Arquivo da tag: Vasco

O faroeste envolvendo a Globo e o Esporte Interativo

Fig 01

Todos sabem que a Globo é a maior rede de televisão do Brasil e uma das maiores do mundo. Primando por excelência, além de dominar o entretenimento e o jornalismo, sempre coube a ela ditar as regras no tocante ao televisionamento do futebol. Simplesmente porque nunca teve concorrentes à altura, econômica ou estruturalmente, para sentir-se ameaçada em seu reinado. Assim, esteve nas mãos da Globo a transmissão e exploração do futebol brasileiro em suas diferentes mídias: TV aberta, fechada, pay per view, mobile e internet.

Já o Esporte Interativo é de conhecimento mais recente. Pequeno canal esportivo fundado no Rio de Janeiro, demorou para entrar nas TVs por assinatura pela falta de envergadura ao encarar operadoras, Globosat e os titãs da concorrência (Fox Sports e ESPN) – todos conglomerados internacionais. Clube ao qual adentrou há pouco mais de um ano, ao ser adquirido pela Turner, proprietária das redes CNN, TNT, Cartoon Network, Boomerang e outros.

O Esporte Interativo ficou grande. E passou a encarar a Globo naquilo que ela mais preza. Sendo exclusivamente um canal fechado, ofereceu um caminhão de dinheiro aos clubes pela propriedade. Prometendo rateio à inglesa, citação de naming rights e maior flexibilidade de horários.

A negociação deu errado diante dos clubes de maior torcida: Corinthians, São Paulo, Vasco, Botafogo, Cruzeiro e Atlético-MG fecharam ou tendem a fechar com a Globo. Por outro lado, seduziu Santos, Atlético-PR, Coritiba, Internacional e Bahia. Outros podem vir, aumentando o inédito rompimento da exclusividade global, ao menos no tocante a este ambiente em específico.

O problema é que o embate passou a ser enxergado por boa parte da opinião pública e da mídia “especializada” como um bang-bang. Aqueles antigos filmes de faroeste que opõem claramente o bandido opressor ao mocinho redentor. Clara e respectivamente representados pela vilã Globo e o herói Esporte Interativo.

Não é por aí. Nem um pouco.

Se é correto o conceito de “monopolista” aplicado à Globo nas últimas décadas, ele o seria com base nos princípios schumpeterianos do termo. A emissora foi simplesmente a vencedora, tendo sua primazia construída com base no mérito, em anos de parceria e ótimos serviços prestados. E, sim, nos preceitos de livre mercado! Afinal, na hora H, os concorrentes nunca sustentam a postura inicial de confrontamento a ela.

Tudo, evidentemente, apesar dos pesares. Dos interesses que envolvem as Organizações Globo. Da intransigência em seus princípios comerciais, no engessamento da programação ou nas exageradas exigências quanto à postura “chapa branca” de seus profissionais. Ninguém está aqui para defendê-la.

Ainda assim, não temos uma vilã, mas uma renomada empresa líder de mercado. E até por isto, com muito poder de barganha, condição que todo entrante pequeno e desprestigiado almeja alcançar.

Por outro lado, o Esporte Interativo surge como um sopro de renovação. Injetando recursos – ou fazendo com que a Globo o faça, ao suas cobrir propostas – oferece coisas novas e bacanas. Mas não se enganem, todos aqui possuem interesses e proibições, regra que passa longe de não se aplicar ao canal. Conflitos entre fornecedores e clientes, afinal, sempre transparecem – mas só quando a relação está consumada. Apelar para o emocional ou vender-se como uma espécie incompreendida de Robin Hood não faz o feitio da Time Warner, controladora da Turner. Que nos EUA, de boba nunca teve nada.

Cabe a nós aguardarmos as cenas dos próximos capítulos, na certeza de que a dicotomia já está estabelecida – dado o fechamento de contratos com ambas as emissoras. Aguardemos ainda as futuras rodadas de negociação pelo mais desejado filão, o do televisionamento aberto, que não contará com o Esporte Interativo. Nem por isto são aceitáveis as acusações de fragilização dos clubes perante a futura rodada de conversações. Ninguém sabe como estará o mercado daqui a um ou dois anos.

No mais, entrantes sempre poderão suplantar a Globo – vide a Fox Sports, com os direitos da Copa Libertadores. Basta oferecer mais, oferecer melhor. E convencer os clubes da pertinência da migração. Alguém falou que seria fácil?

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o blog Teoria dos Jogos no Facebook!

O ranking das cotas de TV – Estaduais 2016

Por conta das negociações com emissoras interessadas na transmissão do Brasileirão, só se fala em cotas de TV. No entanto, existe um torneio totalmente presente em nossas vidas, casas e aparelhos de TV, para o qual pouco nos atentamos. Tratam-se dos estaduais, cujas renegociações também se encontram em pleno vapor, ainda que envolvam cifras menos polpudas e distorções muito mais injustificáveis do que as geralmente apontadas.

Assim como tantas outras receitas de marketing, os valores pagos pelos estaduais não são fáceis de ser descobertos. Primeiro porque, nos balanços patrimoniais, a maioria dos clubes não discrimina as receitas de televisionamento. Eles classificam-nas como “Cotas de TV” numa conta única, sem separar Brasileirão, estaduais e outros torneios. E eles são muitos: Libertadores, Copa do Brasil, Primeira Liga ou amistosos, todos trazem recursos pagos pela televisão.

Enfim: com base em informações veiculadas na mídia, balanços, orçamentos e borderôs (como os da FERJ, que incluem cotas de TV), este seria o ranking dos quatro principais estaduais do país:

Fig 01

Percebam, em primeiro lugar, a discrepância de valores entre estaduais e o Brasileirão. Embora o nacional dure exatamente o dobro de um estadual (seis meses e vinte dias, contra três meses e dez dias do Carioca), a diferença paga chega, em alguns casos, a mais de dez vezes. Isto sem discrepância nas audiências – com leve tendência (acreditem) aos próprios estaduais: em 2015, dezesseis jogos do Paulista registraram média de 18,5 pontos para a Globo (quem paga a conta), enquanto 38 jogos dos clubes de São Paulo bateram 17,9 pontos no Campeonato Brasileiro.

