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A Pesquisa da Vez – Manaus 2017

Detalhamento da pesquisa;

Localidade: Manaus/AM, entre 20 e 22 de janeiro de 2017

Instituto: Pesquisa 365

Amostra:  1.050 entrevistados

Margem de erro: 3 p.p

Está aberta a temporada 2017 de pesquisas de torcida! E a primeira do ano se deu numa localidade tão importante quanto, até bem pouco, negligenciada: Manaus, capital do Amazonas. Após anos sem pesquisas na região norte, o produtivo ano de 2012 trouxe luz a duas pesquisas elaboradas em terras manauaras e divulgadas pelo Blog Teoria dos Jogos. Desde então, nada mais foi dito. Até que o Instituto Pesquisa 365 se juntou ao “clube” frequentado por IPEN e ao GPP – elaboradores das pesquisas cinco anos atrás – e nos trouxe números aparentemente confiáveis, com grande semelhança aos verificados anteriormente. Vamos a eles:

Conforme amplamente sabido, o Flamengo detém a maior torcida de Manaus por larga margem: 39% da população. Mas o Vasco possui uma massa também representativa, atingindo 17,7% do total. A partir de então, torcidas paulistas ditam o jogo em detrimento dos demais cariocas. O São Paulo aparece com 5,1%, seguido do Corinthians (4,4%) e do Palmeiras (3,7%). Só então aparecem Botafogo (2,1%) e Fluminense (1,6%). O Santos fecha o top-8 com 1% das preferências. Números incrivelmente parecidos com os do estudo GPP/2012.

Quanto às tabulações específicas:

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Todas as agremiações crescem em seu universo masculino, onde apenas 9% não possuem time de futebol (contra 31% das mulheres). Diante dos 43% de homens flamenguistas, 20% de vascaínos e 7% são paulinos, há apenas uma reversão de ordenamento: mais palmeirenses (6%) do que corintianos (5%) no coração da Amazônia – talvez por influência do recente título brasileiro conquistado.

Olhando para as faixas etárias, extraem-se análises interessantes. Em termos absolutos, é a torcida do Flamengo a que mais cresce entre jovens: sobe de 34% entre aqueles com mais de 45 anos para 47% em meio aos jovens de 16 a 24 anos – ascensão de 13 pontos percentuais. Mas relativamente, os times que mais crescem são São Paulo e Corinthians, que saem de 1% e 2% para, respectivamente, 5% e 6%. Mais incrível é verificar o boom são paulino na faixa de 25 a 34 anos, quando atingiram robustos 9% – processo em menor escala também verificado com o Palmeiras. Subida que não se mostrou sustentável, dada a redução na base de ambos entre os mais jovens. O Vasco aparenta estabilidade, estacionado entre 17% e 18% em todas as faixas. Botafogo e Fluminense praticamente desaparecem entre jovens (1% cada), mesmo com o alvinegro detendo a terceira maior torcida daqueles acima de 45 anos (5%). Nesta faixa, o Flu possuía 4%, significando que, no passado, de fato as quatro maiores torcidas pertenciam aos quatro grandes do Rio.

Por escolaridade, a torcida do Flamengo diminui à medida com que avançam os anos de estudo: sai de 41% daqueles com ensino fundamental para 36% dos que concluíram o ensino superior. Processo oposto acontece com o Vasco, que cresce de 15% para 22% e equilibra a balança em ambientes universitários. Mas São Paulo e Corinthians também sobem, com ambos saindo de 3% para 7% nesta comparação.

Infelizmente, além de não contemplar recortes superiores nas faixas etárias (que vão apenas até os 45 anos), a pesquisa pisa na bola ao não contemplar a imprescindível análise sob a ótica da renda, substituída por uma descartável análise das torcidas segundo suas religiões.

Um grande abraço e saudações!

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A Pesquisa da Vez: Campinas 2016 – Tira teima EXCLUSIVO

Detalhamento da pesquisa;

Localidade: Campinas/SP, em 20 de setembro de 2016

Instituto: GPP (www.gpp.com.br)

Amostra:  601 entrevistados

Margem de erro: 4 p.p

Nós avisamos que costumava dar problema. Em coluna postada no dia 29/09/2016, trouxemos as tabulações exclusivas de uma pesquisa do Instituto Pró Pesquisa contendo a configuração de torcidas da cidade de Campinas. No texto, advertíamos para o fato de profissionais da área evitarem a cidade, dadas as enormes polêmicas que por lá se alavancavam. Foi exatamente o que aconteceu. A ponto de a diretoria do Guarani, indignada com a enorme disparidade com relação à Ponte Preta, se insurgir contra a pesquisa e sua contratante – a Brasil Kirin, patrocinadora da rival. A polêmica chegou ao ponto de incitarem a torcida a não consumir produtos da empresa, detentora da marca Schincariol no Brasil. As coisas em Campinas não são fáceis.

fig-01

A razão da controvérsia foram os números que atribuíram ao Bugre apenas 3,4% da torcida na cidade. Menos do que Santos (4,2%), Palmeiras (7,9%), São Paulo (9,7%), Corinthians (21,7%)… e o pior, menos do que a Macaca e seus 19,8%. Eis o drama: uma Campinas com quase seis vezes mais torcida da Ponte diante do Guarani.

Como dizia o poeta – e exacerbando sua conotação automobilística – carreras son carreras. Um sem número de razões pode justificar os números de uma pesquisa, desde elementos metodológicos e amostrais, até a margem de erro ou outros fatores. Fato é que, diante do ocorrido, o Blog Teoria dos Jogos solicitou ao seu principal parceiro histórico – o Instituto GPP, com escritório em Campinas – um tira-teima das torcidas na cidade. Fomos atendidos. E anunciamos os tão aguardados resultados:

fig-02

Por ora, ignoremos os resultados globais, pois fica difícil não direcionar o foco à dicotomia Ponte-Guarani. Diferente dos números a pesquisa anterior, o GPP aponta uma Ponte Preta menos de duas vezes maior do que o Guarani: 12,1% para a Macaca, 6,3% para o Bugre. Números que, ainda assim, deixam evidente a preponderância do clube em décadas recentes. Ao mesmo tempo, o Guarani teria números nada desprezíveis na comparação com as demais torcidas da cidade. De fato, pela ótica do GPP, elem seriam seria a quarta maior torcida, à frente de Flamengo (3,1%), Palmeiras (5,6%) e Santos (6,1%). Ainda assim, atrás do São Paulo (11,6%) e do Corinthians (20,7%).

