e 9,1%). Daí até os mais jovens, o enfraquecimento é flagrante – especificamente para o Guarani (3,5%), superado pelo Santos (4,8%) e até pelo Flamengo (3,8%). Ao lado do Bugre e do Peixe, o Palmeiras perde força à medida com as torcidas se renovam.

Por instrução:

fig-05

O maior crescimento entre torcedores com nível superior pertence ao Guarani. O Bugre, que nos números globais marca 6,3%, sobe a 12,1% entre os mais escolarizados. As únicas massas a também crescerem neste recorte são as de Ponte (14,7%) e São Paulo (12,3%).

Por poder aquisitivo:

fig-06

Aqui, um fenômeno semelhante ao da análise anterior: crescimento de Ponte e Guarani entre os mais ricos. De 9,1% entre aqueles que recebem menos e um salário-mínimo, a Ponte salta para 21,2% entre os que percebem mais de cinco salários. Constitui-se, assim, como torcida de maior capacidade financeira em Campinas. O Guarani vai de 2,3% a 7,2%. Em direção oposta, Corinthians (26,7%) e São Paulo (14,7%) tem amplo predomínio em meio aos mais pobres.

Um grande abraço e saudações!

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O Mapa do Televisionamento dos Estaduais 2016

Alguns anos após introduzir este conceito no cenário econômico e futebolístico, o Blog Teoria dos Jogos retoma seu mapa do televisionamento do estaduais, versão 2016. Trata-se de um levantamento acerca dos estaduais que são veiculados, detalhando para onde e qual percentual do PIB e da população cada um está exposto. Os números se referem apenas à TV aberta e à divisão de praças da Globo, detentora dos direitos de transmissão. A Bandeirantes, emissora licenciada, obedece às regras impostas por aquela, gerando um alinhamento na maioria dos estados.

Antes de trazermos os números, alguns esclarecimentos se fazem necessários. Estamos diante de um levantamento que foi “facilitado” ao longo dos anos, dada a simplificação na distribuição dos estaduais. Anteriormente, praças que não possuíam certames próprios se dividiam entre os do Rio e de São Paulo – com larga vantagem para os primeiros. Nos últimos anos, o Paulistão deixou de ser veiculado para lugares como Tocantins (que se voltou ao Rio), Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (estaduais próprios).

Mas as baixas não são exclusividade do Campeonato Paulista. A última “dissidência” verificada se deu em Alagoas, há dois anos, quando o Campeonato Alagoano passou a ser assistido em detrimento do Carioca. Também ocorrem exceções, como no fim de semana em que a Globo Brasília optou por receber o sinal de São Paulo. Ainda assim, a hegemonia do Rio é incomparável: enquanto quinze unidades federativas alinham consigo, o Paulista hoje é visto apenas em seu estado de origem. Equiparando-o a outros onze torneios: Mineiro, Baiano, Gaúcho, Paranaense, Pernambucano, Cearense, Catarinense, Goiano, Alagoano, Mato-Grossense e Sul Mato-Grossense.

Feitas as ressalvas, vamos aos números:

Fig 01

 

Fig 02

Tamanha difusão torna natural a preponderância do Campeonato Carioca Brasil adentro. Somados, os quinze estados que o assistem representam 29,61% da população nacional. Exposto para 44 milhões de pessoas, o Paulistão possui abrangência de 21,72%. Mas o poderio econômico faz com que a balança se reverta a favor de São Paulo sob a ótica do PIB. Semanalmente, as marcas de Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos são divulgadas para o equivalente a 32,13% do Produto Interno Bruto. Os 60 milhões de brasileiros voltados aos times do Rio representam 27,14% da economia brasileira.

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Numa comparação entre os dois principais estaduais, percebemos o Paulista com potencial de renda 18% superior ao Carioca. No entanto, há uma semana expusemos que a diferença que a Globo paga por ambos é muito superior. Estima-se que nas negociações pelo Carioca-2017, Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo possam auferir entre R$ 11 milhões e R$ 12 milhões cada um. O que faria o quarteto carioca assistir aos paulistas embolsarem no mínimo 40% a mais.