Em segundo lugar, temos a diferença a favor do Paulista em detrimento dos demais torneios. Aí, parte da explicação reside nas rodadas de negociação: em São Paulo, os valores se referem à última leva de assinaturas*, fechada ao final de 2015 e válida pelos próximos anos. Já no Rio e no Rio Grande do Sul, o último ano do antigo contrato é justamente o atual, com conversas possivelmente iniciadas nos próximos meses. Antes do litígio entre Fla, Flu, FERJ e Primeira Liga, estimava-se para os cariocas algo em torno de R$ 11 milhões, que podem cair pela manutenção das incertezas.

*Estima-se que as luvas tenham ficado na casa dos R$ 20 milhões.

Ainda assim, a primazia de Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos se manterá. Diferente do Brasileirão – quando a Globo equipara Flamengo e Corinthians – pelos estaduais, os times do estado mais rico se beneficiam da robustez de seu mercado. Isto num torneio transmitido apenas para dentro de suas fronteiras, ao contrário do Carioca – veiculado em outras 14 praças.

Em terceiro, verifica-se a total equiparação dos grandes de um mesmo estadual no rateio da grana. A projeção desta equidade distributiva configura um sonho para a maioria dos clubes envolvidos na gritaria contra a suposta “espanholização”. Seguindo critérios de audiência e número de partidas, Flamengo e Corinthians recebem muito mais do que seus pares no Campeonato Brasileiro. Nos estaduais, não.

Um quarto elemento ainda salta aos olhos. Miudezas à parte, os maiores times do Rio recebem igual aos grandes gaúchos e mineiros. E isto não se dá porque a Globo paga o mesmo, mas porque nestes, os clubes de menor investimento pagam a conta. Enquanto no Rio um pequeno desembolsa até R$ 2,5 milhões (em São Paulo, mais de R$ 3 milhões), no Rio Grande não se aufere mais do que R$ 800 mil. Melhor do que em Minas, onde restam míseros R$ 300 mil para cada agremiação.

Enquanto o foco no Brasileirão recai sobre absurdos bem menos inexplicáveis, a verdade é que as cotas de TV nos Estaduais são aquilo que se convencionou por “samba do crioulo doido”.  Valores baixos, distribuição heterodoxa e equiparação de clubes de porte totalmente diferente.

Que o diga a Ponte Preta, faturando quase igual ao Flamengo…

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o blog Teoria dos Jogos no Facebook!

O ranking das visitações 2015

Atenção: este ranking sofreu modificações após o envio das informações relativas ao Internacional. Clique aqui e confira a coluna “Os números da Visita Colorada (atualização do ranking”. (19/01/2016)

Após um breve recesso de início de ano, o Blog Teoria dos Jogos retorna suas atividades trazendo aquilo que sua audiência mais gosta: ranking comparativos. Desta vez, trataremos de informações inéditas sobre o quantitativo de torcedores recebidos nas diversas modalidades de visitações aos maiores clubes brasileiros.

Não se pode dizer que visitas guiadas sejam alguma novidade, já que sempre existiram nos principais estádios e salas de troféus. Mas é possível entender que, com a modernização da estrutura dos clubes – seja através da construção de arenas ou centros de treinamentos de ponta – este filão vem se mostrando cada vez mais rentável e atrativo. Tanto que hoje, em muitos casos a exploração se dá por meio de empresas terceirizadas e especializadas na atividade, caso da Futebol Tour.

Elaborar um ranking das visitações é algo passível de injustiças devido à enorme heterogeneidade que envolve as diferentes estruturas. Alguns possuem estádio próprio, outros não – e nem todos são proprietários de uma arena modernizada. O mesmo se aplica aos centros de treinamento, já que existem casos de equipes que treinam no próprio estádio devido à ausência de um CT. Salas de troféus são algo comum a todos, enquanto museus ainda são raridade. Por fim, existem modelos que mesclam todas as modalidades, como salas de troféus dentro de uma arena.

Em meio às diferenças de apelo e chamarizes, procuramos classificar o tipo de visita promovida pelos doze maiores clubes do Brasil – mas Internacional, Santos e São Paulo infelizmente não nos responderam. O resultado foi o seguinte:

Fig 01
Clique para ampliar

*Os números de Fluminense e Botafogo se referem apenas ao final de 2015 (meio de novembro em diante)

Conforme já havia sido noticiado pela mídia, a grande campeã na temporada 2015 foi a Arena do Grêmio. Apesar de excelente, o número de 50 mil visitantes equivale ao total de pessoas recebidas pelo Maracanã em apenas um mês*. Segundo a Futebol Tour, que administra a visita à arena tricolor, apenas entre os dias 26 e 27/12 e 02 e 03/01/2016 (números não computados), 2,5 mil pessoas passaram pela Arena, um recorde.

*Informação corrigida

A segunda colocação (bem próximo do líder) ficou com o Tour do Allianz Parque, lar do Palmeiras. A vantagem alviverde é que as visitas só começaram no mês de março de 2015, o que presume uma média mensal quase igual à do Grêmio. Segundo a Futebol Tour, que também organiza o passeio palmeirense, o mês de julho foi o grande destaque, quando os ídolos Marcos, Ademir da Guia e Evair chegaram a atuar como “guias”. Com tantos atrativos, 8 mil visitantes passaram pela arena naquele mês. A expectativa é de que o número seja ainda maior em 2016, quando o Palmeiras disputa a Copa Libertadores e planeja novas ações com ídolos do clube.

O clube que completa a trindade administrada pela Futebol Tour é o Flamengo, no terceiro posto. O rubro-negro, por meio de sua Fla Experience, constitui o caso mais bem sucedido de visitas que não passam por um estádio – trata-se de uma sala de troféus com características híbridas às de um museu. Julho também foi mês de recorde, quando 2 mil pessoas passaram pelos salões do clube.  A seção interativa está se planejando de maneira especial para receber os turistas durante os Jogos Olímpicos Rio-2016.