Além de sacramentar a hegemonia do alvinegro do Parque São Jorge, os números trariam apenas uma reversão significativa: o Santos à frente do Palmeiras. Nunca devemos, no entanto, esquecer da margem de erro que coloca os rivais em situação de empate técnico. Fora isto, podemos destacar: 1) a semelhança dos números da Pró Pesquisa na comparação com o GPP para todos os times que não Ponte e Guarani – com variações sempre inferiores a dois pontos percentuais; 2) a razoável posição ocupada pelo Flamengo na pesquisa GPP, em percentual atribuído pela Pró Pesquisa ao próprio Guarani.

Feitas estas análises, vamos aos resultados por gênero, faixa etária, escolaridade e renda:

fig-03

Observando a distribuição por sexo, vemos que apenas São Paulo e Flamengo possuem mais mulheres do que homens em seus quadros. Dentro do universo masculino, o Corinthians amplia a vantagem perante a Ponte, indo a 24,3% contra 15,4% da Macaca. Ainda em meio a eles, o Tricolor do Morumbi atinge 10,2% e o Santos surpreende ao ultrapassar o Guarani (8,8% a 8,6%).

Por idade:

fig-04

Aqui, não restam dúvidas: a juventude campineira é corintiana e são paulina. Dentre aqueles de 16 a 24 anos, a dupla marca expressivos (e respectivos) 30,2% e 18%. Tanto Ponte quanto Guarani atingem seu auge na faixa de 35 a 44 anos (17,6% e 9,1%). Daí até os mais jovens, o enfraquecimento é flagrante – especificamente para o Guarani (3,5%), superado pelo Santos (4,8%) e até pelo Flamengo (3,8%). Ao lado do Bugre e do Peixe, o Palmeiras perde força à medida com as torcidas se renovam.

Por instrução:

fig-05

O maior crescimento entre torcedores com nível superior pertence ao Guarani. O Bugre, que nos números globais marca 6,3%, sobe a 12,1% entre os mais escolarizados. As únicas massas a também crescerem neste recorte são as de Ponte (14,7%) e São Paulo (12,3%).

Por poder aquisitivo:

fig-06

Aqui, um fenômeno semelhante ao da análise anterior: crescimento de Ponte e Guarani entre os mais ricos. De 9,1% entre aqueles que recebem menos e um salário-mínimo, a Ponte salta para 21,2% entre os que percebem mais de cinco salários. Constitui-se, assim, como torcida de maior capacidade financeira em Campinas. O Guarani vai de 2,3% a 7,2%. Em direção oposta, Corinthians (26,7%) e São Paulo (14,7%) tem amplo predomínio em meio aos mais pobres.

Um grande abraço e saudações!

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Pesquisas antigas e a importância de se fazer as perguntas corretas

Tudo começou com o jornalista Cássio Zírpoli, autor de um blog no Diário de Pernambuco cuja pegada é parecida à do Blog Teoria dos Jogos no que se refere às pesquisas de torcida. O enfoque: pesquisas realizadas pelo Ibope em Pernambuco e em regiões metropolitanas, entre os anos de 1969 e 1971. A descoberta do material é atribuída ao colaborador do Blog Teoria dos Jogos e pesquisador Clayton Silvestre – que já nos havia o disponibilizado há alguns anos. À época e por questões de pauta, não a publicamos, mas agora a repercussão veio com força pelo fato de o Redação Sportv tê-la explorado em sua edição desta manhã. E pelos resultados da pesquisa terem supostamente colocado o Santos na condição de maior torcida do Brasil no passado.

Você está certo disto?

Pra início de conversa, é importante contextualizar o que representava o Santos Futebol Clube em 1969. Supercampeão em tempos de grandes esquadrões, o Peixe era de longe o maior clube do Brasil. Tudo graças aos inúmeros títulos enfileirados por aquele time dos sonhos capitaneado por Pelé, que incluíam duas Copas Libertadores, dois Mundiais Interclubes, seis títulos nacionais, quatro Rio-São Paulo e uma sequência infindável de títulos paulistas. Os muitos anos de preponderância tornavam natural a relevância, inclusive em termos de tamanho de torcida. Por muito tempo o Santos foi, sim, o queridinho no coração de muitos brasileiros.

Daí a ter detido a maior torcida do país, vai uma distância. Fruto de distorções bastante comuns em se tratando de vieses em pesquisas do gênero. A questão aqui é: numa pesquisa de opinião, quando não se fazem as perguntas corretas, os resultados saem inequivocamente defeituosos. Vejamos se não:

fig-01

O grande pecado da pesquisa de 1969 foi não ter perguntado: “qual é o seu time?”, como convencionalmente se faz. Ao perguntar “no seu entender, qual o clube de futebol mais querido em todo o Brasil?” o que o Ibope fez foi, indiretamente, arguir: “Para qual time você acha que as outras pessoas torcem”? E aí, os números saíram totalmente desalinhados da realidade. Alinharam-se com o que se verificava no país em termos de conquistas e idolatria.

Tanto é que a ordem das coisas se restabeleceu quando a pergunta passou a ser “no seu entender, qual o clube de futebol mais querido do seu estado?”. Aí sim as pessoas deixaram de responder pelos outros, passando a expor sua verdadeira preferência particular. Com isto, o Santos retornou a um padrão intermediário, ainda que muito superior ao que se verifica hoje:

fig-02

Em tempos atuais, soa impensável o Peixe deter a segunda maior torcida do estado de São Paulo – atrás apenas do Corinthians. Tão impensável quanto imaginar que, mesmo com apenas 21% de seu estado de origem, pudesse fazer frente ao Corinthians e seus 50% no mesmo estado. Que dirá ao Flamengo, desde sempre hegemônico no Rio e em tantas outras regiões não contempladas porque a pergunta se restringia aos times do próprio estado.

A conclusão a que chegamos é que perguntas mal formuladas levarão a resultados descolados da realidade.

Sendo assim, como analisar em retrospecto a questão das maiores torcidas do passado? Isto, logicamente, o Blog Teoria dos Jogos já fez, em postagem datada de 26 de agosto de 2014. E lá, concluímos ser possível fazê-lo ao: 1) analisarmos as tabulações por faixas etárias de pesquisas atuais; 2) Nos basearmos em pesquisas antigas (desde que fizessem as perguntas corretas); 3) Verificarmos o que diziam publicações de época. Este último elemento, de fato, aponta para um Santos mais preponderante. Algo que não resiste à análise dos dois primeiros elementos, desde muito apontados para a supremacia de Flamengo e Corinthians em termos nacionais.

Um grande abraço e saudações!

