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A importância de zelar pelas marcas

Terminou no último fim de semana a segunda fase de grupos do Campeonato Carioca. Ao lado dos clássicos que farão as semifinais do torneio (Vasco x Flamengo e Fluminense x Botafogo), teve destaque o desempenho do Volta Redonda, única agremiação de menor investimento com chances de classificação até a última rodada da Taça Guanabara. De todo modo, tivemos outra bela campanha do Tricolor da Cidade do Aço, clube que tem no título da própria Guanabara seu ápice histórico, onze anos atrás.

A verdade é que o simpático Voltaço historicamente se contrapõe aos grandes cariocas. Este ano, vitórias sobre a dupla Fla-Flu comprovaram sua condição de um dos únicos do interior a de fato exercerem seu mando de campo. Isto, naturalmente, faz com que o Volta Redonda ganhe holofotes. Seja através de transmissões, reportagens de TV ou matérias em sites e veículos de mídia impressa, tal exposição rende a ele cerca de R$ 2 milhões entre patrocínios e cotas de TV. Apesar de tudo (ou talvez por conta disto), uma questão relacionada ao trato do clube com sua marca vem chamando atenção.

Em consulta ao site oficial do Volta Redonda Futebol Clube, à sua página no Facebook e ao material de divulgação do uniforme 2016, verificou-se o seguinte:

Fig 01 Fig 02 Fig 03

Na primeira imagem, um símbolo em amarelo e preto, que faria do Voltaço um aurinegro – não o tricolor que se auto denomina. Na segunda, um escudo tricolor, com o “U” (que circunda os raios) e o “VRFC” em branco, mas com um detalhe: pontos em separação às letras da sigla. Pormenores inexistentes no escudo – também tricolor – bordado pela Icone Sports no uniforme da equipe. Uniforme este que, no material institucional de lançamento, contrastou com outro escudo totalmente em preto e amarelo, conforme se verifica na terceira imagem.

Seriam descuidos ou as variações estariam previstas no manual de aplicação da marca?

O Blog Teoria dos Jogos buscou a opinião profissional do designer Bruno Ventura, proprietário da Disarme Gráfico. Para ele, mesmo que o grande público não saiba distinguir com exatidão a padronização das aplicações de uma marca, a iniciativa traz efeitos positivos às empresas, como a sensação de coesão e boa estrutura organizacional. No caso específico da marca do Voltaço, Bruno afirmou ser possível “notar versões distintas da assinatura e diferenças substanciais nos elementos de composição do brasão, como ausência e presença de pontos na sigla, espessura do contorno do escudo, espaçamento e proporção dos grafismos, bem como o uso das cores”.

Já a opinião dos profissionais do mercado esportivo não foi tão simples de ser coletada. Ainda que tratem e zelem pelas marcas, agências de marketing esportivo preferem não opinar publicamente, com medo de “fecharem portas” a futuras negociações. Em off, entretanto, algumas lamentaram a falta de zelo e a clara inexistência de um guideline da marca do Volta Redonda. Confidenciaram ainda que a situação é corriqueira, inclusive entre clubes do interior paulista.

Infelizmente não tivemos qualquer resposta oficial, já que tanto a diretoria quanto a assessoria de imprensa do clube não responderam aos nossos questionamentos. O Blog Teoria dos Jogos segue com canal aberto ao Voltaço ou à sua fornecedora de material esportivo.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

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