Opinião: Eleições e repercussões do racha na diretoria do Fla

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Fig 01

Sempre foi de conhecimento público, mas a ferida só se mostrou realmente aberta quando Luiz Eduardo Baptista abandonou o barco. A revolta pela postura do clube na disputa com a FERJ foi, de certa forma, mero pretexto do ex-vice presidente de marketing do Flamengo para renunciar ao cargo em fevereiro. A questão ali era reassumir o comando dos movimentos em um jogo de xadrez que ocorria no coração da antiga “Chapa Azul”, hoje rachada.

Eduardo Bandeira de Mello foi eleito presidente do Flamengo em meio a um contexto ímpar. Impedido pelo estatuto de se candidatar, Wallim Vasconcelos cedeu o posto a ele como fruto de uma decisão colegiada. Os empresários – que se uniram para extirpar o câncer da administração anterior – coordenariam de maneira não personalista, através de decisões tomadas via consenso ou maioria em seu chamado “núcleo duro”. Mandariam todos, mesmo aqueles que não tivessem cargo formal na direção.

O que alega este grupo – que hoje anuncia oposição nas eleições de dezembro mesmo ocupando cargos na atual diretoria – é justamente que o presidente não honrou com o combinado. Supostamente envaidecido com o sucesso de uma gestão cujos méritos seriam dos notáveis, Bandeira internalizara benefícios políticos, ganhando luz própria e passando a agir com base em seus ideais. O parlamentarismo – com figura presidencial tão somente protocolar – teria se tornado presidencialismo de fato.

Foi com base no exposto que BAP, já há alguns meses, passou a arquitetar reuniões em São Paulo com antigos e atuais nomes da diretoria do Fla. Tendo como consequência o lançamento (de novo!) de Wallim Vasconcelos como candidato e representante da filosofia original dos azuis.

A grande questão é a seguinte: Até que ponto o Flamengo saiu perdendo com o ofuscar de antigas lideranças? Se analisarmos friamente, veremos que é verdade: o presidente ganhou envergadura que fugia do planejamento original. Mas estaríamos de fato diante de um caso onde “o combinado não sai caro”? Em meio a tantas pressões dentro e fora dos gramados, Bandeira se mostrou sereno, ousado, pacifista e rompedor na medida certa. Encarou desafios com capacidade que muitos dos que hoje lhe fazem oposição – caso do próprio Wallim, quando vice de futebol – não fizeram. Proporcionou, assim, uma guinada não planejada em sua direção. Baseada em virtudes que lhe devem ser atribuídas.

O resultado foi verificado por todos. De uma instituição arrasada, alvo de toda sorte de processos e chacotas, o Flamengo se impôs. Fez valer seu peso em ouro e se consolidou como clube de maior receita, marca mais valiosa e maior faturamento de marketing do Brasil. Jogadores de prestígio voltaram a querer envergar o Manto, enquanto o próprio governo federal o colocou na dianteira de um processo de moralização do futebol.

É lógico que tais mudanças não se devem apenas a alguém, mas a toda a filosofia implantada pelo grupo que elegeu (e hoje refuta) o presidente. Mas também é fato que, se metade daqueles nomes hoje se lançam opositores, a outra metade segue firme no intuito de continuar fazendo o Flamengo maior. Estes inúmeros profissionais – espalhados pelos departamentos jurídico, de administração, comunicação, patrimônio e marketing – são uma realidade, tornando seus possíveis substitutos incógnitas. Caberia mudar um time vitorioso e perder expertise a esta altura, mediante tão bons resultados?

E mais: será mesmo que alguns dos que trabalham pela “nova oposição” o fazem só por pensarem no colegiado? Ora, se a insurreição ocorreu justamente quando seus nomes, antes tidos e havidos como “verdadeiros mandatários do Flamengo”, se perderam em desimportância à sombra da liderança positiva de Eduardo Bandeira de Mello…

Se o racha entre as boas mentes rubro-negras só faz interessar a antigos corvos que se ouriçam na hipótese de voltarem à carga, a manutenção deste Flamengo higienizador é algo que interessa, por baixo, a trinta e cinco milhões de brasileiros. Isto porque, ideologicamente, a doutrina tem a simpatia de milhões de outros. É algo que independe das cores que se enverga.

Eis, portanto, minha particular posição, na condição de editor do Blog Teoria dos Jogos e associado rubro-negro com direito a voto. Uma posição a favor do presidente Eduardo Bandeira de Mello nas eleições do final do ano.

