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A Pesquisa da Vez: Datafolha 2018

Detalhamento da pesquisa:

Localidade: Todo o território nacional

Instituto: Datafolha

Amostra: 2.826 entrevistas, em 174 municípios, entre 29 e 30 de janeiro de 2018

Margem de erro: 2 p.p

Tão fresquinha que nem a Folha de São Paulo – porta voz do instituto Datafolha – divulgou os números completos ainda. Mas como era de se esperar, o Blog Teoria dos Jogos preenche esta lacuna, trazendo a público todas as informações sobre a mais recente pesquisa de torcidas no Brasil. Após um período de quase-banalização, eis que as pesquisas rarearam – o último estudo nacional do Datafolha datava de 2014, também às vésperas da Copa. Vamos, portanto, aos resultados, com importantes considerações em seguida.

Iniciemos com o velho (e de certa forma cansativo) debate: a quem pertence a maior torcida do Brasil? Olhando para os números acima, não restam dúvidas: Flamengo 18% contra Corinthians 14%. Mas quem leu a primeira matéria da Folha de S.Paulo a respeito coçou a cabeça: no cabeçalho, é dito que ambos estariam empatados no limite da margem de erro, pois uma variação negativa do Flamengo contra uma positiva do Corinthians equipararia as coisas em 16%. Trata-se, no mínimo, de uma desonestidade intelectual, típica dos que precisam afagar a maioria no estado-sede. Isto porque a chance desta variação ocorrer é a mesma de o Flamengo verificar majoração positiva em dois pontos, com o Corinthians decaindo os mesmos dois. Nesta hipótese, pertenceria ao Flamengo a surra de 20% a 12%, configuração tão irreal quanto. Mas isto a Folha não diz.

Tem mais. Margens de erro não funcionam na base do “dois pontos percentuais pra todo mundo”. Fosse assim, clubes com 1% das preferências (como o Bahia) variariam entre 3% e… -1%! Ou mesmo zero, levando proeminentes torcidas regionais à condição de inexistência. Parece óbvio que estas não são opções válidas. A questão é que margens de erro são proporcionais ao “tamanho do número”, sendo assim, quanto menor o percentual, menor a margem. Só isto já é suficiente para dizer que mesmo a variação benéfica aos paulistas (eles pra cima e cariocas para baixo) não seria suficiente para atingir a condição de empate técnico. Sendo assim, é correto afirmar: Não existe qualquer dúvida sobre a inexistência de um empate na primeira posição. Para alguns, uma verdade inconveniente.

Finda esta questão, é bom recordar que foi o Datafolha quem ocultou, por semanas a fio, a pesquisa elaborada por eles mesmos em 2014. Ocultação denunciada pelo Blog Teoria dos Jogos em uma das colunas de maior repercussão na sua história. Curiosamente, apenas um dia depois, o instituto revelou a pesquisa que havia retido.

Além do entrevero envolvendo margens de erro, existe outro bem problemático em tudo o que o Datafolha faz: o arredondamento. Foi ele que, seis anos atrás, colocou torcidas em convulsão por conta da equiparação do Fluminense à Portuguesa, atribuindo a ambos 1% das preferências nacionais. Pressionado pela opinião pública, o instituto se viu obrigado a divulgar os números exatos, que revelaram um Fluminense com 1,46%, contra 0,51% da Lusa. Se é quase irresponsável divulgar que uma torcida três vezes maior seja igual à outra, beira a inconsciência acreditar que a torcida tricolor possa mesmo ser três vezes superior à da Lusinha – e não dez, quinze ou até vinte vezes. Esta sempre foi uma das grandes críticas ao instituto: o enfoque excessivo de sua amostragem no estado de São Paulo.

Pois bem, se agora a Lusa nem aparece, outro empate pode ser atribuído à questão do arredondamento: aquele entre Bahia e Vitória, no mesmo 1% das preferências. Inúmeras pesquisas atribuem à massa tricolor algo entre 50% a mais e o dobro dos rubro-negros da Boa Terra. É quase certo que numa nova divulgação de números exatos, o mesmo fosse identificado. Fica a questão: se todos os institutos divulgam pesquisas com uma casa decimal, por que o Datafolha insiste em não fazê-lo? Não custaria absolutamente nada além de duas digitações, a da vírgula e a do décimo.

Mas ainda existe um último questionamento. Na pesquisa divulgada hoje, o Sport sequer aparece na lista dos votados – ou seja, o Leão pernambucano foi acomodado dentro de nada desprezíveis 8% de “outros”. Só que numa pesquisa fidedigna, seria imperativo que os pernambucanos aparecessem (bem) à frente do Vitória, pois algumas outras já o colocaram mesmo adiante do Bahia. Se torcidas tão importantes estão dentro do “outros”, e se este agregado atingiu índice tão proeminente (equiparado ao tamanho do São Paulo, terceira maior torcida do país), por que não abri-lo? Novamente: o que custa revelar os percentuais de todos os que bateram 1% – mesmo os que o fazem com base no famigerado arredondamento? A mesma reivindicação se aplica aos importantes Atlético-PR e Coritiba, agregados dentro de um catadão que não lhes é de direito.

Debatidas as derrapagens, vamos aos números dos que ainda não citamos. O São Paulo surge com 8%, o Palmeiras com 6%, Vasco e Cruzeiro, 4%, Grêmio, Santos e Internacional, 3%, Atlético-MG com 2%, Botafogo e Fluminense, 1%. De todos, apenas o Cruzeiro variou positivamente, um ponto percentual acima da pesquisa de 2014. Vasco, Botafogo e Fluminense variaram um para baixo.

Em tese, estaríamos diante de acomodações naturais e dentro da margem de erro, pouco ou nada sugerindo crescimento ou diminuição de torcidas. Somado ao controverso arredondamento, pode-se muito bem explicar o surpreendente empate envolvendo cruzmaltinos e celestes (exemplo: 4,4% para o Vasco e 3,6% para o Cruzeiro se tornaria um 4% a 4%).O fato de o ordenamento colocar o Gigante da Colina à frente da Raposa comprova seu patamar superior. Mas é sempre bom ficar atento ao decréscimo há muito identificado no seio da torcida vascaína. Analogamente, o Bahia aparece à frente de Bota e Flu, comprovante de que os baianos há algum tempo acionaram a seta e ultrapassaram dois dos quatro cariocas.

Vamos às tabulações por sexo, idade, escolaridade e renda:

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A sensação de grandes torcidas às ruas tem relação inequívoca com o tamanho das mesmas entre homens. Não, não de trata-se de sexismo, mas de engajamento comprovado em números. Tanto que apenas 12% dos brasileiros afirmam não torcer por nenhum time, contra relevantes 32% delas. Esta e outras razões (como a violência) constituem o porquê de estádios serem ambientes tão majoritariamente masculinos. Sob esta ótica, a maioria rubro-negra é ainda mais proeminente: 19%, contra 15% do Corinthians e 10% do São Paulo. E o Vasco descola do Cruzeiro, marcando 6% contra 4%.

