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O Mapa das Curtidas do Facebook 2017: Nordeste

Termina aqui nossa série de análises relativa ao Mapa das Curtidas do Facebook  2017, grandiosa iniciativa do Globoesporte.com em parceria com a maior rede social do mundo. Após divulgarmos os números das regiões Sudeste, Sul, Centro Oeste e Norte, muitos já devem ter percebido que, embora não se trate de pesquisa de torcidas com rigor científico, o Mapa tende a refletir com enorme grau de fidelidade o perfil dos torcedores mais jovens, geralmente abaixo dos 35 anos de idade. Sendo assim, é hora de avaliarmos como andam as coisas pelo Nordeste.

REGIÃO NORDESTE

BAHIA

Houve uma reversão relativamente recente nos números da Bahia, apontando o Tricolor da Boa Terra como detentor da maior torcida do estado. A última Lance/Ibope, por exemplo, revelou esta suposta realidade. No entanto, esta mesma pesquisa foi criticadíssima (inclusive neste espaço) por projetar resultados das capitais para os interiores, a ponto de inacreditavelmente divulgarem o Atlético-PR como maior do que o Corinthians no Paraná. Sendo assim, enquanto não houver uma pesquisa mais confiável, tudo o que teremos é o Mapa das Curtidas. Só que o Mapa…

… mostra justamente o Bahia em primeiro! Não com a dianteira exposta pela Lance/Ibope: são 22,11% contra 19,73% de um Flamengo próximo, mas ainda assim no segundo posto. De todo modo, o Vitória com 8,52% – tão atrás do Corinthians e seus 13,52% – deixa claro que colocá-los à frente dos cariocas é um nonsense, mesmo que na terra dos orixás.

PERNAMBUCO

Polêmica na Bahia, polêmica em Pernambuco. Se quase ninguém em sã consciência questiona os 26,81% do Sport, líder mais-que-absoluto, o segundo lugar deste outro forasteiro – o Corinthians, com 13,68% – passa longe de ser o que dizem as pesquisas. Quem costuma digladiar com o Leão são os corais do Santa Cruz, no mapa apenas com 11,93%. Como dissemos no primeiro parágrafo, pode ser indicativo de que estas seriam as massas pernambucanas do futuro, não se sabe. Se for, preocupariam os 4,56% do Náutico, ocupante de uma mera sétima colocação. Outro detalhe interessante: fora Minas, Espírito Santo e Brasília, é em Pernambuco que o Atlético-MG atinge sua maior representação (1,62%).

CEARÁ

Equilíbrio, eis a palavra que resume as preferências cearenses no Facebook. Tanto na primeira quanto na segunda colocação, um voraz empate técnico envolve Flamengo e Ceará (17,96% a 17,47%), Fortaleza e Corinthians (14,68% a 14,49%). Se desconsiderarmos as duas forças locais, apenas oito agremiações atingem mais de 1% das preferências no Ceará, a menor quantidade deste levantamento.

RIO GRANDE DO NORTE

Ainda que tradicionais, os clubes potiguares não tem o mesmo histórico de Bahia, Sport ou Ceará. Assim, onde o futebol é mais fraco, o vácuo é ocupado pelo fenômeno de massas. É o que faz o Flamengo, do alto de seus 26,27%. ABC (14,1%) e América-RN (13,73%) até resistem, mas só conseguem desbancá-lo somando forças.

PARAÍBA

 

Aqui, os locais não tem vez: Flamengo (31,22%), Corinthians (11,63%), São Paulo (8,15%) e Vasco (7,76%) dominam o cenário paraibano. O melhor local vem de João Pessoa, o Botafogo-PB (5,1%), enquanto Campina Grande vê seus times diluírem preferências entre Campinense (4,27%) e Treze (1,68%). Não se sabe se pela “força da marca”, é na Paraíba que o Botafogo do Rio de Janeiro (2,15%) encontra seu ápice em terras nordestinas. Também na Paraíba está a maior influência dos pernambucanos fora de seus limites.

MARANHÃO

Em absolutamente nenhuma localidade, o Vasco tem mais curtidas do que o Corinthians no Nordeste. Onde isto mais chega perto de acontecer é no Maranhão, com os dois dígitos de cruzmaltinos sendo uma demonstração de força. Não suficientes, entretanto, para subjugarem corintianos (10,43%) e flamenguistas (37,26%). Ainda assim, bem mais do que os locais Sampaio Corrêa (6,76%) e Moto Club (1,64%).

PIAUÍ

Flamengo (35,99%), Corinthians (14,01%)… cansamos de saber. Bom mesmo é descobrir que, no Piauí, o São Paulo atinge seu maior percentual no Nordeste (13,27%). Outra interessante é que apenas lá o número de cruzeirenses supera o de atleticanos – o que não deixa de ser surpreendente.

ALAGOAS

 

Em meio a um festival de 16 clubes ultrapassando a marca unitária, a última fronteira com três forças locais no Nordeste é Alagoas. Mas CRB (8,91%), CSA (8,35%) e ASA (2,49%) não fazem frente a Flamengo (26,71%), Corinthians (12,38%) e São Paulo (9,64%).

SERGIPE

Se ignorarmos a presença da Chapecoense, temos os dois nordestinos menos badalados deste levantamento fazendo um “sanduíche de peixe”: Confiança (5,3%), Santos (3,04%) e Sergipe (2,72%). Justo no estado em que o clube da Baixada Santista atinge seu maior percentual. Por ali o Bahia também tem presença (2,65%), embora nem perto do Flamengo, como sempre na dianteira com 33,93%.

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O Mapa das Curtidas do Facebook 2017: Região Norte

Na terceira postagem da série que analisa o Mapa das Curtidas do Facebook, é a vez de nos debruçarmos sobre a região Norte. Mas aqui, com uma novidade: um comparativo entre os números auferidos na rede social e aqueles obtidos através de pesquisas científicas nos mesmos estados. Para melhor compreensão, sugerimos leitura do primeiro texto sobre o tema (com os números do Sudeste) e o segundo, contemplando as regiões Sul e Centro-Oeste.

REGIÃO NORTE

AMAZONAS

Somente o Espírito Santo faz frente ao Amazonas no que diz respeito à rivalidade Flamengo x Vasco. Mesmo com todas as distorções explicadas em colunas anteriores, o fato é que no coração da Amazônia, não tem pra ninguém: Flamengo (39,72%) e Vasco (16,62%) praticamente monopolizam atenções. Tudo bem que o Corinthians não vem fraco (9,33%), seguido do São Paulo (7,42%) e da Chapecoense (4,85%). Mas os outros cariocas, só nas longínquas oitava (Botafogo, 2,68%) e nona colocações (Fluminense, 1,95%).

PARÁ

Só perdendo para o Amazonas em área, pode-se classificar o Pará como o estado mais importante do Norte sob diversos aspectos. Trata-se da maior economia, da maior população (o dobro dos vizinhos amazonenses e 46% do total da região), sendo ainda o único estado possuidor de verdadeira tradição futebolística. Isto fez com que seus clubes, Remo (13,38%) e Paysandu (10,89%) se saíssem muito bem no levantamento das curtidas. Iriam melhor se o foco recaísse apenas sobre a capital, Belém. Mas abrangendo o estado em sua totalidade, eles não conseguiram fazer frente ao Flamengo (25,11%) e ao Corinthians (14,59%).