As visitas à Cidade do Galo são exclusividade dos integrantes do programa “Galo na Veia”. Segundo o diretor de Comunicação do Atlético, Domênico Bhering, do total de cinco mil visitantes em 2015, três mil foram associados do projeto; outros mil vieram de escolas e instituições, além de mil conselheiros e seus familiares.

A partir de então, surgem os modestos números de Fluminense, Cruzeiro e Botafogo. Parte da explicação recai sobre o recorte limitado das informações referentes aos cariocas (apenas a partir de novembro), embora nossa apuração dê conta de que a média mensal de ambos pouco ultrapassasse os 400 visitantes. Já o Cruzeiro só organizou doze visitas VIP à Toca da Raposa, média uma por mês.

Por fim, para Corinthians e Vasco não houve visitações ao longo do ano de 2015. Para o primeiro, uma questão de tempo, dado o projeto já em processo de implementação. No caso do Vasco, como sempre, estamos diante de uma incógnita – posto que as visitas eram objeto de estudo por parte da diretoria de marketing afastada ao final da temporada.

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

A Pesquisa da Vez: Volta Redonda (RJ) – EXCLUSIVO

Localidade: Volta Redonda (RJ)

Instituto: GPP (http://www.gpp.com.br/)

Amostra: 400 entrevistas em 19 de dezembro de 2015

Margem de erro: 4,9 p.p

Os dias dezenove e vinte e nove de dezembro de 2015 são históricos para o Blog Teoria dos Jogos. Tratam-se das datas em que mapeamos e divulgamos os resultados de um dos maiores sonhos deste blogueiro. Nascido há 33 anos na cidade de Volta Redonda, a 120 km da capital fluminense, são desnecessárias explicações sobre o porquê do desejo de pesquisar torcidas na “Cidade do Aço”. Local de onde, orgulhosamente, redijo estas palavras.

Indo além da importância econômica neste que é o berço da siderurgia nacional, Volta Redonda se mostra ainda a segunda cidade mais importante do estado do Rio numa abordagem futebolística. Tudo por conta do estádio Raulino de Oliveira. Durante o Campeonato Carioca, ele hospeda não apenas o Voltaço, time da casa, como um sem número de agremiações do interior, alijadas de mandarem partidas de maior porte em suas canchas. Mas não são apenas os pequenos. Basta acontecer algo com os grandes palcos da capital – como ocorrerá em 2016, com Maracanã e Engenhão entregues aos Jogos Olímpicos – e dá-lhe Estádio da Cidadania como válvula de escape. Não por acaso, trata-se do único estádio do interior a abrigar uma final do Estadual, em 2014, quando o Botafogo superou o Fluminense em solo voltarredondense.

Num resgate da parceria de maior sucesso da história do Blog, o Instituto GPP vem nos brindar com números exclusivos acerca da maior cidade da região Sul Fluminense:

Fig 01

 

De cara, já se pode taxá-los como surpreendentes. Não pela esmagadora maioria rubro-negra (42,9%), algo sabido e esperado, mas pelo absoluto equilíbrio entre Vasco (10,8%), Botafogo (10,6%) e Fluminense (8,6%). Quem é de Volta Redonda sabe que por aqui, a torcida cruzmaltina sempre se fez ouvida, especialmente em bares e conglomerados do bairro Aterrado, um dos centros da cidade. Mas desta vez, os números revelaram um interessante alinhamento com o quantitativo de botafoguenses. Nem mesmo os alvinegros esperariam este terceiro posto, dada a relevância da torcida tricolor na cidade.

Diante do exposto, dois pontos precisam ficar claros: 1) a margem de erro da pesquisa, de 4,9 pontos percentuais; 2) a fragilidade do “olhômetro” como método de pesquisa. Tendo isto claro, uma explicação para o ordenamento passaria pelo desalento dos vascaínos num estudo elaborado cerca de duas semanas após o terceiro rebaixamento em sete anos. O mesmo efeito, só que contrário, poderia ser atribuído à ascensão botafoguense, já que seus próprios adeptos se consideram os únicos a terminarem a temporada 2015 “em alta”. Outra estatística importante é a de 7,8% dos entrevistados que não responderam ao questionário. O material continha indagações de diversas outras naturezas, e o desalento pode ter impactado de maneira sintomática sobre a decisão voluntária dos vascaínos.

Uma segunda questão seria a não confirmação do crescimento paulista na cidade. Distante apenas 50 km do estado de São Paulo, Volta Redonda há algum anos se tornou um polo educacional que atrai muitos estudantes. Ainda que novamente o visual revele camisas forasteiras, o fato é que apenas Corinthians e Palmeiras foram citados, ambos abaixo de 0,5% das preferências.

Uma terceira e última abordagem se refere ao Volta Redonda, citado por míseros 0,4% dos habitantes. Em toda a região, o Tricolor de Aço nutre simpatias de “segundo time” que se “purificam” à medida com que bons resultados são colhidos – algo inexistente desde a era de ouro 2004-2006. De qualquer maneira, causa preocupação um número tão baixo de torcedores do Voltaço.

Por gênero e faixa etária:

Fig 02

A consolidação da Estrela Solitária na cidade se dá entre homens, faixa em que ultrapassam o Vasco (16,5% a 13%). Nesta, flamenguistas são 47,6% e tricolores, 10,1%. Se o Voltaço (0,9%) ainda assim não atinge a marca unitária, ele ao menos ultrapassa o número de corintianos no local. Apenas 7,6% dos homens não tem time, contra 26,9% de mulheres.

Já no recorte etário, o crescimento do Flamengo entre jovens de 16 a 24 anos – faixa onde sobe a 57,3% – não é tão expressivo quanto o verificado em outras cidades ou no próprio estado do Rio.  Ainda assim, o Rubro Negro é o único a ampliar sua base com a renovação das gerações, já que marca apenas 27,9% acima de 60 anos. Entre os idosos, a segunda torcida é a do Botafogo (14,8%) e a terceira é a do Fluminense (13,9%), tendo o Vasco apenas 6,4%. Todos os torcedores do Volta Redonda se encontram acima dos 45 anos. Os de times de fora, sempre abaixo dos 34.