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Tudo sobre audiências – parte 4: as maiores audiências RJ e SP 2016

Há alguns meses o Blog Teoria dos Jogos iniciou uma série de análises relacionadas às audiências televisivas do futebol brasileiro, assim dividida:

Parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Parte 2: Os campeões de audiência 2015

Parte 3: As audiências da Band

Parte 4: As maiores audiências RJ e SP 2016

Parte 5: Audiências em queda: verdade ou mentira?

Após um breve intervalo, que incluiu uma pausa para os Jogos Olímpicos – período profissionalmente muito atribulado – decidimos retomar às análises desde seu tópico 4, dada a saída da TV Bandeirantes das transmissões futebolísticas em torneios nacionais. Devidamente incentivado e “provocado”, importante dizer, pelo amigo Fábio Sormani, da Fox Sports, a quem estas tabelas são dedicadas.

As audiências do futebol em 2016 dividem-se entre as praças do Rio de Janeiro e de São Paulo – únicas divulgadas pela TV Globo semanalmente. Dividem-se ainda entre os principais torneios do ano: Campeonatos Estaduais, Copas (Libertadores, do Brasil e Sul Americana) e Brasileirão. Por fim, os números são separados por dia da semana e pela natureza dos jogos (clássicos ou não), dada a primazia de audiências verificadas às quartas feiras ou em confrontos entre times grandes.

Lembrando que: 1) Cada ponto de audiência equivale a 69 mil domicílios em São Paulo e 43 mil no Rio, enquanto o share significa o percentual de televisores ligados naquele canal; 2) Todos os números se referem apenas à audiência em TV aberta da Globo, menos para os Estaduais, que representam a soma Globo + Band, pois neles ainda havia o compartilhamento dos direitos televisivos; 3) As estatísticas contidas nesta coluna não contemplam a rodada do último fim de semana (24 e 25/9) no Brasileirão.

CAMPEONATOS ESTADUAIS

Pode-se dizer que os campeonatos estaduais são aqueles em que as audiências mais estão expostas a “causas perturbadoras” a lhes enviesarem. Isto porque se tratam de torneios de tiro curto com alto índice de clássicos transmitidos. Assim, clubes com menos torcida tendem a aparecer em poucos jogos, primariamente em clássicos – onde as audiências são naturalmente mais altas. Assim, muitas estatísticas acabam por se insuflar de maneira irreal. Outro benefício que precisa ser relativizado acomete àqueles que chegam à final do campeonato, geralmente um oásis de bons números em meio a um marasmo de audiências regulares.

Dito isto, vamos às análises:

RIO DE JANEIRO

fig-01
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Embora o clube mais televisionado durante o Campeonato Carioca tenha sido o Vasco (nove jogos), foram os sete do Flamengo que apresentaram os melhores números do torneio. Na média final, o Rubro Negro teve um audiência de 27,1 pontos com 49%, contra 25,1 (48%) dos cruzmaltinos, 24,2 (47%) do Botafogo e 22,2 (42%) do Fluminense. Percebam a discrepância entre Flu e Bota pelo fato do alvinegro ter ido à final, catapultando seus números. No campeonato como um todo, ambos tiveram cinco jogos transmitidos.

Quando separamos a análise por dia de semana (DDS) e fim de semana (FDS), chegamos a algumas outras conclusões. Apesar do Vasco ter tido nove jogos na telinha, apenas um se deu nos dias de audiência mais alta, a quarta-feira. E não foi um jogo qualquer, mas um Flamengo x Vasco pela fase de grupos da Taça Guanabara, que explodiu como poucas vezes: 37 pontos de audiência com 57% de participação. De qualquer maneira, o time da Colina passou nada menos que oito vezes aos domingos, desproporção não atingida por nenhum de seus rivais.

Sob outro ponto de vista, separamos clássicos de jogos contra times pequenos – o que também faz uma diferença brutal. Aí os beneficiados são outros:

fig-02
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Dos nove jogos vascaínos na TV, nada menos que seis foram clássicos – sendo dois pelas finais, diante do Botafogo. Até por ser um dos finalistas, o clube da Estrela Solitária se viu bastante inflado, já que quatro de suas cinco transmissões se deram em clássicos. Por outro lado, o Flamengo e principalmente o Fluminense tiveram maior número de jogos contra times pequenos, elemento de evidente impacto negativo. De qualquer maneira, as audiências do Flamengo superaram as dos rivais sob todos os aspectos: 30 pontos (55%) em clássicos e 23,3 (42%) contra pequenos. Neste último caso, os números do Mengão foram 19% superiores aos do Tricolor, segundo colocado – uma enormidade em se tratando destas informações.

SÃO PAULO

fig-03
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Se no Rio o mais transmitido foi o campeão estadual, São Paulo viveu situação antagônica. O Santos, campeão paulista, tive míseros três jogos na TV – sendo dois na final, contra o Audax. O outro, como veremos adiante, foi um clássico. O resultado foram números artificialmente superiores aos de todos os demais: 25,6 pontos e 47% de share. No outro extremo está o Corinthians, com seus oito jogos na TV. Com eles, marcou 24,5 pontos médios e 45%. O São Paulo teve cinco jogos, 22,2 pontos e 42% em média. O Palmeiras, quatro jogos, 24,5 pontos e 46%.

A análise por dia da semana em Sampa diz menos do que no Rio, já que muitos paulistas jogavam a Libertadores enquanto a Globo Rio veiculava seus times no Carioca. Sendo assim, apenas Corinthians (duas vezes) e São Paulo (uma) apareceram na telinha às quartas. Já a análise que separa clássicos de jogos contra pequenos é bem mais reveladora:

fig-04
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Antes, é importante dizer que o Paulistão deste ano teve, excepcionalmente, um número de clássicos transmitidos menor do que no Rio. Seu campeão de exposição foi o Corinthians, com três jogos, 28,3 pontos e 51%. Os números dos outros podem parecer iguais (São Paulo, 28 pontos) ou maiores (Palmeiras, 29 pontos), mas existe um porém: 75% dos clássicos transmitidos (três de quatro) foram contra o time de Itaquera, ou seja, é exatamente o Corinthians quem ajuda a inflar os rivais. Já o Santos, tendo confrontado duas vezes um pequeno em plena final, nadou de braçada neste recorte.

COPAS

Eis uma estatística muito mais simples de ser analisada: copas só são jogadas às quartas, tornando desnecessária a separação por dia. Também são raros os clássicos nestas circunstâncias – este ano, por exemplo, não aconteceu nenhum. Ou seja, a única coisa a ser considerada aqui é o peso do torneio.

