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As maiores audiências agregadas de 2017

Desde que a Kantar Ibope Media começou divulgar as audiências semanais da TV brasileira, muito se foi possível auferir a respeito do impacto do futebol sobre o interesse do público. Isto porque, ao contrário da mera divulgação das audiências em mercados de referência (São Paulo e Rio de Janeiro), os números contemplam nada menos que as 15 maiores regiões metropolitanas do país. Assim, passou-se a compreender a exata reação de euforia ou indiferença dispensada por mercados tão díspares quanto Belém, Campinas, Vitória ou Goiânia*, seja em partidas envolvendo times locais ou equipes nacionais de maior torcida.

*O monitoramento contempla ainda Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Manaus e Brasília.

Diante disto, em mais um esforço de análise e compilação, o Blog Teoria dos Jogos elencou o top-10 das partidas de maior audiência televisiva agregada ao longo do ano de 2017. Para tanto, é importante compreender o grau de difusão no perfil das audiências em cada uma destas localidades. Conforme explicitamos anteriormente, partidas envolvendo o Flamengo, por exemplo, explodem de audiência no Rio, Manaus, Brasília ou Vitória. Em mercados como o Nordeste, apenas jogos mais importantes se destacam, enquanto praças como Goiânia ou Curitiba tratam o Rubro-Negro com certo desprezo.

Em maior ou menor grau, o processo descrito acima se aplica a todos. Clubes paulistas, gaúchos e mineiros não raro ultrapassam 40 pontos de audiência em suas praças de origem, como, na partida entre Corinthians e Palmeiras veiculada em São Paulo domingo passado. Mesmo jogo que, em Porto Alegre, não ultrapassou 19,4, enquanto Salvador lhe ofereceu irrisórios 15 pontos. Por razões como esta, eventos de maior audiência quase não ultrapassam os 30 pontos no agregado, e ainda assim são considerados um colosso pelo mercado publicitário.

Vamos, portanto, ao ranking:

OBS: audiências relativas à TV aberta na transmissão da TV Globo.

A maior audiência do futebol brasileiro este ano responde pela segunda e decisiva partida da final da Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Flamengo. Na ocasião, a decisão nos pênaltis com vitória celeste fez com que as quinze praças que alinharam em rede marcassem explosivos 32,1 pontos em média. A final da Copa surge também como uma das que constam no ranking com suas partidas de ida e volta – já que o primeiro embate do Maracanã ocupa a sétima colocação (27,6 pontos médios).

Além deste confronto, um outro envolvendo a maior torcida do país se encontra em posição de destque. Na fase anterior do mesmo torneio, o Flamengo eliminou o arquirrival Botafogo, atingindo 27,7 pontos no jogo de ida (6º lugar no ranking) e 30,7 pontos na volta (2º).

Uma verdade quase absoluta diz respeito à primazia de audiências em jogos de meio de semana. A exceção se deu no já citado Corinthians x Palmeiras do último fim de semana: seus 29 pontos representam um verdadeiro absurdo em se tratando de um domingo. Mesmo assim, o derby ocupou a 4ª posição, não superando os 29,9 pontos do próprio derby no primeiro turno – aquele sim jogado numa quarta. Ambos os clássicos, contudo, tiveram jogos envolvendo times cariocas em concomitância.

Por fim, destaque para os 27,9 pontos de Grêmio x Botafogo, pela Libertadores, partida majoritária numa noite em que o Corinthians também atuava. Fluminense x São Paulo (27,4 pontos, 12 praças) também foi muito bem, adentrando num ranking tradicionalmente dominado pelos “queridinhos” de sempre.

Um grande abraço e saudações!

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Razões pelas quais o Carioca foi parar na UTI

Fonte: Fox Sports

Textos, análises e colunas elencando as razões da falência do Estadual do Rio se tornaram tão abundantes quanto oxigênio. Mais ainda num ano em que a Taça Rio se tornou inacreditavelmente amistosa, com grandes duelando em confrontos esvaziados e sem qualquer sentido – já que as semifinais estavam previamente determinadas. No entanto, ainda que sejam maioria, nem todos os motivos da bancarrota são tão óbvios quanto parecem. Tentando ir além, fugiremos do senso comum e indicaremos a viabilidade da adoção de medidas que tentassem reverter os sintomas, tirando o paciente chamado Campeonato Carioca de sua experiência de quase-morte.

1- Fórmulas esdrúxulas

Apesar de já existirem muitos defeitos, até 2007 o regulamento do Carioca era um dos únicos itens presentes em sua pauta de exportações. Tanto o Campeonato Mineiro quanto o Gaúcho, cada um a seu tempo, chegaram a copiar a fórmula que apregoava “doze times, dois grupos, todos contra todos dentro (Taça Guanabara – 1º turno) e fora (Taça Rio – 2º turno) de seus grupos. Campeões dos dois turnos fazem a final. Quem ganhar os dois é campeão direto”.

Preocupada porque dois campeonatos se encerraram sem finalíssima em curto período (2011 e 2013), a Federação de Futebol do Estado do Rio (FERJ) mudou as regras no ano de 2014, passando a funcionar na base do grupo único, todos contra todos, 15 rodadas. A partir de então, a Taça Rio começou a não valer nada, sendo disputada apenas pelos times pequenos do estado. Este torneio foi o embrião das inúmeras mudanças que viriam a seguir, culminando na edição de pior fórmula em todos os tempos: a atual.

Viabilidade de se proceder mudanças: Alta. Basta querer (e votar em Arbitral) para que os moldes presentes até 2013 retornem.

2- Excesso de times

Importante notar que o número de equipes participantes tem relação inequívoca com o item anterior. Foi a partir de 2008 que a Federação, visando atender ao maior número de interesses possível, insuflou o Carioca de 12 para 16 times. Isto aumentou o número de datas destinadas ao Estadual – em direção contrária a tudo o que se apregoa atualmente – e maximizou a quantidade de jogos de baixa qualidade, sendo pequenos contra pequenos ou grandes contra pequenos.

Numa tentativa de remediar o mal – mas ainda mantendo a ascendência sobre os menores, cujos votos são valiosos para a manutenção do poder – em 2017 a FERJ procedeu uma emenda que, para variar, saiu pior do que o soneto. O torneio segue tendo 16 clubes, mas a primeira fase foi disputada por apenas seis pequenos – que constituíram o famigerado “Grupo A”. Ela incluiu os dois primeiros colocados da Série B de 2016, mais os quatro times de pior campanha no Estadual 2016 (exceto os rebaixados!). Deste imbróglio, apenas dois tiveram a sorte de se juntar aos dez clubes previamente qualificados para o “Carioca de verdade”. Outros quatro foram disputar a aberração chamada “quadrangular do rebaixamento” – como se, ao jogarem apenas contra outros pequenos, já não se sentissem rebaixados de antemão.