AMAPÁ E RORAIMA

Aglutinamos as análises de Amapá e Roraima por se tratarem das últimas fronteiras do mengovasquismo em solo setentrional. No Amapá, nada menos que 40,63% das curtidas são rubro-negras, ao passo que Roraima responde por 39,22%. Já o Vasco perde força na comparação com o Amazonas, atingindo, respectivamente, 12,78% e 12,25%. Os 11,86% de corintianos em Roraima – estado com a menor população do Brasil – sugerem um processo que veremos ganhar força a partir das próximas localidades.

ACRE E RONDÔNIA

A não ser pela perda de força do Vasco, o que se vê no Acre aparenta espelhar um pouco da normalidade, com um Flamengo absoluto e gigantesco (40,17%). Mas a tomada do segundo posto pelo Corinthians (12,67%) introduz uma tendência a ser verificada no estado de Rondônia.

Reparem que, no mapa do Brasil, Rondônia é um estado praticamente encravado em Mato Grosso. Isto faz com que seu perfil de torcidas reflita o do vizinho, com um Flamengo (31,49%) menor do que a média do entorno. Em direção oposta, Corinthians (19,09%), São Paulo (12,34%) e até mesmo Palmeiras (7,71%) tornam o Vasco (5,59%) uma mera e distante lembrança.

TOCANTINS

Tocantins também é vizinho de Mato Grosso, mas está rodeado pelos interiores do Pará, do Maranhão e da Bahia. Isto leva o Flamengo a novo crescimento (36,71%), seguido de Corinthians (14,2%), São Paulo (10,22%) e Vasco (7,61%).

COMPARAÇÃO REGIÃO NORTE: PESQUISAS vs MAPA DAS CURTIDAS

Devido ao distanciamento dos grandes centros e da baixa densidade demográfica, por muito tempo o Norte foi a região mais desabastecida do país em termos de pesquisas de diversas naturezas. Até que veio o Blog Teoria dos Jogos mudando a realidade e trazendo pesquisas científicas em todos estes estados, à exceção de Roraima. Posteriormente (ainda à época do Globoesporte.com), tivemos a ideia de tabular os resultados gerais da região. Já que a análise do Mapa das Curtidas também permite este expediente, por que não comparar os resultados científicos aos das redes sociais?

Primeiro, relembremos os números da região Norte, segundo pesquisa do Instituto GPP com 4.244 entrevistas entre agosto e setembro de 2013:

Atrás de um Flamengo monopolista (31,9%) vem o Vasco se agarrando por um fio à segunda colocação: 9,5% contra 8,6% do Corinthians. Depois, e completamente empatados, os paraenses Remo (7,2%) e Paysandu (6,9%) fazendo valer o peso de seu estado de origem.

E os números do Mapa das Curtidas, como seriam?

Antes, é preciso esclarecer que o somatório das curtidas da região – balizador dos percentuais de cada clube – não é perfeito, pois só contempla aqueles com mais de 1% das curtidas. Mas as diferenças resultantes são absolutamente residuais, não afetando o cômputo geral em mais do que alguns poucos décimos.

Dito isto, eis o perfil da região Norte segundo o Facebook:

Percebam que os percentuais de todas as torcidas são maiores no Mapa do que na pesquisa. A explicação recai sobre o fato de o universo amostral das pesquisas ser a população geral, enquanto o Mapa considera apenas o universo de torcedores. Tanto é que o mapeamento de 2013 aponta 21% de “Nenhum”, algo que naturalmente inexiste quando olhamos para o das curtidas. Caso excluíssemos o “Nenhum” da análise, haveria a inflação dos números atribuídos a todos os clubes, exatamente como o Mapa faz.

Pois bem, seguindo pelo Mapa, o Flamengo é líder na região Norte com cerca de 34% – níveis ainda assim semelhantes aos da pesquisa. Mas o Corinthians ultrapassa o Vasco numa reversão que não condiz com os estudos de campo. Mais: o crescimento do Vasco é muito pobre (9,84% no Mapa, 9,5% na pesquisa), o que presume que seus números nas redes sociais estariam subestimados. Remo e Paysandu vivem algo semelhante, quase idênticos no Mapa e na pesquisa. Tanto que são ultrapassados pelo São Paulo e quase pelo Palmeiras.

1ª conclusão: Existem clubes cujo tamanho da torcida está subestimado no levantamento do Facebook, enquanto outros surgem maiores do que de fato são. O melhor exemplo do primeiro caso aparenta ser o Vasco, enquanto todos os paulistas surgem em proporção virtual maior do que a real.

E se comparássemos não um agregado da região, mas um único estado específico? Também é possível. Seguem os números do estado do Amazonas, desta vez em pesquisa mais recente: 1.050 entrevistas entre os dias 20 e 22 de janeiro de 2017:

Comparem vocês mesmos:

Flamengo – 39% (Pesquisa), 39,72% (Mapa das Curtidas);

Vasco – 17,7% (Pesquisa), 16,62% (Mapa das Curtidas);

Corinthians – 4,4% (Pesquisa), 9,33% (Mapa das Curtidas);

São Paulo – 5,1% (Pesquisa), 7,42 (Mapa das Curtidas);

Palmeiras – 3,7% (Pesquisa), 4,13% (Mapa das Curtidas).

Não é impressionante?

2ª conclusão – Sem prejuízo do considerado no item anterior, alguns estados possuem um maior grau de fidelidade no Mapa das Curtidas do Facebook quando comparados às pesquisas de campo, sem que se saiba ao certo as explicações para tanto.

Amanhã, os resultados do Nordeste.

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O Mapa das Curtidas do Facebook 2017: Sul e Centro Oeste

Desde ontem, o Blog Teoria dos Jogos vem analisando o perfil de curtidas do Facebook numa parceria com o Globoesporte.com – o chamado “Mapa das Curtidas”. Para saberem mais a respeito das virtudes e limitações do Mapa, recomendamos a leitura do post em que brindamos nossa audiência com o perfil das torcidas nos estados do Sudeste. Hoje é dia de trazermos todas as especificidades ligadas aos estados do Sul e do Centro Oeste do Brasil.

REGIÃO SUL

RIO GRANDE DO SUL

Nenhum outro estado possui dicotomia tão clara e polarizada – nem mesmo Minas Gerais, ontem aqui exposta. Grêmio (37,71%) e Internacional (32,53%) totalizam 70,24% das curtidas em solo gaúcho, e se considerarmos os 6,21% da vizinha Chapecoense (seu segundo maior percentual), os 2,41% do Brasil de Pelotas e o 1,81% do Juventude, percebemos que os times do Sul angariam mais de 80% deste concorrido filão virtual. O maior forasteiro é o Corinthians, quarto colocado com 2,68%, seguido do Flamengo (sexto, 2,03%) e dos paulistas remanescentes.

No país, são quatro os estados a possuírem apenas dez times com mais de 1% das curtidas: Piauí, Ceará, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Dada a presença de alguns locais, percebe-se que resta bem pouco espaço para equipes tradicionais do futebol brasileiro, como Botafogo, Fluminense, Cruzeiro e Atlético-MG.

SANTA CATARINA

A Bela e Santa Catarina é demais: único estado brasileiro com cinco torcidas importantes e equiparadas em suas respectivas microrregiões. Ao mesmo tempo em que cariocas, paulistas e gaúchos dominam regiões específicas do estado. Esta maçaroca, sempre identificada em pesquisas de opinião, foi replicada quase que em sua totalidade no Facebook. Incluindo aquele que, para surpresa de alguns, detém a maioria do estado: o Flamengo, com 14,14%.