Em direção oposta, a melhor configuração de torcidas possível é aquela em que a diferença entre homens e mulheres não é tão grande, afinal, elas também fazem número. E muito mais, compõem uma enorme massa potencial de consumo em franco crescimento. Neste sentido, ponto negativo para São Paulo e Vasco, que possuem torcida feminina equivalente à metade da masculina. Uma louvável exceção: apenas o Galo mineiro surgiu com atleticanas em quantidade superior à de atleticanos. Caso raro.

A análise por faixa etária empata com a das rendas como recortes mais importantes nas pesquisas. Isto porque uma aponta o tamanho futuro das massas, enquanto outro indica quem consome ou tem potencial de consumir – mesmo em torcidas menores do que outras. Vamos à avaliação do primeiro grupo.

Por idade, não é de hoje, o Flamengo encerra toda e qualquer controvérsia quanto à sua liderança. Na faixa mais jovem, entre 16 e 24 anos, o Mengão explode a incríveis 24%, contra 17% do Timão. Isto, ao menos por ora, é indicativo de que nossa geração não verá qualquer mudança no topo do ordenamento. O aumento entre a garotada rubro-negra é tão impactante que supera em muito faixas reconhecidamente pertencentes à “era Zico”: 20% entre 35 e 44 anos, e 18% entre 45 e 59 anos.

Mas percebam outra estatística interessante: entre os mais velhos (acima de 60), a torcida do Corinthians surge maior que a do Fla (11% a 9%). Em tese, indicativo de que um dia corintianos foram maioria, correto? Errado. Ao menos em se tratando das pesquisas do passado e de antigos relatos em jornais e revistas, que desde sempre atribuíram aos cariocas a condição de Mais Querido. Uma explicação recai sobre o “desalento” que acomete às faixas etárias mais avançadas. Notem que, entre jovens, quem não tem time soma apenas 13%, catapultados a 31% entre os mais velhos. É como se mais flamenguistas do que corintianos tivessem “desistido” em meio à longa jornada. Se olharmos para os últimos 20 anos, notaremos claramente que vem sendo mais fácil e prazeroso (em termos de títulos) integrar os quadros da Fiel…

Mais um que cresce entre os jovens é o São Paulo: marca 8% no geral e 11% em meio àqueles entre 16 e 24. Isto nos leva à impressionante tendência de que, no futuro, Flamengo, Corinthians e São Paulo somem 52% da torcida brasileira – numero hoje estacionado nos 40%. Os demais clubes se encontram em tendência de estabilidade, mas outros como Palmeiras e Vasco sugerem propensão à queda (decerto, os três últimos anos do Palmeiras ainda não foram captados). Importante também mirar os números do Santos, que marca 4% entre os mais velhos (“era Pelé”) e despenca para 1% entre a segunda faixa mais avançada, que já pouco assistiu aos desfiles do Rei. Após isso, santistas voltam a subir lenta porém consistentemente, até atingir 3% entre os jovens. Santas gerações de Robinho, Diego, Neymar e Ganso. Olhem para o Botafogo e percebam que uma única geração mágica no passado remoto deixou de fazer verão: 3% entre os mais velhos, 1% nas demais faixas etárias.

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Já que falamos da sua importância, abordemos os parâmetros de renda antes da escolaridade. O mais questionável, sem sombra de dúvidas, é o Flamengo tão superior ao Corinthians entre os mais ricos – aqueles com renda média superior aos 10 salários mínimos (R$ 10 mil). Os 19% a 11% a favor do Rubro-Negro não estão em linha com outras pesquisas que já demonstraram equilíbrio ou mesmo o Corinthians à frente. A explicação recai sobre a margem de erro do recorte (apenas 97 entrevistados), já que, em proporção, são poucos os brasileiros com renda mais alta. Portanto, a amostragem relativamente pequena, com menos de 3 mil entrevistas, acaba se saindo a vilã.

Mas se é isto que os números apontam, é o que temos: um enorme potencial de renda, ainda que adormecido, em meio aos rubro-negros. Faz sentido que haja cada vez mais flamenguistas endinheirados: em 2017, o Sudeste foi a única região do país que verificou queda na renda média da população. O Brasil que mais cresce, há anos, é o Brasil que enverga preto e vermelho, pois 80% da Nação se encontra espalhada entre as regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste (alguma coisa no Sul, veremos adiante). E por que tanto potencial estaria adormecido? Bom… desde o início do ano, o Nação Rubro Negra, projeto de sócio-torcedor do clube, já perdeu inimagináveis 44 mil associados (em defesa da torcida, existem explicações racionais). Fora relatos variados sobre a dificuldade de se fomentar propensão ao consumo entre os verdadeiramente ricos na torcida.

Em termos proporcionais, o crescimento mais acentuado entre ricos pertence ao São Paulo. O Tricolor do Morumbi sobe de 7% em meio aos mais pobres para incríveis 13% acima de 10 salários, expressivo aumento de 86%. Suficiente, inclusive, para colocá-los à frente dos arquirrivais corintianos sob esta ótica. O Palmeiras vem a reboque, saindo de 5% para 9% entre os abastados (80% de aumento). Mais que eles, só o Grêmio, que vai de 2% até 5% (150% a mais), embora números pequenos tenham maior tendência de apresentarem variações fora da curva. O Cruzeiro é outro que sobe (de maneira menos acentuada) e atinge 5%. O que faz com que tanto a maior torcida mineira quanto a gaúcha superem um Vasco estacionado nos 4%. Inter e Botafogo vão bem neste quesito, enquanto o Fluminense se mantém estável – não condizendo com o enorme potencial de renda dos tricolores no Rio. Neste último caso, o impacto negativo viria dos torcedores do Fluzão país afora.

No que tange aos mais pobres, destaque para o Bahia, que parte de 2% na faixa mais humilde até o completo desaparecimento acima dos cinco salários. O Flamengo torna latente sua vocação popular, acachapando 20% contra 13% do Corinthians. Eis um recorte com confiabilidade bastante alta: entrevistaram nada menos que 1.333 pessoas, 47% da amostra.

Por escolaridade, quem mais cresce à medida com que aumentam os anos de estudo é novamente o São Paulo, saindo de 7% entre os menos letrados para 11% mediante os mais. Na média, a variação de todos os clubes é menos expressiva do que nas análises de idade e renda. Os 18% fixos apresentados pelo Flamengo entre pessoas com ensino fundamental, médio e superior indicam que o contínuo aumento do número de estudantes nas faculdades vem tornando mais equânime esta estatística. De todo modo, outras torcidas crescem com os anos de estudo, como a do Grêmio.

O estudo apresenta ainda a configuração de torcidas divididas entre populações economicamente ativas ou não, o que julgamos se tratar de um dado menos relevante.

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Aqui, relevância absoluta: torcidas dissecadas de acordo com as regiões do país. Apesar do oba-oba como se fora novidade (sempre eles…), Corinthians maior do que Flamengo no Sudeste é mais velho do que andar para frente – basta olhar para a populações de seus estados de origem. Na região mais rica do país, corintianos marcam 19%, flamenguistas 14%, são paulinos 10%, palmeirenses e cruzeirenses, 8%. Depois temos Atlético-MG (5%), Vasco e Santos (4%, ambos), Botafogo e Fluminense (2% cada). Nos dedicamos de maneira abrangente ao Sudeste por se tratar da única região em que aglutinação dos “outros” faz pouquíssima diferença, insignificantes 2%. Nas demais, conforme veremos, o vergonhoso “catadão dos excluídos” impacta sobre os números finais, o que decerto modificaria o ordenamento.