Em resumo: diminuíram os jogos de grandes contra pequenos por meio de ferramentas que trouxeram ainda mais injustiças e distorções: a) Um time pode subir da segunda divisão, investir para montar uma equipe e não ter sequer a possibilidade de enfrentar os grandes; b) Torneios envolvendo nanicos sem apelo prolongam-se indefinidamente em paralelo ao estadual principal, impactando negativamente na média de público e positivamente na tábua de artilharia. Isto mesmo: você sabia que o artilheiro do Estadual 2017 é Max, da Cabofriense, que jogou apenas os “torneios da morte”?

Viabilidade de se proceder mudanças: Média. Seria alta, já que basta a Federação decidir pelo fim dos torneios paralelos e o retorno ao Estadual com 12, ascensão e descenso diretos. Mas onde entraria o desejo de se controlar, na base do cabresto, votos do maior número possível de agremiações? Vai contra o projeto de perpetuação no poder que impera na FERJ.

 3- Desvalorização dos pequenos e do interior

Outra decisão equivocada que impactou sobre a média de público foi a proibição, alguns anos atrás, de a maioria dos pequenos mandarem jogos em seus estádios e cidades. À época, alegou-se falta de estrutura para transmissões, falta de segurança, laudos dos órgãos técnicos e outras tantas coisas inexistentes nos cem campeonatos anteriores. O resultado, todos viram: excesso de jogos em cidades com estádios autorizados mas sem demanda para eventos tão pobres e numerosos, como Volta Redonda ou Macaé. O Estádio Raulino de Oliveira passou a receber inúmeros grandes desinteressados e jogando com reservas. O Resende teve que encará-los na mesma cidade, a 40 km de casa, desequilibrando a questão esportiva pela falta do efeito-mandante. Ou seja, uma canetada chafurdou o equilíbrio, as rendas e os públicos da competição.

Viabilidade de se proceder mudanças: Baixa. A Federação passaria a ter que ajudar os pequenos na adequação e manutenção de seus estádios. Ajuda bem diferente (e mais cara) do que a usual, através do mero fornecimento de bolas, chuteiras, uniformes…

4- Desvalorização do produto

Deveria ser péssimo para a FERJ que alguns de seus principais integrantes tenham rompido entre si por não coadunarem com as práticas alheias. Que outros, por alinharem ideologicamente, digam amém a toda sorte de ingerências – principalmente as que prejudicam os insatisfeitos. A Federação deveria fomentar o consenso, e não alimentar a beligerância – como se verifica nos dias atuais.

Deveria ser péssimo para a FERJ que a média de público do Estadual seja a menor da década, impactando negativamente em sua imagem e prejudicando vendas tanto para o público geral (bilheterias) quanto para veículos de mídia e patrocinadores (placas publicitárias, naming rights, receitas de televisionamento, etc).

Deveria ser péssimo para a FERJ que o Estadual do Rio de Janeiro – outrora o mais importante – se tornasse motivo de chacota entre torcedores e profissionais de estados com bem menos tradição no esporte. Mas muito mais público…

Viabilidade de se proceder mudanças: nula, enquanto déspotas se perpetuarem em seus cargos e intervenções do poder público não chegarem às federações de futebol.

Não adentraremos no debate da falta da qualidade dos times, que impacta visceralmente no baixo apelo do certame. Nem na insegurança de eventos que atraem bandidos e culminam em pancadarias e mortes – boçalidades em ambientes que deveriam celebrar a congregação. Tais questões não serão abordadas porque, além de envolverem outras esferas (gestão esportiva, segurança pública, etc), se fazem presentes em todos os outros estados. São chagas brasileiras, portanto. Nosso foco é tudo aquilo que pode ser fruto de análise e alvo de medidas drásticas por parte dos responsáveis pelo Campeonato Carioca de futebol.

Pois se quem manda nos estaduais são as federações, a do Rio de Janeiro – na figura do sr. presidente Rubens Lopes – é a principal responsável pela implosão de seu próprio torneio.

Um grande abraço e saudações!

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A Pesquisa da Vez – Manaus 2017

Detalhamento da pesquisa;

Localidade: Manaus/AM, entre 20 e 22 de janeiro de 2017

Instituto: Pesquisa 365

Amostra:  1.050 entrevistados

Margem de erro: 3 p.p

Está aberta a temporada 2017 de pesquisas de torcida! E a primeira do ano se deu numa localidade tão importante quanto, até bem pouco, negligenciada: Manaus, capital do Amazonas. Após anos sem pesquisas na região norte, o produtivo ano de 2012 trouxe luz a duas pesquisas elaboradas em terras manauaras e divulgadas pelo Blog Teoria dos Jogos. Desde então, nada mais foi dito. Até que o Instituto Pesquisa 365 se juntou ao “clube” frequentado por IPEN e ao GPP – elaboradores das pesquisas cinco anos atrás – e nos trouxe números aparentemente confiáveis, com grande semelhança aos verificados anteriormente. Vamos a eles:

Conforme amplamente sabido, o Flamengo detém a maior torcida de Manaus por larga margem: 39% da população. Mas o Vasco possui uma massa também representativa, atingindo 17,7% do total. A partir de então, torcidas paulistas ditam o jogo em detrimento dos demais cariocas. O São Paulo aparece com 5,1%, seguido do Corinthians (4,4%) e do Palmeiras (3,7%). Só então aparecem Botafogo (2,1%) e Fluminense (1,6%). O Santos fecha o top-8 com 1% das preferências. Números incrivelmente parecidos com os do estudo GPP/2012.

Quanto às tabulações específicas:

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Todas as agremiações crescem em seu universo masculino, onde apenas 9% não possuem time de futebol (contra 31% das mulheres). Diante dos 43% de homens flamenguistas, 20% de vascaínos e 7% são paulinos, há apenas uma reversão de ordenamento: mais palmeirenses (6%) do que corintianos (5%) no coração da Amazônia – talvez por influência do recente título brasileiro conquistado.

Olhando para as faixas etárias, extraem-se análises interessantes. Em termos absolutos, é a torcida do Flamengo a que mais cresce entre jovens: sobe de 34% entre aqueles com mais de 45 anos para 47% em meio aos jovens de 16 a 24 anos – ascensão de 13 pontos percentuais. Mas relativamente, os times que mais crescem são São Paulo e Corinthians, que saem de 1% e 2% para, respectivamente, 5% e 6%. Mais incrível é verificar o boom são paulino na faixa de 25 a 34 anos, quando atingiram robustos 9% – processo em menor escala também verificado com o Palmeiras. Subida que não se mostrou sustentável, dada a redução na base de ambos entre os mais jovens. O Vasco aparenta estabilidade, estacionado entre 17% e 18% em todas as faixas. Botafogo e Fluminense praticamente desaparecem entre jovens (1% cada), mesmo com o alvinegro detendo a terceira maior torcida daqueles acima de 45 anos (5%). Nesta faixa, o Flu possuía 4%, significando que, no passado, de fato as quatro maiores torcidas pertenciam aos quatro grandes do Rio.