Em segundo lugar, o fenômeno. Historicamente, o Rubro Negro carioca brigou contra o Grêmio pela condição de maior de Santa Catarina. Avaí, Figueirense, Joinville, Criciúma e Chapecoense dominavam regiões relativamente pequenas para fazerem frente aos dois. Mas aí veio a tragédia, a solidariedade e a empatia. E o Verdão do Oeste catapultado à condição de segundo time com mais curtidas (12,57%). Eis aí uma das falhas da Matrix: é improvável que isto represente o tamanho da Chapecoense de fato, mesmo em seu berço. Curtir é grátis, já diria o poeta. E paixões clubísticas definitivamente não mudam de uma hora para outra.

Assim, os catarinenses aparecem na sexta (Figueirense, 5,95%), oitava (Joinville, 5,12%), décima (Avaí, 4,37%), e décima segunda posições (Criciúma, 3,79%). Todos atrás de Corinthians e Internacional, com 9,72% e 7,57% dos “votos”.

PARANÁ

 

É pesquisa ou não é? Se não é, parece muito, porque é justamente este o perfil das massas no Paraná, dominado por um poderosíssimo forasteiro. Trata-se do Corinthians, que arrebata 21,84% das curtidas, quase o dobro do Atlético-PR (12,6%). A Pauliceia segue ditando regras com o São Paulo (10,22%) e o Palmeiras (8,61%), até o surgimento de uma reversão na comparação com os estudos de campo: o Flamengo, quinto colocado (7,72%) vem à frente do Coritiba (6,84%). Em seguida, quase que numa escadinha, Santos, Chapecoense, Grêmio e Internacional. O Paraná tem módicos 2,62%.

REGIÃO CENTRO OESTE

DISTRITO FEDERAL

A configuração de Brasília vem imbuída de um didatismo muito importante. Ele permite compreendermos o porquê de, apesar de tantos acertos, um mapeamento com base em rede social não necessariamente contemplar a verdade das ruas. Não pelo Flamengo, maioral, absoluto e inquestionável (36,83%). Mas pelo Corinthians, na segunda colocação (10,47%) – à frente de Vasco (9,44%) e São Paulo (9,02%). Não é o que dizem as pesquisas de torcida. Para tanto recomendamos leitura daquela elaborada pelo Instituto GPP em 2014, aqui publicada de maneira exclusiva.

Mas percebam: é questão de dois pontinhos aqui, três pontinhos ali. E basicamente no que tange ao Vasco (menor no Mapa do que nas pesquisas), ao São Paulo e ao Corinthians (maiores no Mapa). O percentual do Flamengo em ambas é basicamente o mesmo. E o do Botafogo. E o do Palmeiras. E o do Fluminense…

GOIÁS

Tem pra todo mundo: nada menos que 15 agremiações marcam mais que 1% em Goiás. Numa região futebolisticamente tão importante quanto desprestigiada pelas pesquisas, conhecer o perfil do Mapa das Curtidas é ouro. Mas por lá, se o horizonte é verdejante, a primazia é rubro-negra. E não estamos falando do Dragão…

O Flamengo possui a maior torcida goiana, com 26,03%, seguido por Corinthians (17,22%) e São Paulo (11,01%). Só então vem o Goiás, com apenas 9,36% das preferências. O Vasco, com 4,78%, alcança menos do que presume o senso comum no estado. O Vila Nova marca 3,23% e o Atlético-GO, 1,95% – suficiente apenas para mantê-lo no top-10 da região.

MATO GROSSO

É interessante que uma das influências que incidem sobre o celeiro agroindustrial brasileiro seja a ascendência paulista. Trata-se de um fenômeno verificado tanto nos “Mato Grossos” quanto, por incrível que pareça, em Rondônia – conforme veremos nos próximos dias. Pois bem: ao chegarmos ao Mato Grosso, aquele nado de braçada do Flamengo no Centro Oeste começa a cessar. Não que os cariocas não mantenham a dianteira: o Mengão permanece enorme, com seus 23,60%. Mas é que os outros começam a se aproximar perigosamente, antecipando uma ultrapassagem que se avizinha logo ali, na próxima esquina.

Sendo assim, o Corinthians encosta de vez, atingindo 21,65% das curtidas. São Paulo (14,08%) e Palmeiras (7,85%) vem a reboque. Lucas do Rio Verde se vê representada com 2,43% dos likes para a sua Luverdense. Mas a grande surpresa é outra que repousa sob a égide da agroindústria: os inúmeros bolsões gaúchos que colonizaram a região central. Elas fazem com que Grêmio (3,45%) e Internacional (2,39%) deem um salto um tanto raro para seus padrões. Tanto que, fora dos três estados do Sul, Mato Grosso é onde a dupla Grenal se sai melhor.

MATO GROSSO DO SUL

Deu seta e passou. Também, pudera: o único estado fronteiriço não influenciado por São Paulo é o Rio de Janeiro (na real, a influência é oposta). Todos os outros sucumbem à força e aos costumes da cultura paulista. E o futebol não poderia ficar de fora. Que o diga o Corinthians, líder absoluto em curtidas em Mato Grosso do Sul (29,24%). Ainda que faça força, o Flamengo (15,41%) também é sobrepujado pelo São Paulo (16,42%), com Palmeiras (11,47%) e Santos (7,14%) à espreita.

Nos próximos dias, Norte e Nordeste.

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O mapa das curtidas do Facebook 2017: Sudeste

No final do ano passado, o Globoesporte.com atualizou um dos trabalhos mais impressionantes que já elaborou: o Mapa das Curtidas do Facebook. Numa parceria com a rede social de Mark Zuckerberg, o portal mapeara, em idos de 2015, o percentual de curtidas dos clubes em 5.570 municípios do país. Em dezembro de 2017, o ranking foi atualizado. Antes em férias, o Blog Teoria dos Jogos vem agora analisar o novo perfil delineado pelo mapa, com uma novidade: análises em cada uma das 27 unidades da federação.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O MAPA DAS CURTIDAS

Antes, são imprescindíveis algumas colocações a respeito do Mapa de Curtidas. Para tanto, caberia uma leitura do post aqui publicado a respeito do primeiro Mapa de 2015. Em termos etários, ainda que o Facebook seja uma rede quase censitária entre jovens e adultos, isto não se aplica às camadas de mais idade, reduzindo seu viés científico. O mesmo ocorre nas questões de renda relacionadas à amostra. Por mais que pareça que “todos tenham Facebook”, a verdade é que o Brasil é um país com importantes desigualdades sociais e, por conseguinte, exclusão digital. Tanto as populações mais pobres quanto as residentes em áreas mais remotas possuem bem menos acesso a um perfil na rede. Sendo assim, o Mapa não constitui pesquisa de torcidas, mas apenas um espelho com ótimo grau de capilaridade da realidade do país.

Um bom exemplo reside nas duas maiores torcidas do país, Flamengo e Corinthians. Todos os estudos apontam o Rubro-Negro com cerca de 3 pontos percentuais a mais de torcedores (17% a 14% ou 16% a 13%), o que daria um gap mínimo de 6 milhões de torcedores entre ambos. Não é o que se verifica no Face, onde o Fla possui 11.561.394 curtidas contra 11.445.814 do alvinegro (às 16:18 hs de 24/01/2018), praticamente o mesmo número. Isto inequivocamente se reflete no mapeamento, inflando-o e fazendo da torcida paulista maior no Mapa do que na “vida real”.