RIO DE JANEIRO

Nenhum time da Cidade Maravilhosa jogou a Libertadores 2016. Sendo assim, a maioria das análises se refere à Copa do Brasil, com exceção dos três últimos jogos do Flamengo, válidos pelas fases intermediárias da Sul Americana:

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Isso mesmo: foram sete jogos rubro-negros, com audiências 22% superiores às do Vasco (26,3 a 21,6 pontos). Cinco jogos vascaínos e três tricolores (20,3 pontos, em média). E nenhum. Nenhum joguinho do Botafogo para contar história…

SÃO PAULO

fig-06

Na Terra da Garoa houve maior equilíbrio entre o líder Corinthians (nove jogos, 26,1 pontos com 40%) e o segundo colocado, São Paulo (oito jogos, 25,5 pontos com 39%). Parte da explicação recai sobre o fato de o Tricolor ter chegado às semifinais da Libertadores, enquanto o Corinthians parou nas oitavas. Assim como o Botafogo, o Palmeiras simplesmente não apareceu na TV nestes torneios. Já o Santos, uma única vez: contra o Gama, pela Copa do Brasil (18 pontos).

BRASILEIRÃO

RIO DE JANEIRO

As transmissões do Brasileirão retomam a necessidade de separação segundo o dia da semana. Contudo, no Rio não se faz necessário repartir clássicos e jogos regulares, uma vez que apenas um foi veiculado na cidade: Fluminense x Botafogo, num domingo de inexpressivos 20 pontos com 38%.

fig-07
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Na ausência do Vasco (que joga a Série B), o grande beneficiado foi o Fluminense que, este ano, apareceu tantas vezes quanto o Flamengo (11 cada). Os dois tiveram igualdade também no perfil das transmissões: quatro em dias de semana, sete em fins de semana. Assim, a comparação entre ambos pode se dar sob bases equânimes.

Em boa dose por conta da fantástica audiência do jogo contra o Palmeiras, o Rubro Negro atropela o Tricolor sob a ótica das quartas feiras: 30,5 com 47% a 23 com 36% – resultado 33% superior. Nos fins de semana, a superioridade flamenguista cai para a casa dos 19% (23 pontos contra 19,3). Já o Botafogo teve cinco jogos, todos aos finais de semana – esvaziando seus números. No geral, portanto, o Fla marca em média 25,7 pontos com 44%. O Flu, 20,6 com 37%. O Bota, 18 com 35%.

Importante: um jogo do Alvinegro aconteceu sábado, dia de audiências tradicionalmente inferiores.

SÃO PAULO

Diferente do Rio, em São Paulo retomam-se análises não só por dia de semana mas também por clássicos. Isto porque, por lá, já foram veiculados cinco dérbis neste Brasileirão. A começar pela primeira ótica:

fig-08
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Em Sampa também há empate envolvendo Corinthians e São Paulo, ambos com 11 partidas televisionadas. E o perfil é quase o mesmo: Timão quatro vezes às quartas, sete aos fins de semana. Soberano, três às quartas, oito aos domingos. Em compensação, o Corinthians se apresentou num sábado. Sendo assim, em analogia à dupla Fla-Flu no Brasileirão, pode-se considerar justa a comparação direta entre Corinthians e São Paulo.

Às quartas, o Corinthians vence o São Paulo por apertados 25,5 a 24,3 (mesmo share: 40%). Aos fins de semana, um pouco mais de folga: 22,6 (com 43%) para um, 20,1 (com 37%) para outro. Só que em termos gerais, Corinthians (23,6 com 42%), São Paulo (21,3 com 38%) e Santos (23 com 44% em dois jogos) perdem para o Palmeiras (24,1 com 41%). Por quê?

fig-09
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A explicação reside aqui. Entre as agremiações com mais televisionamentos, o maior percentual de clássicos pertence ao Palmeiras (três de sete). O São Paulo fez três clássicos diluídos num universo de 11 transmissões. O Corinthians, apenas dois em 11. Nas partidas regulares, onde as audiências vem sem tanta facilidade, os 22,9 pontos do Corinthians em nove jogos superam os 22 pontos em 4 jogos do Verdão. Aqui, o Santos é novamente um ponto fora da curva: dois jogos, dois clássicos.

COMPARAÇÕES INTERNAS

No Rio, resta claro que, sob qualquer aspecto, o Flamengo apresenta audiências muito superiores às de seus rivais. Inclusive, pode-se dizer que em condições normais de temperatura e pressão, Vasco, Fluminense e Botafogo se equivalem – com certa vantagem cruzmaltina.

Já em São Paulo, há maior equilíbrio entre o líder Corinthians e o São Paulo – ainda que não se discuta a supremacia do primeiro. Palmeiras e Santos, alguns passos abaixo, se veem tão relegados que geralmente aparecem apenas em clássicos ou jogos decisivos. Seria importante vê-los em mais partidas regulares, proporcionando uma melhor base de comparação. De qualquer maneira, em anos anteriores a dupla já apresentou alguns índices bem fracos.

Aqui, uma questão particular que explica meu grande ponto de discordância com relação ao Sormani. Eu considero que diferenças de alguns pontos de audiência (e share) justificam as diferenças nas cotas de televisionamento, tendo em vista que um mercado tão competitivo quanto o da TV aberta precifica cada ponto marginal em muitos milhões. Sormani tem outro ponto de vista, entendendo injustificáveis as diferenças, por pequenas que seriam.

Não há certo ou errado neste debate, apenas interpretações.

COMPARAÇÃO RIO X SÃO PAULO

Nem todo ano é assim, mas em 2016, o rei das audiências no Rio (Flamengo) supera o preferido de São Paulo (Corinthians) sob todos os recortes – incluindo Copas em que os Paulistas disputaram a Libertadores. O que faz retornarmos ao que é sempre dito: o Rubro Negro se beneficia de audiências maiores e nacionalmente mais dispersas. O Alvinegro, da supremacia nos principais mercados – que não se resumem ao seu berço, já que Paraná ou Rio Grande do Sul muitas vezes alinham com a Globo São Paulo. Por isso, é importante analisar o quantitativo médio de praças alinhando com a transmissão de cada um deles. Assunto para outra coluna…

Um grande abraço e saudações!

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A Pesquisa da Vez: capitais brasileiras (SPC/CNDL) – EXCLUSIVO

No início da tarde de hoje, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram uma estudo sobre os hábitos de consumo dos torcedores no Brasil. Por se tratarem de instituições relacionadas ao crédito e adimplemento, o foco da pesquisa recaiu sobre questões orçamentárias, como capacidade de pagamento e gastos excessivos com produtos e serviços relacionados ao futebol. Maiores detalhes sobre a pesquisa podem ser vistos no site da SPC Brasil (clique aqui).