Por escolaridade, a torcida do Flamengo diminui à medida com que avançam os anos de estudo: sai de 41% daqueles com ensino fundamental para 36% dos que concluíram o ensino superior. Processo oposto acontece com o Vasco, que cresce de 15% para 22% e equilibra a balança em ambientes universitários. Mas São Paulo e Corinthians também sobem, com ambos saindo de 3% para 7% nesta comparação.

Infelizmente, além de não contemplar recortes superiores nas faixas etárias (que vão apenas até os 45 anos), a pesquisa pisa na bola ao não contemplar a imprescindível análise sob a ótica da renda, substituída por uma descartável análise das torcidas segundo suas religiões.

Um grande abraço e saudações!

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Tudo sobre audiências – parte 4: as maiores audiências RJ e SP 2016

Há alguns meses o Blog Teoria dos Jogos iniciou uma série de análises relacionadas às audiências televisivas do futebol brasileiro, assim dividida:

Parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Parte 2: Os campeões de audiência 2015

Parte 3: As audiências da Band

Parte 4: As maiores audiências RJ e SP 2016

Parte 5: Audiências em queda: verdade ou mentira?

Após um breve intervalo, que incluiu uma pausa para os Jogos Olímpicos – período profissionalmente muito atribulado – decidimos retomar às análises desde seu tópico 4, dada a saída da TV Bandeirantes das transmissões futebolísticas em torneios nacionais. Devidamente incentivado e “provocado”, importante dizer, pelo amigo Fábio Sormani, da Fox Sports, a quem estas tabelas são dedicadas.

As audiências do futebol em 2016 dividem-se entre as praças do Rio de Janeiro e de São Paulo – únicas divulgadas pela TV Globo semanalmente. Dividem-se ainda entre os principais torneios do ano: Campeonatos Estaduais, Copas (Libertadores, do Brasil e Sul Americana) e Brasileirão. Por fim, os números são separados por dia da semana e pela natureza dos jogos (clássicos ou não), dada a primazia de audiências verificadas às quartas feiras ou em confrontos entre times grandes.

Lembrando que: 1) Cada ponto de audiência equivale a 69 mil domicílios em São Paulo e 43 mil no Rio, enquanto o share significa o percentual de televisores ligados naquele canal; 2) Todos os números se referem apenas à audiência em TV aberta da Globo, menos para os Estaduais, que representam a soma Globo + Band, pois neles ainda havia o compartilhamento dos direitos televisivos; 3) As estatísticas contidas nesta coluna não contemplam a rodada do último fim de semana (24 e 25/9) no Brasileirão.

CAMPEONATOS ESTADUAIS

Pode-se dizer que os campeonatos estaduais são aqueles em que as audiências mais estão expostas a “causas perturbadoras” a lhes enviesarem. Isto porque se tratam de torneios de tiro curto com alto índice de clássicos transmitidos. Assim, clubes com menos torcida tendem a aparecer em poucos jogos, primariamente em clássicos – onde as audiências são naturalmente mais altas. Assim, muitas estatísticas acabam por se insuflar de maneira irreal. Outro benefício que precisa ser relativizado acomete àqueles que chegam à final do campeonato, geralmente um oásis de bons números em meio a um marasmo de audiências regulares.

Dito isto, vamos às análises:

RIO DE JANEIRO

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Embora o clube mais televisionado durante o Campeonato Carioca tenha sido o Vasco (nove jogos), foram os sete do Flamengo que apresentaram os melhores números do torneio. Na média final, o Rubro Negro teve um audiência de 27,1 pontos com 49%, contra 25,1 (48%) dos cruzmaltinos, 24,2 (47%) do Botafogo e 22,2 (42%) do Fluminense. Percebam a discrepância entre Flu e Bota pelo fato do alvinegro ter ido à final, catapultando seus números. No campeonato como um todo, ambos tiveram cinco jogos transmitidos.

Quando separamos a análise por dia de semana (DDS) e fim de semana (FDS), chegamos a algumas outras conclusões. Apesar do Vasco ter tido nove jogos na telinha, apenas um se deu nos dias de audiência mais alta, a quarta-feira. E não foi um jogo qualquer, mas um Flamengo x Vasco pela fase de grupos da Taça Guanabara, que explodiu como poucas vezes: 37 pontos de audiência com 57% de participação. De qualquer maneira, o time da Colina passou nada menos que oito vezes aos domingos, desproporção não atingida por nenhum de seus rivais.

Sob outro ponto de vista, separamos clássicos de jogos contra times pequenos – o que também faz uma diferença brutal. Aí os beneficiados são outros:

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Dos nove jogos vascaínos na TV, nada menos que seis foram clássicos – sendo dois pelas finais, diante do Botafogo. Até por ser um dos finalistas, o clube da Estrela Solitária se viu bastante inflado, já que quatro de suas cinco transmissões se deram em clássicos. Por outro lado, o Flamengo e principalmente o Fluminense tiveram maior número de jogos contra times pequenos, elemento de evidente impacto negativo. De qualquer maneira, as audiências do Flamengo superaram as dos rivais sob todos os aspectos: 30 pontos (55%) em clássicos e 23,3 (42%) contra pequenos. Neste último caso, os números do Mengão foram 19% superiores aos do Tricolor, segundo colocado – uma enormidade em se tratando destas informações.

SÃO PAULO

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Se no Rio o mais transmitido foi o campeão estadual, São Paulo viveu situação antagônica. O Santos, campeão paulista, tive míseros três jogos na TV – sendo dois na final, contra o Audax. O outro, como veremos adiante, foi um clássico. O resultado foram números artificialmente superiores aos de todos os demais: 25,6 pontos e 47% de share. No outro extremo está o Corinthians, com seus oito jogos na TV. Com eles, marcou 24,5 pontos médios e 45%. O São Paulo teve cinco jogos, 22,2 pontos e 42% em média. O Palmeiras, quatro jogos, 24,5 pontos e 46%.

A análise por dia da semana em Sampa diz menos do que no Rio, já que muitos paulistas jogavam a Libertadores enquanto a Globo Rio veiculava seus times no Carioca. Sendo assim, apenas Corinthians (duas vezes) e São Paulo (uma) apareceram na telinha às quartas. Já a análise que separa clássicos de jogos contra pequenos é bem mais reveladora:

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Antes, é importante dizer que o Paulistão deste ano teve, excepcionalmente, um número de clássicos transmitidos menor do que no Rio. Seu campeão de exposição foi o Corinthians, com três jogos, 28,3 pontos e 51%. Os números dos outros podem parecer iguais (São Paulo, 28 pontos) ou maiores (Palmeiras, 29 pontos), mas existe um porém: 75% dos clássicos transmitidos (três de quatro) foram contra o time de Itaquera, ou seja, é exatamente o Corinthians quem ajuda a inflar os rivais. Já o Santos, tendo confrontado duas vezes um pequeno em plena final, nadou de braçada neste recorte.

COPAS

Eis uma estatística muito mais simples de ser analisada: copas só são jogadas às quartas, tornando desnecessária a separação por dia. Também são raros os clássicos nestas circunstâncias – este ano, por exemplo, não aconteceu nenhum. Ou seja, a única coisa a ser considerada aqui é o peso do torneio.