Por escolaridade:

Fig 03

 

Embora sejam historicamente clubes de massa, tanto Flamengo quanto Vasco encontram seu maior quantitativo em meio a pessoas com 2º grau completo e superior incompleto (46,6% e 13,1%, respectivamente). Já Botafogo (16,6%) e Fluminense (12,2%) são maiores entre graduados em uma faculdade. Surpreende o percentual de botafoguenses entre aqueles com menos ensino formal: 15,3% dos que não possuem primeiros grau completo. Como sempre, quanto mais se estuda, mais se gosta de futebol: a evasão cai de 28,3% para 12,1%.

Por fim, o recorte de renda:

Fig 04

 

Embora reine absoluto em meio aos mais ricos (42,5%), é entre pobres que o Flamengo encontra maioria absoluta: 50,5% daqueles que ganham até um salário mínimo. A torcida vascaína é a que mais aumenta à medida com que se enriquece, saindo de 5% para 14% acima dos cinco salários mínimos. Curiosamente, tanto Botafogo quanto Fluminense encontram seu pico em escalas intermediárias de renda. Indo contra os prognósticos, apenas 6,5% dos tricolores desfrutam de maior poder aquisitivo em Volta Redonda.

FELIZ 2016!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

A Pesquisa da Vez: Uberlândia 2015

Localidade: Uberlândia/MG

Instituto: PS Marketing

Amostra: 400 entrevistas, entre 11 e 12 de março de 2015

Margem de erro: 5 p.p

De um tempo para cá, Uberlândia se tornou a cidade brasileira mais frequentemente mapeada no tocante a suas torcidas. Tudo começou em 2008, numa pesquisa elaborada pelo Instituto Veritá e publicada pelo antigo Blog Teoria dos Jogos (do Globoesporte.com). Depois, veio a “era” do instituto PS Marketing. Eles fizeram um estudo em 2011 e outro em 2014, já repercutidos neste espaço. Pouco mais de seis meses depois, voltaram à carga.

Ao contrário dos anos anteriores, desta vez a PS Marketing abriu os recortes por sexo, idade, renda e escolaridade. Mas o que seria boa notícia, infelizmente se tornou motivo de frustração. Tudo por conta da incapacidade do instituto de compilar e analisar suas próprias informações.

Outro esclarecimento importante é que em lugar algum as torcidas se modificam com o passar de meses. Por conta disto, modificações pontuais podem e devem ser atribuídas a movimentos dentro da margem de erro – em se tratando de nada desprezíveis cinco pontos percentuais.

Dito isto, vamos à atualização do perfil da segunda maior cidade do estado de Minas:

Fig 01

O Flamengo nada de braçadas na cidade, apresentando percentual (20%) que representa o dobro da segunda maior torcida, a do Corinthians (10%). Dentro das flutuações de margem de erro descritas, curioso notar que as duas maiores torcidas verificaram quedas idênticas – na casa de três pontos percentuais – desde o ano anterior. O Cruzeiro segue como terceiro maior (8%) e o São Paulo é quarto (7%). Em seguida temos Vasco (6%), Palmeiras (5%), Atlético-MG (4%), Santos (2,5%) e Uberlândia (1,25%). Todas as demais agremiações não ultrapassam a marca unitária. Indivíduos sem time somam importantes 31%.

Por gênero:

Fig 02

Entre os principais consumidores de futebol (indivíduos do sexo masculino) o Flamengo é ainda maior em Uberlândia, monopolizando 22% das preferências. Ainda entre eles, São Paulo e Vasco saltam a 9%, ultrapassando o Cruzeiro (8%) e se equiparando ao próprio Corinthians. O time paulista, aliás, é o único com maioria feminina (10%), algo há muito verificado em nossas análises. Em meio a elas, vascaínas são apenas 2%, um impressionante desequilíbrio de gênero da torcida cruzmaltina. Outro dado importante é a rejeição do futebol entre mulheres em escala duplicada: 42% das uberlandenses do sexo feminino não possuem time, contra 21% dos homens.

Por idade:

Fig 03

Uma das informações mais importantes em análises desta natureza, o perfil das torcidas por faixa etária foi onde a PS Marketing mais pisou na bola – o que denota que nem mesmo pesquisadores sabem lidar com números por eles produzidos. Percebam que na faixa mais jovem, Corinthians e Cruzeiro destoam, cada um com 33% das preferências. Com 17% – exatamente a metade – vem o São Paulo, e só então surge o Flamengo, com 8% (metade da metade). Nas faixas seguintes a coisa muda de figura, com o Flamengo tomando a dianteira inclusive entre jovens. O que teria acontecido?

Vote no Blog Teoria dos Jogos no Prêmio Top Blog 2015

O problema começa pelo número excessivo de faixas, sete, algo demasiado em se tratando de uma pesquisa com baixo número de entrevistados. Se dentro de cada faixa a margem de erro é explosivamente maior, o que dizer do primeiro recorte – que inclui entrevistados com idade entre 16 a 17 anos? Enquanto os demais contemplam toda uma geração, com intervalos de oito a dez anos, pouquíssimos foram ouvidos numa faixa (16-17) que representa cerca de 3% da população brasileira. Assim, é praticamente certo que tenham sido apenas doze indivíduos: quatro corintianos e cruzeirenses, dois são paulinos, um flamenguista e um “nenhum”. Infelizmente, nada se pode auferir num universo tão restrito. E o instituto deveria saber disto.

Analisando as demais faixas, flamenguistas são maioria entre jovens e adultos, mas atingem o ápice (31%) entre 36 a 45 anos – a tão falada “era Zico”. O Corinthians cresce à medida com que rejuvenesce, saindo de 3% em meio a idosos para 14% entre 18 e 25 anos. O Cruzeiro é a segunda maior torcida dos 46 aos 55 anos (12%), o São Paulo é vice de 26 a 35 (14%) e o Palmeiras é terceiro entre 56 e 65 anos (8%). De maneira surpreendente, a supremacia acima dos 65 pertence ao Vasco, com 10% das preferências.

