A primeira de muitas

Foto: Twitter da Prefeitura de São Paulo (@prefsp)
Foto: Twitter da Prefeitura de São Paulo (@prefsp)

Na manhã de ontem, o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho (mais conhecido como Pacaembu) recebeu uma final histórica, ainda que se tratasse apenas de uma competição sub-20. Pela primeira vez, Flamengo e Corinthians – clubes de maior torcida do Brasil – se enfrentaram na final da Copa São Paulo, com vitória rubro-negra nos pênaltis. Mas a verdade é que a surpreendente raridade deste confronto tende a se desfazer à medida com que ambos se solidificam no cenário econômico e esportivo do futebol brasileiro.

Apesar de haver alguns duelos importantes em fases intermediárias do Brasileiro e da Libertadores, Corinthians e Flamengo só compuseram uma final de profissionais, no longínquo ano de 1991. À época, um incipiente Timão apenas iniciava sua trajetória de títulos importantes, sendo o campeão brasileiro de então. Já o Flamengo – papão de títulos da década anterior – vinha como campeão da segunda edição da Copa do Brasil. Assim, os times se enfrentaram na já extinta “Supercopa do Brasil”, com vitória corintiana em um Morumbi que recebeu patéticos 2.706 torcedores.

De lá para cá, muita coisa mudou, a começar pela impossibilidade deste confronto ocorrer mediante público tão pequeno. Corinthians e Flamengo foram, respectivamente, campeão e vice-campeão de público no último Brasileirão, ambos com média superior a 30 mil torcedores por jogo. Trata-se da ponta de um iceberg que reflete a primazia financeira verificado pelos titãs paulistas e cariocas.

Bem administrado após a maior mancha no currículo do clube – o rebaixamento de 2007 – o Corinthians passou a vivenciar sua “era de ouro”, conquistando diversos títulos nacionais (Brasileirão e Copa do Brasil) e internacionais (Libertadores e Mundial). O clube roubou do São Paulo o trono de potência financeira e, nestas condições, navegou tranquilo até bem recentemente.

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Eis que assumiu a atual gestão rubro-negra, em janeiro de 2013, e tudo mudou: o Fla reassumiu a liderança econômica e passou a visar a equiparação no tocante aos resultados em campo. Apesar de conquistas nacionais relativamente recentes, o Mengão ainda se vê prejudicado pela falta de estrutura e de uma filosofia própria, tanto que estas se tornaram diretrizes do segundo mandato do presidente Eduardo Bandeira de Mello.

Com a vigência dos novos contratos de TV, o boom de Flamengo e Corinthians tende a se intensificar. Apenas a título de televisionamento aberto, ambos receberão R$ 170 milhões, enquanto nenhum outro ultrapassará a casa dos R$ 110 milhões – a maioria bem menos do que isso. A origem é a predileção da TV por partidas que os envolvam, dadas as maiores audiências. A consequência, contratos de patrocínio mais robustos, que potencializam o processo de descolamento da dupla.

Um bom exemplo se deu justamente ontem, na Copinha. Pela primeira vez a TV Globo veiculou a final do torneio para todo o Brasil num dia de semana, quando sua grade é mais engessada. Um ano antes, a decisão entre o mesmo Corinthians e o Botafogo/SP já havia sido nacional, mas num domingo, havendo perfeito encaixe com a programação do Esporte Espetacular – tradicional veiculador de eventos ao vivo. Os números da audiência corroboram a boa escolha: 15 pontos com 40% em São Paulo (crescimento de 8 pontos na média da faixa) e 14 pontos com 39% no Rio (4 pontos acima do verificado nas quatro segundas anteriores).

Um grande abraço e saudações!

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3 comentários sobre “A primeira de muitas

  1. Fantástica sua análise. Creio que o descolamento desses dois times será muito bom para o futebol brasileiro. Teremos dois gigantes que podem vir a dominar o panorama latino americano e disputar com menos discrepância com os poderosos times europeus.

  2. Vinicius.

    170 milhões não é o valor da cota para TV aberta.

    Esse valor é referente a todas as competições do ano, em todas as mídias (TV Aberta, Fechada, PPV, Internet e Publicidade Estática).

    Vide balanço do Flamengo de 2014 onde o clube detalha minuciosamente como é a arrecadação de TV do clube.

    Sugiro que de uma olhada e faça até uma matéria a respeito, pois a maioria acredita que 170 milhões é o valor que Flamengo/Corinthians recebem somente pela TV aberta, o que não só é uma inverdade como sem sentido, afinal o PPV paga mais o Flamengo que a TV aberta.

    abraço.

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