RIO DE JANEIRO

Nenhum time da Cidade Maravilhosa jogou a Libertadores 2016. Sendo assim, a maioria das análises se refere à Copa do Brasil, com exceção dos três últimos jogos do Flamengo, válidos pelas fases intermediárias da Sul Americana:

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Isso mesmo: foram sete jogos rubro-negros, com audiências 22% superiores às do Vasco (26,3 a 21,6 pontos). Cinco jogos vascaínos e três tricolores (20,3 pontos, em média). E nenhum. Nenhum joguinho do Botafogo para contar história…

SÃO PAULO

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Na Terra da Garoa houve maior equilíbrio entre o líder Corinthians (nove jogos, 26,1 pontos com 40%) e o segundo colocado, São Paulo (oito jogos, 25,5 pontos com 39%). Parte da explicação recai sobre o fato de o Tricolor ter chegado às semifinais da Libertadores, enquanto o Corinthians parou nas oitavas. Assim como o Botafogo, o Palmeiras simplesmente não apareceu na TV nestes torneios. Já o Santos, uma única vez: contra o Gama, pela Copa do Brasil (18 pontos).

BRASILEIRÃO

RIO DE JANEIRO

As transmissões do Brasileirão retomam a necessidade de separação segundo o dia da semana. Contudo, no Rio não se faz necessário repartir clássicos e jogos regulares, uma vez que apenas um foi veiculado na cidade: Fluminense x Botafogo, num domingo de inexpressivos 20 pontos com 38%.

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Na ausência do Vasco (que joga a Série B), o grande beneficiado foi o Fluminense que, este ano, apareceu tantas vezes quanto o Flamengo (11 cada). Os dois tiveram igualdade também no perfil das transmissões: quatro em dias de semana, sete em fins de semana. Assim, a comparação entre ambos pode se dar sob bases equânimes.

Em boa dose por conta da fantástica audiência do jogo contra o Palmeiras, o Rubro Negro atropela o Tricolor sob a ótica das quartas feiras: 30,5 com 47% a 23 com 36% – resultado 33% superior. Nos fins de semana, a superioridade flamenguista cai para a casa dos 19% (23 pontos contra 19,3). Já o Botafogo teve cinco jogos, todos aos finais de semana – esvaziando seus números. No geral, portanto, o Fla marca em média 25,7 pontos com 44%. O Flu, 20,6 com 37%. O Bota, 18 com 35%.

Importante: um jogo do Alvinegro aconteceu sábado, dia de audiências tradicionalmente inferiores.

SÃO PAULO

Diferente do Rio, em São Paulo retomam-se análises não só por dia de semana mas também por clássicos. Isto porque, por lá, já foram veiculados cinco dérbis neste Brasileirão. A começar pela primeira ótica:

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Em Sampa também há empate envolvendo Corinthians e São Paulo, ambos com 11 partidas televisionadas. E o perfil é quase o mesmo: Timão quatro vezes às quartas, sete aos fins de semana. Soberano, três às quartas, oito aos domingos. Em compensação, o Corinthians se apresentou num sábado. Sendo assim, em analogia à dupla Fla-Flu no Brasileirão, pode-se considerar justa a comparação direta entre Corinthians e São Paulo.

Às quartas, o Corinthians vence o São Paulo por apertados 25,5 a 24,3 (mesmo share: 40%). Aos fins de semana, um pouco mais de folga: 22,6 (com 43%) para um, 20,1 (com 37%) para outro. Só que em termos gerais, Corinthians (23,6 com 42%), São Paulo (21,3 com 38%) e Santos (23 com 44% em dois jogos) perdem para o Palmeiras (24,1 com 41%). Por quê?

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A explicação reside aqui. Entre as agremiações com mais televisionamentos, o maior percentual de clássicos pertence ao Palmeiras (três de sete). O São Paulo fez três clássicos diluídos num universo de 11 transmissões. O Corinthians, apenas dois em 11. Nas partidas regulares, onde as audiências vem sem tanta facilidade, os 22,9 pontos do Corinthians em nove jogos superam os 22 pontos em 4 jogos do Verdão. Aqui, o Santos é novamente um ponto fora da curva: dois jogos, dois clássicos.

COMPARAÇÕES INTERNAS

No Rio, resta claro que, sob qualquer aspecto, o Flamengo apresenta audiências muito superiores às de seus rivais. Inclusive, pode-se dizer que em condições normais de temperatura e pressão, Vasco, Fluminense e Botafogo se equivalem – com certa vantagem cruzmaltina.

Já em São Paulo, há maior equilíbrio entre o líder Corinthians e o São Paulo – ainda que não se discuta a supremacia do primeiro. Palmeiras e Santos, alguns passos abaixo, se veem tão relegados que geralmente aparecem apenas em clássicos ou jogos decisivos. Seria importante vê-los em mais partidas regulares, proporcionando uma melhor base de comparação. De qualquer maneira, em anos anteriores a dupla já apresentou alguns índices bem fracos.

Aqui, uma questão particular que explica meu grande ponto de discordância com relação ao Sormani. Eu considero que diferenças de alguns pontos de audiência (e share) justificam as diferenças nas cotas de televisionamento, tendo em vista que um mercado tão competitivo quanto o da TV aberta precifica cada ponto marginal em muitos milhões. Sormani tem outro ponto de vista, entendendo injustificáveis as diferenças, por pequenas que seriam.

Não há certo ou errado neste debate, apenas interpretações.

COMPARAÇÃO RIO X SÃO PAULO

Nem todo ano é assim, mas em 2016, o rei das audiências no Rio (Flamengo) supera o preferido de São Paulo (Corinthians) sob todos os recortes – incluindo Copas em que os Paulistas disputaram a Libertadores. O que faz retornarmos ao que é sempre dito: o Rubro Negro se beneficia de audiências maiores e nacionalmente mais dispersas. O Alvinegro, da supremacia nos principais mercados – que não se resumem ao seu berço, já que Paraná ou Rio Grande do Sul muitas vezes alinham com a Globo São Paulo. Por isso, é importante analisar o quantitativo médio de praças alinhando com a transmissão de cada um deles. Assunto para outra coluna…

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A Pesquisa da Vez: capitais brasileiras (SPC/CNDL) – EXCLUSIVO

No início da tarde de hoje, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram uma estudo sobre os hábitos de consumo dos torcedores no Brasil. Por se tratarem de instituições relacionadas ao crédito e adimplemento, o foco da pesquisa recaiu sobre questões orçamentárias, como capacidade de pagamento e gastos excessivos com produtos e serviços relacionados ao futebol. Maiores detalhes sobre a pesquisa podem ser vistos no site da SPC Brasil (clique aqui).

Sendo um questionário aplicado nas 27 capitais brasileiras, o estudo veio naturalmente acompanhado de uma pesquisa de torcidas. Assim, o Blog Teoria dos Jogos entrou em contato com o SPC Brasil e teve acesso aos números de maneira exclusiva. No entanto, muitos esclarecimentos se fazem necessários.