Por escolaridade e classes sociais, mais equívocos:

Fig 04

O instituto não explica a diferença entre Fundamental I e II, assim como não diz qual o nível de renda associado a cada uma das (novamente excessivas) classes sociais. O mesmo erro cometido nas faixas etárias pode ser verificado, já que na classe A1, apenas Flamengo, São Paulo e Nenhum aparecem com citações – denotando outro recorte minimalista.

Podendo se auferir tão pouco, o Blog Teoria dos Jogos espera que o instituto PS Marketing melhore suas análises, sob pena de desperdiçar estatísticas tão valiosas.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

Análise: O Mapa das Curtidas – Minas Gerais

Após nos debruçarmos sobre dois dos três estados mais plurais em termos de torcidas – Santa Catarina e Paraná – chegou a vez de desembarcar no último vértice deste triângulo. Trata-se de Minas Gerais, quarta maior unidade federativa e segunda mais populosa do Brasil. Um dos berços do país como o conhecemos, cuja diversidade cultural e étnica denota à perfeição nossos contrastes, mazelas e as próprias preferências clubísticas.

Fig 01

De acordo com as curtidas no Facebook, Minas surge como enorme mancha azul celeste no centro do Brasil: Entre seus 853 municípios, 561 são de maioria cruzeirense. Embora faça frente ao Cruzeiro em muitos lugares, em nenhum o Atlético-MG se mostra acima do arquirrival, uma situação inesperada. Em território mineiro, inimigos íntimos são mesmo Flamengo e Corinthians. O rubro-negro predomina nas regiões da Zona da Mata (divisa com o Rio) e onde o Triângulo Mineiro “toca” o estado de Goiás – além de cidades esporádicas nos limites com Espírito Santo e Bahia. Já os corintianos são hegemônicos no Sul de Minas, no Triângulo “paulista” (divisa com São Paulo e Mato Grosso do Sul), além de duas pequenas cidades em pleno Vale do Jequitinhonha.

Um olhar mais apurado sobre Cruzeiro e Atlético:

Fig 02

A diferença entre os arquirrivais é tão flagrante quanto o Blog Teoria dos Jogos sempre sugeriu. Em recente entrevista ao site ESPN FC, este blogueiro afirmou que em Minas, “time do povo” seria o Cruzeiro – especialmente no interior, região onde o equilíbrio se dissiparia em favor do universo estrelado. Situação mais que evidente ao analisarmos o Mapa das Curtidas.

Com exceção das extremidades flamenguistas e corintianas, a torcida do Cruzeiro está presente ou na liderança em quase todas as regiões. Mais: pode-se dizer que o azul celeste transporta fronteiras, verificado em pequenas cidades do outro lado das divisas (Goiás, Espírito Santo e até Bahia). O mesmo não se pode dizer do Galo, restrito a Minas e, em muitos casos, relegado à terceira importância. Curiosamente, o Atlético é curtido em 100% dos 5.564 municípios brasileiros. Em cinco deles, o Cruzeiro não se viu agraciado.

Quanto aos times paulistas:

Fig 03

O nível de difusão da torcida do Corinthians pelo estado de Minas talvez represente uma das grandes surpresas do Mapa das Curtidas do Globoesporte. Os alvinegros só se veem alijados na “meiuca” da região metropolitana de BH, sendo fortemente representados até onde o Flamengo está ausente (Norte de Minas). Em todas as partes, o Timão traz consigo outro grande antagonista: o São Paulo. Em paleta de cores mais suavizada, o Tricolor Paulista se percebe em quase todas as mesorregiões onde há corintianos. O mesmo não se pode dizer de palmeirenses e santistas: O Verdão é terceiro e o Peixe quarto somente em determinadas cidades do Sul e do Triângulo.

Já os times do Rio:

Fig 04

A característica mineira do Mengão é clara. Sua torcida domina as áreas em que o estado faz divisa com outros de maioria rubro-negra. É assim na Zona da Mata (divisa com o próprio Rio), na Triângulo (fronteiriço a Goiás) e nas regiões do Vale do Rio Doce, Mucuri e Jequitinhonha, próximas à Bahia. Adentrou, perdeu. No zonal interior, o Flamengo não só perde espaço para Cruzeiro e Atlético como para o próprio Corinthians.

Quanto aos demais cariocas, estes não correspondem às expectativas – ao menos pelo Facebook. Vasco e Botafogo só aparecem na Zona da Mata, além dos cruzmaltinos em pequenos municípios do Triângulo. O Fluminense, nem isso. Outra grande revelação do “Mapa” foi justamente a distância entre os quase inexistentes tricolores e os representativos botafoguenses na região da Mata. Enquanto o Botafogo detém a segunda torcida em nove municípios (entre eles a importantíssima Juiz de Fora), o Flu é no máximo terceiro em quatro – destaque para Além Paraíba.

O que faltaria para o “Mapa” se tornar pesquisa? Além de ampliar a amostragem na direção de pobres e idosos, necessário seria contemplar o percentual dos que não torcem por time algum. Enquanto a primeira premissa apenas se soluciona através de pesquisas científicas, a segunda foi abordada num exercício pelo leitor Paulo Henrique Salles. Ele planilhou os percentuais das quatro principais torcidas nos 20 maiores municípios mineiros – que respondem por 40% da população. Depois, considerou que 70% da população torça por alguém, projetando conservadora margem de 30% para o “Nenhum”. Daí, auferiu qual seria o tamanho exato dos rivais caso o resto do estado tivesse o mesmo perfil das cidades selecionadas. Eis o resultado:

Fig 05
Clique para ampliar

Com base nos critérios descritos, a torcida do Cruzeiro representaria 26,48% da população de Minas Gerais, frente a 18,64% do Atlético-MG, 6,81% do Flamengo e 5,17% do Corinthians. Panorama absolutamente fiel ao demonstrado por pesquisas sérias no estado.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

Análise : O Mapa das Curtidas – SC e PR

Prosseguindo a série de análises com relação ao “Mapa das Curtidas do Facebook” – uma parceria da rede social com o Globoesporte.com – é a vez de subirmos um pouco. Após detalhar o nada diversificado perfil das preferências no Rio Grande do Sul, é a vez de nos atermos aos estados de torcida mais plural do Brasil: Santa Catarina e Paraná.