Ainda em termos comparativos, viajemos à era pré-Teoria dos Jogos.  Em 2011, descobrimos que este blogueiro já compilara um mapa do televisionamento, publicando-o no blog Olhar Crônico Esportivo, do amigo Emerson Gonçalves. Naquele tempo, o Carioca era veiculado para 30,6% da população (0,99 ponto percentual a mais do que hoje) e 26,97% do PIB. Ou seja, ainda que marginalmente, pode-se dizer que o Estadual do Rio cresceu 0,17 p.p em valor – o que não corre com o Paulista. Nestes cinco anos, os clubes de São Paulo verificaram queda de 3,51 p.p na população e 4,23 p.p no PIB para o qual se expõem. Tratam-se de reduções acentuadas.

Após São Paulo e Rio, a ordem dos estaduais sob a ótica do PIB nos brinda com os Campeonatos Mineiro (9,16%), Paranaense (6,26%), Gaúcho (6,23%), Catarinense (4,03%) e Baiano (3,84%).

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O ranking das cotas de TV – Estaduais 2016

Por conta das negociações com emissoras interessadas na transmissão do Brasileirão, só se fala em cotas de TV. No entanto, existe um torneio totalmente presente em nossas vidas, casas e aparelhos de TV, para o qual pouco nos atentamos. Tratam-se dos estaduais, cujas renegociações também se encontram em pleno vapor, ainda que envolvam cifras menos polpudas e distorções muito mais injustificáveis do que as geralmente apontadas.

Assim como tantas outras receitas de marketing, os valores pagos pelos estaduais não são fáceis de ser descobertos. Primeiro porque, nos balanços patrimoniais, a maioria dos clubes não discrimina as receitas de televisionamento. Eles classificam-nas como “Cotas de TV” numa conta única, sem separar Brasileirão, estaduais e outros torneios. E eles são muitos: Libertadores, Copa do Brasil, Primeira Liga ou amistosos, todos trazem recursos pagos pela televisão.

Enfim: com base em informações veiculadas na mídia, balanços, orçamentos e borderôs (como os da FERJ, que incluem cotas de TV), este seria o ranking dos quatro principais estaduais do país:

Fig 01

Percebam, em primeiro lugar, a discrepância de valores entre estaduais e o Brasileirão. Embora o nacional dure exatamente o dobro de um estadual (seis meses e vinte dias, contra três meses e dez dias do Carioca), a diferença paga chega, em alguns casos, a mais de dez vezes. Isto sem discrepância nas audiências – com leve tendência (acreditem) aos próprios estaduais: em 2015, dezesseis jogos do Paulista registraram média de 18,5 pontos para a Globo (quem paga a conta), enquanto 38 jogos dos clubes de São Paulo bateram 17,9 pontos no Campeonato Brasileiro.

Em segundo lugar, temos a diferença a favor do Paulista em detrimento dos demais torneios. Aí, parte da explicação reside nas rodadas de negociação: em São Paulo, os valores se referem à última leva de assinaturas*, fechada ao final de 2015 e válida pelos próximos anos. Já no Rio e no Rio Grande do Sul, o último ano do antigo contrato é justamente o atual, com conversas possivelmente iniciadas nos próximos meses. Antes do litígio entre Fla, Flu, FERJ e Primeira Liga, estimava-se para os cariocas algo em torno de R$ 11 milhões, que podem cair pela manutenção das incertezas.

*Estima-se que as luvas tenham ficado na casa dos R$ 20 milhões.

Ainda assim, a primazia de Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos se manterá. Diferente do Brasileirão – quando a Globo equipara Flamengo e Corinthians – pelos estaduais, os times do estado mais rico se beneficiam da robustez de seu mercado. Isto num torneio transmitido apenas para dentro de suas fronteiras, ao contrário do Carioca – veiculado em outras 14 praças.

Em terceiro, verifica-se a total equiparação dos grandes de um mesmo estadual no rateio da grana. A projeção desta equidade distributiva configura um sonho para a maioria dos clubes envolvidos na gritaria contra a suposta “espanholização”. Seguindo critérios de audiência e número de partidas, Flamengo e Corinthians recebem muito mais do que seus pares no Campeonato Brasileiro. Nos estaduais, não.