Outras distorções são ainda mais problemáticas. Primeiro porque qualquer clube pode comprar curtidas – trata-se de um produto que o Facebook oferece a quem possua uma página por lá. Segundo porque qualquer pessoa pode curtir mais de uma página. E terceiro porque movimentos motivados por comoção potencializam números artificialmente. Foi o caso da página da Chapecoense, que após o acidente subiu de uma quantidade irrisória para mais de quatro milhões de curtidas – apenas atrás de Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras. Situação irreal mas inevitável, uma vez que ninguém pode impedir as pessoas de quererem informações sobre o clube após a tragédia vivida. Só que o boost da Chape se fez refletir nos demais: num jogo de soma zero, o crescimento de um vem necessariamente acompanhado da redução de todos os outros.

ANÁLISES POR REGIÃO – SUDESTE

Os números a seguir foram extraídos de uma nova ferramenta que torna possível verificar o perfil dos clubes individualmente, suas cidades e microrregiões mais curtidas e seu número de joinhas por estado.

Deste modo, coletando as informações de todos os estados e todos os clubes presentes no levantamento (dá trabalho…), encontramos uma configuração que na maioria das vezes se aproxima da realidade, seja no tocante aos percentuais, seja no ordenamento entre as agremiações. Sempre levando em conta o abordado nos parágrafos acima: distorções que fazem alguns parecerem maiores do que de fato são.

RIO DE JANEIRO

Os percentuais dos quatro grandes do Rio são muito semelhantes ao que demonstram as pesquisas: um Flamengo gigantesco (42,21%) e, sozinho, 130% maior do que seus três rivais somados. O Corinthians apresenta 4,08% do total no estado, pouco mais que o dobro do que costuma apresentar nas pesquisas de opinião. Com a Chape é pior: 3,92% onde na prática sua torcida inexiste. Isto comprova a solidariedade no entorno da causa, enquanto enviesa e impacta sobre os números dos demais. De resto, o Santos (8º colocado) à frente do Palmeiras e o Atlético (10º) superando o arquirrival celeste. O único clube do interior presente no levantamento é o Volta Redonda, com 0,3% das curtidas fluminenses.

SÃO PAULO

Novamente, muita fidelidade nas informações, com Corinthians (36,37%), São Paulo (21,29%), Palmeiras (12,54%) e Santos (7,59%) em percentuais muito próximos do que demonstram os estudos científicos. A comoção fez a Chapecoense superar o Flamengo (4,2% a 4,16%), ainda que o Rubro-Negro também esteja acima do que apontam as pesquisas. O Cruzeiro supera Vasco, Atlético-MG e Grêmio. Do interior, apenas a Ponte Preta atinge 1% das preferências, enquanto o Guarani marca insignificantes 0,19%. Botafogo-SP, Portuguesa, São Bento, Bragantino, Mogi Mirim e Oeste também não se aproximam da marca unitária.

MINAS GERAIS

Se o Facebook é azul, Minas Gerais também é. Neste caso, 31,07% dos curtidores no estado são cruzeirenses, contra 21,51% do Atlético. Dominantes em regiões como a Zona da Mata, o Sul e o Triângulo Mineiro, Flamengo (11,02%) e Corinthians (9,1%) lutam palmo a palmo pela condição de terceiro maior. O São Paulo é quinto, Palmeiras sétimo e o Vasco, oitavo, com Santos, Botafogo e Fluminense em seguida. O América-MG por pouco não atinge 1% das preferências – ficou em 0,93%.Diferente de outros mineiros como Boa Esporte, Tombense e Tupi, todos abaixo dos 0,24%.

ESPIRITO SANTO

Verdadeira extensão do Rio de Janeiro, mas só até a página dois. Flamengo e Vasco, de fato, surgem enormes: o rubro-negro praticamente iguala seu percentual do Rio (42,06%) enquanto o cruzmaltino o supera (16,7%), fazendo do estado capixaba seu maior reduto nas redes sociais. Mas aí vem o Corinthians (5,71%) para superar Fluminense (4,9%) e Botafogo (4,69%), subvertendo a lógica. Após a Chapecoense, temos o Cruzeiro (3,9%) mostrando que realmente os mineiros tem alguma influência no estado (o Galo é nono, com 2,69%). Assim como Mato Grosso do Sul e os estados do Norte (exceção do Pará), o Espírito Santo é um dos  poucos estados que não possuem clubes próprios representados no Mapa.

Nos próximos dias, as análises relativas às regiões Sul, Centro Oeste, Norte e Nordeste.

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As maiores audiências agregadas de 2017

Desde que a Kantar Ibope Media começou divulgar as audiências semanais da TV brasileira, muito se foi possível auferir a respeito do impacto do futebol sobre o interesse do público. Isto porque, ao contrário da mera divulgação das audiências em mercados de referência (São Paulo e Rio de Janeiro), os números contemplam nada menos que as 15 maiores regiões metropolitanas do país. Assim, passou-se a compreender a exata reação de euforia ou indiferença dispensada por mercados tão díspares quanto Belém, Campinas, Vitória ou Goiânia*, seja em partidas envolvendo times locais ou equipes nacionais de maior torcida.

*O monitoramento contempla ainda Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Manaus e Brasília.

Diante disto, em mais um esforço de análise e compilação, o Blog Teoria dos Jogos elencou o top-10 das partidas de maior audiência televisiva agregada ao longo do ano de 2017. Para tanto, é importante compreender o grau de difusão no perfil das audiências em cada uma destas localidades. Conforme explicitamos anteriormente, partidas envolvendo o Flamengo, por exemplo, explodem de audiência no Rio, Manaus, Brasília ou Vitória. Em mercados como o Nordeste, apenas jogos mais importantes se destacam, enquanto praças como Goiânia ou Curitiba tratam o Rubro-Negro com certo desprezo.

Em maior ou menor grau, o processo descrito acima se aplica a todos. Clubes paulistas, gaúchos e mineiros não raro ultrapassam 40 pontos de audiência em suas praças de origem, como, na partida entre Corinthians e Palmeiras veiculada em São Paulo domingo passado. Mesmo jogo que, em Porto Alegre, não ultrapassou 19,4, enquanto Salvador lhe ofereceu irrisórios 15 pontos. Por razões como esta, eventos de maior audiência quase não ultrapassam os 30 pontos no agregado, e ainda assim são considerados um colosso pelo mercado publicitário.

Vamos, portanto, ao ranking:

OBS: audiências relativas à TV aberta na transmissão da TV Globo.

A maior audiência do futebol brasileiro este ano responde pela segunda e decisiva partida da final da Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Flamengo. Na ocasião, a decisão nos pênaltis com vitória celeste fez com que as quinze praças que alinharam em rede marcassem explosivos 32,1 pontos em média. A final da Copa surge também como uma das que constam no ranking com suas partidas de ida e volta – já que o primeiro embate do Maracanã ocupa a sétima colocação (27,6 pontos médios).

Além deste confronto, um outro envolvendo a maior torcida do país se encontra em posição de destque. Na fase anterior do mesmo torneio, o Flamengo eliminou o arquirrival Botafogo, atingindo 27,7 pontos no jogo de ida (6º lugar no ranking) e 30,7 pontos na volta (2º).

Uma verdade quase absoluta diz respeito à primazia de audiências em jogos de meio de semana. A exceção se deu no já citado Corinthians x Palmeiras do último fim de semana: seus 29 pontos representam um verdadeiro absurdo em se tratando de um domingo. Mesmo assim, o derby ocupou a 4ª posição, não superando os 29,9 pontos do próprio derby no primeiro turno – aquele sim jogado numa quarta. Ambos os clássicos, contudo, tiveram jogos envolvendo times cariocas em concomitância.