VINICIUS PAIVA

11 comentários sobre “Opinião: Eleições e repercussões do racha na diretoria do Fla

  1. Boa análise……Somando….Quando as bombas estouraram era presidencialismo mesmo, ou seja, quem botava a cara a tapa era o EBM. O bap, por exemplo, só começou a querer a botar o rostinho em vários programas depois que saiu. Antes de sair, entrevista com o BAP era praticamente só por e-mail . Acho que o EBM sentiu que os méritos eram do conselho e as derrotas eram do presidente.

  2. Excelente análise. Algumas coisas me chamam a atenção nessa queda-de-braço entre os azuis: o grupo dissidente bate na tecla que o EBM está tirando o poder do grupo e centralizando nele. Porém, pelo menos para quem está vendo de fora, me parece que o perfil do EBM é muito mais de grupo do que os dois principais líderes dissidentes: Bap e Wallim. Vejo neles muito mais esse tipo de vaidade personalista do que em EBM. É natural que o Flamengo tenha a figura de um líder maior. É assim em qualquer instituição. Até porque o regime é de fato PRESIDENCIALISTA. E o novo estatuto inclusive prevê que o presidente responda com seu patrimônio pessoal no caso de desmandos. Ou seja, com essa espada em sua cabeça, ele precisa ter a prerrogativa de dar a palavra final. É uma pena que as coisas caminharam dessa forma. O Flamengo ganharia muito com a manutenção do grupo unido. Mas o racha tem um lado bom: acredito que os dois grupos devem polarizar a eleição rubro-negra diminuindo espaço dos outros concorrentes. Sou sócio Off-Rio e ainda não tenho o direito de votar (é meu primeiro ano). Mas se votasse escolheria a reeleição do EBM. Mas o grupo encabeçado por Bap/Wallim também pode fazer um grande trabalho pelo Fla.

    Excelente interlocução, Rodrigo. Concordo 100% e também acho que o Flamengo estará bem servido mesmo em caso de vitória do outro lado.

  3. cara é estranho Zico não apoiar uma adm. l estar dando certo mudar o k está dando certo é burrice antes de bandeira o Fla não tinha credito bem pra comprar combustível era motivo de chacota nos noticiários paulista e agora eles tão tendo k engolim o Flamengo

  4. Antes de mais nada…
    Muito feliz por estar em duvida por EBM e Wallin (BAP e Landim).
    Mas vou com Galo, espero uma postura mais ousada, mais agressiva do próximo presidente.
    EBM foi a pessoa certa na hora certa, com sua serenidade ele absorveu algumas porradas na transição para um sistema de organização (ou falta de organização) pensada na austeridade, no limiar entre o poder e querer.
    E partindo do principio que ambas candidaturas tem o mesmo pensamento sobre básico (mas que não era feito), eu escolho a que no meu ponto de vista é mais capaz de elevar o flamengo a outro patamar, que tem um visão de Flamengo maior do mundo, brigando com times da Europa.
    BAP e Wallim são sim mais arrogantes, menos políticos. Mas acho q agora q a casa está arrumada é hora de ousar mais!!!
    e no fim, que EBM esteja junto num pensamento de…
    Nada do Flamengo Tudo Pelo Flamengo!!

    SRN

  5. Mesmo sendo torcedor do Santos, mas por ser simpático ao maior esquadrão q vi jogar que foi o Flamengo de Zico. Digo que a vaidade é o pior defeito do homem e a velha briga por poder que tanto o velho Max falou e que sempre fez mal a Humanidade se instala no clube de maior torcida no Brasil.

  6. Boa reflexão sobre a questão, Vinícius. Não voto, mas sou ST de primeira hora. Se permitido votaria no Bandeira sem medo ou vacilação. Mas também não me sinto incomodado com a situação-oposição, digo, Wallim e cia., pois são todos frutos de uma mesma e virtuosa árvore. Na falta de um, vai o outro sem nenhum temor. Antes assim, ou seja, duas chapas de ótimo calibre, do que o antigo cenário feito de apodrecidas lideranças e suas corjas respectivas, sobrevoando abrutremente as receitas do clube. Até que fatos futuros demonstrem o contrário, o Flamengo continuará em ascendente vôo de gigantismo, consequência de seu tamanho natural aliado a vigorosa administração. Vencer, vencer, vencer… Sempre Flamengo! SRN

  7. pra que mexer no que esta dando certo, a banda podre esta querendo voltar de novo pra quem vota consciência. com essa ADM e outro flamengo ou querer um flamengo antigo.??

  8. Uma pena acontecer essa divisão dentro da Chapa Azul.

    Torço para que ambos se reconciliem, com apoio do Zico, para o bem do Flamengo.

    Cristiano César Ferreira, de São José dos Campos.

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