Em primeiro lugar, não se trata de uma pesquisa nacional, já que as entrevistas se concentraram tão somente nas 27 capitais brasileiras, e com amostra bastante limitada: 620 torcedores. Além disso, por ter focado o universo de torcedores (e não o universo populacional), o “Nenhum” (pessoas sem time) foi descartado, fazendo com que o percentual de cada torcida subisse. Só que o mais importante é que a pesquisa não seguiu proporcionalidades primordiais. Isto que significa que 63% dos respondentes foram homens, mesmo numa sociedade de maioria feminina. Em termos geográficos, entrevistou-se um número muito maior de cariocas (16,6%) do que paulistanos (20,1%) proporcionalmente, levando a uma superestimação dos números atrelados aos times do Rio. Depois das duas maiores metrópoles vieram Salvador (8,3%), Porto Alegre (6,8%), Curitiba (6,1%), Fortaleza (5,6%), Recife (5,4%), Belo Horizonte (4,2%) e Manaus (4%).

Todas as limitações abordadas acima não inviabilizam este estudo de abordagem criativa e diferenciada. A questão é que, mais do que nunca, a pesquisa SPC/CNDL reflete tão somente o perfil de sua amostra. Por conta disto, o Blog Teoria dos Jogos optou por expor seus resultados sem proceder maiores análises sobre os recortes de gênero, idade, renda e fanatismo. Convidamos, portanto, nossos leitores a fazê-lo.

Seguem os números:

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Reflexões esportivas e econômicas sobre o “engodo” de Volta Redonda

Fig 01

“Volta Redonda é o túmulo do futebol”.

Eis a frase recentemente proferida por um importante profissional na área de marketing esportivo, num debate interno do qual este blogueiro participa. Apesar de captar o olhar de quem só acompanha o futebol carioca à distância, num primeiro momento soa difícil discordar da assertiva. Os péssimos públicos auferidos por Flamengo, Fluminense e Botafogo no estádio da cidade, o Raulino de Oliveira, são o mote.

Os que se insurgem descontentes com os públicos na Cidade do Aço são, cada vez mais, respaldados por análises vindas da grande imprensa. Há quatro dias foi Gustavo Setti, representando a ESPN, quem abordou a detestável ambientação sob a ótica dos torcedores. Hoje foi a vez d’O Globo, sob a respeitável figura de Carlos Eduardo Mansur. Desde antes, sites e blogs vem dispendendo tempo e neurônios na infrutífera tentativa de compreender a ausência de público.

Chegou a nossa vez. Não a primeira, diga-se de passagem. Desde sempre o Blog Teoria dos Jogos se dedica a compreender, justificar ou refutar questões que envolvam a presença de público e a escolha de Volta Redonda como palco – leia uma análise anterior aqui. Mas desta vez vamos um pouco além, tanto no que se refere à pertinência das críticas dirigidas, quanto na contextualização econômica da questão.

É fato, os públicos em Volta Redonda são péssimos. Mas isto não acontece por improvidência divina ou como fruto de uma população desapegada ao futebol. Terra natal deste blogueiro, é com conhecimento de causa (algo que Juca Kfouri não possui) que afirmo: Volta Redonda é uma cidade como qualquer outra, o que inclui ser também uma cidade apaixonada por futebol.

Mas…

1- A cidade recebe jogos demais – com apelo de menos

Tendo recebido 27 jogos nesta temporada (21 dos grandes cariocas), o Raulino de Oliveira é o estádio mais utilizado do Brasil em 2016. Apenas o Independência, em Belo Horizonte, se aproxima – recepcionando 24 partidas. Mas aí as diferenças vão desde o tamanho dos mercados até a importância dos torneios, considerando-se a ausência de jogos válidos pela Libertadores em solo voltarredondense.

A grande questão é que, no Brasil, cidades de médio porte não costumam ter demanda suficiente para recepcionar mais do que um ou dois eventos. Vide o exemplo de Juiz de Fora, em Minas Gerais – tantas vezes considerada uma “meca” para os clubes do Rio. Com seus 550 mil habitantes, não recebeu mais do que 4.384 pagantes na vitória do Botafogo sobre o Atlético-PR, pelo Brasileirão. Já o Flu foi desde incríveis 23.985 torcedores na final da Primeira Liga (contra o mesmo Furacão) até ridículos 1.406 pagantes, no confronto diante do Criciúma, pela fase de grupos da mesma Liga. É possível que na Cidade do Aço houvesse mais gente.

“Mas e os três clássicos entre Fluminense e Botafogo na cidade?”, alguém retrucaria. Estes só vem a confirmar cada palavra proferida no tópico, já que a reiteração foi a chave do saciamento da demanda e da perda de chamariz. Em 13/03/2016, registraram-se 4.378 pagantes em Fluminense 1 x 1 Botafogo. Em 24/04/2016, 3.562 pagaram ingressos em Flu 0 x 1 Bota. Já no último domingo, o Tricolor deu o troco (1 x 0) mediante 2.860 pagantes – verifique aqui. Mais cristalino, impossível.

2- O comparecimento per capita não é pior do que o da capital

Volta Redonda possui 260 mil habitantes segundo o Censo 2010. Na condição de principal cidade, integra ainda uma conurbação com Barra Mansa, Pinheiral e Barra do Piraí (parcialmente) que detém quase 500 mil habitantes. Semelhante, portanto, à Juiz do Fora do exemplo anterior. Se considerarmos o público médio apenas nos jogos de Flamengo, Fluminense e Botafogo (3.225 pagantes), pode-se dizer que ele representa 1,24% da população da cidade e 0,65% da conurbação. Estes percentuais – se aplicados aos 6,4 milhões de habitantes da capital e aos 11,6 milhões da região metropolitana do Rio de Janeiro – equivaleriam, respectivamente, a inatingíveis médias de público de 79 mil e 75 mil torcedores no Maracanã.

3- Nem todos os times cariocas tem demanda suficiente na cidade

Aqui a argumentação vem baseada em informações exclusivas do Blog Teoria dos Jogos, que mapeou pela primeira vez o perfil de torcidas na cidade. O que se descobriu foi que a monumental diferença no tamanho da torcida do Flamengo (42,9%) para as demais (todas abaixo de 10,8%*) é algo contra o qual fica difícil lutar. De fato, os 10,6% de botafoguenses e os 8,6% de tricolores representariam 27 mil e 22 mil torcedores, respectivamente. Num estádio com capacidade para 20 mil, é como se mal houvesse torcida suficiente para o completo preenchimento de um Raulino de Oliveira.

*A pesquisa foi realizada cerca de duas semanas após o rebaixamento do Vasco, identificando número suspeitamente alto de não-respondentes (7,8%). É possível que parte destes tenham representado vascaínos em desalento.