Por fim, destaque para os 27,9 pontos de Grêmio x Botafogo, pela Libertadores, partida majoritária numa noite em que o Corinthians também atuava. Fluminense x São Paulo (27,4 pontos, 12 praças) também foi muito bem, adentrando num ranking tradicionalmente dominado pelos “queridinhos” de sempre.

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Santos x Flamengo: a experiência-piloto do #futebolnocinema

A experiência, em si, não chega a ser novidade. Desde 2014, eventos como a Copa do Mundo e as finais do Super Bowl ou da Champions League vem sendo transmitidos em salas de cinema, com razoável índice de sucesso. A grande novidade ocorrida na noite de ontem, durante o embate entre Santos e Flamengo, foi trazer a rivalidade clubística nacional para dentro das salinhas escuras. Uma iniciativa promissora, ousada e até, por que não dizer, polêmica.

Em um país com dimensões continentais como o Brasil, nada é mais comum do que torcidas espalhadas pelo território nacional. No entanto, salvo situações de exceção, partidas de futebol só acontecem numa praça: a cidade-sede do mandante. Sendo assim, uma horda de torcedores presentes em outras cidades se vê alijada da possibilidade de acompanhar in loco seu clube do coração, restando a eles o embate pela TV.

Através desta mídia, as opções costumavam se reduzir a duas: assistir aos jogos em casa ou em bares. Como nem todos gostam de bares, e alguns podem considerar a experiência domiciliar um tanto insípida, os cinemas surgiriam na tentativa de ocupar um vácuo. Trata-se de um ambiente afeito a famílias e que apresenta o auge do conforto, muitas vezes não igualado pelos camarotes mais nobres das novas arenas de futebol.

Assim, pode-se dizer que a empreitada levada a cabo pela Flix Media, em parceria com o Clube de Regatas do Flamengo, foi muito bem sucedida. Distribuída por 14 salas em 11 cidades brasileiras – nem todas de maioria rubro-negra, diga-se – a transmissão focou nos flamenguistas desde o tom dos narradores (retornaremos a isto) até o fato de apenas associados ao projeto Nação Rubro Negra poderem pagar meia.

Ao preço de R$ 90 no Rio e em São Paulo, R$ 80 nas demais cidades, o valor se apresentou como o maior entrave, passível de críticas nas redes sociais. Ainda assim, informações preliminares apontam para uma venda de aproximadamente 1.300 ingressos, mediante oferta total de 2.000 assentos. Parece pouco, mas é mais que o dobro da taxa de ocupação média das salas da rede Cinemark, veiculadora do evento. Inúmeras postagens com a hashtag #futebolnocinema no Twitter indicavam torcedores satisfeitos e fazendo grande festa. Ao menos até a bola rolar.

Botafogo Praia Shopping, por @acioli_rafaella

Aracaju, por @tarcia_araujo

Durante a partida, uma equipe de transmissão 100% focada no Flamengo (e um tanto superficial em suas considerações) destoou da cartilha do bom jornalismo. Funcionaria melhor se, naturalmente, todas as salas estivessem 100% preenchidas por flamenguistas. O problema é que faltou combinar com os santistas – ao menos na cidade de São Paulo. Justamente na sala do shopping Eldorado, aonde compareceu o Blog Teoria dos Jogos, um princípio de confusão se estabeleceu entre um grupo de torcedores rivais. Nesta sala, adeptos do Peixe responderam por aproximadamente 30% do contingente total.

Problemática no Shopping Eldorado – SP

Por sorte, este aparentou ser um episódio isolado, sem eco nas demais 13 salas exibidoras de um confronto que quase terminou em anticlímax, dada a vitória santista por 4 x 2 (classificou-se o Mengão). De mais positivo, a gigantesca tela em alta definição, o som de qualidade e mesmo a baixa dispersão, ao menos na comparação com o que se vive na informalidade de um boteco. É definitivamente uma experiência que se recomenda a todos, algum dia. Como aprendizado, além de um ajuste fino no tom da transmissão, a questão da junção de diferentes adeptos numa mesma sala, pois as preferências difusas em algumas capitais podem ser motivo para o afloramento de ânimos em confrontos envolvendo times de maior torcida.

O Blog Teoria dos Jogos agradece a Ivan Martinho, da Flix Media, pelo convite.

Um grande abraço e saudações!

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A Pesquisa da Vez – Manaus 2017

Detalhamento da pesquisa;

Localidade: Manaus/AM, entre 20 e 22 de janeiro de 2017

Instituto: Pesquisa 365

Amostra:  1.050 entrevistados

Margem de erro: 3 p.p

Está aberta a temporada 2017 de pesquisas de torcida! E a primeira do ano se deu numa localidade tão importante quanto, até bem pouco, negligenciada: Manaus, capital do Amazonas. Após anos sem pesquisas na região norte, o produtivo ano de 2012 trouxe luz a duas pesquisas elaboradas em terras manauaras e divulgadas pelo Blog Teoria dos Jogos. Desde então, nada mais foi dito. Até que o Instituto Pesquisa 365 se juntou ao “clube” frequentado por IPEN e ao GPP – elaboradores das pesquisas cinco anos atrás – e nos trouxe números aparentemente confiáveis, com grande semelhança aos verificados anteriormente. Vamos a eles:

Conforme amplamente sabido, o Flamengo detém a maior torcida de Manaus por larga margem: 39% da população. Mas o Vasco possui uma massa também representativa, atingindo 17,7% do total. A partir de então, torcidas paulistas ditam o jogo em detrimento dos demais cariocas. O São Paulo aparece com 5,1%, seguido do Corinthians (4,4%) e do Palmeiras (3,7%). Só então aparecem Botafogo (2,1%) e Fluminense (1,6%). O Santos fecha o top-8 com 1% das preferências. Números incrivelmente parecidos com os do estudo GPP/2012.

Quanto às tabulações específicas:

Clique para ampliar

Todas as agremiações crescem em seu universo masculino, onde apenas 9% não possuem time de futebol (contra 31% das mulheres). Diante dos 43% de homens flamenguistas, 20% de vascaínos e 7% são paulinos, há apenas uma reversão de ordenamento: mais palmeirenses (6%) do que corintianos (5%) no coração da Amazônia – talvez por influência do recente título brasileiro conquistado.

Olhando para as faixas etárias, extraem-se análises interessantes. Em termos absolutos, é a torcida do Flamengo a que mais cresce entre jovens: sobe de 34% entre aqueles com mais de 45 anos para 47% em meio aos jovens de 16 a 24 anos – ascensão de 13 pontos percentuais. Mas relativamente, os times que mais crescem são São Paulo e Corinthians, que saem de 1% e 2% para, respectivamente, 5% e 6%. Mais incrível é verificar o boom são paulino na faixa de 25 a 34 anos, quando atingiram robustos 9% – processo em menor escala também verificado com o Palmeiras. Subida que não se mostrou sustentável, dada a redução na base de ambos entre os mais jovens. O Vasco aparenta estabilidade, estacionado entre 17% e 18% em todas as faixas. Botafogo e Fluminense praticamente desaparecem entre jovens (1% cada), mesmo com o alvinegro detendo a terceira maior torcida daqueles acima de 45 anos (5%). Nesta faixa, o Flu possuía 4%, significando que, no passado, de fato as quatro maiores torcidas pertenciam aos quatro grandes do Rio.

Por escolaridade, a torcida do Flamengo diminui à medida com que avançam os anos de estudo: sai de 41% daqueles com ensino fundamental para 36% dos que concluíram o ensino superior. Processo oposto acontece com o Vasco, que cresce de 15% para 22% e equilibra a balança em ambientes universitários. Mas São Paulo e Corinthians também sobem, com ambos saindo de 3% para 7% nesta comparação.