No Sul, os adeptos que realmente se fazem notar são do Grêmio (20%), Internacional (18%), Corinthians (12%) e Flamengo (8%). Atlético-PR, Coritiba, Paraná, Figueirense, Avaí, Chapecoense, Criciúma e Joinville se aglutinam na infâmia dos 10%.

No Nordeste, o Fla inicia seu processo de extrapolação de limites, marcando 23% contra 9% do Corinthians. O Vasco vai bem, ultrapassa São Paulo e Palmeiras e atinge 6% das preferências, mesmo índice do Bahia. Enquanto o Vitória sua para atingir 3%, fazendo recordar o absurdo relatado no sexto parágrafo. Aqui, o baixo clero mais parece alto, pois atinge 14% dos habitantes. Certamente um Sport gigantesco, mas não somente ele: Santa Cruz, Ceará, Fortaleza, Náutico e tantos outros que fica difícil citar a todos.

No Centro Oeste, o Flamengo é tão soberano quanto no Nordeste, inclusive mantendo o índice. Mas o Corinthians cresce bastante, a ponto de atingir 15% da amostragem. Isto porque o Mato Grosso do Sul é um estado de maioria corintiana, ao passo que Mato Grosso se divide entre Flamengo e Corinthians. Goiás e Distrito Federal se incumbem de fazer a balança pender para lados cariocas. Pela mesma razão, São Paulo (9%), Palmeiras (6%) e Santos (4%) são tão maiores que o Vasco (2%). Dada a fraqueza dos clubes locais, o catadão soma 7%, decerto composto por clubes de fora da região.

Já o Norte ultrapassa a barreira do inimaginável, com o Flamengo abarcando 37% de toda a região. Trata-se de um número superior ao que demonstra a maioria, senão todas as pesquisas já publicadas. Por conta dos também absurdos 19% de “outros”, sobra pouco para Corinthians (8%), Vasco (7%) e São Paulo (6%) dividirem. Mas… 19% de outros? Sim, amigo. Deixaram de fora nada menos que dois fenômenos paraenses: Remo e Paysandu, cada um com torcida superior a um milhão de pessoas. Numa região com cerca de 16 milhões de habitantes, escorrem pelo ralo cerca de 13% só com a dupla Re-Pa.

Dois comparativos interessantes: com o Mapa das Torcidas do Facebook, detalhado até o mínimo denominador pelo Blog Teoria dos Jogos, e com os dados por região da pesquisa Datafolha 2014. No primeiro caso, diferenças por vezes substanciais de acordo com a região. Outras vezes, semelhanças um tanto surpreendentes. O que não muda é o ordenamento das torcidas, basicamente igual.

Já o segundo comparativo nos apresenta um Corinthians com importante variação positiva no Sul (de 6% em 2014 para incríveis 12% agora) e caindo no Norte (de 11% até 8%). O Flamengo sobe forte no Norte (de 32% para 37%) e mais delicadamente no Sul (de 6% para 8%), com queda equivalente no Centro Oeste (de 25% até 23%). O Palmeiras sobe dois pontos percentuais no Sul e cai três no Norte. O Santos cai três no Sul e sobe dois no Centro Oeste. O Vasco cai dois no Centro Oeste, o Grêmio cai dois no Sul e o Bahia sobe dois no Nordeste. Todas as demais variações são unitárias, por isso menos representativas.

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Nossa última estatística recai sobre o perfil das torcidas segundo a natureza e o porte dos municípios. Contraditórias entre si, bagunçam o imaginário rubro-negro, povoado pela “maioria à medida com que se interioriza”. Segundo o Datafolha, a diferença entre Flamengo e Corinthians se reduz no interior, e não o contrário. Seriam 18% a 15% a favor do Rubro-Negro país adentro, em face de imponentes 20% a 13% nas capitais (com boa diminuição da margem ao contemplarem demais cidades das regiões metropolitanas). Lembrando que os interiores compuseram ampla maioria da amostra, conforme demonstra a tabela. Mas quando nos debruçamos sobre o porte do município, o vetor é oposto: 19% a 13% pró-Fla nas menores cidades (até 50 mil habitantes), 17% a 16% nas maiores (acima de 500 mil). Fica o dito pelo não-dito.

Para terminarmos, tabelas de lambuja quem fomentam saudáveis discussões clubísticas, sem maiores divagações. Trata-se do interesse de cada torcida por futebol e pela Copa do Mundo, fonte de interessantes apontamentos.

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Um grande abraço e saudações!

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Considerações finais: Mapa das Curtidas vs Pesquisas (por regiões)

Deu uma trabalheira monstruosa, mas anteontem encerramos a série e de análises sobre o Mapa das Curtidas do Facebook por unidades da federação. Para quem não acompanhou, segue um compilado:

O Mapa das Curtidas do Facebook: Sudeste (clique aqui)

O Mapa das Curtidas do Facebook: Sul e Centro Oeste (clique aqui)

O Mapa das Curtidas do Facebook: Norte (clique aqui)

O Mapa das Curtidas do Facebook: Nordeste (clique aqui)

O problema é que o Blog Teoria dos Jogos nunca está satisfeito. Se compilamos por estado, por que não agrupar por regiões? E para o país inteiro? E se comparássemos os resultados do Mapa com os das pesquisas científicas, de campo? Coisas que até já fizemos, mas apenas no texto referente à região Norte. Decidimos, portanto, expandir fronteiras para o resto do território brasileiro.

Juntando em tabelas os quatro estados do Sudeste, os três do Sul, os quatro do Centro Oeste, os sete do Norte e os nove do Nordeste, eis a configuração de curtidas no Facebook:

OBS: O levantamento compreende apenas clubes que ultrapassaram um ponto percentual de curtidas nos respectivos estados – o que pode gerar margem de erro de alguns décimos nos resultados finais de alguns clubes (não os de maior torcida, pois estes sempre ultrapassam a marca unitária).

Juntando os resultados das cinco regiões numa nova tabela… o perfil agregado do Facebook brasileiro:

Daí vem a pergunta: Corinthians em primeiro? Sim… lembremos que o Mapa é um ranqueamento exposto às distorções de um levantamento virtual. Um dos principais era que, até o mês de maio de 2017 – data em que congelaram os números para elaboração do Mapa – o Corinthians era o clube brasileiro com mais curtidas no Facebook. A virada do Flamengo veio um mês depois, em junho passado. Atualmente os cariocas vem abrindo vantagem, só que num ritmo tal que a “diferença real” se refletirá na “virtual” apenas depois de alguns bons anos.

Ainda assim, por incrível que pareça, o ranking comparado aos estudos técnicos tem alguma credibilidade. Em certos casos, a fidelidade chega próxima à absoluta. A título de comparação, decidimos pegar a última pesquisa nacional elaborada pelo Datafolha, em 2014. Trata-se de uma pesquisa falha e polêmica, que foi ocultada pelo instituto e depois desmascarada aqui mesmo, no Blog Teoria dos Jogos. Por que escolhê-la, então? Porque é a única disponível online em vários níveis de tabulação e recortes. No mais, outras pesquisas no período se mostraram tão problemáticas quanto, ou mesmo piores.