Um quarto elemento ainda salta aos olhos. Miudezas à parte, os maiores times do Rio recebem igual aos grandes gaúchos e mineiros. E isto não se dá porque a Globo paga o mesmo, mas porque nestes, os clubes de menor investimento pagam a conta. Enquanto no Rio um pequeno desembolsa até R$ 2,5 milhões (em São Paulo, mais de R$ 3 milhões), no Rio Grande não se aufere mais do que R$ 800 mil. Melhor do que em Minas, onde restam míseros R$ 300 mil para cada agremiação.

Enquanto o foco no Brasileirão recai sobre absurdos bem menos inexplicáveis, a verdade é que as cotas de TV nos Estaduais são aquilo que se convencionou por “samba do crioulo doido”.  Valores baixos, distribuição heterodoxa e equiparação de clubes de porte totalmente diferente.

Que o diga a Ponte Preta, faturando quase igual ao Flamengo…

Um grande abraço e saudações!

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O desserviço dos especialistas em audiências

Fig 01

Houve um tempo em que a Máquina do Esporte era considerada fonte primária de notícias e análises relacionadas ao marketing esportivo. Seu visual amigável trazia consigo informações não encontradas em nenhum outro veículo do gênero – como as audiências do futebol. Infelizmente, uma equivocada mudança na divulgação e análise destes números vem colocando em xeque a credibilidade do portal.

Não vem de hoje, mas um exemplo se deu na 17ª rodada do Brasileirão, quando Ponte Preta e Flamengo se enfrentaram em partida veiculada pela Globo Rio. Para São Paulo, um eletrizante Cruzeiro x Palmeiras complementou a jornada esportiva. Os números no Rio foram condizentes com as médias do Flamengo: 17 pontos com 41% na Globo e 2 com 4% na Band (Total: 19 com 45%). Em São Paulo, resultado ainda melhor: 16 com 37% na Globo e 5 com 11% na Band (Total: 21 pontos com 48%). Números satisfatórios em ambas as praças, dado o menor número de televisores ligados naquela tarde de Dia dos Pais. Mesmo assim, a Máquina do Esporte se saiu com a seguinte chamada:

Flamengo tem nova baixa e iguala sua pior audiência no Brasileirão

Indo de encontro ao que costumava fazer, o veículo ocultou o elevado share das duas partidas (principalmente a do Palmeiras), focando suas análises nos falaciosos resultados da audiência absoluta. Interpelado via redes sociais, o proprietário da Máquina do Esporte, Erich Beting, alegou que a omissão do share era proposital, já que a mesma “mascararia” a realidade.

Ontem, de maneira mais escancarada, o expediente se repetiu:

Flamengo e São Paulo fazem clássico de audiência pífia na TV

Desta vez, além de premeditadamente ocultar o share, o portal se ateve à audiência individual de uma emissora, como se apenas os números da Globo SP os credenciasse a falar na audiência da TV como um todo. Se marcou 15 pontos com 31% na emissora dos Marinho, Flamengo x São Paulo atingiu outros 6 pontos com 11% na Band, totalizando nada desprezíveis 21 pontos com 42%.

Para que se tenha ideia do equívoco, o clássico do Maracanã foi simplesmente a maior audiência agregada do São Paulo no Brasileirão aos domingos (outros jogos: Internacional, Palmeiras e Sport). Se pela Globo o resultado não foi dos melhores (apenas superando os 14 pontos de Sport x SPFC), aqueles 6 pontos da Band configuraram recorde para o Tricolor no mesmo dia e horário. Mais: os 42% de share no agregado foram simplesmente o segundo melhor do clube na competição (incluindo aí quatro partidas às quartas e um sábado). Falar em “audiência pífia” nestas condições denota ignorância sobre um assunto que deveria dominar ou oportunismo.

Não é de hoje que o Blog Teoria dos Jogos enfoca os significados implícitos do share na análise das audiências televisivas. Para evitar redundâncias, segue o link de um texto que exemplifica diferenças nas praças de Rio e São Paulo de acordo com características ligadas ao clima. Tudo impacta nas audiências: dia da semana, horário, temperatura e até feriados. Mas a verdade que vem sendo tão refutada por quem se diz especialista é que apenas um elemento não se deixa iludir com tamanhas variâncias. Elemento que revela, ao invés de mascarar: justamente ele, o share.