Sendo um questionário aplicado nas 27 capitais brasileiras, o estudo veio naturalmente acompanhado de uma pesquisa de torcidas. Assim, o Blog Teoria dos Jogos entrou em contato com o SPC Brasil e teve acesso aos números de maneira exclusiva. No entanto, muitos esclarecimentos se fazem necessários.

Em primeiro lugar, não se trata de uma pesquisa nacional, já que as entrevistas se concentraram tão somente nas 27 capitais brasileiras, e com amostra bastante limitada: 620 torcedores. Além disso, por ter focado o universo de torcedores (e não o universo populacional), o “Nenhum” (pessoas sem time) foi descartado, fazendo com que o percentual de cada torcida subisse. Só que o mais importante é que a pesquisa não seguiu proporcionalidades primordiais. Isto que significa que 63% dos respondentes foram homens, mesmo numa sociedade de maioria feminina. Em termos geográficos, entrevistou-se um número muito maior de cariocas (16,6%) do que paulistanos (20,1%) proporcionalmente, levando a uma superestimação dos números atrelados aos times do Rio. Depois das duas maiores metrópoles vieram Salvador (8,3%), Porto Alegre (6,8%), Curitiba (6,1%), Fortaleza (5,6%), Recife (5,4%), Belo Horizonte (4,2%) e Manaus (4%).

Todas as limitações abordadas acima não inviabilizam este estudo de abordagem criativa e diferenciada. A questão é que, mais do que nunca, a pesquisa SPC/CNDL reflete tão somente o perfil de sua amostra. Por conta disto, o Blog Teoria dos Jogos optou por expor seus resultados sem proceder maiores análises sobre os recortes de gênero, idade, renda e fanatismo. Convidamos, portanto, nossos leitores a fazê-lo.

Seguem os números:

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A Pesquisa da Vez: Campinas – tabulações EXCLUSIVAS

Detalhamento da pesquisa;

Localidade: Campinas/SP, entre 15 e 18 de julho de 2016

Instituto: PróPesquisa (http://propesquisa.com.br/index.html)

Amostra:  800 entrevistados

Margem de erro: 3 p.p

Os primeiros resultados saíram na semana passada: segundo o Lancenet, em pesquisa encomendada pela Brasil Kirin (patrocinadora da Ponte Preta), a cidade de Campinas teria sido mapeada no tocante às suas torcidas. Informações tão importantes não haveriam de ser divulgadas de maneira superficial e cheia de arredondamentos. Sendo assim, o Blog Teoria dos Jogos procurou o Instituto PróPesquisa, vindo a público brindar sua audiência com os resultados completos do trabalho, em tabulações exclusivas.

Antes, uma observação: com expertise na divulgação e análise de pesquisas de torcidas, tínhamos Campinas como um eldorado passível de mapeamento. Não apenas por se tratar da terceira maior cidade do estado de São Paulo, núcleo de uma região metropolitana de 3 milhões de habitantes com o 11º maior PIB do Brasil. Interessava também por Campinas ser um dos principais focos de excelência no futebol do interior, berço de dois clubes de enorme relevância e acirradas rivalidades históricas. Tanto que, certa vez, um profissional da área nos confessou que evitava pesquisar Campinas por conta das polêmicas que viriam a ser despertadas pelos números da cidade.

Pois a espera acabou. Vamos a eles:

Fig 01

Sim, amigos, a maior torcida de Campinas é a do Corinthians – nenhuma novidade para quem trabalha na área. Apesar da força de sua massa, os 19,8% da Ponte Preta não alcançam os 21,7% do bando de loucos em solo campineiro, ainda que ambos se encontrem em situação de empate técnico. Em seguida, alinhados com o perfil das torcidas no estado, temos São Paulo (9,7%), Palmeiras (7,9%) e Santos (4,2%). Pausa para a polêmica: só então surge o Guarani, arquirrival da Macaca, com meros 3,4%. O Flamengo, com 2,1%, encerra o clube dos que superam a marca unitária.

O que justifica tamanha discrepância entre o quantitativo de bugrinos e pontepretanos? Ainda que nem todos concordem, a explicação recai sobre o perfil das torcidas de interior, onde inúmeros se dividem entre um “clube do coração” (geralmente um dos quatro grandes de SP) e um local. No entanto, quanto mais tempo as paixões locais se “solidificarem” na elite, maior o processo de “purificação” de uma torcida que antes se dividia. Em direção oposta, quanto maior o sofrimento por maus resultados, divisões subalternas e falta de preponderância, menos gente disposta a apontar um clube local como o detentor de sua preferência. O primeiro exemplo se aplica à Ponte Preta – ainda que se possam fazer paralelos com outras forças do interior, como a Chapecoese. O segundo, classicamente, se encaixa sobre o Guarani.

Ainda quanto à primeira tabela: em termos geográficos, o maior número de corintianos, ponte pretanos, são paulinos e santistas se dá na região sudoeste da cidade. Nela, os quatro marcam, respectivamente, 28,9%, 30,5%, 12,3% e 9,1%. Na região noroeste, enfraquecem-se os times de Campinas, elevando-se o Palmeiras à condição de segunda maior torcida (10,7%). Importante reiterar que, numa pesquisa com apenas 800 entrevistados, a margem de erro dentro de um recorte com cinco tabulações diferentes é representativa.

Em seguida, a análise por gênero:

Fig 02

No Brasil, é sabido que os homens são os principais componentes do núcleo de heavy users do futebol. Sendo assim, a torcida mais preponderante de fato em Campinas seria a da Ponte Preta, com expressivos 28,9% dos adeptos do sexo masculino. Apenas o Corinthians, com 23,4% dos homens, é capaz de fazer alguma frente à torcida da Macaca. A terceira torcida masculina pertence ao Verdão, com longínquos 9,3% das preferências. Entre os maiores, o São Paulo é o único que aparece com mais mulheres do que homens em seus quadros (10,8% a 8,6%). Pessoas sem clube marcam 15,7% entre eles e 41,6% entre elas.

Um dos recortes mais importantes, por faixa etária:

Fig 03

Ainda que o trabalho peque ao não pesquisar mais a fundo o universo infanto-juvenil, são apresentados resultados bastante sintomáticos. A Ponte detém a torcida que mais rejuvenesce, saindo de 19,5% acima de 45 anos para 27,1% entre pessoas de 18 a 24 anos. Mas o Corinthians acompanha praticamente no mesmo ritmo: de 19,7% para 26,4% nos mesmíssimos recortes. Outro que apresenta crescimento entre jovens é o São Paulo, com 15,3% da torcida na primeira faixa etária. Diferente de Palmeiras, Santos e Guarani, times que possuem sua maioria entre indivíduos acima de 45 anos. Mas a surpresa aqui é o Flamengo. Com 4,9% entre 18 e 24, os rubro-negros ultrapassam Peixe e Bugre e se solidificam como a quinta maior torcida entre jovens de Campinas.

