O alcance das transmissões de TV (RJ vs SP)

Header-188BET-728-x-90-Brasileirão1

Três são os elementos que precisam ser levados em conta quando analisamos a exposição dos clubes como elemento dimensionador das cotas de televisionamento. Em primeiro lugar, o total de transmissões envolvendo cada um. Em segundo, a audiência proporcionada por estas transmissões – em tese, quanto maior a torcida, mais gente assistindo. Tratam-se de números fáceis de ser levantados – o próprio Blog Teoria dos Jogos os divulga semanalmente em seu Twitter. O problema reside no terceiro elemento: o “alcance” de cada partida, ou seja, para quantas praças cada transmissão é veiculada. Discorramos.

Transmissões em TV aberta no Brasil são um produto cuja exclusividade pertence à Globo, sendo esta uma sublicenciada da Fox apenas no tocante à Copa Libertadores. De fevereiro a maio, treze estados acompanham regionais próprios através de suas afiliada locais. A não ser em datas cujo calendário fica vago, estas praças não estão autorizadas a deixarem de transmitir seus estaduais. Os 14 estados remanescentes (incluído aí o Distrito Federal) alinham com a transmissão da TV Globo do Rio de Janeiro, fazendo com que o Campeonato Carioca seja o único produto a ser exibido em mais de um estado, salvo exceções ressalvadas.

Intercalados com os estaduais, temos as transmissões das Copas do Brasil e Libertadores. A partir de maio, entra em cena o Campeonato Brasileiro. Nestes torneios, na maioria das vezes terminam as obrigatoriedades, com cada afiliada podendo escolher sua partida de acordo com audiências e com a configuração de torcidas local. Tal escolha recai sobre as transmissões de uma das “Globos nacionais”: a do Rio (SAT Rede) ou a de São Paulo (SAT SP).

A pergunta é: cariocas e paulistas tem seus jogos difundidos para quantos estados? Estamos diante de uma informação pública, divulgada pela própria emissora por meio de seus canais digitais. Ainda que conhecer este perfil faça toda a diferença, a resposta não é fácil por se tratar de um levantamento trabalhoso, pois a cada confronto o alcance muda ao sabor da preferência das afiliadas.

É aí que entra o Blog Teoria dos Jogos. Em um estudo totalmente exclusivo, analisamos o perfil de cada uma das 43 transmissões das TVs Globo do Rio e de São Paulo em 2015 – únicas que veiculam partidas para mais de um estado com consistência*. O levantamento não inclui amistosos ou torneios de pré-temporada como o Super Series, disputado em Manaus por Flamengo, Vasco e São Paulo em janeiro. Não foram consideradas transmissões da TV Bandeirantes, canais fechados ou parabólicas, bem como partidas da Seleção Brasileira.

*Apenas esporadicamente, filiais ou afiliadas tem suas partidas difundidas para além da praça-sede. Exemplos de 2015: Bahia x Ceará (final da Copa do Nordeste), para BA e CE. Cruzeiro x River Plate (Libertadores), para MG e RS. Flamengo x Sport (Brasileirão), para PE e DF.

CAMPEONATOS ESTADUAIS (CARIOCA VS PAULISTA)

Ao longo de 16 datas, o Campeonato Carioca concorreu diretamente com o Paulista em 2015. Como já foi dito, por questões contratuais não houve margem para escolha: os jogos do Rio saíram para algo entre 14 e 16 estados por ocasião, com o Paulista se reservando aos limites do estado (PR, MS e CE receberam-no em pelo menos uma circunstância).

CAMPEONATO CARIOCA VS PAULISTAS NA LIBERTADORES

Num ano em que nenhum time do Rio foi para a Libertadores, por três quartas-feiras o Estadual confrontou com jogos de Corinthians ou São Paulo pelo torneio continental. Isto fez com que o número médio de estados que o acompanham o Carioca tenha caído para 13, enquanto cinco estados (em média) alinharam com a Globo SP. Diferença relativamente pequena quando comparada ao cenário anterior porque  ainda havia o compromisso da maioria afiliadas com seus torneios locais, limando suas opções de escolha.

Houve aqui uma exceção: San Lorenzo x Corinthians foi veiculado numa data sem jogos do Carioca, quando se encaixou na grade um amistoso do Flamengo contra o Nacional/URU (“despedida de Leo Moura”). Foi a única ocasião em que se verificou absoluta reversão do televisionamento: 20 estados seguiram o alvinegro, ficando apenas o Rio com o Fla.

COPAS (DO BRASIL E LIBERTADORES): RJ VS SP

Temos aqui nosso cenário mais equilibrado. Dez jogos da Globo Rio (sempre pela Copa do Brasil) confrontaram com a Globo SP (Libertadores ou Copa do Brasil). Com afiliadas livres para optarem, valeu o peso da competição da Conmebol: onze estados, em média, ficaram ao lado dos paulistas, contra os mesmos onze dos cariocas. Em cinco oportunidades, a Globo SP teve maioria de afiliadas. A Globo Rio só mantinha o equilíbrio quando a Libertadores saía de cena (Copa do Brasil vs Copa do Brasil). Ou em jogos do Flamengo.