Segundo o Datafolha, eis o perfil das torcidas brasileiras por regiões:

Comparemos os números aos do Mapa, não sem antes a realização de um ajuste: o levantamento das curtidas compreende o universo de torcedores, enquanto a pesquisa Datafolha, o universo populacional. Assim, tiramos o “Nenhum” e refizemos os percentuais da pesquisa tendo como base o universo de torcedores. Em bases iguais, Facebook e Datafolha podem agora ser confrontados, região por região.

SUDESTE

É no Sudeste que o Mapa e a pesquisa mais convergem. A explicação pode recair sobre fatores sócio-econômicos: como região mais rica, há maiores níveis de inclusão digital, com o universo virtual refletindo melhor a realidade das pessoas. Ao contrário do que se imaginava sobre o Corinthians, apenas São Paulo e Santos se mostraram maiores no Facebook do que na vida real. E também os “outros”, capitaneados por uma gigantesca Chapecoense virtual que, obviamente, optamos por nem incluir entre as maiores torcidas.

SUL

Em direção oposta à do Sudeste, é no Sul onde o Mapa e o Data mais divergem. Neste caso, tirem a rede social da reta: a culpa é majoritariamente do instituto, seus arredondamentos impróprios e metodologias questionáveis. Onde já se viu Atlético-PR com 1% e Coritiba com 3%? Ou mesmo o Santos com enormes 6%, acima de São Paulo e Palmeiras? Honestamente, não dá nem pra analisar. Olhando para os demais, temos um Corinthians, aqui sim, bem maior nas curtidas do que nas ruas. O mesmo se aplica a São Paulo e Palmeiras, enquanto os líderes Grêmio e Internacional aparecem muito abaixo. Justificativas novamente passam pela Chapecoense, dado o violento impacto das curtidas que recebeu em sua região-sede. Nestas horas, os grandes números sofrem mais do que os demais.

CENTRO-OESTE

Finalmente um pouco de paz no ordenamento: as seis maiores torcidas do Centro Oeste se alinham nas pesquisas e nas curtidas. E com pouco viés. O maior deles impacta sobre o Flamengo, pela primeira vez abaixo do seu potencial virtual. E de novo, é o São Paulo quem está acima. Já a convergência entre likes e respondentes físicos do Corinthians é quase perfeita.

NORTE

Quanto mais a gente sobe, mais percebe o Flamengo desabando na comparação com seu potencial digital. No Norte, os 34% de curtidas associadas ao clube parecem ótimas até descobrirmos que 42% dos torcedores são rubro-negros. Adivinha quem está bem na fita? Ele mesmo, o São Paulo (aqui, associado ao Santos). E quem está certinho onde deveria estar? Que surpresa, Coringão…

NORDESTE

Aqui, o desmoronamento virtual dos cariocas atinge seu apogeu: no Mapa das Curtidas, Flamengo e Vasco combinam para 15 pontos percentuais abaixo da amostragem de campo. Em detrimento dos muitos nordestinos que, somados, acabam tendo duas vezes mais curtidas do que afiliações reais.

CONCLUSÕES

Nas análises dos últimos dias, dissemos que entre as muitas distorções do levantamento virtual estava o quantitativo mais que proporcional de curtidas em páginas de clubes paulistas. Acertamos em cheio no diagnóstico, errando o nome do paciente. A comparação do Mapa com a pesquisa corrigida clarificou: o Corinthians está exatamente onde deveria estar. É como se o alvinegro paulista tivesse, antes dos demais, atingido seu pleno potencial em redes sociais, tamanhas as coincidências nos percentuais auferidos. Outros times de São Paulo, entretanto, parecem muito acima do que presumem as ruas – principalmente o São Paulo. Se por engajamento ou simples compra de likes, jamais saberemos. No extremo oposto está o Flamengo, talvez pelo ônus de uma maioria tão ampla em regiões remotas, de menor potencial de renda e inclusão.

Com o passar do tempo veremos em que direção caminharam todos estes processos. Até a terceira edição do Mapa das Curtidas do Facebook!

Um grande abraço e saudações!

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O Mapa das Curtidas do Facebook 2017: Nordeste

Termina aqui nossa série de análises relativa ao Mapa das Curtidas do Facebook  2017, grandiosa iniciativa do Globoesporte.com em parceria com a maior rede social do mundo. Após divulgarmos os números das regiões Sudeste, Sul, Centro Oeste e Norte, muitos já devem ter percebido que, embora não se trate de pesquisa de torcidas com rigor científico, o Mapa tende a refletir com enorme grau de fidelidade o perfil dos torcedores mais jovens, geralmente abaixo dos 35 anos de idade. Sendo assim, é hora de avaliarmos como andam as coisas pelo Nordeste.

REGIÃO NORDESTE

BAHIA

Houve uma reversão relativamente recente nos números da Bahia, apontando o Tricolor da Boa Terra como detentor da maior torcida do estado. A última Lance/Ibope, por exemplo, revelou esta suposta realidade. No entanto, esta mesma pesquisa foi criticadíssima (inclusive neste espaço) por projetar resultados das capitais para os interiores, a ponto de inacreditavelmente divulgarem o Atlético-PR como maior do que o Corinthians no Paraná. Sendo assim, enquanto não houver uma pesquisa mais confiável, tudo o que teremos é o Mapa das Curtidas. Só que o Mapa…

… mostra justamente o Bahia em primeiro! Não com a dianteira exposta pela Lance/Ibope: são 22,11% contra 19,73% de um Flamengo próximo, mas ainda assim no segundo posto. De todo modo, o Vitória com 8,52% – tão atrás do Corinthians e seus 13,52% – deixa claro que colocá-los à frente dos cariocas é um nonsense, mesmo que na terra dos orixás.

PERNAMBUCO

Polêmica na Bahia, polêmica em Pernambuco. Se quase ninguém em sã consciência questiona os 26,81% do Sport, líder mais-que-absoluto, o segundo lugar deste outro forasteiro – o Corinthians, com 13,68% – passa longe de ser o que dizem as pesquisas. Quem costuma digladiar com o Leão são os corais do Santa Cruz, no mapa apenas com 11,93%. Como dissemos no primeiro parágrafo, pode ser indicativo de que estas seriam as massas pernambucanas do futuro, não se sabe. Se for, preocupariam os 4,56% do Náutico, ocupante de uma mera sétima colocação. Outro detalhe interessante: fora Minas, Espírito Santo e Brasília, é em Pernambuco que o Atlético-MG atinge sua maior representação (1,62%).

CEARÁ

Equilíbrio, eis a palavra que resume as preferências cearenses no Facebook. Tanto na primeira quanto na segunda colocação, um voraz empate técnico envolve Flamengo e Ceará (17,96% a 17,47%), Fortaleza e Corinthians (14,68% a 14,49%). Se desconsiderarmos as duas forças locais, apenas oito agremiações atingem mais de 1% das preferências no Ceará, a menor quantidade deste levantamento.