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O ranking dos patrocínios – Série A 2015 (Em valores mensais)

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Um dia após a eclosão do maior escândalo de corrupção da história da FIFA, o Blog Teoria dos Jogos traz a público seu costumeiro foco naquilo que deveria ser considerado o lado sério do futebol. Negócios precisam envolver pessoas responsáveis, bem intencionadas e por que não dizer, dotadas de vergonha na cara. Interesses escusos que recheiam contas bancárias de gatunos e aproveitadores devem ter o destino que o FBI parece reservar aos dirigentes envolvidos no episódio: a cadeia.

Dito isto, vamos ao que interessa. Após uma incessante apuração, apresentamos um dos levantamentos mais importantes no tocante à geração de caixa: o ranking de patrocínios às camisas dos clubes da Série A. Mas sob uma nova ótica. Por conta da diferença na duração dos contratos, o cálculo se refere ao valor mensal auferido por cada participante. Isto porque, capitaneados por uma nova política da Caixa, alguns contratos se encerrarão ao final de 2015, não sendo mais anualizados.

Importante deixar claro que as tabelas abaixo passam longe de qualquer verdade absoluta. Tratam-se de valores divulgados na mídia à época da celebração dos contratos, com algumas apurações do Blog entre fontes ligadas aos clubes. Em alguns casos, foram ainda utilizadas projeções, estimativas de mercado ou extrações dos balanços dos clubes. Decerto um trabalho exaustivo, até por se referir a questões rodeadas de sigilo e cláusulas de confidencialidade.

Eis, portanto, o ordenamento dos maiores patrocínios do Brasil em valores mensalizados:

1) Flamengo – R$ 4,8 milhões

Fig 01

Embora não seja o líder quanto ao valor total dos contratos, é o Flamengo que fica na liderança sob a ótica dos aportes mensais de patrocínios. Isto porque, embora Caixa e Jeep tenham fechado parcerias relativamente curtas (sete meses, até o fim de 2015), os repasses representam o que há de mais alto em valores de mercado. A menor duração dos mesmos só será um problema caso as negociações de renovação falhem ou novas empresas não se interessem em substituí-las de imediato.

2) Palmeiras – R$ 4,08 milhões

Fig 02

A situação do Palmeiras é um pouco diferente do Fla: sem problemas quanto à duração dos muitos patrocínios, pertence ao alviverde a maior soma do valor dos patrocínios. Mas, por se dissiparem ao longo de doze meses, os repasses mensais acabam ficando abaixo do rival carioca. O Palmeiras é também quem loteia o maior número de propriedades em seu uniforme, com interessantes revezamentos entre as marcas (algumas de um mesmo conglomerado).

3) Corinthians – R$ 3,2 milhões

Fig 03

Da contratação de Ronaldo Fenômeno ao advento de sua “era de ouro”, por anos o Corinthians se habituou a ocupar a liderança de rankings do gênero. Mas a realidade agora é outra: o clube do Parque São Jorge se vê preocupantemente na dependência de um único contrato – em termos absolutos ainda o maior do país (Caixa). De positivo, o casamento recém celebrado com o aplicativo 99Táxis, novo “menino dos olhos” do mercado publicitário.

4) Vasco da Gama – R$ 3,06 milhões

Fig 04

Eurico Miranda tem muitos, muitos defeitos. Um deles é transformar o Vasco numa caixa preta sem nenhuma transparência – o que faz de todo número envolvendo o clube uma enorme fonte de especulação. Aqui não foi diferente. Mas pelo visto os vascaínos não podem reclamar da capacidade de prospecção de negócios da atual administração. Com Caixa, Viton 44 e Tim, o cruzmaltino galgou a um imponente quarto lugar no ranking de patrocínios.

5) Atlético-MG – R$ 2,19 milhões

Fig 05

Contactamos o Atlético de maneira inócua. Neste departamento, o Galo é muito como o Vasco: executivos não autorizados a divulgarem absolutamente nenhuma importância que envolva o clube. Isto faz com que a única referência sejam especulações de mídias nem sempre especializadas. É o caso da parceria com a Tenco Engenharia, presumida pelo Blog como R$ 900 mil anuais embora muitos veículos tenham noticiado R$ 900 mil mensais – impossível, em se tratando do valor da propriedade em questão. Também não foi possível confirmar os valores repassados pela Tim, decerto entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões anuais. Não mudariam, entretanto, a posição do Galo neste ordenamento. Em tempo: é no uniforme alvinegro que se verifica a maior variedade de marcas de diferentes conglomerados.