Não por acaso, mesmo sem qualquer clássico jogado na cidade, o Flamengo conseguiu atrair públicos próximos aos 8 mil pagantes por duas vezes. Enquanto isto, o Fluminense jogou três vezes para menos de 800 testemunhas. Já o Botafogo, apesar da baixa média de público em Volta Redonda, consegue ter um comparecimento médio 60% inferior quando se apresenta em São Januário, em pleno Rio de Janeiro. O problema é mesmo a cidade?

Fig 02

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A verdade, então, recai sob outros aspectos. Que apontam para o fato de o principal produto esportivo do suposto “país do futebol” (quem merece a alcunha é a Inglaterra) apresentar graves problemas, tanto da parte da demanda quanto da oferta.

Olhando para a demanda, as restrições orçamentárias do brasileiro realmente impactam sobre o comparecimento aos estádios, inviabilizando-o ao nível desejado. Não são poucos os torcedores que alegam a impossibilidade da presença semanal dada a “desimportância dos jogos”. Optam, assim, por reservar dinheiro para fases e embates mais importantes. Se beneficia quem joga o que realmente vale – leia-se a Copa Libertadores. Torneio que faz com que os cinco clubes de melhor média em 2016 sejam justamente os cinco que participaram dele.

Neste sentido, comparar o Brasil com Alemanha, Inglaterra, França ou Espanha – só porque todos são países importantes no mundo do futebol – soa quase como deboche. Naqueles lugares, jogos desimportantes também enchem, ou ao menos não ficam às moscas. Simplesmente porque futebol é lazer, e existe gente suficiente com capacidade para usufruir desta opção sem prejuízo das demais.

Indo além: os problemas de demanda no futebol brasileiro se aprofundam em cidades do interior, condição ocupada por Volta Redonda. Nas grandes capitais, além da maior renda, existe ainda o facilitador que é a existência de times locais fortes e com apelo. Ainda assim, poucas preenchem tais características: em maior escala, apenas São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre, com Salvador, Recife e Curitiba correndo por fora. Marginalmente, Fortaleza ou Belém (pela quantidade) e Florianópolis (dado o poder aquisitivo).

Enquanto isso, sob a ótica da oferta reside um número ainda maior de complicadores ao futebol como espetáculo. É nesta conta, afinal, que se coloca o péssimo produto oferecido, com dirigentes corruptos, times fracos e com rebarbas da Europa, estádios ruins e gramados esburacados. Mais: aqui entram os graves problemas de segurança pública e falta de infraestrutura de transportes, elementos tão atribuídos como razões da ausência do público nos estádios. Clubes que superaram algumas destas dificuldades, como Corinthians e Palmeiras, vem destoando dos demais.

Em suma, são variados e complexos os componentes da demanda por jogos de futebol no Brasil – questão que muito em breve será retomada aqui no Blog Teoria dos Jogos. Como tal, em Volta Redonda não haveria de ser diferente. A cidade veio tão somente expor a urgência com que se fazem necessárias mudanças estruturais na gestão dos clubes, via planejamento e capacidade de visão de longo prazo. Sem, no entanto, servir como mártir de coisa alguma.

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As (baixas) audiências das finais dos Estaduais 2016

Fig 01
Foto: André Durão/Globoesporte.com

Na tarde de ontem, os principais campeonatos estaduais conheceram os grandes campeões da edição 2016. Além do hexa do Internacional, no Rio Grande do Sul, e da surpreendente vitória do América-MG sobre o Atlético-MG, São Paulo e Rio de Janeiro também viveram suas voltas olímpicas. Mas se as torcidas de Vasco e Santos tem muito o que comemorar, a verdade é que para as emissoras de TV, houve bem menos razões para festejos.

A começar por São Paulo, onde a falta de euforia era um pouco mais óbvia. Embora um grande clube de futebol tradicionalmente bonito confrontasse a maior revelação tática dos últimos anos (Audax), o apelo por uma decisão sempre termina relacionado ao tamanho das torcidas. E o Santos tem apenas a quarta maior do estado de São Paulo. Pior o Audax, time da cidade de Osasco, na região metropolitana, praticamente sem torcida. Por isto, as audiências da final paulista foram as seguintes:

SANTOS X AUDAX

GLOBO – 21 PONTOS COM 40% DE PARTICIPAÇÃO

BAND – 6 PONTOS COM 11% DE PARTICIPAÇÃO

TOTAL: 27 PONTOS COM 51% DE PARTICIPAÇÃO

No agregado, três pontos e 8% acima da primeira partida, jogada domingo passado na casa do Audax. Ainda assim, uma audiência muito baixa em termos de final de campeonato. Menor, por exemplo, que a decisão Santos x Ituano, válida pelo Paulistão-2014 (28 pontos com 54%). Se a comparação for apenas com o torneio de 2016, a finalíssima ficou atrás dos clássicos entre Corinthians x São Paulo (28 com 52% totais) e Palmeiras x Corinthians (31 com 54% totais).

Já no Rio, a final envolvia dois grandes e tradicionais players do estado, Vasco e Botafogo. Mas a derrocada das audiências nos brindou com uma situação ainda mais rara:

VASCO X BOTAFOGO

GLOBO – 24 PONTOS COM 51% DE PARTICIPAÇÃO

BAND – 2 PONTOS COM 4% DE PARTICIPAÇÃO

TOTAL: 26 PONTOS COM 55% DE PARTICIPAÇÃO

Na comparação com o primeiro jogo, até houve aumento no share, de 48% para 55%. Mas a audiência absoluta caiu dos 27 pontos da semana passada para 26 ontem. Trata-se de uma situação raríssima, além de uma enorme demonstração de desinteresse – tanto das torcidas quanto dos telespectadores. Para que se tenha uma ideia, os mesmos times decidiram o Campeonato Carioca 2015 numa jornada de 31 pontos com 59% de participação. O primeiro jogo alcançara 30 com 54%.

Com números tão fracos, as maiores audiências do Carioca-2016 acabaram nas mãos dos dois confrontos entre Flamengo e Vasco: 37% com 57% na fase de grupos (jogado numa quarta-feira, quando os números são tradicionalmente maiores) e 30 pontos com 57% na semifinal.

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A Pesquisa da Vez: Manaus (comparativo 2012)

Foto: Chico Batata (reprodução Globoesporte.com)
Foto: Chico Batata (reprodução Globoesporte.com)

É enorme a expectativa no entorno da semifinal do Carioca, entre Vasco e Flamengo, a ser jogada na Arena Amazônia, em Manaus. Informações dão conta de que toda a carga já foi comercializada, sendo aguardados mais de 44 mil torcedores nas arquibancadas e camarotes do palco manauara. Visando estimar o perfil do público presente, muitas pessoas – desde blogueiros até jornalistas e seguidores – contactam o Blog Teoria dos Jogos em busca de uma simples resposta: quais seriam, de fato, as maiores torcidas de Manaus. Nós respondemos.