Por escolaridade:

Fig 04

Novamente o destaque vai para os ponte pretanos, maiores entre os mais escolarizados: 20,2% dos que possuem diploma de nível superior. A primazia do Corinthians ocorre no nível médio, onde detém 23,9% das preferências. Surpreendentemente, são paulinos se concentram entre pessoas com nível fundamental (10,5%). Há bem mais torcedores do Guarani com nível superior (4,8%) do que fundamental (2,8%).

Finalmente, por renda:

Fig 05
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Importante esclarecer que, numa pesquisa com 800 pessoas, são poucos os entrevistados a se enquadrarem nas duas faixas de renda mais alta (entre R$ 6.781 e R$ 13.560 e acima disto). Percebam que o último recorte teve apenas 12 respondentes: quatro corintianos, três ponte pretanos, um são paulino, um vascaíno e três “nenhum”. Trata-se de um quantitativo sobre o qual, estatisticamente, nada se pode auferir. Enquanto isto, as três primeiras faixas aparentam abranger um número mais seguro de entrevistados. Sendo assim, corintianos, são paulinos e bugrinos se concentrariam em meio a pessoas com menor poder aquisitivo (até R$ 1.356), direção oposta à da Ponte Preta e seus 26,2% de torcedores de renda média-alta.

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As (baixas) audiências das finais dos Estaduais 2016

Fig 01
Foto: André Durão/Globoesporte.com

Na tarde de ontem, os principais campeonatos estaduais conheceram os grandes campeões da edição 2016. Além do hexa do Internacional, no Rio Grande do Sul, e da surpreendente vitória do América-MG sobre o Atlético-MG, São Paulo e Rio de Janeiro também viveram suas voltas olímpicas. Mas se as torcidas de Vasco e Santos tem muito o que comemorar, a verdade é que para as emissoras de TV, houve bem menos razões para festejos.

A começar por São Paulo, onde a falta de euforia era um pouco mais óbvia. Embora um grande clube de futebol tradicionalmente bonito confrontasse a maior revelação tática dos últimos anos (Audax), o apelo por uma decisão sempre termina relacionado ao tamanho das torcidas. E o Santos tem apenas a quarta maior do estado de São Paulo. Pior o Audax, time da cidade de Osasco, na região metropolitana, praticamente sem torcida. Por isto, as audiências da final paulista foram as seguintes:

SANTOS X AUDAX

GLOBO – 21 PONTOS COM 40% DE PARTICIPAÇÃO

BAND – 6 PONTOS COM 11% DE PARTICIPAÇÃO

TOTAL: 27 PONTOS COM 51% DE PARTICIPAÇÃO

No agregado, três pontos e 8% acima da primeira partida, jogada domingo passado na casa do Audax. Ainda assim, uma audiência muito baixa em termos de final de campeonato. Menor, por exemplo, que a decisão Santos x Ituano, válida pelo Paulistão-2014 (28 pontos com 54%). Se a comparação for apenas com o torneio de 2016, a finalíssima ficou atrás dos clássicos entre Corinthians x São Paulo (28 com 52% totais) e Palmeiras x Corinthians (31 com 54% totais).

Já no Rio, a final envolvia dois grandes e tradicionais players do estado, Vasco e Botafogo. Mas a derrocada das audiências nos brindou com uma situação ainda mais rara:

VASCO X BOTAFOGO

GLOBO – 24 PONTOS COM 51% DE PARTICIPAÇÃO

BAND – 2 PONTOS COM 4% DE PARTICIPAÇÃO

TOTAL: 26 PONTOS COM 55% DE PARTICIPAÇÃO

Na comparação com o primeiro jogo, até houve aumento no share, de 48% para 55%. Mas a audiência absoluta caiu dos 27 pontos da semana passada para 26 ontem. Trata-se de uma situação raríssima, além de uma enorme demonstração de desinteresse – tanto das torcidas quanto dos telespectadores. Para que se tenha uma ideia, os mesmos times decidiram o Campeonato Carioca 2015 numa jornada de 31 pontos com 59% de participação. O primeiro jogo alcançara 30 com 54%.

Com números tão fracos, as maiores audiências do Carioca-2016 acabaram nas mãos dos dois confrontos entre Flamengo e Vasco: 37% com 57% na fase de grupos (jogado numa quarta-feira, quando os números são tradicionalmente maiores) e 30 pontos com 57% na semifinal.

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Tudo sobre audiências – parte 2: Os campeões de audiência 2015

Prosseguimos nossa série “Tudo sobre audiências”, dada a importância deste indicador como elemento a balizar os repasses de televisionamento. Trata-se de uma sequência de textos que, embora não consecutivos, serão sempre linkados aos anteriores, servindo como banco de dados para consultas dos interessados pelo tema. A série está assim dividida:

Parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Parte 2: Os campeões de audiência 2015

Parte 3: As audiências da Band

Parte 4: As maiores audiências RJ e SP

Parte 5: Audiências em queda: verdade ou mentira?

**

Existem inúmeros recortes a serem feitos quando se objetiva explicitar as maiores audiências de uma temporada. Eles podem ter como base tanto a pontuação convencional quanto o share, imprescindível percentual de televisores ligados em um dado canal, que muitas vezes revela o paradoxo da boa audiência num baixo número. Tão importante quanto incompreendido, não focaremos no share desta vez, fazendo dele tão somente critério de desempate no caso de partidas equivalentes em pontos.

RIO DE JANEIRO

Instituímos dois critérios. O primeiro: todas as partidas que ultrapassaram os 25 pontos de audiência na soma Globo + Band. A média foi a seguinte:

FLAMENGO – 16 jogos, 28 pontos e 52% de participação (7 clássicos)

VASCO – 10 jogos, 30,5 pontos e 55% de participação (7 clássicos)

SELEÇÃO BRASILEIRA – 9 jogos (maiores detalhes adiante)

FLUMINENSE – 3 jogos, 26,3 pontos (1 clássico – participação indisponível)

BOTAFOGO – 3 jogos, 28,7 pontos e 55% de participação (3 clássicos)

Apesar de não parecer, o recorte confirma o Flamengo como campeão de audiência no futebol carioca, ao ultrapassar bem mais vezes a barreira dos 25 pontos, mesmo num ano sem qualquer título, poucas decisões e baixo percentual de clássicos contabilizados. Seu número de transmissões de apelo equivale à soma de Vasco, Fluminense e Botafogo.