6) Grêmio e Internacional – R$ 1,85 milhões

Fig 06

Diferenças de valores não são admitidas no excêntrico mercado publicitário gaúcho. Grêmio e Internacional angariam absolutamente os mesmos valores de Banrisul, Tramontina, Unimed e Tim. Os três últimos não pagam exatamente igual, sendo estimativas apuradas pelo Blog com base no somatório de seus repasses.

8) Fluminense – R$ 1,5 milhões

9) Coritiba – R$ 683 mil

10) Atlético-PR – R$ 583 mil

Fig 07

O oitavo posto é ocupado por um Fluminense ainda em estágio de adaptação à sua nova realidade. Por anos, os tricolores usufruíram de uma espécie de mecenato da Unimed, auferindo valores totalmente desconectados da realidade do mercado. Isto acabou, e o Flu até que se saiu bem repondo rápido os espaços que ficaram vagos. De qualquer maneira, a diferença hoje se faz gritante: o clube fatura o equivalente à metade do Vasco e um terço do Flamengo.

Completando o top-10, temos a dupla Atletiba. Equiparada em valor por Caixa e Tim, os rivais de Curitiba veem a balança pender para o Alto da Glória no número e no valor pago pelos demais anunciantes. A Pro Tork, inclusive, é uma das únicas a admitirem via site oficial quanto pagam por sua propriedade. Trata-se da empresa que investiu R$ 16,6 milhões na construção de três anéis de camarotes, lanchonetes e lounges do estádio Couto Pereira.

11) Chapecoense – R$ 533 mil

12) Joinville – R$ 520 mil

13) Sport – R$ 500 mil

14) Figueirense – R$ 375 mil

Fig 08

Com exceção do Joinville, temos aqui uma sequência de clubes patrocinados pela Caixa (algo que facilita a apuração) e que muito provavelmente se adequarão à nova política de renovação de patrocínios da estatal. Não foi possível apurar os valores pagos pela 99Táxis ao Sport e por Taschibra/Liderança ao Figueirense, o que pode gerar modificações no ordenamento.

15) Santos – R$ 375 mil

Fig 09

O 15º posto é surpreendente – embora não mais do que o que está por vir. Com apenas um remanescente dos áureos tempos, o Santos sofre com o sumiço de anunciantes desde a saída de Neymar em 2013. Pelas boas atuações coroadas com o título, durante o Paulista foram muitas as parcerias pontuais. Mas relações estáveis andam difíceis para os lados da Vila Belmiro.

16) Avaí – No mínimo R$ 321 mil

17) Goiás – No mínimo R$ 241 mil

18) Ponte Preta – No mínimo R$ 237 mil

Fig 10

Não foi possível apurar o montante repassado aos clubes acima, de modo que as estimativas se baseiam na conta de “patrocínios” das respectivas demonstrações financeiras.

19) Cruzeiro – R$ 200 mil

20) São Paulo – zero

Fig 11

O gran finale da coluna traz dois gigantes em situação de dificuldade. O Cruzeiro, nada menos que atual bi-campeão brasileiro, já deixou de arrecadar cerca de R$ 5 milhões com a falta de patrocinadores no uniforme (valores atualizados). Como alento, a venda de camisas vem explodindo pela beleza do azul celeste livre de logotipos alienígenas. A expectativa do clube é fechar os seis primeiros meses com 190 mil camisas vendidas, número próximo das 220 mil vendas contabilizadas em todo o ano passado.

Já o São Paulo até vem fechando patrocínios, mas de outras naturezas. Gatorade e Copa Airlines se uniram ao clube em 2015 para ações de relacionamento, publicidade e mídias digitais – um excelente mercado a ser explorado.  Mas não caíram bem os dois jogos de exposição da companhia aérea no uniforme durante a Libertadores. Ainda que venha tentando diversificar seu portfolio, a verdade é que desde que passou a conviver com a falta de anunciantes, atrasos salariais no Tricolor Paulista também se tornaram notícia.

Lembrando que os valores aqui expostos são passíveis de modificação, sendo o Blog Teoria dos Jogos um espaço aberto caso clubes queiram contactá-lo para maiores esclarecimentos.

Um grande abraço e saudações!