Aqui, a partida mais propagada foi São Paulo x Cruzeiro, pela Libertadores, acompanhada em 22 estados. Em seguida vem Flamengo x Náutico, pela Copa do Brasil (21 estados). No extremo oposto, Botafogo x Capivariano, pela Copa do Brasil, só pode ser vista no Rio de Janeiro.

Neste cenário, dos dez jogos da Globo RJ, quatro foram do Flamengo – veiculados em média para 16 estados. Três foram do Vasco (média de 12 estados) e três do Botafogo (média de cinco estados). Dos dez jogos da Globo SP, cinco foram do São Paulo  – veiculados em média para 13 estados. Três do Corinthians (média de 14 estados), dois do Palmeiras (cinco estados) e um do Santos (três estados).

BRASILEIRÃO (RJ VS SP)

Já contando a rodada do último domingo, Globo RJ e SP concorreram treze vezes* pelo Brasileirão, com vantagem de 16 estados alinhados aos cariocas contra 10 aos paulistas.

*Flamengo x Atlético-MG ganhou status nacional por conta do rubro-negro, mesmo sendo uma transmissão da Globo Minas. Naquele fim de semana, Sport x Vasco foi relegado apenas à capital fluminense.

A “partida mais nacional do Brasil” foi justamente Flamengo 0 x 3 Corinthians, com veiculação para nada menos que 26 estados (excluídos o estado de Goiás e a cidade do Rio), condição esta apenas superada pelos jogos da Seleção Brasileira. Em seguida vem Fluminense x Corinthians (25 estados) e São Paulo x Fluminense (24 estados). Acreditem, na outra ponta se encontra o confronto do Flamengo com o Avaí, visto apenas no estado do Rio. Goiás x Corinthians só passou para SP e PR.

Dos treze jogos da Globo RJ (incluída a exceção do asterisco acima) neste cenário, foram sete do Flamengo veiculados em média para 18 estados. Quatro do Fluminense para 13 estados e dois do Vasco para 18 estados. Para SP, foram sete do Corinthians para 11 estados em média, cinco do São Paulo (média de oito estados), dois do Santos (oito estados) e um do Palmeiras para 17 estados (o clássico Palmeiras x SPFC).

TOTAL

A contabilidade por praças  é esclarecedora: denota o apelo dos clubes em face à Globo do seu próprio estado. Mas também subestima exposições. Um exemplo: Fla x Corinthians era da Globo SP e por isto só entrou na conta alvinegra, embora toda a exposição fosse compartilhada. Diante disto, preparamos um ranking contendo o número médio de estados para os quais cada grande paulista ou carioca foi exposto nas 43 partidas de 2015 – seja pela Globo do Rio ou de São Paulo. Ou seja, cariocas veiculados pela filial paulista tiveram exposição também contabilizada para si e vice versa.

*Foram excluídas transmissões restritas a uma cidade, comuns no Campeonato Paulista. Nestes casos, somente o confronto principal foi considerado.

Fig 01

CONCLUSÕES

É lógico que, no tocante ao alcance de uma transmissão, números absolutos podem traduzir pouco. Alguns estados do Norte ou Nordeste, pequenos e pouco populosos, inflam estatísticas e não impactam significativamente sob a ótica do poder aquisitivo. Tendo claro que nem sempre “mais” é “melhor”, parece fato que numa federação formada por 27 estados, a penetração dos clubes do Rio de Janeiro destoa, chamando bastante atenção.

Em maior ou menor escala, os clubes cariocas (e por conseguinte, suas marcas e parceiros) apresentam capilaridade muito superior aos paulistas, fazendo daqueles um foco mais acertado a anunciantes que visem campanhas abrangentes, de cunho nacional. Em contrapartida, o peso econômico de São Paulo aliado à importância das praças que tradicionalmente alinham consigo (PR ou RS, por exemplo) fazem  do seu retorno em mídia algo no mínimo equivalente ao dos cariocas, ultrapassando-os em diversas ocasiões aqui expostas.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

4 comentários sobre “O alcance das transmissões de TV (RJ vs SP)

    1. Não sou o Autor, mas posso te dizer que não.Essas são as TVs locais mesmo, a parabólica geralmente segue o Rio, e as vezes(raro) o jogo de maior apelo como Flamengo e Corinthians semana passada.Em que região de MG vc mora?

  1. Sugestão de próximo passo desse trabalho, desenvolver o último parágrafo:

    “em maior ou menor escala, os clubes cariocas (e por conseguinte, suas marcas e parceiros) apresentam capilaridade muito superior aos paulistas, fazendo daqueles um foco mais acertado a anunciantes que visem campanhas abrangentes, de cunho nacional. Em contrapartida, o peso econômico de São Paulo aliado à importância das praças que tradicionalmente alinham consigo (PR ou RS, por exemplo) fazem do seu retorno em mídia algo no mínimo equivalente ao dos cariocas, ultrapassando-os em diversas ocasiões aqui expostas.”

    Há alguma maneira de quantificar “capilaridade,” abrangência nacional”, “peso econômico,” “importância de praças” e “retorno de mídia”?
    Por exemplo, imagino que o que um ponto significa em cada uma das praças (em número de TV ou famílias ou) e o custo de um anúncio “last minute” em cada uma dessas situações seria um forte indicador de “importância” de praças” e “retorno de mídia”.

    Alguma chance de encontrar essa informação publicamente disponível em algum lugar?

    Abs

Deixe uma resposta