Não parece difícil compreender as dificuldades inerentes a se pesquisar opinião na capital da selva amazônica. Embora grande, rica e importante, Manaus fica longe de tudo – e neste caso a assertiva ocorre sem um pingo de discriminação. Trata-se de uma cidade isolada do resto do país por vias terrestres, somente acessível por via aérea ou fluvial. Não por acaso, percebe-se por lá uma carestia atípica, mesmo em se tratando de produtos básicos no ponto de vista do resto do Brasil. Tais dificuldades, naturalmente, também se impõem quando o intuito é pesquisá-la.

Por conta disto, os últimos estudos na cidade se deram na última onda de pesquisas eleitorais, dadas as eleições municipais de 2012. Se isto significa que possivelmente  2016 nos reservará uma atualização dos dados, o lado negativo é que estatísticas de quatro anos atrás podem se mostrar relativamente datadas. De todo modo, e como costuma dizer este blogueiro, “é melhor alguma pesquisa do que nenhuma”. Sendo assim, traremos de volta os números – alguns deles já explorados à época em que ocupávamos os quadros do Globoesporte.com.

Foram dois os institutos a mapearem a capital do Amazonas. O primeiro estudo teve como elaborador o Instituto de Pesquisa do Norte – IPEN. Foram 542 entrevistas entre 06 e 12 de setembro de 2012, o que representa margem de erro de 4,2%. Seguem os resultados gerais, por sexo, faixa etária, nível de instrução e renda:

Fig 01 Fig 02 Fig 03 Fig 04 Posteriormente, veio aquele que se tornaria um grande parceiro do Blog Teoria dos Jogos, o Instituto GPP. Neste caso, foram 1.007 entrevistas elaboradas entre 11 e 13 de outubro, com resultados sendo expostos no mesmo ordenamento: Fig 05 Fig 06 Fig 07

Mesmo diante das diferenças entre os dois institutos, fica clara a vultosa supremacia da torcida do Flamengo na Metrópole da Amazônia. A massa cruzmaltina – ainda que enorme, importante e engajada – é entre 2,2 vezes e 2,6 menor do que a Nação Rubro-Negra, presumindo maior comparecimento vermelho e preto em meio a belíssimas arquibancadas alaranjadas. A própria decisão da Taça Guanabara foi sintomática, com Vasco e Fluminense preenchendo apenas 32 mil dos 44 mil lugares do estádio. De qualquer maneira, o ótimo histórico recente pode servir como motivador aos vascaínos, levando ao equilíbrio de forças no Clássico dos Milhões a ser jogado no coração da floresta.

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Tudo sobre audiências – parte 2: Os campeões de audiência 2015

Prosseguimos nossa série “Tudo sobre audiências”, dada a importância deste indicador como elemento a balizar os repasses de televisionamento. Trata-se de uma sequência de textos que, embora não consecutivos, serão sempre linkados aos anteriores, servindo como banco de dados para consultas dos interessados pelo tema. A série está assim dividida:

Parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Parte 2: Os campeões de audiência 2015

Parte 3: As audiências da Band

Parte 4: As maiores audiências RJ e SP

Parte 5: Audiências em queda: verdade ou mentira?

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Existem inúmeros recortes a serem feitos quando se objetiva explicitar as maiores audiências de uma temporada. Eles podem ter como base tanto a pontuação convencional quanto o share, imprescindível percentual de televisores ligados em um dado canal, que muitas vezes revela o paradoxo da boa audiência num baixo número. Tão importante quanto incompreendido, não focaremos no share desta vez, fazendo dele tão somente critério de desempate no caso de partidas equivalentes em pontos.

RIO DE JANEIRO

Instituímos dois critérios. O primeiro: todas as partidas que ultrapassaram os 25 pontos de audiência na soma Globo + Band. A média foi a seguinte:

FLAMENGO – 16 jogos, 28 pontos e 52% de participação (7 clássicos)

VASCO – 10 jogos, 30,5 pontos e 55% de participação (7 clássicos)

SELEÇÃO BRASILEIRA – 9 jogos (maiores detalhes adiante)

FLUMINENSE – 3 jogos, 26,3 pontos (1 clássico – participação indisponível)

BOTAFOGO – 3 jogos, 28,7 pontos e 55% de participação (3 clássicos)

Apesar de não parecer, o recorte confirma o Flamengo como campeão de audiência no futebol carioca, ao ultrapassar bem mais vezes a barreira dos 25 pontos, mesmo num ano sem qualquer título, poucas decisões e baixo percentual de clássicos contabilizados. Seu número de transmissões de apelo equivale à soma de Vasco, Fluminense e Botafogo.

No entanto, diante dos bons resultados tanto no Estadual quanto na Copa do Brasil (sobre o próprio Fla), é o Vasco quem aparece com maior pontuação absoluta. Só que nada menos que sete de seus dez jogos de maior apelo foram contra rivais cariocas, sendo dois na final do Carioca (contra o Botafogo) e outros cinco diante do próprio Flamengo – pelo Carioca, Brasileiro e Copa do Brasil.

Já a segunda ótica é a das dez maiores audiências no ano – neste caso, explicitadas jogo a jogo. Por aqui, as coisas mudam um pouco de figura. Eis o Top-10 do futebol no Rio de Janeiro em 2015:

Fig 01
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A maior audiência do futebol no ano passado se deu na segunda e decisiva partida envolvendo Vasco e Flamengo pela Copa do Brasil. Os números foram tão impressionantes que igualaram o título rubro-negro na Copa do Brasil 2013 – com dois pontos percentuais a menos de share. Mas percebam: neste top-10, quem teve os melhores resultados foram os cruzmaltinos. Nada menos que seis dos dez jogos envolveram a equipe de São Januário, contra cinco do Flamengo, três da Seleção, dois do Botafogo e um do Fluminense.

SÃO PAULO

Segue a quantidade de vezes em que cada um dos grandes paulistas ultrapassou a barreira dos 25 pontos no agregado Globo + Band:

CORINTHIANS – 15 jogos, 28,8 pontos e 49% de participação (9 clássicos)

PALMEIRAS – 10 jogos, 29,5 pontos e 52% de participação (9 clássicos)

SANTOS – 10 jogos, 28,8 pontos e 48% de participação (10 clássicos)

SÃO PAULO – 8 jogos , 29,1 pontos e e 49% de participação (8 clássicos)

SELEÇÃO BRASILEIRA – 8 jogos (maiores detalhes adiante)

Mais do que no Rio, onde a estatística teve maior relação com o tamanho das torcidas, o perfil de São Paulo deixa clara a importância dos bons resultados para um boom de audiências. Único paulista sem conquistas no ano que passou, o São Paulo se viu como time com menos jogos acima dos 25 pontos, mesmo tendo torcida equivalente à soma de Palmeiras e Santos. De todo modo, São Paulo, Palmeiras ou Santos (que decidiram tanto o Paulista quanto a Copa do Brasil) dependem quase que exclusivamente de clássicos para se catapultarem. Aqui, apenas o Corinthians surgiu capaz de entregar maiores pontuações em jogos “regulares”.