Infelizmente, além de não contemplar recortes superiores nas faixas etárias (que vão apenas até os 45 anos), a pesquisa pisa na bola ao não contemplar a imprescindível análise sob a ótica da renda, substituída por uma descartável análise das torcidas segundo suas religiões.

Um grande abraço e saudações!

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A Pesquisa da Vez: Campinas 2016 – Tira teima EXCLUSIVO

Detalhamento da pesquisa;

Localidade: Campinas/SP, em 20 de setembro de 2016

Instituto: GPP (www.gpp.com.br)

Amostra:  601 entrevistados

Margem de erro: 4 p.p

Nós avisamos que costumava dar problema. Em coluna postada no dia 29/09/2016, trouxemos as tabulações exclusivas de uma pesquisa do Instituto Pró Pesquisa contendo a configuração de torcidas da cidade de Campinas. No texto, advertíamos para o fato de profissionais da área evitarem a cidade, dadas as enormes polêmicas que por lá se alavancavam. Foi exatamente o que aconteceu. A ponto de a diretoria do Guarani, indignada com a enorme disparidade com relação à Ponte Preta, se insurgir contra a pesquisa e sua contratante – a Brasil Kirin, patrocinadora da rival. A polêmica chegou ao ponto de incitarem a torcida a não consumir produtos da empresa, detentora da marca Schincariol no Brasil. As coisas em Campinas não são fáceis.

fig-01

A razão da controvérsia foram os números que atribuíram ao Bugre apenas 3,4% da torcida na cidade. Menos do que Santos (4,2%), Palmeiras (7,9%), São Paulo (9,7%), Corinthians (21,7%)… e o pior, menos do que a Macaca e seus 19,8%. Eis o drama: uma Campinas com quase seis vezes mais torcida da Ponte diante do Guarani.

Como dizia o poeta – e exacerbando sua conotação automobilística – carreras son carreras. Um sem número de razões pode justificar os números de uma pesquisa, desde elementos metodológicos e amostrais, até a margem de erro ou outros fatores. Fato é que, diante do ocorrido, o Blog Teoria dos Jogos solicitou ao seu principal parceiro histórico – o Instituto GPP, com escritório em Campinas – um tira-teima das torcidas na cidade. Fomos atendidos. E anunciamos os tão aguardados resultados:

fig-02

Por ora, ignoremos os resultados globais, pois fica difícil não direcionar o foco à dicotomia Ponte-Guarani. Diferente dos números a pesquisa anterior, o GPP aponta uma Ponte Preta menos de duas vezes maior do que o Guarani: 12,1% para a Macaca, 6,3% para o Bugre. Números que, ainda assim, deixam evidente a preponderância do clube em décadas recentes. Ao mesmo tempo, o Guarani teria números nada desprezíveis na comparação com as demais torcidas da cidade. De fato, pela ótica do GPP, elem seriam seria a quarta maior torcida, à frente de Flamengo (3,1%), Palmeiras (5,6%) e Santos (6,1%). Ainda assim, atrás do São Paulo (11,6%) e do Corinthians (20,7%).

Além de sacramentar a hegemonia do alvinegro do Parque São Jorge, os números trariam apenas uma reversão significativa: o Santos à frente do Palmeiras. Nunca devemos, no entanto, esquecer da margem de erro que coloca os rivais em situação de empate técnico. Fora isto, podemos destacar: 1) a semelhança dos números da Pró Pesquisa na comparação com o GPP para todos os times que não Ponte e Guarani – com variações sempre inferiores a dois pontos percentuais; 2) a razoável posição ocupada pelo Flamengo na pesquisa GPP, em percentual atribuído pela Pró Pesquisa ao próprio Guarani.

Feitas estas análises, vamos aos resultados por gênero, faixa etária, escolaridade e renda:

fig-03

Observando a distribuição por sexo, vemos que apenas São Paulo e Flamengo possuem mais mulheres do que homens em seus quadros. Dentro do universo masculino, o Corinthians amplia a vantagem perante a Ponte, indo a 24,3% contra 15,4% da Macaca. Ainda em meio a eles, o Tricolor do Morumbi atinge 10,2% e o Santos surpreende ao ultrapassar o Guarani (8,8% a 8,6%).

Por idade:

fig-04

Aqui, não restam dúvidas: a juventude campineira é corintiana e são paulina. Dentre aqueles de 16 a 24 anos, a dupla marca expressivos (e respectivos) 30,2% e 18%. Tanto Ponte quanto Guarani atingem seu auge na faixa de 35 a 44 anos (17,6% e 9,1%). Daí até os mais jovens, o enfraquecimento é flagrante – especificamente para o Guarani (3,5%), superado pelo Santos (4,8%) e até pelo Flamengo (3,8%). Ao lado do Bugre e do Peixe, o Palmeiras perde força à medida com as torcidas se renovam.

Por instrução:

fig-05

O maior crescimento entre torcedores com nível superior pertence ao Guarani. O Bugre, que nos números globais marca 6,3%, sobe a 12,1% entre os mais escolarizados. As únicas massas a também crescerem neste recorte são as de Ponte (14,7%) e São Paulo (12,3%).

Por poder aquisitivo:

fig-06

Aqui, um fenômeno semelhante ao da análise anterior: crescimento de Ponte e Guarani entre os mais ricos. De 9,1% entre aqueles que recebem menos e um salário-mínimo, a Ponte salta para 21,2% entre os que percebem mais de cinco salários. Constitui-se, assim, como torcida de maior capacidade financeira em Campinas. O Guarani vai de 2,3% a 7,2%. Em direção oposta, Corinthians (26,7%) e São Paulo (14,7%) tem amplo predomínio em meio aos mais pobres.

Um grande abraço e saudações!

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Pesquisas antigas e a importância de se fazer as perguntas corretas

Tudo começou com o jornalista Cássio Zírpoli, autor de um blog no Diário de Pernambuco cuja pegada é parecida à do Blog Teoria dos Jogos no que se refere às pesquisas de torcida. O enfoque: pesquisas realizadas pelo Ibope em Pernambuco e em regiões metropolitanas, entre os anos de 1969 e 1971. A descoberta do material é atribuída ao colaborador do Blog Teoria dos Jogos e pesquisador Clayton Silvestre – que já nos havia o disponibilizado há alguns anos. À época e por questões de pauta, não a publicamos, mas agora a repercussão veio com força pelo fato de o Redação Sportv tê-la explorado em sua edição desta manhã. E pelos resultados da pesquisa terem supostamente colocado o Santos na condição de maior torcida do Brasil no passado.

Você está certo disto?

Pra início de conversa, é importante contextualizar o que representava o Santos Futebol Clube em 1969. Supercampeão em tempos de grandes esquadrões, o Peixe era de longe o maior clube do Brasil. Tudo graças aos inúmeros títulos enfileirados por aquele time dos sonhos capitaneado por Pelé, que incluíam duas Copas Libertadores, dois Mundiais Interclubes, seis títulos nacionais, quatro Rio-São Paulo e uma sequência infindável de títulos paulistas. Os muitos anos de preponderância tornavam natural a relevância, inclusive em termos de tamanho de torcida. Por muito tempo o Santos foi, sim, o queridinho no coração de muitos brasileiros.