No entanto, diante dos bons resultados tanto no Estadual quanto na Copa do Brasil (sobre o próprio Fla), é o Vasco quem aparece com maior pontuação absoluta. Só que nada menos que sete de seus dez jogos de maior apelo foram contra rivais cariocas, sendo dois na final do Carioca (contra o Botafogo) e outros cinco diante do próprio Flamengo – pelo Carioca, Brasileiro e Copa do Brasil.

Já a segunda ótica é a das dez maiores audiências no ano – neste caso, explicitadas jogo a jogo. Por aqui, as coisas mudam um pouco de figura. Eis o Top-10 do futebol no Rio de Janeiro em 2015:

Fig 01
Clique para ampliar

A maior audiência do futebol no ano passado se deu na segunda e decisiva partida envolvendo Vasco e Flamengo pela Copa do Brasil. Os números foram tão impressionantes que igualaram o título rubro-negro na Copa do Brasil 2013 – com dois pontos percentuais a menos de share. Mas percebam: neste top-10, quem teve os melhores resultados foram os cruzmaltinos. Nada menos que seis dos dez jogos envolveram a equipe de São Januário, contra cinco do Flamengo, três da Seleção, dois do Botafogo e um do Fluminense.

SÃO PAULO

Segue a quantidade de vezes em que cada um dos grandes paulistas ultrapassou a barreira dos 25 pontos no agregado Globo + Band:

CORINTHIANS – 15 jogos, 28,8 pontos e 49% de participação (9 clássicos)

PALMEIRAS – 10 jogos, 29,5 pontos e 52% de participação (9 clássicos)

SANTOS – 10 jogos, 28,8 pontos e 48% de participação (10 clássicos)

SÃO PAULO – 8 jogos , 29,1 pontos e e 49% de participação (8 clássicos)

SELEÇÃO BRASILEIRA – 8 jogos (maiores detalhes adiante)

Mais do que no Rio, onde a estatística teve maior relação com o tamanho das torcidas, o perfil de São Paulo deixa clara a importância dos bons resultados para um boom de audiências. Único paulista sem conquistas no ano que passou, o São Paulo se viu como time com menos jogos acima dos 25 pontos, mesmo tendo torcida equivalente à soma de Palmeiras e Santos. De todo modo, São Paulo, Palmeiras ou Santos (que decidiram tanto o Paulista quanto a Copa do Brasil) dependem quase que exclusivamente de clássicos para se catapultarem. Aqui, apenas o Corinthians surgiu capaz de entregar maiores pontuações em jogos “regulares”.

Quanto ao Top-10 de audiências no futebol paulista em 2015:

Fig 02
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Neste caso, a liderança também é corintiana, detendo seis dos dez jogos. O Palmeiras vem em seguida com cinco, seguido por Santos, São Paulo (três cada) e Seleção (um jogo).

**

Apesar da supremacia quantitativa de Flamengo e Corinthians e dos ótimos picos atingidos por Vasco, Palmeiras e Santos, é importante que se olhe com especial atenção para outras duas transmissões: as de jogos da Seleção Brasileira e da Champions League.

Em primeiro lugar, é um tanto óbvio que o escrete canarinho se apresenta menos do que a maioria dos times veiculados na TV: no ano passado, foram 14 jogos. E apesar dos recortes desta análise não deixarem claro, a verdade é que a Seleção nunca decepciona em audiências. Abandonemos, portanto, a tabulação acima dos 25 pontos. Em 2015, no cômputo geral de amistosos, Copa América e Eliminatórias, a contestada esquadra de Dunga atingiu 26,3 pontos e 47% de share em média, no Rio. Já em São Paulo, foram 24,7 pontos médios e 43%.

Por fim, a valiosa Liga dos Campeões da Europa. Valiosa porque, ao lado da Seleção (e salvo exceções), são as únicas partidas com veiculação 100% nacional. Elas sequer apareceram no top-10 porque são televisionadas às quartas-feiras no meio da tarde. Trata-se de um horário útil, com número insuficiente de aparelhos ligados para que se atinjam grandes pontuações. Por isto, aqui sim, torna-se importante avaliá-las sob a ótica do share. No Rio, tais embates renderam 20,9 pontos e 45% de participação, em média. Em São Paulo, 19,8 pontos e 42%. O Barcelona, é lógico, foi o mais agraciado, com seis das sete transmissões totais – não sendo computadas partidas transmitidas apenas pela Band.

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Tudo sobre audiências – parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Fig 01

Em tempos de renegociações envolvendo clubes e emissoras, ganhou importância o debate acerca das audiências como elemento balizador dos repasses. Para o leitor do Blog Teoria dos Jogos, não é nenhuma novidade acompanhar este tipo de análise por aqui. Já o fizemos em diversas outras ocasiões, afinal. No entanto, desta vez decidimos ir além: estudar esta questão sob diferentes óticas, junto a informações pouco conhecidas do grande público.

A série “Tudo sobre audiências“ será assim dividida:

Parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Parte 2: Os campeões de audiência 2015

Parte 3: As audiências da Band

Parte 4: As maiores audiências RJ e SP

Parte 5: Audiências em queda: verdade ou mentira?

Todas as colunas vão se referir às audiências do futebol em TV aberta. Embora não sejam necessariamente consecutivas, toda vez que alguma delas for publicada, será linkada às anteriores, servindo como banco de dados para consultas de quem se interessar pelo tema.

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Há duas semanas, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro divulgou a tabela da Taça Guanabara, contendo informações que apenas o olhar mais atento percebeu. Aos dois clássicos do Estadual 2016 que já foram televisionados em TV aberta (Flamengo x Vasco e Botafogo x Fluminense), a  tabela incluiu mais três: o Fla x Flu do Pacaembu, Vasco x Botafogo e Flamengo x Vasco. Isto faz com que sejam cinco os clássicos veiculados pela TV Globo para grande parte do Brasil (ou todo ele, via parabólicas), sem contar com as partidas decisivas do campeonato – muito provavelmente, novos clássicos.

Trata-se do maior número de grandes jogos do Carioca em TV aberta nos últimos tempos. Em 2013, apenas três clássicos foram transmitidos, todos decisivos. Em 2014, foram cinco – mas ao contrário do ano anterior, o Carioca não terminou por antecipação. No ano passado, em seis ocasiões tivemos embates de gigantes veiculados nestas mesmas condições.  Já em 2016, caso nenhum pequeno estrague a festa, podem ser até nove clássicos.

O ineditismo no número de clássicos televisionados inclui o Campeonato Paulista, onde historicamente houve mais jogos do tipo na TV (visando maiores audiências na cidade-sede do mercado publicitário). E é justamente esta a razão encontrada para tal mudança na programação da TV: as diferenças brutais de audiências entre “jogos comuns” e clássicos.