Quanto ao Top-10 de audiências no futebol paulista em 2015:

Fig 02
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Neste caso, a liderança também é corintiana, detendo seis dos dez jogos. O Palmeiras vem em seguida com cinco, seguido por Santos, São Paulo (três cada) e Seleção (um jogo).

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Apesar da supremacia quantitativa de Flamengo e Corinthians e dos ótimos picos atingidos por Vasco, Palmeiras e Santos, é importante que se olhe com especial atenção para outras duas transmissões: as de jogos da Seleção Brasileira e da Champions League.

Em primeiro lugar, é um tanto óbvio que o escrete canarinho se apresenta menos do que a maioria dos times veiculados na TV: no ano passado, foram 14 jogos. E apesar dos recortes desta análise não deixarem claro, a verdade é que a Seleção nunca decepciona em audiências. Abandonemos, portanto, a tabulação acima dos 25 pontos. Em 2015, no cômputo geral de amistosos, Copa América e Eliminatórias, a contestada esquadra de Dunga atingiu 26,3 pontos e 47% de share em média, no Rio. Já em São Paulo, foram 24,7 pontos médios e 43%.

Por fim, a valiosa Liga dos Campeões da Europa. Valiosa porque, ao lado da Seleção (e salvo exceções), são as únicas partidas com veiculação 100% nacional. Elas sequer apareceram no top-10 porque são televisionadas às quartas-feiras no meio da tarde. Trata-se de um horário útil, com número insuficiente de aparelhos ligados para que se atinjam grandes pontuações. Por isto, aqui sim, torna-se importante avaliá-las sob a ótica do share. No Rio, tais embates renderam 20,9 pontos e 45% de participação, em média. Em São Paulo, 19,8 pontos e 42%. O Barcelona, é lógico, foi o mais agraciado, com seis das sete transmissões totais – não sendo computadas partidas transmitidas apenas pela Band.

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Tudo sobre audiências – parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Fig 01

Em tempos de renegociações envolvendo clubes e emissoras, ganhou importância o debate acerca das audiências como elemento balizador dos repasses. Para o leitor do Blog Teoria dos Jogos, não é nenhuma novidade acompanhar este tipo de análise por aqui. Já o fizemos em diversas outras ocasiões, afinal. No entanto, desta vez decidimos ir além: estudar esta questão sob diferentes óticas, junto a informações pouco conhecidas do grande público.

A série “Tudo sobre audiências“ será assim dividida:

Parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Parte 2: Os campeões de audiência 2015

Parte 3: As audiências da Band

Parte 4: As maiores audiências RJ e SP

Parte 5: Audiências em queda: verdade ou mentira?

Todas as colunas vão se referir às audiências do futebol em TV aberta. Embora não sejam necessariamente consecutivas, toda vez que alguma delas for publicada, será linkada às anteriores, servindo como banco de dados para consultas de quem se interessar pelo tema.

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Há duas semanas, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro divulgou a tabela da Taça Guanabara, contendo informações que apenas o olhar mais atento percebeu. Aos dois clássicos do Estadual 2016 que já foram televisionados em TV aberta (Flamengo x Vasco e Botafogo x Fluminense), a  tabela incluiu mais três: o Fla x Flu do Pacaembu, Vasco x Botafogo e Flamengo x Vasco. Isto faz com que sejam cinco os clássicos veiculados pela TV Globo para grande parte do Brasil (ou todo ele, via parabólicas), sem contar com as partidas decisivas do campeonato – muito provavelmente, novos clássicos.

Trata-se do maior número de grandes jogos do Carioca em TV aberta nos últimos tempos. Em 2013, apenas três clássicos foram transmitidos, todos decisivos. Em 2014, foram cinco – mas ao contrário do ano anterior, o Carioca não terminou por antecipação. No ano passado, em seis ocasiões tivemos embates de gigantes veiculados nestas mesmas condições.  Já em 2016, caso nenhum pequeno estrague a festa, podem ser até nove clássicos.

O ineditismo no número de clássicos televisionados inclui o Campeonato Paulista, onde historicamente houve mais jogos do tipo na TV (visando maiores audiências na cidade-sede do mercado publicitário). E é justamente esta a razão encontrada para tal mudança na programação da TV: as diferenças brutais de audiências entre “jogos comuns” e clássicos.

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No Campeonato Carioca 2016, dos onze jogos transmitidos até aqui, oito foram não-clássicos, com média de 20,7 pontos de audiência e 40% de share. Os três clássicos alcançaram 26,6 pontos e 50%. No Paulistão 2016, foram apenas nove jogos, dada a concorrência da Libertadores. Sete não-clássicos atingiram média de 20,6 pontos e 39% de participação. Os dois clássicos marcaram 27 com 49%. Todos os números consideram a soma das audiências de Globo e Bandeirantes.

Em retrospectiva, números parelhos. No Brasileirão 2015, o Rio assistiu a apenas três clássicos, com média de 26 pontos com 53%. Outros 36 jogos envolveram Fla, Flu, Vasco ou Bota contra outras agremiações, marcando 21,7 pontos e 42%. Em São Paulo, quatro clássicos com média de 24 pontos e 45%. Os 34 não-clássicos atingiram 22,5 pontos e 42%.

No Carioca 2015, foram seis clássicos, 28,3 pontos de audiência e 54% de participação. Treze não-classicos, 20,7 pontos e 40%. No Paulista 2015, sete clássicos com 28,3 pontos e 52%. Nove não-clássicos, 19,3 pontos e 38% de share.

No Brasileirão 2014, dois Fla-Flus proporcionaram 25,5 pontos e 53%. Trinta e sete não clássicos marcaram 19,7 pontos com 40%. Em Sampa, seis clássicos, 24,5 pontos e 49% de share. Trinta e dois não-clássicos alcançaram 21,1 pontos e 42%.

Por fim, os Estaduais-2014. No Rio, os cinco clássicos marcaram 25 pontos e 53%. Os onze não-clássicos, 17,7 pontos e 40%. Já em São Paulo, cinco clássicos, 25,6 pontos e 49%. Quatorze não-clássicos, 21,1 pontos e 43%.

Temos aqui uma amostra robusta: 244 jogos. E um veredicto: clássicos proporcionam audiência e share aproximadamente 25% superior aos jogos normais. Em números absolutos, isso representaria algo como 5,5 pontos e 10% de share adicional. Uma enormidade, se considerarmos que cada ponto de audiência representa 69 mil domicílios em São Paulo e 43 mil no Rio. Se o mercado precifica em muitos milhões cada ponto adicional – razão pela qual pagava tão mais a determinados times – imaginem o valor de mercado de um dérbi envolvendo grandes e apaixonadas torcidas.

Portanto, como já foi dito, esta seria uma razão para o aumento no número destes duelos na TV carioca. Trata-se de um processo que, mesmo já corriqueiro, tende também a se intensificar em São Paulo, à medida com que aumenta a concorrência com a cada vez mais diversificada TV fechada. Existem elementos limitadores, como bloqueios de transmissão para a própria praça. Mas é provável que nos futuros contratos estas cláusulas também se flexibilizem.

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