Daí a ter detido a maior torcida do país, vai uma distância. Fruto de distorções bastante comuns em se tratando de vieses em pesquisas do gênero. A questão aqui é: numa pesquisa de opinião, quando não se fazem as perguntas corretas, os resultados saem inequivocamente defeituosos. Vejamos se não:

fig-01

O grande pecado da pesquisa de 1969 foi não ter perguntado: “qual é o seu time?”, como convencionalmente se faz. Ao perguntar “no seu entender, qual o clube de futebol mais querido em todo o Brasil?” o que o Ibope fez foi, indiretamente, arguir: “Para qual time você acha que as outras pessoas torcem”? E aí, os números saíram totalmente desalinhados da realidade. Alinharam-se com o que se verificava no país em termos de conquistas e idolatria.

Tanto é que a ordem das coisas se restabeleceu quando a pergunta passou a ser “no seu entender, qual o clube de futebol mais querido do seu estado?”. Aí sim as pessoas deixaram de responder pelos outros, passando a expor sua verdadeira preferência particular. Com isto, o Santos retornou a um padrão intermediário, ainda que muito superior ao que se verifica hoje:

fig-02

Em tempos atuais, soa impensável o Peixe deter a segunda maior torcida do estado de São Paulo – atrás apenas do Corinthians. Tão impensável quanto imaginar que, mesmo com apenas 21% de seu estado de origem, pudesse fazer frente ao Corinthians e seus 50% no mesmo estado. Que dirá ao Flamengo, desde sempre hegemônico no Rio e em tantas outras regiões não contempladas porque a pergunta se restringia aos times do próprio estado.

A conclusão a que chegamos é que perguntas mal formuladas levarão a resultados descolados da realidade.

Sendo assim, como analisar em retrospecto a questão das maiores torcidas do passado? Isto, logicamente, o Blog Teoria dos Jogos já fez, em postagem datada de 26 de agosto de 2014. E lá, concluímos ser possível fazê-lo ao: 1) analisarmos as tabulações por faixas etárias de pesquisas atuais; 2) Nos basearmos em pesquisas antigas (desde que fizessem as perguntas corretas); 3) Verificarmos o que diziam publicações de época. Este último elemento, de fato, aponta para um Santos mais preponderante. Algo que não resiste à análise dos dois primeiros elementos, desde muito apontados para a supremacia de Flamengo e Corinthians em termos nacionais.

Um grande abraço e saudações!

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Tudo sobre audiências – parte 4: as maiores audiências RJ e SP 2016

Há alguns meses o Blog Teoria dos Jogos iniciou uma série de análises relacionadas às audiências televisivas do futebol brasileiro, assim dividida:

Parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Parte 2: Os campeões de audiência 2015

Parte 3: As audiências da Band

Parte 4: As maiores audiências RJ e SP 2016

Parte 5: Audiências em queda: verdade ou mentira?

Após um breve intervalo, que incluiu uma pausa para os Jogos Olímpicos – período profissionalmente muito atribulado – decidimos retomar às análises desde seu tópico 4, dada a saída da TV Bandeirantes das transmissões futebolísticas em torneios nacionais. Devidamente incentivado e “provocado”, importante dizer, pelo amigo Fábio Sormani, da Fox Sports, a quem estas tabelas são dedicadas.

As audiências do futebol em 2016 dividem-se entre as praças do Rio de Janeiro e de São Paulo – únicas divulgadas pela TV Globo semanalmente. Dividem-se ainda entre os principais torneios do ano: Campeonatos Estaduais, Copas (Libertadores, do Brasil e Sul Americana) e Brasileirão. Por fim, os números são separados por dia da semana e pela natureza dos jogos (clássicos ou não), dada a primazia de audiências verificadas às quartas feiras ou em confrontos entre times grandes.

Lembrando que: 1) Cada ponto de audiência equivale a 69 mil domicílios em São Paulo e 43 mil no Rio, enquanto o share significa o percentual de televisores ligados naquele canal; 2) Todos os números se referem apenas à audiência em TV aberta da Globo, menos para os Estaduais, que representam a soma Globo + Band, pois neles ainda havia o compartilhamento dos direitos televisivos; 3) As estatísticas contidas nesta coluna não contemplam a rodada do último fim de semana (24 e 25/9) no Brasileirão.

CAMPEONATOS ESTADUAIS

Pode-se dizer que os campeonatos estaduais são aqueles em que as audiências mais estão expostas a “causas perturbadoras” a lhes enviesarem. Isto porque se tratam de torneios de tiro curto com alto índice de clássicos transmitidos. Assim, clubes com menos torcida tendem a aparecer em poucos jogos, primariamente em clássicos – onde as audiências são naturalmente mais altas. Assim, muitas estatísticas acabam por se insuflar de maneira irreal. Outro benefício que precisa ser relativizado acomete àqueles que chegam à final do campeonato, geralmente um oásis de bons números em meio a um marasmo de audiências regulares.

Dito isto, vamos às análises:

RIO DE JANEIRO

fig-01
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Embora o clube mais televisionado durante o Campeonato Carioca tenha sido o Vasco (nove jogos), foram os sete do Flamengo que apresentaram os melhores números do torneio. Na média final, o Rubro Negro teve um audiência de 27,1 pontos com 49%, contra 25,1 (48%) dos cruzmaltinos, 24,2 (47%) do Botafogo e 22,2 (42%) do Fluminense. Percebam a discrepância entre Flu e Bota pelo fato do alvinegro ter ido à final, catapultando seus números. No campeonato como um todo, ambos tiveram cinco jogos transmitidos.

Quando separamos a análise por dia de semana (DDS) e fim de semana (FDS), chegamos a algumas outras conclusões. Apesar do Vasco ter tido nove jogos na telinha, apenas um se deu nos dias de audiência mais alta, a quarta-feira. E não foi um jogo qualquer, mas um Flamengo x Vasco pela fase de grupos da Taça Guanabara, que explodiu como poucas vezes: 37 pontos de audiência com 57% de participação. De qualquer maneira, o time da Colina passou nada menos que oito vezes aos domingos, desproporção não atingida por nenhum de seus rivais.

Sob outro ponto de vista, separamos clássicos de jogos contra times pequenos – o que também faz uma diferença brutal. Aí os beneficiados são outros:

fig-02
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Dos nove jogos vascaínos na TV, nada menos que seis foram clássicos – sendo dois pelas finais, diante do Botafogo. Até por ser um dos finalistas, o clube da Estrela Solitária se viu bastante inflado, já que quatro de suas cinco transmissões se deram em clássicos. Por outro lado, o Flamengo e principalmente o Fluminense tiveram maior número de jogos contra times pequenos, elemento de evidente impacto negativo. De qualquer maneira, as audiências do Flamengo superaram as dos rivais sob todos os aspectos: 30 pontos (55%) em clássicos e 23,3 (42%) contra pequenos. Neste último caso, os números do Mengão foram 19% superiores aos do Tricolor, segundo colocado – uma enormidade em se tratando destas informações.

SÃO PAULO

fig-03
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Se no Rio o mais transmitido foi o campeão estadual, São Paulo viveu situação antagônica. O Santos, campeão paulista, tive míseros três jogos na TV – sendo dois na final, contra o Audax. O outro, como veremos adiante, foi um clássico. O resultado foram números artificialmente superiores aos de todos os demais: 25,6 pontos e 47% de share. No outro extremo está o Corinthians, com seus oito jogos na TV. Com eles, marcou 24,5 pontos médios e 45%. O São Paulo teve cinco jogos, 22,2 pontos e 42% em média. O Palmeiras, quatro jogos, 24,5 pontos e 46%.