RIO GRANDE DO NORTE

Ainda que tradicionais, os clubes potiguares não tem o mesmo histórico de Bahia, Sport ou Ceará. Assim, onde o futebol é mais fraco, o vácuo é ocupado pelo fenômeno de massas. É o que faz o Flamengo, do alto de seus 26,27%. ABC (14,1%) e América-RN (13,73%) até resistem, mas só conseguem desbancá-lo somando forças.

PARAÍBA

 

Aqui, os locais não tem vez: Flamengo (31,22%), Corinthians (11,63%), São Paulo (8,15%) e Vasco (7,76%) dominam o cenário paraibano. O melhor local vem de João Pessoa, o Botafogo-PB (5,1%), enquanto Campina Grande vê seus times diluírem preferências entre Campinense (4,27%) e Treze (1,68%). Não se sabe se pela “força da marca”, é na Paraíba que o Botafogo do Rio de Janeiro (2,15%) encontra seu ápice em terras nordestinas. Também na Paraíba está a maior influência dos pernambucanos fora de seus limites.

MARANHÃO

Em absolutamente nenhuma localidade, o Vasco tem mais curtidas do que o Corinthians no Nordeste. Onde isto mais chega perto de acontecer é no Maranhão, com os dois dígitos de cruzmaltinos sendo uma demonstração de força. Não suficientes, entretanto, para subjugarem corintianos (10,43%) e flamenguistas (37,26%). Ainda assim, bem mais do que os locais Sampaio Corrêa (6,76%) e Moto Club (1,64%).

PIAUÍ

Flamengo (35,99%), Corinthians (14,01%)… cansamos de saber. Bom mesmo é descobrir que, no Piauí, o São Paulo atinge seu maior percentual no Nordeste (13,27%). Outra interessante é que apenas lá o número de cruzeirenses supera o de atleticanos – o que não deixa de ser surpreendente.

ALAGOAS

 

Em meio a um festival de 16 clubes ultrapassando a marca unitária, a última fronteira com três forças locais no Nordeste é Alagoas. Mas CRB (8,91%), CSA (8,35%) e ASA (2,49%) não fazem frente a Flamengo (26,71%), Corinthians (12,38%) e São Paulo (9,64%).

SERGIPE

Se ignorarmos a presença da Chapecoense, temos os dois nordestinos menos badalados deste levantamento fazendo um “sanduíche de peixe”: Confiança (5,3%), Santos (3,04%) e Sergipe (2,72%). Justo no estado em que o clube da Baixada Santista atinge seu maior percentual. Por ali o Bahia também tem presença (2,65%), embora nem perto do Flamengo, como sempre na dianteira com 33,93%.

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A Pesquisa da Vez: capitais brasileiras (SPC/CNDL) – EXCLUSIVO

No início da tarde de hoje, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram uma estudo sobre os hábitos de consumo dos torcedores no Brasil. Por se tratarem de instituições relacionadas ao crédito e adimplemento, o foco da pesquisa recaiu sobre questões orçamentárias, como capacidade de pagamento e gastos excessivos com produtos e serviços relacionados ao futebol. Maiores detalhes sobre a pesquisa podem ser vistos no site da SPC Brasil (clique aqui).

Sendo um questionário aplicado nas 27 capitais brasileiras, o estudo veio naturalmente acompanhado de uma pesquisa de torcidas. Assim, o Blog Teoria dos Jogos entrou em contato com o SPC Brasil e teve acesso aos números de maneira exclusiva. No entanto, muitos esclarecimentos se fazem necessários.

Em primeiro lugar, não se trata de uma pesquisa nacional, já que as entrevistas se concentraram tão somente nas 27 capitais brasileiras, e com amostra bastante limitada: 620 torcedores. Além disso, por ter focado o universo de torcedores (e não o universo populacional), o “Nenhum” (pessoas sem time) foi descartado, fazendo com que o percentual de cada torcida subisse. Só que o mais importante é que a pesquisa não seguiu proporcionalidades primordiais. Isto que significa que 63% dos respondentes foram homens, mesmo numa sociedade de maioria feminina. Em termos geográficos, entrevistou-se um número muito maior de cariocas (16,6%) do que paulistanos (20,1%) proporcionalmente, levando a uma superestimação dos números atrelados aos times do Rio. Depois das duas maiores metrópoles vieram Salvador (8,3%), Porto Alegre (6,8%), Curitiba (6,1%), Fortaleza (5,6%), Recife (5,4%), Belo Horizonte (4,2%) e Manaus (4%).

Todas as limitações abordadas acima não inviabilizam este estudo de abordagem criativa e diferenciada. A questão é que, mais do que nunca, a pesquisa SPC/CNDL reflete tão somente o perfil de sua amostra. Por conta disto, o Blog Teoria dos Jogos optou por expor seus resultados sem proceder maiores análises sobre os recortes de gênero, idade, renda e fanatismo. Convidamos, portanto, nossos leitores a fazê-lo.

Seguem os números:

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O Mapa do Televisionamento dos Estaduais 2016

Alguns anos após introduzir este conceito no cenário econômico e futebolístico, o Blog Teoria dos Jogos retoma seu mapa do televisionamento do estaduais, versão 2016. Trata-se de um levantamento acerca dos estaduais que são veiculados, detalhando para onde e qual percentual do PIB e da população cada um está exposto. Os números se referem apenas à TV aberta e à divisão de praças da Globo, detentora dos direitos de transmissão. A Bandeirantes, emissora licenciada, obedece às regras impostas por aquela, gerando um alinhamento na maioria dos estados.

Antes de trazermos os números, alguns esclarecimentos se fazem necessários. Estamos diante de um levantamento que foi “facilitado” ao longo dos anos, dada a simplificação na distribuição dos estaduais. Anteriormente, praças que não possuíam certames próprios se dividiam entre os do Rio e de São Paulo – com larga vantagem para os primeiros. Nos últimos anos, o Paulistão deixou de ser veiculado para lugares como Tocantins (que se voltou ao Rio), Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (estaduais próprios).

Mas as baixas não são exclusividade do Campeonato Paulista. A última “dissidência” verificada se deu em Alagoas, há dois anos, quando o Campeonato Alagoano passou a ser assistido em detrimento do Carioca. Também ocorrem exceções, como no fim de semana em que a Globo Brasília optou por receber o sinal de São Paulo. Ainda assim, a hegemonia do Rio é incomparável: enquanto quinze unidades federativas alinham consigo, o Paulista hoje é visto apenas em seu estado de origem. Equiparando-o a outros onze torneios: Mineiro, Baiano, Gaúcho, Paranaense, Pernambucano, Cearense, Catarinense, Goiano, Alagoano, Mato-Grossense e Sul Mato-Grossense.

Feitas as ressalvas, vamos aos números:

Fig 01

 

Fig 02

Tamanha difusão torna natural a preponderância do Campeonato Carioca Brasil adentro. Somados, os quinze estados que o assistem representam 29,61% da população nacional. Exposto para 44 milhões de pessoas, o Paulistão possui abrangência de 21,72%. Mas o poderio econômico faz com que a balança se reverta a favor de São Paulo sob a ótica do PIB. Semanalmente, as marcas de Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos são divulgadas para o equivalente a 32,13% do Produto Interno Bruto. Os 60 milhões de brasileiros voltados aos times do Rio representam 27,14% da economia brasileira.