Em nosso país, uma das principais características das preferências clubísticas é a dicotomia entre capital e interior. Com exceção de Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul – além de estados do Norte e Nordeste dominados por forasteiros – são muitos os exemplos de rivalidades entre torcidas que perdem força à medida com que se afastam de suas zonas de influência. Neste sentido, três lugares chamam atenção: Por ordem de “pluralidade”, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Os dois primeiros podem ser vistos na imagem abaixo:

Fig 01

Uma característica comum entre ambos é o predomínio de times da capital num limitado perímetro que vai pouco além da região metropolitana. A região central é dominada por paulistas no Paraná (Flamengo depois) e Flamengo em Santa Catarina (paulistas e Vasco em seguida). Já o oeste catarinense e paranaense são de predomínio gaúcho, com supremacia de Grêmio e Internacional.

Mas o perfil de Santa Catarina vai além, muito pela quantidade e força dos times locais. Começando pelos do interior:

Fig 02

Para surpresa geral, a Chapecoense é, de longe, o clube com difusão mais avançada de Santa Catarina. Mesmo que o “Mapa” seja focado em redes sociais e potencialize simpatias, a verdade é que a zona de influência do Verdão do Oeste se espalha por uma área pouco comum em se tratando daquele estado. O clube está entre os quatro mais curtidos em nada menos que 246 localidades. Consegue ainda uma proeza quase inimaginável: influenciar pequenos municípios gaúchos limítrofes a Chapecó.

Vote no Blog Teoria dos Jogos no Prêmio Top Blog 2015

Já a difusão dos outros rivais do interior é mais restrita a municípios-sede e entorno, sem se espalharem tanto pela região em si. Ainda que nas cidades-natal, Joinville e Criciúma, superem a Chapecoense em percentual de curtidas (38,6%, 46,6% e 37,3%, respectivamente). O JEC angaria uma das quatro primeiras posições em apenas 12 municípios, enquanto o Tigre o faz em 48.

Fig 03

As coisas não são muito melhores para os times da capital. Inseridos numa grande região de influência flamenguista, Figueirense e Avaí só conseguem leve supremacia na zona de menos de um milhão de habitantes que circunda Florianópolis. Neste raio, a supremacia do Figueira é evidente – confirmando a histórica evidência do “time do continente” que relega a identificação avaiana à pouco populosa ilha. O Figueirense detém preferência em 15 municípios, trazendo o Avaí na segunda posição em 14 deles.

Quanto aos times de fora, eis o mapa de calor:

Fig 04

Fig 05

Trata-se de um perfil bastante semelhante ao da pesquisa científica publicada pelo Blog Teoria dos Jogos ainda em seus tempos de Globoesporte.com. O Flamengo domina a maioria do estado, sendo segundo em cidades corintianas ou gremistas. Fica em terceiro no entorno de Florianópolis, em quarto no extremo sul e em sexto na região oeste, onde o predomínio é do Grêmio e depois do Internacional.

Parte da divisa entre SC e RS verifica notável crescimento do Corinthians – terceiro por ali e segundo nas regiões centrais. O Vasco cresce nas cercanias de Tubarão e Rio do Sul, ficando entre o segundo e o terceiro posto. Já o São Paulo fica em terceiro ou quarto nas regiões norte e central. Palmeiras e Santos surgem com representação residual nos limites com o Paraná.

Fig 06

Perto do estado vizinho, a atmosfera paranaense soa menos difusa, ainda que se trate de um dos representantes da pluralidade anteriormente debatida. Pelo Facebook, o Paraná é uma mancha corintiana, com contornos atleticanos na capital e gremistas no oeste. Esporádicas maiorias flamenguistas finalizam uma pintura que, comparada aos resultados científicos, traria dificuldades na distinção entre original e cópia.

A superioridade do Atlético-PR se dá ao longo do um perímetro maior do que o Coritiba: o Furacão é um dos quatro mais curtidos em 43 municípios, frente aos 28 do Coxa. Sendo que o alviverde não lidera em nenhum, derrotado pelo Corinthians em plena cidade de Curitiba – possível distorção da apuração via rede social. Se é assim com o Coxa, sabido detentor de boa torcida, imaginem com o Paraná Clube? Sua melhor posição é um irrisório 4º lugar em Bocaiúva do Sul.

Fig 07

Fig 08

As verdadeiras donas do Paraná são as torcidas de São Paulo. Como já foi dito, o Corinthians é líder absoluto em todas as regiões onde Atlético-PR ou Grêmio não aprontam. Com vantagem tricolor, São Paulo e Palmeiras vem a reboque – ainda que a quantidade de lugares onde o Palmeiras é vice não seja desprezível, incluindo cidades como Umuarama e Apucarana. Há espaço até para o Santos: segundo em duas cidades (Jardim Alegre e Nova Aurora) e terceiro em outras tantas. Oeste e Sudoeste são divididos por Grêmio e Internacional, finalizando uma zona de influência que só volta a ter relevância em rincões agrários do Centro Oeste. De qualquer maneira, pode-se dizer que em termos de torcidas, o Paraná seria quase um quintal do estado de São Paulo.