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Distorções na Tabela do Brasileirão – versão 2014/2015

Há dois anos o Blog Teoria dos Jogos lançou o alerta: alguns integrantes da Série A podiam ser prejudicados ao verem suas partidas como mandantes muito concentradas nos piores dias, contrastando com a realidade dos rivais. A análise de 2013 – cujo título era o mesmo desta coluna – repercutiu bastante. Fontes próximas ao Blog atestaram a atuação de grandes clubes nos bastidores (junto à CBF), visando influir nas tabelas dos torneios subsequentes.

De lá pra cá muita coisa mudou? É o que analisaremos.

Inicialmente, faz-se necessário esclarecer uma interessante característica da audiência esportiva no Brasil: enquanto o futebol tem mais público pela TV nos dias úteis, aumenta o público nos estádios em fins de semana. Trata-se de algo facilmente verificável com base nas audiências divulgadas semanalmente pelo Blog Teoria dos Jogos no Twitter, bem como estabelecendo um recorte das médias de público do Campeonato Brasileiro.

Média geral de público – Brasileirão-2014:

Fig 01

Média de público – fins de semana (BR-2014):

Fig 02

Média de público – dias de semana (dias úteis – BR-2014):

Fig 03

O Blog Teoria dos Jogos agradece e credita o levantamento das informações (assim como a elaboração das tabelas) a Minwer Daqawiya, publicitário e colaborador do site Grêmio Libertador.

Parece óbvio o benefício financeiro (em termos de maiores bilheterias) dado aos que jogaram mais em casa nos fins de semana. Considerando que 27 das 38 rodadas se deram aos sábados e domingos, temos como padrão o percentual de 71%. Equipes que tiverem atuado menos do que isto aos fins de semana aparecem marcadas em tons de vermelho e amarelo –  eis os prejudicados. Em direção oposta, marcamos os beneficiados em tons de verde. Segue a distribuição:

Fig 04

Na comparação com o ano retrasado, percebe-se que o Corinthians, maior beneficiado à época (84%) teve seus jogos realocados, passando à condição de prejudicado. Em 2014 os paulistas apresentaram percentual de 63%, melhor apenas que os 58% do Coritiba. No outro extremo, Atlético-PR (89%), Atlético-MG e Internacional (84%) gozaram do benefício das bilheterias em níveis superiores aos demais.

A análise também pode se estender ao Brasileirão 2015, com a limitação de que a tabela só foi totalmente aberta até a 10ª rodada:

Fig 05

A parcialidade enviesa a análise. Até a 10ª rodada, alguns terão feitos apenas quatro jogos em casa, frente a outros com até seis. De qualquer maneira, Coritiba, Flamengo, Goiás, Internacional, Ponte Preta e Santos largam na frente, com todos os seus jogos em casa nos fins de semana. Já o Fluminense fará apenas metade deles no Maracanã.

Mediante as vinte diferentes realidades da Série A, soa impossível administrar tabelas de modo a igualar o percentual de todos. Mas ao trazer a público comparações intertemporais, o Blog Teoria dos Jogos monitora a existência ou não de benefícios/prejuízos sistemáticos para este ou aquele. Por ora, as distorções não parecem tão relevantes.

Um grande abraço e saudações!

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O porquê do caos botafoguense

As tabelas desta coluna se baseiam no paper “7º VALOR DAS MARCAS DOS CLUBES BRASILEIROS”, elaborado pela BDO Brazil e publicado pouco antes da Copa. Tanto o ranking de “Endividamento” quanto o de ”Valor das marcas” tem a consultoria como fonte. As correlações são de autoria do Blog Teoria dos Jogos.

Três meses de salários atrasados, cinco de direitos de imagem. Cem por cento das receitas bloqueadas e uma possibilidade real de debandada. Eis o panorama catastrófico que ronda um dos clubes mais tradicionais do Brasil: o Botafogo de Futebol e Regatas. Tecnicamente, pode parecer similar ao verificado nos demais clubes do Rio de Janeiro. Mas a verdade é que a crise alvinegra se aproxima, sim, do pior que já pode ser visto. Quem diz isto é a capacidade financeira do Botafogo, medida de maneira preocupante pela frieza dos números.