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Numa comparação entre os dois principais estaduais, percebemos o Paulista com potencial de renda 18% superior ao Carioca. No entanto, há uma semana expusemos que a diferença que a Globo paga por ambos é muito superior. Estima-se que nas negociações pelo Carioca-2017, Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo possam auferir entre R$ 11 milhões e R$ 12 milhões cada um. O que faria o quarteto carioca assistir aos paulistas embolsarem no mínimo 40% a mais.

Ainda em termos comparativos, viajemos à era pré-Teoria dos Jogos.  Em 2011, descobrimos que este blogueiro já compilara um mapa do televisionamento, publicando-o no blog Olhar Crônico Esportivo, do amigo Emerson Gonçalves. Naquele tempo, o Carioca era veiculado para 30,6% da população (0,99 ponto percentual a mais do que hoje) e 26,97% do PIB. Ou seja, ainda que marginalmente, pode-se dizer que o Estadual do Rio cresceu 0,17 p.p em valor – o que não corre com o Paulista. Nestes cinco anos, os clubes de São Paulo verificaram queda de 3,51 p.p na população e 4,23 p.p no PIB para o qual se expõem. Tratam-se de reduções acentuadas.

Após São Paulo e Rio, a ordem dos estaduais sob a ótica do PIB nos brinda com os Campeonatos Mineiro (9,16%), Paranaense (6,26%), Gaúcho (6,23%), Catarinense (4,03%) e Baiano (3,84%).

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E se o Brasil adotasse o modelo inglês?

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Talvez seja questão de tempo, não se sabe ao certo. Mas a sensação que fica é: enquanto não houver mudanças no modelo que distribui os recursos do televisionamento, a demagogia no futebol brasileiro não cessará.

O “bastião da moralidade” é o deputado Mendonça Filho, do DEM/PE, que apresentou emenda à Medida Provisória do Profut visando aplicar por aqui o modelo de repartição do futebol inglês: 50% da verba dividida entre todos os clubes, 25% conforme a classificação do torneio anterior e 25% proporcionais à audiência média de cada um.

Se isto acontecesse, como as coisas ficariam? A resposta vem de um elucidante trabalho de Christiano Candian, autor do blog Constelações e leitor do Blog Teoria dos Jogos. Ele preparou uma planilha que projeta diferentes cenários segundo mudam os percentuais atribuídos a cada critério.

Na hipótese da divisão à inglesa: 50% igualitária, 25% esportiva, 25% audiências:

Fig 01

PS: Valores em milhões de reais, com base na distribuição de recursos vigente do triênio 2013-2015 (diferente das demonstrações financeiras). O percentual de audiência foi dado como proporcional às cotas atualmente percebidas. Foram incluídos apenas os participantes da Série A em 2014 – por isso a ausência do Vasco.

A diferença entre quem ganha mais e menos (Corinthians e Criciúma) ficaria inacreditavelmente pequena: R$ 68,9 milhões a R$ 28,5 milhões. Isto significa que o Corinthians, uma das locomotivas do futebol nacional, levaria apenas 2,4 vezes mais que um clube de torcida quase municipal. Nem assim agradando aos puristas, já que na Inglaterra a diferença fica na ordem de 1,5 vez

O mais impactante pode ser visto na coluna “Diferença”, que denota o quanto ganham ou perdem os clubes sob este novo ordenamento. Gigantes como Flamengo e Corinthians experimentariam sangria superior a R$ 40 milhões. Mas não só eles: São Paulo, Palmeiras, Santos e Botafogo teriam prejuízos de R$ 8 milhões a R$ 24 milhões. Em suma: clubes que representam metade da população nacional chafurdariam para encher os bolsos de Figueirense (R$ 18,1 milhões), Atlético-PR (R$ 16,8 milhões), Chapecoense (R$ 15,9 milhões) e – é lógico – o Sport (R$ 13,5 milhões), do estado do digníssimo parlamentar.

Mas a tabela permite simulações com base em outras divisões. Se ela fosse 50% esportiva, 25% igualitária e 25% audiências:

Fig 02

Neste caso, o “clube dos infelizes” teria a deficitária companhia da dupla Ba-Vi, rebaixada em 2014. O benefício viria ao campeão, com nada menos que R$ 21,3 milhões adicionais nos cofres do Cruzeiro. O Flamengo desabaria no mesmo montante da simulação anterior (R$ 47 milhões), recebendo menos que Corinthians, São Paulo e Cruzeiro. Mas a concentração aumentaria, com o líder faturando 4,2 vezes mais do que o último colocado.

Já no caso de 50% audiências, 25% esportiva e 25% igualitária:

Fig 03

Teríamos um cenário mais racional: os mesmos prejudicados do primeiro cenário com quedas menos acentuadas – a do Flamengo, de R$ 31,5 milhões. Por analogia, o maior beneficiado teria ganhos menos expressivos (R$ 12,1 milhões ao Atlético-PR). Nos três cenários – dado o peso dos resultados esportivos – o Corinthians seria líder, aqui angariando 4 vezes mais do que o Tigre de Santa Catarina.

E a opinião do Blog…

Já expusemos nossa opinião sobre a adoção do modelo inglês num texto denominado “Não existe “espanholização” no Brasil… no máximo uma “italianização”, quiçá “enfrancesamento”. Lá foi dito que em países cuja configuração de torcidas é bem conhecida – casos de Espanha, Itália ou do próprio Brasil – recursos são direcionados de maneira concentrada nos chamados “trens pagadores”.

Se não somos tão concentrados quanto os países citados, a configuração de torcidas no Brasil também não difere tanto. Por aqui, flamenguistas atingem cerca de 24% do universo de torcedores, ao cabo que a Juventus possui 29% e o Real Madrid, 37%. Quando Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco entram em cena, passam a representar 66% da torcida e inacreditáveis 80% entre jovens.

Soa razoável este complexo de Robin Hood, refutando ditames de mercado em meio a relações puramente comerciais entre entes privados?

Não, não soa.

E o Blog Teoria dos Jogos não está sozinho em sua posição. Segundo Emerson Gonçalves, autor do blog Olhar Crônico Esportivo, haveria muitas diferenças entre Brasil e Inglaterra – explicando a pouca similaridade entre os modelos adotados aqui e lá. Ele diz:

-No Brasil a TV já nasceu privada, tendo desde o início dependido do mercado publicitário para sobreviver e crescer. Muito porque se baseou no sistema de transmissão em canal aberto, gratuito e financiado por anunciantes que pagam em troca de visibilidade. Isto não aconteceu na Inglaterra, onde a TV nasceu pública e a publicidade veio bem depois.

Por isto, Emerson diz que “quando se negociam as transmissões do futebol no Brasil, é mais do que evidente que se busca a audiência”, presumindo não haver mal e refutando a adoção de modelos moldados por diferentes realidades.

Agradecemos a Christiano Candian e Emerson Gonçalves, convidando os leitores para mais esta reflexão acerca de um tema que nunca sai de pauta.