Sim, “quase”. Em meio a paulistas, gaúchos e paranaenses, surge a exceção de sempre: o Flamengo. Por lá, o se faz presente como segundo mais curtido em muitos municípios próximos à divisa com Santa Catarina (destaque para Guarapuava e Ponta Grossa). Tem mais: em Rio Negro, Campo do Tenente e Paranaguá (litoral), é o rubro-negro quem dá as cartas, liderando em curtidas. Nada disso em companhia do Vasco: ao contrário do que ocorre em Santa Catarina, cruzmaltinos praticamente inexistem no Paraná.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

Uma nova fronteira

Ontem, Flamengo e Vasco fizeram o primeiro grande clássico sob a égide da nova política de fiscalização das meias entradas – anunciada há pouco mais de duas semanas. Em tempos de profunda crise econômica e dificuldades para a mera manutenção do nível das receitas, os resultados foram promissores. Abaixo, e em primeira mão, o borderô da partida:

Fig 01

A renda de R$ 1.986.400,00 registrou aumento de 17% no ticket médio dos jogos do Flamengo (de R$ 42 para R$ 49). Em se considerando o público pagante de 40.240, isto representou um expressivo ganho adicional de R$ 300 mil. Na comparação com o último jogo do Flamengo no Maracanã (Cruzeiro), o total de meias caiu de 58% para 50,4%. Se a comparação retroagir ao Flamengo x Vasco do dia 19 de agosto, a queda é ainda mais expressiva: nada menos que 71% dos torcedores pagaram a metade naquela ocasião.

A evolução segue inconteste entre os sócios-torcedores do Flamengo, acostumados a pagarem “meia da meia”. Neste meio, o percentual ontem caiu de 73,8% para 60%. Melhor ainda é o resultado no Setor Norte – o mais barato e que abriga as torcidas organizadas. Por ali, as meias saíram de 81% para 63,5%. Segue a visualização dos resultados por setor do Maraca:

Fig 02

Para descobrir se os resultados corresponderam às expectativas, o Blog Teoria dos Jogos conversou rapidamente com Marcelo Frazão, diretor de marketing da Concessionária Maracanã S.A.

Blog Teoria dos Jogos: Embora a evolução tenha ocorrido a olhos vistos, metade do público pagante no clássico de ontem adquiriu ingressos de meia entrada. A que vocês atribuem este número ainda alto?

Marcelo Frazão: Trata-se de um processo em queda – e já bem acentuado nestes primeiros jogos com a nova política. Com a intensificação da fiscalização e da comunicação, imagino que ainda tenhamos espaço para atingir um percentual de meias entradas entre 40% e 45% do público pagante.

Blog Teoria dos Jogos: Qual foi o contingente destinado à fiscalização? A concessionária precisou fazer contratações? Considera o número atual adequado?

Marcelo Frazão: Houve um aumento na equipe de acesso e gradeamento na ordem de 10% a 15%, dependendo do jogo e dos setores abertos. Investimos também em hand helds para leitura dos cartões de sócios torcedores e ajustamos a logística de entrada com filas específicas. Estamos em ajustes nestas operações iniciais de fiscalização, mas os resultados são claros e demonstram que estamos no caminho certo.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

A Pesquisa da vez: Distrito Federal (nascidos e imigrantes)

Há cerca de um ano, a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan-DF) terminou um robusto mapeamento sobre o perfil de seus moradores, no âmbito da 3ª PDAD (Pesquisa Distrital por Amostra Domiciliar). Uma das informações presentes era a configuração de torcidas da capital, algo extremamente valioso por conta da escassez de informações do gênero.

À época, o Blog Teoria dos Jogos chegou a publicar algumas parciais. Posteriormente, o mapeamento do Instituto GPP se mostrou mais próximo à realidade, já que a Codeplan-DF parecia concentrar respondentes excessivamente não-consumidores de futebol. De todo modo, os números acabaram parecidos, com a PDAD tendo a vantagem de oferecer cruzamentos inexistente em pesquisas sem o seu escopo.

É o caso do exposto hoje. No dia em que o Flamengo retorna a Brasília em um espetacular Estádio Nacional lotado, apresentamos o perfil das torcidas de capital divididas entre os “nascidos no DF” e os “imigrantes”.

Vote no Blog Teoria dos Jogos no Prêmio Top Blog 2015

Qualquer cidade do Brasil poderia refutar a significância de um levantamento do gênero, pois as grandes ondas migratórias se passaram há décadas. Não é o caso de Brasília. Com uma população estimada em 2,7 milhões de habitantes, a sede do governo federal possui, ainda hoje, 1,4 milhão de pessoas que vieram de outros estados (51% do total). Como se fosse outra Brasília inserida nos limites distritais.

O quadro que denota o perfil das torcidas está exposto a seguir. Explanações posteriores ajudarão a compreendê-lo:

Fig 01
Clique para ampliar

Importante: os números não contemplam o “Nenhum”, ou seja, indicam a configuração entre as torcidas, e não em meio à população total. Razão pela qual todos os percentuais aparecem majorados.

Em meio aos 49% de brasilienses natos (chamados “Naturais do DF”), as maiores torcidas são: Flamengo (52,8%), Vasco (12,2%), São Paulo (7,6%), Corinthians (7%), Botafogo (5,9%), Fluminense (4,8%), Palmeiras (3,8%), Cruzeiro (1,8%) e Santos (1,2%). Atlético-MG, Grêmio e Internacional não atingem 1% da torcida.

Já entre os 51% de imigrantes que integram a sociedade brasiliense, o ordenamento se altera: Flamengo (42,9%), Vasco (12,1%), Corinthians (7,6%), Botafogo e Fluminense (6,3%), São Paulo (5,7%), Palmeiras (4,7%), Cruzeiro (4,6%), Atlético-MG (2,7%), clubes do Norte/Nordeste (1,8%), Santos (1,5%) e Grêmio (1,3%). O Inter fica abaixo de 1%.

Eis um comparativo tão inédito quanto fantástico. O confronto dos dados dá a ideia de como clubes de Minas Gerais, Nordeste e Sul se fazem presentes justamente por conta da existência de populações que deixaram para trás seus estados em busca de uma vida melhor no Planalto Central. E mais: a chegada de imigrantes (especialmente cruzeirenses e atleticanos) se mostra predatória sobre a torcida do Flamengo. Tanto que a maior torcida do Brasil se verifica em escala dez pontos percentuais superior entre brasilienses natos.

Tendo eles relevância, é de suma importância que se isolem os imigrantes, analisando seu perfil de torcidas em separado. As conclusões surpreendem pelas contradições entre a origem dos cidadãos e seus clubes do coração. Possivelmente consequência natural de um processo de inserção às características da sociedade local.