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No Campeonato Carioca 2016, dos onze jogos transmitidos até aqui, oito foram não-clássicos, com média de 20,7 pontos de audiência e 40% de share. Os três clássicos alcançaram 26,6 pontos e 50%. No Paulistão 2016, foram apenas nove jogos, dada a concorrência da Libertadores. Sete não-clássicos atingiram média de 20,6 pontos e 39% de participação. Os dois clássicos marcaram 27 com 49%. Todos os números consideram a soma das audiências de Globo e Bandeirantes.

Em retrospectiva, números parelhos. No Brasileirão 2015, o Rio assistiu a apenas três clássicos, com média de 26 pontos com 53%. Outros 36 jogos envolveram Fla, Flu, Vasco ou Bota contra outras agremiações, marcando 21,7 pontos e 42%. Em São Paulo, quatro clássicos com média de 24 pontos e 45%. Os 34 não-clássicos atingiram 22,5 pontos e 42%.

No Carioca 2015, foram seis clássicos, 28,3 pontos de audiência e 54% de participação. Treze não-classicos, 20,7 pontos e 40%. No Paulista 2015, sete clássicos com 28,3 pontos e 52%. Nove não-clássicos, 19,3 pontos e 38% de share.

No Brasileirão 2014, dois Fla-Flus proporcionaram 25,5 pontos e 53%. Trinta e sete não clássicos marcaram 19,7 pontos com 40%. Em Sampa, seis clássicos, 24,5 pontos e 49% de share. Trinta e dois não-clássicos alcançaram 21,1 pontos e 42%.

Por fim, os Estaduais-2014. No Rio, os cinco clássicos marcaram 25 pontos e 53%. Os onze não-clássicos, 17,7 pontos e 40%. Já em São Paulo, cinco clássicos, 25,6 pontos e 49%. Quatorze não-clássicos, 21,1 pontos e 43%.

Temos aqui uma amostra robusta: 244 jogos. E um veredicto: clássicos proporcionam audiência e share aproximadamente 25% superior aos jogos normais. Em números absolutos, isso representaria algo como 5,5 pontos e 10% de share adicional. Uma enormidade, se considerarmos que cada ponto de audiência representa 69 mil domicílios em São Paulo e 43 mil no Rio. Se o mercado precifica em muitos milhões cada ponto adicional – razão pela qual pagava tão mais a determinados times – imaginem o valor de mercado de um dérbi envolvendo grandes e apaixonadas torcidas.

Portanto, como já foi dito, esta seria uma razão para o aumento no número destes duelos na TV carioca. Trata-se de um processo que, mesmo já corriqueiro, tende também a se intensificar em São Paulo, à medida com que aumenta a concorrência com a cada vez mais diversificada TV fechada. Existem elementos limitadores, como bloqueios de transmissão para a própria praça. Mas é provável que nos futuros contratos estas cláusulas também se flexibilizem.

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Tamanho não é documento

Não é de hoje que os rankings envolvendo projetos de sócio-torcedor se tornaram uma coqueluche. Fogueira sobre a qual se jogou combustível quando a Ambev, na figura do seu “Movimento por um Futebol Melhor”, passou a disponibilizar seu Torcedômetro. Desde então, a discussão do “meu é maior do que o seu” tomou conta das mesas de bares – reais ou virtuais.

As atualizações mais sofisticadas incluem também os europeus – modo de se auferir os clubes com maior quantidade de sócios do mundo. A última publicação a fazê-lo foi a Máquina do Esporte, a quem pedimos licença para reproduzir o ranking na íntegra:

Fig 01

Mas também não é de hoje que o Blog Teoria dos Jogos alerta para o fato de, no tocante aos projetos associativos, tamanho não ser documento. Foi o que concluímos há dez meses, através da coluna “Sócio-Torcedor: quem fatura mais? Uma análise definitiva”. À época, dissemos que o ticket médio do projeto Nação Rubro-Negra, três vezes superior ao Fiel Torcedor, tornavam necessários 150 mil corintianos para equivalerem ao que o Flamengo arrecadava*. Verdadeiramente, a ótica mais importante.

*Proporção que começa a se aproximar, dados os 132.483 sócios alcançados pelo Corinthians, contra 60.143 do Flamengo (08/03/2016)

Trata-se de uma questão cuja pertinência é comprovada na comparação internacional. Foi o que fez o amigo Benny Kessel, do Blog Balanço da Bola, em coluna publicada no site Mundo Rubro Negro. Em análise sobre o Relatório de Gestão 2014/2015 dos portugueses do Benfica (antigos líderes do “ranking mundial”, atuais terceiros colocados), o colunista descobriu os seguintes elementos:

“– Do total de valores pagos pelos sócios-torcedores do Benfica, apenas 25% são transferidos para o clube;

– O clube obteve como rendimento 2,6 milhões de euros líquidos;

– A receita com sócios-torcedores representa 3% das receitas recorrentes com futebol (não considera venda de direito de atletas).

– Pelas demonstrações contábeis do Flamengo em 2014, do montante arrecadado com STs (R$ 30,4 milhões), o clube fica com R$ 21,9 milhões, ou seja, 75% do total, repassando 25% para a operadora do programa. No Benfica a relação é inversa, 75% para a operadora, 25% para o clube;

– Com o seu programa em 2014, o Flamengo obteve R$ 21,9 milhões de reais líquidos, valor que, em 31/12/2014 correspondia a 6,8 milhões de euros, quase 3 vezes mais do que o obtido pelo Benfica;

– As receitas líquidas do Flamengo representaram 7,7% do total das receitas recorrentes com futebol em 2014, 10,7% se considerarmos as receitas brutas. Bem mais do que os 3% apurados pelo Benfica.”

 De onde concluiu:

“Pelo menos em lucros obtidos com o programa, o Benfica não tem muito a ensinar ao Flamengo.”

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Nem ao Flamengo, nem a muitos dos nossos gigantes – como Corinthians, Palmeiras, Internacional, Grêmio e Cruzeiro. Todos capitalizando com seus projetos em níveis inéditos, independente da diferença no preço médio ou nos benefícios oferecidos por um ou outro.

Por tudo isto – e apesar dos inúmeros pesares – é pertinente que tratemos nosso recorrente complexo de vira-latas. Há, por aqui, profissionais sérios, capacitados e iniciativas de marketing de sucesso. O desafio é difundi-las a todos os clubes, bem como torná-las sustentáveis. Fugindo das intempéries típicas do universo futebol, como o sucesso apenas nas boas fases.

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