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As torcidas da “Corrida”

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Hoje à noite acontece no Rio de Janeiro mais uma etapa da “Corrida das Torcidas”, evento que começa a se tornar tradicional no calendário esportivo carioca. Com etapas que envolvem voltas em torno do Maracanã e da Lagoa Rodrigo de Freitas, a competição tem como diferencial fazer com que cada corredor “represente” o time que torce, apontando-o no momento do seu cadastro.

Como pro Blog Teoria dos Jogos, “envolveu torcida, tem que envolver pesquisa”, elaboramos um levantamento desde o evento de 2013 – quando times de fora do Rio começaram a poder ser escolhidos. De lá pra cá, estes foram os números das torcidas:

Corrida das Torcidas 2014

Etapa Maracanã (Geral Masculino)

TOTAL – 777

Flamengo – 239

Vasco – 140

Fluminense – 96

Botafogo – 86

 

Etapa Maracanã (Geral Feminino)

TOTAL – 593

Flamengo – 165

Fluminense – 89

Vasco – 69

Botafogo – 59

 

Etapa Lagoa (Geral Masculino)

TOTAL – 700

Flamengo – 276

Vasco – 143

Fluminense – 97

Botafogo – 70

 

Etapa Lagoa (Geral Feminino)

TOTAL – 551

Flamengo – 224

Vasco – 100

Fluminense – 76

Botafogo – 65

 

Corrida das Torcidas 2013

Masculino

TOTAL 1020

Flamengo – 351

Vasco – 167

Fluminense – 105

Botafogo – 106

 

Feminino

TOTAL – 711

Flamengo – 260

Vasco – 99

Fluminense – 99

Botafogo – 60

 

No agregado, os resultados seguem abaixo – todos além dos quatro grandes do Rio em percentuais aproximados. Apenas o Flamengo marcou menos do que costuma acontecer em pesquisas na capital carioca. Os demais, em linha com a percepção de torcidas na cidade:

Corrida

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Distorções na Tabela do Brasileirão – versão 2014/2015

Há dois anos o Blog Teoria dos Jogos lançou o alerta: alguns integrantes da Série A podiam ser prejudicados ao verem suas partidas como mandantes muito concentradas nos piores dias, contrastando com a realidade dos rivais. A análise de 2013 – cujo título era o mesmo desta coluna – repercutiu bastante. Fontes próximas ao Blog atestaram a atuação de grandes clubes nos bastidores (junto à CBF), visando influir nas tabelas dos torneios subsequentes.

De lá pra cá muita coisa mudou? É o que analisaremos.

Inicialmente, faz-se necessário esclarecer uma interessante característica da audiência esportiva no Brasil: enquanto o futebol tem mais público pela TV nos dias úteis, aumenta o público nos estádios em fins de semana. Trata-se de algo facilmente verificável com base nas audiências divulgadas semanalmente pelo Blog Teoria dos Jogos no Twitter, bem como estabelecendo um recorte das médias de público do Campeonato Brasileiro.

Média geral de público – Brasileirão-2014:

Fig 01

Média de público – fins de semana (BR-2014):

Fig 02

Média de público – dias de semana (dias úteis – BR-2014):

Fig 03

O Blog Teoria dos Jogos agradece e credita o levantamento das informações (assim como a elaboração das tabelas) a Minwer Daqawiya, publicitário e colaborador do site Grêmio Libertador.

Parece óbvio o benefício financeiro (em termos de maiores bilheterias) dado aos que jogaram mais em casa nos fins de semana. Considerando que 27 das 38 rodadas se deram aos sábados e domingos, temos como padrão o percentual de 71%. Equipes que tiverem atuado menos do que isto aos fins de semana aparecem marcadas em tons de vermelho e amarelo –  eis os prejudicados. Em direção oposta, marcamos os beneficiados em tons de verde. Segue a distribuição:

Fig 04

Na comparação com o ano retrasado, percebe-se que o Corinthians, maior beneficiado à época (84%) teve seus jogos realocados, passando à condição de prejudicado. Em 2014 os paulistas apresentaram percentual de 63%, melhor apenas que os 58% do Coritiba. No outro extremo, Atlético-PR (89%), Atlético-MG e Internacional (84%) gozaram do benefício das bilheterias em níveis superiores aos demais.

A análise também pode se estender ao Brasileirão 2015, com a limitação de que a tabela só foi totalmente aberta até a 10ª rodada:

Fig 05

A parcialidade enviesa a análise. Até a 10ª rodada, alguns terão feitos apenas quatro jogos em casa, frente a outros com até seis. De qualquer maneira, Coritiba, Flamengo, Goiás, Internacional, Ponte Preta e Santos largam na frente, com todos os seus jogos em casa nos fins de semana. Já o Fluminense fará apenas metade deles no Maracanã.

Mediante as vinte diferentes realidades da Série A, soa impossível administrar tabelas de modo a igualar o percentual de todos. Mas ao trazer a público comparações intertemporais, o Blog Teoria dos Jogos monitora a existência ou não de benefícios/prejuízos sistemáticos para este ou aquele. Por ora, as distorções não parecem tão relevantes.

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O ranking do pay per view 2014

Apenas a título de registro, segue o novo ranking de assinantes do pay per view da Globosat, assim como o valor exato do rateio entre cada um dos 18 clubes de futebol relacionados. Os números foram publicados originalmente em matéria no site da ESPN.

Ranking PPV

Ranking PPV2

Muita gente ainda confunde a metodologia utilizada para se alcançar estes percentuais. Tratam-se de duas pesquisas, elaboradas respectivamente por Ibope e Datafolha, em meio à base de assinantes do futebol na TV por assinatura (algo em torno de 1,2 milhão de pacotes). Com elas em mãos, a Globo faz uma simples média aritmética, distribuindo os recursos arrecadados segundo o tamanho auferido de cada torcida.

Importante assinalar que esta estatística reflete primordialmente os resultados do ano anterior (2013), com a maior parte das novas assinaturas acontecendo ao início da temporada. Razão pela qual o Flamengo, novamente líder, apresentou o segundo maior crescimento absoluto (0,52 pontos percentuais) – atrás apenas do Cruzeiro (0,90 p.p). A Raposa impulsionou sua participação com base no título brasileiro de 2013, sendo ajudada pelo desânimo dos atleticanos após o vexame do Mundial Interclubes. Ainda assim, o resultado dos mineiros foi extraordinário, com Cruzeiro (8,2%) e Atlético (7,7%) sendo superados apenas por Flamengo (15,2%) e Corinthians (12,8%).

São Paulo e Vasco (ambos 6,7%) apresentaram quedas drásticas, sendo a vascaína mais justificada pelo rebaixamento consumado naquela temporada. Detentores da terceira e quinta maiores torcidas do Brasil, seus resultados (5º e 7º lugares) não fazem jus à grandeza das massas. Enquanto isto o Palmeiras (5,8%) já apresentava pequena escalada ao ultrapassar o Fluminense (5,8%). É de se imaginar qual será o resultado do alviverde em 2015, considerando a euforia da torcida neste promissor início de temporada.

