Arquivo da tag: Santa Cruz

O Mapa do Televisionamento dos Estaduais 2016

Alguns anos após introduzir este conceito no cenário econômico e futebolístico, o Blog Teoria dos Jogos retoma seu mapa do televisionamento do estaduais, versão 2016. Trata-se de um levantamento acerca dos estaduais que são veiculados, detalhando para onde e qual percentual do PIB e da população cada um está exposto. Os números se referem apenas à TV aberta e à divisão de praças da Globo, detentora dos direitos de transmissão. A Bandeirantes, emissora licenciada, obedece às regras impostas por aquela, gerando um alinhamento na maioria dos estados.

Antes de trazermos os números, alguns esclarecimentos se fazem necessários. Estamos diante de um levantamento que foi “facilitado” ao longo dos anos, dada a simplificação na distribuição dos estaduais. Anteriormente, praças que não possuíam certames próprios se dividiam entre os do Rio e de São Paulo – com larga vantagem para os primeiros. Nos últimos anos, o Paulistão deixou de ser veiculado para lugares como Tocantins (que se voltou ao Rio), Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (estaduais próprios).

Mas as baixas não são exclusividade do Campeonato Paulista. A última “dissidência” verificada se deu em Alagoas, há dois anos, quando o Campeonato Alagoano passou a ser assistido em detrimento do Carioca. Também ocorrem exceções, como no fim de semana em que a Globo Brasília optou por receber o sinal de São Paulo. Ainda assim, a hegemonia do Rio é incomparável: enquanto quinze unidades federativas alinham consigo, o Paulista hoje é visto apenas em seu estado de origem. Equiparando-o a outros onze torneios: Mineiro, Baiano, Gaúcho, Paranaense, Pernambucano, Cearense, Catarinense, Goiano, Alagoano, Mato-Grossense e Sul Mato-Grossense.

Feitas as ressalvas, vamos aos números:

Fig 01

 

Fig 02

Tamanha difusão torna natural a preponderância do Campeonato Carioca Brasil adentro. Somados, os quinze estados que o assistem representam 29,61% da população nacional. Exposto para 44 milhões de pessoas, o Paulistão possui abrangência de 21,72%. Mas o poderio econômico faz com que a balança se reverta a favor de São Paulo sob a ótica do PIB. Semanalmente, as marcas de Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos são divulgadas para o equivalente a 32,13% do Produto Interno Bruto. Os 60 milhões de brasileiros voltados aos times do Rio representam 27,14% da economia brasileira.

Vote no Blog Teoria dos Jogos no prêmio Top Blog 2016!

Numa comparação entre os dois principais estaduais, percebemos o Paulista com potencial de renda 18% superior ao Carioca. No entanto, há uma semana expusemos que a diferença que a Globo paga por ambos é muito superior. Estima-se que nas negociações pelo Carioca-2017, Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo possam auferir entre R$ 11 milhões e R$ 12 milhões cada um. O que faria o quarteto carioca assistir aos paulistas embolsarem no mínimo 40% a mais.

Ainda em termos comparativos, viajemos à era pré-Teoria dos Jogos.  Em 2011, descobrimos que este blogueiro já compilara um mapa do televisionamento, publicando-o no blog Olhar Crônico Esportivo, do amigo Emerson Gonçalves. Naquele tempo, o Carioca era veiculado para 30,6% da população (0,99 ponto percentual a mais do que hoje) e 26,97% do PIB. Ou seja, ainda que marginalmente, pode-se dizer que o Estadual do Rio cresceu 0,17 p.p em valor – o que não corre com o Paulista. Nestes cinco anos, os clubes de São Paulo verificaram queda de 3,51 p.p na população e 4,23 p.p no PIB para o qual se expõem. Tratam-se de reduções acentuadas.

Após São Paulo e Rio, a ordem dos estaduais sob a ótica do PIB nos brinda com os Campeonatos Mineiro (9,16%), Paranaense (6,26%), Gaúcho (6,23%), Catarinense (4,03%) e Baiano (3,84%).

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o blog Teoria dos Jogos no Facebook!

A Pesquisa da Vez: Goiana/PE

Header-188BET-728-x-90-Brasileirão1

Detalhamento da pesquisa:

Localidade: Goiana, Pernambuco

Instituto: Plural Pesquisa

Amostra: 400 entrevistas em junho de 2015

Margem de erro: 4,9 p.p

De relance, um olhar desatento presume a capital de Goiás. Mas o mapeamento aqui exposto se refere ao município pernambucano de Goiana, na região da Zona da Mata, a 62 km da capital Recife. Trata-se de uma cidade pequena – apenas a 19ª maior do estado – com cerca de 78 mil habitantes. Mas que “entrou para o mapa” ao ser eleita pelo grupo Fiat para implantação da primeira fábrica da Jeep no Brasil, resultando num investimento multibilionário e na criação de milhares de postos de emprego.

Seguem os números:

Fig 01

A proximidade com a capital faz com que Goiana se encontre relativamente em linha com seu perfil. Por isto, a liderança pertence ao Sport (25%), seguido pelo Santa Cruz (13%) e o Náutico (7%). É aí que reside a surpresa: apesar da localização na divisa com a Paraíba e dos meros 51 km de João Pessoa (mais perto que o Recife), a quarta maior torcida é a do Corinthians (6%), não a do Flamengo (2%). O Rubro-Negro surge empatado com Palmeiras e São Paulo, um ponto à frente do Vasco.

Leiam também: Ronaldinho é oferecido ao Corinthians 

Eis o cerne de uma relativa polêmica que recentemente veio à tona. Assim que desembarcou no Brasil, a Jeep procurou o Flamengo e se tornou patrocinadora do uniforme rubro-negro, com aportes de R$ 4,5 milhões (barra traseira) até o fim de 2015. A parceria partiu da montadora, ao contrário das prospecções tradicionais que tem início no departamento de marketing dos clubes. Isto gerou um mal estar em face da supremacia dos clubes do Recife na região, da falta de aproximação com a comunidade e da inexpressividade da torcida do Flamengo.

É cristalino que a Jeep/FIAT acertou com o Fla em busca de visibilidade nacional. Por que não dizer, visou ainda sinergias com o consumidor do Nordeste – que tem no Flamengo sua maior expressão. A grande questão é que a simpatia nordestina aos cariocas é inversamente proporcional ao sentimento que se nutre no estado onde está a planta industrial. Talvez a rusga fosse solucionada se a empresa investisse em propriedades menores num dos integrantes do “trio de ferro” pernambucano – se não nos três.

Mas voltando à pesquisa, foram também divulgados recortes por gênero, idade, escolaridade e renda:

Fig 02

A única análise que merece destaque reside nas tabulações por faixa etária. Embora pareça surpreendente que o Flamengo marque apenas 2%, não foram encontrados rubro-negros na faixa mais avançada (acima de 50 anos), o que presume que naquela região isto sempre foi assim. Em compensação, não há qualquer crescimento rubro-negro no nível mais jovem, onde arrebata apenas 2% dos torcedores de 16 a 29 anos.

Já o Corinthians vive situação oposta, consagrando seu crescimento em regiões onde há alguns anos não tinha destaque. De um total de 2% de corintianos mais que cinquentenários, o alvinegro vê sua massa explodir até 10% do total de adultos jovens (16-29). Nesta faixa, os paulistas atropelam até forças locais como o Náutico (6%), colando no Santa Cruz (12%). O único pernambucano a registrar crescimento é o Sport, que sai de 21% dos mais velhos para 27% entre jovens.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!