Norte/Nordeste

Os residentes no Distrito Federal oriundos dos estados do Norte/Nordeste são 795,9 mil, representando 56,0% do total de imigrantes. Mas clubes destas regiões atraem a preferência de apenas 2,6% deles. A imensa maioria de nordestinos e nortistas torce para times do Rio (75,6%) – destaque para Flamengo (50,5%) e Vasco (13,4%), seguidos de Botafogo (6,1%) e Fluminense (5,6%). Os imigrantes que apoiam clubes de São Paulo são 19,3%, pontuando Corinthians (7,5%), São Paulo (5,7%) e Palmeiras (4,8%). Mineiros, gaúchos e clubes de outros estados somam 2,5%.

Goiás

Já os nascidos em Goiás somam 184,8 mil e representam 13% dos imigrantes. Mas Goiás, Vila Nova e Atlético-GO atraem meros 3,5% da preferência dos torcedores. A maioria entre os goianos radicados no DF é Flamengo (44,9%), seguida do Vasco (13,0%), Corinthians (7,8%) e Botafogo (7,4%).

Minas Gerais

Um número expressivo de 254,1 mil mineiros se mudou para o DF, o que representa 17,9% do total de imigrantes. É entre eles que temos a maior surpresa: são majoritariamente flamenguistas (27,7%), seguidos de cruzeirenses (22,7%), atleticanos (12,9%) e vascaínos (8,6%). Do universo total de imigrantes – ou seja, somando os de outros estados, Cruzeiro, Atlético-MG e América-MG totalizam 7,4% das preferências.

Rio de Janeiro

Cariocas e fluminenses estão presentes em Brasília na escala de 4,7% do total – o que representa 66,9 mil imigrantes. Entre eles, lógico, prevalecem flamenguistas (47,4%), seguidos de vascaínos (17,1%), tricolores (15,3%) e botafoguenses (12,4%).

São Paulo

Embora haja apenas 50,8 mil imigrantes paulistas (3,6% do total), seus clubes concentram a predileção de 19,5% do universo total de imigrantes – número apenas inferior ao dos cariocas (67,6%). Entre aqueles que vieram de São Paulo, predominam corintianos (28,3%), são paulinos (20,7%), palmeirenses (12,7%) e santistas (8,9%). Mas acreditem: flamenguistas representam 17% deles, suficientes para suplantarem o Verdão e o Peixe.

Rio Grande do Sul

Imigrantes gaúchos são 20,2 mil no DF – ou 1,4% do total. Grêmio (40,7%) e Internacional (34,3%) monopolizam as atenções, embora não se perceba a famosa”blindagem” verificada no estado de origem, pois outras dez grandes agremiações atraem 23% das preferências. Destaque para os flamenguistas (9,8%).

Demais estados

Capixabas – presentas na tabela como “Restante Sudeste” – são flamenguistas (47%), vascaínos (17%) tricolores e botafoguenses (9% cada), números próximos à configuração dos cariocas. No combo Paraná + Santa Catarina (“Restante Sul”), 24,5% são flamenguistas, 10,3% corintianos, 8,9% vascaínos e 6,9% palmeirenses. Por fim, entre os egressos dos dois Mato Grossos “(Restante Centro Oeste”), também predominam torcedores do Flamengo (27,7%). Corinthians (13,0%), Vasco (11,9%) e São Paulo (9,7%) completam o ranking.

O Blog Teoria dos Jogos agradece a contribuição de Daniel Endebo.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o blog Teoria dos Jogos no Facebook!

A Pesquisa da Vez: Maringá (PR) – 2015

Header-188BET-728-x-90-Brasileirão1

Detalhamento da pesquisa:

Localidade: Maringá, Paraná.
Elaborador: Faculdade Cidade Verde (FCV)
Amostra: 453 entrevistados em maio de 2015
Margem de erro: 2,5 p.p

Uma das principais características das torcidas no interior do Paraná é a primazia das equipes paulistas entre as preferências: trata-se de algo presente em todos os levantamentos publicados pelo “antigo” Blog Teoria dos Jogos. Uma das mais belas e importantes cidades da região, com 391 mil habitantes e alto índice de desenvolvimento humano, Maringá não foge às características do norte paranaense. Foi o que identificaram os alunos do curso de economia da Faculdade Cidade Verde (FCV), num dos mais recentes materiais do gênero:

Arte: maringanews.com.br
Arte: maringanews.com.br

O Corinthians lidera de forma absoluta (24,28%), com percentual quase duas vezes superior ao do segundo colocado, Palmeiras (12,8%). Em situação de completo empate técnico, São Paulo (11,26%) e Santos (10,82%) surgem nos calcanhares alviverdes. Tradicional estranho no ninho, o Flamengo aparece com 4,64% da torcida. A partir de então temos o próprio Maringá (2%), além de Internacional (1,33%), Cruzeiro (1,2%) e Grêmio (1%) ultrapassando a marca unitária. Clubes do estado, como Atlético-PR (0,87%) e Coritiba (0,66%), chafurdam nas insignificantes 11ª e 12ª colocações, respectivamente.

Embora não se trate de instituto com registro em órgão de classe, chamou atenção o alinhamento desta pesquisa com algumas anteriores. Tanto em 2008 quanto em 2012, o instituto Paraná Pesquisas trouxe à tona números bastante semelhantes – especialmente na comparação com 2012:

Fig 02

Percebam que não é de hoje o descolamento corintiano nem o tríplice empate entre Santos, Palmeiras e São Paulo. O Flamengo sempre surge em posição intermediária, ainda que agora num patamar ligeiramente abaixo. Além destes cinco, nenhum clube apresenta força para se fazer realmente presente às ruas de Maringá.

Talvez por não se tratar de um instituto formal, não foram divulgadas tabulações por gênero, renda ou escolaridade – o que pouco revelaria devido à baixa amostragem. O Blog Teoria dos Jogos tentou contato com o coordenador da pesquisa, não obtendo sucesso.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!