A diferença do Grêmio (7,2%) para o Internacional (5,6%) é de certa forma proporcional à configuração de torcidas nos estados do Sul. Já o Botafogo (3,8%) decepcionou, apresentando queda mesmo com Seedorf (à época) e prestes a disputar uma Libertadores após 18 anos. O alvinegro, aliás, se vê ameaçado pela maior surpresa da lista: O Bahia (3,7%), que tirou ninguém menos que o Santos (3,5%) do top-12.

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A Pesquisa da Vez: Lance/Ibope-2014 (E haja polêmica…)

CRM Zen

Desde as primeiras horas de ontem, este blogueiro se viu bombardeado por pedidos de esclarecimento, informações e análises. Logo se percebia que a tão aguardada pesquisa Lance/Ibope-2014 saíra do forno, verdadeira fagulha sobre o combustível do debate envolvendo o tamanho das torcidas. Como ultimamente quem gera mais polêmica ganha mais cliques, os institutos parecem estar caprichando.

Antes, uma ressalva: a amostra da pesquisa Lance-Ibope é de 7.005 pessoas, com margem de erro de apenas um ponto percentual. Significa ser totalmente fiel à realidade? Absolutamente não. Como o Blog Teoria dos Jogos sempre faz questão de esclarecer, pesquisas de torcida refletem – com fidelidade maior ou menor – a realidade da amostra. Por exemplo: um milhão de entrevistados em regiões metropolitanas serão um retrato fidelíssimo das torcidas nas… regiões metropolitanas. Configuração distinta do que se vê no país como um todo. Foi aí que o Ibope pareceu pecar.

OS NÚMEROS NACIONAIS

Fig 01

Variações na margem de erro são normais e fazem com que certos ordenamentos se modifiquem de uma pesquisa para outra. Mas é bom desconfiar quando vários ordenamentos, sempre tão estáticos, se modificam em apenas uma delas. No movimento mais flagrante, o Atlético-MG simplesmente não tomou conhecimento do Cruzeiro – situação avessa à de inúmeras pesquisas no estado de Minas Gerais. Além de suplantar seu arquirrival, o Galo surge na frente de quem sempre apareceu na dianteira, casos de Grêmio e Internacional. Pela primeira vez a torcida do São Paulo demonstra queda acima da margem de erro, levando consigo um Vasco quase ultrapassado pelo próprio Atlético-MG. O Bahia iguala o Botafogo, trazendo torcedores do Vitória também à frente do Sport. Aliás, o Leão pernambucano perde até pro Atlético-PR. É muita polêmica numa só pesquisa…

Enquanto o Ibope não abrir a metodologia – principalmente citando o número de localidades e listando quais foram contempladas – nada poderá ser dito a respeito da pesquisa. Mas num primeiro momento, a impressão que fica é de um viés em direção a Belo Horizonte – onde o Atlético-MG de fato supera o Cruzeiro – e Salvador. Aparenta também uma Curitiba superdimensionada. Em direção oposta, regiões de predomínio carioca (como o Norte/Nordeste) podem ter sido visitadas fora de proporção. Para piorar, mais uma vez Pernambuco parece não ter recebido o devido peso. Tais impressões aumentam à medida com que analisamos as próximas tabelas.

TABULAÇÕES ESPECÍFICAS

Fig 02

Os arranjos por faixa etária não aparentam maiores problemas – embora a possibilidade de viés impacte na pesquisa como um todo. Entre os mais velhos, resultado semelhante ao da pesquisa Datafolha-2014: Flamengo e Corinthians em franco equilíbrio, Santos, Internacional, Botafogo e Fluminense acima do que registram atualmente. Galo à frente do Cruzeiro e Inter batendo o Grêmio, exatamente conforme abordado por aqui anteontem.

Fig 03

Entre os mais novos não há base de comparação, pois os números consideram torcedores de 10 a 15 anos, enquanto o Datafolha abordou apenas eleitores – ou seja, acima dos 16. Assim, estamos diante de um cenário absolutamente novo. Apesar do intenso crescimento do Corinthians (16,9%), o Flamengo é sacramentado como preferido por quase um quarto da população futura (22,3%). O Cruzeiro possui torcida mais jovem que o Atlético (4,1% a 3,9%), outro processo já verificado neste espaço. Vasco, Santos, Botafogo e Fluminense perdem posições. Daí a despencarem nos níveis expostos (abaixo de Bahia, Vitória ou Sport) já é algo que desperta incredulidade e desconfiança.

O problema mais evidente da pesquisa, contudo, surge nas tabulações por nível de renda:

Fig 04

Entre os mais pobres, nada a questionar – com as devidas ressalvas dos parágrafos anteriores. De certo o número de entrevistados foi robusto o suficiente para gerar a intensiva hegemonia de flamenguistas (20,8%) – o dobro do que apresenta o Corinthians (10%) e quase o quádruplo do São Paulo (5,6%). Ainda assim, chama atenção o quantitativo de adeptos do Sport (4,2%) e do Santa Cruz (4%) mediante galeras quase inexistentes de Atlético-MG, Cruzeiro, Santos e Fluminense (todos abaixo de 1%). Percebam agora o verdadeiro mau trato à informação:

Fig 05

A dianteira do Corinthians (17,6% a 10,9% sobre o Flamengo) até encontra eco nos números divulgados pelo Datafolha há um mês. Mas os inacreditáveis 10,1% marcados pelo Atlético-MG acendem uma luz amarela quanto à fidelidade da tabela. Isto porque, segundo o IBGE, apenas 1% da população brasileira auferia mais de 10 salários mínimos em 2010 – o equivalente, hoje, a R$ 7.240,00 mensais:

Fig 06

Para seguir a proporção, significaria apenas 70 pessoas sendo entrevistadas na faixa mais alta de renda (com alguma correção por estarmos em 2014). O leitor Christiano Candian matou a charada: foram 119 entrevistados. Para tanto, atribuiu ao menor percentual (0,84%, do Bahia) o número um, deduzindo o quantitativo exato de cada “torcedor rico” pesquisado:

Fig 07

Diante de um universo de 21 corintianos, 13 flamenguistas e 12 atleticanos, a verdade é que a análise desta faixa de renda é inócua. Sem um teto de renda mais baixo (por exemplo, “acima de 5 salários mínimos”), o Ibope teria a obrigação de dizer que a margem de erro de 119 pessoas sobre a amostra de 7.005 é superior a dez pontos percentuais. A mesma coisa que nada.

Fig 08

Finalmente por educação formal, o instituto muda de parâmetros, fazendo um percentual interno de pessoas com nível superior dentro de cada torcida. Trata-se de uma ótica diferente das tabelas que tem por referência o universo total de entrevistados. Modificações desta natureza só servem para confundir a cabeça do leitor médio, não sendo recomendadas no contexto de um mesmo estudo.

Pra terminar: apenas hoje, 24 horas depois da publicação original, o diário Lance veio a divulgar o percentual de pessoas sem time (23,4%). Eis um referencial imprescindível para análises de marketing esportivo, mensurando o tamanho do mercado sobre o qual os clubes precisam trabalhar. Cada vez mais as pesquisas Lance-Ibope se mostram confusas e geradoras de incertezas – sensação que se potencializa mediante a recusa em explicar a metodologia e prestar esclarecimentos.

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