A análise por dia da semana em Sampa diz menos do que no Rio, já que muitos paulistas jogavam a Libertadores enquanto a Globo Rio veiculava seus times no Carioca. Sendo assim, apenas Corinthians (duas vezes) e São Paulo (uma) apareceram na telinha às quartas. Já a análise que separa clássicos de jogos contra pequenos é bem mais reveladora:

fig-04
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Antes, é importante dizer que o Paulistão deste ano teve, excepcionalmente, um número de clássicos transmitidos menor do que no Rio. Seu campeão de exposição foi o Corinthians, com três jogos, 28,3 pontos e 51%. Os números dos outros podem parecer iguais (São Paulo, 28 pontos) ou maiores (Palmeiras, 29 pontos), mas existe um porém: 75% dos clássicos transmitidos (três de quatro) foram contra o time de Itaquera, ou seja, é exatamente o Corinthians quem ajuda a inflar os rivais. Já o Santos, tendo confrontado duas vezes um pequeno em plena final, nadou de braçada neste recorte.

COPAS

Eis uma estatística muito mais simples de ser analisada: copas só são jogadas às quartas, tornando desnecessária a separação por dia. Também são raros os clássicos nestas circunstâncias – este ano, por exemplo, não aconteceu nenhum. Ou seja, a única coisa a ser considerada aqui é o peso do torneio.

RIO DE JANEIRO

Nenhum time da Cidade Maravilhosa jogou a Libertadores 2016. Sendo assim, a maioria das análises se refere à Copa do Brasil, com exceção dos três últimos jogos do Flamengo, válidos pelas fases intermediárias da Sul Americana:

fig-05

Isso mesmo: foram sete jogos rubro-negros, com audiências 22% superiores às do Vasco (26,3 a 21,6 pontos). Cinco jogos vascaínos e três tricolores (20,3 pontos, em média). E nenhum. Nenhum joguinho do Botafogo para contar história…

SÃO PAULO

fig-06

Na Terra da Garoa houve maior equilíbrio entre o líder Corinthians (nove jogos, 26,1 pontos com 40%) e o segundo colocado, São Paulo (oito jogos, 25,5 pontos com 39%). Parte da explicação recai sobre o fato de o Tricolor ter chegado às semifinais da Libertadores, enquanto o Corinthians parou nas oitavas. Assim como o Botafogo, o Palmeiras simplesmente não apareceu na TV nestes torneios. Já o Santos, uma única vez: contra o Gama, pela Copa do Brasil (18 pontos).

BRASILEIRÃO

RIO DE JANEIRO

As transmissões do Brasileirão retomam a necessidade de separação segundo o dia da semana. Contudo, no Rio não se faz necessário repartir clássicos e jogos regulares, uma vez que apenas um foi veiculado na cidade: Fluminense x Botafogo, num domingo de inexpressivos 20 pontos com 38%.

fig-07
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Na ausência do Vasco (que joga a Série B), o grande beneficiado foi o Fluminense que, este ano, apareceu tantas vezes quanto o Flamengo (11 cada). Os dois tiveram igualdade também no perfil das transmissões: quatro em dias de semana, sete em fins de semana. Assim, a comparação entre ambos pode se dar sob bases equânimes.

Em boa dose por conta da fantástica audiência do jogo contra o Palmeiras, o Rubro Negro atropela o Tricolor sob a ótica das quartas feiras: 30,5 com 47% a 23 com 36% – resultado 33% superior. Nos fins de semana, a superioridade flamenguista cai para a casa dos 19% (23 pontos contra 19,3). Já o Botafogo teve cinco jogos, todos aos finais de semana – esvaziando seus números. No geral, portanto, o Fla marca em média 25,7 pontos com 44%. O Flu, 20,6 com 37%. O Bota, 18 com 35%.

Importante: um jogo do Alvinegro aconteceu sábado, dia de audiências tradicionalmente inferiores.

SÃO PAULO

Diferente do Rio, em São Paulo retomam-se análises não só por dia de semana mas também por clássicos. Isto porque, por lá, já foram veiculados cinco dérbis neste Brasileirão. A começar pela primeira ótica:

fig-08
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Em Sampa também há empate envolvendo Corinthians e São Paulo, ambos com 11 partidas televisionadas. E o perfil é quase o mesmo: Timão quatro vezes às quartas, sete aos fins de semana. Soberano, três às quartas, oito aos domingos. Em compensação, o Corinthians se apresentou num sábado. Sendo assim, em analogia à dupla Fla-Flu no Brasileirão, pode-se considerar justa a comparação direta entre Corinthians e São Paulo.

Às quartas, o Corinthians vence o São Paulo por apertados 25,5 a 24,3 (mesmo share: 40%). Aos fins de semana, um pouco mais de folga: 22,6 (com 43%) para um, 20,1 (com 37%) para outro. Só que em termos gerais, Corinthians (23,6 com 42%), São Paulo (21,3 com 38%) e Santos (23 com 44% em dois jogos) perdem para o Palmeiras (24,1 com 41%). Por quê?

fig-09
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A explicação reside aqui. Entre as agremiações com mais televisionamentos, o maior percentual de clássicos pertence ao Palmeiras (três de sete). O São Paulo fez três clássicos diluídos num universo de 11 transmissões. O Corinthians, apenas dois em 11. Nas partidas regulares, onde as audiências vem sem tanta facilidade, os 22,9 pontos do Corinthians em nove jogos superam os 22 pontos em 4 jogos do Verdão. Aqui, o Santos é novamente um ponto fora da curva: dois jogos, dois clássicos.

COMPARAÇÕES INTERNAS

No Rio, resta claro que, sob qualquer aspecto, o Flamengo apresenta audiências muito superiores às de seus rivais. Inclusive, pode-se dizer que em condições normais de temperatura e pressão, Vasco, Fluminense e Botafogo se equivalem – com certa vantagem cruzmaltina.

Já em São Paulo, há maior equilíbrio entre o líder Corinthians e o São Paulo – ainda que não se discuta a supremacia do primeiro. Palmeiras e Santos, alguns passos abaixo, se veem tão relegados que geralmente aparecem apenas em clássicos ou jogos decisivos. Seria importante vê-los em mais partidas regulares, proporcionando uma melhor base de comparação. De qualquer maneira, em anos anteriores a dupla já apresentou alguns índices bem fracos.

Aqui, uma questão particular que explica meu grande ponto de discordância com relação ao Sormani. Eu considero que diferenças de alguns pontos de audiência (e share) justificam as diferenças nas cotas de televisionamento, tendo em vista que um mercado tão competitivo quanto o da TV aberta precifica cada ponto marginal em muitos milhões. Sormani tem outro ponto de vista, entendendo injustificáveis as diferenças, por pequenas que seriam.

Não há certo ou errado neste debate, apenas interpretações.

COMPARAÇÃO RIO X SÃO PAULO

Nem todo ano é assim, mas em 2016, o rei das audiências no Rio (Flamengo) supera o preferido de São Paulo (Corinthians) sob todos os recortes – incluindo Copas em que os Paulistas disputaram a Libertadores. O que faz retornarmos ao que é sempre dito: o Rubro Negro se beneficia de audiências maiores e nacionalmente mais dispersas. O Alvinegro, da supremacia nos principais mercados – que não se resumem ao seu berço, já que Paraná ou Rio Grande do Sul muitas vezes alinham com a Globo São Paulo. Por isso, é importante analisar o quantitativo médio de praças alinhando com a transmissão de cada um deles. Assunto para outra coluna…

Um grande abraço e saudações!

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