INTRODUÇÃO

De uma maneira geral, pessoas, clubes de futebol ou países podem dever mais do que arrecadam. Pense em alguém que financia um apartamento: É certo que o valor do imóvel representa inúmeras vezes seu ordenado. Isto faz com que o importante sejam as condições com que o empréstimo será tomado (baixa taxa de juros e longo horizonte temporal). O mesmo se aplica a países, onde há casos de dívidas superiores ao próprio PIB.  Em suma: dever é possível, desde que não haja credores batendo à porta.

Este é o problema dos clubes de futebol: boa parte de seus débitos são de médio e curto prazo. Dívidas trabalhistas, por exemplo, fazem com que se recorra à Justiça com vitória relativamente rápida e correções sufocantes. Sendo um péssimo negócio, os clubes historicamente recorreram ao governo – cujos impostos podiam sonegar. Assim surgiram volumosas dívidas de diversas naturezas. Décadas de vistas grossas deseducaram cartolas, até que o montante se tornou tão massivo que algo precisou ser feito.

Onde entra o Botafogo nesta história? Além de ser onde as condições se deterioraram mais rápido – como no caso da exclusão do Ato Trabalhista – o Glorioso é, de longe, o clube com pior capacidade de arcar com seus débitos.

ENDIVIDAMENTO/RECEITA

Uma as formas de se medir a saúde financeira dos clubes é a proporção entre sua dívida (o que tem a pagar) e seu faturamento (arrecadação em uma temporada). No caso brasileiro, o ordenamento é o seguinte:

Fig 01

Detentor da segunda maior dívida, o Botafogo surge apenas como 11ª maior receita. Isto fez com que ele devesse 4,52 vezes o que arrecada num ano, a maior (e pior) proporção do Brasil. A única a chegar perto é a Portuguesa (deve 4,25 o que arrecada), mas o montante alvinegro se encontra em outro patamar. Entre os grandes, Fluminense (3,39) e Vasco (3,25) são os que se aproximam desta caótica situação, escancarando a histórica irresponsabilidade gerencial no Rio. Também prejudicado pelo enorme volume, o Flamengo (2,78) surpreende pela melhor capacidade de arcar com sua dívida – a maior do Brasil em termos absolutos. No extremo oposto, São Paulo (0,69) e Internacional (0,88) navegam em águas tranquilas: devem menos do que arrecadam em uma única temporada.

VALOR DAS MARCAS/ENDIVIDAMENTO

Onde residem as esperanças? Geralmente em refinanciamentos a perder de vista, mas não deveria ser assim. Em tempos de responsabilidade gerencial, a esperança reside na capacidade de alavancar receitas. Com base no valor atribuído a cada marca, calculamos qual seria o potencial gerador de novos negócios por parte dos clubes. Nesta área, a situação do Botafogo não é menos delicada:

Fig 02

Ao contrário da tabela anterior, aqui o “endividamento” se encontra no denominador. Em outras palavras: quanto menor, pior. Adivinhem onde se encontra o Botafogo? Justamente na última posição! Os dados acima significam que a marca alvinegra vale apenas 18% do total devido. Fluminense, Vasco e Atlético-MG também devem mais do que valem suas marcas – e mesmo nesse grupo a situação botafoguense é alarmante. Novamente o Tricolor Paulista surge como um dos mais saudáveis (3,38 vezes mais valioso que sua dívida), agora atrás do Corinthians (5,72), clube em melhor situação do país.

O CAMINHO

Se o endividamento como percentual da receita é alto; se a capacidade de alavancar é baixa, não há escolha além de cortar na carne. O Botafogo precisará, assim, se desfazer de seu patrimônio (inicialmente, jogadores). Mas um elenco avaliado em R$ 90 milhões não seria solução nem com o completo desmanche. Assim, o único caminho passa pela contribuição da torcida.

Sempre fui contra o crowdfunding por considerá-lo prova cabal da incapacidade em gerar receitas oficiais. Mas minha relutância tem limite, e ele é atingido quando o caos beira a falência – ou o abandono do campeonato. Diante do exposto, a torcida do Botafogo tem em mãos uma campanha organizada por um grupo de torcedores bem intencionados, a Botafogo Sem Dívidas (http://www.botafogosemdividas.com.br/). Campanhas geradoras de DARF’s são recomendáveis pela segurança quanto à destinação dos recursos. No caso do Botafogo, a recomendação torna-se vital.

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